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26.2.12

ESQUIRE

A revista ESQUIRE não somente se tornou um ícone americano, como inovou com suas fantásticas e criativas capas, abordou matérias de interesse de homens dinâmicos, como também ensinou o jornalismo a ser moderno. Nunca houve revista mensal masculina mais bem editada, excitante, aristocrática e imitada do que este símbolo americano da mídia. Não por acaso se transformou na voz ressonante do homem moderno.

A história
Tudo começou no início dos anos 30, em plena Grande Depressão Americana, quando David A. Smart, Henry L. Jackson e o editor Arnold Gingrich resolveram criar uma revista masculina de moda. Muitos os chamaram de malucos. Afinal, como lançar uma nova revista em plena grande depressão e cobrar 50 centavos de dólar, quando a Saturday Evening Post custava dez vezes menos. Mas somente eles pareciam saber da existência de um público jovem, esperançoso e sofisticado à espera de uma publicação que explorasse com brilho e vivacidade a cultura contemporânea. A revista, batizada de ESQUIRE, foi lançada oficialmente no mês de outubro de 1933, inicialmente com distribuição restrita à lojas de miudezas. A nova revista nasceu trimestral. Daí seu slogan: “A revista trimestral do homem”. Na capa do primeiro número não se lia outubro, mas outono de 1933. Nela, três cavalheiros esportivos saíam de uma canoa para embarcar em um hidroavião.


A ESQUIRE estreou com artigos escritos por Ernest Hemingway, Nicholas Murray Butler, Gilbert Seldes, Ring Lardner Jr., Gene Tunney, e contos de John Dos Passos, Erskine Caldwell e Dashiell Hammett. Sob o comando de Gingrich a ESQUIRE se tornou padrão de elegância não somente em moda, mas referencial de estilo de vida e bom gosto, que serviu de inspiração principal para o homem americano afluente daquela época. Abordava temas como os carros de luxo, os drinques da moda, a gastronomia sofisticada, as novidades do jazz, entre outros assuntos. Foi um verdadeiro sucesso. Ainda na década de 30, o escritor F. Scott Fitzgerald foi o responsável por assinar as histórias que iriam compor a coletânea “The Crack-Up with Other Pieces and Stories”, publicada em 1936.


Nos anos 40, a ESQUIRE continuou surpreendendo, especialmente quando Helen Lawrenson publicou um longo artigo, intitulado “Os Latinos São Péssimos Amantes”, desmistificando a tão propalada superioridade sexual dos “latin lovers”. Talvez tenha sido o texto mais lido e polêmico da revista em toda sua história. Até o governo cubano protestou na época. A revista sempre tentou ser primeira em tudo. E conseguiu. Foi pioneira em moda, reportagem com preocupação literária, humor político (quantas imitações não geraram mundo afora os “Annual Dubious Achievements Awards”, lançados em 1962) e até em pins-ups (desenhadas pelo peruano Alberto Vargas e George Petty), que projetaram a ESQUIRE ainda mais, aumentando assim sua circulação. Nos anos 60 a revista ficou conhecida pela utilização de um formato não convencional, com páginas enormes. O reinado de Gingrich durou até 1977. Sua saída culminou com a venda da revista para Clay Felker, que a venderia dois anos mais tarde. Foi nesta época que ocorreu uma descoberta surpreendente: 25% dos leitores da revista eram do sexo feminino. Essa informação chegou aos ouvidos da filha de um veterano casal de roteiristas de Hollywood, que sugeriu ao editor da ESQUIRE uma coluna diferente sobre mulheres. A moça se chamava Nora Ephron. A coluna, com divertidos comentários sobre seios, fantasias femininas, política sexual, sacanagem e gênios de saias como Dorothy Parker, foi o “abre-te-sésamo” dela para a fama jornalística e seu trampolim para a comédia cinematográfica.


Em meados dos anos 80 a revista foi vendida para a Hearst Corporation, que nos anos seguintes lançou a ESQUIRE em diversos países do mundo, como em 1991, quando a revista estreou no Reino Unido. A partir de novembro de 2004 a revista ganhou ainda mais popularidade ao eleger, anualmente, a mulher mais sexy do mundo (Sexiest Woman Alive). A primeira beldade agraciada foi Angelina Jolie, seguida por Jessica Biel (2005), Scarlett Johansson (2006), Charlize Theron (2007), Halle Berry (2008), Kate Beckinsale (2009), Minka Kelly (2010) e Rhianna (2011).


A partir de 2008, a revista disponibilizou via Internet todas as suas capas, organizadas por ano de lançamento. Em 2010 celebrou seu 75º aniversário de forma pioneira: a edição de outubro da revista masculina foi a primeira publicação a utilizar tinta eletrônica para impressão de sua capa. Além disso, lançou sua versão para iPad. Interatividade é a palavra que melhor define a publicação no tablet, não existindo uma página que não tenha esta característica e isto é o seu grande diferencial em relação à concorrência. Durante toda sua rica história, em suas páginas não desfilaram apenas a fina flor da literatura (inclusive européia), mas também a nata do jornalismo e do show business. Jean Genet fez reportagem política em Chicago. Candice Bergen já era atriz consagrada quando aceitou um trabalho free-lancer como fotógrafa.


As capas
Suas capas e chamadas - assim como os títulos de seus textos, alguns quilométricos e desconcertantes - eram um acinte de inventividade. Das capas, em seu período áureo (1962 a 1972), quem cuidava era George Lois, um verdadeiro gênio da publicidade. Craque em direção de arte foi sua a idéia de afogar Andy Warhol em uma lata de sopa Campbell, jogar uma mulher numa lata de lixo, colocar uma mulher se barbeando para demonstrar a libertação das regras patriarcais e machistas para uma igualdade entre os gêneros, encaixar o cantor Eddie Fisher no colo de Jacqueline Kennedy e colocar o finado marido desta à beira de uma tumba, ao lado do irmão Bob Kennedy e do pastor Martin Luther King, no ano em que estes dois foram assassinados. Algumas das 92 capas criadas por ele estão expostas no MoMa (Museu de Arte Moderna) em Nova York, que se tornaram, nas palavras do próprio museu, “essencial para a iconografia da cultura americana”.


