7.5.06

VIRGIN ATLANTIC AIRWAYS


Massagistas e manicures à bordo? Bares, sofás e até mesas de xadrez nas aeronaves? Salas de embarque com sauna, lareira, mesas de sinuca, e até mesmo uma biblioteca farta, com milhares de livros de diferentes assuntos? Não, não se trata de desvarios de um diretor de marketing excêntrico. Trata-se da mais inovadora empresa aérea do mundo, a britânica VIRGIN ATLANTIC AIRWAYS. Fruto da genialidade de seu fundador, Sir Richard Branson, a companhia aérea é um tremendo sucesso. Seus aviões ligam Londres a vários destinos importantes do mundo, como Nova York, Los Angeles, Tóquio, Hong Kong, Nova Déli, Miami, Nairóbi, Toronto e Dubai. Enfrentar e muitas vezes vencer a dura competição, nem sempre leal, da excelente British Airways é tarefa para poucos. É tarefa para Sir Richard Branson. Mas ele é mesmo um homem incomum. Fundou seu império vendendo discos por correspondência. Gago e tímido foi péssimo aluno, o que levou seu pai a afirmar que “Richard não seria grande coisa na vida”. Pois sim. Sua empreitada virou a gravadora Virgin Records, vendida por uma fábula a Thorn/EMI.

A história
Ele teve a ideia de lançar uma empresa aérea meses antes, ao ficar dias esperando pela confirmação de um lugar nos voos transatlânticos da companhia People Express, uma das pioneiras no mercado de baixo custo (low-fare) na Europa. Então pensou: deve ser um bom negócio. Juntamente com o advogado americano Randolph Fields e Allan Hellary, um ex-piloto da companhia aérea Laker Airways, Sir Richard Branson anunciou ao público no dia 29 de fevereiro de 1984 a formação da VIRGIN ATLANTIC AIRWAYS. As reações, dentro e fora do grupo, entre funcionários da própria VIRGIN e de empresas aéreas concorrentes, oscilaram entre a mais pura incredulidade ao mais frontal despeito. Em 22 de junho, um velho Boeing 747-200 comprado da Aerolíneas Argentinas, decolava lotado de convidados, voando do aeroporto Gatwick em Londres para o Newark em Nova York. Embora o serviço naquele dia não fosse nada convencional, em 8 horas de voo foram consumidas 132 garrafas de champanhe, o DNA da empresa já estava lá. E nos dias seguintes, os vários jornalistas convidados para o voo inaugural resumiam em manchetes o sentimento que talvez melhor defina a empresa que Sir Richard começava a criar: Flying is Fun, voar é divertido.


Em semanas, os voos partiam lotados. Os comentários eram os melhores possíveis. E o governo de Margaret Thatcher, empurrado por “recomendações” da princesa Diana, finalmente encontrava nas asas da VIRGIN ATLANTIC uma competidora séria para a quase monopolística British Airways. De repente, voar ganhava adjetivos inéditos no setor, tais como “sexy”, “divertido”, “surpreendente”, e, principalmente, “moderno”. Num país conservador como a Inglaterra, isso poderia ser ainda mais difícil, mas Sir Richard soube como ninguém usar seu charme pessoal para conquistar clientes, sobretudo mais jovens. Músicos, artistas, publicitários, jornalistas e microempresários começaram a experimentar os serviços da nova companhia aérea. E retornar. A VIRGIN ATLANTIC conseguiu fidelizar nada menos que 99% dos passageiros na sua Upper Class (uma 1ª Classe disfarçada de classe executiva) e 92% na Classe Econômica, um recorde até hoje. De repente, voar VIRGIN era uma forma de expressão, um grito de rebeldia contra o establishment. A VIRGIN ATLANTIC decolou e floresceu. Não demorou muito para que a companhia aérea se tornasse sinônimo de uma empresa com personalidade audaciosa, bem-sucedida e, principalmente, dotada de uma estratégia inovadora em relação à aviação comercial.


Seu produto e sua imagem de empresa atrevida e inovadora eram reflexos de Sir Richard Branson. Quem não gostou nada foi a tradicional British Airways, que sob as ordens diretas de seu Chairman, Lord King of Wartnaby, ordenou o início de uma guerra de bastidores contra a inovadora empresa de Sir Richard. Utilizando métodos desleais, a poderosa aristocrata tentou destruir a atrevida menina. Porém, Sir Richard descobriu os esquemas e os trouxe a público. Acuada, a British Airways foi processada e vencida nos tribunais ingleses, tendo de pagar milhões de libras de indenização. Sir Richard, exultante, mandou dividir igualmente a todos os funcionários da empresa a indenização ganha. Os funcionários da VIRGIN ATLANTIC receberam cada um em seus contracheques mais de £600 identificadas como “BA Bônus” (Bônus da Britsih Airways), em uma clara provocação a rival.


