2.5.07

NETFLIX


Prepare-se para um fim de semana daqueles. Acesse a internet, escolha os filmes, shows ou séries que desejar e aguarde tranquilamente sentado em seu sofá que em segundos a diversão irá começar, quer seja no computador, no celular, no tablet ou na televisão. E o melhor, quantas vezes desejar. São milhares de opções e sem comerciais. Foi assim que a NETFLIX revolucionou o mercado americano de locação de filmes, provocando um verdadeiro terremoto interno na então gigante Blockbuster, ao dar às pessoas a possibilidade de assistir ao filme ou série que quiser, na hora em que desejar e no aparelho preferido. Afinal pegar filme na locadora e pagar multa por atraso na devolução já virou coisa do passado. 

A história 
Embora muitas empresas que tentem atuar na internet fracassem, há ainda algumas bem-sucedidas, como a NETFLIX, que mudou de forma radical o modo como milhares de pessoas têm acesso a filme, séries e documentários. A empresa foi fundada no dia 29 de agosto de 1997 pelos veteranos empreendedores Reed Hastings (matemático e cientista da computação) e Marc Randolph (profissional de marketing) na pequena cidade de Scotts Valley, encravada no Vale do Silício californiano, e começou a operar oficialmente no dia 14 de abril de 1998 oferecendo venda (serviço descontinuado pouco depois) e aluguel de filmes, serviço para o qual os clientes pagavam US$ 4 (mais US$ 2 de despesas postais) por filme. Eles contavam com uma novidade: o DVD, perfeitos para o envio via correio, pois eram leves, pequenos, resistentes e cabiam em um envelope. A empresa tinha apenas 30 empregados e 925 títulos de filmes disponíveis para locação. A ideia de montar a nova empresa surgiu depois que Reed Hastings ficou extremamente irritado ao descobrir que teria de desembolsar US$ 40 para pagar a multa de atraso na devolução do filme Apollo 13, longa-metragem estrelado por Tom Hanks, em Los Gatos na Califórnia. Porém, essa história, muitos dizem, não passa de um boato, inventado por Reed para explicar o modelo de negócios e a motivação da empresa. Se antes era preciso ir até uma videolocadora ou um cinema para assistir um filme, a partir de então era possível fazer isso através de um site. Foi verdadeiramente revolucionário.


No ano seguinte, a empresa expandiu a oferta do serviço para outras cidades americanas. Porém, quanto mais a empresa crescia, mais dinheiro perdia. Foi então que a NETFLIX resolveu mudar e, em 1999, adotou o sistema de assinaturas com aluguéis ilimitados, após receber uma injeção de US$ 30 milhões feito por um grupo de investidores. O sistema funcionava assim: o cliente escolhia o filme no site da empresa (podia escolher de 1 a 8 filmes por vez), que era mandado via correio com um envelope vermelho (despesas postais já pagas) para que mandasse de volta assim que acabasse de assistir. Através de uma lista criada pelo cliente a empresa sabia qual a ordem desejada na locação de filmes, e assim que devolvesse, os próximos da lista eram enviados. O sucesso foi instantâneo, principalmente porque, ao contrário das locadoras tradicionais, a NETFLIX jamais usou a cobrança de multas por atraso, por exemplo, como uma fonte de receita. Além disso, a empresa locava uma série de filmes cuja demanda individual era pequena demais para enormes redes de locadoras como a Blockbuster. Entre eles documentários, animações japonesas e filmes independentes. Com o sucesso do plano de assinaturas, a NETFLIX foi oferecida, em 2000, para a rede de locadora Blockbuster, sua principal concorrente na época, que não fechou o acordo por não acreditar que o negócio seria promissor. Esse sucesso também atraiu investidores querendo depositar alguns milhões de dólares nos caixas da empresa.


