15.8.06

GRADIENTE


Durante mais de quatro décadas a GRADIENTE foi sinônimo de tecnologia de ponta e diversão para milhões de brasileiros, chegando a ser considerada uma das marcas mais valiosas do país. Mas atolada em uma crise sem precedentes a marca sucumbiu aos fabricantes asiáticos e paralisou suas atividades deixando órfãos seus fãs espalhados pelo país. Mas ela voltou em 2012 e terá a dura missão de provar que continua sendo uma das marcas mais admiradas pelos consumidores no setor de eletroeletrônicos.

A história
A mais conhecida marca brasileira de eletroeletrônicos surgiu no mês de outubro de 1964 no bairro de Pinheiros em São Paulo pelas mãos dos jovens estudantes de engenharia Eugênio Staub, Nelson Bastos e Luiz Salvatore, que ano seguinte já colocavam no mercado o primeiro amplificador estéreo transistorizado do país. A empresa experimentou um forte crescimento nos anos 70 devido principalmente a três fatores: a proibição da importação de equipamentos eletrônicos; ao crescimento brasileiro conhecido como “milagre econômico”; e a implantação do polo manufatureiro da Zona Franca de Manaus, onde a empresa inaugurou fábrica em 1972.


Em 1979 a empresa lançou como uma alternativa mais sofisticada aos 3-em-1 o conceito que batizou de “system”: um conjunto de equipamentos que consistia em receiver, toca-discos, tape-deck e um par de caixas acústicas vendidos num único pacote. Os equipamentos eram baseados nos aparelhos modulares com pequenas diferenças de acabamento. Para a empresa havia a vantagem de se pagar um único imposto sobre todo o pacote. Foi uma ideia bem sucedida e a cada dois anos, aproximadamente, a GRADIENTE atualizava a linha. Um dos grandes passos para a enorme popularidade conquistada pela empresa ocorreu em 1983, quando a GRADIENTE lançou no Brasil o videogame Atari 2600. Esta década também foi marcada pelo pioneirismo da marca, que lançou em 1984 o primeiro CD Player produzido no país; ingressou no segmento de computadores pessoais com o Expert em 1985; lançou o videocassete em 1988; e em 1989 com o lançamento do primeiro CD Changer Player. Nestes anos 80, com criativas campanhas publicitárias, uma imagem de modernidade através do lançamento de novos produtos e a substituição periódica das linhas de equipamentos, a GRADIENTE se consolidou como uma das marcas mais importantes no setor de eletroeletrônicos do Brasil.


Após a aquisição dos negócios da Telefunken no Brasil, os anos 90 começaram com a primeira linha nacional de televisores de tela grande. No ano de 1993 ocorreu o lançamento do primeiro videogame Nintendo no Brasil, sendo a GRADIENTE a única autorizada a fabricar o console fora do Japão. Era prova da competência que a empresa tinha atingido. Ainda este ano introduziu o primeiro telefone celular brasileiro no mercado, mostrando mais uma vez todo seu espírito de pioneirismo. Em 1997 ingressou no mercado de telecomunicações com a fabricação do primeiro telefone celular digital, através de uma joint-venture com a Nokia. No ano seguinte, com faturamento ultrapassando R$ 1 bilhão, antecipou as tendências da indústria de eletroeletrônicos e introduziu no país o primeiro aparelho de DVD totalmente nacional.


No ano de 1999 foi responsável pela fabricação do primeiro gravador MP3 portátil do mercado brasileiro. A GRADIENTE começou a enfrentar uma situação de alerta quando comprou a Philco em 2005 por R$ 60 milhões, vendendo-a, pouco depois, por R$ 22 milhões, a fim de reduzir o rombo financeiro. Em 2006, sufocada pela concorrência das marcas coreanas de televisores, decisões estratégicas erradas e sem conseguir quitar dívidas com bancos e fornecedores, a empresa e seus produtos saíram do mercado. Em 2007 a GRADIENTE sucumbiu de vez a grave crise, com uma dívida estimada em R$ 500 milhões, e entrou em um turbulento processo de recuperação judicial. A solução para recolocar a empresa novamente no mercado foi o arrendamento de ativos da GRADIENTE para a Companhia Brasileira de Tecnologia Digital (CBTD), uma empresa controlada pela família Staub por meio de outra empresa, chamada HAG.


Finalmente no mês de junho de 2012, após quase seis anos fora do mercado, a GRADIENTE foi relançada através de um portfólio enxuto. A decisão pela volta dos produtos GRADIENTE foi tomada após uma série de pesquisas indicarem que os consumidores ainda possuíam uma relação forte com a marca e muitos deles sequer sabiam que a fabricante estava fora do mercado. Um dos principais objetivos da empresa nesse primeiro momento foi reforçar o conceito emocional e, para isso, a marca relançou o “Meu Primeiro Gradiente”. O aparelho de som ícone dos anos 1980 voltou ao mercado remodelado, em versão digital, com entrada USB e acesso à Internet, mas mantendo as mesmas características do design colorido e divertido do passado. O público infantil continua sendo um grande alvo para a marca, que criou uma linha especial com câmera digital, aparelho celular e o Tablet OZ, que já traz os aplicativos instalados.


