4.1.21

MONCLER


Temperaturas baixas, neve e climas severos. Essa é a principal passarela para a marca francesa MONCLER desfilar seus casacos cheios de estilo, quentes e resistentes. As doudounes, jaquetas acolchoadas forradas de plumas e que se tornaram a marca registrada da grife francesa, conquistaram milhões de consumidores endinheirados e já fazem parte do inverno há mais de seis décadas. 

A história 
A origem da badalada marca se deu em uma pequena cidade encravada nos exuberantes Alpes Franceses, Monestier-de-Clermont, de onde se origina a abreviação do nome MONCLER. Foi lá, perto da cidade de Grenoble, que no ano de 1952, o empresário André Vincent e o alpinista René Ramillon fundaram a empresa, que inicialmente produzia itens destinados a proteger os escaladores das intempéries climáticas, como sacos de dormir acolchoados, barracas com cobertura externa e um único modelo de capa com capuz para atender à popularidade emergente das férias nas montanhas. A MONCLER ainda era apenas a caçula das roupas de inverno, quando o premiado alpinista francês Lionel Terray já se rendia à qualidade da marca, adotando seus equipamentos para protegê-lo do frio em suas incursões pelas altas montanhas da Europa. A partir de então, passou a ser uma das marcas preferidas dos praticantes de montanhismo.
   

Mas a história da jovem empresa estaria prestes a mudar. Criadas em 1954 com a intenção servir de uniforme exclusivo dos funcionários da MONCLER, as míticas doudounes, jaquetas acolchoadas forradas de plumas, eram originalmente chamadas de boîte bleue, que significa caixa azul, por conta de sua modelagem quadrada. Assim a MONCLER criava os primeiros casacos acolchoados para proteger os trabalhadores do frio extremo das montanhas. Essas jaquetas eram tão resistentes ao frio que passaram a ser usadas como roupas de esqui. No mesmo ano, as jaquetas MONCLER foram escolhidas para equipar a expedição italiana ao K2, a segunda montanha mais alta do mundo. A expedição foi finalmente bem-sucedida, e os escaladores Achille Compagnoni e Lino Lacedelli se tornaram a primeira dupla a escalar o cume do K2 em julho de 1954. Por usarem MONCLER, a capacidade da empresa de produzir itens que podiam suportar condições adversas extremas foi reconhecida em todo o mundo. A marca começou então a equipar mais expedições internacionais, incluindo a jornada francesa ao cume do Monte Makalù, bem como se tornou o fornecedor oficial de expedições de montanhismo ao Alasca.
  

A MONCLER começaria a ganhar reconhecimento internacional somente em 1968 nos Jogos Olímpicos de Inverno em Grenoble, quando se tornou a fornecedora oficial de equipamentos esportivos para a equipe francesa de esqui alpino. O trabalho da marca com a seleção nacional francesa inspiraria diretamente sua linha masculina de alta costura, batizada de “Grenoble”, que estreou em 2010 durante a New York Fashion Week. Mesmo em seus primeiros anos, a MONCLER considerava a estética tanto quanto o desempenho. Um exemplo disso foi que ao longo dos anos de 1970, a marca pesquisou tecidos e acabamentos que pudessem replicar as propriedades reflexivas da neve. O resultado: o “efeito laqueado brilhante” - agora comum em suas jaquetas. Uma estrela em ascensão no cenário da moda parisiense nesta década, a estilista Chantal Thomass foi contratada para retrabalhar o visual da jaqueta clássica de penas. A estilista então substituiu os zíperes por botões e introduziu novos detalhes como enfeites de pele, forro de cetim e tecidos reversíveis para deixar os designs da MONCLER mais alinhados às tendências dos anos de 1980.
  

Ainda nos anos de 1980, com novas cores e modelagens, as jaquetas da MONCLER ganharam um toque mais contemporâneo e conquistaram não somente os desbravadores dos Alpes, mas também os moradores das cidades que estavam à procura de novas combinações para suas roupas de inverno. Acima de tudo, a moda MONCLER ganhou força pelo fato de trabalhar com produtos de qualidade e trazer novidades para o inverno, conquistando consumidores não apenas como um elemento de estilo de qualidade superior, mas também como verdadeiro clássico francês. Além das doudounes e jaquetas de matelassê, a MONCLER também passou a produzir parkas masculinas em tweed, ganhando adeptos que iam desde membros da realeza, como o príncipe Pierre de Mônaco, o ator Alain Delon, até artistas hollywoodianos, como Penélope Cruz e Javier Bardem. A marca inovou ainda ao incluir patches ou mesmo novas estampas no matelassê, tornando os casacos em acessórios de moda, mais divertidos e modernos.
  

Em 2000, a empresa lançou a coleção MONCLER ENFANT, composta por roupas de luxo e roupas de esqui para crianças. Apesar de todas essas novidades, a MONCLER se encontrava quase a beira da falência e lutando para crescer, e sofria com o surgimento de conglomerados de luxo e marcas de roupas esportivas para atividades ao ar livre. Em 2003 viria a salvação, quando o italiano Remo Ruffini comprou a empresa e se tornou seu novo diretor criativo, adotando a estratégia de focar no item mais icônico da marca - a jaqueta - e ampliando investimentos. A começar pela Moncler Gamme Rouge, linha de moda feminina administrada inicialmente pela designer Alessandra Facchinetti e que, mais tarde, em 2008, passou a ser desenhada por Giambattista Valli. Foi nesse mesmo ano que a grife lançou a Moncler Gamme Bleu, linha masculina assinada por Thom Browne. E foi exatamente trabalhando em conjunto com outros grandes nomes da moda que a MONCLER ganhou ainda mais destaque – caso das coleções Moncler V e Moncler S, sendo a primeira uma parceria firmada com o designer japonês Hiroki Nakamura.
  

Além disso, para ajudar a ampliar sua base de clientes, a MONCLER aumentou drasticamente sua presença no varejo dentro de renomadas lojas de departamento e com a inauguração de dezenas de lojas próprias em importantes cidades do mundo como Milão, Paris, Londres, Nova York, Beijing, Seul e Tóquio. A grife também uniu forças com Virgil Abloh para lançar a moda masculina Moncler x Off-White, combinando o espírito urbano e contemporâneo da marca americana com toda a tradição da grife francesa. Além destes nomes, a história da MONCLER reúne também trabalhos colaborativos junto a Fendi em 2006, Comme des Garçons em 2007, bem como a grife alemã de óculos Mykita, com a qual lançou os modelos de óculos de sol Achille e Lino no final de 2011 e nomeados assim como homenagem a Lino Lacedelli e Achille Compagnoni, os dois primeiros alpinistas que alcançaram, em 1954, o topo da K2, a segunda montanha mais alta do mundo.
   

