
Elas estão nas prateleiras de lojas de departamentos chiques como Saks Fifth Avenue e Bergdorf Goodman, em Nova York, e Galeries Lafayette, em Paris. Ocupam espaço em vitrines da badalada Via Spiga, em Milão, dividindo a cena com marcas famosas como Dior e Prada. Adornam pés de socialites, artistas, modelos e até mesmo de presidentes da república. Ao mesmo tempo são vistas em uma marcha do Movimento Sem-Terra em Brasília, nos pés de milhares de homens, mulheres e crianças. Sem dúvida é a sandália mais democrática que se tem notícia. Assim é HAVAIANAS. Calça “do mais pobre ao mais rico” - como disse o escritor Jorge Amado. O que começou como um produto popular, que já foi considerado “coisa de pobre” no Brasil, virou produto fashion em menos de quatro décadas, e hoje enfeita pezinhos milionários, como das atrizes Julia Roberts e Sandra Bullock, e das modelos Naomi Campbell e Kate Mossvisto. Bonita e confortável, a sandália se transformou em um objeto cult. No exterior, os modelos mais incrementados, feitos sob encomenda, chegam a custar US$ 100. Nada mal para a brasileiríssima HAVAIANAS.
A história
Tudo leva a crer que foi a Zori, típica sandália de dedo com tiras de tecido e sola de palha de arroz e usada pelos agricultores japoneses, a real fonte de inspiração para a criação das sandálias HAVAIANAS no dia 8 de junho de 1962 pela empresa Alpargatas São Paulo, fundada em 1907. Por essa razão, a palmilha das HAVAIANAS possui uma textura que reproduz pequenos grãos de arroz, um dos muitos detalhes que a torna inconfundível. Mas a versão nacional trazia um grande diferencial: eram feitas de borracha. Um produto natural, totalmente nacional e que, acima de tudo, garantia um calçado durável e confortável. Devido a sua comodidade, durabilidade e ótimo preço, os brasileiros das classes trabalhadoras se apaixonaram pelos primeiros modelos do tal chinelo, ainda com sola bicolor azul e branca combinando com as tiras azuis. Nascia aí o calçado do povo. Embora o design das sandálias fosse de origem oriental, seu nome foi inspirado no Havaí, o paraíso do sol e do mar, onde ricos e famosos americanos passavam suas férias na década de 1960. Esse nome era considerado ideal, já que a sandália era adequada para o uso em países de clima quente e tropical, pois deixava os pés descobertos, evitando o excesso de transpiração.

A ideia da nova sandália se espalhou feito rastilho de pólvora e, em menos de um ano, a empresa fabricava mais de mil pares por dia. Exatamente dois anos depois de seu lançamento, já fazendo sucesso, a direção da empresa resolveu entrar com pedido de patente de modelo industrial n.5891, sob o título “palmilha com forquilha ornamentada por duas gregas, de direções paralelas, cada uma formada por pequenos frisos em linha quebrada, entrelaçados”. O pedido chegou ao Departamento Nacional da Propriedade Industrial do Ministério da Indústria e do Comércio exatamente no dia 13 de agosto de 1964 e foi concedido dois anos mais tarde. Nesta época, vendedores-viajantes levavam HAVAIANAS para cidades de todo o país dirigindo Volkswagen Kombi. A chegada deles era um acontecimento. Estacionavam em frente às lojas, e todos da cidade corriam para ouvir notícias da cidade grande e comprar seu par de HAVAIANAS, que eram distribuídas em sacos plásticos. O sucesso das sandálias levou ao aparecimento das imitações e com elas “Proteja-se das fajutas. Legítimas, só Havaianas” (como dizia o slogan criado em 1973 pela agência JW Thompson), as únicas que “não deformam, não têm cheiro e não soltam as tiras”. As cópias, de qualidade inferior, eram citadas pelos comerciais da marca como “fajutas”, e o novo termo acabou sendo incluído no Dicionário Aurélio como sinônimo de produto de má qualidade.

