26.1.12

LEICA

É justo dizer que cenas pitorescas da história mundial, retratos importantes de fatos que marcaram época, só foram possíveis devido a uma empresa alemã que revolucionou o mercado de câmeras fotográficas no início do século XX. As câmeras da alemã LEICA são sem dúvida uma das mais cobiçadas e caras do mercado. Sua reputação de alta qualidade fez com que grandes fotógrafos do passado, como o francês Henri Cartier Bresson e o húngaro Robert Capa, construíssem sua fama com uma câmera LEICA nas mãos, uma verdadeira “extensão do olho”, que criou uma nova escola dentro da fotografia. Para a marca seus produtos têm uma única missão: proporcionar as melhores imagens.

A história
As origens da marca LEICA remontam ao ano de 1911 quando o engenheiro Oskar Barnack começou a trabalhar na fábrica de lentes e microscópios Ernst Leitz Optische Werke, localizada na pequena cidade alemã de Weztlar. Ele era apaixonado por fotografia e pela mais recente invenção da época, o cinema. Enquanto fotografava e filmava suas viagens pelas montanhas, Oskar sentia o esforço e a falta de mobilidade de carregar as pesadas câmeras de chapas e estava disposto a deixar de usar essas câmeras de placa de vidro, que ficavam fixas sobre tripés. Depois de muitas pesquisas, em 1913, ele desenvolveu um protótipo com uma caixa de metal e uma lente semelhante as que eram utilizadas nos microscópios da época, que tinha velocidade única de obturador (1/40s). Além disso, ele colocou um mecanismo para utilizar o filme para cinema, só que ampliou o tamanho do fotograma para 24 x 36 mm, o dobro do utilizado na época, pois acreditava que este formato permitiria ampliações de qualidade.


Pouco depois, em 1914, o modelo Ur-Leica já fazia fotos com sucesso. O nome LEICA surgiu de uma combinação das palavras Leitz Camera. Com o início da Primeira Guerra Mundial o projeto teve que ser interrompido e só foi retomado em 1920, quando Oskar após ter fotografado uma enchente em Wetzlar conseguiu implantá-lo, iniciando assim a procura de um desenho de lente que fosse compatível ao tamanho do filme utilizado na Ur-Leica, além de permitir uma qualidade de imagem para ampliações de até 10 vezes. Foi então, que outro projetista da Leitz, o Doutor Max Berek, criou a lente que ele estava procurando. Ela tinha distância focal de 50 mm e abertura f/3.5.


Para começar a ser produzida, a primeira LEICA levou mais 10 anos, e somente em 1924 entrou em linha de produção, após Oskar convencer seu chefe. Na primavera do ano seguinte foi apresentada oficialmente ao público com o nome de LEICA I, que se tornou a primeira câmera 35 mm portátil que utilizava padrão de cinema em filme de 35 mm. Em 1930 surgiu o primeiro modelo com lentes intercambiáveis, com base em uma rosca de 39 milímetros de diâmetro. Além da lente de 50 mm normal, uma angular de 35 milímetros de largura e uma lente de 135 milímetros teleobjetiva, estavam inicialmente disponíveis. A novidade conquistou imediatamente muitos fotógrafos e fez muito sucesso no meio jornalístico, trazendo uma nova dimensão para a cobertura dos fatos. Pouco depois, em 1932, já era estimado que aproximadamente 90 mil máquinas da marca alemã estavam em uso. Ainda neste ano a empresa lançou a LEICA II, equipada com um mecanismo de telêmetro acoplado à lente de focalização. Este modelo tinha um visor separado (mostrando uma imagem reduzida) e “rangefinder” (medidor de distância).


Oskar Barnack faleceu em 1936, a tempo de ver seu projeto de câmera consagrado como o maior sucesso do mercado fotográfico, depois da própria invenção da fotografia. Um dos modelos da marca alemã que mais fizeram sucesso foi a LEICA M, lançada em 1954. Em 1961, a empresa computava a quantidade de 1 milhão de máquinas pelo mundo. Em 1986, a empresa Ernst Leitz GmbH mudou seu nome para LEICA, muito em virtude da força que a marca havia conquistado no mundo. Neste momento, a empresa mudou sua fábrica de Wetzlar para a cidade vizinha de Solms. Em 1996, a divisão de câmeras foi separada da empresa e se tornou uma companhia de capital aberto. Finalmente em 1998, o grupo dividiu-se em duas unidades independentes: Leica Microsystems (detentora da LEICA CÂMERAS) que produz equipamentos de pesquisa geológica e Leica Geosystems (fabrica microscópios). Com a chegada do novo milênio a marca alemã resolveu investir no luxo. Em estreita colaboração com a chique Hermés lançou uma máquina em edição limitada em couro e aço polido e um modelo retrô inspirado na clássica M3, dos anos 50. A parceria deu tão certo que nos anos seguintes novos modelos, sempre em edição limitada, foram lançados no mercado, incluindo uma câmera M7 que “vestia” uma capa de pele de vitela ao preço de US$ 24 mil.


