9.8.07

GIBSON


Por mais de 100 anos a GIBSON tomou a iniciativa de criar as inovações que escreveram a história musical. Especialmente suas guitarras, são as grandes estrelas em cima dos palcos e companheiras inseparáveis das mãos de monstros sagrados como Keith Richards, Slash, B.B. King e Peter Green. Os instrumentos fabricados pela GIBSON são destinados a serem os clássicos de amanhã. Cada um deles possui o background de tradição, de inovação e do compromisso com qualidade que só a GIBSON pode oferecer. 

A história 
Tudo começou quando Orville H. Gibson, nascido em 1 de maio de 1856 na cidade de Chateaugay, estado de Nova York, iniciou em 1894 o reparo e a fabricação de mandolins (um instrumento de origem napolitana), bandolins e violões (sendo o primeiro a colocar cordas de aço neles), atribuindo-lhes maior qualidade sonora e durabilidade, em uma modesta oficina caseira na pequena cidade de Kalamazoo, no estado do Michigan. O senhor Gibson, que tinha estudado a construção de violinos, foi pioneiro no projeto arch top, em que o corpo do instrumento era curvo em vez de plano. Finalmente no dia 11 de outubro de 1902, fundou a Gibson Mandolin-Guitar com o objetivo de comercializá-los. No entanto, Gibson não queria construir instrumentos como os que os outros faziam: queria aplicar seus conceitos de construção de violinos e violoncelos aos bandolins e violões. Apareceram assim instrumentos com tampo e fundo curvo esculpido. A ponte (ou cavalete), antes colocada no tampo, passou a ser móvel, como nos violinos, atuando como um transmissor das vibrações das cordas para o tampo e caixa de ressonância. As madeiras empregadas passaram a ser similares às usadas nos violinos, tudo para valorizar o som. Nascia, além da GIBSON que todos conhecem hoje, a guitarra de jazz. Ele faleceu no dia 21 de agosto de 1918. Com isso, Lloyd Loar passou a ocupar o privilegiado cargo de designer de instrumentos e engenheiro acústico da empresa. Foi ele quem transformou as tradicionais bocas redondas em refinadas aberturas em forma de “F”.


Durante a década de 1920 a GIBSON foi responsável por muitas inovações no design do banjo, do violão, do bandolim, do mandolin e da guitarra e, em 1922, o modelo Gibson F5 foi introduzido no mercado. Esse modelo foi mais tarde conhecido como o último Bluegrass Bandolim. Nesta década, com ajustes e um aumento da caixa de ressonância (fazendo com que a guitarra conseguisse um substancial aumento de volume sonoro), a GIBSON já era a queridinha quando o assunto era guitarras acústicas, com modelos clássicos bastante populares entre jazzistas como a GIBSON L-5. É em meados da década de 1930 que vem a necessidade de se fazer barulho em alto e bom som, e com ele o conceito de guitarra elétrica. Com isso, em 1936, a empresa lançou a famosa “Electric Spanish”, modelo ES-150: uma guitarra acústica de jazz com um captador montado próximo ao braço. Na mesma época foi lançada a maior guitarra já produzida pela empresa, a Super 400. Não é de surpreender que a GIBSON já possuísse know-how para um lançamento deste tipo: muitos acreditam piamente que o famoso engenheiro Lloyd Loar, principal responsável por grande parte das criações da GIBSON nesta época, havia realizado diversos experimentos (e com sucesso) relativos à eletrificação de instrumentos.


Foi em 1948, que a GIBSON contratou o veterano da indústria Ted McCarty, que rapidamente seria promovido ao cargo de presidente dois anos depois. Durante sua gestão (que durou de 1950 a 1966), a GIBSON expandiu e diversificou sua linha de instrumentos. Em 1949 nasceu a primeira guitarra que faria história: a Gibson ES175. Até então, as guitarras eram essencialmente desenhadas como instrumentos acústicos com a adição de um pickup (captador). Este modelo mudou essa ideia, pois já foi conceitualmente projetado como uma guitarra elétrica. Corpo profundo, “f-holes” e uma única reentrância (cutaway) na parte inferior do corpo, em estilo Florentino. Originalmente, trazia um único captador, modelo P90 (soapbar).


Em 1952, a revolução, LES PAUL GOLDTOP. Com a colaboração do popular guitarrista e especialistas em instrumentos musicais elétricos, Lester Willian Polsfuss, mas conhecido como Les Paul, a empresa iniciou a fabricação de guitarras elétricas de corpo maciço que viriam a se tornar lendárias. Paul foi responsável por inúmeras inovações, inclusive pela introdução dos captadores do tipo Hambucker (captador com duas bobinas). Pouco depois, a pedidos de uma guitarra mais versátil, a empresa lançou a série Thinline, com guitarras de espessura mais fina, seu primeiríssimo modelo foi a Byrdland (1955). O histórico modelo foi extremamente modificado até que se chegasse à sua versão “Standard”, o que só ocorreu em 1958, com a adição dos humbuckings, desenhados por Seth Lover, que se tornaram “o som marca registrada” das guitarras Les Paul, muito volume, muito sustain e nenhum hum (daí o nome humbucking). A Les Paul é, provavelmente, o “definitivo” som do Rock and Roll. Jimmy Page talvez seja o ícone maior dos tantos “monstros” que eternizaram a Les Paul como “a guitarra do Rock”. Muitos dos grandes guitarristas já usaram - ou ainda usam - uma Les Paul como instrumento básico de trabalho.