Por mero acaso, as HAVAIANAS evoluíram, devido a um lote que deveria ser na tradicional cor azul que em virtude de um problema técnico saiu verde. O que era para ser um desastre se tornou um imenso sucesso e marcou uma nova era para a marca. A nova cor foi tão bem recebida pelo público que a marca começou a produzir os mesmos chinelos com tiras em outras cores, como verde, amarelo, rosa, vermelho e preto. Em 1980, já eram vendidos mais de 80 milhões de pares da sandália por ano. Nesta década, ainda com quatro cores do modelo original, as HAVAIANAS tornavam-se cada vez mais populares entre as classes humildes, e estavam de tal forma enraizadas que chegaram a ser consideradas pelo governo como um “produto de primeira necessidade”, passando inclusive a fazer parte dos itens integrantes da cesta básica, assim como o arroz e o feijão. Foi assim que o governo brasileiro começou a fiscalizar seu preço como fazia com os outros produtos considerados essenciais, mantendo assim, a inflação sob controle. Durante quase trinta anos o consumidor das tradicionais sandálias, vendidas com mais frequência em mercados de bairros, se restringia a uma classe menos favorecida e costumava-se dizer que “Havaianas era chinelo de pobre”. Depois da forte concorrência dos chinelos de PVC, liderados pelo modelo Rider, da Grendene, era preciso adotar um novo posicionamento para alavancar as vendas que estavam em queda e mudar sua imagem na mente dos consumidores brasileiros.

A partir dos anos de 1990, HAVAIANAS não parou mais de inventar moda. Foram criadas novas estampas, cores e modelos – até mesmo para os que mal tinham aprendido a andar, como a HAVAIANAS BABY; ou a HAVAIANAS SURF, com modelos simples de tiras pretas com cores e estampas renovadas e desenhos de manobras, paisagens, tribais e grafismos que refletiam o espírito do surfe. Mas o grande toque de Midas foi o lançamento, em 1994, de uma nova versão: HAVAIANAS TOP, com cores fortes, ligeiramente mais altas no calcanhar do que o modelo original, borracha mais macia e o nome gravado em relevo. O novo modelo, com tiras e solados monocromáticos, foi inspirado na moda inventada pelos surfistas brasileiros que viravam as palmilhas de suas (antigas) HAVAIANAS a fim de deixar a face colorida voltada para cima. O modelo, inicialmente disponível em mais de 15 cores, foi posicionado no mercado como um produto mais caro do que as tradicionais. Impulsionada por maciços investimentos em campanhas publicitárias protagonizadas por artistas e celebridades, transformou-se em objeto de desejo. No primeiro ano foram comercializadas 300 mil unidades das novas sandálias. Nas revistas, a explosão de cores e as imagens divertidas dos anúncios traduziam o alto-astral da marca. Em seguida, a distribuição também passou a ser focada em nichos de mercado. Cada ponto de venda recebia um modelo diferente, de acordo com seu público alvo. Outra mudança foi na exposição do produto nos pontos de venda. Ao invés das grandes cestas com os pares misturados, criou-se um display para valorizar o produto, facilitar a escolha e, claro, impulsionar as vendas. Em 1999, a marca continuou se espalhando pelo mundo. Suas sandálias começaram a ser distribuídas oficialmente na Espanha, Portugal, Itália, França, Inglaterra, Estados Unidos, República Dominicana e Japão. Antes, a marca já era exportada para países vizinhos, como Bolívia e Paraguai, mas como um produto para uso funcional – propósito totalmente oposto à nova estratégia da marca, que buscava apropriar sofisticação às sandálias.

A partir do ano 2000, as sandálias da marca se tornam mania internacional. Estrangeiros compravam no Brasil e levavam para seus países como objetos de desejo ou presentes. Rapidamente as HAVAIANAS viraram assunto nas páginas das grandes revistas e jornais do mundo, e conquistaram algumas das vitrines mais concorridas do planeta. O novo posicionamento também permitiu o desenvolvimento de estratégias mais ousadas, como a parceria feita com a joalheria HStern para lançar seis pares de HAVAIANAS com acabamento em ouro 18K e diamantes. Um deles chegou a ser vendido por R$ 52 mil. Isso gerou uma enorme exposição de mídia espontânea para a marca. O mesmo ocorreu quando a empresa colocou o logotipo de Miró nas sandálias que foram distribuídas em uma festa no consulado espanhol, em 2004.

