7.11.11

FOGO DE CHÃO


Suculentas picanhas. Deliciosas maminhas. Cupins macios, que desmancham na boca. Fraldinhas no ponto. Linguiças dos mais variados tipos. Costelas perfeitas. Tudo isso inspirado no tripé qualidade, rapidez e fartura. Foi desta maneira que o tradicional churrasco gaúcho da rede Fogo de Chão deu o que falar. Em português e também em inglês, conquistando clientes mais que estrelados, do príncipe do Japão e Gisele Bündchen ao grupo Black Eyed Peas, de Bill Clinton e pilotos de Fórmula 1 a David Beckham e senadores americanos. 

A história 
Como muitos jovens de Encantado, no interior do Rio Grande do Sul, a 130 quilômetros de distância de Porto Alegre, Arri Coser (foto abaixo), aos 14 anos, e seu irmão Jair, aos 19 anos, deixaram em meados dos anos de 1970 sua terra natal em busca de oportunidade na cidade grande. Seus objetivos não eram diferentes dos de tantos outros moradores das pequenas cidades de colonização italiana da Serra Gaúcha: fazer carreira com a especialidade local, o churrasco. Trabalharam no Rio de Janeiro, primeiro como lavadores de pratos, auxiliares de garçom e, enfim, churrasqueiros. Três anos de árduo trabalho renderam algum dinheiro, e os irmãos decidiram voltar para os pampas e abrir um negócio próprio. Coube a Arri, ir até Porto Alegre verificar as oportunidades de um negócio próprio. Uma sondagem o levou até um ponto de boa estrutura, mas na descendente comercial. Chamava-se Fogo de Chão, churrascaria no bairro Cavalhada, próximo ao rio Guaíba, fundada em 1979. Decididos a passá-lo para frente, os donos só abriam a casa três noites por semana. Era um típico galpão gaúcho, com paredes revestidas em couro e móveis rústicos. Mas, por mais que os irmãos tivessem economizado o dinheiro não dava. O socorro veio com o pai Ângelo, que inteirou o que faltava com a quantia que poupara ao longo de 50 anos, e dos sócios Aleixo e Jorge Ongaratto.


Nome mantido, cardápio trocado pelo tradicional espeto corrido à gaúcha, que é o rodízio hoje (permite que sejam saboreados todos os cortes disponíveis na casa, normalmente servidos no próprio espeto – daí o nome -, escolhendo a parte e o ponto que mais agradar), o restaurante voltou a funcionar em 1980 contando apenas com seis funcionários. O novo estabelecimento propunha um conceito novo: o de churrascaria dentro da cidade. O costume era tê-las instaladas na beira da estrada. O raciocínio foi simples: em vez de atender basicamente caminhoneiros, o foco agora eram os engravatados dos centros financeiros. Mas os primeiros tempos não foram nada fáceis. Quando o Fogo de Chão ainda não passava de uma pequena churrascaria regional, eles tiveram que recorrer à criatividade para driblar a falta de dinheiro. Como não tinham capital de giro, a compra da carne era feita sempre no mesmo açougue. Só no final do dia, depois de apurar o faturamento da churrascaria, eles saldavam a dívida com o açougueiro. Até que, com um ano, veio a sorte grande: os irmãos foram procurados para hospedar uma grande festa, a despedida do volante Falcão, que acabara de ser vendido pelo Internacional para a Roma, da Itália. O evento gerou comentários na cidade toda e o churrasco da casa virou referência em jornais, rádio e televisão. Logo o Fogo de Chão se espalhou para mais dois endereços, um deles na cidade de Caxias do Sul.


Rapidamente a rede Fogo de Chão virou referência do bom churrasco. Quem vinha para Porto Alegre passou visitar a rede. Artistas, políticos, esportistas, empresários e jornalistas viraram clientes habituais. Um deles, o crítico de gastronomia Silvio Lancellotti, impressionado pelo serviço e qualidade, assinou um artigo no jornal Folha de S.Paulo, sugerindo aos donos que migrassem para São Paulo. Graças a empréstimos bancários e à venda de dois dos três pontos gaúchos, os irmãos deram início à expansão do Fogo de Chão em 1986, ao abrir, em São Paulo, o seu primeiro restaurante fora do Rio Grande do Sul. Localizado em Moema, bairro de alta renda da capital paulista e próximo ao aeroporto de Congonhas, a filial foi essencial para que os irmãos desenvolvessem uma fórmula que permitisse seu crescimento. Em 1987, com a loja de Moema já ampliada, surgiu a unidade de Santo Amaro - já sob o conceito de churrascaria gourmet e com sofisticação na comunicação visual, padrão adotado dali em diante. A partir deste momento, os irmãos abriram churrascarias sempre em locais de alto poder aquisitivo, ao contrário do que faziam os seus conterrâneos, que montavam restaurantes à beira de estrada. Atenciosos, garçons de bombacha, botas de cano alto e lenço vermelho amarrado ao pescoço, circulavam pelo salão com espetos de picanha, cordeiro, costela, bife ancho, cupim, maminha e linguiça, sempre churrasqueados à perfeição. Além disso, guarnições deliciosas como farofa, batata rústica, arroz carreteiro e polenta, e o farto bufê de saladas, queijos e frios, esbaldavam os clientes, muito deles estrangeiros que se impressionavam pela fartura de comida. O sucesso era garantido. Em 1996, a rede fincou bandeira em Belo Horizonte (MG) e, no ano seguinte, em Brasília (DF).