Nesta época a companhia aérea já havia crescido acrescentando novas rotas como Tóquio (1989), Los Angeles (1990) e Boston (1991). Em 1992 Richard Branson resolveu vender por US$ 1 bilhão sua gravadora, a Virgin Records, para sua principal concorrente, a Thorn/EMI. Reaplicou parte do dinheiro na companhia aérea, modernizando sua frota com a aquisição de novos modelos de Boeing 747 e Airbus A340 e ampliando suas rotas. Neste ponto, a VIRGIN ATLANTIC já podia dizer que, embora não fosse uma das maiores, era sem dúvida a mais inovadora empresa aérea do mundo. Em 1996 adquiriu 90% da companhia aérea belga Euro/Belgian Airlines, que passou a se chamar VIRGIN EXPRESS, primeira companhia de baixo custo da VIRGIN.


Em 2000 quando a empresa parecia estar chegando a um estágio financeiro crítico, por ter contraído pesadas dívidas, Sir Richard realizou uma jogada de mestre, vendendo 49% das ações para a Singapore Airlines, considerada a melhor companhia aérea do mundo. Foi neste mesmo ano que ocorreu o lançamento da VIRGIN BLUE, companhia aérea de baixo custo na Austrália. Além disso, em junho, iniciou a rota para Las Vegas, um importante destino turístico mundial. Em 22 de junho de 2005, a VIRGIN ATLANTIC celebrou seus 21 anos de idade com um voo comemorativo entre Londres e Nova York onde estavam presentes Sir Richard Branson, celebridades e a imprensa. Em 2007 a companhia área ingressou no enorme mercado americano com o lançamento da VIRGIN AMERICA, companhia aérea de baixo custo que iniciou suas operações voando para 5 destinos domésticos com uma frota de 12 modernas aeronaves.


Em 2009, como parte da campanha de marketing para comemorar os 25 anos da VIRGIN ATLANTIC, cujo slogan era “Still Red Hot For 25 Years”, a supermodelo Kate Moss apareceu vestida como uma das “pin-ups girls” (as insinuantes garotas ícones da marca) da companhia aérea, assim como Pamela Andersson, que também encarnou uma pin-up nos 21 anos da empresa. A bela modelo, que trajava um sexy vestido vermelho e saltos altos pretos, com as torneadas pernas de fora, posou ao lado do presidente da empresa, Sir Richard Branson. A sorridente Kate até pulou no colo do empresário para animar a sessão. Após a sessão de fotos, a modelo embarcou em um avião da companhia aérea, batizado de Birthday Girl (garota aniversariante), para uma viagem que recriava o voo inaugural da VIRGIN ATLANTIC - partindo do aeroporto de Heathrow em Londres para Nova Iorque.


A linha do tempo
Altamente lucrativa, a VIRGIN ATLANTIC superou todas as expectativas, sendo a segunda maior companhia aérea da Grã-Bretanha. As inovações começaram no primeiro voo e nunca mais pararam.
1985
Formação da VIRGIN HOLIDAYS, uma agência de turismo que tinha como principal objetivo vender pacotes de férias e assentos nos aviões da VIRGIN ATLANTIC para suas rotas de Nova York, Orlando e Miami. Atualmente a agência vende para mais de 400.000 passageiros pacotes turísticos e passagens aéreas para os Estados Unidos, Canadá, Caribe e África do Sul.
Lançamento da VIRGIN CARGO, empresa aérea especializada em transporte de cargas.
1986
Instalação de assentos maiores e confortáveis para dormir na Upper Class (classe executiva).
1989
Primeira companhia aérea a introduzir monitores de vídeos individuais, oferecendo diversas opções de filmes para passageiros da Business Class (classe destinada para homens de negócios).
1990
Introdução, no voo inaugurou para Los Angeles, de uma terapeuta a bordo. A primeira foi Jane Breeden, que oferecia serviços de massagens para atenuar os desconfortos de uma viagem longa. Atualmente esses serviços estão disponíveis em todos os voos de longa duração da empresa, menos para o Japão: foi grande o número de passageiros nipônicos que, depois de uns saquês a mais e por não entenderam bem a coisa, se atracaram com algumas terapeutas.
Seus voos passam a contar com desfibriladores automáticos a bordo.
Lançamento do programa de milhagem chamado Freeway. Este programa seria relançado em 1999 com o nome FREQUENT FLYER.
1991
Primeira companhia aérea a oferecer monitores de vídeos individuais com sistemas de 6 canais para todas as classes.
1992
Introdução da classe MID CLASS, que viria a se chamar PREMIUM ECONOMY em 1994. Era uma classe econômica superior direcionada para executivos que precisavam voar a um baixo custo, porém com espaço e conforto para trabalhar e relaxar durante os voos.
Primeira companhia aérea a oferecer assentos seguros para crianças.
1999
Assinatura de um acordo com a montadora sueca Volvo, que passou a oferecer o famoso serviço de limusines (“pick-up service”) da VIRGIN ATLANTIC, iniciado em 1994. O serviço, exclusivo para passageiros da Upper Class, se tornou um grande sucesso.
2002
Introdução do serviço de mensagens SMS em voo.
2003
Introdução da UPPER CLASS SUITE, até então o mais longo e confortável assento/cama da indústria da aviação, com 2.10 metros de comprimento e 83 centímetros de largura.
2008
No dia 24 de fevereiro a companhia aérea realizou o primeiro teste de um avião comercial abastecido com biocombustível, quando um Boeing 747, sem passageiros realizou um voo entre Londres e Amsterdã com um de seus quatro motores movido por um biocombustível produzido a partir de óleo de coco babaçu.
2011
Lançamento do site Vtravelled, especialmente desenvolvido para quem planeja uma grande viagem. Um serviço via web muito útil aos amantes do turismo. As pessoas podem compartilhar informações sobre os destinos, criar álbuns pessoais com fotos e roteiro. É quase uma rede social de viagens. Além de gerar vendas, o site trabalha reforço de marca e também é uma ferramenta para conhecer mais profundamente o consumidor.


