17.10.06

† Panair (1929-1965)


A Panair do Brasil, uma das companhias aéreas pioneiras do país e a principal responsável pela popularização do transporte aéreo brasileiro, teve origem na empresa NYRBA (New York-Rio-Buenos Aires Lines) - que chegou ao Brasil através do Coronel Ralph O' Neil, da Marinha Americana. Inicialmente o coronel veio conversar com o governo brasileiro para entrar na concorrência do transporte de malas postais na América do Sul. Somente em 1930 O' Neil conseguiu autorização para operar linhas aéreas no Brasil. A crise da bolsa de Nova York atrapalhou os negócios da Nyrba, que terminou por ser incorporada pela Pan American, um gigante da aviação americana. Assim surgiu a Panair do Brasil, que possuía 100% do capital americano. Seu nome foi modificado de Nyrba do Brasil para Panair do Brasil, em referência à empresa controladora (Pan American Airways). O nome PANAIR era o endereço telegráfico da Pan American em Nova York. O vôo inaugural se deu em 24 de janeiro de 1930, entre Rio de Janeiro e Fortaleza, com escalas em Campos, Vitória, Caravelas, Ilhéus, Salavdor, Aracaju, Maceió, Recife e Natal incluindo o pernoite em Salvador. No total, a viagem durava 34h50 em cada sentido da rota. Os primeiros vôos de passageiros foi feito em1931, entre as cidades de Belém e Rio de Janeiro. Nesta época, todos os pilotos eram americanos. Depois de dominar o mercado interno e inaugurar hangares e aeroportos nas principais cidades brasileiras, a Panair volta-se, a partir de 1941, para as rotas internacionais. Para cruzar o Atlântico a empresa tinha à disposição os modernos Constellations. O primeiro vôo foi realizado em 27 de abril de 1941. O destino era Londres, mas antes houve paradas nas cidades de Recife, Dakar, Lisboa e Paris. Em menos de três anos, a Panair já havia realizado mil vôos para a Europa, transportando mais de 60 mil passageiros. Encerrou suas atividades abruptamente em 1965, por determinação do governo militar. Um despacho assinado pelo ministro da Aeronáutica Brigadeiro Eduardo Gomes em 10 de fevereiro de 1965 cassou o certificado de operação da empresa. Suas rotas aéreas foram transferidas para a Varig e a Cruzeiro do Sul. A alegação das autoridades era que a companhia era devedora da União e de fornecedores. Muitos de seus ex-funcionários e mesmo autoridades consideram tal ato uma arbitrariedade, levado a cabo por motivos escusos. Justificam-se estes com base em documentos daquele ano, que indicariam que, dentre todas as empresas áereas brasileiras, a Panair era a que possuía o menor montante devido ao Governo Federal. Em 1984, os herdeiros da empresa ganharam uma ação na justiça promovida contra o governo federal. O Supremo Tribunal Federal considerou a falência fraudulenta e condenou a União à ressarcir a Panair. Mas há coisas que o dinheiro ou a devolução dos direitos sobre as rotas nunca vai pagar.

2 comentários:

Anônimo disse...

A Panair foi morta. A livre iniciativa e a competição de mercado, alicerces de uma sociedade livre, plural e capitalista foram massacradas naquela tarde de fevereiro. Sobreviveram os funcionários da empresa, reunidos até hoje em encontros anuais da Família Panair. Sobreviveram alguns aviões, operados pela própria Varig e Cruzeiro até 1975. Mas naquela quarta-feira de fevereiro de 1965, morreu a inocência. Morreu uma geração de aviadores. Morreu o Padrão Panair.

Anônimo disse...

A verdadeira história sobre a PANAIR vocês poderão constatar no livro "Código da Vida - Saulo Ramos" - lamentável.