A marca teve um impulso inusitado em 2001, após os ataques terroristas de 11 de setembro em Nova York, quando viu seu número de assinantes mais que dobrar, tudo graças ao medo dos americanos de deixar suas casas, optando por receber um filme sem sair do sofá. 2003, primeiro ano em que a NETFLIX terminaria com mais ganhos do que perdas, a empresa atingiu a marca de 1 milhão de assinantes. O crescimento foi tamanho que em 2005 a empresa possuía mais de 35.000 filmes em seu acervo, enviava pelos correios em média 1 milhão de DVDs por dia e possuía entre 4 e 5 milhões de assinantes, começando a incomodar as tradicionais empresas do segmento. Pouco depois, em 2006, através da criação da Red Envelope Entertainment (uma clara referência à sua característica embalagem em que eram despachados os DVDs) a empresa começou timidamente a distribuir conteúdo e até apostar na produção de conteúdo original. Essa divisão seria encerrada dois anos mais tarde, após distribuir e produzir mais de 100 títulos, entre os quais “2 Dias em Paris” e “Super High Me”. O motivo era que a NETFLIX queria evitar a disputa com os estúdios parceiros naquele momento. No dia 25 de fevereiro de 2007 a NETFLIX comemorou o aluguel de um bilhão de DVDs, um marco e tanto para uma empresa tão jovem, que passou também a aumentar seu acervo de filmes em Blu-ray. Outro fator de sucesso era que no site da NETFLIX o cliente, além de poder acessar a ficha técnica e resenha de cada filme, também podia classificá-los através de notas e montar uma lista de favoritos.


Foi neste momento que a NETFLIX introduziu um novo serviço que iria reinventar a empresa: assistir mais de mil filmes e episódios de séries na tela do computador através do sistema de streaming, uma tecnologia que permite a transmissão instantânea de vídeos pela internet. O plano de U$$ 16.99 permitia que o usuário assistisse 17 horas de vídeo no mês. Apenas seis meses depois, cerca de 10 milhões de filmes e séries tinham sido assistidos por seus assinantes via computador. E o sucesso não parou. Em questão de meses, a empresa passou de cliente de primeira classe de mais rápido crescimento dos correios americanos à maior fonte de tráfego de streaming na internet americana durante o horário nobre (entre 21 horas e meia-noite). Desde o final de 2009, o acervo também pode ser visto pela TV, por meio de um aparelho receptor semelhante a um conversor de TV a cabo. Além disso, disponibilizou o serviço de download instantâneo de filmes e séries de TV, que podiam imediatamente ser vistos em uma televisão através de consoles como PlayStation 3 da Sony, Wii da Nintendo e Xbox 360 da Microsoft. Pouco depois, os proprietários de iPhone e iPad também tinham a opção de locar filmes da NETFLIX através de um aplicativo desenvolvido pela empresa.


E não demorou muito para a empresa oferecer um plano ilimitado só de serviços de streaming de vídeos, a US$ 7.99, e elevar as taxas de assinatura de seus planos ilimitados de streaming e DVDs em um dólar, esperando eventualmente se desfazer (entenda-se desestimular) seus serviços de locação pelo correio, cujos custos de envio eram altíssimos, e focar definitivamente seus serviços na locação online. Em setembro de 2010 a empresa ampliou o serviço streaming para o Canadá, iniciando assim sua expansão internacional. O rápido sucesso no Canadá fez com que a empresa repetisse a empreitada em novos países. No mês de setembro de 2011, a empresa americana iniciou oficialmente suas operações na América Latina, onde começou a oferecer vídeos e séries pela internet por cerca de US$ 8 ao mês, incluindo programas de canais de televisão. Os serviços da NETFLIX começaram a ser oferecidos no Brasil - 1º país do bloco a receber e o 3º do mundo - (desde então ampliou em seis vezes sua oferta de conteúdo, incluiu a opção de legendas e dublagens e produziu desde pequenos especiais de comédia a séries de enorme sucesso) e foram implantados paulatinamente em outros países sul-americanos como Argentina, Chile e Colômbia, além do México, América Central e Caribe. Nos dois anos seguintes o serviço foi lançado no Reino Unido (2012), países nórdicos e na Holanda (2013). A essa altura já eram 32 milhões de usuários nos Estados Unidos (30% da população) e 10 milhões espalhados pelo restante do mundo. Outra novidade foi o lançamento do SUPER HD, inicialmente apenas por intermédio de provedores de internet com conexão direta com a NETFLIX. Isto significa que séries e filmes agora tinham imagens ainda melhores em telas HD com transmissão de mais bits por segundo.


