14.6.06

DOM PÉRIGNON


Nada mais alegre e gratificante do que saudar a passagem do ano com estrelas imortais. Isso dito sob a inspiração do monge francês Dom Pérignon (1638-1715). Ao supostamente inventar o champanhe, ele teria exclamado diante do vinho borbulhante: “Estou bebendo estrelas!”. Cumprindo um desígnio mágico, ele trouxe o céu um pouco para mais perto da terra, ou nos levou mais perto dele. Tanto faz. Mas não são estrelas vulgares, pois a cada ano o champanhe se impregna de melhor qualidade, sem perder a juventude e a vivacidade. O champanhe encontra a glória em poucas marcas disponíveis no mercado. É o caso do champanhe DOM PÉRIGNON, marca que é sinônimo de luxo e celebração. 

A história 
A luxuosa e famosa marca DOM PÉRIGNON pertencia a Maison Mercier, produtora de champanhe, mas não era utilizada. Em 1927, uma jovem da família Mercier casou com um rapaz do clã Chandon. Como parte do dote, ofereceu a marca DON PÉRIGNON. Passaram-se alguns anos sem que o nome fosse utilizado até que, em 1935, a equipe da Moët & Chandon, por sugestão do jornalista inglês Laurence Venn, resolveu desenvolver um champanhe de alta qualidade para ser vendido pela sua distribuidora Simon & Brothers para a aristocracia inglesa. Engarrafou com a marca DON PÉRIGNON parte de um lote de champanhe da safra de 1921, que estava armazenado nas caves. Embarcou as caixas (300 garrafas no total) para Londres e o sucesso da extraordinária bebida foi absoluto. No ano seguinte a empresa decidiu estender a “brincadeira”, que virou negócio, e mandou um novo carregamento, dessa vez aos Estados Unidos. DOM PÉRIGNON foi o primeiro champanhe cuvée (safrado), o que lhe deu enorme prestígio.


O nome do champanhe era uma direta homenagem ao monge beneditino Dom Pierre Pérignon, tesoureiro e chefe da cava entre 1668 e 1715 da Abadia de Hautvillers, perto da pitoresca Épernay, que supostamente inventou a famosa bebida cheia de bolhas desenvolvendo o método tradicional de fabricação desse vinho espumante. Segundo a história esse monge observou que os vinhos brancos locais sofriam uma segunda fermentação depois de engarrafados, produzindo borbulhas que estouravam as garrafas e as rolhas, devido à pressão gerada pelo gás carbônico. Então experimentou amarrar as rolhas com arame, “domou” a segunda fermentação e criou o champanhe. Não por acaso, a empresa possui uma expressiva parcela dos vinhedos que anteriormente pertenciam à célebre abadia de Hautvilliers. Porém, a Moët & Chandon não foi a primeira a usar o nome do monge em seu produto. No século 19 pequenos produtores em Hautvillers dele fizeram uso para o seu vinho.


Os champanhes da marca - criada quase por acaso - se provaram tão populares entre os americanos, que até 1947 sua produção era quase exclusivamente dedicada aos Estados Unidos. Já em 1959 o champanhe DOM PÉRIGNON foi eleito por diversos especialistas como o mais prestigioso do mundo. Nesse mesmo ano a marca lançou no mercado a versão rosé do champanhe. Em 1996, o renomado Richard Geoffroy assumiu o posto de enólogo responsável pela produção do champanhe DOM PÉRIGNON, degustando aproximadamente 10 mil garrafas de champanhe por ano e passando de 10 a 12 semanas viajando pelo mundo para explicar a filosofia da marca. Uma década depois a marca inovou quando o famoso estilista alemão Karl Lagerfeld assinou a embalagem de uma edição limitada do novo champanhe DOM PÉRIGNON. Batizada de “A Bottle Named Desire” (em português, “Uma Garrafa Chamada Desejo”), numa alusão ao filme “Um Bonde Chamado Desejo”, a bebida vinha em uma embalagem incrustada de joias e com a assinatura do estilista ao preço de US$ 2.500.


Outros produtos de destaque da luxuosa marca lançadas durante os próximos anos foram o champanhe top de linha DOM PÉRIGNON OENOTHÉQUE (“acervo de vinhos” em francês), indicando que a safra atingiu seu auge em termos de maturidade, com sua complexidade exacerbada, onde somente algumas garrafas são selecionadas entre as melhores de cada safra para envelhecer por mais alguns anos até atingir o máximo de sua excelência; o moderno cooler de alumínio para condicionar as exclusivas garrafas dos famosos champanhes feitos pelo designer Marc Newson; e o champanhe DOM PÉRIGNON ROSÉ VINTAGE, com aroma de frutas secas, como amêndoas e muito mais encorpado.


