28.8.17

EMILIO PUCCI


Poucos estilistas entraram para a história da moda tendo como passaporte a criação de estampas. Este é o caso de Emilio Pucci. Estampas extravagantes e multicoloridas que exaltam o verdadeiro estilo de vida italiano. Assim é a exclusiva marca italiana EMILIO PUCCI, criada por um “marquês alfaiate” de mesmo nome, que veste celebridades como Victoria Beckham, Elizabeth Hurley e Kylie Minogue e continua a ser um símbolo de status e luxo há sete décadas. 

A história 
Era uma vez um marquês que se tornou alfaiate. À primeira vista, a história de Emilio Pucci (foto abaixo) soa como um conto de fadas ao contrário. Ele nasceu na cidade de Nápoles no dia 20 de novembro de 1914 como Marquês de Barsento. Isto porque, seus pais, Orazio Pucci (de origem russa) e a Condessa napolitana Anguste Pavoncelli pertenciam a uma das mais aristocráticas famílias italianas. Pucci cresceu no coração de Florença, em um palácio com paredes que ostentavam obras feitas por Sandro Botticelli, Donatello e Leonardo da Vinci, local que se tornaria também palco de seus desfiles e um dos símbolos da grife que levaria seu nome. Entre 1935 a 1937 cursou sociologia nos Estados Unidos e, em 1938, alistou-se na força aérea italiana como piloto e combateu na Segunda Guerra Mundial. Apaixonado por esportes, ele praticava esqui, natação, tênis, esgrima, e por viagens, sua carreira no mundo da moda começou quase por acaso, quando ainda era piloto da aeronáutica. Preocupado com sua imagem, essa história com a moda começou quando ele desenhou modelos de roupa para si. Um dia ele ofereceu a uma amiga um traje de esqui que havia imaginado: uma calça comprida levemente justa na cintura, um pulôver, uma camisa e, por fim, um casaco desenhado como uma parca com um capuz e um bolso na frente fechado com um zíper na cintura.


A história começou a mudar quando a fotógrafa americana Toni Frissell, que trabalhava regularmente para a renomada revista Harper’s Bazaar, mostrou-se entusiasmada por aquele traje esportivo e elegante que ainda não se encontrava no mercado. E por sorte essas fotografias foram parar nas mãos de Diane Vreeland, então editora chefe da Harper’s Bazaar americana, que em dezembro de 1947 publicou um artigo sobre as criações de Pucci com o título: “An Italian Skier Designs”. Era o início do sucesso. Após a enorme promoção de sua criação, Emilio Pucci lançou no ano de 1948 sua primeira coleção, que apresentava poucas peças (um traje de esqui composto por duas peças de gabardine azul, uma calça de esqui bege no mesmo tecido, duas camisas masculinas de popeline de algodão e três túnicas de tricô de lã) e foi vendida para duas tradicionais lojas de departamentos localizadas na luxuosa 5ª Avenida em Nova York, a White Stag e Lord & Taylor. Seus primeiros sucessos, embora modestos, deram-lhe maior consciência de seu talento e permitiram que trabalhasse a partir de suas potencialidades criativas. Com a fama de estilista promissor na Itália, Pucci se associou com diversas indústrias do setor têxtil de seu país e desenvolveu tinturas de tons inéditos, além de tratamentos especiais em algodões e sedas, que lhe renderam fama até o final de sua carreira.


Foi em 1949, quando pediu licença da aeronáutica, que Pucci viajou até a belíssima Capri, no sul da Itália, e criou a sua segunda coleção, uma linha de maiôs e roupas esportivas que podiam ser usadas durante todo o dia. O sucesso foi imediato e de Capri rapidamente se espalhou por todo o Mediterrâneo nos corpos de suas frequentadoras elegantes e refinadas. A bela ilha teve grande influência na escolha de cores e temas para suas estampas. Sob o pretexto de elaborar peças para sua namorada na época, ele criou uma coleção repleta de frescor com modelagens livres da estrutura rígida da alta costura francesa, que rapidamente foi consumida e copiada por mulheres elegantes de Capri, Portofino, Cote d’Azur e em todas as praias mediterrâneas. Foi neste momento que Pucci apresentou as famosas calças Capri que ainda hoje são itens clássicos de um bom guarda-roupa feminino. O marquês criou um estilo que nunca seria dissociado de seu carisma estético e intelectual e Capri nunca deixaria de inspirá-lo: o azul da Gruta Azul, o rosa das primaveras, o verde e o amarelo das plantas de folhas espessas e carnudas, da menta e do limão. Essa síntese de autenticidade e refinamento sugerida pelo espírito de sua moda é justamente o que caracterizaria o chamado “Estilo Pucci”.


Em 1950 o estilista abandonou definitivamente a carreira militar para abrir sua loja própria, a La Canzone Del Mare, e com ela nasceu o que viria a se tornar uma grife revolucionária, a EMILIO PUCCI. Sua produção tinha características peculiares: eram poucas peças feitas à mão, de modelagens simples, a preços relativamente baratos, e esses foram um dos motivos essenciais de sua fama no início. Seus vestidos eram em sua maioria de jérsei de seda, que era leve, sem rugas e muito confortável. “É como usar nada”, exclamou na época Diana Vreeland sobre essas roupas. Emilio foi premiado em 1954 com o Neiman Marcus Award, um importante prêmio que era entregue anualmente às personalidades da moda que se destacavam por sua criatividade e originalidade. Em 1959 ele se casou com a jovem Baronesa Cristina Nannini e para atender a demanda de seus sucessos inaugurou no segundo andar de seu palácio em Florença uma espécie de escritório de estilo, onde criava suas estampas, negociava suas vendas e realizava seus desfiles. Apesar de se autodenominar artesão foi a partir desse momento que Pucci começou a trabalhar intuitivamente com metodologias de design que comprovaram que ele estava além da categoria de estilo ou gosto pessoal. Com a abertura de seu escritório ele dirigia pessoalmente a elaboração de desenhos, os contatos com os fornecedores e com os seus clientes, a realização de seus desfiles e sessões de fotos e acompanhava a demanda de seus produtos mundo a fora.