Uma experiência única
Voar com a VIRGIN ATLANTIC é uma experiência inesquecível. Principalmente na classe executiva (Upper Class), responsável pelos tantos prêmios conquistados pela companhia aérea ao longo dos anos. Só para ter uma ideia do produto, o índice de fidelidade deste serviço chega a impressionantes 99% dos usuários. Ao fazer a reserva, uma simpática atendente solicita o endereço do passageiro, para providenciar o “pick-up service”, uma cortesia que inicia com pé direito a viagem: uma limusine da marca sueca Volvo apanha o passageiro em um raio de 60km do aeroporto. Mas o show começa mesmo em sua área VIP, conhecida como Clubhouse. Trata-se de um complexo com vários ambientes. Na entrada, um SPA com saunas, duchas, banheiras de hidromassagem, manicures e massagistas.


Tudo isso dentro de um aeroporto. Os ambientes são fantásticos. Por exemplo, há uma sala com lareira. Uma farta biblioteca, com livros de diferentes assuntos. Um selo afixado às capas diz: “Quando terminar a leitura, por favor, envie este livro de volta que pagaremos pelos custos postais”. Em outro ambiente, máquinas de pinball e mesas de sinuca. Ou ainda, se preferir, um enorme bar com as melhores bebidas. Perder o voo deve ser a coisa mais comum neste complexo. E uma das mais prazerosas. Ao embarcar, percebe-se que a Upper Class é realmente diferenciada. Extremamente confortável, com decoração refinada e cheia de mimos que certamente os passageiros irão adorar. Um toque de criatividade fica por conta de um dos produtos mais inovadores da empresa: há uma parte reservada da cabine (batizada de área de terapia) com uma mesa de massagem, onde uma terapeuta pode atenuar o desconforto de longas viagens em avião. Alternativamente, uma manicure pode cuidar de suas mãos, antes de chegar ao seu destino. Sem contar o atendimento impecável das aeromoças, a carta de vinhos, o delicioso jantar, os produtos que podem ser comprados a bordo, e claro, um sistema de entretenimento excepcional.


A área VIP
O conceito chamado Clubhouse começou a ser implantado em 22 de fevereiro de 1993 com a inauguração de um espaço VIP no aeroporto Heathrow em Londres. O investimento de £1 milhão criou um ambiente jamais visto dentro de um aeroporto, proporcionando ao passageiro da Upper Class uma agradável e inesquecível experiência. O tremendo sucesso fez com que novos Clubhouse fossem inaugurados nos aeroportos de Tóquio e Nova York. Estas áreas oferecem mimos como lareiras em ambientes decorados com mobiliários refinados; fartas bibliotecas; drinques; comidas, desde petiscos a iguarias internacionais; centro de negócios totalmente equipados; massagens e outros tratamentos de beleza; banheiros com toda a infraestrutura para um relaxante banho; SPA e várias opções de jogos; tudo para que o passageiro vivencie uma experiência única antes do embarque. Atualmente a VIRGIN ATLANTIC possui Clubhouse nos aeroportos de Heathrow e Gatwick em Londres; JFK (reformada em 2012 ao custo de US$ 7 milhões) e Newark em Nova York; San Francisco; Boston; Dulles em Washington; Jon Smuts em Johanesburgo; Narita em Tóquio; e Hong Kong. Nos aeroportos onde a companhia aérea não tem os Clubhouse existem lounges confortáveis e com grande número de serviços.