Em 2007 a marca, mais uma vez, surpreendeu o mercado com um produto único: para celebrar as festividades de final de ano, lançou a edição natalina com raros exemplares vintage de DOM PÉRIGNON ROSÉ (uma garrafa da safra 1966, duas garrafas da safra 1986 e três garrafas da safra 1996, acondicionadas com três flûtes de cristal em um estojo de guitarra todo rosa, desenhado pelo estilista Karl Lagerfeld). Totalmente feitos à mão, os estojos de guitarra eram revestidos com couro de perca. O forro, todo feito de couro de carneiro, possuía cavidades para acomodar graciosamente as garrafas e as taças. O preço? Nada menos que 70.000 libras esterlinas (algo próximo a R$ 250.000, na época). Quem a comprasse ganharia “de graça” uma degustação com um enólogo na Abadia de Hautvillers, na França, local de nascimento da marca. Em 2010 a renomada marca fez uma homenagem ao artista pop Andy Warhol com o lançamento de uma edição especial composta por seis garrafas exclusivas, onde cada uma tinha no rótulo uma das cores mais marcantes do trabalho do artista e trazia a safra 2000 do icônico vinho dentro em um inédito estojo para presente.


Em 2012, a marca convidou David Lynch, o aclamado diretor de filmes como Veludo Azul, o Homem Elefante e da mini-série Twin Peaks, para assinar os rótulos de uma edição limitada. O projeto deu origem a uma edição limitada chamada, sugestivamente, “The Power of Creation” (Poder da Criação), para as safras de DOM PÉRIGNON 2000 e 2003 (na versão Rosé). Outra novidade foi a criação de um serviço exclusivo para casamentos, onde oferece um kit de 13 champanhes Vintage 2000 Magnums, sendo que a décima terceira garrafa vem com um rótulo personalizado feito de prata esterlina, gravado com o nome de ambos os noivos e a data do casamento. Vale lembrar, que até então em toda sua história, a DOM PÉRIGNON fez apenas garrafas personalizadas para o casamento do Príncipe Charles e da Princesa Diana em 29 de julho de 1981.


Outro enorme sucesso da marca, lançado em 2013, foi a edição limitada DOM PÉRIGNON BY JEFF KOONS. Após ter criado a escultura Balloon Venus para a marca, o artista transpôs sua criação e repaginou os códigos icônicos da garrafa e estojo de DOM PÉRIGNON inspirando-se nas formas e cores da sua obra. Dentro dos estojos estavam dois Vintages: Dom Pérignon Vintage 2004 - intenso, elegante e radiante, e Dom Pérignon Rosé Vintage 2003 - vibrante, sedutor e transgressor. A faceta externa reproduz a Balloon Venus: rosa para o Rosé e amarelo para o Blanc. Pode-se ver o estúdio do artista na superfície refletiva da Balloon Venus, com referência à energia criativa do artista. A imagem é sublinhada pela assinatura de Jeff Koons.


E mais recentemente a marca lançou o DOM PÉRIGNON P2 (Segunda Plenitude Vintage 1998), que faz parte das linhas especiais da marca. O lote de 1998 passou por 16 anos de elaboração em busca de maior intensidade e vibração, em que o amadurecimento é feito de forma não-linear. A safra composta por frutas maduras resultou em um paladar cremoso e intenso, com notas florais de madressilva, frutas alaranjadas, amêndoa grelhada e notas de iodo no olfato. Além do P1, com nove anos de elaboração, e P2, o P3 é a terceira Plenitude de DOM PÉRIGNON, resultado de mais de 25 anos de trabalho. Por tudo isso, DOM PÉRIGNON não é um champanhe, é por si só uma lenda.


A produção 
Elaborada unicamente nos anos de excepcionais safras, a Cuvée DOM PÉRIGNON é produzida a partir das castas nobres de uvas Chardonnay e Pinot Noir dos vinhedos selecionados entre os melhores “crus” da região de Champagne. Depois de um longo envelhecimento nas adegas subterrâneas, o champanhe adquire toda a sua fineza e complexidade. Mas, para alcançar essa sensação, o champanhe tem, desde o início, uma proporção que varia de 40% a 60% dessas duas uvas. É o limite, embora a presença delas no assemblage (mistura dos vinhos que, depois da segunda fermentação, resultará no champanhe) seja variável. São produzidas mais de 5 milhões de garrafas de cada vintage somente em safras excepcionais. Os champanhes comercializados em 2015 são da excepcional safra do ano 2006. Já o champanhe rosé é da safra de 2004. Tudo supervisionado pelo Chef du cave (cargo que o torna responsável por toda a produção da bebida, da qualidade das uvas ao envelhecimento do líquido), o francês Richard Geoffroy.


