12.5.06

FORD


O automóvel foi inventado na Alemanha, em 1885, por Karl Benz e Gottlieb W. Daimler. Mas foi o americano Henry Ford que popularizou o automóvel com a linha de produção e montagem que provocaria uma revolução na sociedade. Ícone da sociedade de consumo, a FORD cresceu e evoluiu lado a lado com a história da indústria automobilística mundial lançando modelos que marcaram a história do segmento como o mítico MUSTANG, o clássico THUNDERBIRD, o sofisticado TAURUS, o arrojado MONDEO e as versáteis picapes F-150, F-250 e F-350. 

A história 
A FORD MOTOR COMPANY foi fundada na cidade de Detroit, estado americano do Michigan, no dia 16 de junho de 1903 por Henry Ford e mais 11 investidores, que contribuíram com US$ 28.000 cada um. O mês era junho. O local uma pequena fábrica em Michigan, com 125 funcionários, que trabalhava a todo vapor para lançar o seu primeiro veículo: o Modelo A. O clima estava tenso e a discussão sobre a cor do automóvel tomava conta do local. Os engenheiros não sabiam o que fazer e perguntaram para o proprietário Henry Ford. Ele rapidamente respondeu: “Pode ser qualquer cor desde que seja preto”. Assim nasceu o ícone da indústria automobilística, o primeiro esboço de uma linha de montagem e o primeiro carro acessível à classe média. Em menos de um mês era entregue o primeiro carro para o Dr. Pfennig, um dentista da cidade. Esse modelo vendeu 1.708 unidades em 15 meses, entusiasmando Henry Ford. Ainda neste ano, além de inaugurar a primeira distribuidora de veículos da marca na cidade de San Francisco na Califórnia, a nova empresa efetuou as primeiras exportações para a Grã-Bretanha. Ele criou em paralelo a Ford Manufacturing Company. Seu gerente de vendas, James Couzens, ajudou a criar uma rede de 450 revendas de automóveis — até então eles eram vendidos em bicicletarias e outros tipos de comércios.


Em 1904 foi inaugurada a primeira fábrica no exterior localizada em Ontário no Canadá. Além disso, o Modelo A foi exportado pela primeira vez para a Austrália. Dois anos mais tarde, a montadora lançou o Modelo K, de luxo, com motor de 40 cv — um fracasso comercial, assim como seu antecessor Modelo B. As falhas em conquistar o mercado de carros de luxo levaram Henry Ford a decidir investir em modelos populares. Até 1908, ano em que inaugurou a primeira filial fora da América, em Paris, a FORD utilizou 19 letras do alfabeto para nomear seus modelos e criações, sendo que alguns nem chegaram a ser lançados ao público. Até esta altura, a montadora americana produzia os automóveis em pequenas quantidades em uma fábrica alugada. Porém, neste ano, com a mudança para uma nova fábrica, a FORD introduziu a primeira linha de montagem de automóvel da história: uma esteira conduzia os componentes para vários operários, cada um deles especializado em apenas um único processo. O tempo de produção caía de 12 horas para apenas uma hora e meia: maior oferta, menor preço, uma grande procura e lucros extraordinários. Henry Ford enriqueceu e pôde erguer outras fábricas, inclusive em outros países.


Ainda este ano lançou no mercado o automóvel Modelo T, ao custo de US$ 825 (equivalente a R$ 21.500 nos valores atuais) que durante anos foi o grande sucesso da indústria automobilística, sendo apelidado de “carro do século” e chegando a deter 57% de todo o mercado mundial de automóveis. O Modelo T trazia inovações como o volante no lado esquerdo, o que foi rapidamente copiado por todas as montadoras. O motor e o câmbio eram fechados, com os quatro cilindros fundidos em um bloco sólido e o cabeçote separado; o acelerador era acionado por uma barra atrás do volante; e o carro era alto o suficiente para rodar em áreas rurais. Pouco depois, em 1911, foi inaugurada a primeira fábrica da montadora fora da América, em Manchester, na Inglaterra. O ano de 1913 foi repleto de novidades. Primeiro, Henry Ford assinou contrato para venda do Modelo T na China e Indonésia. Depois, foi inaugurada a primeira sucursal na América do Sul (na Argentina), estabelecendo sua primeira oficina e salão de vendas. Nesta época, os automóveis da marca no Brasil eram importados por William T. Wright. No dia 5 de janeiro de 1914, Henry Ford passou a oferecer o pagamento de US$ 5 por dia, o que mais do que duplicou o salário da maioria dos funcionários. O ato foi muito rentável: no lugar da constante rotatividade de empregados, que necessitava contratar três homens por ano por posto de trabalho, a FORD atraiu e manteve os melhores mecânicos de Detroit, aumentou sua produtividade e reduziu os custos de treinamento. Henry chamou isso de “salário de motivação” (wage motive). Mas também lhe causou problemas. O dia de trabalho de US$ 5 o fez impopular entre alguns empresários e, recebendo ameaças de morte, passou a andar com seguranças. Ele também reduziu a duração do dia de trabalho de 9 para 8 horas. Com os aperfeiçoamentos produtivos, o tempo de produção do Modelo T, que de início era de 12 horas e meia, passava à somente 93 minutos. Para diminuir o tempo de fabricação, o carro somente estava disponível na cor que permitia secagem mais rápida — preto. Com o aperfeiçoamento dos compostos de pintura, o carro ganharia outras cores somente em 1926.


O uso da integração vertical pela empresa também provou ser bem sucedido quando Henry construiu, em 1917, uma fábrica gigantesca, onde entravam matérias-primas e de onde saiam automóveis acabados. O intenso empenho dele para baixar os custos resultou em muitas inovações técnicas e de negócios, incluindo um sistema de franquias que instalou uma concessionária em cada cidade da América do Norte, e nas maiores cidades em seis continentes. Ainda em 1917, a empresa produziu seu primeiro caminhão, feito sob a carroceria do Modelo T e batizado de Model TT, iniciando assim uma longa tradição da FORD no segmento de veículos de carga. Nesse mesmo ano, sendo Henry Ford filho de agricultor, compreendeu a necessidade e a utilidade de aplicar a tecnologia do automóvel ao processo da agricultura, criando juntamente com seu filho Edsel a Henry Ford & Son Corporation, destinada a conceber apenas tratores agrícolas. Ford não inventou o trator, assim como não inventara o automóvel, mas, tal como fizera com o veículo destinado a transportar pessoas, ele desenhou e produziu um trator acessível à maior parte dos agricultores, revolucionando a indústria do setor. Em 1918, o seu trator agrícola começou a ser produzido em grande escala para dar resposta às urgentes necessidades da lavoura e, a pedido do Governo Britânico, os tratores começaram a sua rota ascendente para todo o mundo. Henry Ford comercializou o seu primeiro trator com o nome Fordson (uma associação do nome Henry Ford & Son Corporation). Nos anos de 1920, a empresa construiu instalações na África do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, Filipinas, França, Índia e México.