Calças afuniladas, shorts, calças Capri, vestidos resort, camisas, blusas de seda, roupas casuais viraram objetos de desejo e em pouco tempo o “Estilo Pucci” estava disponível nas mais importantes lojas de departamento dos Estados Unidos (onde o lifestyle que suas roupas exprimiam alcançaram ampla aceitação). Suas criações já eram parte das divas da mídia americana como Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Liz Taylor e Lauren Bacall. Autêntico admirador da feminilidade, severo crítico dos limites impostos as mulheres pela moda e inovador por natureza, ele introduziu uma série incessante de pequenas e grandes transformações que estavam além das estampas que lhe renderam a fama de “O Príncipe das Estampas”. Emilio patenteou inúmeros tecidos inéditos como o jérsei de seda e o Emilioform (tecido composto por 45% de xantungue de seda e 55% de náilon). Em 1960 o estilista assinou contrato com uma empresa de Chicago para produzir uma coleção de moda íntima e desenvolveu uma lingerie revolucionária, o Viva Panty. Neste período, o corpo da mulher ainda estava encerrado em corpetes que apertavam a cintura, comprimiam o corpo e empurravam para o alto os seios, tudo conforme os ditames da alta-costura. Em harmonia com a concepção leve, flexível e desprovida de forro de suas roupas, Pucci lançou o Viva Panty, um body de seda strecht que não comprimia e nem levantava, mas deixava adivinhar uma agradável e natural nudez do corpo. Depois desse sucesso, nasceu uma linha completa de lingeries, incluindo camisolas caracterizadas por suas estampas.


Em 1961 a marca desenhou para a Rosenthal sua primeira coleção de porcelana de mesa, ingressando assim em um novo mercado. Em julho de 1962, Pucci lançou sua primeira coleção de alta-costura, pensada para mulheres de ombros e quadril estreitos, seios pequenos e pernas compridas, cujo retrato era a então primeira-dama americana, Jacqueline Kennedy. Dois anos depois, em uma linha dedicada à África, ele protestou contra o racismo frente ao governo norte-americano ao convocar modelos negras para o desfile. O sucesso era tamanho, que em 1965 a grife criou um guarda-roupa completo para as aeromoças da companhia aérea Braniff International Airways, que apesar de ter deixado de existir em 1982, até os dias de hoje é lembrada justamente por ter-se renovado, com a participação de Pucci, saindo da monotonia cinzenta e sóbria dos uniformes, para o colorido. E a coleção de 1966, denominada Vivara, ilha próxima a Capri, constituiu a síntese gráfica mais abstrata realizada por Pucci e por isso mesmo essa é lembrada como sua coleção mais memorável. Na mesma época ele lançou seu primeiro perfume com o mesmo nome da coleção. Em 1969, por iniciativa de uma empresa argentina, criou doze tapetes, cujos protótipos seriam expostos no Museu Nacional da Arte Decorativa de Buenos Aires. E em 1971 a NASA encarregou o estilista de criar o logotipo da missão espacial Apollo 15, que levou o homem à Lua. Além disso, em 1977, ele foi responsável pelo desenho do interior do Lincoln Continental, um dos carros ícones da cultura americana.


Após décadas de auge absoluto, a casa Pucci viveu um período menos vibrante na segunda metade da década de 1970 e nos anos de 1980. Um dos motivos foi a recusa do estilista de descentralizar a produção, sem falar que os rumos da moda daquela época (pensada para mulheres que estavam saindo de casa para um mercado de trabalho ultra competitivo) eram muito distantes do seu padrão de feminilidade. Uma vez ele disse: “Nasci alfaiate e considero-me como tal. Meu trabalho é o trabalho de um artesão cujos objetivos são a qualidade e o estilo”. Emilio Pucci começou a se retirar progressivamente de suas atividades a partir de 1989. No mesmo período que sua marca viveu a segunda “Puccimania” graças a estilistas como Gianni Versace e Moschino, que mostraram coleções fortemente influenciadas por desenhos clássicos de Pucci. A cantora Madonna, a designer Paloma Picasso, a topmodel Claudia Schiffer e a atriz Isabella Rossellini foram algumas das personalidades que embarcaram nesse resgate do mago das estampas.


Em 1990 sua filha, Laudomia Pucci, assumiu a direção da empresa, já que seu irmão Alessandro Pucci di Barsento havia morrido em um acidente de carro, e no dia 29 de novembro de 1992 Emilio Pucci faleceu, mas deixou um legado precioso. Todas as roupas desenhadas por Emilio Pucci ao longo dos anos são um tesouro, seus vestidos clássicos ainda são considerados como bens de valor inestimável. Em 2000, o conglomerado de luxo francês LVMH, proprietário de marcas como Louis Vuitton, Fendi e Givenchy, adquiriu a maioria das ações da casa PUCCI. Nos anos seguintes, Laudomia Pucci junto com o grupo LVMH iniciou um processo de renovação da marca. O estilista porto-riquenho Julio Espada foi o escolhido para continuar o trabalho do marquês e por lá ficou durante dois anos. Mas a volta por cima da marca é atribuída ao estilista francês Christian Lacroix, que em três anos como diretor criativo, fez o nome EMILIO PUCCI voltar a figurar entre as grifes top do mundo da moda e desfilar na concorrida Semana de Moda de Milão. O francês mergulhou nos antigos arquivos e trouxe de volta as estampas, brincou com modelos que remetem a roupas para a prática do esqui (lembrando as origens da marca), lançando peças modernas, mas sem abrir mão do colorido e irreverente estilo PUCCI. Além disso, a marca inaugurou diversas lojas ao redor do mundo. Incluindo sua primeira unidade no Brasil, em 2011, localizada no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. No ano seguinte a marca inaugurou uma luxuosa loja âncora em Nova York e, em 2013, na icônica Avenida Montaigne em Paris. Hoje, após 70 anos de existência, a EMILIO PUCCI continua apostando em suas marcas registradas: cores fortes e formas abstratas e geométricas.


Os ícones inconfundíveis 
Conhecido como “O Príncipe das Estampas”. O estampado de Emilio Pucci é sem dúvida a sua principal característica. O conjunto de suas cores (puras, primárias, vibrantes ou naturais), o gosto pela abstração, a escolha de formas geralmente não figurativas, a organização modular de escalas cromáticas e a orquestração de linhas retas ou curvas parecem derivar de uma síntese geométrica dos pintores do Renascimento. Emilio Pucci deixou para o mundo da moda um legado ainda maior. Além das inconfundíveis estampas de formas abstratas e geométricas ultracoloridas, a marca é imediatamente reconhecida pelos bordados marcantes, a seda como tecido favorito para imprimir suas estampas, criações não estruturadas, que valorizam a exuberância física, e tecidos especiais (alguns deles patenteados). Outro ícone da marca italiana é impressão da assinatura à mão “Emilio” em todas as estampas.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas remodelações ao longo dos anos. Com isso, o logotipo foi sendo modernizado com o passar dos anos, tudo para transmitir uma imagem mais sofisticada.


O logotipo da marca também pode ser aplicado com seu tradicional símbolo (na verdade um brasão com dois “P” estilizados e um “E” no meio), especialmente visto em suas bolsas.