Além da criatividade e genialidade, as capas da revista estamparam celebridades, atores, atrizes, esportistas e políticos como: Elizabeth Taylor (1952, 1963, 1964 e 1983), Marilyn Monroe (1961 e 1986), Sammy Davis Jr. (1965), Frank Sinatra (1966), Muhammad Ali (1966, 1968 e 2003), Woody Allen (1966, 1975, 1987, 1993 e 1994), Brigitte Bardot (1966), Raquel Welch (1967), Jacqueline Kennedy Onassis (1967, 1972 e 1991), Andy Warhol (1969), Rita Hayworth (1972), John Wayne (1973 e 1980), Jimmy Carter (1977 e 1978), Mario Andretti (1978), John Lennon (1980), Ronald Reagan (1980), Marlon Brando (1981), Alfred Hitchcock (1982), Danny DeVito (1986), Ralph Lauren (1987), Kim Basinger (1987), Michael J. Fox (1988), Paul Newman (1989), Madonna (1989, 1991, 1994 e 1999), Michael Jordan (1990 e 1993), Spike Lee (1992), Mick Jagger (1993), Cindy Crawford (1995), Bill Clinton (1996, 2000, 2005 e 2012), Al Pacino (1996 e 2002), John Travolta (1996 e 1998), Robert De Niro (1997, 2003 e 2011), Nicolas Cage (1998), Pamela Anderson (1999), George Clooney (1999, 2001, 2005, 2006, 2008, 2009 e 2012), Mike Tyson (1999), Angelina Jolie (2000, 2004 e 2007), Julia Roberts (2001), Steven Spielberg (2001), Cameron Diaz (2002), Mel Gibson (2002), Jennifer Aniston (2002), Britney Spears (2003), Jennifer Lopez (2003), Catherine Zeta-Jones (2003), Gisele Bündchen (2004), Brad Pitt (2006), Barack Obama (2008 e 2009) e Leonardo Di Caprio (2010).


A mascote
Esky. Era este o nome do venerável senhor, inspirado em Arnold Gingrich, que surgiu em 1934 e nos 12 primeiros anos protagonizou todas as capas da revista. Virou mascote da ESQUIRE, sendo depois deslocado para o logotipo, aparecendo em substituição ao pingo da letra “i” do nome da revista, e por fim reservado para esporádicas aparições.


A evolução visual
O design da revista como não podia ser diferente mudou junto com o passar do tempo. O logotipo sofreu diversas mudanças desde o traço mais simples para um com sombra (anos 40), reduzido, com outra tipografia e sublinhado, volumoso, até o atual. O layout inicial se assemelhava muito aos livros, depois a cartazes até começar a ter mais uma linguagem própria e atual. Apesar do logotipo da revista ser oficialmente vermelho, dependendo da capa ele pode utilizar cores como azul, preto, branco, amarelo ou até ocre.


Dados corporativos
● Origem: Estados Unidos
● Lançamento:
1933
● Criador:
Arnold Gingrich, Henry L. Jackson e David Smart
● Sede mundial: New York City, New York
● Proprietário da marca:
Hearst Corporation
● Capital aberto: Não
● CEO: Frank Bennack, Jr. (Hearst Corporation)
● Editor chefe:
David M. Granger
● Faturamento:
Não divulgado
● Lucro:
Não divulgado
● Circulação mensal:
+ 720.000
● Presença global:
+ 50 países
● Presença no Brasil: Não
● Funcionários:
500
● Segmento: Mídia
● Principais produtos:
Revista masculina
● Concorrentes diretos:
Playboy, GQ e Men’s Journal
● Ícones: Suas capas
● Slogan:
For men who mean business.
● Website: www.esquire.com

A marca no mundo
Editada pela Hearst Corporation, a revista ESQUIRE é comercializada em mais de 50 países ao redor do mundo, com circulação superior a 720.000 exemplares mensais. Atualmente a revista tem 22 edições internacionais publicadas na China, República Tcheca, Grécia, Hong Kong, Indonésia, Japão, Coréia do Sul, Rússia, Taiwan, Espanha, Tailândia, Turquia, Reino Unido, Romênia e Oriente Médio.

Você sabia?
Hugh Hefner, criador da tradicional revista Playboy, foi um dos muitos ases do jornalismo americano que passaram pela ESQUIRE. Nos anos 50 era ele quem cuidava da correspondência e das assinaturas da ESQUIRE, cujas ambições profissionais foram frustradas pela direção da revista. Um dia após pedir um aumento irrisório de salário, que foi negado, ele se demitiu, pegou dinheiro emprestado, e, em uma redação improvisada em sua cozinha, editou o primeiro número de uma revista cujo símbolo seria um coelhinho.


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 26/2/2012

20.8.11

QUATRO RODAS


Falar hoje em dia da gloriosa e reconhecida indústria automobilística brasileira, é falar de seu principal veículo de comunicação, seu espelho, seu auto-falante, caixa de ressonância, guia orientador e formador dos milhões de proprietários de automóveis do país: a revista QUATRO RODAS, um dos produtos editoriais de maior sucesso da história das publicações no mercado brasileiro. Muito mais do que uma simples revista, é uma referência para apaixonados por carros. 

A história 
A ideia de se criar a revista foi do visionário Victor Civita, então fundador da Editora Abril, que já estava confortavelmente instalada no segmento das publicações infantis. Ele queria criar um veículo de comunicação que ajudasse o brasileiro a entender e, assim, viver melhor com o automóvel. Ao chegar às bancas no mês de agosto de 1960, a primeira edição de QUATRO RODAS já mostrava que seria uma publicação diferente. Falava de automóveis, é claro, mas também ensinava e orientava a comprar um carro usado, alertava para os perigos do álcool e dos beijos ao volante e trazia um mapa rodoviário com todas as atrações turísticas da Via Dutra. A bordo de uma Kombi, Mino Carta, então chefe de redação, Victor Gouveia, redator-chefe, e Roberto Civita, diretor de publicidade, testaram os serviços disponíveis ao longo dos 406 quilômetros da rodovia. Um mapa central desdobrável ilustrava a reportagem. Foi uma revolução em matéria de serviço ao leitor, e o que era para ser um brinde virou parte da revista. Inicialmente muitos dos mapas de QUATRO RODAS foram feitos por um jovem cartógrafo espanhol, J.R. Duran, que mais tarde se especializaria em revelar outras curvas na revista Playboy.


Na Carta ao Leitor, Victor Civita explicava as razões do lançamento da nova publicação: o crescimento da indústria automobilística brasileira, a necessidade de orientação dos proprietários de automóveis e os recantos do país ainda por serem descobertos. A primeira capa da revista trazia o outrora famoso Karmann-Ghia. Foi uma grande revolução no segmento editorial, afinal era a primeira revista especializada em automóveis do mercado brasileiro, apesar de também abordar o turismo apresentando aos leitores as belíssimas paisagens brasileiras, com seus roteiros e mapas de viagens, que deveriam ser desfrutados pelos novos proprietários de automóveis. Mas foi também uma ousadia. Nesta época a produção mundial de veículos era de 16.5 milhões de unidades e no Brasil o automóvel era ainda um artigo de luxo que poucos tinham acesso. Com esse cenário, os céticos apostaram que a nova revista teria vida muito curta, vivendo de automóveis e mapas em um país de tão poucas estradas. Ledo engano.


