12.12.07

HAVANNA


Eles são pequenos e redondos. Recheados com doce de leite e cobertos de açúcar ou chocolate. Na Argentina é um produto de primeira necessidade, uma bomba calórica que virou obsessão de nossos “hermanitos” e de milhares de turistas das mais variadas nacionalidades. Assim como a carne e o couro, o alfajor HAVANNA é uma instituição nacional daquele país. 

A história 
Não, ele não é argentino, mas merecia ser. A história do alfajor, o doce mais tradicional da Argentina, tem origem na cozinha árabe. O doce nasceu em Andaluzia, e seu nome vem de “al-hasú”, que em árabe significa “recheado”. Originalmente produzido com amêndoas, mel e avelãs, chamou-se também “alaju”, e chegou às ruas espanholas como alfajor através da ocupação árabe na Península Ibérica em 1711. Ao atravessar o Atlântico em 1896, levado pelo químico francês Augusto Chammás, ganhou seu formato redondo, começou a ser produzido na Argentina e daí para frente, sofreu várias alterações, até chegar à receita atual.


A história da marca começou a ser desenhada no ano de 1939, quando o entusiasmo empreendedor de dois jovens amigos - Luis Sbaraglini e Benjamín Sisterna - se expandiu e pôde se converter no que hoje é um dos maiores ícones da cultura Argentina. Os dois começaram a produzir os alfajores Santa Mônica em uma modesta fábrica na cidade de Buenos Aires. Um de seus principais clientes era o proprietário de uma bomboniére - Demetrio Elíades - em Mar Del Plata, um charmoso balneário a cerca de 400 km de Buenos Aires, capital da Argentina. E de uma relação comercial muito boa nasceu uma forte amizade, que fez com que eles encarassem o desafio de abrir uma fábrica de alfajores em Mar Del Plata, na época a cidade balneária mais promissora do país, em plena expansão e desenvolvimento. Em 1947, através das mãos do mestre pasteleiro Toribio Gonzáles, a receita foi aprimorada e nascia assim os famosos ALFAJORES HAVANNA, feito à base de uma massa fina e delicada com recheio de doce de leite e cobertura de chocolate. O nome foi inspirado na capital de Cuba, isto porque um dos sócios foi proprietário de uma casa de show ao estilo cubano. Foi colocado mais uma letra N no nome apenas por uma questão de registro. Começava então a história de amor entre a Argentina e os alfajores da marca HAVANNA. Exatamente no dia 6 de janeiro de 1948 eles abriram sua fábrica e o salão de vendas, que no primeiro dia superou as expectativas.


Como um delicioso souvenir de Mar del Plata, os alfajores da marca HAVANNA se expandiram nacionalmente somente na década de 1980, quando a empresa iniciou a inauguração de quiosques. Até então, toda vez que alguém viajava à cidade balneária retornava para casa com o porta-malas recheados de alfajores para distribuir entre os amigos. Delícia argentina incontestável as caixas de alfajores HAVANNA se tornaram uma tradição entre os argentinos, que presenteavam amigos e familiares com as delícias açucaradas como forma de simpatia e amor. Com a expansão nacional, os argentinos puderam comprar os tradicionais alfajores HAVANNA em vários pontos de venda espalhados por diversas cidades do país.


Em 1995, a empresa abriu seu primeiro HAVANNA CAFÉ, espaços pequenos e aconchegantes, que mais se pareciam com “uma biblioteca forrada de alfajores”, no qual uma iluminação dramática, bem ao estilo argentino, dirigia os focos de luz para uma estante de madeira escura onde estavam os protagonistas recheados com doce de leite. Localizado em Buenos Aires, este primeiro café foi inspirado nas tradicionais cafeterias europeias, extremamente comuns na Argentina, visando uma permanência mais longa do consumidor no estabelecimento. Originalmente, uma empresa familiar, a HAVANNA foi comprada por US$ 85 milhões em 1998 pelo fundo de investimentos Exxel Group, que adquiriu marcas de prestígio como as operações da Kenzo e Ralph Lauren na América Latina.


