3.5.11

PIERRE CARDIN


Imagine o que seria do universo da moda sem a grife PIERRE CARDIN. Para muitos seria chato e totalmente sem graça. O estilista de rara habilidade, tanto com as tesouras nas mãos, quanto na condução dos negócios, sempre foi considerado um ícone da moda e transformou sua marca em uma das mais conhecidas e difundidas no mundo. Como um estilista visionário e homem de negócios incansável, ele é tão famoso que, na China, durante anos, frequentemente era confundido com o Presidente Francês. 

A história 
Nascido na Itália, o estilista cresceu na bela cidade francesa de Saint-Étienne e iniciou os estudos em arquitetura em Paris, curso que largaria pouco depois. Um dos primeiros colaboradores de Christian Dior a partir de fevereiro de 1946, onde cortava os tecidos, em 1950 resolveu fundar seu próprio ateliê de costura, ainda sob a influência do New Look e do apadrinhamento de Dior, que recomendava seu pupilo às mulheres da alta sociedade e aos produtores de teatro. Em 1953, apresentou sua primeira coleção de alta-costura feminina, mostrando às mulheres uma visão futurista da moda, com vestidos esculpidos em tecidos bem cortados. Sua projeção internacional teve início em 1954 com a criação do “robes bulles” (popularmente conhecido como “vestido bolha”), inspirado nas formas esféricas; seguido em 1957 pela criação da saia tulipa, um modelo que tinha pregas próximas ao cós e sumia no comprimento; além das gravatas coloridas. Suas roupas disfarçavam as curvas femininas e contavam com uma forte cartela de cores, principalmente o verde, tom predileto do estilista. Ainda em 1957 inaugurou duas lojas: Eva, para as mulheres; e Adão, para homens. Surpreendeu o universo da moda ao realizar em 1959 o primeiro desfile de prêt-à-porter (roupas prontas para vestir que proporcionaram a democratização da moda). Foi uma das primeiras e múltiplas polêmicas criadas pelo estilista. O prêt-à-porter revolucionou toda a produção industrial da época, que passou a criar roupas em grande escala e de melhor qualidade, oferecendo praticidade e diversas variações não só de estilos, mas também de preço, transformando o nome PIERRE CARDIN em uma marca reconhecida.


Ainda em 1959, Cardin resolveu vender sua primeira coleção feminina de prêt-à-porter na Printemps, a famosa loja de departamentos de Paris. Como resultado de tamanha ousadia e por ter se popularizado, foi expulso do Chambre Syndicale de la Couture Parisienne (órgão dos grandes criadores e no qual dez anos depois ele voltaria para se tornar presidente). Nesta época, ele foi o primeiro a considerar o Japão como um grande mercado de moda. Em 1960 lançou a primeira coleção prêt-à-porter para homens não produzidas na Inglaterra, convocando universitários franceses para a apresentação. No início desta década foi um dos primeiros estilistas a se dedicar à expansão de sua marca, tratando a moda como negócio, com o lançamento de inúmeros tipos de acessórios, desde bolsas, relógios, óculos e posteriormente perfumes. Nesta época ele já era reconhecido mundialmente por seu estilo futurista e experimental utilizando elementos gráficos, geométricos e coloridos. Látex, vinil, cardine (tecido patenteado por ele e cujas fibras recebem modelagem a quente, impedindo de se desfazer). As matérias-primas derivadas de petróleo e com “memória” entraram em sua cartilha fashion, enquanto as formas futuristas acompanhavam as descobertas científicas. Com isso, ao lado de André Courrèges e Paco Rabanne, Cardin formou o trio modernista dos anos de 1960.


Também foi pioneiro ao implantar o sistema de licenciamento de sua marca, que rapidamente trouxe milhões de dólares para a empresa com o lançamento de louças (os primeiros produtos licenciados, em 1968), móveis, colchões, panelas, vinhos e até sardinhas (isso mesmo, o estilista costumava dizer que “uma sardinha é muito mais importante do que um frasco de perfume para quem tem fome”) que levavam o nome PIERRE CARDIN. Porém, anos mais tarde, o feitiço se virou contra o feiticeiro: os grandes nomes da moda perderam o controle de sua imagem e Cardin, amaldiçoado por todos, se tornou o símbolo dessa vulgarização desenfreada, em um case que é estudado nas principais faculdades de marketing até hoje. Em mais uma demonstração de ousadia, no ano de 1964, ele apresentou a coleção Cosmos, trazendo a ideia de moda unissex com túnicas que podiam ser usadas por homens e mulheres. Em 1966, ano em que lançou sua primeira coleção de roupas para crianças, ele renunciou ao seu lugar no Chambre Syndicale e passou a exibir suas coleções no seu próprio espaço, o Espace Cardin, (outrora Théâtre des Ambassadeurs) inaugurado em 1971 na capital francesa. Considerado futurista, o estilo de Cardin nesta década previu muito do que seria a mulher dos anos de 1990. Em 1977, o estilista lançou a primeira coleção de móveis de luxo com a marca PIERRE CARDIN. Em 1979, demonstrando seu tino comercial assinou um acordo comercial com a China para produzir as roupas de sua marca no país.