As classes
A VIRGIN ATLANTIC oferece aos seus passageiros três opções de classes dentro de seus aviões:
ECONOMY – Esta classe de econômica só tem o nome. Seus confortáveis assentos têm a largura de 81 cm, que proporcionam muito mais conforto, televisões e videogames com 35 jogos individuais, kit de conveniência (protetor de olhos, fones de ouvido, meias, pasta e escova de dente); bebidas de graça e um tratamento excepcional. Esta classe tem impressionantes 92% de fidelização dos passageiros.


PREMIUM ECONOMY – Esta classe tem check-in separado, direito a utilizar os cobiçados espaços VIPS (clubhouse) nos aeroportos, além de todo conforto dentro da aeronave, como assentos com extensão de pernas; cardápio com três opções de refeições, servidos em pratos de porcelana com talheres de aço inox; além de licores e frutas frescas; jornais e revistas; kit conveniência em estojo de couro; monitor de televisão e videogame individual; conexão para Internet e laptop; além do tratamento diferenciado.


UPPER CLASS – Na verdade uma 1ª Classe disfarçada de executiva. Direcionada para homens de negócios é um dos principais produtos da companhia aérea com seus mimos exclusivos, como por exemplo, seu assento/cama com 2.10 metros de comprimento e 83 centímetros de largura instalados na diagonal e separados por divisórias; bar servindo drinques, sucos e lanches; serviços de massagistas e manicures; kit de conveniência, chamado de Snooze Pack e composto por pasta e escova de dente, meias, fones de ouvidos, protetores de olhos, saco para sapatos, creme de barbear e barbeador, caneta, e outros itens “básicos”; complexo sistema de entretenimento a bordo com tela de 10 polegadas e uma vasta opção de canais de filmes, jogos de videogames e documentários; entradas para iPod e laptop com conexão sem fio; cardápio amplo e variado com carta de vinhos e champanhe; além do serviço de limusine e o direito de poder desfrutar dos exclusivos Clubhouses. Em 2012 a companhia aérea investiu £100 milhões para revitalizar e apresentar sua nova Upper Class, que ganhou instalações supermodernas e um ar futurista (com flashes do famoso vermelho VIRGIN e toques de cristais Swarovski para dar um brilho extra). E tem mais: a arquitetura da iluminação DHA, permite mudanças de cores durante o voo para ajudar aos passageiros relaxar e descontrair, dormir e até ajustar os fusos horários; as revolucionárias suítes New Comfort, proporcionam um sono mais luxuoso e confortável, ainda mais com uma poltrona (reclina 50% mais, perfeita para uma soneca nos voos mais curtos) que se transforma em uma cama de 220 cm, e possui um controle e monitor touchscreen de 12,1 polegadas, carregado com o novo sistema de entretenimento batizado de JAM (onde é possível conectar smartphone, dispositivos USB, ou tablet, e assim, assistir, ler e ouvir o seu próprio conteúdo, além de carregar a bateria do dispositivo). A VIRGIN ATLANTIC conseguiu fidelizar nada menos que 99% dos passageiros nesta classe.


Frota e destinos
A VIRGIN ATLANTIC possui uma das frotas mais modernas (com média de idade de 9.5 anos) da aviação mundial composta por 39 aviões dos modelos Airbus A340-300, Airbus A340-600 e Boeing 747-400. Recentemente a VIRGIN ATLANTIC encomendou aeronaves moderníssimas como o Boeing 787-900 e Airbus A380-800, que começarão a ser entregues em 2014 e 2015, respectivamente. Seguindo as ideias inusitadas de Sir Richard Branson, a companhia aérea dá nomes curiosos e interessantes às suas aeronaves, como Diana (em homenagem à Lady Di), Honey Pie, California Girl, Lady Penelope, Austin Powers (inclusive com uma foto na fuselagem do personagem e amigo de Sir Richard), Spice One (em homenagem ao grupo Spice Girls), Lady Bird, Queen Of The Skies, Barbarella, Surfer Girl, Madame Butterfly, Pretty Woman, Scarlet Lady, Sleeping Beauty, Tubular Belle, Miss Kitty, Soul Sister e Miss Sunshine (aeronave que faz o trajeto Londres-Nova York com assentos somente de classe executiva).