Dados corporativos 
● Origem: Itália 
● Fundação: 1947 
● Fundador: Emilio Pucci 
● Sede mundial: Florença, Itália 
● Proprietário da marca: Emilio Pucci S.r.l. 
● Capital aberto: Não (subsidiária da LVMH Moët Hennessy • Louis Vuitton S.A.) 
● Chairman: Laudomia Pucci 
● CEO: Mauro Grimaldi 
● Faturamento: €150 milhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 50 
● Presença global: 70 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 500 
● Segmento: Moda de Luxo 
● Principais produtos: Roupas, bolsas, sapatos e acessórios 
● Ícones: As estampas coloridas 
● Website: www.emiliopucci.com 

A marca no mundo 
Atualmente a exclusiva marca EMILIO PUCCI, que pertence ao conglomerado de luxo LVMH, possui pouco mais de 50 lojas próprias em cidades como Roma, Florença, Saint-Tropez, Londres, Moscou, Nova York, além de vender seus produtos em mais de 70 países através de sofisticadas lojas de departamento. 

Você sabia? 
Emilio Pucci criou mais de mil estampas, de um total de 20 mil, e todas estão disponíveis no Palácio Pucci, em Florença. 
Aos 25 anos, a estilista Carolina Herrera começou a trabalhar como relações públicas na tradicional Casa PUCCI, na Venezuela. 
Em 2014 Gisele Bündchen foi a estrela da EMILIO PUCCI, clicada por Mario Testino para a campanha outono/inverno. 
Marilyn Monroe foi enterrada usando um clássico vestido PUCCI verde. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, View, Elle e Vogue), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 28/8/2017

17.8.17

NET-A-PORTER


A NET-A-PORTER é muito mais que uma varejista online de moda. Trata-se de uma comunidade, uma conselheira e uma espécie de melhor amiga. A empresa gaba-se de reunir os melhores estilistas, marcas e a última moda, combinados com um editorial aguçado e uma profunda sensibilidade para as últimas tendências da moda de luxo. É uma espécie de consultor e comprador pessoal ao alcance de um clique. 

A história 
Nascida em Los Angeles e criada na cidade de Paris, a jornalista e editora de moda Natalie Sara Massenet (foto abaixo) literalmente “sacudiu” o segmento da moda de luxo com uma ideia inovadora. A moda sempre foi o mundo de Natalie, cuja mãe Barbara Jones foi modelo da grife Chanel. Inicialmente, ela trabalhou como editora de moda para o jornal Women’s Wear Daily, de Nova York, e depois para o Tatler, em Londres, construindo uma grande rede de contatos, especialmente com estilistas e executivos de grandes grifes de luxo. Ao perceber que o mordaz e impiedoso universo do jornalismo de moda não era para ela, decidiu seguir em frente. Foi então que ela percebeu que existia uma lacuna entre ver um item em uma revista de moda e de fato encontrá-lo nas lojas. Foi então que ela começou a desenvolver um site para vender roupas e acessórios de luxo. Porém havia alguns riscos para o possível arrependimento. O principal deles era que as mulheres simplesmente preferiam comprar em lojas convencionais, onde era possível ver, tocar e experimentar artigos que não eram baratos.


Mesmo assim, ela resolveu apostar em um site especializado em venda de moda feminina de alto luxo. De seu flat no bairro de Chelsea em Londres desenvolveu o projeto e angariou um investimento inicial de £830 mil, proveniente de amigos, familiares e uma investidora chamada Carmen Busquets. Os contatos de Natalie com o universo da moda foram úteis para estabelecer a lista inicial de estilistas que estariam disponíveis no site, como Anya Hindmarch e Tamara Mellon (da grife Jimmy Choo), que foram os primeiros a concordar em participar. E para despertar o interesse de consumidoras que já tinham o hábito de frequentar as melhores lojas e conheciam todo tipo de novidade, Natalie achava que o site precisava oferecer atrativos que fossem além dos produtos, como por exemplo, uma equipe de consultores de moda, que ficasse a postos até aos domingos e embalagens luxuosas (elegantes caixas pretas com laços de seda) para entregar os produtos.


Finalmente no dia 10 de junho de 2000 surgia o site NET-A-PORTER, cujo nome era um trocadilho com a expressão francesa “Prét-à-Porter” (“pronto para vestir” em português), muito popular no mundo da moda. NET-A-PORTER estreou com um formato diferente dos comércios online da época. Era uma espécie de revista em formato de site, com editoriais e matérias, onde os usuários podiam clicar para comprar os produtos de grifes consagradas e estilistas descolados. Um dos impulsos iniciais para que a NET-A-PORTER se tornasse conhecida e popular entre as consumidoras abonadas aconteceu quando a edição americana da revista Vogue declarou que o site era “a mais nova butique de luxo do mundo”. Nos anos seguintes várias outras grifes de luxo, que inicialmente tinham resistência em relação ao modelo de negócio da empresa, passaram a oferecer seus produtos na NET-A-PORTER. Inclusive algumas dessas grifes, como Stella McCartney, Yves Saint Laurent e Alexander Wang, passaram a desenvolver produtos específicos somente para vendas no site.


Em uma década, a NET-A-PORTER se transformou em uma loja que nunca fechava, sem fronteiras geográficas, que conectava e inspirava milhões de consumidores globais preocupados com estilo, oferecendo acesso para as mais renomadas grifes do mercado de luxo. Durante esse período, a empresa investiu muito dinheiro em logística e distribuição, o que possibilitou vender e entregar seus produtos em vários outros países ao redor do mundo. Além disso, ampliou a oferta de produtos com cosméticos e perfumes. Por isso, passou a ser conhecida como “Amazon de Luxo”, em virtude do seu tamanho e influência no setor. Em abril de 2010, o conglomerado suíço Richemont, que detém marcas de luxo como Cartier, Chloé e Montblanc e tinha uma participação na empresa, comprou o restante das ações de Natalie, que continuou trabalhando na NET-A-PORTER. Pouco depois, em 2011, a empresa lançou a versão masculina do site, batizada de Mr Porter.


A NET-A-PORTER continuou crescendo e, em 2013, oferecia produtos de mais de 350 marcas, atraiu mais de dois milhões de visitantes mensais e alcançou um gasto médio de £500 por cliente. Além disso, a empresa lançou sites locais na Alemanha, China e França. Em julho de 2014, o site lançou uma seção de roupas esportivas, batizada de Net-a-Sporter. Tanto sucesso começou a despertar o interesse de outras empresas. Finalmente no mês de março de 2015, o grupo italiano Yoox, que desenvolveu um modelo de negócio online baseado em revenda de itens não vendidos de grandes grifes, como Dolce & Gabbana, Giorgio Armani e Roberto Cavalli com desconto, confirmou a aquisição da londrina NET-A-PORTER por US$ 775 milhões. O negócio criou a maior varejista online de bens de luxo do mundo. Com isso, Natalie Massenet deixou a empresa que havia criado á 15 anos.


