14.1.10

LE FIGARO

O LE FIGARO, jornal mais antigo da França, é uma verdadeira instituição da notícia por sua credibilidade e independência. Por suas páginas, nomes como o filósofo Raymond Aron, o célebre escritor Marcel Proust e o ator Omar Sharif, utilizaram “suas canetas” para expor seus pensamentos e convições. Isto levou o LE FIGARO a ficar conhecido como “o jornal dos acadêmicos”, justamente por causa do grande número de imortais que nele escreveram.
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A história
O jornal foi fundado no dia 15 de janeiro de 1826 como um semanário de artes e literatura pelo cantor Maurice Alhoy e o escritor Étienne Arago, que mais tarde seria prefeito de Paris. Tomou seu nome das comédias de Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais que serviram de base para as óperas “As Bodas de Fígaro”, de Mozart, e “O Barbeiro de Sevilha”, de Rossini. Inicialmente o jornal tinha somente quatro páginas. Nos anos seguintes o LE FIGARO seguiu uma linha satírica e anticlerical, leve e impertinente. Foi censurado, impedido de circular, multado; um de seus redatores chegou a passar seis meses na prisão. Teve vários proprietários e uma circulação irregular. A nova etapa do LE FIGARO começou em 1854 quando ele foi adquirido por Hippolyte de Villemessant, que construiu as bases do jornal atual. Dono de várias publicações, fez dele um jornal audacioso, leve, de tendência conservadora e influente na política.
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Em 1856 passou a ser editado duas vezes por semana (quarta-feira e domingo) e a partir de 1866 começou a circular diariamente. O jornal sofreu processos de difamação. Teve redatores deportados ou feridos em duelo. Em 1875 vendia 65 mil cópias, das quais 40% fora de Paris. Fez oposição à Comuna de Paris e deu apoio às idéias monarquistas durante o início da III República. O LE FIGARO se tornou um dos principais jornais da França e um negócio próspero, com base nos anúncios classificados. Foi também o único jornal a mandar regularmente jornalistas às províncias e ao exterior. Dava a seus leitores uma dose diária de rumores e de escândalos. Quando Villemessant morreu, em 1879, um triunvirato assumiu o comando. O jornal se tornou mais moderado, menos cáustico, melhor informado, mais realista e aceitou o regime republicano. Sua vida era próspera e estável. Teve colaboradores de diversas tendências, de Emile Zola à Anatole France.
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Como a imprensa da época, o LE FIGARO complementava suas receitas com os fundos de embaixadas e homens de negócios para ter uma cobertura favorável. Em 1874 o jornal arrendou suas páginas de finanças à Banque Parisienne e recebeu dinheiro durante o “escândalo do Panamá”: 500 mil francos para o jornal e alguns jornalistas. O “caso Dreyfus” provocou uma das piores crises da história do jornal. O capitão Alfred Dreyfus, judeu, foi injustamente condenado como traidor. O episódio dividiu a sociedade francesa ao meio. Os círculos conservadores insistiam na culpabilidade de Dreyfus. LE FIGARO foi o primeiro jornal de peso a sair em sua defesa. Essa atitude provocou a indignação do público conservador. A tiragem caiu de 80 mil para 20 mil exemplares. O diretor teve que deixar o cargo. Gaston Calmette, secretário da redação e genro do presidente do conselho, assumiu o cargo de diretor-gerente em 1902. Ele fez mudanças: comprou rotativas, pagou as dívidas, modernizou o jornal. A circulação voltou a aumentar gradualmente. Em 1917, já em plena Primeira Guerra, aumentou para 43.500 exemplares diários.
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Pouco depois, em 1922, o LE FIGARO foi comprado por François Spoturno, conhecido como Coty, que se tornou bilionário no ramo de perfumes. Ele admirava Mussolini e o fascismo italiano e usou o jornal para promover suas idéias. Fez campanhas contra os impostos altos e denunciou as forças ocultas das altas finanças e do comunismo internacional em longos artigos demagógicos e primários. Manteve algum prestígio pela qualidade das páginas literárias e das colaborações acadêmicas. Durante a Segunda Guerra Mundial, o jornal se estabeleceu em Lyon, no Sul do país. A então proprietária, Madame Cotnaréanu, passou a guerra nos Estados Unidos. Pierre Brisson foi nomeado diretor geral. Para manter o jornal conseguiu um empréstimo de Jean Prouvost, conhecido como o “rei da lã” e empresário de imprensa. Como o LE FIGARO foi censurado, Brisson preferiu descontinuar a circulação em novembro de 1942. O jornal voltou a circular somente em agosto de 1944, com a entrada dos aliados em Paris, por iniciativa de Brisson. Ele não aceitou a interferência de Madame Cotnaréanu e seu marido, o que provocou longas batalhas legais. Finalmente, em 1950, eles chegaram a um entendimento.