Em 2013 Ruffini conseguiu abrir o capital da empresa e redefinir a marca para uma geração totalmente nova de consumidores. As mudanças de Ruffini nos anos anteriores impactaram acima de tudo nos resultados financeiros. Em 2017, a MONCLER ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 bilhão em faturamento. Neste mesmo ano, a MONCLER inovou ao lançar uma completa linha de roupas para cães em parceria com a Poldo Dog Couture, cujas peças foram desenvolvidas em tamanhos variados, para acomodar as diferentes raças, e desenvolvidas com o náilon laquê, o tecido tradicional da marca. Em 2018, a marca lançou o projeto MONCLER GENIUS, um novo modelo criativo e de negócios, no qual designers famosos criam coleções distintas que interpretam a identidade de MONCLER e são lançadas mensalmente. E qual o diferencial? Além do acabamento, design, tradição, tecnologia, a composição do forro é 100% em plumas de ganso e o exterior é em poliamida.
  

Hoje em dia, a MONCLER tem se destacado também em seus lançamentos para as coleções de primavera, quando pode se aventurar para além da tradicional moda inverno e trabalhar com novas tendências e um estilo esportivo mais descolado e urbano. É exatamente assim que a MONCLER segue provando que sabe se reinventar - apostando na versatilidade para manter seu espírito sempre relevante, não importa a estação do ano.
  

Ao longo de mais de 60 anos, a marca francesa deixou de ser fabricante de equipamentos de esqui de alto desempenho e passou a ser uma marca de luxo com seus cobiçados casacos. Além de seu legado e praticidade inerente, a MONCLER conseguiu uma façanha rara: transformar um emblema simples (representado pelo galo tricolor) em uma marca inegável de luxo.
   

A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas alterações ao longo dos anos. Foi por volta de 1968 que a MONCLER passou a adotar em seu logotipo o galo tricolor (um dos símbolos nacionais da França), que se tornaria um dos principais símbolos de reconhecimento da marca. A marca começou a usá-lo no logotipo após se tornar fornecedora oficial da equipe olímpica francesa de esqui. Esse logotipo seria modernizado, adotando as cores da bandeira da França e com o galo ganhando um design mais discreto.
  

Já a insígnia MONCLER (conhecida também como Stick), que pode ser vista em todas as jaquetas da marca, repete o logotipo da marca, mas é aplicada em uma figura arredondada com o nome da marca arqueado. Essa insígnia pode ser aplicada como mostrado na figura abaixo.
  

Dados corporativos 
● Origem: França
● Fundação: 1952 
● Fundador: André Vincent e René Ramillon
● Sede mundial: Milão, Itália
● Proprietário da marca: Moncler S.p.A.
● Capital aberto: Sim (2013) 
● CEO: Remo Ruffini 
● Faturamento: €1.62 bilhões (2019) 
● Lucro: €358.6 milhões (2019)
● Valor de mercado: €12.9 bilhões (janeiro/2021) 
● Lojas: 209 
● Presença global: 80 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 4.100 
● Segmento: Moda de luxo
● Principais produtos: Jaquetas, parcas, calças, luvas, mochilas e tênis 
● Concorrentes diretos: The North Face, Canada Goose, Columbia Sportswear, Patagonia, Millet, Arc’teryx, Pyrenex, Eddie Bauer e Marmot 
● Ícones: Jaquetas acolchoadas 
● Website: www.moncler.com 

A marca no mundo 
Atualmente a MONCLER vende sua sofisticada linha de produtos em mais de 80 países ao redor do mundo. A marca, que faturou €1.62 bilhões em 2019, possui 209 lojas próprias e ainda comercializa seus produtos nas mais sofisticadas lojas de departamento do mundo. 

Você sabia? 
Em dezembro de 2020 a MONLER comprou por US$ 1.4 bilhões a italiana Stone Island, marca popular entre celebridades, incluindo os artistas de hip-hop Drake e Travis Scott. Stone Island, fundada em 1982, já foi associada aos hooligans do futebol na Europa, antes de se transformar em streetwear de alta qualidade. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Elle, Vogue, BusinessWeek e Exame), sites de moda (Farfetch), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 4/1/2021

16.12.20

VIVIENNE WESTWOOD


Transgressora. Ousada. Polêmica. Irreverente. E acima de tudo, autêntica. Assim pode ser definida a marca e a moda da inglesa VIVIENNE WESTWOOD, a mais pura expressão da personalidade única de sua criadora. Roupas com motivos políticos, críticas sociais, temas eróticos, com abundância das cores preta e vermelha, couro, correntes e rasgos. Ao oferecer essa moda provocadora e despojada, mas com um toque de sofisticação, a marca se tornou uma das queridinhas do mundo da moda, também por seu caráter ativista. 

A história 
Nascida em 1941 em uma cidade rural de 1.500 habitantes na região de Derbyshire, a estilista inglesa Vivienne Isabel Swire (imagem abaixo) se mudou para Londres ainda jovem, aos 17 anos. Começou um curso na Harrow School of Art e, por acreditar que não tinha talento suficiente para as artes, largou a faculdade e virou professora de uma escola primária. Casou com seu primeiro marido, Derek Westwood, que lhe deu o sobrenome e o nome artístico mundialmente conhecido e adotado até os dias de hoje. Porém, foi somente após o divórcio e na segunda união, com o produtor e agente da banda Sex Pistols, Malcolm McLaren, que ela animou o mundo underground e se consagrou como a grande precursora do punk na moda. Isto porque, juntamente McLaren, ela inaugurou em 1971 sua primeira loja, a “Let it Rock” em King’s Road, na periferia de Londres e onde decolavam as novidades extravagantes da moda da época. A loja, que mudaria de nome várias vezes - (“Too Fast to Live, Too young to Die” e “Sex” seriam alguns) -, ainda está presente no número 430, com o nome de Worlds End.
   

A loja inicialmente vendia os antigos LPs de música, objetos vintage e peças de vestuário que ambos criavam em conjunto, pois, não eram adeptos do dominante estilo hippie à época. Entre as peças camisetas com imagens e slogans provocativos como forma de rebelar-se contra a estrutura social de classes britânica, o que os levou a responder a vários processos judiciais sob a legislação “anti obscenidade” britânica. A partir das criações fetichistas, repletas de peças em vinil, calças jeans rasgadas, couro, correntes, zíperes, alfinetes e botas militares, Vivienne e McLaren criaram os códigos de vestimenta do “punk rock” e os inscreveram no imaginário coletivo. A irreverente e revolucionária estilista começou a realizar seu sonho, criando com liberdade essas peças que eram dominadas pelo preto, vermelho e tartar (uma de suas marcas registradas até hoje). McLaren passou a vestir a banda Sex Pistols com as criações de Vivienne, aos poucos as tornando conhecidas.
  