Em 1953 foi lançado o primeiro baixo elétrico fabricado pela empresa, batizado de EB-1: um modelo de escala curta - 30” e cujo corpo lembrava o de um violino, sendo equipado ainda com um apoiador para ser tocado verticalmente. O captador foi instalado no final da escala, tentando proporcionar um som mais grave para o instrumento. As tarraxas ainda não eram próprias do recém-criado modelo, sendo que foram emprestadas pelos modelos usados nos banjos da empresa. Tudo isto foi considerado pelos historiadores e colecionadores como um dos maiores fracassos da história da GIBSON. Apenas 546 unidades foram comercializadas antes da produção ser paralisada em 1958. Nesta época, a GIBSON estava ciente que era vista como uma empresa “conservadora”. Para mudar essa imagem, ainda em 1958 a marca lançou no mercado dois novos designs: Explorer e Flying V (imagem abaixo). Essa guitarras “modernas” não foram muito aceitas no início, tanto que suas vendas foram baixíssimas, seus reais valores só iriam ocorrer mais tarde, no final de 1960 e no começo dos anos de 1970 quando as duas guitarras foram reintroduzidas no mercado e a partir desse momento, se tornaram mais um ícone da GIBSON, devido a influência de guitarristas da época como Keith Richards, Tony Iommi, Jeff Beck e Angus Young. Em 1961, a marca fez mais uma mudança, dessa vez no desenho do corpo da Les Paul, devido a demanda por um corpo de duplo cutaway em razão da dificuldade em alcançar as últimas trastes. O novo desenho do corpo, fabricado em mógno (razão pela qual seu timbre é diferente), chegou a ser conhecido mais tarde como SG (SG vem de Solid Guitar – Guitarra Sólida). Além disso, seu braço era muito fino, principalmente pelos padrões da época, e por isso até hoje as guitarras SG são consideradas por alguns como a guitarra com “o braço mais veloz do mundo”.


Pouco depois, em 1963, a GIBSON lançou a tal “guitarra mais legal do rock”, que não possuía apenas um, mas dois braços, a EDS-1275. Esse ano também foi marcado pelo lançamento da GIBSON FIREBIRD, uma guitarra modelo radical (Reverse-Bodied) criada pelo designer de carros Ray Dietrich e escolha de muitos guitarristas que se aventuravam na busca de um molde diferente e ousado para estilo e timbre. Essas guitarras foram as primeiras a possuir afinação pela parte de baixo do headstock, onde as cordas mais graves ficam mais longas que as cordas mais agudas. Por este motivo o modelo também era chamado de “Reverse”. Foi a primeira guitarra “neck-throug”, ou seja, o braço passa pelo meio do corpo, faz parte do corpo.


Após ser adquirida pela Norlin Corporation no final da década de 1960, a qualidade dos instrumentos declinou acentuadamente. Em 1974, a empresa inaugurou na cidade de Nashville, no estado do Tennessee, a fábrica conhecida como GIBSON USA, para produção de guitarras elétricas Les Paul. Dez anos depois, passando por enormes dificuldades financeiras, a empresa mudou sua sede para Nashville e fechou sua fábrica original em Kalamazoo. Somente em 1986, quando os empresários Henry Juszkiewicz e David Berryman compraram a GIBSON, a empresa começou a sair da crise e reconquistar o mercado. Nessa década ocorreram os lançamento das primeiras Les Paul Studio, basicamente uma versão mais barata, leve e modesta da popular Les Paul Standard. O modelo Les Paul Studio foi projetado justamente para músicos de estúdio e guitarristas iniciantes. Em 2007, a marca lançou uma guitarra digital (ROBOT), que poderia manter em sua memória diversas afinações programadas pelo guitarrista. Depois de fazer a afinação da guitarra, o músico tinha a opção de gravar a afinação em um botão giratório, idêntico aos de volume, já presentes na Les Paul original. E não parou por aí, em 2011 a GIBSON comprou o Grupo Stanton, formando sua nova divisão Gibson Pro Audio, que comercializa itens de áudio com qualidade profissional para estúdios e DJs, como fones de ouvido, alto-falantes e equipamentos de DJ.


A empresa ainda conta com a divisão GIBSON CUSTOM, que há mais de 20 anos se orgulha em trabalhar com os melhores artesões e materiais para criar guitarras sob medida e com as máximas exigências de grandes músicos. Além disso, a divisão é responsável por produzir coleções de guitarras de reedições históricas em edições limitas, em colaboração com grandes guitarristas. Com isso, através de décadas de um compromisso apaixonado, artesões e engenheiros refletem a mais longa tradição da GIBSON em fabricar instrumentos únicos.