No dia 4 de fevereiro de 1922 a empresa comprou a tradicional montadora Lincoln Motor, fundada por Henry M. Leland em 1917. No ano seguinte, Henry Ford, preocupado com a preservação do meio ambiente, autorizou a compra de uma fazenda para plantação de árvores, pois a empresa utilizava madeira na confecção de muitas peças de seus carros. Era a preocupação da FORD com a preservação do meio-ambiente. O ano de 1927 foi o último da produção do Modelo T, que em 20 anos vendeu exatas 15.484.781 unidades. Um verdadeiro sucesso. Neste mesmo ano foi lançado um novo automóvel, uma espécie de segunda geração do Modelo T, e batizado como Modelo A, que com seu motor de 4 cilindros e 40 HP proporcionava novos níveis de desempenho e imensa durabilidade. Com a maior campanha publicitária feita até então, o que incluía cinco dias de anúncio de página inteira em 2.000 jornais do país, foram mais de 50.000 pedidos de compra no dia de lançamento do modelo. Quando se iniciou a produção do Modelo A, a fábrica de River Rouge era o maior complexo industrial do mundo, com 93 prédios. Tinha forte integração vertical, fazendo até o próprio aço. Henry Ford objetivava produzir um veículo a partir do zero, sem dependência nenhuma — mesmo a borracha dos pneus ele desejava produzir. Para isso, montou uma enorme plantação de seringueiras para a produção de borracha na Amazônia brasileira, com uma vila chamada de Fordlândia, o que acabou terminando em prejuízo. Até 1931 foram produzidos mais de 4 milhões de unidades desse modelo.


Em 1930 começava a construção da fábrica na Alemanha e, no ano seguinte, comemorava-se o FORD de número 20 milhões. Em plena recessão americana, a FORD ofereceu uma enorme inovação. Eram tempos de rádio. Os motoristas agora queriam um novo tipo de entretenimento. A FORD começou a instalar em seus veículos o novo aparelho em 1932. Nesta época, em virtude da enorme concorrência, Henry decidiu então lançar como resposta o primeiro carro com motor V8 confiável e com preço competitivo. Seu desempenho era tão surpreendente para a época que Henry chegou a receber uma carta de agradecimento do famoso bandido Clyde Barrow, da dupla de assaltantes Bonnie e Clyde, agradecendo-o por ter criado o veículo que o permitiu por diversas vezes fugir da polícia. O primeiro automóvel desenvolvido especialmente para o mercado Europeu foi lançado em 1932 e introduzido na Inglaterra, chamava-se Modelo Y. No final desta década, em 1939, a FORD passou a disponibilizar o motor Hercules Diesel nos caminhões e chassis de ônibus. Em 1940 e 1941 os modelos FORD sofreram suas primeiras alterações significativas desde 1928.


Com o início da Segunda Guerra Mundial, a produção de automóveis civis foi completamente interrompida e iniciou-se a produção dos veículos chamados GP (General Propose), de onde se originou a palavra e a marca Jeep. Mais de 250 mil desses veículos e tanques de guerra foram produzidos pela empresa nesse período. Com o fim do conflito a empresa lentamente retomou a produção de veículos e lançou seu primeiro automóvel pós-guerra, o Ford 1949, além dos pequenos caminhões e picapes F-Series, oferecidos em oito diferentes categorias de peso e direcionados aos fazendeiros americanos com o famoso slogan “Built Stronger to Last Longer” (algo como “Construído forte para durar muito”). Os veículos dessa linha se tornaram clássicos no segmento de veículos utilitários. Além disso, em 1954, a montadora colocou em prática seu primeiro Crash-Test, visando o desenvolvimento e segurança de seus veículos.


A década de 1960 foi marcada pelos sucessos da FORD nas competições automobilísticas, como por exemplo, em 1966, quando os modelos GT40 conquistaram as três primeiras colocações na tradicional prova 24 Horas de Le Mans. No ano seguinte a empresa se estabeleceu em vários países europeus e, em 1972, inaugurou unidades fabris no continente asiático. Nessa época a FORD começava a sedimentar as bases para ser um gigante global. O crescimento através de aquisições começou no ano de 1979 quando a FORD comprou 25% da montadora japonesa Mazda. Nos anos seguintes as ondas de aquisições continuaram com a compra, em 1987, de 75% da tradicional montadora britânica Aston Martin; da aristocrática Jaguar, em 1990 por US$ 2.5 bilhões; da locadora de veículos Hertz em 1994 e; em 1999 da sueca Volvo por US$ 6.4 bilhões. Nesta década em cada oito modelos de carros mais vendidos dos Estados Unidos, cinco eram da FORD. Apesar de em 2002, no Salão de Automóveis de Detroit, ter sido lançado 15 novos modelos, a montadora começava a dar sinais de problemas internos, especialmente em questão de lucratividade. Nos anos seguintes a crise se agravou e a gigante começou a ser deficitária. Em 26 de março de 2008, a FORD vendeu à montadora indiana Tata Motors as marcas de luxo Land Rover e Jaguar por US$ 2.3 bilhões; e depois se desfez da sueca Volvo, adquirida pela montadora chinesa Geely por US$ 1.8 bilhões. O ápice da crise aconteceu durante este período, quando as perdas da montadora ultrapassaram os US$ 14 bilhões.


Porém, em pouco mais de três anos, medidas drásticas como as vendas das deficitárias marcas de luxo Land Rover e Jaguar; a recusa em meio à maior crise da indústria automobilística americana em aceitar o socorro do governo; e reduzir os custos em 47%; fizeram com que a empresa retomasse os lucros bilionários (pela primeira vez desde 2005) e ainda conseguisse ultrapassar a GM em vendas. Nos Estados Unidos a empresa superou, em alguns momentos, a General Motors como a número 1 em vendas, comercializando em 2010 mais de 1.9 milhões de veículos. No início de 2011, a FORD descontinuou a marca Mercury, em mais uma medida para se tornar competitiva e mais lucrativa. Globalmente a FORD ocupa a posição de número seis em relação ao número de veículos vendidos. E, embora não tenha ainda chegado próximo ao primeiro lugar da Toyota, já é mais admirada do que a rival japonesa, segundo uma pesquisa feita pela Bloomberg.