Na década de 1980, o estilo subversivo e rebelde do punk rock se popularizou, virou mainstream e deixou de representar o anti-establishment e o inconformismo da década de setenta, para se tornar parte da cultura pop. Foi nesse momento que Vivienne, sempre uma iconoclasta, já prestes a se separar de Malcolm Mclaren, e desiludida com os rumos que tomou o movimento, abandonou o estilo que a consagrou. Por possuir muitas referências adquiridas durante os breves anos em que estudou arte, a estilista passou a lançar coleções que se tornaram sucesso na Inglaterra e na França, como a Pirates (1981), que apresentava looks com cortes inspirados nos século XVII e XVIII; algo mais romântico com um olhar histórico. No ano seguinte desfilou pela primeira vez em Paris, que desde Mary Quant não apresentava estilistas ingleses nas passarelas. Pouco depois, marcando a crescente reputação internacional de Westwood, sua coleção Hypnos (primavera/verão de 1984), feita de tecidos esportivos sintéticos, se tornou um sucesso. Foi ainda em 1984 que a estilista foi convidada a mostrar sua coleção em Tóquio, abrindo assim a porta para um importante mercado consumidor.
   

Depois, em 1985, lançou a coleção Mini-Crini, que marcou o que Westwood descreveu como uma “mudança fundamental” em direção à alfaiataria e um foco mais deliberado em reelaborar ideias inspiradas em roupas históricas. Repleta de referências à indumentária inglesa, essa coleção apresentou as saias com crinolina (armações usadas sob saias para lhes conferir volume) usadas no século 19 pelas mulheres e os casacos vestidos pela Rainha Elizabeth II quando criança. Tudo revisitado ao estilo Vivienne, é claro. Em 1987 a estilista criou sua primeira coleção para o público masculino mostrando muito erotismo, como não poderia deixar de ser. No ano seguinte, com o lançamento da coleção Time Machine, repleta de elementos históricos da pintura e artes decorativas do século XVIII, inaugurou seu ingresso no mundo da alta moda, sendo aclamada novamente pelo establishment contra o qual tanto lutou.
   

Embora muitas vezes fosse considerada “não comercial”, Westwood permaneceu impassível, impulsionada pela aclamação da indústria da moda, incluindo o prêmio de Designer de Moda Feminina do Ano entregue pelo British Fashion Council em 1990 e 1991. Suas ideias muitas vezes atingiram o público muito rapidamente, e ela começou a ganhar uma quantia significativa de dinheiro com suas lojas em Londres e também vendas internacionais. Em 1993 dividiu sua marca de roupas femininas em duas linhas diferentes: Gold Label (alta-costura) e Red Label (Prêt-à-Porter). Nos anos seguintes continuou causando polêmica, como por exemplo, em 1994, em que os bumbuns das modelos ficavam expostos na passarela. O estilo escocês virou um padrão em suas coleções, normalmente ironizado, como em 1997 quando criou baseado neles, roupas femininas sensuais e provocativas. Em 1998 a marca lançou no mercado sua primeira fragrância feminina (batizada de Boudoir). Nesse mesmo ano lançou uma nova linha chamada Anglomania (voltada para atender a uma demanda mais jovem e casual). Pouco depois, Vivienne começou a projetar uma linha completa de óculos. A segunda fragrância “Libertine” foi lançada em 2001.
  

A partir do início do novo milênio, VIVIENNE WESTWOOD cada vez mais se tornou uma marca de moda extremamente desejada, com pontos de venda (incluindo corners nas mais sofisticadas lojas de departamento) em todo o mundo e passou a oferecer uma série de linhas (Femme, Homme, Anglomania), bem como malharias, acessórios, jóias, perfumes e até objetos de decoração, além de inaugurar sua primeira loja em Moscou. O ano de 2002 foi marcado pela inauguração de lojas próprias em Hong Kong e Coréia do Sul, ampliando assim sua presença na Ásia. Na última década a marca ampliou sua presença no varejo com a inauguração de lojas próprias, como por exemplo, em 2011 quando estreou em Los Angeles ou em 2016 quando abriu uma sofisticada loja em plena Rue Saint-Honoré na cidade de Paris. Embora Vivienne Westwood já possuísse uma concessão na principal loja de departamentos da cidade, a Galeries Lafayette, essa foi a primeira incursão independente na cidade da moda para a renomada estilista e a terceira cidade continental europeia a ter uma loja da grife depois de Milão e Viena.
  

Além disso, em março de 2016 a estilista entregou as rédeas de sua linha Gold Label para o marido Andreas Kronthaler, que trabalhou ao lado dela por muitos anos. Eles continuam a projetar as linhas principais juntos, embora a Gold Label agora seja oficialmente chamada de Andreas Kronthaler for Vivienne Westwood. Nos últimos anos a estilista vem desenvolvendo coleções co-lab com outras marcas, como por exemplo, tênis com a Vans e a Asics; sandálias e calçados com a brasileira Melissa; mochilas com a Eastpak; e roupas com a luxuosa Burberry, em uma coleção que celebrava o estilo e herança britânica de uma maneira única.
  

Em pleno século 21, a estilista e sua marca continuam fiel ao tipo de moda que criou: exagerada, sem ajustes tradicionais, surpreendente e anárquica, combinando técnicas e materiais tradicionais com a modernidade e uma franca ironia. Iconoclasta, a marca de Vivienne Westwood tem por essência um estilo contestador, fazendo eco aos discursos da estilista. Seu grande mérito, aliás, é justamente esse equilíbrio entre o melhor da moda britânica - alfaiataria, padronagens clássicas e itens históricos, como o corset - e a sua rebeldia panfletária, vista, por exemplo, nas camisetas da linha Vivienne Westwood Anglomania. Atualmente, VIVIENNE WESTWOOD é mais do que apenas uma marca, é um símbolo de liberdade, identidade e exclusividade na moda.
  

Moda ativista 
Poucos nomes no universo da moda alcançaram o mesmo patamar que a estilista Vivienne Westwood. Também pudera. Desde os anos de 1970, ela é responsável por lançar e propagar algumas das principais tendências do mundo, incluindo verdadeiros movimentos culturais, como o punk e a moda engajada dos anos 2000. E ao longo desses anos, o seu lado punk foi transformado em um discurso ativista, pregando o consumo consciente e engajamento político. E é essa brincadeira despretensiosa de viajar entre passado e presente que torna a marca VIVIENNE WESTWOOD eterna. Hoje, seu terceiro marido, o estilista austríaco Andreas Kronthaler, está à frente da criação, mas a estilista não abandona a faceta de porta-voz de questões atuais. Das mudanças climáticas ao posicionamento sócio-político, “é preciso desconfiar do governo”, prega ela.
  