Continuando a segmentação de mercado, novas versões e muitas cores foram lançadas, além da introdução, em 2005, das HAVAIANAS SOCKS, uma meia que se adaptava ao contorno do dedão do pé, permitindo que ele se encaixasse perfeitamente na sandália (primeiro passo para a extensão da marca para outra categoria de mercado). O produto foi introduzido no mercado com o slogan “Havaianas Socks, para quem é louco por Havaianas”. As novas opções e o posicionamento diferenciado caíram no gosto do povo. E de repente, andar de HAVAIANAS por aí não parecia mais coisa de pobre, mas algo da moda. E assim as sandálias se tornaram objeto de desejo dos brasileiros mais abastados. Em 2006, as sandálias HAVAIANAS foram consideradas o produto brasileiro mais popular fora do país.

Sucessivos ciclos de inovação em estilos e cores, que passaram a ser pesquisados com a ajuda de birôs internacionais, romperam com o velho estigma e valorizaram o produto. A partir de 2008 a empresa iniciou a inauguração de lojas franqueadas das HAVAIANAS, onde era possível encontrar todos os produtos da marca em um só lugar, em um ambiente colorido e moderno com todo o astral que a marca representa. Ao final deste ano a marca já possuía 26 lojas franqueadas, incluindo o conceito de quiosques em grandes centros comerciais de algumas cidades brasileiras.

A expansão da linha de produtos (sandálias, meias e toalhas) teve continuidade nesse mesmo ano, quando no mês de novembro a marca lançou oficialmente no mercado uma linha de bolsas. Foram, inicialmente, oito modelos em cores, tamanhos e formatos diferentes. Tinha a Mega, ideal para quem ama levar todo o armário na bolsa; a Side, inspirada no modelo carteiro; a Tote, espaçosa e com base reforçada; a Zip com vários zíperes e um compartimento coringa para guardar toalhas ou jaquetas; e a Saco com alças iguais as das tiras da sandália - ideal para quem gosta de carregar somente o necessário. Produzidas 100% em algodão possuíam detalhes emborrachados e em metal e a versão estampada trazia um floral composto por pequenas sandálias HAVAIANAS. O charme ficava claro, por conta do chaveirinho em formato da tradicional sandália colorida. As novas bolsas foram comercializadas inicialmente em apenas 60 pontos de venda em todo o país e em um único local no exterior: a sofisticada Galeries Lafayette, em Paris.

Para manter a posição de destaque no mercado, a Alpargatas, detentora da marca, apostou em ampliação constante nas suas linhas e no conceito de brasilidade. A principal extensão no portfólio de HAVAIANAS para além das tradicionais sandálias de borracha ocorreu em 2010 com o lançamento da SOUL COLLECTION, coleção de calçados fechados e tênis (feitos de lona e os tradicionais solados de borracha em seu interior), incluindo as alpargatas, popularmente conhecidas como “as Havaianas cobertas”. A princípio, os produtos foram desenhados para atender o mercado europeu que, por conta do inverno rigoroso, não dava espaço para a venda dos modelos originais durante todo o ano. A internet, no entanto, acabou fazendo com que os itens acabassem ficando conhecidos e caíssem no gosto dos consumidores brasileiros. Além dos calçados fechados, a marca trabalha atualmente com produtos de outras categorias como bolsas, toalhas, chaveiros, capas para celular e mais recentemente lançou uma linha de galochas mais que descoladas.

Ainda em 2010, como parte do plano de consolidação da marca no mercado internacional, a cidade espanhola de Barcelona foi a primeira a receber um espaço exclusivo da HAVAIANAS. Pouco depois, a segunda franquia internacional foi inaugurada na ensolarada Huntington Beach na Califórnia. Além disso, como forma de agradecer a todos os consumidores e a todos os que apoiam a marca ao longo da sua história foi lançada a iniciativa MYOH (abreviação de “Make Your Own Havaianas”). Era uma coleção completa de solas e tiras de diferentes cores em separado que, junto com vários alfinetes e pequenos cristais Swarovski, ofereciam a possibilidade ao consumidor de criar o seu par único e exclusivo de HAVAIANAS, com infinitas possibilidades. Em 2012, um desafio inusitado proposto pela marca resultaria no aparecimento de um novo produto. A marca pretendia alcançar o recorde mundial do maior número de sandálias flutuantes no mar nas praias do litoral australiano. Para isso foram criadas boias infláveis gigantes no formato da tradicional sandália. A campanha foi um estrondoso sucesso e a praia vencedora foi na região Cottesloe, no oeste da Austrália, reunindo mais de 2 mil pessoas deitadas em suas boias. No ano seguinte as boias foram lançadas no mercado brasileiro, disponível em cinco cores (verde limão, azul carbono, salmão, fúcsia e lilás).