Apresentado no Salão de Detroit em janeiro de 1015, o FORD GT, será o carro mais caro da história da fabricante americana quando começar a ser vendido no segundo semestre de 2016. A carroceria em forma de gota é o resultado de um profundo desenvolvimento no túnel de vento. A carroceria de fibra de carbono, a potência projetada superior a 600 cv e o motor EcoBoost V6 de 3.5 litros são as expressões máximas de inovação tecnológica. E o novo modelo já começou bem: marcou sua volta à competição 24 Horas de Le Mans depois de 30 anos, em 2016, e venceu em sua categoria (LMGTE Pro). A montadora planeja produzir aproximadamente 250 unidades do GT por ano. O esportivo que surpreendeu os críticos é o topo de uma linha de 12 veículos de alta performance planejados pela montadora até 2020.


A linha do tempo 
1919 
O Modelo T passava a vir com partida elétrica. 
1925 
Apresentação do FORD T RUNABOUT, com caçamba aberta opcional, sendo a primeira picape oferecida pela montadora. 
1932 
Apresentação ao mundo do motor V8 de baixo custo, que se tornaria marca registrada da FORD durante muitos anos. O V8 trouxe ao alcance de todos o alto desempenho deste tipo de motor, antes exclusivos aos automóveis de luxo. 
1933 
Criação do primeiro departamento de design automotivo da montadora. As criações deste departamento passam a ter influência no design de automóveis da indústria. 
1938 
Início da produção dos modelos com a marca MERCURY, como uma alternativa intermediária entre a marca mais popular FORD e a refinada Lincoln
1948 
Lançamento do FORD 1949, carro que exerceu forte influência no design automobilístico dos anos de 1950. O novo modelo, impulsionado por um motor V8 modernizado, introduziu um chassi totalmente novo com suspensão dianteira independente com molas helicoidais e eixo traseiro rígido com molas longitudinais. 
Lançamento da linha de picapes e pequenos caminhões F-Series, que se tornaram clássicos no segmento de veículos utilitários. 
1951 
Lançamento do FORD 1952, automóvel de grande porte com curvas modernas e equipado com motor 6 cilindros ou o potente V8. 
Apresentação da nova transmissão automática de 3 marchas. 
1953 
Lançamento do FORD FK, uma van utilitária desenvolvida especificamente para o mercado europeu. Prática e versátil contribuiu para o “boom” do pós-guerra e foi um enorme sucesso. Até 1965, mais de 250 mil unidades foram produzidas. 
1955 
Lançamento do modelo de maior sucesso da sua história, o FORD THUNDERBIRD, um automóvel esportivo de dois lugares que viria a tornar-se um clássico americano. Produzido até 1997 (com uma reedição entre 2002 a 2005), o modelo, que vendeu mais de 4.4 milhões de unidades, praticamente criou um nicho de mercado eventualmente conhecido como “personal luxury car”. 
Lançamento do FORD CROWN VICTORIA, um cupê de duas portas de grande porte. O modelo foi produzido apenas por um ano, mas foi relançado em 1978. Em 1983 foi lançado o Crown sedan, denominado “pony car” (assim como o Mustang). Foi o primeiro carro da FORD a ter chaves separadas para ignição e porta-luvas. A partir de 1997, a montadora passou a fabricar o modelo para a polícia americana. O primeiro modelo para a polícia foi o Crown Victoria P71, e depois o Police Interceptor. O sedã chegou a ser o mais vendido na cidade de Nova York, sendo o segundo carro mais utilizado pela polícia americana, perdendo apenas para o Chevrolet Impala SS. Além disso, foi extremamente popular utilizado como táxi. Sua produção foi interrompida em 2011. 
1958 
Lançamento do EDSEL, um automóvel grande e luxuoso que levava o nome do único filho de Henry Ford. Devido às fracas vendas o modelo foi descontinuado em 1960, mas passou a ser muito popular entre os colecionadores. 
1959 
Fundação da FORD CREDIT, que é até os dias de hoje é uma das maiores empresas de Leasing de automóveis do mundo. 
1960 
Lançamento do FORD FALCON, que oferecia inúmeras opções de carroceria como sedã com duas ou quatro portas, perua com duas ou quatro entradas, cupê duas portas, conversível, furgão e a precursora picape Ranchero, a primeira derivada de um automóvel de passeio. 
1961 
Apresentação do primeiro caminhão F-600 com motor diesel. 
Lançamento da FORD E-SERIES, uma linha de vans comerciais de grande porte disponível nas versões carga e passageiros. 
1964 
Lançamento em 17 de abril, custando metade do preço do Corvette produzido pela Chevrolet, do famoso FORD MUSTANG, automóvel direcionado para um público jovem em busca de emoção, que vendeu 22.000 unidades em seu primeiro dia de mercado, se tornando o carro de maior sucesso da indústria automobilística até então. 
Surgimento do FORD GT40, um supersportivo criado por ordens de Henry Ford II, neto mais velho do fundador da montadora, para correr nas 24 Horas de Le Mans e terminar com o reinado da Ferrari. O modelo foi quatro vezes vencedor das 24 Horas de Le Mans, entre 1966 e 1969. Ao destronar o domínio da Ferrari, foi a primeira montadora americana a vencer a tradicional corrida e, de quebra, de forma invicta, pois venceu todas as vezes em que participou. Após sua sequência de vitórias o modelo recebeu o apelido de “Matador de Ferraris”
1965 
 Lançamento da linha FORD TRANSIT, um dos maiores sucessos da empresa no segmento de vans comerciais. O modelo foi o veículo comercial leve mais vendido na Europa durante quarenta anos, ao ponto de que em alguns países o termo “Transit” se tornou genérico para se referir às vans comerciais. Desde sua introdução os modelos da linha já venderam mais de 6.5 milhões de unidades. 
1966 
Lançamento da FORD BRONCO, um veículo utilitário esportivo que durante três décadas fez enorme sucesso no mercado americano. O modelo ficou imortalizado em uma frenética perseguição policial pelas rodovias de Los Angeles, quando o ex-astro de futebol americano O.J. Simpson, acusado de assassinar sua ex-mulher, empreendeu fuga dentro de um modelo de cor branca no dia 17 de junho de 1994. A perseguição foi assistida ao vivo por quase 100 milhões de americanos. Sua produção foi encerrada em 1996. 
1968 
Lançamento do FORD TORINO, um sedã de tamanho médio. O modelo ganhou este nome em homenagem à cidade italiana de Turim, conhecida como a “Detroit Italiana”. O modelo se firmou como carro do típico cidadão de classe média americana. A versão mais esportiva, conhecida como GRAN TORINO, foi produzida entre 1972 e 1976, quando a montadora americana promoveu uma reestilização do modelo original. 
1969 
Lançamento no mercado americano do FORD MAVERICK, um sedã de duas portas comercializado inicialmente ao preço de US$ 1.995. O estilo foi claramente copiado do Mustang, mas suavizado. O sucesso foi imediato e rapidamente no primeiro ano foram vendidas 579.000 unidades. Inicialmente o modelo estava disponível em 15 cores e motores de 2.8 e 3.3 litros, ambos de seis cilindros. Era anunciado como o veículo ideal para jovens casais, ou como segundo carro da casa. 
1975 
Lançamento da picape FORD F-150, configuração intermediária que se tornou a mais popular da linha e atualmente é uma das líderes de vendas no mercado americano. 
1976 
Lançamento do FORD FIESTA, um carro de pequeno porte que se tornou um enorme sucesso de vendas. O carro está atualmente em sua sexta geração e já vendeu mais de 16 milhões de unidades no mundo inteiro. 
1982 
Lançamento de um de seus produtos de maior sucesso no segmento de utilitários, a FORD RANGER. A compacta e leve picape foi, entre os anos de 1987 e 2004, a mais vendida em seu segmento no mercado americano. 
1985 
Lançamento do modelo FORD TAURUS que com seu design radical não demorou muito para se tornar um grande sucesso de vendas nos Estados Unidos. Além do sedã, a linha oferecia uma elegante perua. O TAURUS seria o líder de vendas entre os modelos de marcas americanas por mais de 15 anos. A sexta geração do modelo foi lançada em 2010. 
1990 
Lançamento do utilitário esportivo FORD EXPLORER. Equipado com um motor de 4.0 L V6 e 155 hp, o modelo de médio porte se tornou um verdadeiro sucesso no mundo. A quinta geração do modelo foi apresentada em 2011. 
1991 
Lançamento do FORD COURIER, veículo comercial leve baseado no modelo FIESTA. Introduzido primeiramente no mercado europeu, o modelo foi lançado no mercado brasileiro em 1997. 
1992 
Lançamento mundial do FORD MONDEO, um automóvel de porte médio que fez grande sucesso em vários países do mundo. Inicialmente existiam três versões possíveis: hatchback, sedã e station wagon (perua). O modelo está em sua quarta geração. 
1994 
Lançamento do FORD COUNTOUR, um sedã compacto de quatro portas que teve a produção encerrada em 2000. 
1996 
Lançamento do FORD KA, um veículo compacto e popular introduzido nos mercados da Europa e América do Sul. A terceira geração foi apresentada em 2014. 
Lançamento do FORD EXPEDITION, um veículo utilitário esportivo de porte grande com mais de cinco metros de comprimento e praticamente dois de altura. A mais recente geração do modelo foi apresentada em 2014. 
1998 
Lançamento do FORD FOCUS, um carro de porte médio compacto com design inovador para a época. Em 2010 foi apresentada a terceira geração do modelo, um dos mais vendidos da montadora americana. 
Lançamento da caminhonete peso pesada FORD F-250 SUPER DUTY, equipada com motores V6 4.2 de 205 cv ou 4.2 Turbo Diesel de 180 cv. A linha conta atualmente com mais dois modelos: F-350 (capacidade para carregar 10.300 quilos) e F-450 (capacidade para carregar 11.100 quilos). As novas gerações das picapes têm a estrutura da carroceria composta por 95% de aço de alta resistência e alumínio, fato que proporciona redução de 160 kg no peso total. 
2000 
Lançamento do FORD EXPLORER SPORT TRAC, uma picape esportiva de porte grande e cabine dupla com uma pequena caçamba. 
Lançamento do FORD ESCAPE, um utilitário esportivo compacto, muito semelhante ao ECOSPORT produzido no Brasil. 
2003 
Lançamento do FORD ECOSPORT, primeiro utilitário esportivo compacto produzido no Brasil. A segunda geração foi lançada em 2012. 
Lançamento do FORD SPORTKA, versão esportiva do popular modelo popular. Neste mesmo ano foi introduzida a versão conversível (batizada de FORD STREETKA). 
Lançamento do FORD EVEREST, um veículo utilitário esportivo de porte médio. 
2004 
Lançamento do FORD ESCAPE na versão híbrida. 
2005 
Lançamento do FORD FUSION, carro de porte médio e luxuoso com curvas modernas e inúmeros avanços tecnológicos. Somente no mercado americano o modelo já vendeu mais de 2.8 milhões de unidades. 
2006 
Lançamento do FORD EDGE, um utilitário de luxo com peso acima de 1.800 kg, motor V6 3.5 litros de 269cv e câmbio automático de seis marchas, garantindo potência suficiente para uma aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 8 segundos. 
2008 
Lançamento do FORD FLEX, um crossover de grande porte extremamente moderno com design arrojado. 
2009 
Lançamento do FORD FUSION HYBRID, movido a gasolina e eletricidade. 
Lançamento da linha de motores FORD ECOBOOST, que apresenta blocos compactos, em diversas cilindradas, com a adição de turbo, injeção direta e comando de válvulas variável. O objetivo é proporcionar uma performance surpreendente e consumo até 15% menor que modelos a gasolina maiores da mesma faixa de potência. A família global EcoBoost foi ampliada progressivamente e hoje equipa veículos de diferentes segmentos da marca, desde compactos, utilitários e picapes até modelos esportivos. 
2010 
Lançamento do FORD FIGO, um automóvel compacto, baseado no modelo FIESTA, especialmente desenvolvido para o mercado indiano. 
2011 
Apresentação do FORD FOCUS ELECTRIC, primeiro carro de passageiro totalmente elétrico e com emissão zero de CO2 da montadora. 
2012 
Lançamento do FORD B-MAX, um compacto multiuso de design avançado, equipado com duas portas traseiras corrediças e o avançado motor a gasolina Ford EcoBoost 1.0 de três cilindros.