E, como o ativismo jamais a abandona, a designer utiliza sua marca e passarela para levar fortes mensagens em favor dos direitos humanos, da ecologia, e outros temas relevantes da contemporaneidade, traço peculiar de sua carreira como pioneira do fashion activism. As coleções recentes passam por temas que vão da liberdade de Julian Assange (fundador do WikiLeaks), às políticas de combate ao terrorismo (a camiseta com a frase “I am not a terrorist, please don’t arrest me”, em protesto a aprovação do governo britânico à lei antiterrorismo, ficou famosa), passando pelas mudanças climáticas que o planeta vem enfrentando (chegou a entrar com maquiagem de guerra e segurando um cartaz “Climate Revolution” no final do seu desfile) e pelo fim do uso das peles animais na moda. Tanto que no final de seus desfiles, as sacolas de brindes oferecem abaixo-assinados e formulários para doações a entidades como a PETA (abreviação de People for the Ethical Treatment of Animals). Tudo isso, claro, sem perder de vista a sofisticação e a ousadia das cobiçadas bolsas e dos saltos altíssimos, que já fizeram até a top model Naomi Campbell cair na passarela em uma cena histórica.
  

O tema da ecologia e a ameaça das mudanças climáticas são grande motivação atual de Vivienne, cuja marca há muitos anos luta contra o fast fashion e já incorporou diversos princípios de sustentabilidade em sua cadeia de produção: técnicas de cortes sem criar resíduos (zero waste), upcycling e fontes de energia renovável e materiais orgânicos. Além de banir o uso de pele e couros exóticos, eliminou o plástico das embalagens e proibiu o poliéster, derivado do petróleo.
   

A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por uma pequena remodelação ao longo de sua história. Um dos elementos da identidade visual da marca que permaneceu praticamente estável ao longo dos anos é o icônico “Orb”, que surgiu em 1984, quando Vivienne se firmou como designer e ícone por conta própria. Esse incrível elemento de branding visual foi inspirado na iconografia real da Grã-Bretanha e pretendia representar a importância do passado, enquanto os anéis de Saturno significam o futuro.
  

Dados corporativos 
● Origem: Reino Unido/Inglaterra
● Fundação: 1971 
● Fundador: Vivienne Westwood e Malcolm McLaren
● Sede mundial: Londres, Inglaterra 
● Proprietário da marca: Vivienne Westwood Srl 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Carlo D’Amario 
● Faturamento: £46 milhões (2019) 
● Lucro: £2.7 milhões (2019) 
● Lojas: 40 
● Presença global: 80 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 450 
● Segmento: Moda de Luxo
● Principais produtos: Roupas, calçados, perfumes e acessórios 
● Concorrentes diretos: Alexander McQueen, Stella McCartney, Martin Margiela, Roberto Cavalli, Moschino, Fendi e Dolce & Gabbana
● Ícones: O ativismo na moda 

A marca no mundo 
A VIVIENNE WESTWOOD, uma das poucas grandes marcas de moda ainda independente, comercializa seus produtos (roupas, acessórios, joias e perfumes) em mais de 80 países ao redor do mundo. A marca, que vende sua moda através de uma exclusiva rede de 40 lojas próprias em cidades como Los Angeles, Nova York, Milão, Xangai, Paris e Londres, faturou £46 milhões em 2019. VIVIENNE WESTWOOD também comercializa seus produtos em mais de 700 pontos de venda dentro das mais sofisticadas lojas de departamento e multimarcas do mundo. 

Você sabia? 
Em 1992 foi concedida a Vivienne Westwood a alta honraria da Ordem do Império Britânico. Como não poderia deixar de ser, Lady Vivienne apresentou-se na cerimônia real do Palácio de Buckingham com um vestido justo e sem roupas íntimas, o que foi desaprovado pela rainha. Vivienne receberia a honraria pela segunda vez em 2006. 
Em 2013 a estilista assinou e criou os uniformes dos comissários de bordo da companhia aérea Virgin Atlantic
A estilista é amiga íntima de Pamela Anderson, Kate Moss, do Príncipe Charles além, é claro, de Naomi Campbell. 
Um dos filhos de Vivienne Westwood, Joseph Corré, é o fundador da luxuosa marca de lingerie Agent Provocateur (conheça essa história aqui). 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Elle, Vogue, BusinessWeek, Glamour e Exame), jornais (Diário da Indústria e Comércio), sites de moda (Farfetch), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 16/12/2020

12.11.20

Zoom


Zoom é uma presença constante dentro de grandes corporações. Uma ferramenta indispensável para médias empresas. Um eficiente meio de comunicação para matar a saudade de amigos e familiares. E, nos dias de hoje, parte integrante do “material escolar” de milhões de estudantes. Tornar as comunicações por vídeo livres de complicações, que capacitam as pessoas a concretizarem mais atividades. Essa é a principal missão do Zoom, que se tornou a opção número um para milhões de usuários na hora de reuniões de trabalho à distância ou de se conectar aos familiares e amigos. 

A história 
Tudo começou quando Eric Yuan (foto abaixo), nascido na província chinesa de Shangdon e filho de engenheiros de mineração, decidiu emigrar aos Estados Unidos nos anos de 1990 para trabalhar na área de tecnologia, que em seu país de origem ainda engatinhava. Depois de ter o visto americano recusado por oito vezes, no verão de 1997, Eric finalmente chegou ao Vale do Silício, após ter trabalhado por quatro anos no Japão. Ele tinha 27 anos e não falava uma palavra de inglês, mas havia se especializado em código de computadores, era formado em matemática aplicada e tinha mestrado em engenharia. E foi assim que se juntou à equipe da WebEx, uma empresa que trabalhava com soluções de videoconferência e colaboração em tempo real - sim, exatamente a mesma expertise do Zoom. Uma década mais tarde, a WebEx seria vendida à poderosa Cisco Systems (conheça esta história aqui) por US$ 3.2 bilhões, e Eric se tornou vice-presidente corporativo de engenharia.
  

Eric achava que a Cisco Systems deveria seguir um caminho mais arrojado e incorporar vídeo aos sistemas de conferências, baseados em telefonia. Também queria que as reuniões fossem fáceis de montar e tivessem fundos divertidos. Ele então apresentou sua ideia para um sistema de videoconferências que podia ser usado em smartphones. Mas quando seus chefes não se entusiasmaram com a ideia, Eric resolveu pedir demissão para criar sua própria empresa. E como não conseguia investidores, pegou dinheiro emprestado de amigos e familiares (cerca de US$ 250 mil) para fundar a Saasbee na cidade de San Jose, na Califórnia, no dia 21 de abril de 2011, sendo seguido por 40 engenheiros da Cisco que toparam encarar o novo desafio. A ideia era usar sua experiência em videoconferências e à tecnologia cada vez mais avançada da nuvem (armazenamento online) para atingir um número cada vez maior de pessoas. E por ironia do destino, em junho de 2011, a nova empresa arrecadou US$ 3 milhões em capital inicial do fundador da WebEx.
  

