5.6.08

SEGWAY

Eles despontam nas grandes cidades, especialmente americanas, em bom ritmo. Policiais de Washington desfilam nos veículos. Carteiros do Serviço Postal Americano também. Animadores dos parques da Disney giram a bordo das máquinas. À primeira vista, este veículo de locomoção não nos parece tão espetacular, pois se assemelha a um patinete com ares futurista movido a bateria com tecnologia avançada. Mas aqueles que o experimentaram asseguram que é uma verdadeira revolução no conceito de locomoção. O SEGWAY está timidamente mudando a forma como as pessoas se locomovem nas cidades.

A história
Tudo começou em 1991 quando Dean Kamen, que antes inventara um bem-sucedido aparelho de diálise e uma cadeira de rodas que subia escadas pelo corrimão e colocava os deficientes em posição vertical, resolveu inventar um meio de transporte eficiente (propício para o perímetro urbano), com 0% de emissão de poluentes, compacto e com apenas duas rodas, utilizando a tecnologia de estabilização dinâmica. Depois de oito anos de intensas pesquisas e desenvolvimento, surgia o Segway Human Transporter (em português transportador de pessoas). Sua concepção revolucionária permitia que o condutor se movimentasse com muita segurança para frente e para trás com uma simples inclinação do corpo. Para realizar curvas à esquerda e à direita bastava manusear um único comando localizado no punho esquerdo do guidão. Este equilíbrio era o aspecto mais surpreendente sobre o SEGWAY e também a chave para a sua operação.


Para compreender como o sistema funciona, basta levar em consideração o modelo que o inventor usou para desenvolver o dispositivo: o corpo humano. Quando caminhamos, qualquer inclinação realizada pelo nosso corpo é detectada pelo cérebro devido a uma alteração no fluido do ouvido interno, fazendo com que uma perna se movimente para frente, impedindo a queda. Se continuarmos a nos inclinar para frente o cérebro continuará a colocar uma perna à frente, mantendo-nos em pé. Ao invés de cairmos, andamos pra frente, um passo de cada vez. O SEGWAY fazia praticamente a mesma coisa, mas utilizava rodas ao invés de pernas, um motor ao invés de músculos, um grupo de microprocessadores ao invés do cérebro e um conjunto de sofisticados sensores de inclinação ao invés do sistema de equilíbrio do ouvido interno. Como o cérebro, o SEGWAY sabia quando você estava se inclinando para frente. Para manter o equilíbrio, movimentava as rodas na velocidade certa e você se movia para frente.


O próximo passo foi amealhar US$ 38 milhões de investidores para fundar a empresa Acros no dia 27 de julho de 1999. Na primavera de 2000, arrecadou outros US$ 90 milhões, e no ano seguinte a fábrica, localizada em Bedford, estado americano de New Hampshire, estava concluída e pronta para entrar em operação. Em dezembro de 2001, em um planeta ainda assustado com os atentados terroristas de 11 de setembro, ele decidiu exibir “a Coisa” ou “Ginger”, dois dos codinomes do veículo. Foi ao programa Good Morning America, da rede de televisão ABC, campeão de audiência da TV americana, descrevendo a máquina como o primeiro transporte humano que possuía “auto-equilíbrio”. Deste momento em diante o invento mostrou uma vocação de “produtos virais”, como os especialistas em marketing definem os inventos capazes de produzir intenso boca à boca. O ator australiano Russel Crowe e o compositor Sting apareceram no programa de Jay Leno em cima do revolucionário veículo. O inventor foi capa da conceituada revista Time, onde declarou em uma entrevista que sua máquina seria para o carro o que ele foi para os veículos antigos. A badalada revista New Yorker colocou o terrorista Bin Laden a bordo de um SEGWAY. Kamen conquistara a notoriedade. Virou estrela, foi comparado a Thomas Alva Edison. Faltava, evidentemente, o teste das ruas.


