16.7.06

SINGER


A fabricação da primeira máquina de costura SINGER, há mais de 160 anos, representou o ponto de partida de uma evolução que proporcionou a todas as mulheres, em todos os pontos do globo, os meios para realizarem suas tarefas de costura de forma mais produtiva, reduzindo os custos e o tempo despendido na confecção de roupas. E não demorou muito para que a marca SINGER se tornasse líder de mercado e sinônimo de costura através de gerações e gerações. Além é claro, de um dos produtos que mais simbolizaram uma parte da independência financeira das mulheres. 

A história 
A ideia de se costurar através de uma máquina surgiu no ano de 1760 e passou muito tempo despercebida. Inúmeros inventores desenvolveram projetos e patentearam novos modelos de máquinas de costura, porém nenhum deles era prático. Mas essa história começou a mudar em 1850 na cidade de Boston, quando o senhor Isaac Merrit Singer, um americano que era mecânico, ator de teatro e inventor, conheceu, na oficina do Sr. Orson Phelps, uma máquina de costura. Ao observar algumas máquinas em funcionamento, ele propôs substituir a agulha curva por uma reta e fazer a laçadeira mover-se em vai-e-vem (e não em círculos). A grande vantagem da máquina do senhor Singer era permitir costuras em qualquer sentido, não só em linha reta. Em onze dias e ao custo de apenas US$ 40, estava pronta a primeira máquina de costura que era realmente eficiente para uso doméstico. O novo produto iria revolucionar o milenar processo de recortar, modelar, armar e unir pedaços de tecidos para confeccionar roupas. Singer solicitou uma patente em 1851, concedida no dia 12 de agosto, e continuou a aprimorar sua máquina até sua morte em 1875 aos 63 anos, incluindo o pedal de acionamento e uma contínua alimentação das rodas.


Ainda em 1851, o Sr. Isaac Singer, juntamente com Edward B. Clark, um advogado de Nova York, fundou a empresa I.M. Singer & Co., que inicialmente enfrentou sérios problemas para introduzir seu produto no mercado, pois o público não acreditava que a máquina funcionava corretamente. Mas, aos poucos, o produto foi ganhando credibilidade. Dois anos depois do início das vendas ao público, a marca já era líder do mercado americano e passou a produzir seus produtos em instalações na cidade de Nova York. Em 1855, a empresa ingressou no mercado francês, dando início a sua expansão internacional. Além disso, conquistou o primeiro prêmio na Exposição Universal de Paris. Visando facilitar a compra das máquinas, a SINGER foi pioneira na introdução do sistema de vendas a prazo neste mesmo ano. Com isso, deu crédito às mulheres sem a interferência do marido, uma atitude ousada para a época, pois era preciso solicitar. Pouco depois, em 1857 inaugurou seu primeiro showroom em plena Broadway, e no ano seguinte iniciou suas operações no Brasil.


Em 1861, pela primeira vez na história da empresa, suas vendas internacionais superaram as domésticas. A empresa crescia no mercado mundial e o nome SINGER se firmava cada vez mais como sinônimo de máquina de costura. Em 1867 a empresa inaugurou sua primeira fábrica fora dos Estados Unidos, na cidade de Glasgow na Escócia. Em 1890 a empresa atingiu a impressionante marca de 80% de liderança no mercado mundial, operando fábricas em vários países. Logo após a virada do século, em 1903, as vendas atingiram mais de 1.3 milhões de unidades, com a empresa oferecendo cerca de 40 modelos diferentes de máquinas de costura. Passada a Primeira Guerra Mundial, a SINGER adotou uma estratégia diferente na abordagem de seus clientes com a inauguração de seu primeiro SINGER SEWING CENTER (Centro de Costura Singer) na cidade de Nova York, um local onde as mulheres podiam fazer cursos de costura e ter um maior contato com os produtos da empresa. Até 1951 esses centros já haviam treinados mais de 400.000 mulheres.