Em maio de 2012, a empresa mudou seu nome para Zoom Video Communications, influenciada pelo livro infantil Zoom City, de Thacher Hurd e no dia 10 de setembro lançou a versão beta, que poderia hospedar conferências com até 15 participantes de vídeo. O que Yuan gastava em pesquisa e desenvolvimento de uma tecnologia proprietária, ele economizava em todo o resto. Por exemplo, ao invés de adquirir o domínio zoom.com de seu dono na época, optou pela solução mais barata: zoom.us (somente em 2018 a empresa finalmente compraria o endereço .com, por US$ 2 milhões). Em novembro, a empresa assinou com a renomada Universidade de Stanford como seu primeiro cliente. Porém, havia um ceticismo crescente em relação àquela nova empreitada, que teria que competir com Skype da Microsoft, Hangouts do Google e o próprio WebEx da Cisco, além de tantas outras alternativas gratuitas - mas que eram todas instáveis.
   

Mas a desconfiança mudaria da noite para o dia quando em 25 de janeiro de 2013 a versão 1.0 do programa foi lançada oficialmente para o público em geral com um aumento no número de participantes por conferência para 25. O Zoom era diferente de tudo que a concorrência tinha no momento. Entretanto, não foi nenhum de seus aspectos técnicos ou de infraestrutura que conquistaram o público. Era a facilidade de uso, que removia a complexidade de se conectar com amigos e colegas. Além disso, oferecia qualidade de áudio e de vídeo impecáveis. Para facilitar ainda mais, apenas o responsável pela reunião precisava de uma conta no serviço, enquanto os participantes poderiam ingressar instantaneamente sem mesmo precisar baixar nada ou se logar. Com isso, ao final de seu primeiro mês, o Zoom já possuía 400.000 usuários, que subiram para 1 milhão em maio. Ao final deste ano, o Zoom já era responsável por hospedar 5.000 reuniões por dia. A partir desse momento, os investidores começaram a aparecer aos borbotões.
   

Em fevereiro de 2015, a empresa recebeu US$ 30 milhões em financiamento de investidores. Nessa época, o Zoom tinha 40 milhões de usuários, com 65.000 organizações inscritas e um total de 1 bilhão de minutos de reunião desde que foi estabelecido. Com a disponibilização da versão 2.5 em outubro, o Zoom aumentou o número máximo de participantes permitidos por conferência para 50 e depois para 1.000 para clientes empresariais. Fã de basquete, Eric era torcedor fanático do Golden State Warriors. E enxergou aí uma enorme possibilidade para o Zoom, que em 2016 iniciou uma parceria de três anos com a equipe. Essa iniciativa colocava o programa de videoconferência como a plataforma para os jogadores se comunicarem com seus fãs e, em troca, o Zoom poderia exibir seu logotipo em destaque na Oracle Arena, em Oakland. Era uma dupla vitória para a empresa, obviamente, que ajudava a popularizar sua solução nos dois lados do acordo. Com isso, o faturamento da empresa aumentou em 300% ao final deste ano.
  

Em abril de 2017, a empresa lançou o Zoom for Healthcare, um produto de telemedicina que permite aos médicos, remotamente, fazerem consultas ou visitas a pacientes por meio de vídeo e áudio em alta definição, além de oferecer serviços aprimorados de sala de espera de pacientes, de links de reuniões personalizados, de gravação de reuniões ou consultas, de compartilhamento de telas e arquivos, de bate-papo online e de colaboração com outros médicos e especialistas. Pouco depois, em maio, o Zoom anunciou a integração com os sistemas de conferência da Polycom, permitindo recursos como reuniões com várias telas e dispositivos e compartilhamento de tela HD e sem fio. Além disso, em setembro realizou a Zoomtopia, sua primeira conferência anual de usuários, onde anunciou uma parceria com a Meta para integrar o Zoom com realidade aumentada, integração com Slack e Workplace por Facebook, além de dar os primeiros passos em direção a um programa de reconhecimento de voz de inteligência artificial.
   

Ainda em 2017, mais de 65.000 empresas no mundo todo dependiam do Zoom para reuniões, conferências e seminários pela web e mais de 40 milhões de pessoas já tinham usado a plataforma para participar ou organizar uma conferência. Além disso, Zoom fechou o ano marcando presença em 90% das principais instituições acadêmicas dos Estados Unidos e com crescimento superior a 150%. No dia 18 de abril de 2019, Zoom teve um dos IPO (sigla em inglês para Oferta Pública de Ações, ou seja, quando a empresa se torna pública, oferecendo ações na Bolsa de Valores) mais bem-sucedidos do ano, obtendo uma valorização inicial de US$ 15.9 bilhões.
  

Durante a pandemia de COVID-19, a demanda pelas chamadas virtuais aumentou muito, causada pela necessidade de isolamento social, e o Zoom se tornou praticamente onipresente para que hospitais, universidade, escolas e outros negócios pelo mundo pudessem continuar conectados e operacionais. Quando partes da China entraram em isolamento, o fundador da empresa abriu as contas gratuitas de nível básico, geralmente limitadas a 40 minutos por reunião, para funcionar por 24 horas. Em meados de março, expandiu a oferta a todas as escolas de ensino fundamental e médio que suspenderam as aulas, primeiro nos Estados Unidos, Itália e Japão e depois para mais 19 países. Com isso, no início de abril, mais de 90.000 instituições escolares já usavam o Zoom. Adicione-os aos outros milhões que começaram a aproveitar o modelo gratuito da plataforma para utilizá-lo por motivos profissionais ou pessoais.
   

Em abril de 2020, o Zoom atingiu a marca de mais de 300 milhões de participantes em reuniões diárias (antes da pandemia eram cerca de 10 milhões de participantes por dia). Antes usado apenas no ambiente corporativo, o Zoom tornou-se íntimo de milhões de pessoas no mundo inteiro. Tudo isso levou o Zoom a um novo patamar financeiro, estratosférico. Por exemplo, em setembro de 2020 ultrapassou US$ 100 bilhões em valor de mercado.
  

Claro que esse crescimento absurdo não veio impune. Com milhões de usuários diários, facilidades de conexão e sem exigir inscrição, o Zoom revelou falhas que não estava preparado para responder. Isto porque, a empresa começou a ser questionada, e até investigada, por autoridades de vários países sobre seus procedimentos para garantir privacidade e segurança de dados dos usuários. Reuniões públicas enfrentaram invasões e envios de imagens pornográficas ou materiais ofensivos (prática que ganhou o nome de “Zoombombing”). As críticas foram enormes e a empresa reagiu rápido aprimorando e atualizando recursos de segurança para corrigir vulnerabilidades, como por exemplo, reuniões protegidas por senha, autenticação de usuário, salas de espera, reuniões bloqueadas, desabilitação do compartilhamento de tela do participante, IDs gerados aleatoriamente, capacidade do host de remover participantes perturbadores e criptografia ponta a ponta para os usuários. Contra vazamento de emails e informações pessoais, também ofereceu recompensas para hackers éticos, anunciou a criação de um conselho de segurança e contratou especialistas externos.
  