Finalmente, em 18 de novembro de 2002, o SEGWAY PERSONAL TRANSPORTER (PT) começou a ser vendido para o público. Na Amazon (site de comércio eletrônico), transformaram-se em sucesso repentino. Porém, o grande desafio era convencer os céticos de que era um produto útil. Mas havia um problema: nem os próprios fabricantes sabiam se deviam vendê-lo ao lado de jet-skis, carros e motos ou em áreas separadas dos supermercados. O SEGWAY pertencia a uma categoria rara de produtos, aqueles de chamada “inovação descontínua”. Eles impõem mudanças de hábitos, muitas vezes exigem alterações na infra-estrutura das cidades. E foi justamente isso o que começou a acontecer: grandes cidades americanas começaram a mudar a legislação de trânsito para abrigar o invento, permitindo assim sua utilização no perímetro urbano.


O SEGWAY foi autorizado a circular em calçadas de 36 estados americanos, mas com restrições. Ele podia alcançar até 25 km/h de velocidade, mas determinou-se o máximo de 12 km/h. Foi então que as vendas começaram a aumentar conquistando os consumidores domésticos e principalmente organizações governamentais, como por exemplo, o Departamento de Polícia de Atlanta, o primeiro a utilizar os veículos no patrulhamento urbano. A partir de 2004, a empresa começou a criar uma rede global de distribuição, dobrando sua presença mundial no ano seguinte. O veículo chegou ao Brasil em 2006.


Tudo ia bem até que em setembro de 2006 a empresa fez um recall para os mais de 23 mil veículos fabricados até então, em virtude de um defeito de software que poderia causar a inversão de direção nas rodas. Diversos condutores tinham caído de suas máquinas e sofrido ferimentos como dentes quebrados e pulsos fraturados. A SEGWAY então ofereceu gratuitamente um upgrade de software que resolveria o problema. A partir de então o futuro da SEGWAY começou a ser colocado em risco. Afinal, sua trajetória até aqui tinha sido marcada por acidentes de percurso. Apresentado como um veículo de locomoção revolucionário por seu criador a engenhoca ganhou as ruas e áreas de lazer de diversas cidades do mundo.


No entanto, o sucesso do produto junto à comunidade acadêmica e aos ecologistas, não se reproduziu, com a mesma proporção, nas vendas. No final de 2009, como as vendas não cresciam no ritmo esperado, o fundador vende a empresa para o milionário britânico Jimi Heselden, que fez fortuna com empreiteiras e empresas de engenharia. Como uma dessas peças que o destino nos prega, no mês de outubro de 2010, Jimi, de 62 anos, foi encontrado morto no fundo de um precipício, em um rio perto de Leeds, no norte da Inglaterra, junto a um SEGWAY. Segundo a polícia, o milionário caiu no barranco ao perder o controle do veículo fabricado pela sua empresa.


A linha do tempo
2003
No dia 29 de agosto, mais de dois mil proprietários de SEGWAY se reuniram na cidade de Chicago para o SEGWAYFEST, um evento criado e realizado pelos proprietários para compartilhar a experiência com o produto. O evento ganhou tanta força, que hoje em dia é realizado anualmente.
2005
Anunciados mais dois novos modelos do veículo: Segway Cross-Terrain Transporter (para terrenos irregulares) e Segway Golf Transporter (para ser utilizado em campos de golfe). Os novos modelos eram equipados com uma nova bateria de Lítio que proporcionava maior autonomia.
No dia 16 de novembro, o Presidente George Busch presenteou com um SEGWAY o primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi.
2006
A prefeitura da cidade de Chicago assina o maior contrato de uma instituição do governo com a empresa para o fornecimento de veículos para utilização em diversos departamentos.
Lançamento da segunda geração de veículos SEGWAY amparado por uma enorme campanha com o slogan “Simply Moving”.
Lançamento de duas novas tecnologias em seus modelos: LeanSteer (permite manobrar apenas inclinando o corpo para o lado que se deseja virar melhorando a dirigibilidade) e InfoKey (uma espécie de controle remoto sem fio capaz de manobrar o veículo à distância, funcionando também como velocímetro, hodômetro e alarme).
2007
Lançamento, em edição limitada, do modelo SEGWAY i2 Ferrari autografado pelos pilotos Kimi Raikkonen e Felipe Massa. O modelo possuía uma bolsa de couro legítimo utilizada como compartimento.
Apresentação do protótipo SEGWAY CENTAUR. Tratava-se de um quadriciclo inspirado no Centauro, personagem da mitologia grega que tinha metade do corpo de um cavalo e a outra metade de um homem. O veículo utilizava o mesmo sistema do HT, chegava a 32 km/h e podia ser usado em duas ou em quatro rodas. Era dotado de um design agressivo e um belo sistema de suspensão, sendo indicado para atividades esportivas ao ar livre.
2009
Em parceria com a GM anunciou o primeiro protótipo do “projeto P.U.M.A. (Personal Urban Mobility and Accessibility)”, um veículo elétrico de visual peculiar com capacidade para duas pessoas e que possuía somente duas rodas. O projeto tinha suas características voltadas pra o uso urbano, permitindo realizar trajetos rápidos, silenciosos, limpos e com segurança a um custo total baixo, isso porque além de não gastar combustível o protótipo teria um valor aproximado de apenas 25% de um automóvel tradicional. Com o crescimento dos grandes centros urbanos, que dia a dia vem ficando cada vez mais apertados, o P.U.M.A seria uma solução racional, melhorando a mobilidade e deixando o motorista menos refém do trânsito, além de aliviar a poluição adotando um motor elétrico. Mas isso é claro, era apenas um protótipo.