Com mais de uma década no mercado, a ideia inicial se desdobrou em outras, para atender aos homens, para vender produtos em ofertas, para ajudar o cliente a decidir a compra junto com qualquer outra pessoa que estiver online, em qualquer lugar do mundo. Tudo isso com a comodidade de receber na porta de casa peças das grifes mais desejadas do planeta. Atualmente a NET-A-PORTER oferece, de modo exclusivo, conteúdo, comércio online, aconselhamento e comunidade. Oferece até uma revista semanal online com os últimos lançamentos do site. Há também comentários de pessoas, feedbacks de clientes, observações e sugestões. Suas clientes são pobres em tempo e ricas em dinheiro. Quando elas não possuem tempo para comprar, querem os melhores produtos entregues de forma eficiente por sua fonte mais confiável. Embora o público-alvo seja o feminino, os homens também têm um papel importante para a varejista online. O “serviço de Papai Noel” da NET-A-PORTER envia emails aos homens que “assinam os cheques”, informando que suas parceiras acabaram de identificar um item desejado.


A evolução visual 
O logotipo da marca passou por pequenas alterações na tipografia de letra ao longo de sua história. Outra mudança ocorreu com a retirada do “.com” de sua identidade visual.


Dados corporativos 
● Origem: Inglaterra 
● Fundação: 10 de junho de 2000 
● Fundador: Natalie Massenet 
● Sede mundial: Londres, Inglaterra 
● Proprietário da marca: Yoox Net-A-Porter Group S.p.A. 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Federico Marchetti 
● Presidente: Alison Loehnis 
● Faturamento: US$ 1.2 bilhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: 170 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 2.500 
● Segmento: Comércio online 
● Principais produtos: Roupas e acessórios de luxo, joias, cosméticos e perfumes 
● Concorrentes diretos: Asos, Farfetch, Amazon e lojas de departamento de luxo 
● Ícones: As elegantes caixas pretas com laços de seda 
● Slogan: The world’s premier online luxury fashion destination. 
● Website: www.net-a-porter.com 

A marca no mundo 
Atualmente a NET-A-PORTER vende online roupas, acessórios, cosméticos, perfumes e lingeries de aproximadamente 500 grandes marcas de luxo para mais de 170 países ao redor do mundo. A marca oferece uma experiência de compra perfeita, embalagens de luxo, retornos fáceis e uma equipe de atendimento ao cliente multilingue, disponível 24 horas por dia, 365 dias por ano. A empresa garante entrega rápida no mesmo dia em Londres, Nova York e Hong Kong, além de entrega em 24 horas no Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, França, Austrália e Cingapura. Com uma audiência mensal de 6 milhões de consumidores, a empresa fatura anualmente mais de US$ 1.2 bilhões. A NET-A-PORTER tem como principais concorrentes as grandes redes de lojas de departamento de luxo como Harrods, Bergdorf Goodman, Barneys New York, Galeries Lafayette, entre outras. 

Você sabia? 
Em 2009, Natalie Massenet recebeu o título de Membro da Ordem do Império Britânico (MBE) e, em 2016, foi agraciada com o título de Dame Commander of the Order of the British Empire, ambos em reconhecimento à sua contribuição à moda e à indústria de vendas a varejo do Reino Unido. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Isto é Dinheiro, Época Negócios, Elle e Exame), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 17/8/2017

10.8.17

RED WING SHOES


Há mais de um século a RED WING SHOES é uma das melhores e mais respeitadas fabricantes de botas e calçados do mundo. Durante esse período, o compromisso de alta qualidade e durabilidade por trás de cada calçado, fez com que a marca estivesse nos pés de mineradores, vaqueiros, lenhadores, operários, caçadores e motociclistas, que literalmente “construíram a América”. O que um dia foi uma bota para trabalho pesado hoje é também perfeita no guarda roupa de qualquer um. Mas não se engane. Até mesmo as botas e calçados da linha casual são feitos para durar. 

A história 
Tudo começou em 1905 quando o imigrante alemão e habilidoso vendedor de sapatos Charles H. Beckman, juntamente com mais 14 investidores, fundou uma fábrica de calçados na pacata cidade de Red Wing, estado americano do Minnesota. Inicialmente a pequena empresa produzia botas para a indústria de mineração local, pois seus trabalhadores necessitavam de calçados resistentes e seguros para enfrentar o árduo trabalho. A primeira bota da marca foi vendida por US$ 1.75. Esse primeiro modelo (work boot original) era feito em couro e combinava cadarço e fivelas para ajustes no encaixe. As botas eram (e ainda são) produzidas em parceria com o curtume S.B. Foot Tanning, que opera desde 1872. Hoje, ele pertence à própria RED WING SHOES (foi adquirido em 1987), para desenvolver seus couros especiais.


Devido à alta qualidade de suas botas o sucesso não demorou e rapidamente a RED WING SHOES se tornaria para qualquer cidadão norte-americano, mesmo os que viviam em grandes cidades, sinônimo de calçados resistentes e duráveis. Com dez anos de existência a empresa já produzia mais de 200 mil pares de calçados por ano. A empresa mudou radicalmente seu foco durante a Primeira Guerra Mundial, passando a produzir coturnos de couro para os soldados americanos, tornando-se um dos principais fornecedores de calçados militares. O término da guerra gerou um boom na economia e atividades industriais americanas, aumentando muito a demanda por calçados de trabalho. Foi então que a RED WING SHOES expandiu sua linha de produtos e começou a fabricar calçados para cada tipo de profissão. O catálogo então contava com botas para carteiros, fazendeiros, lenhadores, eletricistas, operários e até para trabalhar em plataformas de petróleo (lançada em 1920). Em 1926 a marca lançou sua primeira bota feminina, conhecida como Gloria. O logotipo alado da marca apareceu pela primeira vez em 1928.


Se a década anterior tinha sido excelente para a empresa, a Grande Depressão que assolou os Estados Unidos deixava claro que a década de 1930 seria muito difícil. A contração da economia quase acabou com o mercado de botas, e a RED WING SHOES respondeu com a produção de modelos mais baratos. Foi lançada então a No.99 Boot, que nunca apareceu nos catálogos oficiais da marca. Essa bota era vendida por apenas 99 centavos (o que seria mais ou menos US$ 15 nos valores de hoje). Apesar das dificuldades econômicas do país, a década também foi marcada por grandes lançamentos, como por exemplo, a Billy Boot, uma bota infantil para os aventureiros e escoteiros mirins. Essa bota tinha um bolso lateral para canivetes e virou uma campeã de vendas. Foi em 1934 que a marca lançou sua primeira bota com biqueira de aço, inaugurando uma nova era na segurança do trabalho. Essa década também assistiu ao aparecimento do estilo Engineer Boots, botas sem cadarço para motociclistas.


