15.8.06

† PALM (1992-2011)


Uma maquininha ágil, com designer inovador, que cabia no bolso da camisa, capaz de armazenar milhares de endereços e compromissos, servir de telefone móvel com um dispositivo eletrônico sem fio que possibilitava enviar e receber mensagens, além de permitir navegação na Internet. Com todos estes recursos, os produtos da marca PALM foram considerados indispensáveis durante anos para usuários de todas as idades e de todas as profissões. Afinal, eles faziam maravilhas na escola, em casa, no escritório ou até mesmo no meio da rua. Porém a marca que revolucionou a comunicação móvel, tão importante para nos proporcionar agilidade, parou no tempo, se tornou letárgica e acabou literalmente engolida pelos concorrentes e acabou soterrada por uma avalanche chamada iPhone. Resultado, a PALM deixou de existir.

A história
Tudo começou em janeiro de 1992 quando Jeff Hawkins, um engenheiro elétrico formado pela Universidade Cornell e ex-funcionário da Intel, Donna Dubinski e Ed Colligan, uniram suas forças, e claro, aptidões, para formar a PALM COMPUTING na cidade de Santa Clara, estado da Califórnia. A boa notícia era que Jeff tinha uma ideia e uma empresa. A má notícia era que ele não tinha plano, produto, financiamento ou até mesmo parceiros. Mas tinha fama. O primeiro produto lançado pela nova empresa, em outubro de 1993, era um assistente pessoal digital chamado ZOOMER PDA, que seria vendido nas lojas da rede varejista Radio Shack.


Mas seu preço de US$ 700, era muito elevado para uma loja considerada popular. Além disso, o produto não emplacou por questões técnicas: tinha um teclado absurdamente pequeno; seu software de reconhecimento de letra manuscrita era primitivo; incluía softwares que permitiam sua ligação a impressoras e aparelhos de fax (que o deixavam maior e mais lento). Foi um fracasso. Mas foi necessário. A partir dele a empresa descobriu o que os consumidores realmente queriam num assistente pessoal digital.


A empresa passou a primavera de 1994 sondando os poucos corajosos que haviam comprado o ZOOMER. Os comentários dessas pessoas serviram para abrir os olhos do pessoal da empresa. Mais de 90% dos compradores também possuíam computadores pessoais. Mais da metade comprara o revolucionário aparelho por causa do software que permitia transferir dados para um PC e vice-versa. Eram usuários comerciais e não queriam um produto que substituísse seus computadores pessoais, e sim que os complementassem. Não queriam uma agenda eletrônica que competisse com o computador. Desejavam um assistente pessoal digital inteligente o bastante para competir com agendas de papel. Essas constatações foram chocantes demais para os parceiros da PALM. Eles pularam fora. Jeff Hawkins também tomou seu rumo, em busca de inspiração. “Quando retornou, parecia Moisés carregando as tabuletas com os Dez Mandamentos”, dizia Colligan. Mas não eram dez mandamentos, e sim duas diretrizes.


A primeira dizia respeito ao software. Ele tentara escrever um código tão inteligente que capacitaria o assistente pessoal digital a reconhecer todos os tipos de letras manuscritas. Isso significava um software complexo e lento. Então por que não inverter a lógica? Por que não pedir às pessoas que aprendessem algumas técnicas para ajudar o software a compreender melhor a sua letra? Veio daí o Graffiti, o software de reconhecimento de escrita que diferenciou o PalmPilot dos concorrentes. Nele, cada letra era desenhada com um único movimento da caneta em uma pequena tela. As letras que exigiam que a pessoa levantasse a caneta do papel passaram por modificações: um A era escrito como um V invertido, um F como um L invertido. O Graffiti exigia dos usuários uma modificação em seus hábitos, mas lhes proporcionava mais precisão e rapidez. A questão do software estava resolvida.


E a máquina propriamente dita? Nesse ponto, Hawkins se indagou qual seria o tamanho ideal do aparelho, e sua resposta gerou a segunda diretriz: teria que caber num bolso de camisa. Ele andava pelos corredores da empresa, régua em punho, medindo bolsos e comparando-os com modelos feitos de madeira. Em termos de recursos, ele optou pela simplicidade. A cada revisão, o produto diminuía de tamanho. Finalmente no mês de agosto de 1994, a empresa já tinha um modelo de sua nova máquina. O produto funcionaria com pilhas pequenas comuns. Ofereceria quatro funções básicas: agenda, caderneta de endereços, lista de coisas a fazer e uma parte para anotar memorandos. Seria vendido a menos de US$ 300. O produto ganhou um codinome: Touchdown. Uma coisa é aprender com os próprios erros. Outra coisa é convencer os investidores de que você é capaz de acertar na segunda tentativa.