Em 2015, ocorreu um fato de extrema importância para o desenvolvimento internacional da marca: a inauguração de uma loja dentro do Disney Springs, centro de compras e entretenimento do complexo Disney na cidade de Orlando, onde é possível encontrar sandálias com temas da Disney ou sem desenhos, de várias cores, para adultos e crianças. Mais recentemente, a marca lançou novos produtos e ingressou em novas categorias, como por exemplo, uma coleção de óculos, que tem tudo a ver com a marca, um produto ligado ao verão e ao calor.

Pouquíssimas marcas no mundo conseguiram se reinventar e conquistar status internacional sem precisar mudar a essência de seu produto por décadas como fez a HAVAIANAS. E hoje em dia, símbolo do alto-astral brasileiro em qualquer parte do mundo, a HAVAIANAS oferece produtos que vão muito além das clássicas sandálias. Somente a linha das sandálias HAVAIANAS cresceu de apenas um modelo até meados da década de 1990 para mais de 400 modelos nos dias atuais, comercializadas em mais de 65 cores e 600 combinações de estampas diferentes.
A linha do tempo
1995
● Lançamento das HAVAIANAS BABY, sandálias direcionadas para um público infantil, em tamanhos que variam do 17/18 ao 23/24, com feixe para prender ao calcanhar. Possuem as variações Baby Pets (com bichinhos nas tirinhas), Baby Brasil (com estilo idêntico ao modelo adulto) e Baby Estampadas (com estampas coloridas na base).
● Lançamento das HAVAIANAS FLORAL, com flores de hibiscus, a primeira de muitas sandálias estampadas da marca.
● Lançamento das HAVAIANAS FIT, sandálias com solado super macio que acompanham as curvas dos pés e tiras que se ajustam aos calcanhares.
1998
● Lançamento, para a Copa do Mundo de Futebol de 1998, das HAVAIANAS COPA, sandálias com uma pequena bandeira do Brasil na tira e duas faixas com as cores da bandeira na lateral do solado. Essa sandália rapidamente se tornou objeto de desejo no exterior e motivo de orgulho para os brasileiros. O sucesso mundial das bandeirinhas fez com que a linha fosse rebatizada de HAVAIANAS BRASIL, hoje uma das mais vendidas no mundo.
● Lançamento das HAVAIANAS FASHION, sandálias com o solado mais alto na parte de trás, conferindo um leve salto ao modelo, direcionadas ao público feminino.
2000
● Lançamento da primeira sandália que brilhava no escuro, tudo para que os brasileiros comemorassem o Réveillon do milênio com uma HAVAIANAS nos pés.
2001
● Lançamento das HAVAIANAS SPECIAL COLLECTION, sandálias super especiais com detalhes exclusivos como cristais e malhas de metal costuradas à mão por artesãs no Nordeste.
2002
● Lançamento das HAVAIANAS STYLE, sandálias com a parte frontal ainda mais larga, em um formato mais próximo do quadrado.
2003
● Lançamento das HAVAIANAS FLASH, que possuíam diferentes formas de tiras e estampas.
● Lançamento das HAVAIANAS HIGH, modelos com saltos de até 6 centímetros disponíveis em diferentes cores e estampas.
2004
● Lançamento das HAVAIANAS IPÊ, modelos com estampas de animais em extinção feitas em parceria com o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), onde 7% das vendas líquidas eram destinadas ao instituto, que desenvolve projetos voltados à conservação da Mata Atlântica, Amazônia e Pantanal. Essa parceria teve início com uma coleção formada por sandálias que ilustravam o peixe-boi, o mico leão de cara-preta e o papagaio de cara-roxa. Já no ano seguinte, houve a renovação da coleção com novas espécies como a arara, o muriqui e a onça. Houve também o lançamento da coleção filhotes para as crianças, devido aos inúmeros pedidos dos consumidores. Até hoje, mais de R$ 3.5 milhões já foram repassados ao instituto.
2005
● Lançamento das HAVAIANAS CARTUNISTA, sandálias infantis que traziam estampas de cartunistas famosos.
● Lançamento das HAVAIANAS JOY, modelo feminino com salto pequeno de 3 centímetros. Não possuíam estampas nem variação de modelos, apenas de cores. Todas traziam flores delicadas presas às tiras.
2006
● Lançamento das HAVAIANAS MENINA, uma linha feminina com modelos perfumados, muito cor-de-rosa e estampas de corações, flores e frutas.
● Lançamento das HAVAIANAS MENINO, sandálias com temas de esportes radicais e aventura.
2007
● Lançamento das HAVAIANAS SLIM, sandálias simples com tiras cinco milímetros mais finas e delicadas e solado baixo e mais estreito. Rapidamente esse modelo caiu no gosto do público feminino e se tornou um ícone da marca.
● Lançamento das HAVAIANAS TRIAL, sandália com tiras fixas e mais largas que contornam o calcanhar garantindo estabilidade aos pés.
● Lançamento das HAVAIANAS WAVE, sandálias masculinas com formato anatômico com a espuma de borracha do solado mais macia e maleável e com tiras bicolores mais largas.