Recentemente, em 2010, a empresa lançou no mercado a LEICA V-LUX 20, uma câmera digital compacta de alta qualidade para toda família, que rapidamente se tornou um sucesso de vendas. Hoje a LEICA conta com modelos digitais como o recente lançamento da linha M, a M8, uma câmera SLR digital, mas sempre mantendo a tradição de qualidade de sistema ótico. Cada câmera LEICA ainda traz um pouco do espírito daquele homem que, com sua ousadia e genialidade, mudaria para sempre aquilo que conhecemos como fotografia. A qualidade de seus produtos é tamanha, que as lentes LEICA estão presentes nas máquinas digitais LUMIX, produzidas pela japonesa Panasonic.


A superioridade
A revolução da fotografia em filmes de 35 mm iniciada pela marca alemã há mais de 80 anos fez com que a LEICA estampasse dois slogans: “uma parte integrante do olho” e “uma extensão da mão”, que durante anos definiriam seus produtos na cabeça dos consumidores. Tamanha inovação fez com que a empresa popularizasse o uso da máquina fotográfica, pois era mais barato adquirir uma câmera pequena e mais simples de executar os procedimentos para conseguir um instantâneo. Nas décadas seguintes, a LEICA criou fama de ser a câmera que se adaptava melhor para fotografias à luz natural, tanto que até hoje diversos fotógrafos renomados – tal como o brasileiro Sebastião Salgado – utilizam-na para retratar suas obras de arte.


Diz-se ainda que uma LEICA e suas lentes são eternas se bem cuidadas tamanha a robustez do equipamento. Além disso, a LEICA tem a reputação de possuir as lentes mais claras do mercado. Tamanha clareza permite ao fotógrafo o uso da câmera sem flash em ocasiões de pouca luz, algo que todo profissional valoriza. Em virtude disso suas câmeras são conhecidas por ser uma das poucas que têm permissão para serem operadas dentro de alguns tribunais devido à sua extrema suavidade ao fotografar (muito silenciosa). O estilo de construção das câmeras permanece similar aos modelos clássicos do início do século, o que serve para manter sua mística. Ser discreta, silenciosa, rápida e precisa são os preceitos que a nortearam durante décadas e isso bate com os dogmas do fotojornalismo. Apesar de diversas inovações na fotografia digital nos últimos anos e a crescente concorrência de marcas japonesas e de outras tantas nacionalidades, a LEICA permanece na mente de quem sabe que a fotografia não é apenas um clique, mas uma arte que vai além de capturar as imagens.


Dados corporativos
● Origem:
Alemanha
● Lançamento: 1913
● Criador:
Oskar Barnack
● Sede mundial:
Solms, Alemanha
● Proprietário da marca:
Leica Microsystems AG
● Capital aberto: Sim (1996)
● Chairman & CEO:
Alfred Schopf
● Faturamento: €248.7 milhões (2011)
● Lucro: €36.6 milhões (2011)
● Valor de mercado: €518.9 milhões (janeiro/2012)
● Lojas: 40
● Presença global:
75 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários:
1.180
● Segmento:
Ótico
● Principais produtos:
Câmeras, lentes e binóculos
● Principais concorrentes:
Canon, Nikon, Olympus, Pentax e Carl-Zeiss
● Ícones:
A qualidade de suas lentes
● Slogan:
My point of view.
● Website: www.leica-camera.com

A marca no mundo
Atualmente os produtos da LEICA, que incluem câmeras fotográficas, lentes, binóculos, lunetas, monóculos para golfistas e até miras para rifles, são comercializados em mais de 75 países ao redor do mundo. A empresa possui ainda 40 lojas próprias (batizadas de LEICA STORES e LEICA BOUTIQUES) localizadas em cidades como Tóquio, Berlim, Paris, Moscou, Beijing, Xangai, Londres, Lisboa, Nova York, São Paulo, entre outras. A empresa, que investe todos os anos aproximadamente €12.5 milhões em pesquisa e desenvolvimento de produtos, tem forte penetração na Alemanha, Europa, Ásia e América do Norte.

Você sabia?
Em 1979 a empresa criou o OSKAR BARNACK AWARDS, concurso que premia as melhores fotografias de cada ano.


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 26/1/2012

Um comentário:

André carvalho disse...

só um comentário... a Leica é a "M6"!! a única foto que não puseste:)

é quase como fazeres um artigo da porsche sem meteres o 911:)