Persistentes conseguiram achar um investidor disposto a bancar o milionário projeto. Era começo de 1995 quando este investidor encontrado: U.S. Robotics, uma empresa sediada em Skokie (Illinois) que tinha dinheiro, uma ótima reputação no varejo, força na área da manufatura e presença global. E o resultado não poderia ser melhor, a U.S. Robotics comprou a empresa por US$ 44 milhões. Após seis meses, o Touchdown ganhou as ruas, agora com novo nome: PILOT. Era maquininha ágil (depois rebatizada de PalmPilot) cabia num bolso de camisa, armazenava milhares de endereços e compromissos e custava barato. As primeiras unidades foram vendidas em abril de 1996. Na metade do verão, a demanda já era maior que a oferta. Nos primeiros 18 meses mais de um milhão de unidades tinham sido comercializadas. O produto foi vendido mais rapidamente do que os telefones celulares, os pagers, e até mesmo as TVs à cores. Tornou-se o produto computadorizado mais velozmente vendido de todos os tempos. Um dos milagres do PalmPilot foi o fato de Hawkins e sua equipe terem feito tanto com tão pouco. A Apple gastou US$ 500 milhões com o Newton. A Microsoft investiu US$ 250 milhões no Windows CE. A PALM precisou de apenas 28 pessoas e US$ 3 milhões para produzir um protótipo do PILOT.


Em 1997 a empresa foi vendida para o gigante das telecomunicações 3Com. A nova proprietária transformou a subsidiária PALM em uma empresa independente em 2 de março de 2000, sendo cotada na bolsa de valores NASDAQ. Em junho deste ano os produtos da PALM se tornam populares, a tela grande era lançada e a marca era usada na abertura de programas como o “Late Show” com o popular e influente apresentador David Letterman. O sucesso estava garantido. No ano seguinte, a empresa dividiu seus negócios de hardware e sistemas operacionais em duas empresas: PALM SOLUTIONS e PalmSource. Em agosto de 2003, a divisão hardware da empresa seria rebatizada PalmOne. Por volta de 2004, artistas como Nick Lachey, Spike Lee e Eva Longoria se transformam em clientes da PALM e ajudaram a espalhar a fama da marca para os abastados de Hollywood. Outra mudança de nome ocorreu em maio de 2005 quando a PalmOne adquiriu todos os direitos exclusivos da marca PALM e passou a se chamar PALM INC. Recentemente, em abril de 2010, já passando por sérias dificuldades, a empresa foi comprada pela HP por US$ 1.2 bilhões.


Apesar da tentativa da HP em ressuscitar a tradicional marca, incluindo mudança de nome (HP PALM), lançamento de novos produtos, como por exemplo, o tablet TouchPad e os celulares webOS, em meados de 2011 a gigante americana anunciou que não iria mais produzir estes aparelhos. Foi através de um comunicado frio que uma das marcas mais importantes da história da tecnologia, a PALM, responsável por transformar os palmtops numa realidade de mercado, foi definitivamente sepultada. A HP até disse que, quem sabe, no futuro, possa, talvez, fazer alguma coisa com o sistema webOS. Mas já era. A PALM definitivamente acabou. Apesar de acabar com a marca PALM, há outro aspecto muito importante nos dias de hoje para que a HP mantenha-se proprietária da marca: patentes. Afinal, a PALM possui um enorme acervo de patentes que chegam a 2.000.