O ícone indomável 
Ícone da cultura americana, adorado por colecionadores, estrela de cinema e o modelo mais emblemático da FORD. O MUSTANG, primeiro “Muscle Car” da história, foi apresentado e lançado oficialmente na Feira Mundial de Nova York no dia 17 de abril de 1964 e cativou o público americano com um novo conceito de visual e potência a preço acessível. A inspiração para o nome veio do mais bem sucedido avião de caça dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o P-51 Mustang, cujo nome se inspira na única raça de cavalo selvagem do país. Em mais de 50 anos já foram vendidas mais de 9.5 milhões de unidades. Ele foi idealizado pelo executivo Lee Iacoca em 1960 que achou que um carro esportivo comportava bancos traseiros. Estava feita a revolução para a história da FORD e da indústria automobilística, com o primeiro “Pony Car” do mercado (termo em inglês para carros de porte compacto, mas com motores poderosos). O dono do primeiro MUSTANG de produção, disponível nas versões cupê e conversível, foi, na verdade, uma dona. Gail Wise, uma professora do ensino fundamental que, com 22 anos na época, havia decidido vender seu Chevy 58 e comprar um carro novo. A FORD esperava vender 100 mil unidades no primeiro ano, ao custo unitário de US$ 2.368. Vendeu 22 mil no primeiro dia, 1 milhão em 18 meses e nunca mais deixaram de vender o ícone da indústria automobilística mundial. Mesmo com a excelente repercussão das vendas, o MUSTANG tornou-se ainda mais famoso graças a um genial golpe de publicidade. Em outubro de 1965, a FORD desmontou um MUSTANG conversível em quatro partes e levou para o topo do Empire State Building, onde foi remontado no deque para observação. O MUSTANG também foi um dos responsáveis pela popularização dos motores V6 e V8, até hoje os preferidos dos americanos. Outro modelo clássico da série foi o Shelby GT-350, lançada em 1965 e equipada com um motor V8 de 4.7 litros que entregava até 306 cv. Este exemplar marcou o início de uma longa e frutífera parceria entre a FORD e o ex-piloto Carrol Shelby, que preparava carros da marca. Em 1969, Surgiu a filosofia “um cavalo para cada necessidade”, que desencadeia 11 opções diferentes de motorização. Pouco depois, em 1971, surgiram os maiores e mais pesados MUSTANG da história. Eram pouco mais de 30 centímetros mais compridos que o original e 272 quilos mais pesados.