No final desta década, existiam 9 fábricas da SINGER espalhadas pelo mundo, empregando 27.000 pessoas e produzindo mais de 3.000 modelos de máquinas de costura diferentes. Durante a Segunda Guerra Mundial, a SINGER praticamente paralisou todas as linhas de produção ao redor do mundo, voltando-se totalmente para suprir as necessidades do exército americano. Em 1951, enquanto a SINGER comemorava 100 anos de existência, iniciava-se a construção daquela que seria a primeira fábrica de máquinas de costura da América Latina, localizada no Brasil. No ano seguinte lançou a primeira máquina de costura em ziguezague chamada “Slant-O-Matic”.


Em 1963 a empresa adotou oficialmente o nome The Singer Company, e três anos depois, suas vendas romperam a barreira de US$ 1 bilhão pela primeira vez na história. As inovações não pararam nos anos seguintes com o lançamento da primeira máquina de costura eletrônica do mundo e da primeira máquina controlada por computador. No início da década de 1990, inaugurou sua fábrica na China, ingressando no imenso e inesgotável mercado chinês. Nos anos seguintes, com aperfeiçoamento da eletricidade e dos rolamentos, a SINGER conseguiu produzir novas máquinas que aumentaram a velocidade na costura. Uma máquina de costura de uso doméstico pode fazer até 1.500 pontos por minuto. Já algumas de uso industrial chegam a fazer 7.000 pontos por minuto.


No início do novo milênio, para atender às mudanças de hábito que sacudiram o mundo, a marca imprimiu um novo estilo à sua produção. A máquina ficou mais magra (chegava a pesar 5.5 quilos), adquiriu agilidade (portátil), modernizou-se (incorporando linhas curvas e cores, até um azul translúcido que remete aos micros modernos) e aderiu às facilidades, algumas impensáveis anos atrás, como o sistema automático para abastecer a agulha com linha. Foi assim, adaptando-se à realidade de suas clientes, que a SINGER sobreviveu. Além disso, expandiu-se para outros segmentos, por exemplo, com o lançamento de uma linha de cuidados com a roupa composta por ferros de passar e vaporizador. Em 2004 a SINGER foi adquirida pelo fundo de investimento Kohlberg & Company.


Hoje em dia com a evolução da mulher e a mudança no hábito de costurar, a marca tem trabalhado bastante para afastar do seu setor a imagem de ferramenta ultrapassada, investido na produção de modernas máquinas eletrônicas e na participação em importantes eventos de moda. Já nos Estados Unidos, por exemplo, o renascimento da máquina de costura tem sido induzido por uma tendência meio hippie na produção de roupas próprias a partir de retalhos, conhecida como patchwork. E a SINGER está sabendo aproveitar muito bem isso. Para fisgar essa nova consumidora, sem perder o contato com as tradicionais clientes, a marca investiu em novidades. Hoje, parte de seu portfólio é composto por máquinas com visor de LCD e componentes eletrônicos que permitem programar a sequência de pontos.


A linha do tempo 
1889 
Lançamento da primeira máquina de costura elétrica verdadeiramente prática. 
1921 
Lançamento da máquina de costura elétrica portátil. 
1929 
Em uma estratégia de diversificar sua linha de produtos, a SINGER lança no mercado seu primeiro aspirador de pó. 
1949 
Desenvolvimento de uma máquina de costura com capacidade para fazer até 4.000 pontos por minuto. 
1968 
Lançamento no mercado brasileiro da máquina doméstica MULTIPONTO, modelo inovador para a época, porque além de fazer os pontos retos e ziguezague, era possível também fazer vários pontos decorativos. 
1975 
Lançamento no mercado brasileiro da ATHENA 2000, primeira máquina de costura eletrônica do mundo. A máquina, que apresentava luz embutida e duas velocidades, facilitava a seleção dos pontos com desenhos circulares, flores e motivos infantis. 
1978 
Lançamento da primeira máquina de costura controlada por computador. 
1990 
Lançamento da QUANTUM, uma linha de máquinas de costura especificamente voltada para profissionais que necessitavam de alta performance e fácil manuseio. 
Lançamento no Brasil da primeira máquina overlock doméstica. 
Lançamento do MAGIC STEAM IRONING PRESS, um ferro de passar para uso doméstico com controle de temperatura e dispositivo de segurança para não queimar as roupas. O modelo, idêntico aos usados em lavanderias e alfaiatarias, reduzia pela metade o tempo de passar roupas. 
Lançamento de uma linha de máquinas de costura em overlock de alta performance. 
2010 
Lançamento de novos modelos de máquinas eletrônicas, que se destacavam pela facilidade de uso, ajustes e variedades dos pontos, além da costura sem a necessidade de pedal.