Durante a Segunda Guerra Mundial a empresa novamente voltou sua produção para os coturnos militares. A empresa produziu desde botas de paraquedista aos coturnos tradicionais estilo “boondocker”, o design mais icônico de botas da Segunda Guerra Mundial. Outra inovação para manter a fábrica produzindo e combater a crise durante a guerra foi a venda móvel (Mobile Shoe Sales), onde a própria RED WING levava os calçados e botas até as fábricas, atendendo os clientes sem intermediários. O verdadeiro sucesso global da marca começou em 1950 com o lançamento da linha The Irish Setter Sport Boots, inicialmente com o modelo Red Wing 854, uma bota especialmente desenvolvida para caçadores. Essa linha tinha esse nome como uma referência ao cachorro da raça Setter Irlandês, cujos pelos eram da mesma cor do couro das primeiras botas. O couro era tingido usando um extrato de casca de sequoias gigantes da Califórnia.


Mas o sucesso da Irish Setter atingiria seu auge em 1952, mesmo ano em que o logotipo da linha surgiu e cuja inspiração foi um verdadeiro cão setter irlandês chamado “Red Mike of Doxmoe”, com o lançamento do modelo “moc toe” Red Wing 877 (usado por Jack Nicholson no clássico filme Um Estranho no Ninho). Essas famosas botas com solado branco tinham o nome “moc toe” em referência ao design do bico. A costura em “u” lembra a construção mocassim. O objetivo dessas botas de cano alto eram elevar a altura da costura e assim dificultar a entrada da água. Essa bota de cano mais alto foi vendida inicialmente como um calçado esportivo (para caçadores e pescadores), mas fez enorme sucesso entre os fazendeiros. Essa clássica bota provou ser uma companheira ideal, proporcionando durabilidade e conforto para quem estava nas fazendas e nas fábricas. Uma história conta que a sola branca foi desenvolvida para os fazendeiros e caçadores. O desenho da sola não tinha ranhuras proeminentes para evitar o acumulo de terra e outros resíduos. Mas também, fez surgir uma anedota: dizem que a sola branca era para as esposas baterem o olho e mandar o marido limpar antes de entrar em casa. A versão de cano mais baixo (conhecida como modelo 875) veio logo em seguida quando o mercado industrial pediu uma versão mais baixa, pois não precisava da mesma proteção contra os elementos que fazendeiros e caçadores necessitam. Foi o modelo “moc toe” que transformou a RED WING SHOES em uma das marcas de botas mais conhecidas dos Estados Unidos, ajudando a marca a se estabelecer na Europa e depois no Japão, um de seus maiores mercados.


Outra novidade da década foi a bota Pecos, lançada em 1953. Esse modelo combinava durabilidade e conforto com o estilo das botas country. Além disso, em 1956, foi apresentado o modelo 898, primeira bota a se caracterizar pelo isolamento, que foi muito apreciado pelos caçadores que passavam longas horas em condições de frio. Ainda nos anos de 1950, a empresa iniciou a inauguração de lojas próprias, ingressando no varejo de calçados. A década seguinte tem início com o lançamento em 1963 do modelo RED WING 888, bota que apresentava couro de canguru verde e era embalada em uma caixa revestida de vinil. Essas botas eram vendidas com um par de meias e uma lata de produto para realizar a manutenção do couro. Em 1964, para atender a alta demanda por seus calçados e botas a empresa inaugurou uma segunda fábrica, muito próximo da original. No final da década, em 1968, foi lançada a primeira bota da linha Irish Setter com couro impermeável. Os solados também ganharam melhorias com o modelo chamado SuperSole®, que tinha a sola presa ao cabedal através de um processo que prometia durabilidade e conforto bem superiores. As inovações continuaram nos anos seguintes, como por exemplo, em 1986 com o lançamento da bota 855, cujo couro de camada dupla proporcionava total impermeabilidade.


Nos anos de 2000 os japoneses resolveram encomendar um modelo especial que replicava o couro e os detalhes de uma tradicional bota RED WING da década de 1950. O sucesso foi tanto que o mercado japonês começou a pedir mais modelos antigos do catálogo da marca. Os clientes desejavam usar essas botas, não para o trabalho, mas como complemento de estilo (lifestyle). A empresa viu neste episódio uma grande oportunidade de negócios e, em 2008, lançou a RED WING HERITAGE, responsável por recriar as botas mais clássicas na história da marca. Essa linha oferece botas tipo coturno, chelsea, desert, moc toe, entre outras. Nos últimos anos a RED WING diversificou sua linha de produtos de couro com o lançamento de cintos, luvas, carteiras e malas, além de acessórios como meias, palmilhas e produtos para conservação dos calçados. Além disso, apresentou tecnologias inovadoras para suas botas, como por exemplo, em 2013 com a RPM™, um material compacto que reduz significativamente o peso da bota, ao mesmo tempo em que aumenta o conforto e a durabilidade extrema. Uma das mais recentes novidades da marca, lançada em 2015, é a bota de caça de borracha Rutmaster 2.0, com tecnologia ExoFlex™, uma combinação inovadora de design e materiais, tornando-a fácil de colocar e tirar.


Apesar de ter globalizado sua operação, mais da metade das botas RED WING ainda são feitas em território norte-americano, com materiais e componentes locais, contando inclusive com o próprio curtume. A tecnologia e os requerimentos dos ambientes de trabalho pesado mudaram, e a marca acompanhou esse movimento com botas mais modernas sem deixar para trás seu rico passado. Com botas e calçados marcados pela longevidade e atemporalidade, elas provam que a qualidade do produto e a satisfação dos clientes nunca saem de moda. Hoje em dia, a RED WING SHOES tem como principal mercado as botas de segurança e botas para trabalho pesado. A tecnologia dos calçados evoluiu bastante desde o lançamento da primeira bota da marca e atualmente atendem características específicas para cada profissão de risco.


O ícone 
A bota RED WING IRON RANGER é talvez o miar ícone da marca. Tem esse nome em homenagem aos moradores de uma região chamada “Mesabi Iron Range”, uma área montanhosa e remota ao norte do estado de Minnesota, muito rica em minério de ferro. E foi justamente lançada na década de 1930 para os mineradores com o nome de Style No. 8111 Iron Ranger. A principal característica do modelo é um detalhe utilitário para garantir a durabilidade necessária. A camada dupla de couro no bico, costurada com duas camadas de pontos duplos é uma antepassada das biqueiras de aço. A parte de trás da bota também é reforçada por uma camada extra de couro que firma o calcanhar e o tornozelo. O bico é bem arredondado e relativamente alto. O cano tem uma inclinação super característica dessa bota. Já o tipo de couro é o “Amber Harness”, feito especialmente para a empresa, em seu curtume próprio. É um couro grosso, maleável e bastante oleado para garantir muita impermeabilidade.


