6.8.07

LE MONDE

Uma instituição francesa. Assim pode ser definido o aristocrático jornal francês LE MONDE (que em português significa “O Mundo”). Com variedade de informações, jornalistas respeitados e postura política “independente”, o LE MONDE se tornou o jornal francês de maior prestígio internacional, tendo um espaço importante na mídia francesa, com cobertura extensa, amplos contatos com homens de negócios e membros do governo e um tom severamente intelectual.
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A história
O tradicional jornal foi fundado pelo jornalista Hubert Beuve-Méry na cidade de Paris em 1944 à pedido do general Charles de Gaule após o exército alemão ter se dirigido à Paris durante Segunda Guerra Mundial. A primeira edição do jornal circulou no dia 18 de dezembro. Ao contrário de todos os outros principais jornais franceses da época, o LE MONDE circulava só por volta do meio-dia em Paris, hábito que se repete até os dias de hoje. Com o passar dos anos, contando com variedade de informações, articulistas respeitados e uma postura política “independente”, que pendia sempre para a centro-esquerda, fizeram do LE MONDE o jornal francês mais respeitado, não somente na França, como também no mundo todo. Em 1951, a Sociedade de Redatores do Jornal (Société des Rédacteurs du Monde) se tornou acionista do jornal.
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Pouco depois, em 1954, juntamente com o ex-diplomata húngaro François Honti surgiu o LE MONDE DIPLOMATIQUE, conhecido popularmente na França como Diplô, um jornal que antes era um suplemento do próprio LE MONDE destinado aos círculos diplomáticos e às grandes organizações internacionais. Progressivamente, foi ganhando autonomia até se tornar uma empresa subsidiária do grupo LE MONDE. Em 1975 o jornal passava pela sua primeira reformulação visual. Cinco anos depois a circulação diária do jornal atingia a impressionante marca de 450 mil exemplares. Na década de 90, com o avanço da Internet, o tradicional jornal lançou sua página na rede mundial de computadores no dia 19 de dezembro de 1995. Nesta década, o LE MONDE se tornou ainda mais popular por suas matérias investigativas sobre grandes escândalos políticos, como em 1995, quando o presidente François Mitterrand foi envolvido em um deles.
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Nos anos seguintes, com o avanço das mídias digitais e o surgimento de novos concorrentes como os jornais gratuitos, o LE MONDE assistiu sua circulação despencar de 406 mil cópias, em 2001, para 371 mil três anos mais tarde. Em 2004, atravessando uma situação financeira difícil, com acentuada queda nos anúncios publicitários, o LE MONDE passou por uma enorme e ampla reformulação visual e conceitual com grandes mudanças na programação visual, que deixou de conter um aspecto cheio de textos extensos e analíticos, e passou a ter um visual mais dinâmico e moderno com a inserção de logotipos, mais fotos, textos menores e impressão colorida.
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O novo “LE MONDE” era dividido em três seções. A primeira incluía as notícias mais atuais e de grande repercussão, com editoriais na página dois. A segunda era dedicada a análises e bastidores das notícias, enquanto a terceira examinava tendências, estilo de vida e cultura. O custo total das mudanças chegou a €7 milhões. Mesmo com todas essas mudanças, o LE MONDE continua sofrendo com a queda dos lucros, o aumento dos custos e a necessidade de adaptar-se à era da Internet. Em 2007, o grupo teve um prejuízo de 20 milhões de euros.
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A segunda-feira, 14 de abril de 2008, entrou para a história do jornal e da imprensa francesa. Era a segunda vez desde sua fundação, a primeira acorreu em 1976 quando os jornalistas protestaram contra a aquisição de um jornal francês por um magnata, que o jornal mais respeitado da França não era encontrado nas bancas. Isto devido à uma greve dos jornalistas do LE MONDE em resposta a decisão apresentada pela direção como o único caminho para manter a independência do jornal de centro-esquerda, de “reestruturar” o jornal com a demissão de 130 pessoas. Em junho de 2010, com 66 anos de vida e afundado em dívidas que ultrapassam os €100 milhões, o tradicional e sisudo jornal francês mudou de comando. Saiu das mãos de uma comissão de jornalistas identificados como à esquerda do poder para cair nas de um banqueiro (Matthieu Pigasse), de um mecenas (Pierre Bergé) e, quem diria, do rei da pornografia na França (Xavier Niel).
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Dados corporativos
● Origem: França
● Fundação:
1944
● Fundador:
Hubert Beuve-Méry
● Sede mundial:
Paris, França
● Proprietário da marca:
Groupe Le Monde
● Capital aberto:
Não
● Chairman & diretor geral: Eric Fottorino
● Editor chefe:
Gérard Courtois
● Faturamento: €220 milhões (estimado)
● Lucro:
Não divulgado
● Circulação diária:
320.000 exemplares
● Leitores:
+ 2 milhões diariamente
● Presença global:
120 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários:
1.600
● Segmento:
Comunicação
● Principais produtos: Jornais
● Website:
www.lemonde.fr
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A marca no mundo
O jornal LE MONDE possui hoje uma tiragem diária de quase 320 mil exemplares (90% na França), sendo distribuído em quase 120 países ao redor do mundo, com sua página na Internet recebendo 48 milhões de visitas mensalmente. Somente em 2008, o LE MONDE vendeu mais de 102 milhões de cópias. Já o LE MONDE DIPLOMATIQUE, atualmente conta com 68 edições estrangeiras em 26 línguas, sendo 35 impressas e 33 eletrônicas, com 1.5 milhões de exemplares mensalmente. O grupo, que tem 1.600 empregados, dentro os quais 340 jornalistas, edita além do jornal diário, outras publicações como o Le Monde Diplomatique e o Le Monde des religions.
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Você sabia?
A estrutura interna do LE MONDE é bem diferente da maioria das empresas jornalísticas, pois seus redatores possuem 40% do seu capital.
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As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).
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Última atualização em 9/7/2010

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