Mostrando postagens com marcador Moda Esportiva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Moda Esportiva. Mostrar todas as postagens

12.1.17

FRED PERRY


Mais de seis décadas foram construídas sobre uma história única em sportswear e streetwear, mesclando a herança britânica com o design contemporâneo. O espírito da marca inglesa FRED PERRY, que inspirou gerações de pessoas ao longo do tempo, permanece em cada uma de suas coleções. Ícone da moda street fashion, isso pode ser constatado pelas várias personalidades que se declaram admiradoras da marca, como a modelo Kate Moss, a banda Blur e os irmãos Gallagher do Oasis. 

A história 
Frederick John Perry (imagem abaixo), filho de operários, nasceu em 1909 na cidade de Stockport, próxima à Manchester, no norte industrial inglês. O garoto de origem humilde desafiou a aristocracia britânica, primeiro ao se sagrar campeão mundial de tênis de mesa aos 19 anos e depois ao se tornar um jogador de tênis, conquistando torneios importantes como o US Open, o Australian Open, o Roland Garros e principalmente Wimbledon, cujo primeiro título foi conquistado em 1934. O sucesso no tênis nos anos seguintes fez de Fred Perry uma estrela, indo parar na capa da tradicional revista Time. Seu tino para os negócios começou em 1941, quando Perry foi abordado pelo jogador de futebol austríaco Tibby Wegner, que tinha inventado um acessório atoalhado e antitranspirante para ser usado ao redor do pulso. Foi então que Perry, utilizando toda a sua experiência como tenista, fez algumas alterações no produto (utilizou um material mais leve, macio e mais absorvente) e inventou o primeiro sweatband (aquela munhequeira utilizada para enxugar o suor do rosto ou evitar que o suor escorresse para a raquete).


A ideia rapidamente se tornou um enorme sucesso entre os tenistas e, em 1952, utilizando sua popularidade ele fundou, juntamente com Tibby Wegner, a FRED PERRY SPORTSWEAR e criou a primeira camisa pólo da marca. A camisa pólo, branca com dois botões na frente, Twin Tipped (risca dupla), e que era feita de algodão foi lançada no tonteio de Wimbledon e se tornou um sucesso entre os tenistas. Facilmente reconhecível pelo logotipo de Coroa de Louros no lado esquerdo do peito, que foi baseado no antigo símbolo que decorava as medalhas dos ganhadores de Wimbledon, torneio no qual Fred brilhou durante anos (ele venceu três vezes consecutivamente). A camisa, chamada por Fred de “the shirt that fits” (algo como “a camisa que veste”), tinha um diferencial: o logotipo de Coroa de Louros bordado, ao contrário de sua principal concorrente, a francesa Lacoste, que colava o logotipo de crocodilo.


Inicialmente a FRED PERRY fazia roupas para tenistas. Isso lhe conferiu o status de marca de elite. Por isso, no final da década de 1950, o corte simples e limpo de sua camisa pólo foi adotado pelo incipiente movimento Mod e, em pouco tempo, tornou-se uma peça básica para numerosas tribos jovens, desde rude boys, punks à Brit pop. Com isso, os jovens exigiram mais cores além da tradicional branca e assim uma nova paleta de cores foi lançada no mercado. Além disso, outros produtos para atender a demanda dos novos jovens consumidores foram lançados, como por exemplo, calçados (1957). Entre as décadas de 1960 e 1970, a camisa pólo da marca se tornou uma febre entre os jovens britânicos, desde os skinheads aos adeptos do movimento northern soul. Com isso, a FRED PERRY ficou muito associada com a cultura de rua inglesa e com os diferentes gêneros de música inglesa também.


Na década de 1990, adotou uma estratégia para divulgar sua marca ao dar roupas para famosas bandas usarem, cativando assim ainda mais seu público e conquistando muitos fãs internacionais. Com a morte de Fred Perry em 1995, os herdeiros venderam a marca para a empresa japonesa Hit Union. Depois de um período de ostracismo, a marca voltou a ganhar notoriedade ao patrocinar o tenista britânico Andy Murray (até novembro de 2009). O ressurgimento da marca também veio com o estilista Raf Simons, que adaptou e modernizou a FRED PERRY, mas sem perder seu lado clássico. Em 2012 a marca FRED PERRY celebrou 60 anos de vida. Para celebrar esta data, a tradicional camisa pólo de 1952 foi reproduzida a partir do arquivo de imagens e ilustrações e lançada em seis cores (branco, bege, castanho, azul-glaciar, old navy e preto). A coleção incluía também dois calçados comemorativos. Em 2013, conhecida por criar o lifestyle londrino em roupas e acessórios, a marca inaugurou sua primeira loja no Brasil, localizada no luxuoso Shopping Cidade Jardim, em São Paulo.


Hoje a gama de produtos da marca, que tem exercido bastante influência e apresentou alguns dos estilos mais emblemáticos do século passado, que continuam a ser relevantes, é bem vasta com um mix completo e com linhas diferentes criadas por designers e estilistas convidados como Richard Nicoll e Emma Cook. Apesar de ter nascida intrinsecamente vinculada ao tênis, a marca FRED PERRY hoje está também associada ao ciclismo, incluindo o campeão olímpico Bradley Wiggins, e principalmente à música, tendo lançado coleções em parceria com a saudosa Amy Winehouse, Peter Blake e a banda No Doubt. Com uma herança puramente esportiva, a FRED PERRY alcançou uma liderança quase inigualável como marca underground, com peças de roupas imediatamente reconhecidas. Ao longo da história, a marca sempre se manteve fiel a sua autenticidade, integridade e atitude.


A evolução visual 
A ideia original era usar um cachimbo como logotipo. Um plano abandonado diante da óbvia disparidade com a imagem de saúde no esporte. E aí sim surgiu a emblemática Coroa de Louros como ícone da marca, que se mantém ainda hoje como um símbolo de excelência e homenagem a um homem que cresceu humilde e conquistou o torneio de Wimbledon três vezes. Este logotipo passou por pequenas alterações ao longo dos anos, mais precisamente na tipografia de letra.


Dados corporativos 
● Origem: Inglaterra 
● Fundação: 1952 
● Fundador: Frederick Perry e Tibby Wegner 
● Sede mundial: Londres, Inglaterra 
● Proprietário da marca: Fred Perry Limited 
● Capital aberto: Não (subsidiária da Hit Union Co. Ltd.) 
● Presidente: John Flynn 
● Faturamento: £120 milhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 141 
● Presença global: 50 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 400 
● Segmento: Moda casual 
● Principais produtos: Roupas, calçados e acessórios 
● Concorrentes diretos: Lacoste, Gant, Ralph Lauren, Tommy HilfigerLa Martina e Gola 
● Ícones: O logotipo de Coroa de Louros 
● Slogan: The mark of excellence. 
● Website: www.fredperry.com 

A marca no mundo 
Atualmente a FRED PERRY vende roupas, calçados e acessórios para homens, mulheres e crianças em mais de 50 países ao redor do mundo. Seus produtos são comercializados através da internet, lojas multimarcas, lojas de departamento e mais de 140 lojas próprias em 30 países. 

Você sabia? 
A Coroa de Louros é o principal símbolo de reconhecimento da marca. Hoje em dia são necessários apenas 94 segundos para bordar mais de 60 anos de uma rica história em suas camisas pólos. 
É bastante provável que muitos clientes da grife sequer saibam de sua ligação com as quadras de grama do All England Club, palco do mais tradicional e antigo torneio da história moderna do tênis. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Exame), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 12/1/2017

14.7.16

CANADA GOOSE


Sempre aquecido, seco e confortável nas piores condições climáticas de frio extremo. Essa é a principal missão da marca CANADA GOOSE, que com seus casacos e parcas aquece e protege do frio e do vento, até mesmo no Ártico. Suas roupas e acessórios são produzidos somente no Canadá utilizando materiais nobres, e exibem o design que é a assinatura da grife. E experimente perguntar para quem usa uma de suas parcas porque CANADA GOOSE e a resposta será: “é a peça mais quente que se pode comprar”. Afinal, a marca se tornou uma declaração de moda global como um escudo contra o frio. 