A empresa também aproveitou o momento causado pela pandemia para lançar novos produtos, como por exemplo, o Zoom for Home, uma linha de produtos para uso doméstico, voltada para quem trabalha em casa. O primeiro produto consiste em uma tela de 27 polegadas com três câmeras grande-angulares e oito microfones, com software Zoom pré-carregado no dispositivo. Outros lançamento foram o OnZoom, um mercado de eventos virtual com um sistema de pagamento integrado onde os usuários podem hospedar e promover eventos ao vivo gratuitos ou pagos; e o Zoom Phone, um serviço (pago) disponível em 40 países que permite às empresas migrarem de um sistema de telefonia legado para um sistema IP, que se integra com a plataforma de comunicação em vídeo do Zoom. A empresa também anunciou o Zoom Apps, um recurso que integra aplicativos de terceiros para que possam ser usados na interface do Zoom durante as reuniões. Além disso, adicionou novos recursos de acessibilidade para tornar o aplicativo mais fácil de usar para pessoas surdas, com deficiência auditiva ou com deficiência visual.
   

A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por uma pequena remodelação com a retirada de seu principal símbolo, representado por uma câmera branca em um fundo azul-claro. Com isso, o nome da marca passou a ser mais encorpado.
  

Apesar disso, o principal símbolo de reconhecimento da marca Zoom é amplamente utilizado nos meios digitais, como por exemplo, aplicativos e redes sociais.
  

Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 21 de abril de 2011 
● Fundador: Eric Yuan 
● Sede mundial: San Jose, Califórnia, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Zoom Video Communiations Inc. 
● Capital aberto: Sim (2019) 
● CEO: Eric Yuan 
● Faturamento: US$ 622 milhões (2019/2020) 
● Lucro: US$ 21.7 milhões (2019/2020) 
● Valor de mercado: US$ 114.7 bilhões (novembro/2020) 
● Valor da marca: US$ 4.481 bilhões (2020)
● Usuários: 300 milhões 
● Presença global: 150 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 2.500
● Segmento: Tecnologia 
● Principais produtos: Aplicativo de videoconferência e chat online 
● Concorrentes diretos: Google Meet, Facebook Messenger Rooms, Microsoft Teams, Cisco Webex, WhatsApp e Skype 
● Ícones: A câmera branca no fundo azul-claro

O valor 
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca ZOOM está avaliada em US$ 4.481 bilhões, ocupando a posição de número 100 no ranking das marcas mais valiosas do mundo. 

A marca no mundo 
Zoom oferece videoconferências, voz, webinars e bate-papo em desktops, telefones, dispositivos móveis e sistemas de sala de conferência, possui mais de 300 milhões de usuários ativos em 150 países ao redor do mundo, está disponível em quase uma dúzia de idiomas, emprega mais de 2.500 pessoas e faturou US$ 622 milhões no ano fiscal de 2019/2020. A empresa atende mais de 80 mil clientes corporativos, como Samsung, Uber e Walmart, que pagam centenas de milhares de dólares por ano pela versão Premium da plataforma. A empresa, além de sua sede corporativa na cidade californiana de San Jose, possui 16 escritórios espalhados pelos Estados Unidos, Índia, Japão, China, Cingapura, Holanda, Austrália, Reino Unido e França. O uso da plataforma é gratuito para videoconferências de até 100 participantes ao mesmo tempo, com limite de 40 minutos. Para conferências mais longas ou maiores com mais recursos, assinaturas pagas estão disponíveis. Recursos voltados para conferências de negócios, como Zoom Rooms, estão disponíveis por US$ 50-100 por mês. Até 49 pessoas podem ser vistas em uma tela ao mesmo tempo. 

Você sabia? 
Eric já chegou a comentar em entrevistas que o Zoom é a realização de um sonho de juventude. Enquanto estava em seu primeiro ano de faculdade na China, ele tinha que enfrentar um trem por dez horas para visitar sua namorada, que morava longe. Eric detestava essas viagens e pensava constantemente em outras maneiras de vê-la sem precisar entrar em um trem. No fim, isso foi a semente do Zoom. E a história teve final feliz: não só a empresa se tornou realidade, como Eric se casou com a então namorada, teve três filhos e hoje vivem juntos na Califórnia. 
O crescimento se torna ainda mais impressionante quando observamos que, nos primeiros anos, o Zoom nem mesmo tinha um time de marketing dedicado. Sua popularidade era orgânica, impulsionada pela satisfação dos consumidores e pelo evangelismo do próprio Yuan. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Valor Econômico e Estadão), sites de tecnologia (Canal Tech), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 14/11/2020

27.10.20

SAM'S CLUB


Produtos nacionais e importados, exclusivos e já selecionados com embalagens econômicas para facilitar as compras com as escolhas certas para o dia a dia. Um lugar onde é possível encontrar muito além do que espera e se surpreender com a economia. Assim é o Sam’s Club, um clube de compras cuja missão é oferecer constantemente a milhões de consumidores novidades, preços baixos e experiências que façam as pessoas terem vontade de voltar sempre. 

A história 
Tudo começou quando Sam Walton, que havia fundado o Walmart (conheça essa outra história aqui) em 1962, resolveu lançar um novo modelo de varejo: o clube de compras, que fora inspirado na varejista Price Club, fundada em 1976 na cidade de San Diego. A intenção inicial da criação deste modelo varejista era oferecer aos pequenos comerciantes norte-americanos as melhores oportunidades de compras. Mas Sam não queria arriscar o sucesso da marca Walmart neste novo modelo de negócio e resolveu batizá-lo de Sam’s Wholesale Club, que abriu sua primeira loja no dia 7 de abril de 1983 na cidade de Midwest City, estado americano do Oklahoma. Desta forma, Sam Walton acabou por desenhar um modelo exclusivo que simplificou o varejo em sua época. Isto porque, ajudou os proprietários de pequenas empresas a economizar dinheiro em mercadorias compradas a granel. O Sam’s Club funcionava assim: os sócios pagavam uma taxa anual e passavam a ter direito a comprar no clube, que oferecia tanto produtos do dia-a-dia a preços competitivos e embalagens econômicas (o que ajuda a reduzir o preço), quanto itens importados.
   

Além disso, ao invés de estocar todos os itens das marcas disponíveis, o Sam’s Club estocava apenas os produtos certos e comprando-os em grandes quantidades, repassando assim as economias para seus membros. E também reduzia os custos mantendo um ambiente de compras simples, muitas vezes exibindo as mercadorias em paletes de transporte para que pudesse repor novos itens com rapidez. Ao final de 1983, já havia mais duas lojas em funcionamento, em Kansas City, estado do Missouri, e em Dallas no Texas. As vendas no primeiro ano foram de US$ 40 milhões. No ano seguinte já eram 11 lojas em funcionamento e US$ 225 milhões em vendas. Nessa época as lojas localizavam-se em armazéns alugados no sul e sudoeste do país, geralmente em áreas bastante desertas. Eles eram enormes e sem decoração. As mercadorias eram expostas em paletes de transporte ou em prateleiras de aço que chegavam quase ao teto. Nesses primeiros anos a rede também se aproveitou do know-how de distribuição do Walmart, que já sabia como conter os custos e ampliou essa habilidade no Sam’s Club. Por exemplo, as mercadorias eram movidas mecanicamente sempre que possível, de forma que poucas mãos humanas precisassem tocá-la em sua jornada da fábrica até o carro do cliente.
   