A evolução visual 
O símbolo batizado de “Red S Girl” (Garota do S vermelho) surgiu em 1879, como forma de melhor identificação da marca SINGER. Sinuoso tal com uma serpente, o S vermelho envolvia a figura feminina sentada à máquina de costura. Rapidamente se tornou um dos símbolos mais reconhecidos do mundo, especialmente entre as mulheres. Durante mais de um século o símbolo foi sinônimo de máquina de costura. Há alguns anos atrás, a SINGER atualizou seu logotipo criando uma versão mais moderna, como forma de acompanhar a evolução dos dias atuais. Mas tenha certeza que o Red S Girl estará para sempre marcado em sua história.


Os slogans 
Singer is sewing made easy. 
Trusted Excellence. 
Trusted for generations. 
Sewing is an act of love.


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 1851 
● Fundador: Isaac Merrit Singer e Edward B. Clark 
● Sede mundial: La Vergne, Tennessee, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Singer Corporation 
● Capital aberto: Não (subsidiária da SVP Worldwide) 
● CEO: Katrina Helmkamp 
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 1.200 
● Presença global: 150 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 5.000 
● Segmento: Utilidades domésticas 
● Principais produtos: Máquinas de costura e acessórios, ferros e vaporizadores 
● Concorrentes diretos: Brother, Janome, Bernina, Pfaff e Elgin (Brasil) 
● Ícones: O símbolo “Red S Girl” (Garota do S vermelho) 
● Slogan: Singer is sewing made easy. 
● Website: www.singer.com.br 

A marca no Brasil 
A história da SINGER do Brasil se confunde com a própria história do país. Tudo começou em 1858 quando foi aberto na cidade do Rio de Janeiro, na rua Ouvidor nº 117, o primeiro ponto de vendas das máquinas de costura no Brasil. Trinta anos depois, pelo decreto 9.996, a Princesa Isabel concedeu autorização para a SINGER funcionar no Brasil. O escritório central continuaria no Rio de Janeiro e foram abertas novas filiais: Niterói, Campos, São Paulo, Salvador, Recife e Pelotas. Nesta época, a SINGER introduziu no Brasil o sistema de vendas a crédito, com pagamentos semanais de um mil réis, possibilitando assim que as consumidoras pagassem pela máquina com o rendimento mensal obtido com o produto. Já em 1894, a máquina de costura passou a ser um importante objeto nos lares brasileiros, tornando-se um item da lista de casamento de muitas mulheres, que além de fazer reparos domésticos e economizar, também costuravam para fora, e ajudavam a contribuir com a renda familiar. Finalmente em 22 de agosto de 1905, a empresa obteve o registro definitivo para operar no país. Nos anos seguintes, os vendedores não mediam esforços para introduzir os produtos e as filiais multiplicaram-se, gerando a decisão da instalação de uma fábrica de máquinas de costura no país. A SINGER então adquiriu, em meados de 1950, a tradicional Fazenda Palmeiras, com 300 alqueires de terra e localizada no bairro de Viracopos, município de Campinas, no interior de São Paulo.