Com o passar do tempo e uma série de modificações visuais, a versão original teve sua produção encerrada em 1973, abrindo espaço para a segunda geração. Seguindo o padrão de design automotivo da década de 1970, o MUSTANG ganhou uma cara mais sóbria e motores quatro cilindros por conta da crise do petróleo que os americanos enfrentavam naquela década. Ainda assim, os motor com 6 cilindros em V foi mantido. A segunda geração também inaugurou a série King Cobra. Ao contrário do sucesso do modelo inaugural, o segundo MUSTANG não teve um desempenho muito bom em ralação às vendas quanto a FORD esperava e sua linha de montagem foi desativada após apenas quatro anos de atividades. A terceira geração, lançada em 1979, foi a mais duradoura. Esse MUSTANG se caracterizou por ter oferecido numerosas opções mecânicas. Os entusiastas a dividem em dois: de 1979-1986 com faróis frontais quadrados e 1987-1993 sem a grade frontal, chamada Aero. Sua produção seguiu até 1993, e durante esse tempo o MUSTANG passou por uma série de modificações visuais externas, mas manteve a mesma plataforma. O modelo também foi o primeiro da série a receber um motor turbo (2.3 litros) de 132 cv. Até a terceira geração, o modelo mantinha, ainda que extensivamente modificado, o mesmo padrão visual da primeira geração, caracterizado pelo longo capô, traseira curta e linhas retas. Com a chegada da quarta geração, em 1994, o esportivo musculoso da FORD passou por uma completa reformulação visual, recebendo a faceta arredondada típica desses anos. E deu certo, tanto que o carro foi produzido durante dez anos. A onda nostálgica que cercou a indústria automobilística no início do século XXI também chegou ao MUSTANG.


A quinta geração, lançada em 2005, trouxe de volta o visual do primeiro modelo em sua versão fastback, tido como o mais bonito da série. Essa semelhança com o modelo do passado ficou ainda mais acentuada na versão 2010 do carro, que veio acompanhada também do MUSTANG mais potente da história, o SHELBY GT500, que possui sob o capô um motor 5.8 litros, com a adição de um grande compressor e um intercooler, entregando 662 cv. Mesmo com a crise econômica mundial e o aumento da preocupação ambiental, o modelo mais recente do MUSTANG foi um sucesso nos Estados Unidos. No dia de seu lançamento, a FORD contabilizou mais de 20.000 pedidos de encomenda da nova versão. O MUSTANG revolucionou a história dos automóveis e, é o único compacto que nunca deixou de ser produzido na história da indústria automobilística. Aproveitando as convenções de Palm Beach - evento que a FORD realiza anualmente, a montadora proporcionou uma oportunidade única para os fãs do carro: um leilão beneficente. Os modelos Mustang GT Concept e Mustang GT Conversível Concept, que foram apresentados no Salão de Detroit em 2003 e de lá, viajaram todos os salões americanos (no total, estiveram presentes em mais de 50 eventos), foram leiloados. Um com a carroceria de metal na cor prata, um teto de vidro (lançado no modelo 2009), e com um motor de 400 cv. O Outro conversível, um Redline metálico na cor vermelha, com a diferença na roda de 20 polegadas e na lateral.


A sexta geração do veículo foi apresentada em 2014 e representa um salto exponencial em termos de qualidade, acabamento interno e montagem. É um carro global que oferece agora suspensão traseira independente, sistema multimídia MyFord Touch® e três opções de motores: V8 5.0 (aspirado, 441 cavalos), EcoBoost 2.3 (turbo, 309 cv) e V6 3.7 (aspirado, 304 cv). Em 2015, somente no mercado americano, foram vendidas mais de 122 mil unidades do lendário modelo, identificado pelo cavalo prateado na grade do radiador. No mundo, foram mais de 141 mil unidades comercializadas. A fábrica de Flat Rock (Michigan) é a única que produz o modelo.


Controle total 
A tendência é que a conectividade chegue a tudo, inclusive aos automóveis. As montadoras estão investindo pesado nisso, e a FORD é uma que não ficou para trás ao introduzir em 2007 o MyFord Touch®, um premiado sistema de informação e entretenimento que não somente serve para controlar o som, temperatura e telefone. Ele também transforma o veículo em um hotspot Wi-Fi. A intenção é trazer para dentro do veículo informações de tráfego, tempo e até mesmo uma integração com redes sociais. Através do sistema multimídia Sync, criado em parceria com a Microsoft, é possível sincronizar com um celular como o iPhone, por exemplo. Sendo assim, é possível controlar centenas de aplicativos desenvolvidos para o sistema, o que inclui sistemas de buscas, GPS, entre outros. Para controlar tudo, o sistema possui duas telas de LCD que ficam circundando o velocímetro e uma tela maior no centro do painel, todas com conexão 3G. E tudo isso com ativação por voz, para que o motorista não precise tirar os olhos da pista e as mãos do volante e possa curtir tudo o que a tecnologia tem a oferecer. O sistema já está presente em todos os modelos de carro da montadora. A central multimídia da FORD conta com as versões Sync (sem tela toushcreen), Sync com MyFord®, Sync com Navegação e Sync com MyFord Touch® (top de linha).