A rede ingressou no meio-oeste americano em 1986 e, no ano seguinte, já tinha 84 lojas. Isso incluiu a aquisição das lojas da varejista Super Saver Wholesale, uma de suas maiores concorrentes. Em 1989 a rede começou sua expansão pelo nordeste do país. Nessa época a rede já representava aproximadamente 18% do faturamento do Walmart. Em 1990, como estratégia de marketing e por decisão judicial sobre a utilização do termo “wholesale”, a rede abreviou seu nome para Sam’s Club. Ainda este ano, a empresa comprou uma rede rival chamada The Wholesale Club, que possuía 27 lojas com sede em Indianápolis, ganhando assim força no meio-oeste do país. A primeira loja da empresa fora dos Estados Unidos foi inaugurada em 1991 na Cidade do México. Pouco depois, em 1993, o Sam’s Club adquiriu 99 lojas da Pace Membership Warehouse. Nesse momento, a empresa era a maior do setor com aproximadamente 400 lojas e vendas de US$ 14.7 bilhões.
   

Em meados de 1994, os níveis de vendas caíram mês a mês durante quase um ano. A empresa então decidiu focar novamente em seu núcleo de clientes de pequenas empresas, visando setores específicos, como lares de idosos, restaurantes, operadoras de hotéis/motéis e empresas de limpeza. O Sam’s Club passou a oferecer itens como lençóis de qualidade, talheres para restaurantes, cadeiras de rodas e talas de pulso, entre outros itens. Visando negócios específicos, a rede também passou a vender menos outros itens, como utensílios domésticos, que atraíam mais os consumidores que compravam para si ou para suas famílias. Além disso, passou também a estocar alguns itens incomuns, incluindo juke boxes e pianos de cauda, destinados a atrair consumidores de luxo que gostavam da emoção de procurar pechinchas.
   

O Sam’s Club desembarcou no Brasil em 1995 com a inauguração de sua primeira loja na cidade de São Caetano do Sul, região do ABC paulista, e iniciou sua expansão pelo país três anos mais tarde com a abertura de uma loja na cidade de Curitiba no Paraná. O Sam’s Club conquistou os consumidores brasileiros ao oferecer embalagens diferenciadas, no formato ideal para ajudar a simplificar o cotidiano, com muita economia e rendimento. Já o primeiro Sam’s Club na China foi inaugurado em Shenzhen no dia 12 de agosto de 1996, ingressando assim em um enorme mercado consumidor mundial. Pouco depois, em 1998, o Sam’s Club iniciou um grande programa de renovação de suas lojas, que se tornaram mais atrativas, práticas e modernas com a adição de padarias e outros novos departamentos, como alimentos frescos. Além disso, anunciou um estilo de loja, batizada de “Millennium Club”, que oferecia itens mais sofisticados, como vinhos.
   

O Sam’s Clubs também começou a oferecer uma série de serviços, como remessa expressa, acesso à internet com desconto, farmácia e até treinamento em softwares. Além disso, introduziu uma nova linha de alimentos de marca própria chamada Member’s Mark® (que se tornaria um dos motivos para os sócios retornarem com mais frequência às lojas) e abordou seus membros com malas diretas, alegando que “o segredo para viver bem” poderia ser encontrado no Sam’s Club. Hoje em dia a Member’s Mark® oferece uma ampla gama produtos, incluindo alimentos, perecíveis e mercearia, limpeza, pet, cama, mesa e banho, higiene, papelaria, confecção e utilidades domésticas. A Member’s Mark® se tornou um grande atrativo para o Sam’s Club, oferecendo itens exclusivos com qualidade igual ou superior à marca líder de cada categoria, além de um preço extremamente acessível.
   

Todas essas mudanças surtiram efeito, já que 1998 foi o melhor ano em vendas da rede em muito tempo. Em 2000 o segmento de clubes de compras havia se restringido à apenas três grandes redes: Sam’s Club, com mais de 450 lojas; Costco (saiba mais aqui), com cerca de 300; e BJ’s Wholesale Club, com pouco mais de 100 unidades. A rivalidade histórica entre Costco e Sam’s Club só aumentou e as redes começaram a inaugurar lojas bem próximas uma das outras. O Sam’s Club esperava prevalecer sobre a rival, aprimorando seu marketing por meio de ações como catálogos voltados para grupos específicos de membros. Também começou a instalar postos de gasolina em suas lojas, aprimorar suas operações de farmácia e oferecer outros serviços, como processamento de fotos em uma hora, floricultura e refeições prontas. Em 2003 a rede ingressou no mercado canadense com a inauguração de uma loja em Ontário (mas a empresa, por questões estratégicas, resolveu fechar as seis unidades no país em 2009). Outra importante ação ocorreu em 2006, quando o Sam’s Club deixou de utilizar o popular slogan “We Are In Business For Small Business” (algo como “Estamos no negócio para pequenas empresas”) em uma tentativa de deixar de vender apenas para pequenas empresas e atrair mais clientes individuais e famílias.
  

Nos últimos anos o Sam’s Club tem se adaptado aos novos hábitos de consumo e a uma nova geração de consumidores. Por exemplo, em 2017, a rede iniciou os testes de um serviço de entrega para seus clientes comerciais em Dallas, estado do Texas. Além disso, o sistema Club Pickup permitia que todos os membros, incluindo clientes empresariais, fizessem pedidos online e os retirassem no dia seguinte na loja mais próxima. Outro recurso adicionado recentemente foi o programa Scan & Go, que permite aos clientes usarem um aplicativo móvel para escanear códigos UPC em itens nas lojas conforme eles os colocam em seus carrinhos de compras. Quando estão prontos para finalizar a compra, os clientes pagam de seus telefones de qualquer lugar da loja, evitando assim as filas dos caixas. Essa modalidade já é usada em 30% das compras realizadas no Sam’s Club norte-americano.
  

E as novidades não pararam por aí. Em 2018 a rede inaugurou na cidade de Dallas a primeira unidade do Sam’s Club Now, que funciona em parceria com o aplicativo de mesmo nome, permitindo fazer uma lista dos itens a serem comprados e, uma vez na loja, o aplicativo indica onde encontrar os produtos e o melhor caminho a percorrer. Nesse sistema o celular funciona como um leitor de código de barras. Ao final da compra, o consumidor irá gerar um QR code em seu celular, que para ser validado - configurando então o fim das compras - terá de ser lido por algum funcionário da loja. O estabelecimento é um projeto piloto para a rede aplicar este sistema em cadeia nacional nos Estados Unidos. Além disso, o Sam’s Club fechou algumas unidades em território americano, transformado-as em pequenos centros de distribuição onde funcionários coletam e enviam mercadorias aos clientes que fazem pedidos online. Esses centros de distribuição geralmente armazenam de 1.500 a 2.000 itens diferentes, que são normalmente pedidos pelos clientes, incluindo café, cereais e produtos domésticos.
    