A história 
A história começou nos anos de 1950, quando o polonês Sam Tick se instalou no Canadá. Depois de trabalhar como costureiro em diversas fábricas de parcas e casacos para o intenso frio canadense, seguindo seu espírito empreendedor ele fundou em 1957 na cidade de Toronto a Metro Sportswear, que iniciou em um pequeno galpão a fabricação de casacos capazes de suportar o rigoroso frio dos invernos canadenses. Originalmente produzindo casacos, jaquetas e coletes à base de lã, além de capas de chuva, no início da década de 1970, com o desenvolvimento de novas tecnologias, a empresa iniciou a fabricação de casacos e parcas com penas de ganso para invernos rigorosos e climas adversos. A empresa então se concentrou principalmente na fabricação de casacos e parcas pesadas para os Rangers canadenses (que normalmente realizam o papel de vigilância do Ártico), departamentos municipais de polícia, Polícia Provincial do Ontário, trabalhadores municipais, do Ministério do Ambiente e do Ministério de Serviços Penitenciários. Nesta época a empresa também fabricava casacos e parcas para outras marcas.


No início da década de 1980, seu genro, David Reiss, que já trabalhava na empresa, assumiu o comando dos negócios. No dia 5 de outubro de 1982, Laurie Skreslet fez história como o primeiro canadense a chegar ao cume do Monte Everest vestindo uma parca projetada e fabricada pela empresa. Em 2011, este icônico casaco seria relançado no mercado como Skreslet Parka. Pouco depois, em 1985, as parcas e casacos da empresa começaram a ser comercializadas com a marca SNOW GOOSE. O nome da nova marca era bastante apropriado, afinal a empresa fabricava casacos para frio (e neve remete a isso) com penas de ganso (goose em inglês). Foi nesta década que, inspirada por um dos lugares mais frios da Terra, a empresa lançou a Expedition Parka, uma parca desenvolvida especificamente para atender às necessidades exclusivas de cientistas na Estação McMurdo, na Antártida. A parca rapidamente se tornou popular entre os exploradores e pesquisadores de regiões extremamente frias e ganhou o apelido de “Big Red”. Nesta época, a marca começou a patrocinar as equipes de pesquisa instaladas no Ártico e rapidamente se tornou indispensável para as expedições polares.


Antes de expandir as vendas para o restante do mundo, a empresa concentrou seus esforços no mercado europeu a partir da década de 1990, pois fazia mais sentido devido ao clima severo encontrado em alguns países do continente. Só que surgiu um enorme problema. O nome SNOW GOOSE já estava registrado na Europa e a empresa então resolveu comercializar seus produtos com a marca CANADA GOOSE em 1993. Rapidamente seus casacos e parcas se tornaram populares, especialmente nos países escandinavos.


A história da empresa e da marca começaria a mudar em 1997 quando Dani Reiss, filho de David, ingressou nos negócios. Quando ele assumiu o cargo de CEO em 2001, a CANADA GOOSE faturava poucos milhões de dólares anualmente. Para tornar a marca  um ícone no seu segmento de atuação, ele tomou duas decisões cruciais: comercializar seus produtos somente com a marca CANADA GOOSE e fabricar suas peças no Canadá (“Made in Canada”), uma decisão arriscada quando a maioria das empresas terceirizava a produção para a Ásia, onde os custos trabalhistas são muito mais baixos. Mas essas decisões deram resultados. Isto porque, nos próximos dez anos, o faturamento da empresa cresceu mais de 2.000% e a CANADA GOOSE construiu enorme reputação de qualidade e luxo nos mercados americano, europeu e asiático, e até em países de clima quente como a Índia e os Emirados Árabes Unidos.


Outros fatores explicam o enorme sucesso da marca canadense nos últimos anos: celebridades e o glamour do cinema. Apesar de não contratar famosos para endossarem seus produtos, inúmeras celebridades já foram fotografadas com suas parcas, como por exemplo, o jogador inglês David Beckham, Emma Stone, Bradley Cooper, Matt Damon, Hilary Duff, Sarah Silverman, Daniel Craig e a modelo Kate Upton (que pôde ser vista usando uma parca da marca na capa da revista Sports Illustrated, em 2013). Além disso, a CANADA GOOSE é a marca não-oficial de parcas para equipes de cinema trabalhando em ambientes de frio hostil, e tem sido usada fora das câmeras para tudo – desde a série “Game of Thrones” até “Garota Dinamarquesa”. Suas parcas também já foram utilizadas em filmes famosos, como por exemplo, “O Dia Depois do Amanhã” e “A Lenda do Tesouro Perdido”. Embora a marca diga que não utilize a estratégia de patrocínio direto à celebridades, ela tem distribuído gratuitamente seus casacos e parcas em eventos que patrocina como o Sundance ou Festival de Cinema de Toronto.


Nos últimos anos a CANADA GOOSE expandiu sua linha de produtos ao lançar luvas, gorros e chapéus para frio extremo. Além disso, introduziu sua linha de produtos voltados para crianças. A CANADA GOOSE se viu recentemente forçada a inaugurar duas novas fábricas, uma em Winnipeg e outra em Scarborough, para suprir a alta demanda por seus produtos. O governo do Canadá, desde então, certificou a empresa como responsável por 6% de toda produção têxtil do país. Além disso, em 2013, a compra de parte de ações da empresa canadense pelo fundo de investimento Bain Capital injetou US$ 250 milhões no negócio, o que possibilitou ampliar sua expansão internacional. E a marca anunciou recentemente, que no segundo semestre de 2016, irá inaugurar suas primeiras lojas próprias, inicialmente em Toronto e Nova York.


Um dos produtos mais antigos e icônicos da marca canadense é a parca SNOW MANTRA (imagem abaixo), desenvolvida especificamente para atender as necessidades dos trabalhadores no Ártico canadense e que tem servido como “uniforme oficial” para os Rangers canadenses e equipes de resgate no Ártico. Pesando aproximadamente 3.4 quilos, testado em campo em temperaturas de até -70°C e composto por mais de 247 peças, a parca se tornou um vestuário indispensável para aqueles que vivem e trabalham em climas hostis de frio extremo.


Hoje em dia, desde as instalações de pesquisas do pólo sul e do Ártico, das expedições ao Monte Everest até as ruas de Nova York, Moscou, Estocolmo, Milão, Toronto e Tóquio, as pessoas usam os produtos da CANADA GOOSE devido à reputação de qualidade, funcionalidade e estilo para enfrentar adversidades climáticas causadas pelo frio extremo.


A alta qualidade 
Peças luxuosas de alta performance para o frio extremo estão no DNA da CANADA GOOSE. Por isso, cada jaqueta ou parca da marca canadense passa por 13 etapas de produção e muitas mãos, todas guiadas pelo compromisso artesanal. Do zíper ao botão, cada elemento é cuidadosamente escolhido e meticulosamente colocado no lugar. E antes que deixe a fábrica, uma competente equipe de garantia de qualidade inspeciona cada casaco à mão, garantindo assim que nenhum detalhe seja esquecido. Alguns de seus casacos e parcas requerem até 450 horas de trabalho para serem produzidos. Em uma época onde a produção é terceirizada para manter os preços baixos e reduzir custos, cada peça da CANADA GOOSE é produzida somente em território canadense. Isto explica o porquê de seus casacos e parcas terem preços que começam em US$ 600 e podem facilmente passar de US$ 1.700. Mas manter a produção local também se transformou em uma ótima ferramenta de marketing. Afinal, o clima frio faz parte da identidade nacional do Canadá, e não há melhores julgadores da qualidade dos produtos CANADA GOOSE do que aqueles para os quais eles são projetados - e por quem eles foram inspirados.