Em 1951, enquanto a SINGER comemorava 100 anos de existência, iniciava-se a construção daquela que seria a primeira fábrica de máquinas de costura da América Latina. A construção foi rápida e, em 14 de maio de 1955, foi inaugurada, pelo então Presidente do Brasil, Café Filho, e pelo governador do Estado de São Paulo, Jânio Quadros, a Companhia Industrial Palmeiras de Máquinas e Móveis. Na época da inauguração, a SINGER empregava 548 pessoas. O crescimento foi tão rápido que, em 1958, a fábrica fazia a sua primeira exportação de 200 máquinas para o Chile. As vendas aumentavam e puxavam a produção. No início dos anos de 1960, foi lançada a máquina 15C, conhecida como Pretinha. Foi a primeira máquina de costura produzida em território brasileiro. Novos produtos foram desenvolvidos e lançados no mercado brasileiro, as exportações aumentaram e a fábrica foi se tornando pequena. Essa situação determinou um plano de expansão e a criação de outras duas unidades: a fábrica de Agulhas, em 1968, na cidade de Indaiatuba, e a Singer do Nordeste, localizada em Juazeiro do Norte/CE, inaugurada em 1997. Mais recentemente a SINGER lançou sua linha de cuidados com as roupas compostas por ferros e vaporizadores. A filial brasileira, adaptada às modernas técnicas de organização e avançados métodos operacionais, impôs sua tradição de qualidade, posicionando-se de maneira competitiva no mercado mundial.


A marca no mundo 
A SINGER, maior fabricante mundial de máquinas de costura doméstica, tem atualmente uma vasta rede de distribuição que atinge mais de 150 países. É formada por 1.200 lojas operadas pela própria empresa e suas afiliadas, 58.200 ponto de venda autorizados e 12.000 agentes de vendas diretas. No Brasil a marca é líder no segmento de máquinas de costura com 83% de participação. Atualmente a SINGER produz cerca de 300 modelos diferentes de máquinas de costura (domésticas e industriais) em todo o mundo, além de uma pequena linha de cuidados com as roupas como ferros de passar. Em alguns mercados (especialmente no sudeste asiático) a marca também comercializa (através de licença) alguns eletrodomésticos, como por exemplo, aspiradores, torradeiras, liquidificador, mixers, processadores de alimentos, refrigeradores, máquinas de lavar e até televisões. 

Você sabia? 
A história da SINGER tem elementos interessantes. Foi a primeira empresa americana de larga escala no setor de aparelhos domésticos a transformar-se em uma multinacional de sucesso. Também foi inovadora ao lançar a compra a crédito, atingindo todas as classes sociais interessadas em adquirir o produto. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Mundo do Marketing), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 17/3/2013

3 comentários:

Anônimo disse...

Esta informação salvou o meu trabalho escolar...! Obrigada!

Se virando com a costura disse...

Esta matéria é maravilhosa. Muito interessante

Luís Barbosa Araújo disse...

Que bela história da marca SINGER!!!
Daria um ótimo roteiro de filme,basado em fatos reais.

Quando comecei a ler a história da lendária marca.
Fui arremessado trinta e oito anos a traz,fez eu relembrar da minha infância no interior...

Minha mãe costurando numa máquina SINGER mecânica de pedal.
Mostrei a história da SINGER pra ela e,ouvi mais uma vez,um casa que aconteceu com meu pai,uma vez que minha mãe pediu pra ele comprar um potinho de ÓLEO SINGER na cidade.

O comerciante não tinha o ÓLEO SINGER,alegou pro meu pai,que sua fabricação havia sido interrompida. E vendeu um óleo de outra marca mais inferior.

Alguns meses depois,minha mãe encontrou o ÓLEO SINGER a venda...

Depois que li a história da marca SINGER. Eu estava num supermercado,procurando algo e sem querer,me deparei com uma pilha de potinhos de ÓLEO SINGER.