Campanhas que fizeram história 
Na década de 1990 a marca começou sua associação com a fotografia, patrocinando várias exposições e amostras ao redor do mundo. Karl Lagerfeld não é apenas conhecido como diretor criativo de grifes como Chanel, Fendi e da sua própria marca, mas igualmente pela sua paixão pela fotografia. A associação do famoso estilista com a luxuosa marca de champanhe começou em 2007 quando a modelo checa Eva Herzigova foi a protagonista de uma campanha viral da marca criada por ele.


A campanha era composta por belas fotografias e pelo filme ROOM SERVICE (clique aqui para assistir), que mostrava um relacionamento amoroso e casual entre uma mulher coberta de luxo e consumo e um homem sozinho em um hotel de Paris. A única ligação que os dois tinham era o fato de ambos beberem DOM PÉRIGNON ROSÉ. A trilha sonora é um clássico: Diamonds are a girl’s best friends (“Diamantes são os melhores amigos das garotas”), imortalizada na voz da atriz Marilyn Monroe.


Em 2008, o estilista voltou a ser convidado pela famosa marca francesa de champanhe para dar um toque de glamour e elegância ao seu produto. O alemão escolheu a belíssima modelo Claudia Schiffer para ser a “rainha do champanhe”. Na nova campanha da marca, a modelo posava vestida de época em um suntuoso cenário do século XVIII. O encontro VIP para a campanha chamada “Metamorphosis”, que possuiu ainda evento de lançamento do champanhe DOM PÉRIGNON OENOTHÉQUE, safra 1995, no dia 26 de fevereiro, no chique restaurante The Landau, em Londres, reuniu a celebrada modelo alemã em fotografias do conterrâneo estilista. O comercial teve como base 40 sensuais registros da modelo em diferentes poses e personagens (de secretária recatada, garçonete a mercê do amado patrão, patroa com sex-appeal avassalador, dominadora em couro preto, japonesa, militar aliciada por guardas, assim como os de dama francesa), alinhados à nova versão da famosa bebida. Uma das curiosidades é que Claudia contracena com o segurança particular de Karl, Sebastien Jondeau, que aparece beijando seu pescoço enquanto ela usava um visual à la Maria Antonieta.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas pequenas remodelações ao longo dos anos.


Os slogans 
The power of creation. (2012) 
Unsurpassed luxury.


Dados corporativos 
● Origem: França 
● Lançamento: 1935 
● Criador: Moët & Chandon 
● Sede mundial: Épernay, França 
● Proprietário da marca: LVMH Moët Hennessy • Louis Vuitton S.A. 
● Capital aberto: Não 
● Chairman: Bernard Arnault 
● CEO: Stéphane Baschiera 
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: 120 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Segmento: Bebidas alcoólicas 
● Principais produtos: Champanhes 
● Concorrentes diretos: Krug, Louis Roederer Cristal, Perrier-Jouët, Piper-Heidsieck, Bollinger e Taittinger 
● Slogan: The power of creation. 
● Website: www.domperignon.com 

A marca no mundo 
Atualmente o renomado champanhe DOM PÉRIGNON é consumido e encontrado nos mais luxuosos restaurantes e ambientes em mais de 120 países ao redor do mundo. Sua produção é limitada a pouco mais de 5 milhões de garrafas por safra (somente as excepcionais). 

Você sabia? 
A cada lançamento de uma nova safra do mítico champanhe, uma cerimônia única de degustação é detalhadamente criada pelo chef-de-cave da Maison, Richard Geoffroy, que sugere elementos delicados e raros com o poder de revelar e intensificar as múltiplas facetas desse champanhe. Essa peculiar experiência dos sentidos é chamada de 7 Sensualities e é apresentada em raríssimas ocasiões. 
A Möet & Chandon, proprietária da marca DOM PÉRIGNON, mantém, por reverência, e também por proteção, uma estátua do monge Dom Pierre Pérignon em frente à vinícola em Épernay, na região produtora de Champagne. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Valor Econômico e Meio Mensagem), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 30/8/2016

Um comentário:

Efrem Maranhao disse...

Excelente documento. Muito esclarecedor. Parabéns,