Algumas de suas parcas têm uma tira de pele de coiote no gorro e são preenchidas com penas de ganso. E isto tem despertado a ira dos ambientalistas e defensores dos direitos animais. A CANADA GOOSE responde que apoia o povo canadense que tem a tradição secular de capturar os animais para o uso de suas peles, e a prática é estritamente regulada por autoridades locais.


A evolução visual 
O logotipo da marca canadense passou por algumas remodelações ao longo dos anos. A identidade visual atual adotou uma tipografia de letra mais fina, moderna e elegante. Mas o principal símbolo de reconhecimento da marca (costurado no peito ou manga de cada peça de vestuário) permanece inalterado: um círculo que contém o mapa do Canadá, folhas de Bordo (símbolo nacional do país) e a inscrição “Arctic Program”. Sempre utilizando as cores vermelho, azul e branco.


Os slogans 
Ask Anyone Who Knows™. 
Proudly made in Canada since 1957. 
This Land is Your Brand.


Dados corporativos 
● Origem: Canadá 
● Fundação: 1957 
● Fundador: Sam Tick 
● Sede mundial: Toronto, Canadá 
● Proprietário da marca: Canada Goose Inc. 
● Capital aberto: Não 
● CEO & Presidente: Dani Reiss 
● Faturamento: US$ 300 milhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: 50 países 
● Presença no Brasil: Não 
● Funcionários: 1.000 
● Segmento: Esportivo 
● Principais produtos: Jaquetas, parcas, calças, luvas e gorros 
● Concorrentes diretos: The North Face, Patagonia, Moncler, Pyrenex, Millet, Columbia Sportswear e Arc’teryx 
● Ícones: As parcas 
● Slogan: Ask Anyone Who Knows™. 
● Website: www.canadagoose.com 

A marca no mundo 
Hoje em dia a CANADA GOOSE, cujo faturamento anual supera os US$ 300 milhões, comercializa sua vasta gama de produtos para climas severos e adversos em mais de 50 países ao redor do mundo. A marca produz mais de 400.000 parcas e casacos anualmente. 

Você sabia? 
A CANADA GOOSE oferece vestuário para frio (incluindo climas fortemente adversos) para homens, mulheres e crianças. Estes produtos irão proteger de elementos extremos que vão do frio entorpecente da Antártida, dos ventos fortes no Mar do Norte até dos climas severos de cidades gélidas. 
A CANADA GOOSE é extremamente famosa por seus doudounes (aqueles casacos de náilon super acolchoados). 
Com dois terços dos ursos polares do mundo vivendo no Canadá, em 2007 a marca uniu forças com a Polar Bears International (PBI) e lançou a coleção de parcas e casacos PBI. As vendas são revertidas para apoiar a conservação dos habitats do urso polar. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Entrepeneur), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 14/7/2016

21.5.15

COLUMBIA SPORTSWEAR


Tem um ditado que diz: experiência traz sabedoria. E as mais de sete décadas da COLUMBIA SPORTSWEAR COMPANY provam que a marca americana entende muito sobre esportes de aventura. Por gostar da natureza tanto quanto muitos, a marca sabe exatamente do que seus consumidores precisam. Sabe que sentir frio ou ficar encharcado não é nenhum divertimento. Um dia de sol pode ser maravilhoso, mas ficar queimado não tem graça nenhuma. Por isso a COLUMBIA desenvolve produtos de alta performance que fazem milhões de pessoas se sentirem protegidas e confortáveis em qualquer clima, não importa em que região do planeta. 

A história 
Tudo começou no ano de 1937 quando o casal Paul e Marie Lamfrom fugiu do cruel regime nazista da Alemanha e se estabeleceu na cidade de Portland, estado de Oregon, onde eles compraram uma pequena distribuidora de chapéus, Rosenfeld Hat Company, para a qual deram um novo nome: COLUMBIA HAT COMPANY. O nome foi inspirado no rio Columbia, o mais importante do estado. Esse início humilde teve um grande significado para a família, marcando um novo começo em um país onde podiam viver em total liberdade. Nos anos seguintes, em função dos enormes problemas com fornecedores a família iniciou a fabricação de seus próprios produtos. Em 1948, a filha do casal, Gertrude, cujo apelido era Gert, se casou com seu namorado da época de faculdade, Neal Boyle, que entraria para os negócios da família mais tarde, em 1963, assumindo o comando da empresa. A história da empresa começaria a mudar em 1960 com a introdução da primeira jaqueta para pesca e caça (projetada pessoalmente por Gert em uma máquina de costura) que possuía inúmeros bolsos, seguida pouco depois por uma linha de vestuários para a prática destes esportes, extremamente populares no estado de Oregon devido às riquezas naturais. Com isso, a marca protegia aventureiros contra os rígidos elementos climáticos da região com jaquetas, calças e chapéus de pescaria e caça. Nesta época a empresa mudou seu nome para COLUMBIA SPORTSWEAR COMPANY.


Em 1970, Neal faleceu aos 47 anos vítima de um ataque cardíaco, deixando três filhos (entre os quais Timothy, que pouco depois ajudaria sua mãe nos negócios), uma empresa em franca expansão apoiada em empréstimos bancários e uma esposa que não possuía nenhuma experiência em negócios. No dia seguinte ao funeral de Neal os telefones da empresa receberam inúmeras ligações, principalmente de vendedores que presumiram que a COLUMBIA fosse fechar. Em seguida ligaram os bancos, preocupados ao descobrir que uma dona de casa assumiria os negócios. Gert, no entanto, conseguiu ganhar tempo hipotecando o prédio da empresa como garantia para os empréstimos, acalmando assim os banqueiros e colocando a COLUMBIA em ordem. Assim, após alguns anos de trabalho duro os lucros começaram a surgir e a empresa concentrou suas forças em divulgar a marca COLUMBIA. Com isso, após iniciar suas vendas internacionais em 1975 e lançar a jaqueta com tecnologia Gore-Tex®, uma membrana que permitia ao corpo respirar mesmo sob uma superfície impermeável, o faturamento ultrapassou US$ 1 milhão em 1978. Outro fator que tornou a empresa ainda mais rentável foi a transferência da produção de seus vestuários para pesca e caça, no início dos anos de 1980, para a Ásia, mais precisamente para a Coréia do Sul. Com custos mais baixos, a COLUMBIA ganhou enorme competitividade no mercado americano.


Foi neste momento que a COLUMBIA iria se tornar conhecida por seus produtos inovadores e conquistar uma reputação inigualável por sua qualidade e valor. E isto começou com o famoso Interchange System™. Esse conceito revolucionário foi desenvolvido em 1982 e desde então impulsionou a COLUMBIA na indústria de vestuário esportivo. As primeiras jaquetas que utilizaram esse conceito, batizadas de Quad Parka, foram desenvolvidas para pessoas que praticavam caça e pesca. Essas jaquetas apresentavam uma cobertura externa a prova de água e outra jaqueta interna isolante que poderiam ser utilizadas de forma completa ou separadas, compondo uma única roupa a partir de três ou quatro peças. Esse produto tornou-se tão popular que o mesmo conceito foi aplicado em uma jaqueta para esqui alpino, a Bugaboo™, lançada em 1986 e que se tornou um ícone na história da marca. Esta jaqueta, capaz de proteger contra o vento, ser impermeável e garantir o isolamento térmico, marcou o ingresso da empresa no mercado de esqui e ajudaria a marca a se tornar líder neste segmento nos Estados Unidos alguns anos mais tarde.