A evolução visual 
O tradicional logotipo da marca, adotado oficialmente em 1928, passou por pequenas mudanças ao longo dos anos.


Os slogans 
Built to fit. Built to last. 
Work is Our Work. 
Hand crafted, purpose-built boots made with pride.


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 1905 
● Fundador: Charles H. Beckman 
● Sede mundial: Red Wing, Minnesota, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Red Wing Brands of America Inc. 
● Capital aberto: Não 
● CEO: David Murphy 
● Faturamento: US$ 750 milhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 500 
● Presença global: 110 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 2.000 
● Segmento: Calçados 
● Principais produtos: Botas e sapatos 
● Concorrentes diretos: Wolverine, CAT, Oak Street, Dr. Martens, Alden, Timberland e L.L. Bean 
● Ícones: A bota Iron Ranger 
● Slogan: Built to fit. Built to last. 
● Website: www.redwingshoes.com 

A marca no mundo 
Atualmente a RED WING SHOES, que produz calçados para caça, trilhas e trabalho pesado, esta última linha inclusive atende as especificações de segurança da legislação dos Estados Unidos e Canadá, além de uma linha lifestyle, comercializa seus produtos em mais de 110 países ao redor do mundo. A marca tem uma rede de lojas próprias com mais de 500 unidades em vários países. A empresa possui duas fábricas principais, localizadas em Potosi, estado do Missouri, e em Red Wing, estado do de Minnesota, nesta última são produzidos diariamente 5.000 pares de botas. 

Você sabia? 
O nome e o logotipo da marca são homenagem a cidade e a um índio norte-americano chamado Red Wing, líder dos habitantes originais do território ao redor do rio Mississippi. 
Boa parte das botas da marca é feita com a construção “Goodyear Welted”, também conhecida como palmilhada. Essa é a maneira mais resistente de se fazer uma bota. São várias camadas e costuras para garantir conforto e durabilidade. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 10/8/2017

3.8.17

O'NEILL


Uma lenda entre os surfistas. Uma das marcas mais poderosas do mundo do surfe. Inovadora e ousada, assim como seu criador, a O’NEILL conquistou milhões de fãs ao longo das mais de seis décadas. Baseada na mítica história e imagem de Jack O’Neill, a marca americana se tornou presença garantida nos maiores picos de surfe do mundo. 

A história 
Para contar a história de uma das marcas mais influentes no mundo do surfe, é preciso conhecer um pouco quem foi seu criador. Jack O’Neill nasceu no dia 27 de março de 1923 na cidade de Denver, estado do Colorado, cresceu no sul da Califórnia e começou a praticar bodysurf (surfe de peito, considerado a mais pura forma de surfe e talvez a primeira de todas) aos sete anos de idade. Já radicado na cidade de San Francisco, trabalhou como pescador e vendeu alumínio e extintores, entre outras coisas. Em suas horas livres, Jack não resistia e ia para o mar para se divertir, independentemente da temperatura da água, que nesta região da Califórnia, mesmo no auge do verão, era congelante. Com base na sua experiência enquanto piloto da Marinha dos Estados Unidos, nos anos de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, Jack começou a experimentar vários materiais para que os surfistas como ele pudessem proteger o corpo das temperaturas mais frias do Oceano Pacífico e manter-se dentro de água durante mais tempo. Depois de vários experimentos, optou pelo neoprene (que até hoje é a principal matéria-prima das roupas de borracha), usado pela Marinha Americana para produzir coletes salva-vidas.


Jack conseguiu pela primeira vez desenvolver técnicas de costura e colagem que permitiram fazer algo parecido com um colete, ainda muito rústico. Foi o primeiro passo para a invenção do que chamamos de roupa de borracha (wetsuit), um produto que revolucionou o surfe, o mergulho, a natação em águas abertas e quase todos os esportes praticados na água. Era o momento de se tornar empresário. Finalmente no ano de 1952, Jack abriu a sua primeira loja especializada em equipamentos para a prática de surfe, considerada por muitas a primeira a ostentar o nome Surf Shop no mundo. A pequena loja estava localizada em uma modesta garagem em frente à praia de Ocean Beach em San Francisco e vendia pranchas, parafina, além é claro dos rústicos coletes de neopreme. Rapidamente o modesto surf shop se tornou um local de encontro para vários surfistas da região, principalmente depois que começou a alugar pranchas em 1958.


No final da década, em 1959, ele inaugurou sua segunda loja de surfe, já batizada como O’Neill’s Surf Shop, em Cowell Beach, na cidade de Santa Cruz, mais ao sul da Califórnia, onde a água era mais quente e as ondas melhores. No início dos anos de 1960 começou o “boom” do surfe nos Estados Unidos, e com ele a necessidade cada vez maior dos surfistas terem um wetsuit. Foi então que Jack conseguiu resolver dois problemas: impedir que o neoprene se rasgasse e tornar os trajes mais fáceis de vestir e despir, através da introdução de um forro de náilon, bem como da costura em ziguezague. Mas foi apenas em 1970 que apresentou a primeira roupa completa (wetsuit). Acolhida pela comunidade surfista com desconfiança, rapidamente a roupa fez sucesso no mercado, sob o mote publicitário: “É sempre verão aqui dentro” (em inglês “It’s always summer on the inside”). Para promover o seu produto, ele próprio percorria todas as feiras e fazia exibições, vestindo os seus filhos com as roupas de neoprene e fazendo-os mergulhar em água gelada.


A figura mítica de Jack atrelada à marca teve início em 1971, quando ele perdeu a visão do olho esquerdo em um incidente com o leash (corda elástica que une a prancha ao tornozelo do surfista) que o atingiu, depois de rasgar. Ironicamente foi seu filho, Pat, que criou o leash no ano anterior. A imagem de Jack com a pala no olho e a longa barba ao jeito de um pirata, ou até com ar de Poseidon, Deus dos mares, tornou-se parte indelével da marca. Nesta época a marca O’NEILL, que também lançou as tradicionais botas de neopreme, começava a se tornar um império internacional no mundo do surfe, e Jack contratava gestores de renome para poder passar mais tempo surfando em Santa Cruz. Antes dos anos de 1980, a O’NEILL já tinha se tornado uma das maiores produtoras de roupas de neoprene do mundo e a marca estava espalhada pelas praias da Austrália, Europa, Japão e outros locais. E graças a Jack e sua marca, os surfistas tiveram acessibilidade para surfar quando e onde quiser, independente das condições da água.