Com uma gestão empresarial, a HAVANNA além de vender os mais tradicionais alfajores do país passou a ser conhecida como uma rede de cafeterias. Os alfajores também sofreram com a grande crise da Argentina em 2001. Nessa época, o presidente da empresa teve que ir a uma emissora de rádio defender as bolachas recheadas da HAVANNA, pois o público estava certo de que o diâmetro do alfajor havia diminuído. Foi uma polêmica nacional. Ao final, a marca conseguiu convencer os desesperados consumidores que a remodelação do maquinário para fazer alfajores menores daria um enorme prejuízo a empresa. Em novembro de 2003, deficitária, a empresa foi comprada pelo fundo de investimentos Desarollo y Gestión, que aos poucos sanou suas dívidas.


Foi neste período que a HAVANNA criou seu departamento de marketing, expandiu sua linha de produtos (hoje são mais de 150 itens) e começou uma forte expansão de sua rede de lojas, quiosques e cafés (cujo ambiente está sempre à uma temperatura de 24 graus para manter a qualidade dos produtos), inclusive para outros países do mundo, onde uma caixa de alfajores HAVANNA carrega uma herança familiar e a mais pura tradição argentina de fabricar um produto feito artesanalmente com carinho há mais de 65 anos. Além disso, a rede de cafeteiras desenvolveu novos produtos, como por exemplo, deliciosos frapês e lattes. E mais recentemente, em 2012, lançou a linha HAVANNA MINI, composta por três de seus maiores sucessos - alfajores, galletitas (bolachas) e Havannets - em miniaturas embaladas individualmente. Além disso, as cafeteiras ganharam uma nova linha de sanduíches, batizada de HAVANNA HAIREADO, com diversos recheios e servidos em pães redondos tostados.


Os produtos 
Apesar de ser mundialmente conhecida por seus irresistíveis alfajores, a HAVANNA produz inúmeras delícias: 
ALFAJORES - São essencialmente feitos com uma massa de farinha, açúcar, ovos e essências de limão e de amêndoas, recheada de doce de leite e coberta de chocolate. Parece simples, ainda mais sabendo que o doce de leite não é fabricado pela HAVANNA, mas encomendado com um fornecedor e o chocolate vem do Brasil. A diferença é o poder da marca, que permite aos seus alfajores custarem até 20% a mais que os concorrentes. Eles podem ser encontrados nos sabores nozes, doce de leite, merengue, chocolate, café e frutas, este último disponível somente na Argentina, além da versão em tamanho reduzido, conhecida como mini alfajor, extremamente popular nas companhias aéreas argentinas. Recentemente a marca introduziu o alfajor de cacau (duas bolachas recheadas com um suave creme de cacau e cobertas com o mais puro chocolate meio amargo). 
HAVANNETS - Cones de chocolate meio amargo ou branco recheados de doce de leite (espécie de merengues). É o segundo produto mais popular da HAVANNA depois dos tradicionais alfajores. 
GALLETITAS - Delicados biscoitos com diversos sabores e recheios como creme de limão com cobertura de chocolate, creme de avelã e creme de café com cobertura de chocolate meio amargo e chocolate branco, e mel e laranja com cobertura de chocolate. 
BARRITAS - Doce de leite em barras. Também possui doce de leite em potes. 
CORONITAS - Bombons em formato de coroa, recheados com doce de leite e cobertos com chocolate branco e chocolate ao leite. 
PANETONES - O tradicional doce recheado com doce de leite, doce de leite com frutas secas ou cristalizadas com chocolate. Este produto foi desenvolvido especialmente para o mercado brasileiro. 
CHOCOLATES - Bombons, trufas e barras de chocolates elaborados com ingredientes puros e selecionados. As barras estão disponíveis nos sabores chocolate ao leite, amargo, branco, avelã e amêndoas.