Os modelos
A SEGWAY fábrica sete modelos do veículo:
SEGWAY i2: modelo padrão e simples, especialmente desenvolvido para serem utilizados em terrenos normais. Pesando menos de 50 kg, o modelo atinge velocidade máxima de 20 km/h, sendo capaz de suportar 118 kg e percorrer 38 km com uma bateria. O preço sugerido para o i2 é de aproximadamente US$ 5.000.
SEGWAY x2: versão do modelo padrão mais resistente e forte para ser utilizado em todo tipo de terreno, até mesmo na grama. O preço sugerido para o modelo é de US$ 5.500.
SEGWAY i2 COMMUTER: versão desenvolvida para percorrer pequenas distâncias, principalmente nas ruas de grandes cidades. É o modelo ideal para ir ao trabalho, pois tem capacidade para rodar quase 38 km com uma bateria de lítio.
SEGWAY x2 ADVENTURE: versão esportiva, com visual moderno e funcional (compartimento para levar ferramentas, objetos pessoais, garrafa de água, entre outros objetos), ideal para ser utilizada em terrenos acidentados (trilhas na floresta, lama, subidas íngremes, etc.).
SEGWAY i2 CARGO: modelo comercial com compartimentos para carregar até 13 kg de material, ideal para ser utilizado por empresas para entregas de pequenas mercadorias.
SEGWAY x2 TURF: modelo especificamente desenvolvido para locomoção em grama ou areia sem danificar o terreno ou agredir a natureza.
SEGWAY x2 GOLF: modelo especificamente desenvolvido para locomoção em grama sem danificá-la. O modelo é utilizado nas deslocações em campos de golfe, onde além da praticidade (compartimento para carregar os tacos e equipamentos) é extremamente silencioso.


A SEGWAY também possui modelos (i2 Police e x2 Police) especialmente desenvolvidos para a polícia, ideal para serem utilizados em patrulhamento de ruas, parques, centros de compras, aeroportos e bases militares. Atualmente mais de 1.200 forças policiais e agências de segurança em todo mundo utilizam o veículo.


O veículo do futuro ou um enorme fracasso?
O SEGWAY é uma ótima opção para uso no perímetro urbano. Os carros ocupam muito espaço e, em locais restritos, como nas ruas de uma cidade, podem causar grandes engarrafamentos. Estacionar um carro também é uma dificuldade e eles são caros de se manter. Tudo considerado, o carro não é a opção ideal para percursos pequenos em áreas congestionadas. O SEGWAY é apenas um pouco maior que uma pessoa, de forma que não provoca congestionamentos como um carro. Como é um veículo de calçada, ele permite uma movimentação ágil através das multidões, evitando completamente as rodovias. Mas apesar desses argumentos, o SEGWAY tem encontrado restrições em muitos países devido à legislação de trânsito. Além disso, como scooters e bicicletas, esses veículos estarão cada vez mais envolvidos em acidentes com pedestres. Mas os seus defensores dizem que ele é tão perigoso quanto caminhar, considerando que se locomove a velocidades relativamente baixas.


