8.6.15

UBER


Táxi é uma palavra praticamente universal. Em quase todos os idiomas significa a mesma coisa: um carro com motorista, pago de acordo com o tempo de uso e o trajeto percorrido. Mas em algumas cidades quem precisa de transporte tem usado uma nova palavra: Uber. Para milhões de passageiros que usam o serviço diariamente, o Uber representa o futuro do transporte nas grandes cidades, transformando a maneira como pessoas se movimentam. 

A história 
Apesar de ter sido criada em pleno Vale do Silício, a história de uma das empresas mais controversas e inovadoras do mundo começou no ano de 2008 em uma noite fria e com muita nevasca na cidade de Paris. Travis Kalanick, que acabara de vender por US$ 20 milhões o RedSwoosh, um serviço de compartilhamento de arquivos online, participava de um evento de tecnologia e empreendedorismo na cidade, a LeWeb. Após o evento, como não conseguiam encontrar um táxi para voltar ao hotel, ele e um amigo, Garrett Camp (que também havia ficado milionário ao vender o site de busca StumbleUpon para o gigante de varejo online eBay por US$ 75 milhões), imaginaram um serviço com o qual era possível chamar um carro com motorista particular com apenas um toque na tela do celular, para que potenciais clientes se deslocassem de forma mais confortável e segura.


De volta à cidade de San Francisco, eles amadureceram e aprimoraram a ideia. No mês de março de 2009 a dupla fundou a empresa, inicialmente chamada de UberCab. O aplicativo, que informava a localização do passageiro por meio do GPS do smartphone e estava disponível para iPhones e celulares com sistema operacional Android, foi lançado oficialmente em julho do ano seguinte. O plano inicial era oferecer carros executivos, como por exemplo, Mercedes-Benz S550 e Cadillac Escalade. O serviço seria semelhante a um táxi de luxo. A questão era como convencer os motoristas que já ofereciam esse serviço (em geral, em parceria com hotéis) a adotar o novo aplicativo. Era verão de 2010. Aí entram em cena os brasileiros. Apesar de não existirem estatísticas oficiais, há um contingente considerável de motoristas executivos e taxistas brasileiros em San Francisco. Essa rede de contatos da comunidade brasileira foi essencial para a decolagem da nova empresa — do lado dos motoristas.


Do lado dos passageiros, um impulso importante veio quando a secretaria de transportes de San Francisco implicou com o nome da empresa e com o serviço. A confusão colocou a empresa nos holofotes da imprensa e no radar dos fundos de capital de risco, marcando assim o início do sucesso do Uber em território americano. Polêmicas, controvérsias, brigas: eis a tônica da história da empresa desde o início. Nesta época, a corrida chegava a custar cinco vezes o valor cobrado por um táxi. Nada que afastasse o público-alvo naquele momento: empresários e investidores endinheirados do Vale do Silício. O sucesso inicial podia também ser explicado pela praticidade do serviço. Abrir um aplicativo, chamar um carro, fazer a corrida confortavelmente e não precisar tirar a carteira do bolso para pagar (o pagamento era realizado por meios digitais, por isso não era necessário dinheiro e nem deixar gorjetas). Essa era uma das mágicas do Uber.


O Uber recebeu seu primeiro financiamento de risco no final deste ano a partir de um grupo de investidores, que incluía Chris Sacca, um dos primeiros a acreditar (com dinheiro, é claro) no Twitter. No início de 2011, arrecadou mais de US$ 11.5 milhões em investimentos. Com isso, a empresa expandiu seu serviço para a cidade de Nova York, e o sucesso não aconteceu sem alguns obstáculos. Como não poderia deixar de ser, a organização que coordena táxis e limusines na cidade não gostou da concorrência e conseguiu fechar 5 das 6 bases do Uber. Considerando que o Uber se organiza principalmente usando plataformas digitais, a medida não adiantou de nada, e o serviço continuou em pleno funcionamento. Pouco depois, o serviço foi introduzido em grandes cidades americanas como Seattle, Chicago, Boston e na capital Washington. Paris foi a primeira cidade fora os Estados Unidos a receber o serviço em dezembro de 2011, antes da “LeWeb”, uma conferência internacional de internet e período onde a procura por táxis era enorme.