Exatamente um ano após seu lançamento, chegou às bancas a revista de número 13, que trazia o primeiro teste com um carro nacional: o DKW-Vemag 1000. Auscultada durante dias, a máquina passou por uma prova de dinâmica - à base de cronômetro e fita métrica - entre os quilômetros 41 e 46 da rodovia Presidente Dutra, que liga a cidade de São Paulo ao Rio de Janeiro. Em 1962, ocorreram grandes mudanças, como o lançamento da seção Impressões ao Dirigir, onde os repórteres contavam suas experiências em dirigir os carros mais desejados do momento. A partir de 1965, novas mudanças na linha editorial: a revista passa a ter o padrão de qualidade das principais publicações internacionais e realizou o primeiro concurso de carros nacionais fora de série. Alem de testar carros, a QUATRO RODAS também se dedicou ao turismo e as reportagens investigativas. Entre as reportagens de destaque estão duas relacionados a emissão de documentos. Em 1965 a revista publicou uma reportagem em que um motorista obteve um licenciamento de um carro roubado e rodou por um mês. Outra reportagem, de 1968, mostra como um deficiente visual conseguiu uma carteira de habilitação.


Na década de 1970 a QUATRO RODAS introduziu uma de suas mais populares seções até os dias de hoje: “Longa Duração” (que surgiu em 1973), onde a revista compra um carro e o avalia por milhares de quilômetros, analisando a resistência, durabilidade e qualidade. Ainda nesta década, a revista intensificou a cobertura das competições automobilísticas em especial da Fórmula 1. Nas décadas seguintes, seus fiéis e apaixonados leitores não compravam e, nem muito ao menos, trocavam de automóvel sem recorrer à revista para conferir os testes e refletir sobre o verdadeiro preço dos veículos considerando-se todos os custos envolvidos, tanto na aquisição como na utilização e manutenção. Com isso, a QUATRO RODAS se tornou uma das publicações mais importantes da Editora Abril.


Em agosto de 2010, a revista comemorou 50 anos com o lançamento de uma super edição com 276 páginas. Ainda neste ano, como presente aos seus fiéis leitores, a QUATRO RODAS disponibilizou todo o acervo (edições) da revista na internet, mais de 70 mil páginas de informação, onde era possível conferir grandes histórias do setor automobilístico brasileiro, assim como importantes marcos do segmento diretamente na tela do computador. Pouco depois, seguindo a evolução do mercado editorial, a revista lançou uma versão digital, para ser lida, ouvida e assistida no tablet. Em 2015 a revista completou 55 anos, lançou um novo projeto editorial (mais limpo) e adotou um novo posicionamento no mercado.


Hoje a revista oferece um vasto conteúdo, como por exemplo, as seções Auto-Serviço (um verdadeiro manual para o proprietário de um carro, com dicas de manutenção e de tudo que acontece no mundo automotivo), Grandes Brasileiros (conta com os automóveis nacionais que mudaram a história do país), O Carro (testes, comparativos e avaliações completas para o leitor), Segredo (previsões de futuros carros do mercado, antecipando lançamentos e mostrando flagras antes disso acontecer), Via Expressa (suas notas trazem o que há de mais novo e quente no universo das quatro rodas, não só em termos de produto, mas também quem são os homens que estão por trás das máquinas) e Zero KM (apresenta todos os lançamentos do mercado no mês). Além é claro da tradicional seção Longa Duração, onde um modelo recém-lançado é testado por 60.000 quilômetros e cuja avaliação, ao longo de meses, é feita não somente em relação ao carro, mas também os serviços de pós-venda da rede autorizada, a disponibilidade de peças e o preço.


Nessas mais de cinco décadas, a revista cumpriu sua missão. Ninguém prestou mais e melhores serviços a seus leitores motoristas e proprietários de veículos do que a popular QUATRO RODAS. E, de quebra, prestou serviços complementares e relevantes a toda a cadeia de valor do negócio de automóveis em nosso país. Para quem ama carro, não existe o verbo folhear uma QUATRO RODAS. O certo é apreciar. Há 55 anos é assim. A cada página, um novo assunto. E a cada edição, essa paixão ganha ainda mais sentido.


O famoso guia 
Com a abertura de novas estradas e a proliferação do automóvel, o cidadão brasileiro descobriu nos anos de 1960 a possibilidade de conhecer o país usando este tipo de transporte. Atenta a essa transformação, a revista lançou, em setembro de 1965 (com data de 1966), o famoso Guia Quatro Rodas Brasil. Minuciosa tomografia rodoviária e turística do país, logo se tornou padrão de referência para milhões de viajantes, sinônimo de precisão, confiabilidade e cobertura nacional. As primeiras classificações de hotéis e restaurantes no Brasil surgiram nesse guia. O sucesso gerou outros frutos, como os guias de estradas, de praias, de cidades e até de fim de semana. Em 2006 foi lançado no mercado o navegador portátil do Guia Quatro Rodas, cujas versões eram um verdadeiro “co-piloto” que conhecia rodovias federais, estaduais, municipais e as ruas de 1.600 cidades brasileiras.


Ao longo das décadas, os repórteres do Guia Quatro Rodas percorreram centenas de milhares de quilômetros a cada ano, recolhendo informações sobre estradas, atualizando mapas, visitando atrações, testando hotéis e restaurantes. Isto fez do guia líder de seu segmento, a maior e mais respeitada publicação do setor turístico do país. O guia ficou conhecido também pelo seu popular slogan “Um guia tão pequeno contém um país tão grande”. Mais recentemente, a editora anunciou que o Guia Quatro Rodas, que editava doze títulos e vendia aproximadamente 800 mil unidades por ano, deixará de ser publicado e o conteúdo será incorporado pelas revistas Viagem e Turismo, Veja São Paulo e Veja Rio.


A evolução visual 
O tradicional logotipo da revista, cujo principal símbolo de identificação é o número 4 com a palavra “quatro” escrita dentro, passou por algumas modificações ao longo dos anos. Ganhou novas tipografias de letras e o formato do número 4 foi sendo estilizado. O atual logotipo é mais limpo e impactante que os anteriores.


Os slogans 
É, a gente só sabe falar disso. (2015) 
Uso obrigatório.


Dados corporativos 
● Origem: Brasil 
● Lançamento: Agosto de 1960 
● Criador: Victor Civita 
● Sede mundial: São Paulo, Brasil 
● Proprietário da marca: Editora Abril S.A. 
● Capital aberto: Não 
● Presidente: Alexandre Caldini (Editora Abril) 
● Redator chefe: Zeca Chaves 
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Assinantes: 141.000 
● Presença global: Não (presente somente no Brasil) 
● Segmento: Comunicação 
● Principais produtos: Revista automobilística 
● Concorrentes diretos: Auto Esporte e Motor Show 
● Slogan: É, a gente só sabe falar disso. 