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Foram formadas então duas empresas, uma proprietária do jornal, de Madame Cotnaréanu, e outra gestora, que cuidava da administração e da redação, em nome de Brisson e de seus “colaboradores imediatos”. Mas quando o LE FIGARO tomou posições contrárias às tendências conservadoras de seus leitores, como sua oposição à invasão de canal de Suez em 1956 ou ao referendo de 1964, convocado pelo presidente De Gaulle, a circulação despencou. Brisson teve que parar uma série de artigos de François Mauriac sobre o sultão do Marrocos: o elevado número de cartas de protesto provocou uma situação insustentável. Brisson morreu em 1964 e foi substituído por Louis-Gabriel Robinet. A redação não demonstrou muito respeito por ele. Começava uma tumultuada etapa para o jornal, que entrou em lenta decadência nos anos seguintes.
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Um dos novos proprietários, Robert Hersant, que comprou o LE FIGARO em 1975, investiu comprando máquinas novas e lançando vários suplementos. Um deles, “Le Figaro Magazine,”, foi um sucesso imediato. Era editado pelo romancista Louis Pauwels, que imprimiu uma linha editorial vigorosa e direitista. Ao ser lançado, com a edição dos sábados — na França, os jornais diários não saem aos domingos —, em 1978, sua circulação era de 380 mil exemplares. Em 1982 chegava a 620 mil. Também com a edição dos sábados, foi lançada a “TV Magazine” e, um sábado por mês, circulava “Madame Figaro”. Em meados da década de 80, enquanto a circulação média do jornal era de 460 mil cópias, aos sábados chegava aos 700 mil. O Jornal também teve igualmente bons resultados com um novo caderno diário, “Le Figaro Économie”, impresso em papel de cor salmão.
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Na década de 90, o LE FIGARO foi comprado por Serge Dassault, senador e dono da indústria aeroespacial fabricante dos caças Mirage. O novo proprietário garantiu a independência editorial e, em 2005, promoveu uma grande reforma no jornal: diminui a largura das enormes páginas em 3,4 centímetros e dividiu o LE FIGARO em três cadernos. A cor predominante era o azul. Ao apresentar o novo projeto gráfico, disse que o LE FIGARO seria um jornal “engajado, liberal e europeu”, aberto a opiniões diferentes das suas. Além disso, a nova linha editorial era descrita de maneira precisa no slogan do jornal durante uma campanha publicitária: “Em matéria de economia, somos pela liberdade das trocas comerciais. E também em matéria de idéia”.
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A linha do tempo
1929
Aparecem as primeiras palavras cruzadas.
1939
O jornal faz grandes reportagens sobre a Guerra da Etiópia, a Guerra Sino-Japonesa ou a Guerra de Espanha.
1946
Publicação do Littéraire, um hebdomadário gratuito e publicado fora do jornal, que no ano seguinte passaria a se chamar le Figaro Littéraire.
1978
Lançamento do suplemento do fim de semana Le Figaro Magazine.
1999
Desaparecimento do dezenho de Jacques Faizant da primeira página.
2005
No dia 3 de outubro o jornal muda de forma pela primeira vez em trinta anos: passa a ser publicado com título em azul e dois novos cadernos, um de economia e outro sobre lazeres, intitulado Et vous. A nova apresentação é vista pela direção como capaz de permitir a venda de mais espaços publicitários.
2008
Em junho o site do jornal ultrapassa o de seu principal concorrente, o também tradicional LE MONDE, tornando-se o primeiro site de informações gerais.
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Dados corporativos
● Origem: França
● Fundação:
15 de janeiro de 1826
● Fundador: Maurice Alhoy e Étienne Arago
● Sede mundial:
Paris, França
● Proprietário da marca: Socpresse Dassault Communication
● Capital aberto: Não (subsidiária)
● Diretor geral: Francis Morel
● Editor chefe:
Étienne Mougeotte
● Faturamento:
Não divulgado
● Lucro:
Não divulgado
● Circulação diária:
320.000 exemplares
● Presença global:
100 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários:
900
● Segmento:
Comunicação
● Principais produtos: Jornais
● Website:
www.lefigaro.fr
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A marca no mundo
Atualmente o tradicional jornal LE FIGARO, com tiragem diária de aproximadamente 320 exemplares, além da edição cotidiana, publica inúmeros cadernos e suplementos como o Le Figaro Économie, Figaro Réussir, Figaroscope, Le Figaro Magazine, Madame Figaro, TV Magazine, Mademoiselle Figaro e Le Figaro Patrimoine. O jornal, que possui uma edição internacional, é lido em mais de 100 países ao redor do mundo. Sua página da Internet é o principal site francês de notícias, com 6.6 milhões de usuários únicos por mês.
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Você sabia?
No dia 16 de março de 1914, Gaston Calmette, diretor do jornal, é assassinado por Henriette Caillaux, esposa do ministro das Finanças, acusado pelo jornal numa campanha de imprensa.
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As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).
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Última atualização em 14/1/2010

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