O divórcio 
Dois colossos americanos, a FORD e a Firestone, tinham uma relação de fazer inveja a qualquer empresa. Harvey Firestone e Henry Ford eram tão amigos que os pneus de um equiparam os carros do outro por mais de 90 anos. Com outro inventor, Thomas Edison, formavam um trio de amigos amantes da natureza famoso em todo Estados Unidos ao longo das décadas de 1920 e 1930. E a relação transcendeu a esfera dos negócios: William Clay Ford Jr., atual chairman da montadora americana, é bisneto de Henry Ford e também de Harvey Firestone. Como isto? Em 1947, o pai de Ford Jr. casou-se com Martha Firestone em uma cerimônia que parecia selar para sempre o compromisso entre as duas empresas. Apenas parecia. O divórcio começou em 1991, quando acidentes envolvendo os pneus da Firestone que equipavam os utilitários esportivos Ford Explorer começaram. Durante quase uma década, a FORD e a Firestone colecionaram uma enxurrada de reclamações e ações judiciais. Foram mais de 100 processos contra as duas empresas e muito dinheiro perdido. A imagem das empresas ficou ainda mais arranhada com as 174 mortes provocadas por acidentes com o utilitário Explorer, que obrigaram a FORD operar um enorme recall de 14.4 milhões de pneus defeituosos que equipavam o modelo. Não demorou muito para a montadora divulgar uma nota informando que as falhas não tinham relação alguma com o automóvel em si. No texto, a FORD fazia uma acusação gravíssima, afirmando que a Firestone conhecia o defeito do pneu havia três anos. Com a relação e as imagens totalmente abaladas, coube a William Clay Ford Jr., em 2001, anunciar o rompimento de uma das parcerias mais duradouras no mundo dos negócios.


O gênio por trás da marca 
O americano Henry Ford foi o homem que mudou o mundo com um carro simples, produzido em massa e vendido com grande sucesso mundo afora. A ele é atribuído o “Fordismo”, ou seja, a produção em grande quantidade de automóveis a baixo custo por meio da utilização do artifício conhecido como “linha de montagem”, o qual tinha condições de fabricar um carro a cada 98 minutos, além dos altos salários oferecidos a seus operários. E transformou seu carro mais conhecido, o Modelo T, naquele que deu rodas ao mundo. Suas ideias modificaram todo o pensamento da época, desenvolvendo a mecanização do trabalho, a produção em massa, a padronização do maquinário, do equipamento e dos produtos e a política de metas. Nascido na cidade de Springwells Township, em uma fazenda próxima a um município rural a oeste de Detroit, no estado do Michigan, em 30 de julho de 1863, era filho do imigrante irlandês William Ford com a americana Mary Litogot, e adquiriu a paixão pela mecânica em sua casa, quando seu pai lhe deu um relógio de bolso. Aos quinze anos, já tinha firmado a reputação de reparador de relógios, tendo desmontado e remontado os aparelhos de amigos e vizinhos inúmeras vezes. Sua trajetória com motores iniciou-se na fazenda, sendo o responsável pelos reparos nas máquinas. Em 1879, ele deixou a fazenda e foi para a cidade vizinha Detroit, para trabalhar como um aprendiz de operador de máquinas, primeiro na empresa James F. Flower & Bros., e mais tarde na Detroit Dry Dock Co. Foi nestes empregos que o jovem Henry aprendeu tudo sobre motor de combustão interna. Em 1882, retornou a Dearborn para trabalhar na fazenda da família, quando adquiriu ainda mais experiência na operação dos motores a vapor portáteis da empresa Westinghouse. Ele foi posteriormente contratado pela própria Westinghouse Electric Corporation. Em 1885, trabalhando como mecânico das oficinas da Eagle Motor Works começou a se interessar por motores a explosão. Henry se casou com Clara Ala Bryant, em 1888, sustentando-se nessa época através de uma serraria. O casal teve um único filho, Edsel Bryant Ford. Em 1891, tornou-se engenheiro maquinista da Edison Illuminating Company, embrião do que viria a ser a famosa empresa General Electric, e, após sua promoção ao cargo de engenheiro chefe em 1893, teve bastante tempo e dinheiro para dedicar atenção às suas experiências pessoais com motores a gasolina. No Natal, com a ajuda de sua esposa Clara, colocou seu primeiro motor para funcionar - na cozinha de casa.


Apesar do cargo que ocupava obrigar Henry à estar disponível 24 horas por dia, ao mesmo tempo dava-lhe a oportunidade de fazer experiências, na medida em que se tornou colaborador direto e amigo íntimo do seu patrão, Thomas Edison, o inventor da lâmpada elétrica. Em colaboração com outro de seus amigos célebres, Harvey Firestone, ele acompanhou o nascimento da excepcional adaptação da borracha a pneumáticos para automóveis, com a valiosa colaboração de Edison, que dispunha de um laboratório altamente equipado onde aconteceu uma série de experiências que contribuíram para o arranque da revolucionária descoberta. Estes experimentos culminaram em 1896 com a conclusão de seu próprio veículo automotor denominado Ford Quadricycle, que ele dirigiu em teste no dia 4 de junho. O veículo tinha dois lugares, motor de dois cilindros horizontais, potência de 4 cv, transmissão de duas marchas e velocidade máxima de 30 km/h. Usava suspensão com molas helicoidais, rodas de bicicleta com pneus de borracha maciça e pesava 225 kg. Para dirigi-lo pela cidade, precisou de uma licença especial do prefeito. Durante os anos que se seguiram, Henry continuou tentando melhorar o motor dos seus veículos de passageiros.