Já no Brasil, no mês de junho de 2018, foi aprovada a aquisição de 80% das operações do Walmart no país (incluindo a bandeira Sam’s Club) pelo fundo norte-americano Advent International. Com isso, o Sam’s Club passou a integrar o Grupo Big, que anunciou o fim da marca Walmart no país (para economizar em royalties), mas elegeu a marca Sam’s Club como seu pilar de crescimento. Sendo assim, algumas lojas do Walmart foram transformadas e Sam’s Club e, em 2019, após um período de quase dez anos sem novas unidades, a rede inaugurou uma loja em Brasília. E mais três previstas para 2019 - duas em São Paulo (Vila Leopoldina e Morumbi) e uma em Aracaju. Além disso, um dos focos de melhoria da rede é seu aplicativo, permitindo que o cliente também tenha acesso a funcionalidades como comprar pelo app e receber o pedido em casa ou buscá-lo na loja mais próxima. Outra funcionalidade que deve ganhar força no Brasil é o Click&Go, pelo qual é possível escanear o código de barras de cada item pelo celular e apenas finalizar a compra no caixa, agilizando o pagamento.
      

Desde as melhores marcas em bebidas, bomboniere e mercearia, até um completo hortifruti com itens altamente selecionados, carnes e outros alimentos com o máximo de frescor. Encontre ainda itens diferenciados de roupas de marcas famosas, de cuidados pessoais e também o que há de mais novo e inusitado no universo tecnológico, além de utilidades domésticas e decoração, entre outros artigos exclusivos. Assim é o mundo Sam’s Club.
  

Campanha estrelada 
Em 2019, para demonstrar a velocidade de seu aplicativo de digitalização de checkout (conhecido como Scan & Go), a marca lançou uma campanha com dois dos atletas mais rápidos do mundo: o jamaicano Usain Bolt e a americana Allyson Felix. No vídeo Bolt, que personifica a velocidade, é desafiado a digitalizar 20 itens em menos de três minutos. Ele sai da linha de partida e agarra de tudo, desde unicórnios a alimentos congelados. Ele rompe pela linha de chegada com segundos de sobra e “evita as perigosas filas do caixa”. Felix aparece no final pedindo a Bolt para segurar suas medalhas, um aceno ao fato de que ela recentemente ultrapassou Bolt como a maior medalhista de ouro em campeonatos mundiais de atletismo.
   

A evolução visual 
O logotipo da marca passou por algumas alterações ao longo dos anos, adquirindo uma imagem mais limpa e moderna. A primeira remodelação ocorreu em 1990, quando o nome foi reduzido apenas para Sam’s Club, sendo retirada a palavra “wholesale”. Pouco depois, em 1993, ocorreria uma remodelação radical: um quadrado azul inclinado e o nome da marca escrito em branco. Nos anos seguintes esse logotipo passaria por modernizações, incluindo o acréscimo de outro quadrado (na cor verde-clara) e de uma seta laranja com a frase “It’s a big deal”.
  

Em 2006 uma nova identidade visual foi adotada e, pela primeira vez, apareceu o símbolo do diamante (um losango com as cores verde e azul, que significam pessoas físicas e jurídicas, respectivamente). Quanto à tipografia, a palavra “Sam’s” mudou para uma fonte com serifa em letras maiúsculas e minúsculas, enquanto a palavra “Club” permaneceu em uma fonte sem serifa maiúscula. O logotipo também podia ser aplicado na horizontal. No mês de setembro de 2019, inicialmente para o mercado americano, foi apresentado a nova identidade visual da marca, que ganhou uma nova tipografia de letra (em minúscula), a cor azul-clara e um novo design para o símbolo do diamante. A princípio esse logotipo está sendo aplicado em meios digitais, comunicação interna das lojas e campanhas publicitárias.
  

Os slogans 
Savings made simple. (2009) 
Enjoy the Possibilities. (2007) 
We Are In Business For Small Business. 
The Secret To Living Well. (1998) 
Faça parte, faça economia. (2010, Brasil)
  

Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 7 de abril de 1983 
● Fundador: Sam Walton 
● Sede mundial: Bentonville, Arkansas, Estados Unidos
● Proprietário da marca: Sam’s West Inc. 
● Capital aberto: Não (subsidiária do Walmart Inc.) 
● CEO: Kathryn McLay 
● Faturamento: US$ 57.8 bilhões (2019) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 822 
● Presença global: 5 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 100.000 
● Segmento: Varejo (clube de compras)
● Principais produtos: Alimentos, bebidas, cosméticos, eletrodomésticos, roupas e utensílios domésticos 
● Concorrentes diretos: Costco, BJ’s Wholesale, Trader Joe’s, Big Lots!, Meijer, Aldi, Target, Makro e Amazon 
● Slogan: Savings made simple. 
● Website: www.sumsclub.com.br 

A marca no mundo 
O Sams’s Club está presente em 44 estados americanos e Porto Rico com aproximadamente 600 lojas e 40 milhões de clientes associados, além de México (163 unidades) e China (27 unidades). No Brasil são 32 lojas localizadas em 14 estados e o Distrito Federal e mais de 2 milhões de associados. As lojas brasileiras oferecem mais de 5.000 produtos, dentre grandes marcas, itens exclusivos e importados do mundo inteiro. A empresa emprega mais de 100 mil funcionários somente nos Estados Unidos e tem faturamento anual de US$ 57.8 bilhões (dados de 2019). 

Você sabia? 
Nos Estados Unidos os membros da rede são divididos em duas categorias: Sam’s Club e Sam’s Plus (ambos com uma taxa anual). Sam’s Plus é o plano de associação mais abrangente, que inclui recompensas em dinheiro, economias extras em farmácias e centros óticos, frete grátis em itens comprados online e até compra antecipada antes da abertura das lojas ao público e demonstrações diárias de amostragem (chamadas “Tastes & Tips”). 
Muitas de suas lojas utilizam recursos sustentáveis, como iluminação diurna com claraboias, escurecimento noturno, gerenciamento de energia central, dispositivos de conservação de água, pisos de concreto natural e material reciclável. 
A empresa também já experimentou fracassos, como por exemplo, em 2009 quando inaugurou uma loja na cidade Houston chamada Más Club, um clube de compras voltado para a população hispânica e produtos específicos para eles. A loja fechou em 2014. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Folha, Estadão, Valor Econômico e Meio Mensagem), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 27/10/2020 

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