A marca no Brasil 
Publicada mensalmente, a revista QUATRO RODAS, que já lançou mais de 650 gloriosas edições, tem uma circulação média de 250 mil exemplares, conta com mais de 141 mil assinantes e está presente em todo território nacional, atingindo mais de 2 milhões de leitores todos os meses. Apesar de ser uma revista voltada para o público masculino, hoje a publicação também tem as mulheres como seu público leitor, apesar desse número ainda ser pequeno, aproximadamente 14% do total. Além de temas como segredos, lançamentos, testes e avaliações, QUATRO RODAS aborda aspectos da vida do leitor como motorista, cidadão e apaixonado por carro, trazendo matérias sobre segurança no trânsito, radiografia de estradas e muito mais. 

Você sabia? 
A publicação também ficou conhecida pela premiação anual “Os Eleitos”, que ocorre em dezembro e premia os carros que mais satisfazem os leitores. 
QUATRO RODAS fechou 2014 apontada como a 7ª revista mais admirada do mercado brasileiro, segundo pesquisa realizada pelo Meio&Mensagem. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Isto é Dinheiro, Exame e Época Negócios), jornais (Meio Mensagem), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 10/8/2015 

7.5.06

PLAYBOY


Depois que surgiu a revista PLAYBOY o universo masculino nunca mais foi o mesmo. Ela transformou-se no maior porta-voz da comunidade masculina traduzindo desejos e tendências de um mundo exclusivamente másculo. A revista foi responsável por uma verdadeira revolução sexual, em letra de forma e papel couchê. Desde a publicação do seu primeiro número, há mais de seis séculos, que os leitores da revista juram, sempre de pés juntos, que compram PLAYBOY em virtude dos excelentes artigos contidos na revista e não pelas fotos das belas e cobiçadas mulheres em poses provocantes e sensuais. 

A história 
A ideia do que viria a ser a revista PLAYBOY começou a perseguir em 1951 o jovem psicólogo Hugh Marston Hefner, filho de pais protestantes e conservadores descendentes de uma longa linhagem de puritanos do estado de Massachusetts, depois de alguns empregos irrelevantes e uma breve passagem como redator na tradicional revista Esquire. Quando esta se mudou para Nova York e lhe negou um aumento semanal de US$ 5, preferiu ficar em sua cidade natal, Chicago, e criar sua própria revista. Acreditou que havia um nicho não explorado para uma publicação masculina sofisticada que refletisse os novos valores da sociedade americana do pós-guerra, já que a maioria das revistas direcionadas aos homens falavam sobre caça, armas e carros, ignorando o assunto que mais os preocupava: mulheres. Para isso, convocou um amigo que possuía uma gráfica e outro, dono de uma distribuidora. Levantou US$ 8 mil com os pais e familiares e mais US$ 600 no banco, resultado da penhora de móveis de sua casa, e fundou no dia 1 de outubro de 1953 a empresa HMH Publishing Co. E assim a primeira edição da revista, com as famosas fotos que Marilyn Monroe fez antes da fama para um calendário em 1948, que foram adquiridas por míseros US$ 500, foi inteiramente produzida na cozinha do apartamento da família Hefner no sul de Chicago.


O nome sugerido para a revista seria Stag Party (“despedida de solteiro” em português) e o símbolo, um veado (ou cervo) fumando à espera de uma boa companhia feminina. Na véspera do lançamento, porém, Hefner descobriu que havia uma publicação com esse nome e acabou mudando de ideia depois de ser ameaçado de um processo pelo dono dessa revista chamada Stag (“machão”), sobre esportes radicais. Pensou em vários outros nomes, Top Hat, Bachelor, Gentlemen, até que um amigo sugeriu PLAYBOY, nome de uma fábrica de carros falida. Hefner encomendou ao desenhista e diretor de arte da revista, Arthur Paul, uma nova mascote para o produto que iria ser lançado. Desde então, o coelho (um dos poucos animais que acasalam apenas por prazer, não por reprodução) vestindo uma gravata borboleta apareceu na capa de todos os exemplares da revista, exceto do exemplar número 1, transformando-se em um ícone mundial da marca.


A chegada às bancas aconteceu no mês de dezembro de 1953, custando apenas US$ 50 cents de dólar, sem data na capa já que ele não tinha certeza se haveria um segundo número. Porém, a venda de 53 mil exemplares não só foi suficiente para pagar as despesas da primeira edição como também para financiar a segunda. A nova publicação tinha 44 páginas, incluindo, além de uma foto de Marilyn Monroe vestida sensualmente na capa e outras nuas nas páginas internas; uma história de Sherlock Holmes, escrita por Sir Arthur Conan Doyle; um artigo sobre o grupo musical Dorsey Brothers; alguns desenhos feitos pelo próprio Hugh Hefner; e alguns outros pequenos artigos. Diferentemente de outras revistas direcionadas ao público masculino americano naquela época, a PLAYBOY foi pioneira em mostrar mulheres totalmente nuas.


Então, o segundo passo foi contratar uma pequena equipe, jovem e entusiasmada: dois redatores, um diretor de arte e mais pessoas para cuidar da publicidade e assinaturas da revista. E logo vieram outras edições, publicadas mensalmente. Todas elas seguiam o mesmo padrão: a capa da revista com uma estrela principal (chamada de Playmate do mês), uma entrevista e reportagens sobre assuntos variados do universo masculino. Quase que instantaneamente PLAYBOY se tornou o maior fenômeno editorial da imprensa americana de revistas da década de 1950. Começou a explorar a força de sua marca e comercializar em 1955 as famosas abotoaduras no formato de cabeça de coelho. Foi em 1956 que o primeiro pôster no meio da revista (com o tamanho de três páginas) foi publicado na edição de março: uma fotografia da atriz e modelo Marian Stafford. Em 1959 a revista atingiu um milhão de cópias vendidas mensalmente. Esse ano também marcou a primeira incursão da marca na televisão com o Playboy’s Penthouse, um programa de variedades que durou dois anos e apresentou ícones culturais como Ella Fitzgerald, Carl Sandburg e Lenny Bruce. Em 1960 inaugurou o primeiro PLAYBOY CLUB (espécie de boate e cassino) na cidade de Chicago. As famosas entrevistas feitas pela revista começaram em 1962 com o trompetista Mile Davis. Ao longo dos anos, personalidades famosas e marcantes como Jimmy Carter, Fidel Castro, Malcom X, Salvador Dali, Martin Luther King, Yasser Arafat, Muhammad Ali, Orson Welles, entre outros, concederam entrevistas históricas para a revista. Em 1970 a revista inovou mais uma vez ao lançar uma edição impressa em braile. Nesta época, o sucesso era tamanho que dois em cada cinco americanos entre 18 e 35 anos liam a revista.