Financiado pelo capital do barão da madeira de Detroit, William H. Murphy, ele fundou a Detroit Automobile Company no dia 5 de agosto de 1899. No entanto, os carros produzidos eram mais caros e de qualidade inferior ao que Ford desejava, e a empresa fechou em janeiro de 1901 após apenas 12 unidades fabricadas. Em outubro seguinte, com a ajuda de Harold Wills, Henry construía um carro de corridas com 26 cv - batizado de Sweepstakes -, com o qual vencia já na estreia do modelo nas pistas, em Grosse Point, Michigan. Finalmente, aos 40 anos de idade, junto com outros 11 investidores, fundou a Ford Motor Company em 1903. Mas nem tudo foi sucesso. Pouco tempo depois da formação da empresa, Henry Ford foi ameaçado pela Associação dos Fabricantes de Automóveis, que exigia o pagamento de direitos de patente. Após anos de lutas em tribunais, ele ganhou o caso em 1911, acabando com o monopólio e assim viabilizando que outros pudessem tornar-se construtores do ramo de automóveis. Ele faleceu no dia 7 de abril de 1947 na cidade de Dearborn, aos 83 anos, deixando a maior parte de sua grande fortuna para a Fundação Ford, mas providenciou para que sua família pudesse controlar a empresa permanentemente. Como único dono da empresa, ele se tornou um dos homens mais ricos e conhecidos do mundo, além de ser apontado como um dos mais influentes industriais da história. Afinal, a produção de automóveis não foi mais a mesma depois que Henry Ford implantou seus métodos e tecnologias. Também foi um inventor prolífico e registrou mais de 161 patentes.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por inúmeras remodelações ao longo dos anos. O logotipo original teve inspiração no movimento artístico decorrente na época, o Art Nouveau, com as mais modernas tendências em arte e design, e estava diretamente relacionado à tecnologia e ao uso de materiais como o ferro e o vidro em aplicações inéditas para a época. Os gráficos eram rebuscados, com muitas curvas, caracteres trabalhados e ornamentação. Em 1906, o logotipo passou por uma faxina visual que removeu todos os adornos ao fundo e deixou apenas o nome da marca, com tipografia renovada - um rascunho do que ele viria a ser futuramente - com as letras F e D prolongadas. Este logotipo foi criado por Childe Harold Wills, que emprestou para a marca os caracteres usados no próprio cartão de visitas. A primeira forma oval do logotipo foi inicialmente utilizada pelos representantes britânicos Perry, Thornton e Schreiber, para anunciar a FORD como a “marca de referência em fiabilidade e economia”. A partir de 1912, por um breve momento, a FORD afastou-se da forma oval e utilizou a forma de um triângulo alado nos seus carros. Originalmente concebido para simbolizar a velocidade, luminosidade, graça e estabilidade, o logotipo era azul escuro e continha as palavras “O Carro Universal”. Henry Ford não gostou do design e foi rapidamente retirado.


O logotipo voltou a adotar a elipse em 1912, sendo esta a última mudança drástica em sua estrutura. A tradicional cor azul foi adotada em 1927, e desde então, o logotipo sofreu poucas alterações em sua forma, sendo as mais redundantes o achatamento e prolongamento da elipse que envolve o nome da marca e uma tipografia mais delicada.


Em 1976, o logotipo apareceu com um ar metalizado e mais moderno. Em comemoração ao centenário da empresa, em 2003, o logotipo ganhou linhas mais nítidas e sombras para destacá-las e dar mais profundidade ao nome FORD. O logotipo foi batizado de Centennial Blue Oval.


Os slogans 
Go Further. (2012) 
Drive one. (2008) 
Bold moves. (2006) 
Feel the difference. (2006, Europa) 
Built for life in Canada. (2005, Canadá) 
Built for the road ahead. (2004) 
Designed for living: engineered to last. (2003) 
Better ideas. Driven by you. (1998) 
Everything We Do Is Driven By You. (1991) 
Built Ford Tough. (anos de 1990, Ford Truck) 
Have you driven a Ford lately? (1982) 
Quality is Job 1. (1981) 
Ford has a better idea. (1968) 
Built Stronger to Last Longer. (1948) 
There’s a Ford in your Future. (1944) 
Ford: The Universal Car. (1914) 
Watch the Fords Go By. (1907) 
Viva o novo. (2006, Brasil) 
Deixe um FORD surpreender você. (2003, Brasil) 
Desempenho Total. (1963, Brasil) 
Fazendo seu caminho melhor. 
Desenhado para viver. Construído para durar. 
Raça Forte. (Ford Pick-up)


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 16 de junho de 1903 
● Fundador: Henry Ford 
● Sede mundial: Dearborn, Michigan, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Ford Motor Company 
● Capital aberto: Sim (1956) 
● Chairman: William Clay Ford Jr. 
● CEO & Presidente: Mark Fields 
● Faturamento: US$ 140.9 bilhões (2015) 
● Lucro: US$ 7.3 bilhões (2015) 
● Valor de mercado: US$ 50.5 bilhões (junho/2016) 
● Valor da marca: US$ 11.578 bilhões (2015) 
● Fábricas: 67 
● Concessionárias: 11.970 
● Vendas globais: 6.635.000 unidades (2015) 
● Presença global: 120 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Maiores mercados: Estados Unidos, China, Reino Unido e Alemanha 
● Funcionários: 199.000 
● Segmento: Automobilístico 
● Principais produtos: Automóveis, utilitários esportivos, vans e caminhões 
● Ícones: O logotipo oval azul e o Mustang 
● Slogan: Go Further. 
● Website: www.ford.com.br 

O valor 
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca FORD está avaliada em US$ 11.578 bilhões, ocupando a posição de número 38 no ranking das marcas mais valiosas do mundo. A empresa também ocupa a posição de número 9 no ranking da revista FORTUNE 500 de 2016 (empresas de maior faturamento no mercado americano). 

A marca no Brasil 
Em 1909 chegou ao Brasil o FORD mais antigo que se tem notícia no país. Apesar disso, a montadora desembarcou oficialmente no país exatamente no dia 1 de maio de 1919, instalando-se em um armazém de dois andares da Rua Florêncio de Abreu, no centro de São Paulo, mas mudou-se para um galpão na Praça da República e depois para um prédio próprio no bairro do Bom Retiro. Nesse período, a FORD apenas montava os automóveis Ford T com peças importadas da matriz. A empresa foi a primeira montadora de veículos a instalar-se oficialmente no país. No primeiro ano de operações da filial brasileira foram vendidos 2.447 automóveis. Em 1923 a filial já produzia 40 veículos por dia, contava com 124 funcionários e capacidade de produção anual de 4.700 carros e 360 tratores. Com o início da Segunda Guerra Mundial, a filial brasileira interrompe de forma forçada a produção, o que levou à progressiva nacionalização de componentes de reposição. Este fato culminaria com a produção de veículos totalmente nacionalizados na década seguinte. Isto aconteceu somente no dia 26 de agosto de 1957, quando o primeiro automóvel nacional deixaria a linha de montagem da fábrica do Ipiranga: era um caminhão F-600, com 40% de nacionalização, equipado com motor V8 a gasolina. A picape F-100 chegaria dois meses depois. Já no ano de 1960, saía da linha de montagem o primeiro trator FORD nacional, o 8BR diesel, inteiramente adequado as nossas áreas de cultivo. Porém, o carro de passeio totalmente nacional só viria em 1967: o FORD GALAXIE 500, com o motor V8 de 4.5 litros e primeiro carro nacional de luxo de grande porte.