O filho de Jack, Pat O’Neill, teria um papel importante e fundamental, em meados dos anos de 1980, ao assumir a posição de diretor executivo da marca, com muita influência na criação e construção do Team O’Neill (atletas patrocinados), que ao longo dos anos contou com nomes como Shaum Tomson, Dane Kelahoa, Shane Beschen, John John Florence, e mais recentemente Cory Lopez, Jordy Smith, Honolua Blomfield, entre outros. Por isso, credita-se a O’NEILL a criação do conceito de equipe de surfe, ainda em 1964. Nesta época a marca lançou suas primeiras Rash Guard, camisetas justas de Lycra para a prática do surfe, que mantém a temperatura do corpo e ajuda a reter o calor. Nos anos seguintes, a marca ampliou sua linha de produtos com o lançamento de sandálias de praia, biquínis, toalhas, óculos, bonés, mochilas, além de linha de roupas e calçados. Além disso, a marca iniciou a abertura de lojas próprias.


A década de 1990 também foi marcada pelo lançamento do primeiro wetsuit com vedação vulcanizada. Outra inovação lançada pela marca ocorreu em 2003, com a bermuda sem costura. Somente em 2010, a O’NEILL ingressou oficialmente no mercado brasileiro. Um de seus produtos mais populares é a linha de bermudas Hyperfreak, fabricadas a partir de um tecido exclusivo (que promove elasticidade, conforto e secagem rápida) e que não tem costura interior, o que inibe assaduras.


Com mais de 60 anos de uma rica história de inovação, a O’NEILL continua desenvolvendo sua reputação autêntica através de produtos de alta qualidade e tecnologia. Extremamente conhecida pelo uso de tecnologias e materiais de primeira a marca continua liderando o mercado de surfe em várias categorias. Afinal, da criação das primeiras roupas de neoprene e leashes, à primeira bermuda de surfe sem costura do mundo, passando por produtos de snowboard, a intenção da O’NEILL é estender o tempo do surfista dentro da água ou do snowboarder em contato com a neve.


Amor ao mar 
Quando uma marca como a O’NEILL se preocupa com o mar, só pode dar vida a uma coleção amiga do ambiente. Da Califórnia para o mundo, a O’Neill Active é uma coleção de roupas feita a partir dos plásticos recolhidos em várias praias e oceanos do mundo. Essa coleção é eco-friendly e integra a iniciativa global da marca, a O’Neill Blue – Our Ocean Mission, cujo objetivo é produzir roupas de surfe sustentáveis. Essa coleção combina matéria reciclada a materiais de desempenho, através de fios têxteis feitos a partir de plástico reciclado. Conta com sutiãs esportivos, bermudas, leggings, roupas de surfe e wetsuits: tem proteção a raios UV, secagem rápida e absorvente, e cores vibrantes.


A evolução visual 
A identidade visual da marca O’NEILL passou por algumas remodelações ao longo dos anos. O logotipo original da marca já continha como símbolo principal uma “onda quebrando” com um surfista. Anos depois o logotipo foi simplificado e passou a contar apenas com a “onda quebrando”. A principal mudança recente aconteceu em relação à tipografia de letra, que se tornou mais arredondada. O tradicional símbolo do logotipo, uma “onda quebrando”, também ganhou um design mais simplificado.


Os slogans 
UNREASONABLE expectations since 1952. (2015) 
First one in, Last one Out. (2008) 
The Original Since 1952. 
Cross the Line between Sanity and Madness.


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 1952 
● Fundador: Jack O’Neill 
● Sede mundial: Santa Cruz, Califórnia, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Logo International B.V. 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Pat O’Neill e Daniel Neukomm 
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 40 
● Presença global: 86 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 200 
● Segmento: Marcas esportivas 
● Principais produtos: Bermudas, wetsuits, camisetas, sandálias, calçados, pranchas e óculos 
● Concorrentes diretos: Reef, Billabong, Rip Curl, Quiksilver, Hurley e Rusty 
● Ícones: Os wetsuits 
● Slogan: UNREASONABLE expectations since 1952. 
● Website: www.oneill.com 

A marca no mundo 
Atualmente a marca comercializa sua linha de produtos, que engloba além dos famosos wetsuits, bermudas, biquínis, camisas, camisetas, calças, calçados, bonés, óculos e mochilas, em mais de 86 países ao redor do mundo. A marca possui uma pequena rede de 40 lojas próprias, localizadas principalmente nos Estados Unidos e Austrália. Apesar de ser uma marca que nasceu na praia, a O’NEILL também vende produtos para esqui e snowboard, principalmente óculos, jaquetas e calças. Desde maio de 2007 a marca O’NEILL pertence a Logo International B.V., empresa com sede na Holanda. 

Você sabia? 
Jack O’Neill foi introduzido no International Surfing Hall of Fame em 1991, e no Huntington Beach Surfing Walk of Fame no ano de 1998. A revista Surfer nomeou-o como um dos 25 surfistas mais influentes do século e, em 2000, recebeu o prêmio Watermen Achievement Award, por parte da Surf Industry Manufacturers Association. Um verdadeiro ícone no mundo do surfe, Jack O’Neill morreu no dia 2 de junho de 2017 aos 94 anos, de causa naturais, segundo informou a família. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek e Time), portais (Surf Total), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 3/8/2017

28.7.17

PRIMOR


Há quase seis décadas os produtos Primor são feitos para quem gosta de preparar comida saborosa, mas não abre mão da tradição. Por isso, a marca faz parte da história de milhões de famílias brasileiras. Afinal, a qualidade de cada produto combina demais com o carinho que elas põem em cada prato. 

A história 
Tudo começou quando a Samrig (S.A. Moinhos Rio Grandenses), uma empresa respeitada pelos gaúchos no segmento de farinha de trigo, após fazer pesados investimentos em uma fábrica de óleos e gorduras comestíveis, na cidade de Esteio (RS), resolveu lançar no mercado em 1958 o óleo de soja com a marca Primor. O óleo, comercializado em latas quadradas, nas cores verde e amarelo, foi o primeiro produto da nova marca e levou o nome Primor para além das fronteiras do Rio Grande do Sul. Depois de conquistar a liderança absoluta na região sul, chegou até o Rio de Janeiro. Pouco depois, em setembro de 1960, a marca expandiu sua linha com o lançamento da Margarina Primor, à base de soja e com formulação mais suave e saborosa do que as concorrentes, que rapidamente conquistou os consumidores brasileiros com seu sabor especial e seu preço super acessível. As embalagens (lata e tabletes) da margarina utilizavam o mesmo padrão xadrez verde e amarelo do óleo. Em 1967, o Óleo Primor foi lançado em São Paulo com uma enorme campanha publicitária que destacava as vantagens desse óleo refinado através de três latinhas mascotes (Don Juan, Pilantra e Paquerador) que personificavam as qualidades do produto. Para fechar a década, exatamente no dia 1 de outubro de 1969, a margarina Primor, que se tornaria o carro-chefe da marca, mudou de embalagem após meses de testes: a embalagem canoinha ficou conhecida como “a inviolável”, devido ao seu formato – era selada com um rótulo aplicado à quente, de forma a aderir firmemente às bordas do pote de plástico, porém de fácil remoção. Uma vez retirado, no entanto, o rótulo não colava mais, garantindo a certeza de inviolabilidade do produto.