Em 1971, a empresa abriu seu capital na Bolsa de Valores e passou a se chamar Playboy Enterprises, compreendendo a revista que vendia 7 milhões de exemplares por mês; 23 Playboy Club, resorts, hotéis e cassinos com mais de 900 mil associados em todo o mundo; uma editora de livros; várias linhas de produtos licenciados; uma agência de modelos; um serviço de limusines; uma gravadora e uma produtora de cinema e televisão. Tudo dirigido por um único homem. As primeiras edições internacionais da revista foram lançadas na Alemanha e na Itália em 1972. Mas essa década foi difícil para a empresa e não por conta de feministas ou puritanos. Primeiro pelo surgimento e avanço de suas grandes concorrentes: as revistas Penthouse e Hustler. Depois pela chamada “Guerra Pubiana”. No início, a PLAYBOY mostrava apenas seios e bundas, mas não o púbis. Com as flexibilizações das leis e costumes, desceu-se aos pêlos. A cada mês, alguém mostrava mais, porém quando seus concorrentes abriram as pernas das modelos, puseram mulheres se beijando e expuseram línguas, a PLAYBOY pisou no freio. Não chegaria lá, havia um limite e bom senso. E assim ficou em um incômodo meio-termo: pornográfica para seus inimigos, discreta demais para leitores potenciais.


A crise financeira veio com a queda gradativa de circulação e uma onda governamental que culminou na cassação das licenças de clubes e cassinos. Outro fato marcante aconteceu quando a Playmate do ano de 1980, Dorothy Stratten, foi assassinada por um ex-namorado ciumento, e o caso levou a revista às manchetes de jornais de uma forma negativa. Porém, a revista superou todos esses percalços, e continuou sua revolução no mundo masculino, incluindo a inauguração de lojas próprias (para vender seus inúmeros produtos licenciados) a partir de 2000. Mas, a partir de 2008, a PLAYBOY começou a viver seu pior momento, assolada por uma crise financeira e queda nas vendas de todos os seus produtos, que culminou com a demissão do principal executivo da empresa, mas não estancou os enormes prejuízos. Se o império PLAYBOY se manteve em pé foi graças ao licenciamento de produtos com a marca do coelhinho (que responde por mais de 50% do faturamento da empresa), pelo site da internet e pelo canal de televisão, já que as vendas da revista despencaram nos Estados Unidos, dos 7 milhões de exemplares por edição nos anos de 1970, para os atuais 640 mil. Uma prova disso, é que a partir de dezembro de 2009 a revista reduziu suas edições anuais apenas para 10, combinando os meses de julho/agosto e janeiro/fevereiro.


E o principal motivo dessa crise está na tecnologia (entenda-se internet). Isto porque, as pessoas podem facilmente ter acesso às imagens de cunho sexual e de graça através da internet. Era preciso fazer alguma coisa para encerrar a crise existencial “dessa senhora sexagenária”. Foi então, que a empresa tomou uma histórica decisão, considerada por muitos como radical. Entre março de 2016 e fevereiro de 2017 a edição americana da PLAYBOY não estampou em suas páginas fotos de mulheres totalmente nuas, apenas em poses provocantes e sensuais. Porém, esta atitude durou pouco e, em 2017, a revista voltou a publicar fotografias de mulheres nuas.


O coelhinho no mundo 
A revista masculina mais famosa do planeta está ou já esteve presente em muitos países, entretendo e divertindo gerações de marmanjos:
● África do Sul (1993–1996, 2011-2013) 
● Alemanha (1972-presente) 
● Argentina (1985-1995, 2006-presente) 
● Austrália (1979–2000) 
● Brasil (1975-presente) 
● Bulgária (2002-presente) 
● Colômbia (2008-presente) 
● Croácia (1997-presente) 
● Eslováquia (1997-2002, 2005-presente) 
● Eslovênia (2001-presente) 
● Espanha (1978-presente) 
● Estados Unidos (1953-presente) 
● Estônia (2007-presente) 
● Filipinas (2008-presente) 
● França (1973-2011) 
● Geórgia (2007-2009) 
● Grécia (1985-presente) 
● Hong Kong (1986-1993) 
● Hungria (1989-1993, 1999-presente) 
● Indonésia (2006-2007) 
● Itália (1972-2003, 2008-presente) 
● Japão (1975-2009) 
● Letônia (2010-presente) 
● Lituânia (2008-presente) 
● México (1976-1998, 2002-presente) 
● Moldávia (2012-presente) 
● Mongólia (2012-presente) 
● Noruega (1998-1999) 
● Holanda (1983-presente) 
● Polônia (1992-presente) 
● República Checa (1991-presente) 
● Romênia (1999-presente) 
● Rússia (1995-presente) 
● Sérvia (2004-presente) 
● Suécia (1998-1999) 
● Tailândia (2012-presente) 
● Taiwan (1990-2003) 
● Turquia (1986-1995) 
● Ucrânia (2005-presente) 
● Venezuela (2006-presente)


As estrelas 
A edição da PLAYBOY mais vendida do mundo foi a de novembro de 1972, que estampava na capa a modelo Pamela Rawlings. Mesmo sem dados oficiais (já que as vendas da revista começaram a ser auditadas apenas em 1994), a PLAYBOY estima que essa edição tenha superado a marca de 7.16 milhões de exemplares vendidos. Depois que as vendas começaram a ser monitoradas, os números ficaram bem mais modestos. Nos últimos vinte anos, a edição campeã de vendas estampava na capa a modelo e ex-lutadora de Wrestling Joanie Laurer, mais conhecida como Chyna, com 1.389.200 cópias vendidas. Durante todos esses anos várias beldades estamparam seus belos corpos nas capas da revista: Jayne Mansfield (1956), Sophia Loren (1957), Brigitte Bardot (1958), Kim Novak (1959), Elizabeth Taylor (1963), Ursula Andress (1965), Jane Fonda (1966), Joan Collins (1969), Vanessa Redgrave (1969), Linda Evans (1971), Jane Seymour (1973), Melanie Griffith (1976), Raquel Welch (1977), Farrah Fawcett (1978), Margaux Hemingway (1978), Nastassja Kinski (1979), Bo Derek (1980), Mariel Hemingway (1982), Kim Basinger (1983), Sonia Braga (1984), Madonna (1985), Brigitte Nielsen (1985), Janet Jones (1987), Cindy Crawford (1988), Latoya Jackson (1989), Sharon Stone (1990), Mimi Rogers (1993), Elle MacPherson (1994), Drew Barrymore (1995), Nancy Sinatra (1995), Samantha Fox (1996) e Carmen Electra (1996). A atriz americana que apareceu mais vezes na capa da revista foi Pamela Anderson (14 vezes, entre outubro de 1989 e janeiro de 2014).