A estreia da rede nos Estados Unidos aconteceu em 1997, na cidade de Dallas, no Texas, usando recursos próprios. O restaurante foi saudado pelo crítico Dotty Griffith (do jornal Dallas Morning News) como “The brazilian meat-eaters mecca” (A Meca brasileira dos comedores de carne). A opção de escolher a famosa cidade do Texas para instalar o restaurante em detrimento da Big Apple explica-se pelo fato dos grandes competidores do mercado de carnes do país ser da terra de George Bush, que, aliás, se tornou cliente assíduo da casa. Algumas adaptações gastronômicas foram necessárias, começando pela diminuição de sal e de gordura - esta uma marca da rede. Não havia batatas fritas e o coração de galinha caiu fora, já que os ianques não gostaram da iguaria. Cupim também não existia. Apesar disso, no começo os americanos confundiam o Fogo de Chão com um restaurante de culinária chinesa, em razão da grafia da palavra “chao”. Superado esse obstáculo, a rede deu tão certo que nos anos seguintes foram inauguradas novas unidades em cidades como Miami, Chicago, Atlanta, Baltimore, Denver, entre outras.


Durante esses anos, a história da rede Fogo de Chão se tornou um case de empreendedorismo, profissionalismo e visão aguçada de mercado. Em 2011, um dos maiores fenômenos na história dos restaurantes brasileiros mudou de mãos. A rede de churrascarias Fogo de Chão foi vendida por US$ 62 milhões pelos irmãos Coser à gestora de investimentos GP, que já era sócia com 35% de participação e passou a ter 100% do negócio. Pouco depois, em maio de 2012, a empresa foi vendida para o fundo americano de private equity Thomas H Lee Partners por US$ 400 milhões. Os novos proprietários deixaram muito claro a agressividade na expansão, especialmente nos Estados Unidos. Com isso, novas unidades foram inauguradas em grandes cidades americanas, além de uma unidade em Porto Rico. Em 2015, a rede planeja abrir de 5 a 6 restaurantes. Um deles será na Cidade do México, primeiro no país. A rede também estuda se expandir para países como Austrália e Canadá, bem como para a Ásia, Oriente Médio e Europa, tanto a partir de restaurantes próprios quanto através de parcerias.


Macios, suculentos, quase derretendo ao corte da faca. Retirados direto do fogo com aquele cheiro irresistível e uma textura de dar água na boca. Os melhores cortes de carne do mundo estão na rede Fogo de chão há 35 anos. O respeito à história e à cultura gaúcha está na raiz da empresa, que carrega os valores da tradução farroupilha para onde quer que vá, por intermédio de suas churrascarias. Do autêntico fogo de chão exposto na vitrine de cada restaurante à indumentária dos funcionários no salão, passando pela hospitalidade e pelo cavalheirismo, tudo evoca a cultura gaúcha.


A linha do tempo 
1997 
Inauguração de um restaurante na cidade de Dallas, no Texas. 
2000 
Inauguração de um restaurante na cidade de Houston, no Texas. 
2001 
Inauguração de um restaurante na cidade de Atalanta, na Geórgia. 
2002 
Inauguração de um restaurante na cidade de Chicago, em Illinois. 
2005 
Inauguração de um restaurante em Beverly Hills na Califórnia. 
Inauguração de um restaurante na capital Washington. 
2006 
Inauguração do primeiro restaurante na cidade de Belo Horizonte. 
Inauguração de um restaurante na cidade da Filadélfia, na Pensilvânia. 
2007 
Inauguração do primeiro restaurante na cidade de Brasília. 
Inauguração de um restaurante na cidade de Baltimore, em Maryland. 
Inauguração de um restaurante na cidade de Minneapolis, em Minnesota. 
Inauguração de um restaurante na cidade de Austin, no Texas. 
2008 
Inauguração do primeiro restaurante na cidade de Salvador, na Bahia. 
Inauguração de um restaurante na cidade de Indianápolis, em Indiana. 
Inauguração de um restaurante na cidade de Miami Beach, na Flórida. 
Inauguração de um restaurante na cidade de Scottsdale, no Arizona. 
2009 
Inauguração de um restaurante na cidade de Kansas City, em Kansas. 
Inauguração de um restaurante na cidade de Denver, no Colorado. 
Inauguração de um restaurante na cidade de San Antonio, No Texas. 
2010 
Inauguração do primeiro restaurante na cidade do Rio de Janeiro. 
2011 
Inauguração de um restaurante na cidade de Las Vegas, em Nevada. 
2012 
Inauguração de um restaurante na cidade de Orlando, na Flórida. 
Inauguração de um restaurante na cidade de Boston, estado de Massachusetts. 
2013 
Inauguração de restaurantes nas cidades de Nova York e San Diego. 
2014 
Inauguração de um restaurante na cidade Portland, no Oregon. 
Inauguração de um restaurante na cidade San Jose, na Califórnia. 
2015 
Inauguração de um restaurante na cidade San Juan, em Porto Rico.