● Lançamento das HAVAIANAS LOGO, sandálias com tiras translúcidas que traziam o logotipo da marca em borracha injetada, em cor contrastante.
● Lançamento das HAVAIANAS 4 NITE, modelo com tiras e estampas fosforescentes.
2009
● Lançamento de uma edição especial das sandálias com toque retrô e visual sofisticado, uma releitura do modelo tradicional com sola branca e tiras coloridas. As femininas foram criadas na cor nude metalizado, e para os homens a cor eleita foi cinza também metalizado. As sandálias eram entregues dentro de uma caixa, cuja parte interna apresentava a patente da marca e um texto cronológico que contava a sua história.
● Lançamento das HAVAIANAS SLIM ÁFRICA, com estampas tribais e combinações de cores vibrantes.
● Lançamento das HAVAIANAS SLIM WIND, que esbanjava conforto com sua tira tubular.
● Lançamento das HAVAIANAS FUN, criadas para o público adolescente com estampas modernas e divertidas, em opções de tira flúor ou jelly.
● Lançamento das HAVAIANAS SLIM ILLUSION, sandálias femininas super delicadas, psicodélicas e coloridas, que chegaram ao mercado com tiras nas cores neon, flúor e candy combinando com os traços de cores vibrantes pincelados nas solas.
2010
● Lançamento das HAVAIANAS TEAMS, sandálias que traziam as cores e estampas das 32 seleções que participaram da Copa do Mundo de Futebol da África do Sul.
● Lançamento das HAVAIANAS DIA DOS NAMORADOS, sandálias delicadas e românticas. O novo modelo foi desenvolvido no formato Slim, com tiras douradas e solado estampado com corações vermelhos e dourados.
2011
● A marca inicia uma parceria com a Disney em modelos exclusivos com os personagens desse mundo mágico.
2012
● Lançamento de capas de borracha para celulares e tablets em vários formatos e cores que utilizam a textura de arroz presente nas palmilhas das sandálias. Tudo para deixar o aparelho celular com um visual alegre e ao mesmo tempo mais protegido.
2013
● Lançamento da HAVAIANAS FLAT, nova linha de sandálias feminina com modelos rasteirinhos. As sandálias são mais delicadas, tem o solado mais fino e tiras mais curtas, com uma versão de duas tiras na horizontal (FLAT GUM).
2014
● Lançamento de uma coleção de roupas femininas e masculinas, com peças que possam ser combinadas com as sandálias e, por isso, a prioridade foi para a moda praia e casual (camisetas, bermudas, vestidos e até biquínis).
● Lançamento da HAVAIANAS POWER, modelo ideal para relaxar os pés antes e depois de praticar esportes. Com design exclusivo e formulação de borracha extra macia, sua sola massageia e relaxa os pés, garantindo um conforto superior. Também possui tiras vazadas, que proporcionam maior respirabilidade para os pés.
2016
● Lançamento da ALPARGATAS SLIM, modelo exclusivamente feminino que chegou para completar a linha de alpargatas e sneakers da marca.
● Lançamento da ORIGINE SOFT, modelo estilo alpargatas agora na versão em moletom, tecido de malha super macio e confortável, que conquistou status fashion nas passarelas do mundo inteiro de uns anos para cá.
● Lançamento de sua primeira coleção de óculos, produzidos com materiais mais flexíveis para seguir o padrão de maleabilidade da marca. Para isso, foram usados borracha, acetato e poliamida transparente. Inicialmente havia duas versões disponíveis, adulto e júnior. Cada modelo é batizado com os nomes de famosas praias brasileiras: Rio, Paraty, Noronha e Trancoso.
O mundo aos seus pés
A revolução da marca começou com a criação do departamento de comércio exterior em 1999. Até então, as vendas para o exterior eram esparsas, ou seja, não havia um movimento articulado em direção a esse mercado. A decisão de explorar a marca no exterior deu-se pelo fato de ser um produto tipicamente brasileiro, colorido e sem concorrência interna ou externa. E uma das primeiras medidas para chegar a esses destinos foi reorganizar a rede de distribuidores no mundo todo. Alguns eventos contribuíram para o sucesso da marca no exterior, como quando as brasileiríssimas sandálias chegaram ao mercado francês em 2001 através de uma amostra sobre a América Latina na chique Galeries Lafayette, onde foram vendidos três mil pares de HAVAIANAS. Em 2003, os tradicionais chinelos de borracha desfilaram nos pés de todas as modelos na passarela do estilista Jean-Paul Gaultier. Nada melhor para criar uma boa imagem da sandália e aumentar as vendas. Hoje, é possível esbarrar nas ruas com milhões de franceses usando HAVAIANAS. Esse aumento só foi possível porque a distribuidora francesa trabalhou o conceito da marca. Além do desfile de Gaultier a empresa fez parceria com grandes lojas de departamento, como a Galeries Lafayette, Printemps e o Le Bon Marché, que passaram a comercializar as sandálias.