O licenciamento que tanto trouxe dinheiro também vulgarizou a marca. Para se ter ideia, no começo da década de 1990, a marca contava com mais de 900 produtos licenciados, espalhados por aproximadamente 95 países, com um império cujo faturamento ultrapassava US$ 1 bilhão em royalties. Hoje em dia, esses números caíram para menos da metade. Mas sua importância para o segmento da moda foi tamanha que, em 1991, ele se tornou o primeiro estilista francês homenageado em vida pelo museu de artes decorativas e design Victoria & Albert de Londres com a retrospectiva “Pierre Cardin: Past, Present and Future”. Em 1993, mais uma vez gerou polêmica, quando seus perfumes passaram a ser vendidos na rede de supermercados Carrefour a preços 30% menores que os das lojas especializadas. A partir de 1994, como muitos estilistas de moda da atualidade, Cardin decidiu mostrar suas coleções de alta-costura apenas para um pequeno círculo de clientes e jornalistas selecionados. Em 2009, o estilista voltou a desfilar suas coleções na semana de moda de Paris, após anos de ausência.


Entre as criações que se tornaram marcas registradas da grife PIERRE CARDIN estão os ternos sem colarinho e lapela (popularizados pelos Beatles em 1963), a versão feminina do terno, a gola-capuz, as coleções de primavera, o corte enviesado, as formas geométricas, as golas trabalhadas e audaciosas, as malhas modeladoras e os bodysuits (macacão justo com mangas compridas, fechado com zíper ou botões do umbigo até o pescoço). Durante todas essas décadas, o mérito de Pierre Cardin não está somente no fato de popularizar a alta-costura com o polêmico prêt-à-porter, transformando o “vestir com qualidade” em um produto (mais) acessível. Historicamente, o estilista antecipou através de suas roupas e ideias as mudanças e os comportamentos sociais de cada década, trazendo a moda para as ruas, revigorando o estilo de vestir, sempre com um pé no futuro.


Os perfumes 
Os perfumes sempre foram um importante produto dentro da PIERRE CARDIN. O primeiro deles foi o perfume masculino Pierre Cardin Pour Monsieur, lançado em 1972. Outros perfumes de grande sucesso introduzidos pela marca foram: Choc de Cardin (1981, o primeiro perfume feminino da marca), Paradoxe (1983), Bleu Marine (1986), Maxim’s Homme (1988), Rose Cardin (1990), Enigme (1992), Insatiable (1995), Ophélie (1995), Centaure (1998), Tristan & Yseult (2001), Révélation (2004), Emotion (2006), Pierre Cardin Pour Homme (2007), Black (2007), Cuir Intense (2009), Signé Cardin (2010), Style (2011), Amber Suprême (2012), Miss Choc (2012), L’Intense (2013) e Vertige (2013). Atualmente a licença para desenvolvimento e criação dos perfumes da PIERRE CARDIN está sob os cuidados da tradicional Coty, fundada em 1904.


O gênio por trás da marca 
Pietro Cardin nasceu no dia de 2 de julho de 1922, no pitoresco vilarejo italiano de San Biagio di Callalta, próximo a Veneza, na casa de férias de sua família. Filho de pais franceses, prósperos comerciantes de vinho, se mudou com a família aos dois anos para a França, fugindo das consequências econômicas causadas pela Primeira Guerra Mundial. Aos oito anos já demonstrava habilidade para o desenho, criando roupas para as bonecas das crianças vizinhas. Aos 14 anos, ele já trabalhava como aprendiz de alfaiate e, aos 18, cuidava dos serviços financeiros da Cruz Vermelha, em Vichy. Chegou a Paris em 1945. Trabalhou para a Madame Paquin e depois com Elza Schiaparelli. Em 1946 desenhou o figurino de Jean Cocteau, no filme a “Bela e a Fera”, e logo depois, também trabalhou para a Maison Dior, onde permaneceu durante aproximadamente quatro anos. Finalmente em 1950 montou seu próprio ateliê em Paris, inicialmente criando máscaras e roupas para peças teatrais e lançando sua primeira coleção de alta-costura pouco depois. Era a pedra inaugurou para a construção de um verdadeiro império da moda, que transformariam Pierre Cardin em um dos homens mais ricos da Europa.