O pioneirismo 
A GIBSON foi o primeiro fabricante a utilizar um tensor ajustável; a desenvolver uma ponte ajustável; a projetar um bandolim com buracos em “f”; a produzir a primeira guitarra de jazz com o corpo arqueado; a oferecer um banjo com aro de bronze; a fabricar a falange do banjo; a oferecer uma ponte com entonação ajustável Tune-O-Matic; a instalar o Stopbar; a fabricar uma guitarra elétrica com tipos de madeiras diferentes; a desenvolver a guitarra semi-acústica; a experimentar e modernizar os formatos dos corpos às guitarras; a fabricar o captador humbucker; a produzir a primeira guitarra ecológica com madeira reflorestada (série Smartwood®); entre muitas outras inovações.


Por tudo isso, ao comprar um instrumento musical GIBSON, não importando se é novo ou velho, não será apenas uma aquisição, mas um investimento. E não é de se estranhar que as guitarras Les Paul foram, e ainda são, as preferidas de ícones como Jimmy Page (Led Zeppelin), Scott Gorham e Brian Robertson (Thin Lizzy), Duane Allman, Slash (ex-Guns N’ Roses) e Ace Frehley (Kiss). Já os modelos da série SG ganharam vida pelas mãos de Pete Townshend (The Who), Angus Young (AC/DC), Carlos Santana, Frank Zappa, Adrian Smith (Iron Maiden) e Tony Iommi (Black Sabbath).


Os números seriais 
Cada guitarra GIBSON possui um número de série gravado, que a partir de 1975 foi padronizado. Os oito dígitos (nove a partir de 2005) do número de série mostram a data de produção, onde foi produzido e a ordem de produção. O número de série possui códigos básicos: 
YDDDYRRR 
YY: ano de produção. 
DDD: dia da fabricação. 
RRR: pedido do produto/onde foi fabricado. 

Os números da fábrica onde o instrumento foi construído seguem um padrão: 
001-499 Kalamazoo, Michigan (1975-1984) 
500-999 Nashville, Tennessee (1975-1990) 
001-299 Bozeman, Montana (após 1989) 
300-999 Nashville, Tennessee (após 1990) 

Por exemplo, o número serial 90992487 significa que a guitarra foi produzida no nonagésimo nono dia de 1992 (quarta-feira, 8 de abril) na fábrica de Nashville, no Tennessee, e foi o instrumento de número 487 produzido naquele dia.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou apenas por uma acentuada mudança ao longo de sua história. Foi em 1946, quando a tipografia de letra do nome GIBSON mudou para a forma como conhecemos hoje.


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 11 de outubro de 1902 
● Fundador: Orville Gibson 
● Sede mundial: Nashville, Tennessee, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Gibson Brands, Inc. 
● Capital aberto: Não 
● Chairman & CEO: Henry Juszkiewicz 
● Presidente: David Berryman 
● Faturamento: US$ 1.6 bilhões (2016) 
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: 100 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 1.500 
● Segmento: Instrumentos musicais 
● Principais produtos: Guitarras, baixos, violões, amplificadores e instrumentos de cordas 
● Concorrentes diretos: Fender, Ibanez, Martin, Music Man, PRS, Jackson e Schecter 
● Ícones: As guitarras Les Paul 
● Website: www.gibson.com 

A marca no mundo 
A GIBSON, mais conhecida por seus excelentes instrumentos de cordas, especialmente guitarras, comercializa seus produtos em mais de 100 países ao redor do mundo. A GIBSON, além de fabricar instrumentos sob seu próprio nome, é detentora das marcas Epiphone (fundada em 1873 como fabricante de bandolins, banjos e guitarras e adquirida pela GIBSON em 1957), Kramer e Steinberger. A empresa também fabrica pianos sob a marca Baldwin e baterias sob a marca Slingerland. A empresa é proprietária do Anfiteatro Gibson, em Los Angeles, o terceiro maior do estado da Califórnia. 

Você sabia? 
● Na história da música, nunca houve uma guitarra associada a um músico como a lenda do Blues B.B. King era ligado à sua amada Lucille – uma Gibson ES-335 Custom Built fabricada exclusivamente para o verdadeiro “Rei do Blues”, desde 1980. 
● Mandobass foi um instrumento criado pela GIBSON no início do século XX, um cruzamento gigantesco de um baixo com um mandolin de 4 cordas grossas para uso em orquestras. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). Agradecimento especial ao músico Marco Maia (www.marcomaia.mus.br). 

Última atualização em 7/4/2017

Um comentário:

Thiago Lhamas disse...

Parabéns pelo post sobre a Gibson, obrigado por me atender.

E se aceitar mais dicas sobre grandes marcas de instrumentos, aí vão:

Fender, Tagima, Pearl, RMV, Ibañez, Crafter, Earnie Ball, NIG, Shure, Staner, Epiphone, Condor, Beringher, Yamaha, DW, Vic Firth, Memphis, Zoom.

E por aí vão muitas outros grandes nomes....

Agradeço desde já!