11.7.11

STEIFF

Quem nunca teve um companheiro de pelúcia quando criança? Quantas histórias e confissões não passaram por pequenas orelhas de pano? No que se refere ao mundo infantil, a marca alemã STEIFF se faz presente há mais de um século produzindo bichinhos de pelúcia que se tornaram os melhores companheiros de milhões de crianças de várias gerações.

A história
Falar em bichos de pelúcia é contar um pouco da surpreendente história da alemã Appolonia Margarete Steiff. Ainda na infância, foi diagnosticada com poliomielite, ficando com o braço direito e ambas as pernas paralisadas, o que a confinaram em uma cadeira de rodas. Independe disso, continuou a freqüentar a escola, concluindo a sua formação como costureira. Em 1874, seu pai transformou um espaço da casa numa pequena alfaiataria e com os primeiros lucros comprou uma máquina de costura. Margarete, juntamente com as irmãs, fundou o seu próprio negócio e começou a vender roupas e objetos para casa.


Em 1879, Margarete encontrou dentro de uma revista de moda um modelo para uma almofada de agulhas com a forma de um elefante. Decidiu, então, presentear a cunhada e algumas amigas com este prático acessório (para a época). O resultado foi diferente do planejado, porque seu sobrinho e os filhos de suas amigam queriam brincar com os animais de pano, na época recheados com feltro e extremamente macios. Nascia a idéia de fabricar bichos de pelúcia. Foi então que ela fundou em 1880 sua pequena empresa para fabricar os tais elefantinhos, que em seis anos venderam 5.000 unidades. De elefantes para ursos, foi uma questão de tempo. Ela então passou a desenhar os próprios modelos e em 1893, o catálogo da empresa incluía também macacos, cavalos, leões, porcos, ratos, cães e gatos.


Já em 1898 foi feito o primeiro urso, só que ele era imóvel, como os demais bichos que produzia. Em 1902, seu sobrinho Richard inventou um urso de pelúcia com braços e pernas que se moviam - o primeiro a ser feito assim. Este primeiro modelo foi batizado de Urso PB 55 (número que correspondia a sua altura de 55 centímetros). Mesmo sem acreditar no novo produto, Margarete concordou que a criação fosse apresentada na tradicional feira de brinquedos de Leipzig. O sucesso começou quando um comprador americano descobriu o tal urso e fez um pedido de 3.000 unidades. Pouco depois, em 1904, as vendas atingiram 12.000 unidades durante a Feira Mundial em St. Louis. Em 1906, os bichos de pelúcia já eram uma febre nos Estados Unidos. No ano seguinte, a empresa já contava com 400 funcionários e produziu mais de 1.7 milhões de brinquedos, incluindo 970 mil ursinhos de pelúcia.


Apesar de Margarete ter morrido em 1909 aos 61 anos, nesta época a marca STEIFF já era sinônimo de ursos de pelúcia da mais alta qualidade. Nas décadas seguintes os tradicionais bichos de pelúcia da marca foram introduzidos em vários outros países ao redor do mundo. Além disso, ganharam vários apetrechos, desde roupas até chapéu. Nos anos 60 eles se tornaram objetos de desejo para inúmeros colecionadores, fazendo com que a empresa passasse a dar maior atenção a este segmento tão lucrativo. Outro segmento explorado pela empresa alemã foi o lançamento de coleções específicas para comemorações de datas importantes, como por exemplo, as festas de final de ano. A importância dos colecionadores para a marca alemão é tamanha, que segundo um porta-voz da empresa, apenas a metade dos ursos Teddy destina-se a alegrar os baixinhos. Nos Estados Unidos e Japão, eles são vendidos quase que exclusivamente para adultos. Outras novidades lançadas pela empresa na época foram os mascotes de várias universidades americanas em pelúcia.


Em 2005, para comemorar 125 anos no mercado, a marca alemã lançou uma versão de luxo (limitada) do urso de pelúcia. O “Steiff 125 Karat Teddy Bear” foi produzido com fios de ouro, nariz também em ouro e olhos de safira em ouro 18K cercado por 40 diamantes. Como nem todo brinquedo é barato, os interessados em uma das 125 peças pagaram R$ 80 mil pelo companheiro de pano, que incluía um pacote turístico de 3 dias com hotel de primeira classe na cidade de Ulm, visita ao Museu Steiff e um jantar de gala na casa onde nasceu Margarete Steiff. A paixão pelos tradicionais ursinhos da marca alemã é tanta que existe um clube oficial para seus clientes, batizado de STEIFF CLUB, onde mais de 55.000 membros recebem informações, convites para eventos, revista, brindes, descontos e acesso a edições limitadas de seus produtos.