Mesmo que ele não possa levar as pessoas ao seu destino em altas velocidades, consegue com sua marcha lenta, driblar o congestionamento. Chegando ao seu destino, seus condutores podem levá-lo consigo para qualquer lugar sem se preocupar com estacionamento. Também não precisam parar no posto de gasolina, pois o veículo é abastecido com eletricidade doméstica. O meio-ambiente agradece. Os SEGWAY são também boas máquinas para locomoção em depósitos entulhados, onde corredores apertados não permitem o uso de veículos maiores. Muitas pessoas podem achá-los úteis para se movimentar em extensas áreas públicas, como aeroportos ou parques de diversões. Não há limite na diversidade do seu uso. Ele se adapta à maior parte dos lugares onde se possa caminhar. Apesar de todos esses argumentos, o SEGWAY não obteve grande sucesso em modificar o mundo. O preço alto, a pouca autonomia e as restrições de legislação de trânsito provavelmente tem sido os maiores obstáculos. Com o tempo, o veículo considerado “revolucionário” se tornou um produto de nicho, usado principalmente em rondas de segurança em ambientes fechados, forças policiais, serviços governamentais e outras atividades restritas. Recentemente, entretanto, a empresa anunciou opções de financiamento e leasing. Ela também espera que o aumento nos preços do combustível faça disparar as vendas. Outra aposta da empresa para popularizar o produto e proporcionar um contato direto com o público são os diversos tours a bordo de um SEGWAY à famosos pontos turísticos por grandes cidades do mundo, como por exemplo, Atlanta, Budapeste, Berlim, Chicago, Munique, Paris, Madri, São Francisco, Viena e Washington.


Dados corporativos
● Origem:
Estados Unidos
● Fundação:
27 de julho de 1999
● Fundador:
Dean Kamen
● Sede mundial:
Bedford, New Hampshire
● Proprietário da marca:
Segway, Inc.
● Capital aberto:
Não
● CEO:
Wayne Mitchell
● Faturamento: US$ 100 milhões (estimado)
● Lucro:
Não divulgado
● Concessionárias:
+ 250
● Presença global:
80 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários: 300
● Segmento:
Transportes
● Principais produtos:
Veículo de transporte pessoal
● Ícones: O
design do veículo
● Slogan:
Simply Moving.
● Website: www.segway.com

A marca no mundo
A linha de produtos SEGWAY é comercializada em mais de 250 concessionárias (aproximadamente 100 localizadas nos Estados Unidos) em 80 países ao redor do mundo. Um dos maiores clientes da empresa são organizações governamentais (principalmente a polícia e o setor de segurança) que utilizam um modelo especialmente desenvolvido para ser utilizado em patrulhamento e segurança. Cerca de 80% das vendas da SEGWAY são para empresas, enquanto os consumidores individuais respondem por 20%.

Você sabia?
A SEGWAY já vendeu mais 80.000 unidades de seu veículo de transporte pessoal desde o lançamento.


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 28/1/2012

5 comentários:

xaxa disse...

LEgal seu blog. Tirei altas dúvidas sobre marcas e outras curiosidades que não sabia.

Você poderia, colocar a extinta marca de sabão em pó Rinso. Minha mãe fala até hoje nessa marca.

Abraços

Anônimo disse...

Oi colega.. adorei seu site, entrei pra ver uma informaçãozinha e acabei lendo toda a histórias da empresa! Show de bola, mas queria deixar uma sugestão..
Como tens posts muito grandes, sugiro que vc configure pra deixar uma matéria por vez na tela, pois demora muito pra abrir tudo ( ainda mais quando tem youtube tb ). E importante: deixe um menu lateral do histórico, pois eu queria ter visitado mais matérias e não tive como. Seria legal deixar uma opção pras pessoas poderem ler matérias antigas. Uma pena que não consegui. Se você resolver colocar, me avisa pra eu voltar aki tah! Abraços, e parabéns pela iniciativa!
Lucy
windseer@bol.com.br

jean disse...

cara adorei seu blog gostaria de saber como esa coiza fica dipe sem cair esacoiza tem aparte de baixo mais pesada ok

Anônimo disse...

Olha só a solução para a crise dos combustíveis fosseis nos grandes centros urbanos brasileiros, além da bike de propulsão humana, será que não ficaria mais em conta ir comprando as peças e depois montar aqui em nosso country? By TIJUANO JUANITO

Ricardo K. disse...

caros, bom dia!

Comprei um segwey nos EUA e deu um defeito, vocês recomendam algum lugar para consertar no Rio de Janeiro?

Obrigado,
Ricardo