Além disso, apenas dez homens foram capa da revista: o britânico Peter Sellers (abril de 1964), Burt Reynolds (outubro de 1979), Steve Martin (janeiro de 1980), Donald Trump (março de 1990), Dan Aykroyd (agosto de 1993), Jerry Seinfeld (outubro de 1993), Leslie Nielsen (fevereiro de 1996), Gene Simmons (1999), Seth Rogen (2009) e Bruno Mars (2012).


Diversas mídias 
A empresa se utiliza de vários tipos de mídias para se comunicar e vender seus produtos aos consumidores. A PLAYBOY TV, lançada no dia 1 de novembro de 1982 com o nome de PLAYBOY CHANNEL, está disponível atualmente em 65 milhões de lares somente nos Estados Unidos, e países como Brasil, Canadá, Nova Zelândia, Espanha, Grécia, Inglaterra, Irlanda, Portugal e Noruega. A programação do canal inclui conteúdo adulto leve, com filmes, séries, reality shows e programas de comportamento que exploram erotismo e sensualidade. Em 2002 foi lançada a PLYABOY RADIO, que atualmente atinge um público estimado de 20 milhões de pessoas. O website da marca, lançado em 1994, recebe mensalmente mais de cinco milhões de internautas, que geram mais de 45 milhões de visualizações de páginas. Já o Playboy Cyber Club é um site (lançado em 1995) que oferece serviço premium baseado em assinatura, que serve como complemento online para a revista, contendo conteúdo original, como fotos extras, vídeos, bate-papos ao vivo e arquivo das edições anteriores da revista. Além disso, através do serviço PLAYBOY MOBILE, distribui conteúdo para plataformas móveis como imagens, jogos, vídeo clipes e filmes de TV.


As garotas de Hefner 
Hugh Hefner pode ser considerado o Midas da sensualidade e erotismo. Não por menos, no dia 7 de agosto de 2005, sua marca apimentou o mundo dos reality shows com a estreia do The Girls of the Playboy Mansion. Durante quase cinco anos, o trio (Kendra Wilkinson, Holly Madison e Bridget Marquardt) teve o posto oficial de namoradas do “bon vivant”, com direito a terem suas vidas filmadas pelas câmeras de TV. À primeira vista, o programa parecia um convite a um universo de futilidade e luxúria. Mas o que se viu foi um show divertido, com ótimas histórias protagonizadas pelas carismáticas “Playmates”, que amealhou milhares de fãs pelo mundo afora. As garotas amadureceram desde então e foram substituídas em 2009 por outras três jovens loiras platinadas: as gêmeas Karissa Shannon e Kristina Shannon e Crystal Harris (então futura esposa de Hefner). O programa durou até agosto de 2010 e teve 91 episódios.


A censura 
Em várias partes da Ásia, como a China (apesar da revista já ter sido vendida em Hong Kong), Coréia do Sul, Índia, Malásia, Taiwan, Cingapura e Brunei, a venda e distribuição da revista PLAYBOY é proibida. Em adição a essa lista de países, a revista também é banida em quase todos os países muçulmanos da Ásia, Oriente Médio e da África. O Japão possuía até 2009 uma edição própria da revista, mas era proibido que as modelos mostrassem suas regiões púbicas nas fotos. Em 1986, a rede americana de lojas de conveniência 7-Eleven baniu a revista de seus estabelecimentos. Somente em 2003, a PLAYBOY voltou a ser comercializada nas lojas da rede. Em várias comunidades pequenas dos Estados Unidos a revista PLAYBOY não é vendida nas lojas da rede. Em outras comunidades, é vendida apenas em lojas de bebidas. Em comunidades ou cidades onde a venda de bebidas alcoólicas é proibida, a venda de PLAYBOY também costuma ser. Outro adversário da revista ao longo dos anos foi o feminismo. Nos anos de 1960, a militante Gloria Steinem disfarçou-se de “coelhinha” em um clube da PLAYBOY para escrever um artigo contra Hefner. A crítica fundamental do feminismo contra revistas do gênero é que elas transformam as mulheres em objetos. Hefner responde a isso com ironia: “Se nenhuma mulher fosse encarada como objeto, não existiria uma próxima geração. E muitas mulheres aprenderam a usar a PLAYBOY como um meio de aumentar o seu poder sexual”. O detalhe irônico é que os “repressores” ajudaram a fundar a revista: a mãe de Hefner emprestou dinheiro para a arrancada no empreendimento, e o pai foi o primeiro contador da empresa.


A mansão 
Um lugar de sonhos! É como entrar em um parque de diversões que não tem nem roda gigante nem montanha russa. É assim que pode ser definida a Mansão Palyboy (Playboy Mansion), morada que exala sexualidade e libertinagem, onde vive o lendário Hugh Hefner. A propriedade não poderia estar localizada em outra cidade: Los Angeles, na ensolarada Califórnia. Construída no ano de 1927 em falso estilo gótico, a mansão, situada no subúrbio chique de Holmby Hills, ocupa um terreno ajardinado de 2 hectares que Hefner comprou por US$ 1.05 milhões em 1971. A mansão (com 2.042 m² de área construída), que conta com 22 quartos, adega de vinho, cinema, quadra de tênis e basquete, cachoeira, zoológico particular e aviário (com diversas aves exóticas), já foi palco de milhares de festas, muitas delas inesquecíveis atraindo convidados que curtem o ambiente de diversão livre, principalmente na lendária piscina da gruta subterrânea. “Sou o homem mais sortudo do mundo”, costuma dizer Hugh. Como prova, ele constantemente mencionava as três namoradas que dividiram, por um bom tempo, a mansão com ele – as oxigenadas Holly Madison, Bridget Marquardt e Kendra Wilkinson, então estrelas do The Girls of the Playboy Mansion, um reality show da televisão americana.


De acordo com as lendas, a mansão já foi palco de acontecimentos históricos: Elvis Presley dormiu com oito “Playmates” lá dentro; enquanto John Lennon queimou um quadro de Matisse ao esquecer um cigarro aceso; e duas mulheres acusaram o ex-astro da TV Bill Cosby, amigo de Hefner, de agressão sexual na mansão. Em agosto de 2016 o vizinho de Hefner, Daren Metropoulos, comprou a célebre mansão por US$ 100 milhões. Porém o contrato inclui entre suas cláusulas que Hefner poderá residir até o fim da vida na mansão.