Atualmente sua malha de rota é composta por mais de 35 destinos, servindo cidades como Boston, Cape Town, Chicago, Nova Déli, Dubai, Havana, Hong Kong, Johanesburgo, Kingston, Lagos, Las Vegas, Londres, Los Angeles, Manchester, Mauritius, Miami, Montego Bay, Mumbai, Nairóbi, Nassau, Nova York, Orlando, San Francisco, Xangai, St. Lucia, Sidney, Glasgow, Tobago, Tóquio e Washington. Os voos da VIRGIN ATLANTIC entre os Estados Unidos e a Inglaterra têm nomes próprios e curiosos como: The Trance Atlantic (Miami-Londres), The London Shuttle (Boston-Londres) e The Rising Star (Los Angeles-Londres).


Sua marca: ousadia
No início da VIRGIN ATLANTIC, a empresa contava com um pessoal de primeira linha e uma porção de boas ideias. Infelizmente, a nova empresa não tinha muito dinheiro. A frota era pequena, se é que podemos chamar um único avião de frota, e o dinheiro da publicidade era mínimo. Foi então que começou a ousadia que transformaria a companhia aérea em uma estrela do setor. Nessa época, a empresa tinha que se esforçar ao máximo para extrair grandes resultados do parco orçamento disponível para o marketing. Por força das circunstâncias, o próprio Richard Branson se tornou uma espécie de vítima voluntária de todo tipo de aventura hostil e insana para promover a jovem companhia aérea. Não dava para comprar um anúncio no The New York Times, mas, sempre que seu barco afundava ou ele sobrevivia a um acidente de balão, em uma de suas tresloucadas aventuras, lá estava o logotipo da VIRGIN ATLANTIC no jornal.


Com o tempo, a VIRGIN também começou a utilizar o humor em seus anúncios publicitários divertidos para atrair a atenção do público, o que causou certa estranheza no universo solene das companhias aéreas. A estratégia deu mais que certo e trouxe uma enorme visibilidade para a marca. Não demorou muito para que a VIRGIN ATLANTIC se tornasse sinônimo de uma empresa com personalidade audaciosa, bem-sucedida e, principalmente, dotada de uma estratégia inovadora em relação à aviação comercial. As equipes de marketing de Londres e de Nova York normalmente reagiam com rapidez às notícias do dia e, em 24 horas, colocavam anúncios com mensagens estratégicas nos principais mercados em que atuava. Um exemplo ocorreu um dia depois que John Sununu, na época chefe de gabinete da Casa Branca, foi punido por usar dinheiro público para pagar uma limusine nas viagens pessoais que havia feito, a VIRGIN veiculou - apenas uma vez - um anúncio dizendo que, se ele tivesse viajado pela empresa, a limusine teria saído de graça. Em outra ocasião, quando o general Manuel Noriega, ex-homem forte do Panamá, foi extraditado para Miami para ser julgado, a empresa pegou uma foto enorme dele e colocou a seguinte legenda: “Somente um homem conseguiu voar para Miami num voo mais barato do que o da Virgin Atlantic”.


Logo o mesmo espírito começou a se espalhar por tudo o que a empresa realizava, e não ficou restrito somente as suas campanhas publicitárias. Era imprescindível que houvesse uma atmosfera agradável tanto para os tripulantes quanto para os passageiros a 30.000 pés de altura. Pequenos gestos deixavam claro que o passageiro estava dentro de um avião da VIRGIN. Na parte de baixo do saleiro e do recipiente de pimenta, que tinham o formato de pequenas aeronaves, a empresa estampou: “Roubado da Virgin Atlantic”. Na faca de manteiga, colocaram a seguinte frase: “Stainless steal” (em inglês, steal significa “roubar”. Aqui a empresa fez um trocadilho com stainless steel, isto é, “aço inoxidável”). A empresa também instalou um bar na primeira classe para que as pessoas pudessem conversar e se conhecer melhor, afinal de contas, viajar deveria ser uma coisa prazerosa. Para entreter os passageiros, foi a primeira companhia aérea a instalar aparelhos de TV nas poltronas. Servia sorvete no meio da viagem. Ou seja, fazia todo o possível para deixar as pessoas à vontade, para que desfrutassem realmente do voo. Essas ousadias e inovações ainda hoje podem ser vistas nos voos e atendimento que a empresa presta a seus clientes.


Franquias na aviação
Com o enorme sucesso da VIRGIN ATLANTIC AIRWAYS, Sir Richard Branson resolveu iniciar uma espécie de franquia da marca VIRGIN no mundo da aviação. Algumas delas, como a VIRGIN NIGERIA AIRWAYS e a VIRGIN EXPRESS (baseada na Bélgica), fracassaram. Mas duas delas são extremamente rentáveis e conquistaram outros milhões de passageiros para a marca VIRGIN.