Até o final de 2012, uma completa linha de produtos (tablets, celulares, máquinas digitais, fones de ouvido e aparelhos de Blu-Ray) deve estar disponível nos principais mercados nacionais. A marca também pretende lançar monitores de TV, Link Box (que permitirá por meio do sistema operacional Android conectar a TV à Internet para navegar e baixar conteúdos) e um karaokê infantil (outro item da linha Meu Primeiro Gradiente).


Os slogans
O Primeiro Mundo no Brasil.
A melhor imagem do melhor som.
Carinho para seus ouvidos.


Dados corporativos
● Origem: Brasil
● Fundação: 1964
● Fundador: Eugênio Staub, Nelson Bastos e Luiz Salvatore
● Sede mundial: São Paulo, Brasil
● Proprietário da marca: Companhia Brasileira de Tecnologia Digital (CBTD)
● Capital aberto: Não
● Presidente: Fábio Vianna
● Faturamento: Não divulgado
● Lucro: Não divulgado
● Presença global: Não (presente somente no Brasil)
● Funcionários: 50
● Segmento: Eletroeletrônicos
● Principais produtos: Celulares, aparelhos de som, fones e tablets
● Concorrentes diretos: Philco, CCE, Philips e Positivo
● Ícones: O Meu Primeiro Gradiente
● Website: www.gradiente.com.br

A marca no Brasil
A GRADIENTE atualmente comercializa sua linha de produtos através de seu comércio eletrônico e grandes varejistas.


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Isto é Dinheiro, Época Negócios, Exame e Veja), jornais (Valor Econômico), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 4/8/2012

9 comentários:

Anônimo disse...

COncordo plenamente. Nao investiu em qualidade, design e inovacao. So tem MBA meia boca por la. O Staub esta muito mau assessorado. FOi pro buraco!

rodmann disse...

Uma marca como essa q chegou onde chegou,não deveria sucumbir.
Afinal,todo grande empreendedor arriscou tudo para inovar e fazer sucesso!!

Rodrigo disse...

Uma pena,pois a marca se saia igual ou melhor que as de fora.
Desde pequeno conheci a qualidade da Gradiente,mas ficar sem inerte não dá em nada.

Observador disse...

Se a gradiente faliu, quebrou, nao presta mais, eu nao sei..
Mas tenho um Gradiente DS40 Com um equalizador grafico, primeiro receiver brasileiro com sintonizador digital, caixas acusticas de madeira revestidas com lã de vidro... Ele tem mais de 256 anos, e ate hoje nao encontrei Home Audio de melhor qualidade.

Bala disse...

Esse anônimo aí, pelo jeito foi chutado pela empresa.
Não tenho do que reclamar da gradiente, só lamentar o fim dela. Tenho um microsystem E800 da gradiente, a qualidade de som é incomparável. Quando ouvi um panasonic na casa dos meus pais fiquei bestificado com a falta de qualidade. Chega a ser ridículo o som! Isso é o que os consumidores compram felizes hoje em dia. A gradiente faliu pois o mercado há muito perdeu o bom gosto e a capacidade de dar valor à qualidade. Hoje só se vende ilusão, a tecnologia digital é uma ilusão... Um mp3 fostom tem qualidade de som inferior ao som mono dos radios "toca fitas" dos anos 80. Talvez os equipamentos de áudio dos anos 50 possam ser comparado com certos lixos digitais que se vende hoje. Com certeza tem muito MBA espírito de porco por traz de toda essa "inovação" empresarial.

Anônimo disse...

a gradiente não faliu, mas esta passando por uma crise.
isso e uma pena porque uma empresa nacional que gera empregos, a receita fica no pais e ao se torna um capital estrangeiro.
política neoliberal nao gera emprego gera falencia desemprego dos brasileiros.

Anônimo disse...

A qualidade da gradiente sempre foi seu ponto forte , quando muleque meu sonho de consumo era ter um som da gradiente. Espero q a marca volte ainda mais forte. Não deve nada as de fora, é ate melhor. Lupercio alves

marcohot disse...

Fico contente, com a volta desta gigante da eletrônica.Eu mesmo tenho um amplificador, desta marca, modelo M 86,desde 1982, q não troco por nada.Ja fui 5 vezes ao paraguay, tive chance e $ .Quando o produto e bom, não se mexe.Qualquer grande da eletrônica sabe disso.O exemplo e o walkman da SONY! tantas decadas no mercado.Então esta outra gigante,também não sabe de nada? Esta ultrapassada ? Quem fala mal,nada entende de qualidade ! MARCO,Tec.em eletrônica.

Sergio disse...

Tenho um PRO 1200 um toca disco Garrard duas caixas acústica minidez e duas Quartetos,todos originais e funcionando...não troco por som nenhum.Qualidade de som ,incomparável...Anos 70.