A fábrica 
Mesmo em meio à expansão internacional a principal fábrica da empresa, localizada até hoje em Mar Del Plata, mantém seu esquema meio industrial e meio artesanal de produção. Aproximadamente 22 senhoras, com média de idade de 50 anos, vestidas com uniformes brancos e blusas rendadas, revestem os alfajores com merengue um a um com uma espátula e o processo de embalagem não é totalmente mecanizado. Somente nesta fábrica são aproximadamente 200 funcionários trabalhando para produzir 750 mil alfajores por mês (no verão a produção chega a 1.2 milhões). Hoje em dia, os famosos alfajores, cuja receita é guardada em segredo pela empresa, ainda são feitos cuidadosamente em três fábricas: duas em Mar Del Plata e uma em Bariloche (esta produz ingredientes). Toda a produção é mantida nacionalmente para garantir a qualidade e os suspiros ao morder cada pedaço de um legítimo HAVANNA, que podem ser encontrados em seis variedades.


Dados corporativos 
● Origem: Argentina 
● Fundação: 6 de janeiro de 1948 
● Fundador: Demetrio Elíades, Luis Sbaraglini e Benjamín Sisterna 
● Sede mundial: Mar del Plata, Argentina 
● Proprietário da marca: Havanna Holding S.A. 
● Capital aberto: Sim (2016) 
● CEO: Alan Aurich 
● Presidente: Carlos Giovanelli 
● Faturamento: $ 843 milhões* (2015) 
● Lucro: $ 69.6 milhões* (2015) 
● Valor de mercado: US$ 130 milhões (agosto/2016) 
● Lojas: 310 
● Presença global: 11 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 2.000 
● Segmento: Alimentação 
● Principais produtos: Alfajores, doces e chocolates 
● Concorrentes diretos: Cachafaz, Abuela Goye, Bocana, Jorgito e Balcarce 
● Ícones: Os alfajores 
● Website: www.havanna.com.br 
* Valor em peso argentino. 

A marca no Brasil 
A empresa chegou oficialmente ao Brasil somente em 2006, com a inauguração em 28 de junho de sua primeira loja, um café localizado no sofisticado bairro dos Jardins, em São Paulo, e um quiosque no Shopping Iguatemi. Os alfajores HAVANNA já tinham sido temporariamente vendidos no Brasil através da rede Casa do Pão de Queijo em 1994. Alguns produtos das lojas brasileiras têm diferenças em relação aos encontrados na Argentina. É o caso do café, que é nacional; do brigadeiro de doce de leite; do milk-shake de café e doce de leite; e do panetone recheado com o doce de leite (vendidos somente nas lojas do Brasil). O sucesso foi instantâneo e não demorou muito para que outras lojas e quiosques fossem inaugurados pelo país. A partir de 2014, com a adoção do sistema de franquia, a expansão nacional foi acelerada. A marca trabalha com três modelos de negócio: quiosque, café quiosque e cafeteria. Hoje são 53 pontos de venda espalhados por aproximadamente 20 cidades.


A marca no mundo 
Hoje em dia, a HAVANNA possui mais de 310 lojas (incluindo cafés e quiosques) e está presente em outros 2.500 pontos de venda em 12 países (entre os quais Argentina, Brasil, Estados Unidos, Peru, Bolívia, Paraguai, Chile, Uruguai, Venezuela, México e Espanha). Somente a loja do aeroporto de internacional de Ezeiza, localizada em Buenos Aires, vende mais de sete milhões de alfajores por ano. A empresa vende anualmente mais de 120 milhões de alfajores. Mais de 15% de sua produção se destina ao exterior. 

Você sabia? 
Muitas de suas lojas na Argentina são sustentadas pelas compras de turistas brasileiros. 
Hoje existem mais de 150 fabricantes de alfajores somente na Argentina. Isto sem contar as marcas uruguaias. E a marca HAVANNA é uma das poucas a manter a forma artesanal na produção da iguaria. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Meio Mensagem e Valor Econômico), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 31/8/2016

2 comentários:

Anônimo disse...

ola, adoro seu blog e alfajores Havanna, os de nozes são divinos. Sugiro uma ajuste no link de www.havanna.au para www.havanna.com.ar
Um abracao, Gilberto.

alfajor disse...

Me encantan los alfajores. Les dejo un sitio muy completo con informacion. alli podán encotnrar la historia del alfajor, secretos de los alfajores, recetas para hacer alfajores de maicena, diferentes tipos de alfajor. Alfajor santafecino y alfajor cordobes. Marcas de alfajores milka, terrabusi, bagley, capitan del espacio, havanna y balcarce.
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