Em 2012, a empresa apresentou o UberX, opção que permitia a qualquer proprietário de veículo virar motorista. E foi justamente a partir deste momento que os problemas realmente começaram. Isto porque, por ser uma tecnologia disruptiva, como são chamadas as inovações com potencial para criar e destruir mercados, o Uber esbarrava constantemente em questões legais. Ao usar o GPS de um smartphone para localizar um veículo próximo ao usuário com apenas um toque na tela, o Uber assumia o papel das centrais de radio táxi. A cada nova cidade em que desembarcava, causava levantes de taxistas, prefeituras e órgãos oficiais contra o serviço. Para tentar se defender, cooperativas de diversas cidades recorreram a liminares que proibiam o uso do aplicativo. E a empresa recorria a uma equipe de lobistas e advogados que contestavam a legislações em vigor, incluindo David Plouffe, coordenador das duas campanhas que elegeram o presidente americano Barack Obama, para lidar com o embate legal que o Uber enfrentaria. Além disso, diante de toda essa resistência, a empresa adotou uma postura incisiva. Acusava as cooperativas de táxi de atuarem como cartel e reagirem agressivamente nos lugares onde são proibidos (na Alemanha, após o aplicativo ser banido de algumas cidades a empresa lançou uma promoção que oferecia desconto de 30% nas corridas) e afirmava ser uma empresa de tecnologia e não de transporte. Mesmo assim, a empresa seguiu em frente. A entrada do Uber no mercado canadense ocorreu em março de 2012, quando o lançamento oficial foi realizado na cidade de Toronto.


Após ser lançado em Londres, no mês de julho, depois de um período de teste de seis semanas, o Uber foi introduzido oficialmente em Sydney, na Austrália, em novembro deste mesmo ano. Ainda em 2012, iniciou testes para incluir a requisição de táxis convencionais através do aplicativo na cidade de Chicago. Além disso, passou a oferecer táxi aéreo por helicóptero entre as cidades de Nova York e Hamptons por US$ 3.000, serviço que foi batizado de UberChopper. Alheio a centenas de protestos promovidos por motoristas de táxis, a expansão internacional se intensificou. Das 70 cidades em que a empresa estava presente, 40 foram incorporadas em 2013, como por exemplo, Seul, Bangalore e Johannesburgo. Na América do Sul, o serviço chegou a três cidades: Bogotá e Cali, na Colômbia, e Santiago, no Chile. Ainda em 2013, a empresa iniciou a experimentação de novos serviços, como por exemplo, uma versão do aplicativo que permitia que os usuários chamassem carrinhos de sorvete pelo celular.


Já no Brasil, o Uber desembarcou no dia 15 de maio de 2014, quando começou a oferecer seus serviços na cidade do Rio de Janeiro. Pouco depois desembarcou em São Paulo. Uma curiosidade: a corrida “número zero” na capital paulista foi solicitada pela modelo brasileira Alessandra Ambrósio, no bairro dos Jardins, zona sul da capital, com destino ao Consulado Britânico, em Pinheiros. E também enfrentou inúmeros protestos dos taxistas. A verdade é que o Uber não oferece serviços de táxi, muito menos de transporte clandestino e não autorizado de passageiros. Oferece um serviço ainda não regulado pelo ordenamento jurídico brasileiro. E o fato deste não estar regulado não significa que este é ilícito. Ainda neste ano, além de ingressar no enorme mercado chinês, a empresa iniciou testes para disponibilizar novos serviços, como por exemplo, a entrega de comida, inicialmente na cidade californiana de Santa Monica; a versão do serviço que permite a passageiros dividir uma corrida para destinos próximos; e até um serviço de entrega rápida de pacotes, encomendas e documentos por toda Manhattan. Mais recentemente, o Uber anunciou o desenvolvimento de um novo recurso, chamado Trip Experiences, que possibilitará que desenvolvedores terceirizados enviem notificações e conteúdos personalizados aos passageiros durante o trajeto, se eles autorizarem. Alguns exemplos do que o novo recurso pode oferecer: uma lista de reprodução de músicas com a duração do trajeto, uma atualização de cinco minutos com notícias, críticas sobre o restaurante que o passageiro está prestes a ir ou um lembrete para ligar o ar-condicionado no caminho para casa.