O segredo do sucesso 
O segredo para alcançar o enorme sucesso dos dias de hoje está, além da qualidade da carne servida, no treinamento de seus colaboradores. Nos restaurantes da rede cada garçom é responsável por seu corte. Há o garçom da picanha, da maminha, da costela, assim por diante. Cada um cuida sozinho do processo completo envolvendo o que a rede chama de “a arte do churrasco”, que consiste em salgar, assar e servir. Por isso, toda a equipe é arduamente treinada antes de ter contato com o público. Os garçons aprendem tudo sobre os tipos de carnes, identificam cada corte, têm conhecimento de vinhos e noções de nutrição. Além disso, eles são fluentes em inglês e, claro, entendem tudo de churrasco.


Todo esse treinamento tem o objetivo de preservar o autêntico jeito gaúcho de fazer churrasco, por meio da busca contínua de excelência em relação a produtos e serviços. Quando se fala em churrascaria de rodízio, a imagem que vem à mente é a churrascaria de beira de estrada, com um atendimento que quase sempre deixa a desejar. A rede Fogo de Chão sempre buscou o oposto sem perder de vista a cultura gaúcha, diferencial ostentado com orgulho pelos funcionários. A dedicação a essa gastronomia regionalizada já rendeu reconhecimentos. A rede foi eleita a melhor churrascaria rodízio por vários anos consecutivos por revistas brasileiras conceituadas, além de ter abocanhado também prêmios pela carta de vinhos servidos em seus restaurantes.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por apenas uma remodelação ao longo de sua história.


Devido à internacionalização da rede, hoje em dia o logotipo é aplicado (também na horizontal) com a inscrição “Brazilian Steakhouse” abaixo do nome da marca. O logotipo também pode ser aplicado sob um fundo preto.


Dados corporativos 
● Origem: Brasil 
● Fundação: 1979 
● Fundador: Arri e Jair Coser, Aleixo e Jorge Ongaratto 
● Sede mundial: São Paulo, Brasil 
● Proprietário da marca: Fogo de Chão, Inc. 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Larry Johnson 
● Presidente: Jandir Dalberto (Brasil) 
● Faturamento: US$ 262 milhões (2014) 
● Lucro: Não divulgado 
● Restaurantes: 38 
● Presença global: 4 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 3.000 
● Segmento: Restaurantes casuais 
● Principais produtos: Rodízio de carnes, saladas e entradas 
● Concorrentes diretos: Rodeio, Porcão, Barbacoa, Vento Haragano e Fleming’s Prime Steakhouse & Wine Bar 
● Ícones: Os garçons vestidos com bombachas 
● Slogan: O jeito gaúcho de fazer churrasco. 
● Website: www.fogodechao.com.br 

A marca no mundo 
Hoje em dia a rede Fogo de Chão, primeira marca brasileira de gastronomia internacional, possui 38 restaurantes, dez localizados no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Brasília e Salvador) e 26 nos Estados Unidos (em cidades como Dallas, Houston, Miami, Chicago, Atlanta, Baltimore, Denver, Kansas City, Minneapolis, Filadélfia, Austin, San Antonio, Indianápolis, Washington, Nova York, Boston, Los Angeles e Las Vegas), além de uma unidade em Porto Rico e outra a ser inaugurada em breve na Cidade do México, que garantiram um faturamento de US$ 262 milhões em 2014, quando cada restaurante serviu, em média, 137 mil refeições. Atualmente, 75% da receita da rede vêm das unidades americanas. A empresa tem orgulho, em especial, de alguns de seus restaurantes: Chicago, por ser a maior dos Estados Unidos; Brasília, por ser o centro do poder do país; Washington D.C., por estar instalado em um prédio do século XVIII entre Casa Branca e FBI; e Beverly Hills, pelo glamour. A rede atende mais de 4 milhões de clientes por ano. 

Você sabia? 
Nos Estados Unidos a rede utiliza o slogan “The Gaucho Way of Preparing Meat”. A expressão “Fogo de Chão” é utilizada para designar carnes assadas em espetos sobre fogueiras no chão, um costume dos peões que levavam manadas de gado para o local de abate ou em busca de novas pastagens. 
Hoje, uma refeição (rodízio) no Fogo de Chão custa em média mais de R$ 130, sem incluir bebidas. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Isto é Dinheiro, Exame e Época Negócios), jornais (Valor Econômico e Meio Mensagem), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 13/5/2015

2 comentários:

abimael disse...

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José Victor disse...

Parabéns pelo texto. Muito bem escrito.