Em 1991, foi desenvolvida a linha de produtos com tecnologia Omni-Tech® cuja proteção impermeável e respirável protege da chuva, vento e frio, liberando o calor gerado pelo corpo, mantendo a temperatura sempre confortável. Dois anos mais tarde a empresa ingressou no setor de calçados com o lançamento da Bugaboot™, uma bota resistente para esportes ao ar livre, utilizada pela própria Gertrude Boyle em famosos anúncios publicitários com o slogan: “My Mother Wears Combat Boots” (“Minha mãe veste botas de combate”, em português), dito por seu filho Tim Boyle. Ainda neste ano a marca introduziu a linha de roupas em jeans Tough Mother. Pouco depois, em 1994, mesmo ano que ingressou no mercado de snowboard com a produção de vestuários e equipamentos, a marca foi apontada pela emissora CBS Sports como patrocinadora oficial dos Jogos Olímpicos de Inverno realizados em Lillehammer na Noruega, fato que aumentou em muito suas vendas e reconhecimento internacional.


No ano seguinte lançou a linha de roupas GRT (abreviação de “Gear for Rugged Trekking and Travel”), cuja principal característica é ser extremamente resistente. Em 1996 a marca introduziu no mercado a linha de roupas PFG (Performance Fishing Gear), inspirada pelas necessidades de desempenho, estilo e conforto dos pescadores profissionais e amadores. Foi neste mesmo ano que a COLUMBIA inaugurou sua primeira loja própria, na cidade de Portland, que pela primeira vez vendia toda a linha de vestuários, calçados e acessórios da marca em um mesmo lugar. Além disso, várias unidades dessas lojas foram abertas na Coréia do Sul para reforçar a imagem da marca no continente asiático.


A partir do final da década de 1990, a COLUMBIA iniciou um processo de licenciamento de marca para expandir sua linha de produtos, como por exemplo, para meias e óculos para esqui. Em 2002 ganhou ainda mais reconhecimento ao se tornar fornecedora oficial dos populares X Games. Dois anos mais tarde, após inaugurar um Centro de distribuição em Cambrai, França, para atender a alta demanda do mercado europeu, a marca ultrapassou a barreira de US$ 1 bilhão em faturamento. Em 2009, além de lançar seu comércio eletrônico, a marca apresentou a linha Titanium para a prática do golfe. Em 2014, a marca inaugurou sua primeira loja no Brasil, localizada na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul.


Partindo do conceito de que é importante saber desfrutar ao ar livre, estando corretamente preparado para isso, nos últimos anos a COLUMBIA, reconhecida por ser inovadora na produção de vestuário outdoor e calçados, especialmente para enfrentar temperaturas frias e climas úmidos, introduziu inúmeras tecnologias revolucionárias através de tecidos repelentes de insetos ou vestimentas que bloqueiam vento, água e frio. Entre as principais tecnologias, vale destacar: Omni-Shade® (proporciona maior proteção contra a radiação dos raios UVA e UVB), Omni-Dry® (deixa o tecido impermeável e ultra-respirável, transferindo para fora, rapidamente, o calor e o vapor gerados pelo corpo nas atividades físicas, mantendo o usuário seco mesmo nas piores condições climáticas), Techlite (material ultra leve aplicado em calçados especialmente formulado para melhor absorção de impactos e estabilidade, desenvolvido para percorrer grandes distâncias com conforto), Omni-Wick® (transferência de umidade que facilita a rápida evaporação do suor mantendo o usuário confortável durante a prática de atividades), Omni-Shield® (tecido resistente a chuvas e manchas mantendo o usuário limpo e protegido), Omni-Heat® (proporciona a maior retenção de calor por grama da indústria através de uma tecnologia exclusiva que emprega 50% de materiais reciclados), Omni-Grip® (sistema de tração multiterreno formulado a partir de compostos especiais, e desenhado para agarrar com firmeza em qualquer tipo de terreno) e Omni-Freeze Zero® (resfriamento ativado pelo suor para diminuir a temperatura corporal).


Qualquer um pode aproveitar a natureza e os esportes de aventura. Desde expedições para lugares remotos até exigentes escaladas das montanhas mais altas do mundo. É fácil. Abra a porta e vá para fora. De uma montanha até um parque, de um glacial até um jardim, do Tour de France até um simples passeio de bicicleta, a COLUMBIA pode ajuda qualquer pessoa a aproveitar todas as suas atividades com o maior conforto possível. Por isso a COLUMBIA é atualmente uma das maiores fornecedoras mundiais de produtos a prova d’água e respiráveis, vestuários autênticos desenhados para aventuras e atividades ao ar livre que resistem às mais duras condições climáticas. Entre as inúmeras inovações da marca é possível citar os tratamentos de tecidos que protegem contra água, raios UV e lama, bem como tecidos destinados a manter os usuários frescos no clima muito quente, promovendo a evaporação do suor.


Conforme a COLUMBIA cresce, aumenta seu compromisso também com a sociedade. Localmente e em todo o mundo a empresa apóia inúmeras organizações de assistência social, arte, educação e conservação ambiental. Por exemplo, o programa de doações fornece roupas devolvidas e com pequenos defeitos, mas em condições de uso, para pessoas carentes nos Estados Unidos. A COLUMBIA é também membro da Conservation Alliance, grupo que apóia ações de conservação ambiental. Todos os funcionários da empresa participam do programa voluntário que organiza grupos de apoio a ações de entidades como SMART (Start Making A Reader Today - Comece a Incentivar Alguém a Ler Hoje), American Hiking Society (Sociedade de Caminhada Americana) e American Heart Association (Associação Americana do Coração).


Sucesso na comunicação 
Antes de 1983, a comunicação da marca se preocupava em apresentar a inigualável “engenharia” de seus produtos, até que a agência de publicidade Borders, Perrin & Norrander argumentou que com tamanha concorrência a COLUMBIA teria que se diferenciar de alguma forma. E indagou: quantas outras companhias são administradas por uma mãe e seu filho? A agência então propôs que Gert deveria estrelar os anúncios da marca. “Minha mãe, uma Super Modelo?” Essa foi uma versão educada da resposta de Tim na época. Mas a marca literalmente comprou a ideia e suas campanhas ganharam enorme reconhecimento popular. Nas campanhas, a mãe Boyle é exibida como a tirana que se certifica de que cada um dos produtos possa atender aos seus padrões (extremamente rígidos) e ao lendário mau tempo do estado de Oregon. A personagem de “Mãe Durona” de Gert a transformou em uma celebridade internacional. Enquanto o distinto humor americano deve ser ajustado para se encaixar no mercado estrangeiro, a imagem de uma mãe cuidadosa é compreendida por todos. Gert se tornou uma verdadeira celebridade e, em 2005, lançou sua autobiografia (One Tough Mother).


Para assistir a um dos inúmeros comerciais estrelados por Gert, clique no ícone abaixo.

   

A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas alterações ao longo dos anos. Mais recentemente a marca adotou um novo logotipo, que apresentou uma nova tipografia de letra, além da eliminação da expressão “Sportswear Company”.


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 1938 
● Fundador: Paul e Marie Lamfrom 
● Sede mundial: Portland, Oregon, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Columbia Sportswear Company 
● Capital aberto: Sim (1998) 
● Chairman: Gert Boyle 
● CEO: Timothy Boyle 
● Presidente: Bryan Timm 
● Faturamento: US$ 2.1 bilhões (2014) 
● Lucro: US$ 137.2 milhões (2014) 
● Valor de mercado: US$ 4 bilhões (maio/2015) 
● Lojas: 100 
● Presença global: 100 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 5.325 
● Segmento: Equipamentos esportivos 
● Principais produtos: Roupas, calçados e acessórios para atividades e esportes ao ar livre 
● Concorrentes diretos: The North Face, Patagonia, Timberland, Millet e Eddie Bauer 
● Ícones: As jaquetas 
● Slogan: Trying stuff since 1938. 