Em outubro de 1967, a FORD adquiriu a Willys-Overland, que já estava desenvolvendo um sedã médio com ajuda da francesa Renault. A montadora aprovou o projeto e o lançou, em 1969, como FORD CORCEL, que foi um grande sucesso de vendas. Também nesta época foi lançada a versão luxuosa do GALAXIE (conhecida como LTD), primeiro automóvel produzido no Brasil com transmissão automática. Nos anos seguintes a FORD revolucionou o mercado brasileiro com o lançamento da perua BELINA e do LANDAU, uma versão ultra-luxuosa do Galaxie, em 1970; do FORD MAVERICK em 1973, que equipado com motor Willys de 6 cilindros ou o moderno V8 302 importado, igual ao utilizado no Mustang, se tornou um marco entre os carros de alta performance no Brasil, vendendo 108 mil unidades até 1979; do FORD CORCEL II em 1978; com a apresentação do primeiro veículo movido exclusivamente a álcool e a picape F-1000 com motor a diesel e capacidade de 1 tonelada de carga, em 1979; com o lançamento, em 1981, do FORD DEL REY, primeiro carro médio brasileiro e pioneiro ao instalar travas e vidros elétricos; da picape utilitária de pequeno porte PAMPA em 1982 e do FORD ESCORT em 1983, primeiro carro com motor transversal da montadora no Brasil.


Em 1987 foi criada a Autolatina, uma joint-venture entre a FORD e a Volkswagen. Tal união foi um desastre para FORD: a Volkswagen tinha 51% da Autolatina e o poder de decisão, e os clones Verona (1989), Versailles (1991) e Royale (1992) não foram tão bem-sucedidos quanto os originais VW Santana e VW Quantum. Em 1995, a FORD rompeu a parceria e iniciou sua recuperação, aposentando os modelos velhos e grandes e investindo em modelos novos e compactos, originários da Europa como a importação da picape média FORD RANGER em 1995, inaugurando um novo segmento no mercado; o lançamento do FORD FIESTA em 1996; do FORD KA e da picape FORD COURIER em 1997; do FORD FOCUS em 2000; e do FORD ECOSPORT em 2003. Os anos seguintes foram marcados pela renovação acentuada da linha de produtos da marca em todos os segmentos do mercado. Seus principais lançamentos incluíram o Fiesta RoCam, F-250 4x4 e a versão cabine dupla, Fusion, Novo Ka, Novo Focus, New Fiesta, Fiesta Sedan, Edge e Fusion Hybrid, junto com os motores flex das famílias RoCam, Duratec e Sigma. Em caminhões, os principais destaques foram o lançamento do F-4000 4x4 e da linha de vans comerciais Transit.


Atualmente a FORD possui fábricas nas cidades de São Bernardo do Campo, Taubaté e Camaçari (cuja produção chega a 250 mil veículos por ano, 912 veículos por dia, 1 veículo a cada 80 segundos), além de um campo de provas na cidade de Tatuí, que funciona desde 1978 e é considerado um dos mais modernos do mundo, com instalações completas para o desenvolvimento e teste de automóveis, utilitários e caminhões. Sua área de 4.66 milhões de metros quadrados inclui instalações administrativas, laboratórios, oficinas para a construção e montagem de protótipos, testes especiais e 50 km de pistas. Pioneiro na América do Sul, o campo de provas conta hoje com aproximadamente 800 empregados, entre os quais 280 engenheiros - 130 deles pós-graduados e sete PhDs. Realiza mais de 10 milhões de quilômetros de testes por ano para garantir a segurança, conforto, estabilidade e qualidade dos veículos FORD. Em 2015 a FORD vendeu mais de 250.000 veículos no país.


A marca no mundo 
A FORD é a sexta maior produtora de veículos e caminhões do planeta, um gigante com faturamento superior a US$ 140 bilhões, 199 mil empregados, presença em 120 países, 11.900 concessionárias, mais de 6.6 milhões de veículos vendidos em 2015 e 67 fábricas, instaladas em países como Estados Unidos, Canadá, México, Reino Unido, Alemanha, Turquia, Brasil, Argentina, Austrália e China. Depois dos Estados Unidos, China, Reino Unido e Alemanha são os maiores e mais importantes mercados para a marca no mundo. Atualmente a empresa é proprietária da marca de luxo Lincoln e da brasileira Troller. Além disso, é acionista da japonesa Mazda (2.1%) e da britânica Aston Martin (8%). Detém 14.7% do mercado americano, vendendo em 2015 mais de 2.6 milhões de veículos. Entre os quinze modelos de veículos mais vendidos do mercado americano em 2015, a FORD detém o primeiro lugar com a linha F-SERIES, o décimo primeiro com o FORD ESCAPE e o décimo segundo com o FUSION. Já globalmente, entre os cinco modelos de carros mais vendidos, dois são da montadora: FORD F-SERIES (terceiro com mais de 920 mil unidades) e FORD FOCUS (quarto com mais de 826 mil unidades comercializadas). 

Você sabia? 
Conta a história que a ideia da linha de montagem foi inspirada em uma visita de Henry Ford a um abatedouro, mas ele inverteu o processo produtivo: enquanto no abatedouro existe uma linha de desmontagem, na qual em cada estação de trabalho é retirado um pedaço do animal, na indústria em cada estação é acrescentada uma peça ao veículo, com a ajuda de esteiras de movimentação. 
A empresa de aviões Stout Metal Airplane Company foi adquirida pela FORD em 1925, que desenvolveu a aeronave Ford 4AT Trimotor - batizada de Ganso de Lata, pela construção metálica ondulada com uma liga chamada Alclad. O Trimotor foi o primeiro bem-sucedido avião de passageiros dos Estados Unidos. Foram construídos 199 deles até 1933, quando a Ford Airplane Division encerrou suas atividades devido às poucas vendas durante a Grande Depressão Americana. 
A FORD esteve envolvida intimamente com a Fórmula 1 entre 1967 a 2004, quando foi fornecedora de motores para várias escuderias. 
A empresa tem atualmente 38.500 patentes ativas e, em 2015, investiu US$ 6.7 bilhões em pesquisas e desenvolvimento de novos produtos e tecnologias. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Isto é Dinheiro, Época Negócios e Exame), jornais (Valor Econômico, Folha, Estadão e O Globo), portais (UOL – Best Cars), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel, Interbrand e Mundo do Marketing), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 5/7/2016

4 comentários:

Tom disse...

é.. a revolução industrial começou ai com nosso amigo henry ford.. mais não sabia que ele era amigo intimo de thomas edson :-)

Anônimo disse...

Faltou falor do Escort, um dos carros mais vendidos em todo o mundo.

darisson marrony disse...

Eu sou Fordeiro com orgulho...

silas martins de souza disse...

o del-rey deixou um legado para todos ,luxo conforto e economia que saudades do del-rey