Em 1957, revolucionou o conceito de moda masculina, quando abriu a loja masculina Adam (“Adão”), que o consagraria por seus ternos, elevados à categoria de alta-costura. Nesse mesmo ano, fez sua primeira viagem ao Japão e se tornou professor honorário da escola de estilismo de Bunka Fukusoi, onde ensinava o corte tridimensional. Com isso, se tornou um dos primeiros a levar a moda ocidental para a Ásia, desde 1957 no Japão e 1978 na China. Nos anos seguintes se tornou um bem sucedido homem de negócios, comprando em 1981, o tradicional restaurante Maxim’s, inaugurando outras unidades em Nova York, Londres e Beijing. Por ser um ícone da indústria da moda francesa e por ser um homem de negócios internacional, Pierre Cardin foi designado em 1991 como Embaixador da Boa Vontade da Unesco, tornando-se ainda mais conhecido por conta da sua luta contra a Aids. No ano seguinte, se tornou o primeiro costureiro a integrar a Academia de Belas Artes da França. Em 1993, o estilista perde o seu parceiro de vida e trabalho, o francês André Oliver.


Nunca a combinação estilista de moda com homem de negócios foi tão bem-sucedida quanto no caso de Pierre Cardin. Criativo, polêmico e introdutor de novos conceitos na alta-costura, como a modernidade e a praticidade, o estilista, que é recebido no exterior como um verdadeiro Chefe de Estado e dorme em uma célula monástica com vista para o Palácio do Elysée, tem sido, ao longo de mais de 70 anos de carreira, um dos grandes revolucionários em seu segmento. Afinal, qual estilista pode dar ao luxo de fazer com que mais de vinte milhões de pessoas já tenham usado qualquer um dos 350 itens que levam a sua própria marca, desde os famosos Beatles, passando por Rolling Stones e Lady Gaga, até pessoas comuns? Pierre Cardin nunca pegou emprestado em banco sequer um tostão para financiar seus negócios. Além disso, raramente fazia publicidade (salvo para os perfumes da marca) e reinvestiu seus lucros em pedras preciosas. Durante sua brilhante e polêmica carreira, o estilista recebeu vários prêmios importantes, como os Dedais de Ouro nos anos de 1970 ou o Oscar da Moda nos anos de 1980, foi tema de várias exposições, livros e diversas homenagens. Hoje em dia, mesmo com mais de 95 anos, além de dirigir a Maison Cardin, conduzindo todo o processo de designer e criação de seus produtos espalhados pelo mundo, é dono de hotéis, restaurantes, de um museu (inaugurado no bairro do Marais, no centro de Paris, em 2014, onde conta a história da moda e da marca) e espaços culturais (teatros).


A evolução visual 
A identidade visual da marca PIERRE CARDIN, passou por uma acentuada modificação em sua história. Outrora reconhecida pela assinatura do famoso estilista (que ainda é utilizada pelo forte reconhecimento em alguns países, como o Brasil), hoje em dia o logotipo da marca possui letras sóbrias e mais sofisticadas. O tradicional “P” estilizado é utilizado ainda em muitos de seus produtos, como bolsas e óculos.


Dados corporativos 
● Origem: França 
● Fundação: 1950 
● Fundador: Pierre Cardin 
● Sede mundial: Paris, França 
● Proprietário da marca: Société de Gestion Pierre Cardin S.A.S. 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Enrico Isenburg 
● Estilista: Pierre Cardin e Maryse Gaspard 
● Faturamento: US$ 400 milhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: 97 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 200 
● Segmento: Moda 
● Principais produtos: Perfumes, óculos, relógios, bolsas e roupas 
● Ícones: O próprio estilista 
● Slogan: Today is too important to wear anything else. 
● Website: www.pierrecardin.com.br 

A marca no mundo 
Os produtos da marca francesa, que englobam roupas, acessórios (como relógios, joias e óculos) e perfumes, são comercializados nas melhores lojas de departamento do mundo. Atualmente existem aproximadamente 350 produtos licenciados com a marca PIERRE CARDIN, que são comercializados em aproximadamente 100 países ao redor do mundo. A grife PIERRE CARDIN é tão forte que gera 50 mil empregos indiretos no mundo todo, muitos deles no Brasil, onde a marca está presente oficialmente desde 1969. 

Você sabia? 
Costureiro, designer, artista, empresário de sucesso, diplomata, diretor de teatro (comprou quatro teatros e fez produções no Brasil, México, Alemanha, Estados Unidos e Itália) e proprietário do famoso restaurante Maxim’s, Pierre Cardin é uma das cinco mais conhecidas personalidades francesas no mundo desde os anos de 1960. 
Do Brasil, Pierre Cardin sempre se recorda com nostalgia de sua passagem, em 1973, quando atuou, ao lado de Jeanne Moreau, no filme Joana a Francesa, de Cacá Diegues. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Elle e Vogue), jornais (Folha, Estadão e Valor Econômico), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).
 
Última atualização em 15/9/2017

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