Outra mudança de embalagem ocorreu em 1972, quando o Óleo Primor através de uma grande campanha publicitária apresentou a “Redondinha”, que se tornava mais fácil para manusear do que a retangular anterior. Em 1977, tanto o óleo quanto a margarina foram relançados no mercado. A embalagem destacava a folha e a flor da soja com a campanha “Cara nova, o mesmo tempero brasileiro”. A margarina ainda ganhou uma campanha especial com os atores Tarcísio Meira e Glória Menezes e o slogan “Primor: a margarina do Pão e da Glória”. 1982 foi o ano em que a margarina Primor se tornou líder do segmento no mercado nacional. No ano seguinte chegou ao mercado a Margarina Primor Cremosa. Já para os consumidores do norte e nordeste, a marca lançou uma novidade no segmento de óleos comestíveis: a lata de 500 ml. Muitos acontecimentos marcam a década seguinte. Em 1990, ocorreu o relançamento da margarina Primor Tradicional e a Primor Cremosa, que chegou à todo mercado nacional. Pouco depois, em 1992, foi lançada a Primor Forno & Fogão, uma margarina especial para uso culinário. Produzida com lecitina de soja especial, para reduzir os respingos durante a fritura dos alimentos, a nova margarina vinha em um cartucho de papelão com quatro tabletes de 100g. Em 1995 a marca trouxe uma grande novidade nos rótulos do Óleo Primor, que recebeu a informação “sem colesterol” (por ser produzido com matéria-prima 100% vegetal). Por fim, em 1998 o óleo passou a ser vendido em embalagem PET.


No início do novo milênio a marca Primor mostrou sua força e popularidade perante os consumidores. Isto porque em 2001, a Margarina Primor se consolidou como líder de vendas nas regiões norte e nordeste. Dois anos depois a marca lançou a linha de mistura para bolos em sete sabores diferentes: chocolate, coco, laranja, baunilha, milho, aipim e banana. Ainda este ano, foi lançada nas regiões norte e nordeste uma nova margarina Primor Cremosa, com fórmula mais resistente às altas temperaturas, porém sem perder a textura cremosa e suave. Em 2004, outra novidade chegou ao mercado: a maionese Primor nas versões regular e light, comercializadas em potes, bisnagas e sachês. Já o novo Óleo Primor, com 0% de gordura trans e que não deixava cheiro em frituras, foi lançado em 2005, mesmo ano em que a margarina light estreou no mercado. Ainda em 2005 foi lançada a gordura vegetal. Pouco depois, em 2007, as embalagens de toda a linha ganharam cores mais vivas e alegres, facilitando assim a identificação no ponto de venda. As informações nos rótulos ficaram mais visíveis. Nesse mesmo ano a Primor lançou no mercado o arroz regular e o parboilizado (em embalagens de 1 kg e 5 kg), primeiro produto da marca nesse segmento. Em 2008, quando completou 50 anos, Primor realizou várias ações para comemorar com seus colaboradores e consumidores de todo o Brasil. Em 2010, a Bunge, proprietária da marca Primor, foi a primeira empresa a incluir um selo com informações nutricionais nas embalagens de arroz.


No ano seguinte lançou o Arroz Primor Perfil Nobre, que é mais branco e soltinho para atender aos consumidores exigentes. Neste mesmo ano, a marca apresentou a linha de atomatados, com rigoroso processo de qualidade, da plantação à produção. Trata-se de uma linha premium, feita com tomates nobres. Em 2012, a linha de produtos foi ampliada com o Óleo Composto. Em 2014, a Primor estreou em mais uma nova categoria com o lançamento da farinha de trigo. O novo produto atendia à demanda das consumidoras por uma farinha mais branca, fina e solta – que ajuda a preparar bolos, pães, biscoitos e tortas com massas mais claras e leves – e chegou ao mercado em embalagens plásticas de um quilo, nas versões tradicional e com fermento.


Hoje em dia a linha de produtos Primor faz parte da mesa de milhões de donas de casa, que buscam produtos de qualidade e ótimo rendimento no preparo das refeições de todo dia. Afinal, o cuidado que Primor coloca em cada detalhe casa bem com a dedicação de milhões de consumidoras na hora de preparar aquele bolinho, aquele arroz soltinho, aquelas delícias que toda a família adora.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas remodelações ao longo dos anos. A primeira modificação ocorreu em 1977. Depois de passar por algumas modificações na década de 1990 e em 2003, no ano de 2005, a flor vermelha de soja, símbolo da marca desde 1977, se tornou amarela e adotou um novo design. O atual logotipo da marca foi adotado em 2011.


Os slogans 
Quem faz com capricho faz com Primor. (2016) 
Eu quero sempre mais, eu faço com Primor. (2015) 
Primor na sua mesa, sabor na sua vida. (2012) 
Deixa a vida mais feliz. (2011) 
Comida gostosa deixa o dia mais feliz. (2011) 
Leve alegria para sua mesa. (2007) 
Primor, transforma tudo de bom em melhor. (2003)


Dados corporativos 
● Origem: Brasil 
● Lançamento: 1958 
● Criador: Samrig (S.A. Moinhos Rio Grandenses) 
● Sede (nacional): São Paulo, Brasil 
● Proprietário da marca: Bunge Brasil 
● Capital aberto: Não 
● Presidente: Raul Padilla 
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: Não (presente somente no Brasil) 
● Segmento: Alimentos 
● Principais produtos: Margarinas, óleos, arroz e farinhas 
● Concorrentes diretos: Doriana, Qualy, Becel, Camil, Tio João, Dona Benta, Sol, Mazola e Liza 
● Slogan: Quem faz com capricho faz com Primor. 
● Website: www.primor.com.br 

A marca no Brasil 
Atualmente a marca PRIMOR, que pertence à multinacional holandesa Bunge, comercializa em todo o Brasil uma grande linha de alimentos composta por margarinas, arroz, atomatados, óleos de soja e gordura vegetal. A marca, extremamente popular na região nordeste (onde detém 1/3 do mercado de margarinas), também atua no segmento food service com produtos voltados para restaurantes, lanchonetes, hotéis e refeitórios industriais. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Embalagem Marca, Exame e Isto é Dinheiro), jornais (Meio Mensagem), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 28/7/2017