A companhia aérea iniciou seus serviços no dia 3 de agosto de 2000 com dois aviões realizando voos entre as cidades de Sydney e Brisbane. O nome original da empresa, VIRGIN BLUE, foi escolhido em um concurso. No típico humor australiano, as ruivas são chamadas localmente de “bluey”. Sir Richard pessoalmente aprovou o nome: “Já que vocês chamam as ruivas assim e nossos aviões serão vermelhos, o nome me parece acertado. Além disso, nossa missão é deixar grandes competidoras chateadas ou feelin’blue”. Seu crescimento rápido possibilitou atender 50 cidades australianas e se tornar a segunda maior companhia aérea do país. Atualmente a companhia aérea, que deixou de lado o conceito de baixo custo e se tornou mais sofisticada, foi rebatizada para VIRGIN AUSTRALIA. Possui uma frota de 92 aeronaves, sendo considerada a terceira companhia aérea mais rentável do mundo.


A companhia aérea doméstica americana iniciou suas atividades no dia 8 de agosto de 2007 com 12 aeronaves (modelos Airbus A320 e A319) que voavam para 5 destinos (San Francisco, Los Angeles, Las Vegas, Nova York e Washington). A companhia aérea iniciou suas operações dando um verdadeiro show em inovação. Só para começar, tem um executivo dedicado ao design, Adam Wells, e os interiores de suas aeronaves demonstram esse cuidado. A cabine adota uma cor diferente de acordo com o horário, para que os passageiros sintam um efeito calmante e relaxante. Os assentos em todas as classes são revestidos de couro e a parte posterior, onde fica a tela que reúne as funções de entretenimento, parece mais um iPod gigante. A companhia aérea afirma usar software livre sempre que possível dentro dos aviões, e o sistema de entretenimento é baseado no Linux. É possível ter chats com outros passageiros do voo e cada canal de televisão permite comentários ao vivo, assim todos podem conversar sobre o programa exibido. O mapa que mostra as informações de voo foi desenvolvido em conjunto com o Google, e toda a interface pensada para ser completamente intuitiva. A tela é sensível ao toque e, a partir dela, o passageiro pode pedir a refeição. Outro ponto interessante é a seleção de músicas disponível em cada voo. São cerca de 3 mil faixas e o passageiro pode criar uma lista com suas canções favoritas. A informação é armazenada e, nos próximos voos, a mesma lista estará disponível para o passageiro. Existem também 25 canais de filme e outros 18 de televisão via satélite, ao vivo. Atualmente a VIRGIN AMERICA possui 52 aeronaves que voam para mais de 19 destinos nos Estados Unidos, México e Canadá.


O gênio por trás da marca
Ele é ousado, atrevido e boa-pinta. Carismático, provocativo e determinado. Corajoso, exibido e impulsivo. E claro bilionário (sua fortuna pessoal é de US$ 4.2 bilhões). Não sendo de nenhuma família nobre, seu sucesso na estrada da vida lhe valeu o título de “Sir”. Pelo menos no marketing, Sir Richard Branson tem sangue azul: ele é o Rei do Marketing. “Você nunca vai ser nada na vida” disparou um furioso Edward Branson para seu filho mais velho, Richard Charles Nicolas Branson, nascido em 18 de julho de 1950. Pesava sobre os ombros de Edward, um respeitado advogado vindo de uma família tradicional, ver seu primogênito indo muito mal nos estudos e abrindo dentro de casa um comércio para venda de LPs. Sua mãe, Eve, tinha sido aeromoça nas rotas entre o Reino Unido e a América do Sul. Será que estaria escondido, em algum ponto obscuro e desconhecido de seu DNA, sua paixão pela aviação? Pelo menos não até aqueles anos loucos, os Swinging Sixties em Londres. Mas esta é uma das facetas da fascinante personalidade de Branson: apesar de ser extremamente sincero, ele sempre guarda cartas sob as mangas dos suéteres de tricô, que são sua marca registrada. A paixão pela aviação talvez estivesse dormente, escondida sob o seu verdadeiro talento: vender. Desde o início de seu comércio caseiro de discos, sempre soube vender tudo o que quis: de discos e preservativos (o que faria décadas depois) aos projetos pessoais mais tresloucados, como cruzar o Atlântico em uma lancha ou dar a volta ao mundo em um balão sem reabastecer.


Richard sempre conseguiu vender o que queria, pelo preço que desejasse. Um faro inato para os negócios, um jeito pessoal cativante, franco e direto, e um gosto pela autopromoção que beira o mais desvairado narcisismo são algumas de suas características fundamentais, e pontos-chave para provar errado o vaticínio de seu rabugento pai. A venda de discos por correspondência logo cresceu para uma sobreloja em Oxford Street. E depois, já em 1971, finalmente para uma gravadora, a VIRGIN RECORDS. Assinando um contrato com Mike Oldfield, lançou o LP Tubular Bells, que vende milhões de cópias até hoje. Em 3 anos, a gravadora era a empresa “mais quente do mercado”, e Branson, com 24 anos, já era milionário.