A escolha e avaliação dos motoristas parceiros também já foi motivo de discórdia. Como a empresa não possui nenhum carro ou sequer motorista contratado, trabalha com parceiros cadastrados no serviço. Mas não é qualquer um que será aceito. Os candidatos precisam ter uma carteira de habilitação especial, atestado de antecedentes criminais, ser proprietário de um veículo dos modelos pré-estabelecido, possuir seguro para uso comercial do carro e passar por horas de entrevistas até serem aceitos. Além disso, aprendem práticas de direção segura e boas maneiras, como por exemplo, a abrir e fechar as portas para os passageiros, perguntar se o som ou o ar-condicionado incomodam, não falar demais e manter o carro sempre limpo. E o processo não acaba aí. Os motoristas são avaliados pelos passageiros – e vice-versa. Só continuam com a parceria aqueles que alcançarem uma avaliação superior a 4,6 estrelas, em uma medição de 0 a 5. No Brasil, a média dos motoristas é 4,85 estrelas. Cada motorista (chamado pela empresa de colaborador) é remunerado com 80% do valor pago pela corrida. O Uber, por sua vez, fica com 20% da taxa.


Hoje em dia a empresa oferece basicamente dois tipos de serviços: UberBlack, que oferece carros luxuosos e na cor preta (disponível no Brasil, com veículos como Toyota Corolla, Ford Fusion, Volkswagen Jetta e Honda Civic) com motoristas, vestidos socialmente e geralmente em tempo integral, e até garrafas de água gelada a disposição do passageiro; e o UberX, que oferece carros mais simples e tem preços competitivos com os dos táxis, cujos motoristas costumam ser pessoas que usam a plataforma para complementar sua renda trabalhando apenas algumas horas por semana. E foi justamente este último serviço, que devido às tarifas mais baixas, tornou o Uber extremamente competitivo, com serviços de táxi tradicional, ampliando seu apelo a uma parcela maior do mercado.


Em outras cidades do mundo o Uber opera e oferece mais produtos, dentre os quais: 
UberSUV: carros com mais lugares e conforto, do tipo SUV. 
UberLUX: veículos de marcas de luxo para locomover-se com classe pelas ruas. 
UberPOOL: serviço que permite divisão da viagem com outro usuário qualquer. O sistema se encarrega de encontrar quem deseja ir para um destino próximo ao seu. O valor também é dividido (o preço é aproximadamente 50% do valor do UberX). 
UberTAXI: táxis convencionais, sem precisar esticar o braço e esperar na calçada. 
UberPOP: carros compactos fazem as viagens, com preço ainda mais competitivo que o UberX. 
UberFRESH: entrega de almoço, com cardápio fixo todos os dias, que funciona apenas na cidade de Los Angeles. 
UberRUSH: serviço de courier por bicicleta, disponível apenas em Nova York.


Apesar de inúmeras controvérsias, o Uber faz enorme sucesso em vários países ao redor do mundo. Por exemplo, na cidade de San Francisco, onde o aplicativo começou, o número de corridas nos táxis tradicionais despencou em 64% ao longo de dois anos. Um claro efeito Uber. Mesmo em países onde encontra problemas legais, como por exemplo, na Espanha, onde uma liminar bloqueou a operação da startup, a empresa utilizou a criatividade para continuar operando ao lançar o UberEATS, um delivery de comida. E tanto sucesso atraiu investidores do peso como Shawn Fanning (ex-Napster), Jeff Bezos (fundador da Amazon), Google Ventures (braço de investimentos da gigante de internet) e a chinesa Baidu. Hoje em dia, o Uber é avaliado em mais de US$ 62 bilhões. E para continuar crescendo, a empresa não deve se afastar tão cedo das polêmicas. Afinal, Facebook e Google já compraram muitas brigas por causa de suas políticas de privacidade. Empresas como Amazon e Apple já foram processadas por práticas anticompetitivas pelas autoridades de defesa do direito econômico. O Uber testa os limites da legislação que regulamenta os serviços de transporte. E por enquanto, vai conseguindo crescer, mesmo desafiando órgãos reguladores e, principalmente, despertado a ira de taxistas mundo afora, que acusam a empresa de prestar uma espécie de “serviço pirata”. Afinal, andar de Uber é fácil, basta chamar o carro, indicar o destino e pagar pela corrida.