A primeira série a ser distribuída exclusivamente pela NETFLIX foi Lillyhammer em 2012, cujo enredo gira em torno de um mafioso novaiorquino que se muda para a Noruega para que assim consiga uma nova identidade. Além disso, a NETFLIX iniciou a produção de conteúdo original para seu popular serviço de streaming, com a estreia em fevereiro de 2013 do seriado House of Cards, um drama político produzido por David Fincher, que tinha como protagonista Kevin Spacey. Foram US$ 100 milhões investidos para duas temporadas de 13 episódios cada. O sucesso foi tamanho, que a NETFLIX conseguiu 10 milhões de assinantes em 10 meses. E as novidades das produções originais não pararam por aí. Em abril estreou Hemlock Grove, uma série de terror e, em julho, Orange is the New Black, uma série cujo enredo se desenvolve em torno de Piper Chapman, uma mulher de classe média alta, que mora em Nova York, e é condenada por participação no transporte de uma mala de dinheiro vindo do tráfico de drogas. Ainda neste ano, foi produzida a primeira série financiada pela NETFLIX no Brasil, A Toca, uma comédia em forma de falso documentário, escrita e produzida pelo humorista Felipe Neto. O sucesso destas séries foi tanto que a empresa conquistou 14 indicações de duas de suas produções originais ao Emmy Awards, sendo que House of Cards conquistou três prêmios, mesmo sem nunca ter passado na televisão.


A partir de então a empresa que era uma distribuidora de conteúdo resolveu ser uma produtora de conteúdo original, obtendo um estrondoso sucesso, que levou a NETFLIX a investir US$ 45 bilhões em novas produções nos anos seguintes. Com isso foram lançadas séries como Marco Polo (2014), Narcos (2015), Sense 8 (2015), Stranger Things (2016), The Get Down (2016), The Crown (2016), Mindhunter (2017), Os Defensores (2017), 13 Reasons Why (2017), La Casa De Papel (2017), O Mecanismo (2018) e Seven Seconds (2018); e filmes como Beasts of No Nation (2013), Amizades Improváveis (2016), Roma (2018), Meu Nome é Dolemite (2019), História de um Casamento (2019), O Irlandês (2019) e Dois Papas (2019); que além de serem grandes sucessos, forma indicados para várias premiações internacionais de cinema e televisão. O resultado disso foram 37 premiações no Emmy Awards, 4 premiações no Globo de Ouro e mais de 6 premiações no Oscar. Somente no ano de 2019 foram mais de 1.800 horas de conteúdo original. O número atual de obras originais da empresa ultrapassa 250.


As produções próprias ajudaram a NETFLIX a se expandir ainda mais pelo mundo, com uma proposta inédita no segmento de entretenimento: séries com lançamento simultâneo no mundo inteiro e com todos os episódios disponibilizados no mesmo dia. Até então, esse tipo de produção era exibida semanalmente na TV e demorava semanas ou meses para chegar a outras partes do planeta. Nesse período a NETFLIX também lançou novidades, como por exemplo, em 2014, quando disponibilizou os primeiros conteúdos em 4K, incluindo a série original House of Cards e alguns documentários sobre a natureza. Já a expansão internacional teve continuidade em 2015 com a estreia dos serviços na Austrália e Nova Zelândia. A Ásia receberia o serviço alguns meses depois, sendo o Japão o pioneiro por lá. Mais recentemente a NETFLIX passou a distribuir parte de seu conteúdo na China através de um licenciamento com o serviço local de streaming chamado iQiyi, que faz parte do império Baidu. A última grande novidade da NETFLIX foi a possibilidade dos assinantes baixarem o conteúdo em seus dispositivos para assistirem offline. Além disso, em 2020, apresentou um novo recurso, batizado Top 10, que permite ao usuário ver o que é mais popular (filmes e séries) na plataforma de streaming de seu país.