Os clubes privados 
Exatamente dia 29 de fevereiro de 1960 a empresa decidiu levar seu entretenimento e diversão para o mundo físico com a inauguração do primeiro PLAYBOY CLUB (espécie de boate) no centro da cidade de Chicago, estado de Illinois. Ao preço de US$ 25 a entrada e cobrando US$ 1.50 por bebidas, cigarros e refeições, era uma diversão garantida para os associados, que pareciam andar pelas páginas da revista. Durante os três primeiros meses de seu funcionamento, aproximadamente 132 mil pessoas visitaram o lugar para admirar as meninas com orelhas de coelho. Com um prestígio inigualável na época, a unidade de Chicago chegou a ser o clube noturno mais frequentado do mundo. Rapidamente, essas boates, com suas garçonetes vestidas sensualmente de coelhinhas (conhecidas como “Playboy Bunnies”), se expandiram para outras cidades como Miami, Nova Orleans, Nova York, Boston, Dallas, Denver, Atlanta e San Diego, e até em outros países como Inglaterra, Jamaica e Filipinas. O clube de Londres teve entre seus visitantes famosos Frank Sinatra, Jean-Paul Belmondo, James Garner e Ursula Andress. O estabelecimento era muito popular entre os intelectuais, como jornalistas, escritores e críticos literários. Entretanto, não havia nada de imoral nestes clubes noturnos: eram estabelecimentos de luxo com um sistema de inscrição. Eles eram uma espécie de cassino com restaurante e bar, onde as pessoas podiam fumar um charuto e assistir a concertos. Por mais de 20 anos fizeram sucesso, chegando a ter 2.5 milhões de associados, Mas ainda que durante este período a maior parte da receita da empresa viesse da jogatina de clubes como esses, uma grave crise financeira fez com que todos eles fossem fechados no final da década de 1980.


Mas os ares de nostalgia que sopraram nos Estados Unidos nos últimos anos trouxeram junto o retorno de um dos ícones mais kitsch (um termo utilizado para designar o mau gosto artístico e produções consideradas de qualidade inferior) e libertinos do país: o PLAYBOY CLUB. O retorno triunfal do multimilionário Hugh Hefner aos clubes não poderia ter um cenário mais apropriado do que Las Vegas, a cidade do vício, que em agosto de 2006 assistiu à inauguração de um estabelecimento que funcionava como clube e cassino, em associação com o Palms Cassino Resort. Desde o fechamento do seu clube de Manila (Filipinas) em 1991, a indústria pornô e as reivindicações feministas colocaram a PLAYBOY em uma encruzilhada que trouxe muitos prejuízos para a empresa ao longo dos anos. A boate, localizada nos últimos três andares do hotel-cassino Palms, oferecia muita diversão, além de restaurante, bar e lounge. Os três andares eram repletos de ícones do universo PLAYBOY que iam desde os botões em formato de coelhinho nas almofadas até o papel de parede: uma colagem de fotografias mostrando todas as mulheres que ilustraram os pôsteres centrais da revista nas últimas duas décadas. O empreendimento fechou em junho de 2012. Atualmente existem unidades do Playboy Club em Londres (inaugurada em 2011), Hanoi, Hyderabad, Nova Déli e Mumbai. Além disso, no dia 28 de fevereiro de 2017 ocorreu a inauguração do primeiro PLAYBOY CAFÉ, localizado na cidade de Bangkok na Tailândia, que oferece uma variedade de delícias culinárias em uma atmosfera única para que as pessoas se reúnam e acessem o universo da marca americana.


O gênio por trás da marca 
Hugh Marston Hefner nasceu na cidade de Chicago no dia 9 de abril de 1926, no seio de uma família conservadora e protestante. Já na escola se interessou pelo jornalismo, criando um jornal e desenhando quadrinhos. No último ano do ensino médio, após ser rejeitado por uma garota por quem era apaixonado, resolveu se reinventar como “Hef”, uma figura sofisticada que logo lhe garantiu popularidade entre os colegas. Após se formar em 1944, serviu o exército trabalhando como secretário e cartunista, antes de ser dispensado em 1946. Hugh Hefner fez aulas de arte no renomado Art Institute of Chicago e em seguida entrou na Universidade de Illinois, onde se formou em apenas dois anos e meio em psicologia. Em seguida estudou sociologia na Northwestern University, enquanto trabalhava como cartunista e editor. Em 1951 conseguiu trabalho na revista Esquire. Depois trabalhou na editora Publisher’s Development e, pasmem, na revista infantil Children’s Activities, até decidir criar sua própria revista em 1953.


Mais do que editor, Hugh Hefner é o perfeito garoto-propaganda da marca PLAYBOY (se é que se pode falar assim de um senhor com mais de 90 anos). Foi nesse papel que ele apareceu no programa The Girls of the Playboy Mansion: o “bon vivant” que namorava três jovens mulheres tão belas quanto avoadas (ele já chegou a ter sete namoradas, mas achou aconselhável, naquele momento, fazer o que chama de downsize). Sobrevivente de dois casamentos, até aquele momento, jura que foi fiel às suas mulheres enquanto durou o matrimônio. Mas não quer repetir a experiência. “É mais fácil lidar com três namoradas do que com uma esposa”, diz. Hugh Hefner se considera um dos papas da revolução sexual que varreu o mundo há umas seis décadas. Todavia, ele era um protótipo do americano bem comportado, com família estável, boa carreira e uma casa, quando ele resolve aloprar de vez e lançar uma revista dirigida ao público masculino, com dicas de moda, comportamento, entrevistas e, principalmente, mostrando mulheres nuas. Em um país de formação puritana como os Estados Unidos, o bom e velho sexo para fins recreativos sempre foi um assunto marginal, e até idos dos anos sessenta qualquer material erótico tinha um quê de clandestino. Claro que havia as pin-ups, mas essas, por maior que fosse o apelo sexy, não apresentavam nudez total nem parcial. Por isso, revistas masculinas “sérias” falavam de tudo, menos do que realmente importava: mulheres. Se um jovem queria ver uns peitinhos, tinha que apelar para material pornográfico, de circulação restrita e quase ilegal. E foi esse nicho que o jovem resolveu explorar. Amado ou odiado, ninguém duvida da influência dele na história da cultura norte-americana.


Como editor de revista, ele fez pelo sexo o que Ray Kroc (idealizador do McDonald’s) fez pela comida de beira de estrada: tornou-o mais “limpo” para uma classe média emergente. Hugh foi obrigado a deixar a presidência da empresa em 1985, depois de ter sofrido um ataque cardíaco. Quem assumiu o posto foi sua filha Christine Hefner. No entanto, ele continuou a atuar na revista como editor chefe, cargo que ocupa desde então. Pode ser que Hefner, a quem boatos associaram com dezenas de mulheres (muitas ao mesmo tempo) ao longo de sua vida, tenha sossegado com sua esposa, Crystal Harris, ex-coelhinha da PLAYBOY e 60 anos mais nova, com quem se casou no final de 2012. Hefner já havia casado duas vezes antes. Ele e sua segunda esposa, Kimberley Conrad, também uma ex-coelhinha, divorciaram-se em 2010 depois de uma longa separação. Seu primeiro casamento com Mildred Williams acabou em 1959. Ele tem dois filhos de cada casamento.