Os próximos anos foram dedicados a crescer e diversificar o portfólio de empresas, produtos e companhias adquiridas ou criadas, a maioria delas sob a imagem poderosa da marca VIRGIN, na cor escarlate como o sangue. De boates a jornais para adolescentes, de lojas de conveniência a empresas de táxi, o império de Branson crescia, bem como sua notoriedade. Seu jeito, porém, permanecia o mesmo: incorrigível, costumava ligar diretamente para seus interlocutores, e só parou de fazê-lo, pois não era mais atendido. As pessoas sempre achavam que se tratava de trote. Ou então, convidava os funcionários para festas a fantasia, apostando qualquer bobagem com algum deles. Quem perdesse, tinha de tirar toda a roupa. Como consequência, foi visto por seus funcionários mais do que uma vez do mesmo jeito que sua mamãe o via quando passava talquinho no seu bebê. Claro que a mística, a atração pela pessoa de Branson só fazia crescer na mesma proporção de seus negócios. Já casado e com filhos, aventurava-se agora a pilotar lanchas e balões em tentativas, várias delas bem-sucedidas, de estabelecer novos recordes mundiais. Seu carisma, fortuna e presença constante na mídia conseguiram vários amigos influentes, especialmente duas mulheres muito famosas na sua Grã-Bretanha. A Dama de Ferro, Margaret Thatcher, que via nele o arquétipo ideal de seus sonhos neoliberais. E sempre a ocupar um lugar especial em seu coração, ninguém menos que Sua Alteza Real, a Princesa de Gales, ou Lady Di. Porém, uma de suas maiores cartadas estaria por vir. Em 29 de fevereiro de 1984, a VIRGIN ATLANTIC AIRWAYS foi anunciada ao público. As reações oscilaram da mais pura incredulidade ao mais frontal despeito. “O que esse barbicha entende do negócio de aviação? Estará morto em semanas” eram um dos típicos (e mais bondosos) comentários que se ouviam naqueles dias. Ele pensava e agia diferente. A VIRGIN ATLANTIC decolou e não olhou mais para trás. A receita para o sucesso é do próprio Branson: criar um produto que satisfizesse a ele próprio, e não apenas uma companhia interessada em voar as aeronaves mais modernas (um erro de 99% das companhias aéreas) ou simplesmente, ganhar o máximo de dinheiro possível. Assim o produto da companhia tornou-se tão diferenciado como seu fundador. O sucesso de sua empresa confirma outra máxima do marketing: que a função de qualquer empresa é criar produtos e serviços que atendam desejos e necessidades do consumidor. Assim, ele redefiniu não apenas os paradigmas da indústria do transporte aéreo, mas das relações entre patrões e empregados. A criatividade dele se estende as outras empresas do grupo. Quando não está dando expediente em sua ilha particular, a Necker Island, no Caribe, ele é o garoto-propaganda de quase todas as suas 400 empresas e marcas. Sir Richard Branson é um exemplo de empreendedor que pensa adiante de seu tempo e literalmente fez a VIRGIN ATLANTIC decolar.


Marketing provocativo
O estilo inovador da VIRGIN ATLANTIC também se reflete em suas campanhas publicitárias e ações de marketing. Ao longo dos anos, utilizou slogans provocativos, principalmente em relação a seus principais concorrentes. Exemplos não faltam: “Mine’s Bigger Than Yours” (algo como “muito maior que os seus”), escrito na parte traseira das aeronaves Airbus A340-600, pois estes aviões eram os mais longos do mercado na época; “Avoid The Q” (Evite o Q), utilizado para promover a rota Londres-HongKong-Sydney, onde a letra Q significava Qantas Airways, companhia aérea australiana de enorme prestígio que operava a mesma rota; “Keep Discovering – Until You Find The Best” (Continue descobrindo, até que você descubra o melhor), utilizado para promover a rota Londres-Dubai e brincando com o slogan “Keep Discovering” da rival Emirates; e “BA can’t keep it (Concorde) up” (algo como “A British Airways não pode mantê-lo lá em cima”), escrito na parte traseira de uma aeronave em 2003 depois que a rival British Airways anunciou que não iria mais voar com aviões Concorde. Outros criativos e divertidos slogans utilizados pela VIRGIN ATLANTIC foram:
More experience than the name suggests.
Virgin, seeks travel companion(s).
Love at first flight.
You never forget your first time.
Extra inches where it counts.
Fly a younger fleet.
Hello gorgeous.
Your Airline’s Either Got It, Or It Hasn’t. (2010)


Uma das ações mais ousadas realizadas pela empresa ocorreu na cidade de Johanesburgo na África do Sul, quando, para divulgar o conforto da Upper Class Suite, um gigantesco outdoor de 5.000 m², foi pintado no canteiro central entre as pistas de aterrissagem e decolagem do aeroporto internacional. O texto dizia sarcasticamente: “Hey you in the window seat. Bored? Uncomfortable? Next time fly Virgin” (Ei você do acento da janela. Chateado? Desconfortável? Da próxima vez voe Virgin).