Outro evento importante para divulgação da marca no exterior ocorreu em 2003 quando foram distribuídas sandálias HAVAIANAS aos indicados ao Oscar. Dois meses antes da cerimônia a empresa desenvolveu um modelo sofisticado, decorado com cristais austríacos Swarovski e guardado em caixas especiais com o nome dos atores imitando os símbolos estampados na calçada da fama de Hollywood. Paralelamente, a fábrica entrou em contato com os agentes das 61 celebridades indicadas ao prêmio - entre elas, Jack Nicholson, Nicole Kidman e Renée Zellweger - para saber que número elas calçavam. No dia seguinte à premiação, todos receberam sua sandália. Afinal, depois de horas sobre saltos e sapatos apertados no tapete vermelho, nada melhor do que pisar em uma HAVAIANAS. Iniciativas como essa ajudaram a empresas a vender 1 milhão de pares de HAVAIANAS aos varejistas americanos neste ano. Nos últimos anos, a receita gerada pela exportação do produto praticamente quadruplicou. Estados Unidos, França e Austrália são os maiores mercados da marca no exterior. Em acelerado ritmo de expansão internacional a marca passou a atuar diretamente na Europa em 2008.

Outro fator importante para consolidação da marca no mundo ocorreu quando grifes de renome internacional ofereceram a sua própria visão de HAVAIANAS através de edições limitadas: a grife francesa Céline (2004), HStern (2010), Paul&Joe (2010) e Missoni (2011 e 2012). Além disso, considerada como “a sandália de quem tem muito dinheiro e nada para provar”, a comunicação criada para veiculação da marca no exterior utiliza linguagem que sustenta tal fato, como por exemplo, “Somente o Titanic tinha tantos milionários em cima”. Em pouco mais de uma década, devido a todas essas ações, as tradicionais sandálias HAVAIANAS saíram das praias brasileiras e foram parar em mais de 100 países e nos pés de celebridades como Angelina Jolie, Brad Pitt, Britney Spears, Kate Hudson e até da princesa Stéphanie de Mônaco.
A loja conceito
A primeira loja-conceito da marca no mundo, batizada de ESPAÇO HAVAIANAS, foi inaugurada no dia 23 de janeiro de 2009, na badalada Rua Oscar Freire, no bairro dos Jardins em São Paulo. A loja reunia tudo o que os apaixonados por HAVAIANAS sempre sonharam: linha completa de sandálias, produtos exclusivos para o mercado internacional, customização e novos produtos. Com 300 m² o luxuoso endereço, assinado pelo arquiteto Isay Weinfeld, é decorado com mosaico de claraboias no teto e paisagismo lateral (com palmeiras e pitangueiras), passando a impressão de se estar literalmente em uma praça, inclusive com barraca de feira, que remete à origem dos chinelos. Além disso, os bancos de tronco de madeira pequiá e o piso de pedra Goiás tornam o ambiente bem despojado. O sistema de luz, som (há setenta caixas acústicas escondidas no jardim e nas prateleiras) e vídeo é acionado por uma rede de computadores.

Os produtos para exportação ficam expostos em um contêiner. Amplo e contemporâneo, o espaço reúne todas as principais linhas da marca divididas por setores, com destaques para dois: Barraca de Feira, em homenagem à origem popular das HAVAIANAS, expondo os modelos mais tradicionais como se fossem frutas da estação; e Customização, com as inúmeras possibilidades de combinações entre solas, tiras e pins. Existe ainda um corner com as opções infantis, expostas em um display em formato de quebra-cabeça. O visitante pode encontrar toda a linha das sandálias (são mais de 400 modelos, inclusive, os destinados apenas à exportação), desde a mais simples até uma customizada com cristais Swarovski. Além da coleção de bolsas e também toalhas, chaveiros, pins, capas de celulares, meias, roupas e calçados. O visitante pode também conhecer a história e evolução da marca em um cubo vidro (onde repousa o primeiro modelo da sandália criado em 1962), ou nas paredes, onde frases e informações explicam a trajetória e o desenvolvimento da marca ao longo dos seus mais de 50 anos de existência. O visitante pode inclusive customizar as sandálias. Há uma tela no balcão, onde o produto criado é fotografado e assinado, depois é arquivado em uma biblioteca virtual.

A cinquentona
Em 2012, para celebrar o seu 50º aniversário, a HAVAIANAS lançou uma edição limitada de sandálias, inspiradas na virada da marca, ocorrida nos anos de 1990, quando as pessoas tiveram a ideia de virar a sola das HAVAIANAS para cima, criando a sandália de uma cor só. Uma edição de 50 mil pares da nova sandália foi vendida no Brasil, Estados Unidos, Europa e em outros países. O modelo comemorativo na verdade era dois: um que lembrava aquele originalmente lançado em 1962, de solado branco e tira colorida; e o de uma cor só, simulando aqueles de solado virado. E para celebrar este momento tão importante para a marca, 100% da receita líquida da venda dos produtos foi revertida ao projeto Selo Unicef, iniciativa do fundo voltada aos municípios brasileiros para a melhoria da qualidade de vida de crianças e adolescentes.
Campanhas que fizeram história
A qualidade do produto, a estratégia de marketing e as campanhas publicitárias baseadas em depoimentos de gente famosa usando as tradicionais sandálias, trouxeram vida para a marca, ainda que ela dispensasse maiores apresentações. Quem primeiro apresentou o produto, no início da década de 1970, foi o saudoso humorista Chico Anysio com o slogan “Não deforma, não tem cheiro, não solta as tiras”. Na década de 1990, ele voltou em um dos anúncios do lançamento das HAVAIANAS TOP proclamando “Isso é amor antigo”. A simbiose entre o produto e o artista foi tão grande que houve tempo em que se acreditava ser ele o dono da marca. Saiu Chico Anysio e entrou Thereza Collor. “Todo mundo usa Havaianas” era o tema da campanha que foi ao ar logo depois com o ator Luis Fernando Guimarães. Ele flagrava personalidades como Vera Fisher, Malu Mader, Maurício Mattar e o jogador Bebeto usando as sandálias.

Na televisão, a popularidade de Carolina Ferraz caiu ao tirar suas HAVAIANAS. Cristiana Oliveira ia tirando as peças de sua indumentária para descobrir o responsável pelos miligramas a mais que a balança quebrada não acusava. Em outro filme uma fã quase descobre Fábio Assunção disfarçado na praia através de suas sandálias. Pouco depois um garoto beijava as sandálias de Rodrigo Santoro pensando serem de Luana Piovani; outro pedia as HAVAIANAS da Deborah Secco para fazer traves de gol. Marcos Palmeira, Raí, Popó, Luma de Oliveira, Hortência, Reinaldo Gianechini, Luiza Brunet e Cauã Raymond também apareceram nas telinhas em divertidas situações relacionadas à marca. Mais recentemente, celebridades como a cantora Sandy e até o ex-jogador Biro-Biro estrearam campanhas da marca. Atrizes, atletas, apresentadores de programas televisivos, modelos, entre outras figuras conhecidas do grande público já representaram a HAVAIANAS, de forma a catalisar a mensagem de que “todo mundo usa”, elevando a fama do chinelo a nível internacional e conquistando renomadas publicações de moda. Uma coisa é certa: objeto de desejo, as HAVAIANAS têm glamour, personalidade e estilo. Básicas, irresistíveis, imprescindíveis, elas serão eternas enquanto durarem. Suas famosas campanhas publicitárias impressas também são cheias de humor, cores e uma linha alegre criativa.

Em 2016, a marca que se transformou em uma espécie de símbolo de produto Made in Brazil, lançou a sua primeira campanha global com o slogan “Original do Brasil desde 1962”, reforçando a história da marca e sua forte relação com os brasileiros.
O logotipo
A identidade visual da marca HAVAIANAS pode ser aplicada de três maneiras diferentes, como mostra a imagem abaixo.
Os slogans
Original do Brasil desde 1962. (2016)
Havaianas, todo mundo usa. (1994)
Legítimas só Havaianas.
As legítimas, recuse imitação.
A grande sandália. (década de 1970)
Havaianas, As Legítimas. (1973)
Diga-me com quem andas. (década de 1970)
Não deforma, não tem cheiro, não solta as tiras. (década de 1970)
Havaianas, o andar mais confortável do mundo. (década de 1960)
Dados corporativos
● Origem: Brasil
● Lançamento: 8 de junho de 1962
● Criador: São Paulo Alpargatas S.A.
● Sede mundial: São Paulo, Brasil
● Proprietário da marca: Alpargatas S.A.
● Capital aberto: Não
● CEO: Márcio Luiz Simões Utsch
● Faturamento: R$ 2 bilhões (estimado)
● Lucro: Não divulgado
● Valor da marca: R$ 607 milhões (2016)
● Loja: 550
● Presença global: 117 países
● Presença no Brasil: Sim
● Maiores mercados: Brasil, Estados Unidos, França e Austrália
● Segmento: Moda
● Principais produtos: Sandálias, calçados, meias e bolsas
● Concorrentes diretos: Ipanema, Dupé, Rider, Amazonas Sandals, Indaiá e Usaflex
● Ícones: As próprias sandálias
● Slogan: Original do Brasil desde 1962.
O valor
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca HAVAIANAS está avaliada em R$ 607 milhões, ocupando a posição de número 17 no ranking das marcas mais valiosas do Brasil.
A marca no mundo
Hoje em dia a marca possui participação de 85% no mercado brasileiro de sandálias de borracha (já entre sandálias no geral, tem uma fatia de aproximadamente 50%), comercializa mais de 210 milhões de pares das famosas sandálias, das quais mais de 20% exportados para mais de 110 países dos cinco continentes (da França ao Japão, de Honduras ao Congo), podendo ser encontrada em mais de 150 mil pontos de venda somente no Brasil. A marca mantém 550 lojas próprias pelo mundo, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Orlando, Madri, Barcelona, Valência, Roma, Paris e Londres. Com mais de 10 mil pontos de venda no exterior, as exportações chegam a 30 milhões de pares. Atualmente a HAVAIANAS é a 4ª marca mais lembrada da América Latina, representando quase 50% do faturamento (R$ 4 bilhões em 2016) da Alpargatas. A cada três brasileiros, dois em média consomem um par de HAVAIANAS por ano. Sua linha de produtos inclui, além dos chinelos de borracha, bolsas de lona, toalhas de algodão, chaveiros, pingentes e capas para celulares, meias, óculos, calçados casuais, tênis, alpargatas e até galochas.
Você sabia?
● Somente na fábrica de Campina Grande (Paraíba) são produzidos mais de seis pares de sandálias HAVAIANAS por segundo. Desde seu lançamento as sandálias já venderam 3.9 bilhões de pares.
● No exterior a sandália é chamada de FLIP FLOP HAVAIANAS.
● As HAVAIANAS foram comparadas pelo jornal americano The Wall Street Journal e pela revista inglesa The Independent Review ao Boeing e ao VW Fusca, produtos que reinventaram suas categorias de mercado.
As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Isto é Dinheiro, Época Negócios, Exame e Veja), jornais (Valor Econômico, O Globo, Meio Mensagem, Folha e Estadão), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas).
Última atualização em 4/4/2017