Desde sua entrada no mercado, a outrora poderosa Blockbuster, que um dia reinou absoluta nesse segmento com 9.000 lojas e que chegava a obter algo próximo de US$ 1 bilhão por ano só com multas cobradas dos clientes pelo atraso na devolução de filmes, amargou prejuízos enormes e teve que se reinventar para não desaparecer (o que não adiantou). Na outra ponta, a NETFLIX aumentando seus lucros cada vez mais, ano após ano. A empresa tem como principal argumento de seu enorme e avassalador sucesso o preço de suas ações para mostrar. Com valor de mercado superior a US$ 162 bilhões, a empresa já vale mais que os tradicionais estúdios de cinema de Hollywood que licenciam seus filmes para ela. Além de assustar os grandes estúdios, a NETFLIX causa pânico nas operadoras de TV a cabo, que a enxergam como uma grande e potencial ameaça a seus assinantes. Afinal, com vidas atribuladas e uma busca por mais valor e controle por parte dos clientes, não é surpresa que a NETFLIX tenha se tornado o provedor online de entretenimento preferido em sua terra natal, os Estados Unidos, e rapidamente se expandiu para quase todos os países do mundo. Compatibilidade com vários dispositivos, catálogo grande e variado e conteúdo próprio é a receita para tanto sucesso. E seu sucesso é impressionante, graças também à estratégia desenvolvida com marketing de conteúdo e a cultura da empresa que, hoje, retém mais de 90% de seus usuários.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por duas modificações ao longo de sua história. Entre 1997 e 2000, a NetFlix (tinha o “F” maiúsculo inicialmente) utilizou um logotipo que possuía um rolo de filme (na cor roxa). Em 2000, a marca apresentou uma nova identidade visual, muito mais impaciente e chamativa, que apresentava uma nova tipografia de letra e a predominância da cor vermelha. Em 2014 a NETFLIX apresentou seu novo logotipo, que prima pela simplicidade e leveza com a abolição da sombra, do contorno e do fundo vermelho, além de uma tipografia de letra ligeiramente modificada.


Em 2014 a marca também criou um ícone para ser utilizado em seus meios digitais como aplicativos e redes sociais.


Os slogans 
See what’s next. (2014) 
The Best Way to Rent Movies. 
Save gas and time. (2008) 
There’s a movie waiting for you at home. (2005) 
The world’s largest online DVD rental service. (2002) 
Muda tudo. (2013, Brasil) 
Só na Netflix. (Brasil) 
Com a Netflix, você tem o controle. (Brasil)


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 29 de agosto de 1997 
● Fundador: Reed Hastings e Marc Randolph 
● Sede mundial: Los Gatos, Califórnia, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Netflix Inc. 
● Capital aberto: Sim (2002) 
● Chairman & CEO: Reed Hastings 
● Faturamento: US$ 20.1 bilhões (2019) 
● Lucro: US$ 1.86 bilhões (2019) 
● Valor de mercado: US$ 162.6 bilhões (abril/2020) 
● Valor da marca: US$ 8.963 bilhões (2019) 
● Assinantes: 169 milhões 
● Presença global: 190 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 8.600 
● Segmento: Entretenimento 
● Principais produtos: Streaming de vídeos e produção de filmes e séries 
● Concorrentes diretos: Amazon Prime Video, Disney+, Hulu, Vimeo, YouTube TV, HBO on Demand, Apple TV+, Crackle e Redbox 
● Slogan: See what’s next. 
● Website: www.netflix.com/br/ 

O valor 
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca NETFLIX está avaliada em US$ 8.963 bilhões, ocupando a posição de número 65 no ranking das marcas mais valiosas do mundo de 2019. 

A marca no mundo 
Atualmente o serviço de streaming de filmes, séries e documentários mais popular do mundo, têm em seu acervo mais de 13 mil títulos de filmes, documentários, shows, programas e seriados de televisão (que variam de país para país), provenientes dos mais tradicionais estúdios e produção própria; mais de 169 milhões de assinantes (somente nos Estados Unidos são 60.1 milhões); mais de 330 milhões de pessoas impactadas; e está disponível em 26 idiomas. A NETFLIX está presente em mais de 190 países, com exceção da Síria, Coréia do Norte e Criméia. Todos os meses seus assinantes assistem a mais de 4 bilhões de horas de filmes, séries e produções originais. Além disso, a NETFLIX ainda mantém o pequeno negócio de aluguel de DVDs enviados por correio nos Estados Unidos, com mais de 2 milhões de assinantes e receita anual de US$ 365 milhões. 

Você sabia? 
Alguns estudos apontam que a NETFLIX é responsável por 30% do tráfego da internet nos Estados Unidos. 
A NETFLIX não disponibiliza filmes eróticos ou pornográficos. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Exame e Isto é Dinheiro), jornais (Valor Econômico, Estadão e Meio Mensagem), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel, Interbrand e Mundo do Marketing), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 12/4/2020

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom, gostei muito!
Vai ficar em meus favoritos esse blog!

Unknown disse...

Eu sou uma grande fã desse blog e essa matéria esta espetacular!