O ícone
O principal símbolo de identificação da marca surgiu no ano de 1904, quando Franz Steiff, outro sobrinho de Margarete, resolveu diferenciar os produtos da marca da falsificação afixando um pequeno botão com um elefante estampado em relevo na orelha esquerda de cada bicho de pelúcia produzido. Era o surgimento do “Knopf-im-Ohr” (em inglês “Button-in-Ear”). Os ursos de pelúcia da marca, com membros longos e curvos e patas em forma de colher, passaram a ser imediatamente identificáveis pelo botão afixado na orelha esquerda, que pouco depois, em 1906, ganhou a marca STEIFF estampada.


O museu
O museu “Die Welt von Steiff” (em português “O mundo de Steiff”), localizado em Giengen an der Brenz, no estado de Baden-Württemberg e perto da cidade de Ulm, foi aberto ao público em julho de 2005 e conta um pouco da história da centenária empresa e de seus principais produtos (os originais sempre têm um botão pregado na orelha esquerda). Em uma área de 2.400m2, dividida em três andares, o visitante se reencontra com sua própria história. São em média três horas de visita, onde é possível observar o processo de manufatura dos bichos de pelúcia ao longo dos anos, bem como a casa onde nasceu a fundadora da empresa. O visitante é acompanhado em boa parte da vista por Knopf (urso anfitrião do museu) e sua companheira Frieda, sentados em uma cama nas nuvens. No museu de modelos históricos, a STEIFF não possui hoje nenhum exemplar de seu primeiro urso, de 55 centímetros de altura, do qual foram vendidas 3 mil unidades. Por isso, mostra uma réplica. Se o original existisse, valeria uma fortuna. Em meados do ano 2000, um exemplar do modelo sucessor, de 1904, foi leiloado por €127 mil. Uma loja oferece ainda uma gama completa de bichos de pelúcia e um bistrô convida o visitante para fazer uma pausa regada a delícias típicas da região. Crianças não pagam ingresso. Para adultos, o valor da entrada é de €8, o que não deixa de ser um convite tentador para aqueles que ainda guardam dentro do armário parte de sua história.


Dados corporativos
● Origem:
Alemanha
● Fundação: 1880
● Fundador:
Margarete Steiff
● Sede mundial: Giengen an der Brenz, Alemanha
● Proprietário da marca: Margarete Steiff Gmbh
● Capital aberto: Não
● CEO & Presidente: Martin Frechen
● Faturamento: Não divulgado
● Lucro: Não divulgado
● Presença global: 50 países
● Presença no Brasil: Não
● Maiores mercados: Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido
● Funcionários: 1.000
● Segmento:
Brinquedos
● Principais produtos: Bichos de pelúcia
● Ícones:
O botão pregado na orelha esquerda
● Slogan: Only the best is good enough for children.
● Website: www.steiff.de

A marca no mundo
Hoje em dia a STEIFF, que vende seus produtos em mais de 50 países ao redor do mundo, é uma marca sofisticada, associada ao alto preço e qualidade elevada de seus bichos de pelúcia, não apenas direcionados aos mais novos, mas também aos muitos e crescentes colecionadores que pagam verdadeiras fortunas pelos famosos “teddy bears” da empresa alemã. A STEIFF ainda disponibiliza comércio online para alguns países como Alemanha, Áustria, Estados Unidos, Suíça, Reino Unido e França. A marca não está apenas associada a bichinhos de pelúcia, comercializando também uma pequena linha de roupa para crianças. Anualmente a empresa produz e vende mais de 2 milhões de bichos de pelúcia, sendo mais de um terço ursos.

Você sabia?
Os tradicionais ursinhos de pelúcia da marca são vendidos a partir de €60 a versão mais básica, com 12 centímetros de altura. Alguns modelos de seus famosos ursos chegam facilmente a custar €350. As edições limitadas e para colecionadores ultrapassam os quatro dígitos.
O batismo com o nome de Teddy Bear se deu em homenagem ao presidente americano Theodor Roosevelt, que tinha se recusado, durante uma caçada, a abater um urso que estava amarrado. Logo depois, Roosevelt foi caracterizado, numa caricatura no jornal Washington Post, como Teddy, o amigo do urso. Outra versão conta que o dono de uma loja de Nova York se interessou pelo produto para decorar suas vitrines. O brinquedo, na verdade um urso, chamou a atenção de uma pessoa que procurava algo diferente para decorar a festa de casamento da filha do então presidente americano Theodoro Rooselvet, cujo apelido era Teddy. Ele lembrou também que o presidente era um grande caçador de ursos, fato esse que o motivou a comprá-los para enfeitar a festa. O presidente ficou tão encantado que chamou os ursos de pelúcia de “Teddy Bear”, provocando uma grande procura pelo produto nas lojas de brinquedos de todo o país.


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 11/7/2011

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