A evolução visual 
Inicialmente batizado de UberCab, em 2011 o serviço adotou o nome de Uber e apresentou um novo logotipo, caracterizado por uma grande letra U em vermelho. Pouco depois, a identidade visual da marca passou por uma grande remodelação, quando o logotipo adotou uma nova tipografia de letra, mais afinada e moderna, e remodelou o tradicional símbolo do U. O logotipo podia ser aplicado também utilizando somente o nome da empresa. No início de 2016, o Uber apresentou uma nova identidade visual, com uma leve mudança da fonte da letra usada para escrever o nome da empresa. Segundo comunicado da empresa, o novo visual ajuda a retratar o novo momento do Uber, que quer ir além do transporte de pessoas, entregando também comida e outras compras pela internet.


Além do logotipo, a empresa também apresentou novos ícones (em substituição ao clássico emblema preto com a letra U), que se apresentam de forma diferente: hexagonal caso seja um motorista, circular caso seja um cliente. As cores e os padrões no desenho também mudam de acordo com país de origem da pessoa. Um comunicado da empresa explica que o conceito do design foi a união do bit e do átomo, representando a ideia de que o Uber une o mundo virtual ao mundo físico.


Os slogans 
Where lifestyle meets logistics. (2013) 
Everyone’s Private Driver. 
Seu motorista particular. (Brasil)


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 2009 
● Fundador: Travis Kalanick e Garett Camp 
● Sede mundial: San Francisco, Califórnia, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Uber Technologies, Inc. 
● Capital aberto: Não 
● Chairman: Garett Camp 
● CEO: Travis Kalanick 
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: 68 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 5.300 
● Segmento: Tecnologia 
● Principais produtos: Aplicativo de carona remunerada 
● Concorrentes diretos: Lyft, Sidecar, Haxi, Zaznu, Ola Cabs, Didi Kuaidi, 99 Taxis e Easy Taxi 
● Slogan: Where lifestyle meets logistics. 
● Website: www.uber.com/pt/ 


A marca no mundo 
O Uber (se pronuncia “úber”), empresa de tecnologia mais popular da atualidade e que causa controvérsias por onde quer que passe, já está presente em 65 países e mais de 400 cidades, sete no Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Campinas, Goiânia, Porto Alegre e Belo Horizonte), conta com estimados 1 milhão de motoristas, levantou mais de US$ 10 bilhões de investidores de risco e é avaliada em aproximadamente US$ 62.5 bilhões. No Brasil são mais de 700 mil usuários e mais de 7.000 motoristas parceiros. Diariamente, mais de 1 milhão de passageiros utilizam o serviço no mundo inteiro. A sede da empresa está instalada em um moderno escritório, que ocupa um andar inteiro de um prédio na Market Street, uma das principais vias de San Francisco. Café, bebidas saudáveis e barras de cereais estão à disposição de todos os funcionários na cozinha. O almoço é servido gratuitamente e uma torneira de chope (batizada de Uber Beer) embala o happy hour. 

Você sabia? 
Em março de 2015, segundo o jornal New York Post, já existiam mais carros do Uber na cidade do que táxis. Eram 14.088 motoristas do Uber contra 13.587 taxistas. 
Em São Paulo também está disponível o UberBIKE: carros com rack para transporte de até duas bicicletas. 
Desde seu lançamento, inúmeras companhias adotaram esse modelo de negócio, uma tendência batizada de “Uberification”. Um de seus principais concorrentes é o aplicativo Lyft, cujos carros são identificados com um enorme bigode cor-de-rosa pendurado no para-choque. 
O aplicativo não exibe o número de celular nem do passageiro nem do motorista. Isso garante a privacidade de ambos e evita abordagens inconvenientes após o serviço ser prestado. 
O Uber foi um dos pioneiros no conceito de E-hailing, ato de se requisitar um táxi através de um dispositivo eletrônico, geralmente um celular ou smartphone, substituindo métodos tradicionais como ligações telefônicas ou simplesmente esperar ou ir à busca de um veículo na rua. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Fast Company, BusinessWeek, Isto é Dinheiro, Época Negócios e Exame), jornais (Valor Econômico, O Globo e Estadão), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 17/2/2016

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