A linha do tempo
1996
Lançamento dos modelos PILOT 1000 que contava com 128 kb de memória e capacidade de armazenar centenas de endereços, números de telefones, anotações pessoais e lista de compromissos. Este era o primeiro de muitos produtos que reafirmam a visão de que o futuro do computador pessoal era a computação móvel.
1997
Inicia o licenciamento da plataforma PALM OS.
1998
Lançamento do PALM III, que trazia como novidade a possibilidade de troca de informação via transmissor infravermelho.
1999
Lançamento do elegante e moderno computador de mão PALM V. O produto redefiniu a indústria do computador de mão com um design inovador. A mensagem era clara: estilo faz a diferença.
Lançamento do PALM VII, que permitia acesso à internet e outras funções como agenda eletrônica, e-mail, além de ser um mini-computador de mão.
2002
Lançamento da linha de telefones inteligentes TREO, que combinavam telefone celular com um dispositivo eletrônico sem fio, além de possibilitar ler mensagens e navegar na Internet, junto com o organizador PALM Os.
Lançamento do THE ZIRE HANDHELD, primeiro computador de mão a custar apenas US$ 99. Em menos de 18 meses mais de 3 milhões de unidades foram vendidas.
Lançamento da linha de computadores de mão TUNGSTEN, diferenciando o consumidor do mercado profissional móvel. O computador de mão era tão avançado que foi usado para testar a capacidade mental dos alpinistas em condições extremas durante escaladas a mais de 29.000 pés no Monte Everest.
Lançamento o computador de mão PALM m125, que ganhou notoriedade ao ser enviado ao espaço no foguete russo Soyuz em abril.
2004
Lançamento do TREO 650 com o sistema PALM OS, um moderno telefone celular com e-mail, calendário, mensagens e acesso à Internet. Possuía também MP3 Player e câmera digital que tirava fotos e gravava vídeos em uma tela tão brilhante que parecia tornar tudo mais real.
2005
Um significativo marco é alcançado: mais de um milhão de TREO 600 são vendidos em todo o mundo.
Lançamento do PALM LifeDrive, primeiro PDA com disco rígido voltado para as mídias digitais e entretenimento. Seu HD de 4 gigabytes podia comportar uma infinidade de músicas, documentos (planilhas, PDFs, DOCS, ebooks), além de permitir que vários vídeos pudessem ser vistos em seu generoso visor touchscreen.
2006
Lançamento, em parceria com a Microsoft, do TREO 700w, que combinava a experiência da PALM com a plataforma móvel do Windows, expandindo assim as ofertas de plataformas para os telefones inteligentes.
2009
Lançamento de um novo sistema operacional batizado de webOS, destinado a oferecer funções de assistente pessoal, utilizando pouco processamento e pouca memória RAM.
Lançamento do PALM PRE, um telefone celular à frente de seu tempo, com vários recursos que depois foram copiados pelo iOS e pelo Android (e alguns, como o carregador sem fio, que continuam exclusivos). Mas o PRE demorou a chegar ao mercado, não emplacou, definhou em vendas e foi engolido pelos concorrentes.


A evolução visual
A primeira modificação visual da marca PALM ocorreu em 1999, quando surgiu o tradicional logotipo redondo azul. Outra modificação ocorreu em 2004, quando a empresa adotou o nome PALM ONE.


Pouco depois, em 2005, o logotipo da PALM passou por uma forte mudança visual. A nova identificação visual da marca, criada pela Turner Duckworth, adotou novamente o formato redondo e a cor laranja, para demonstrar mais energia, e também uma nova tipografia que sugeria conteúdo digital. Em 2010, ocorreu uma nova modificação. Na verdade foi apenas uma junção do logotipo da HP com a tipologia da PALM, para que a marca não perdesse sua identidade.


Dados corporativos
● Origem: Estados Unidos
● Fundação: 1992
● Encerramento: 2011
● Fundador: Jeff Hawkins e Donna Dubinsky
● Última sede mundial: Sunnyvale, Califórnia
● Proprietário da marca: Hewlett-Packard Company
● Segmento: Informática e comunicação móvel
● Principais produtos: Computadores de mão, smartphones e softwares
● Antigos concorrentes diretos: Apple, Samsung e Google
● Ícones: O assistente pessoal digital PalmPilot

A marca no mundo
A empresa que fabricava computadores de bolso (conhecidos como PDAs) controlados pelo sistema operacional PALM OS, smartphones TREO e softwares, comercializava seus produtos em mais de 120 países ao redor do mundo até a HP resolver extinguir a marca definitivamente. Um lamentável fim para uma marca revolucionária que chegou a deter 70% do mercado em sua categoria, tornando-se a número 1 do mundo.


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 11/7/2012

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