Algumas curiosidades sobre Hugh Hefner: conceder entrevistas ou aparecer em conferências usando um robe (de preferência vermelho-escuro) é uma de suas marcas registradas; uma espécie de coelho foi batizada em sua homenagem (Sylvilagus Palustris Hefneri); apesar do alto QI (152), ele era considerado um estudante sem entusiasmo; pode-se dizer que ele é um grande fã de Marilyn Monroe, tanto que comprou a cripta ao lado da diva, no cemitério Westwood Memorial Park (Los Angeles), para passar a eternidade ao lado da loira; em sua tradicional festa de aniversário, apenas para família e amigos, ele sempre organiza uma exibição do filme “Casablanca” – seu favorito – e à qual os convidados devem comparecer vestidos de acordo com a atmosfera do longa-metragem.


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Lançamento: Dezembro de 1953 
● Criador: Hugh Hefner 
● Sede mundial: Beverly Hills, Califórnia, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Playboy Enterprises Inc. 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Ben Kohn 
● Editor chefe: Hugh Hefner 
● Faturamento: US$ 200 milhões (estimado) 
● Faturamento: Não divulgado 
● Circulação: 1.5 milhões de cópias 
● Presença global: 180 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 400 
● Segmento: Entretenimento 
● Principais produtos: Revistas, sites, canais de TV e produtos licenciados 
● Concorrentes diretos: Maxim, Penthouse, Hustler, Esquire, Men’s Health, FHM, GQ e sites pornográficos 
● Ícones: O coelho e as belas Playmates 
● Slogan: Entertainment for Men. 
● Website: www.playboy.com.br 

A marca no Brasil 
A edição brasileira da revista foi lançada em agosto de 1975 com o título de “A Revista do Homem”, pois o original tinha sido vetado pela censura, estrelando a bela modelo Lívia Mund. Apenas em 1978 a revista pôde ostentar seu nome verdadeiro. Isto aconteceu na edição 36 (julho), com Debra Jo Fondren na capa. Por anos, ostentou o título de uma das revistas mais vendidas do Brasil, contribuindo para que o mercado brasileiro se tornasse no maior do mundo para revistas eróticas. Já posaram para a edição brasileira atrizes famosas como Regina Duarte (1976), Betty Faria (1978), Lucélia Santos (1980), Lídia Brondi (1980), Dina Sfat (1982), Vera Fischer (1982), Christiane Torloni (1983), Sônia Braga (1984), Maria Zilda (1985), Cláudia Raia (1985), Yoná Magalhães (1986), Maitê Proença (1987), Bruna Lombardi (1991), Luiza Tomé (1993), Cissa Guimarães (1994), Adriane Galisteu (1995), Marisa Orth (1997), Mylla Christie (1997), Danielle Winitis (1998), Deborah Secco (1999), Alessandra Negrini (2000), Juliana Paes (2004), Mel Lisboa (2004), Flávia Monteiro (2005), Grazielli Massafera (2005), Flávia Alessandra (2006), Karina Bacchi (2006), Bárbara Paz (2007) e Cléo Pires (2010); apresentadoras e modelos como Xuxa (1982), Luíza Brunet (1983), Monique Evans (1986), Luma de Oliveira (1987) e Isadora Ribeiro (1991); cantoras, como Marina Lima (1999), Elba Ramalho (1989) e Kelly Key (2002), dançarinas como Carla Perez (1996); esportistas como Hortência (1988); e até mesmo a bela bandeirinha de futebol Ana Paula Oliveira (2007).


Aqui no Brasil as edições de maior circulação tiveram em suas capas mulheres sensuais como a Feiticeira (Joana Prado) em 1999 com mais de 1.25 milhões de cópias; Tiazinha (Suzana Alves) em 1999 com 1.22 milhões de cópias; Adriane Galisteu em 1995 com 960 mil cópias; a cantora Kelly Key em 2002 com 850 mil exemplares; Scheila Carvalho em 1998 com 845 mil cópias; e Marisa Orth em 1997 com 836 mil cópias. Originalmente publicada pela Editora Abril, onde teve sua edição inaugural em 1975 e foi encerrada 40 anos depois (2015) com 487 edições, é desde abril de 2016 publicada pela editora PBB Entertainment. O relançamento da revista contou com a atriz Luana Piovani na capa. Devido à crise neste setor, a partir de julho de 2016 a revista teve circulação bimestral, e em março de 2017 passou a ser trimestral. A revista tem circulação mensal de 100 mil cópias.


A marca no mundo 
Atualmente a revista é publicada em mais de 25 países, tendo somente nos Estados Unidos aproximadamente 6 milhões de leitores, atingindo um total de 18 milhões em todo o mundo, sendo a revista masculina mais vendida do planeta com pouco mais de 640 mil unidades comercializadas por mês, somente nos Estados Unidos. No mundo a circulação é superior a 1.5 milhões de unidades. A revista deu origem a um império com mais de 2.500 produtos licenciados (incluindo roupas, acessórios, calçados, lingeries, joias, óculos e perfumes), que geram mais de US$ 1 bilhão em vendas em 180 países. Além disso, o império ainda inclui publicações, canais de televisão, websites, distribuição de conteúdo para plataformas móveis e uma rádio, que faturam mais de US$ 200 milhões anualmente. 

Você sabia? 
A maior edição da revista foi lançada em 1979, em comemoração aos seus 25 anos, contendo 414 páginas. 
A atriz Ilka Soares foi a mulher brasileira mais velha a posar para a revista. Tinha 52 anos em 1984, data do ensaio. Nos Estados Unidos, a façanha coube à Nancy Sinatra, filha do cantor Frank Sinatra, que despiu-se aos 54 anos, em 1995. 
Embora seja bastante conhecido o comentário irônico de que alguns leem a PLAYBOY por seus artigos, o certo é que a revista ganhou parte de sua reputação graças à qualidade e profundidade de suas reportagens. Por ali desfilaram textos de Hunter S. Thompson e Truman Capote, além de incendiárias entrevistas com figuras como Martin Luther King e Malcolm X. 
No Brasil a PLAYBOY ficou conhecida por seu popular slogan “A revista do homem”


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Valor Econômico, O Globo, Folha e Estadão), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Mundo do Marketing) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 13/5/2017