A marca no mundo 
Hoje em dia a COLUMBIA, renomada por inovar e desenvolver produtos confortáveis, de proteção e funcionais com estilo, está presente em mais de 100 países oferecendo uma vasta linha de produtos (que engloba desde jaquetas, casacos, camisas, calças e calçados resistentes até mochilas, chapéus, luvas e cachecóis) desenvolvidos para esportes e atividades ao ar livre como esqui, caça, pesca, caminhada, ciclismo e escalada. Com faturamento superior a US$ 2 bilhões em 2014, a marca vende seus produtos através de 100 lojas próprias (a maioria no formato de outlet), varejistas esportivos e grandes lojas de departamento. A marca é líder em vendas de roupas para esqui no mercado americano. 

Você sabia? 
A sede da empresa está localizada no noroeste americano, próximo ao oceano Pacífico, onde florestas majestosas cercam montanhas vulcânicas e há uma costa desafiadora. Um local propício para escaladas, corridas, caminhadas, andar de bicicleta, acampar, pescar, caçar, remar ou aproveitar a natureza. Um verdadeiro laboratório ao ar livre para a COLUMBIA. 
A empresa ainda é proprietária das marcas Montrail (calçados para corrida, caminhada ou trilha), Mountain Hardwear (roupas e equipamentos para esportes nas montanhas), OutDry (calçados para esportes ao ar livre), Sorel (botas e sapatos para o inverno) e Prana (roupas para a prática de ioga e escalada). 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Exame e Isto é Dinheiro), jornais (Valor Econômico), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 21/5/2015

4.8.14

PATAGONIA


Algumas empresas se tornam ícones graças ao estrondoso sucesso financeiro. Outras ainda por criar marcas que ajudam a transformar o mundo. Há um terceiro e, seleto grupo, que faz história porque realiza as duas coisas ao mesmo tempo. Nesta categoria se insere a marca californiana de roupas esportivas para a prática de esporte ao ar livre PATAGONIA (sem acento mesmo), apontada como uma das empresas mais inovadoras do mundo. A marca faz enorme sucesso sugerindo para seus consumidores que comprem pouco, incluindo seus próprios produtos. Afinal, segundo a empresa, o consumo excessivo faz mal ao planeta. E se faz mal ao planeta, é ruim para a empresa também. Com esses métodos nada tradicionais no mundo dos negócios, a PATAGONIA se tornou o símbolo máximo do chamado “capitalismo consciente”, conceito baseado na ideia de que a contribuição das empresas para a sociedade deve ir além do lucro. 

A história 
Tudo começou com o jovem americano Yvon Chouinard, que no início dos anos de 1950 era mais um rebelde de calças jeans apaixonado por causas ambientais, amante da natureza e um entusiasta da prática de esportes radicais. Ele começou a praticar alpinismo em 1954, aos 14 anos de idade. Pouco depois, sua paixão o levou a abandonar os estudos para dedicar-se a proteger falcões, escalar montanhas, andar de caiaque e surfar em praias exóticas ao redor do mundo. Aos poucos, em suas escaladas, ele percebeu que os pitões de ferro (ferramenta pregada na montanha para dar suporte à escalada), além de causar ferimentos, precisavam ser deixados na rocha, o que resultava em uma agressão à natureza. Foi então que, em 1957, após pesquisar sobre o assunto, ele resolveu produzir um pitão de aço temperado com cromo e molibdênio na garagem da casa de seus pais na cidade californiana de Burbank, que seria o ponto de partida para que desenvolvesse uma série de equipamentos “amigos do meio ambiente”. Seus pitões fizeram tanto sucesso que ele começou a vender para outros alpinistas e aventureiros através de sua nova empresa, a Chouinard Equipment. Ele conseguia forjar dois pistões por hora, que eram vendidos por US$ 1.50 cada.


Em 1965 ele mudou seu negócio para a cidade de Ventura, também na Califórnia, fazendo uma parceria com seu amigo Tom Frost, um engenheiro aeronáutico, para automatizar sua produção e poder assim atender a alta demanda. No início dos anos de 1970, a empresa já era a maior produtora de equipamentos para alpinismo do mercado americano. Mas a empresa era diferenciada e tinha uma enorme preocupação: a sustentabilidade. Um exemplo disso aconteceu quando ao perceber que seus equipamentos de escaladas continuavam destruindo as rochas das montanhas, decidiu cancelar a venda do produto, mesmo sabendo que essa linha representava 70% de suas vendas. Felizmente eles tinham uma alternativa: os pitão de alumínio, reutilizável, uma grande novidade para a época. Mas as margens de lucros eram ordinárias para sustentar a empresa e, foi então, que eles começaram a vender roupas para os alpinistas, importadas do Reino Unido. Como a aceitação foi excelente, os rumos da empresa estariam prestes a mudar.


As roupas e acessórios, extremamente duráveis, entre os quais calças tipo capri; shorts com reforço traseiro, feitos de veludo ultra resistente, produzido em uma tecelagem em Lancashire, na Inglaterra; suéteres tipo Chamonix; camisas de marinheiro mediterrâneas clássicas; calças e camisas de lona; além de luvas e até sacos para dormir, faziam cada vez mais sucesso. Era preciso encontrar um nome para sua linha de roupas. E foi então, que em 1973, surgiu a PATAGONIA. O nome da marca e seu logotipo tinham a uma inspiração óbvia. Era uma referência ao imponente Cerro Fitz Roy, na Cordilheira dos Andes, na região da Patagônia argentina. Nessa época, as roupas esportivas ainda era uma novidade pouco explorada, mas em ascensão entre os grupos ambientalistas pelos quais ele transitava. O foco da nova empresa foi o mercado de produtos para o montanhismo, uma paixão desde os tempos da adolescência de Yvon. Ele começou vendendo capas de chuva, luvas, chapéus, jaquetas e até tendas.


No final desta década, em 1977, a PATAGONIA em colaboração com a Malden Mill, uma fabricante de produtos têxteis, se tornou um sucesso ao lançar o primeiro revestimento sintético para jaquetas à base de poliéster, introduzindo assim o conceito de camadas. Ao contrário dos revestimentos naturais, o novo produto repelia a umidade e retinha o calor do corpo, mantendo os alpinistas quentes. Por volta de 1980, a empresa utilizava polipropileno, uma fibra sintética à prova d’água, que apresentava problemas: ela derretia nas secadoras comerciais e era muito difícil de limpar. Foi então que desenvolveu a Synchilla®, um tecido que não embolotava. Já em 1984, a empresa descobriu um poliéster que não derretia em secadoras e poderia ser facilmente lavado. A PATAGONIA usou o novo Capilene® primeiro nas roupas íntimas, e depois em outros produtos da marca. Tudo isso baseado em seu lema “Build the best product, cause no unnecessary harm, use business to inspire and implement solutions to the enviromental crisis” (em português “Fazer os melhores produtos, causando o mínimo de impacto, usando os negócios para inspirar e implementar soluções à crise ambiental”).


Foi somente na década de 1980 que as vendas de roupas decolaram. Isto após elas serem inspiradas nas vestimentas coloridas de pescadores do Atlântico Norte. Com isso a empresa lançou no mercado roupas de inverno em cores vivas em detrimento às cores pastéis vigentes. Essas roupas coloridas da PATAGONIA, que criaram tendências, resultaram de sua adoção por fashionistas. A marca descobriu que sua roupa do dia-a-dia vendia melhor que seus equipamentos técnicos. E as vendas começaram a explodir. Em 1996, mais uma atitude surpreendente: a PATAGONIA decidiu arriscar 25% de suas vendas anuais, ao trocar toda sua linha de vestuário de algodão normal para algodão orgânico, ao perceber que o uso de pesticidas nas plantações poluía rios e causava doenças aos trabalhadores nas linhas de produção. Um detalhe, o algodão orgânico era três vezes mais caro que o original. A primeira experiência com algodão orgânico havia sido feita com a linha de camisetas dois anos antes. Alguns anos depois, a PATAGONIA desenvolveria uma nova tecnologia que permitiu a fabricação do revestimento das jaquetas a partir de garrafas descartáveis. Chouinard passou então a reestruturar o negócio, priorizando o uso de materiais naturais e recicláveis em todas as peças. Nos últimos anos, além de expandir sua linha de produtos para a prática de surfe, esqui, pesca e outros esporte ao ar livre, a empresa iniciou a abertura de lojas próprias. A PATAGONIA também desenvolveu um novo traje de surfe quente, flexível e ambientalmente correto, feito de fibras naturais que se tornou uma opção sustentável em relação ao popular neoprene.


Mesmo nos dias de hoje, a empresa e seu fundador acreditam, de verdade, que vendendo produtos de alta durabilidade seus clientes não precisarão comprar roupas por um bom tempo. A estratégia pode até parecer loucura, mas os resultados financeiros comprovam que isso não está errado. O faturamento da empresa supera a casa do meio bilhão de dólares. O maior trunfo da PATAGONIA foi ter antecipado um estilo de vida mais natural, em defesa do planeta, quando ninguém pensava em aquecimento global ou reciclagem de materiais.


Sustentabilidade verdadeira 
O que você pensa de uma empresa que fatura mais de meio bilhão de dólares por ano lançar uma campanha de marketing pedindo que seus consumidores pensem duas vezes antes de comprar um produto novo? Pois é exatamente o que a marca californiana de roupas esportivas faz. A marca já colocou etiquetas nas roupas com a mensagem: Você realmente precisa disso? Outro exemplo ocorreu em 2011, durante a popular Black Friday, a famosa sexta-feira em que os americanos vão às compras de forma compulsiva, quando a PATAGONIA publicou um anúncio de página inteira no tradicional jornal The New York Times dizendo: “Não compre esta jaqueta”. Detalhe: a jaqueta era da própria marca. Mais abaixo, os avisos: REDUZA. Nós fazemos produtos que duram muito tempo, assim, não compre aquilo que não precisa. RECUPERE. Nós o ajudamos a recuperar seu produto PATAGONIA, se prometer que irá consertá-lo quando estiver danificado. REUSE. Nós o ajudamos a encontrar um novo lar para o seu produto que não mais precise caso tenha interesse em vendê-lo ou passá-lo adiante. RECICLE. Nós buscaremos seu produto que está inutilizado se prometer que irá deixá-lo longe de um aterro sanitário ou incinerador. Queria, com isso, fazer os consumidores refletirem se realmente precisavam comprar mais roupas, sapatos e produtos, só porque o preço era uma pechincha. A iniciativa foi uma extensão do programa Common Threads Initiative, lançado pela PATAGONIA em 2005 e apoiado nas premissas de reduzir, reparar, reutilizar, reciclar e re-imaginar. A marca solicita aos clientes que encaminhem roupas danificadas para reparos, façam doações de peças que possam ser comercializadas por preços mais baixos e não comprem novos produtos que não tenham uma real utilidade. A empresa montou uma estrutura para receber de volta roupas velhas e gastas da marca, que são então enviadas para recicladores, em muitos casos, em outros países. Aproximadamente 47 toneladas de roupas foram devolvidas à empresa desde então – e a sua reciclagem deu origem a mais de 35 toneladas de vestimentas novas.


Mais recentemente a empresa lançou uma campanha cujo conceito central era a proposta “Celebrate the stuff you already own”, algo como “Celebre as coisas que você já tem”. A campanha, que foi criada como antídoto para conceitos de promoção comercial, consiste em histórias de pessoas contadas a partir de peças de roupa da marca que as acompanham à muito tempo, ilustradas com fotos que traduzem o mesmo conceito como, por exemplo, uma jaqueta infantil que tem em sua etiqueta os sete nomes das crianças a quem ela já pertenceu. Desse modo, essas histórias transmitem, com base em fatos reais, toda a confiabilidade da marca PATAGONIA. E roupas para esportes ao ar livre precisam ser extremamente confiáveis. Afinal, ninguém quer descobrir que sua calça impermeável não é tão impermeável assim no meio de uma tempestade com ventos de dezenas de quilômetros por hora em uma trilha no fim do mundo.


Pode parecer uma enorme jogada de marketing, mas o fato é que a empresa tem demonstrado suas boas intenções sustentáveis há anos e a lista de iniciativas é extensa. Por exemplo, desde 1985, a PATAGONIA destina 1% de sua receita ou 10% do lucro, o que for maior, para grupos de proteção do meio ambiente. Desde então, a empresa já doou mais de US$ 55 milhões a 1.200 organizações. E mais exemplos não faltam. Foi uma das primeiras empresas americanas a oferecer aos funcionários licença-maternidade e paternidade. Seus funcionários podem ir trabalhar de bermuda e chinelo e têm horários flexíveis. A sede da empresa, em Ventura, na costa da Califórnia, também coloca em ação o que prega. Usam energia solar, só tem comida orgânica no refeitório (onde nenhum item é descartável) e oferece incentivo para o uso de bicicleta. Na recepção há um grande quadro com boletins atualizados sobre as condições do tempo para o surfe, esporte preferido de boa parte dos empregados. Ao sinal de ventos generosos, qualquer um pode passar a mão na prancha e rumar para a praia. Além disso, desde 1984, não há escritórios particulares, e a PATAGONIA foi uma das primeiras empresas americanas a ter creche no local de trabalho.


O gênio por trás da marca 
Yvon Chouinard nasceu no dia 9 de novembro de 1938 no pequeno e pitoresco estado americano do Maine, conhecido por suas belezas naturais. Filho de um ferreiro franco-canadense, desde sua adolescência sempre foi um apaixonado por causas ambientalistas e prática de esportes ao ar livre. Ele iniciou na escalada em sua juventude, motivado pelo hobby da falcoaria e o interesse no voo das aves, que naturalmente o levaram as montanhas e rochas. Para economizar dinheiro começou a fabricar seus próprios equipamentos de escalada que minimizavam os impactos ao meio ambiente. Sua primeira empresa deu origem a uma das melhores companhias de equipamentos, a Black Diamond, fundada por seus funcionários a partir da compra de sua empresa, em 1989.


Ele até hoje não se sente confortável dentro do escritório. Não tem celular nem tão pouco computador. A sede global da empresa, localizado em Ventura na Califórnia, fica a uma distância de metros da praia e sempre que o mar está bom, ele e a maioria dos funcionários surfistas caem na água. Yvon preza por um ambiente de trabalho descontraído, onde os funcionários possuem total independência para executar seus projetos. Se eles estiverem entregando resultados, não há nenhum problema em estarem surfando numa tarde de segunda-feira. E tem mais, até os dias de hoje ele segue dando ideias de novas linhas de produtos. E essas ideias não surgem dentro escritório e sim quando Yvon está escalando, surfando ou pescando. Afinal, na maior parte do tempo, ele está viajando e curtindo a natureza em algum local afastado ao redor do mundo. Na volta, pode ter certeza que boas ideias surgirão.


Por causa dessa postura nada convencional, ele virou um ídolo às avessas. No meio acadêmico, inspirou estudos em universidades de renome. É admirado até por empresas maiores que a sua, como a Gap e a Levi’s. Para os clientes, seu negócio equivale a uma grife. Em 1968, ele e alguns amigos partiram em uma aventura extrema em busca do “último local selvagem na Terra”, e acabaram percorrendo o território da Patagônia e escalando o Cerro Fitz Roy. A paixão e o envolvimento com a natureza foram tão grandes, que mais tarde o empresário adquiriu 17 mil acres de terras no Chile e Argentina, a qual foi anexando novas áreas até um total de mais de 2 milhões de acres na atualidade, sendo o maior proprietário na região patagônica. O objetivo é manter as áreas completamente intactas na forma de Parques Nacionais. Apesar de receber inúmeras ofertas bilionárias de compra, Yvon (que já estampou a capa da revista americana Fortune por ter criado a empresa mais “descolada” do planeta) e sua esposa Malinda, continuam como únicos sócios da empresa e detém controle total, podendo expandi-la em um ritmo saudável e sem pressões de acionistas.


A evolução visual 
A identidade visual da marca pouco mudou ao longo dos anos. Para tornar o logotipo mais versátil em sua aplicação, a marca adotou um logotipo apenas com o nome PATAGONIA. O antigo logotipo que tinha o fundo colorido representando o Cerro Fitz Roy, na Patagônia, continua a ser utilizado nas etiquetas das roupas e em algumas ações promocionais.


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 1973 
● Fundador: Yvon Chouinard 
● Sede mundial: Ventura, Califórnia 
● Proprietário da marca: Patagonia, Inc. 
● Capital aberto: Não (subsidiária da Patagonia Works, Inc.) 
● Chairman: Yvon Chouinard 
● CEO: Rose Marcario 
● Faturamento: US$ 600 milhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 80 
● Presença global: + 50 países 
● Presença no Brasil: Não 
● Funcionários: 1.500 
● Segmento: Esportivo 
● Principais produtos: Roupas, calçados e acessórios para esportes ao ar livre 
● Concorrentes diretos: The North Face, Columbia Sportswear, Millet, Mont-Bell e Mountain Hardware 
● Ícones: O conceito da sustentabilidade 
● Website: www.patagonia.com 

A marca no mundo 
Atualmente a PATAGONIA, que vende roupas, calçados e acessórios para esportes ao ar livre, como montanhismo, alpinismo, surfe, esqui, snowboarding, pesca, corrida, entre outros, está presente em mais de 50 países ao redor do mundo. A empresa possui uma pequena rede de 80 lojas próprias localizadas em 15 países, como por exemplo, Estados Unidos, Canadá, Argentina, Chile, Alemanha, Japão, Austrália, China, França, Espanha, entre outros. O faturamento estimado atual da gira em torno de US$ 600 milhões. 

Você sabia? 
Apesar do fundador da empresa condenar modismos, as poucas lojas próprias da marca foram apelidadas de “Pradagonia” e “Patagucci”, em virtude do estilo fashion de suas roupas. 
O modelo de negócios tem se mostrado tão eficiente que a PATAGONIA pretende investir em áreas distintas de sua vocação original, como a de alimentos. A empresa já produz salmão e pretende lançar uma linha de sopas e frutas frescas. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Newsweek, BusinessWeek, Época Negócios, Exame e Isto é Dinheiro), jornais (Valor Econômico e Meio Mensagem), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 4/8/2014

18.4.12

VANS


Criada na agitada Califórnia em plenos anos de 1960, a VANS está envolvida com a cultura ligada ao skate e com a evolução do esporte, sem perder a originalidade. Dos clássicos aos modernos, a marca californiana possui uma enorme variedade de modelos de tênis, roupas a acessórios, todos dedicados às antigas e novas gerações de skatistas e da cultura de rua, além de ser uma das preferidas de moderninhos, descolados e celebridades. 

A história
Tudo começou exatamente no dia 16 de março de 1966 na cidade californiana de Anaheim quando Paul Van Doren, com a ajuda de outros sócios, entre os quais seu irmão James Van Doren, Gordon C. Lee e Serge D’Elia, inaugurou uma modesta loja para a venda de calçados esportivos para quem praticava skate. Inicialmente os irmãos ofereciam três modelos, que custavam entre US$ 2.49 e US$ 4.99 e tinham apenas uma amostra do tênis, todo em lona, sem forro, com solado vulcanizado, extremamente leve e maleável, cuja produção era feita em um local adjacente à loja. No primeiro dia de funcionamento a nova empresa, batizada de VAN DOREN RUBBER COMPANY, vendeu 12 pares de um tênis (foram fabricados durante a tarde e entregues na manhã seguinte) cujo nome era Deck Shoes, hoje em dia conhecido como VANS AUTHENTIC. Inicialmente era oferecido nas cores branco, azul-claro, azul-marinho e verde. Uma curiosidade: como eles não tinham troco no caixa, acabaram vendendo os 12 tênis sem receber nada – mas quase todos voltaram e pagaram exatamente o que era devido. Exceto uma pessoa, que retornou 3 semanas depois e disse “Me desculpa. Minha filha mora em Anaheim e eu em Long Beach. Só venho aqui a cada 3 semanas”.


Na época a empresa era a única que produzia seus produtos e os vendia diretamente a um público alvo específico. Em pouco tempo a marca saltou dos tênis comuns para modelos de competição e um de seus fundadores tornou-se um corredor de maratonas para poder testar a resistência dos protótipos. No início da década de 1970 a marca se popularizou e cresceu, o que culminou com encomendas de modelos de tênis feitos especialmente para o Departamento de Defesa Norte Americano e para a Força Aérea dos Estados Unidos. Não demorou muito para os skatistas, público alvo da marca, aderirem em peso ao solado vulcanizado, que ajudava na aderência para efetuar manobras. O mesmo público que consumia os tênis foi responsável pelo apelido que se tornaria o nome oficial da empresa: VANS. Nessa época a maioria dos skatistas do sul da Califórnia já era visto calçando um tênis VANS nos pés. Em 1976, a marca inovou ao lançar o modelo Vans #95, hoje conhecido como VANS ERA, um tênis cujo design foi feito pelos skatistas Tony Alva e Stacy Peralta. Este modelo viria a se tornar um dos mais populares da marca entre os skatistas, principalmente devido ao acolchoamento, ao seu design diferenciado e as suas combinações de cores diferentes das vistas até então no mercado, além da sola antiderrapante oferecer uma melhor aderência.


Pouco depois, em 1977, surgiria outro ícone da marca californiana: Vans #36, conhecido atualmente como OLD SKOOL e primeiro tênis a contar com a tradicional listra lateral (chamada “Sidestripe”). O Old Skool também foi o primeiro tênis da marca que utilizou couro em sua construção. O cano alto deste modelo, conhecido como sk8-hi, seria lançado no ano seguinte. Ainda em 1977, a VANS introduziu um novo modelo no mercado, chamado Vans #44, também conhecido como SLIP-ON, e com a ajuda de ciclistas de BMX, esse calçado se tornou uma febre no sul da Califórnia, fazendo com que a empresa vendesse seus produtos nacionalmente e internacionalmente, incluindo a inauguração de 70 novas lojas pelo estado da Califórnia. Na década de 1980, os tênis da marca se tornaram um símbolo da geração Punk Rock e Hard Rock, passando a fazer parte do vestuário de várias bandas famosas da época, impulsionando assim a VANS ao sucesso. A marca também ganhou enorme popularidade em 1982, quando o ator Sean Penn utilizou um SLIP-ON, o tradicional tênis quadriculado da marca, no filme “Fast Times at Ridgemont High” (em português “Picardias Estudantis”).


Apesar disto, a empresa começou a enfrentar um grande problema. O skate, seu principal mercado, passava por uma crise e, consequentemente, os investidores do esporte passaram a sofrer com isto. Pensando mais uma vez em inovar, a empresa resolveu apostar na diversificação de sua linha de produto fabricando tênis para beisebol, basquete, luta livre e futebol americano, tentando competir com as grandes marcas esportivas. E isso quase levou à empresa a falência. Superada a fase difícil a demanda pelos calçados da empresa continuava crescendo, sendo que, em 1987, mais de dois milhões de pares foram vendidos. As vendas internacionais, particularmente no México e na Europa, cresciam a um ritmo de 10%. Em 1988 a VANS foi vendida para o fundo de investimento McCown De Leeuw & Co. E a primeira ação dos novos proprietários foi investir em outros produtos como bolsas e mochilas, além do lançamento do Vans Steve Caballero, também conhecido como Full Cab, apresentado como o primeiro tênis de skate assinado por um skatista. A marca também criou a linha Mountain Edition, com materiais resistentes às gélidas condições de tempo do hemisfério norte. Além disso, o tênis, tradicional “carro-chefe” da marca, disponível em mais de 200 modelos diferentes, teve sua produção ampliada ainda mais. A essa altura, a empresa já tinha filiais espalhadas pelo mundo todo e o sucesso já era notável. Em 1993 a marca ampliou ainda mais seu portfólio de produtos com o lançamento das botas para snowboarding. Além disso, os modelos Slip On, Old Skool e SK8 foram reeditados em várias cores e estampas personalizadas por artistas, inspirando a moda retrô e tornando-se peça comum no guarda-roupa fashion de modelos e celebridades.


O rápido crescimento da marca nos anos seguintes se deveu também a diversificação de sua linha de calçados, desenvolvidos para outros esportes ao ar livre, além da ampliação da linha de tênis assinadas por skatistas consagrados, como Geoff Rowley e Cory Nastazio, e uma linha de calçados femininos que mudavam de cor quando expostos a luz ultravioleta. Em 2003, foi lançada a coleção Vault by Vans, oferecendo uma mistura entre os clássicos eternos da marca com materiais e designs do universo high-fashion. Foi então que, em 2004, a VF Corporation, fabricante da marca de calças jeans Lee, demonstrou interesse em adquirir a marca. E por nada menos que US$ 396 milhões comprou a VANS, tendo ainda como um dos principais colaboradores e investidores Steve Van Doren. Ainda neste ano a marca inovou ao disponibilizar em seu site o VANS CUSTOMS, serviço no qual os consumidores poderiam customizar seus próprios tênis, em centenas de combinações de cores e padrões. Pouco depois, em 2006, já reconhecida como a líder no segmento footwear para action sports (esportes de ação), a VANS lançou uma ampla coleção de vestuário para homens e mulheres. O skatista Anthony Van Engelen foi o primeiro atleta a ser patrocinado pela divisão Vans Apparel. Pouco depois, em 2008, a marca a VANS levou sua marca e cultura para a China com a inauguração da primeira loja em Xangai.


Nos anos seguintes, a expansão global foi acelerada com distribuição na Índia e inauguração de lojas no Canadá e no México. Em 2012, apresentou a nova tecnologia de absorção de impacto UltraCush Lite, construída com uma mistura de diversos tipos de espuma, em variações de densidade, desenvolvidas para garantir a mais intensa absorção com menor peso. Além disso, lançou a tecnologia WAFFLECUP™, que combina o melhor dos dois mundos de sola, com o apoio e durabilidade da sola-caixa com o controle e boardfeel da tradicional sola vulcanizada da marca. Em 2013, comemorando os 20 anos de neve, a VANS lançou a coleção de vestuário Mountain Edition Apparel, com peças que vão do streetwear tradicional até produtos técnicos desenvolvidos para o uso na neve. No ano seguinte, a VANS lançou uma coleção de tênis com as artes originais da primeira trilogia de Star Wars, que se tornou um verdadeiro sucesso de vendas.


A marca abraça e promove o estilo de vida dos esportes de ação e a cultura jovem por meio do apoio de atletas em todo o mundo. Por isso, hoje em dia a VANS patrocina não somente o skate, mas também o surfe e o snowboarding, além de estampar sua marca em grandes eventos de música e entretenimento, como por exemplo, em 2010 quando inaugurou um espaço para eventos no Brooklyn, em Nova York, batizado de House of Vans, com show do Public Enemy; ou em 2014, com a abertura oficial da House of Vans London, um espaço com 3.000 m² de arte, música e skate sob o mesmo teto, dentro de uma estação de trem desativada em Waterloo. Hoje ainda existe mais uma House of Vans na cidade de Chicago. A marca patrocina ou realiza grandes eventos que combinam esportes de ação, arte, música e cultura de rua, incluindo o Vans Triple Crown of Surfing (campeonato de surfe conhecido como a Tríplice Coroa Havaiana), o Vans Downtown Showdown (evento que reúne o melhor do skate, da arte, da música e da cultura de rua), a Vans Pool Party (campeonato de skate) e o Vans Warped Tour (maior festival de esportes radicais e música dos Estados Unidos, que até hoje bomba nos verões americanos, e cujo direito de controle foi adquirido pela marca em 2001). Mais de 50 anos depois, o espírito Van Doren vive dentro de uma das maiores marcas da cultura jovem no mundo.


Um complexo radical 
O complexo da VANS situado na cidade californiana de Orange County é simplesmente um delírio para quem gosta de skate. Além de oferecer a completa linha de produtos da marca, a espaço possui uma enorme pista de madeira de 4.300 m² com os mais variados obstáculos e uma área específica para iniciantes do skate. O material de proteção pode ser adquirido na loja ou alugado no local. O complexo inaugurado em 1998 é conhecido como VANS SKATEPARK. Além disso, em março de 2014, a marca inaugurou uma pista com mais de 5.000 m² em Huntington Beach, no estado da Califórnia. Aproximadamente 1.000 pessoas presenciaram a inauguração com apresentações de skatistas de elite.


Entenda o famoso slogan 
Um dos slogans mais conhecidos da cultura do skate é o “Off The Wall“, da VANS. Mas você sabe o que ele significa? “Off The Wall” é um termo cunhado quando skatistas em 1976 começaram a acertar manobras em piscinas vazias, literalmente andando de skate “fora da parede”. Naquele período, o skatista era um renegado da sociedade que se expressava através do esporte e do estilo de vida. Por mais de 50 anos, “Off The Wall” é um sinônimo do espírito rebelde original e da expressão criativa. É a alma da VANS. A verdadeira identidade da marca.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por modificações ao longo dos anos. Inicialmente grafada VAN’S, perdeu o apóstrofe e depois ganhou um logotipo radical em 1976 com o slogan “Vans Off The Wall”.


Depois de adotar uma tipografia de letra mais larga e forte, recentemente o logotipo adotou a cor vermelha e voltou a utilizar a frase “Off The Wall”.


Os slogans 
The original since 1966. 
Vans Off The Wall. (1976) 
Tell A Friend About Vans. (1966)


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 16 de março de 1966 
● Fundador: Paul e James Van Doren 
● Sede mundial: Costa Mesa, Califórnia, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Vans Inc. 
● Capital aberto: Não (subsidiária da VF Corporation) 
● CEO: Scott Baxter 
● Faturamento: US$ 1 bilhão (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 585 
● Presença global: 90 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 1.880 
● Segmento: Esportivo 
● Principais produtos: Calçados, roupas e acessórios 
● Concorrentes diretos: Converse, Eckō Unltd., Red Nose, AirWalk, Element, Etnies e Dc Shoes 
● Ícones: O solado vulcanizado dos tênis 
● Slogan: The original since 1966. 
● Website: www.vans.com.br 

A marca no mundo 
Atualmente a VANS comercializa sua gama de produtos, que além dos tradicionais tênis, inclui roupas (bermudas, camisetas, jaquetas, calças jeans, moletons) e acessórios (bonés, mochilas, malas, gorros, carteiras, cintos, meias) no estilo streetwear, através de 585 lojas próprias, revendedores autorizados e lojas multimarcas em mais de 90 países ao redor do mundo. A marca fatura anualmente mais de US$ 1 bilhão. A VANS pertence à VF Corporation, proprietária de marcas famosas como Lee, Kipling, Reef, The North Face, Wrangler e Timberland

Você sabia? 
A marca foi pioneira na criação de tênis com solado vulcanizado próprio para prática de esportes de ação como o skate. 
Na década de 1960 o nome “House of Vans” foi utilizado pela primeira vez, nas vitrines da loja de Anaheim, estado da Califórnia. 
Chris Brown, Kanye West, Zac Efron, Dougie Poynter, Kristen Stewart, Pete Wentz, Natalie Portman, Taylor Swift, Justin Bieber, Aaron Smith são alguns dos artistas que já foram registrados usando o tênis Vans Authentic no dia a dia. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), blogs (Tribo Skate), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 4/4/2018