Abaixo podemos ver algumas propagandas com a alma e o espírito da marca. Este é o estilo VIRGIN de se comunicar.


A evolução visual
O logotipo da VIRGIN ATLANTIC AIRWAYS passou por algumas mudanças ao longo de sua história para transparecer mais sofisticação e principalmente modernidade. A primeira modificação ocorreu em 1999, quando o logotipo antes laranja, assumiu o tradicional vermelho escarlate. Em 2010 a VIRGIN ATLANTIC remodelou completamente sua identidade visual, que permanecia inalterada desde 2006. O novo logotipo ganhou uma fonte de letra muito mais atraente (leve e fina) e uma nova cor (roxa escura). Além disso, o principal símbolo do logotipo, a tradicional cauda vermelha dos aviões da companhia, ganhou um moderno e agressivo design, além de ter sua posição alterada para o lado direito do logotipo.


A pintura dos aviões também foi remodelada. O nome VIRGIN ATLANTIC, que antes aparecia na parte da frente da fuselagem, ficou maior e ocupa quase toda lateral da fuselagem. A área próxima ao trem de pouso apresenta agora o novo logotipo da companhia aérea, na cor roxa escura - tornando o avião mais fácil de ser identificado, quer seja na decolagem ou no pouso. Os winglets agora são vermelhos, e o nome VIRGIN aparece gravado no lado interno, ficando assim visível aos passageiros a bordo. O ícone da mulher voadora carregando a bandeira do Reino Unido (que ficou bem maior) foi rejuvenescido e novos detalhes foram aplicados.


Dados corporativos
● Origem: Inglaterra
● Fundação: 22 de junho de 1984 (primeiro voo)
● Fundador: Richard Branson, Randolph Fields e Allan Hellary
● Sede mundial: Crawley, Inglaterra
● Proprietário da marca: Virgin Group (51%) + Singapore Airlines (49%)
● Capital aberto: Não (subsidiária)
● Chairman: Stephen Murphy
● Presidente: Sir Richard Branson
● CEO: Steve Ridgway
● Faturamento: £2.74 bilhões (2011)
● Lucro: - £80.2 milhões (2011)
● Passageiros transportados: 5.400.000 (2011)
● Frota: 42
● Destinos: 35
● Hubs principais: Aeroportos Gatwick e Heathrow (Londres)
● Programa de milhagem: Frequent Flyer
● Presença global: 19 países
● Presença no Brasil: Não
● Funcionários: 10.500
● Segmento: Aviação
● Principais produtos: Aviação comercial e cargueira
● Concorrentes diretos: British Airways, Emirates, Qantas, South Africa Airways e Cathay Pacific
● Subsidiárias: Virgin Australia, Virgin America e Virgin Cargo
● Ícones: Flying Lady
● Slogan: Your Airline’s Either Got It, Or It Hasn’t.

A marca no mundo
A VIRGIN ATLANTIC, especializada em voos intercontinentais de longo curso a partir das suas bases (hubs) Londres Heathrow, Londres Gatwick, possui uma frota composta por 42 aeronaves que voam para 35 destinos na Ásia, Europa (Reino Unido), Caribe, Oceania, África e América do Norte. Em 2011 a companhia aérea transportou 5.4 milhões de passageiros e alcançou faturamento superior à £2.74 bilhões. Desse faturamento, a divisão cargueira (VIRGIN CARGO) responde por £239.6 milhões e as vendas de produtos dentro dos aviões por outros £195 milhões. Todos os anos a companhia aérea serve mais de 2.5 milhões de barras de sorvetes e 125 mil garrafas de champanhe.

Você sabia?
Todas as inovações tornaram a VIRGIN ATLANTIC não a maior, mas a mais criativa e inovadora empresa aérea do mundo, e ajudaram-na a aumentar o número de passageiros transportados de 124.700 em 1984 para mais de 5.4 milhões nos dias de hoje.
Os uniformes da tripulação foram desenhados pelo estilista John Rocha. Os primeiros uniformes da tripulação em 1984 incluíam os tradicionais sapatos vermelhos.


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Time e Isto é Dinheiro), jornais (Valor Econômico), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 25/10/2012

Nenhum comentário: