Quem acha que há 16 mil anos, quando o planeta vivia na era do gelo, tudo era frio e monótono, está muito enganado. Bem frio era mesmo, mas sem graça jamais. Afinal, depois que o BLUE SKY STUDIOS criou uma falante e engraçada preguiça, um mamute ranzinza, um furioso tigre dente-de-sabre e um pequeno esquilo pré-histórico neurótico que persegue insistentemente uma noz, o mundo aplaudiu e deu grandes gargalhadas. Com essa fórmula de sucesso, o estúdio de animação se transformou numa das estrelas de Hollywood, criando personagens e sonhos até então inimagináveis.A história
Tudo começou no mês de fevereiro de 1987 quando Chris Wedge, Carl Ludwig e outros quarto artistas que tinham trabalhado previamente na Disney durante a produção do filme “TRON”, que na época utilizava uma técnica revolucionária de computação, resolveram fundar o BLUE SKY STUDIOS. O novo estúdio era especializado em tecnologia de CGI (imagens geradas por computador). Até meados dos anos 90, o pequeno estúdio concentrou-se apenas em produções de comerciais de televisão e de efeitos visuais para alguns filmes. Neste período o estúdio produziu mais de 200 comerciais para clientes importantes como a montadora Chrysler, a marca de confeitos M&M’s, a empresa alimentícia General Foods, Texaco e United States Marines (Marinha Americana).

A história do pequeno, mas criativo estúdio começaria a mudar em agosto de 1997, quando a poderosa 20th Century Fox, após o enorme fiasco da melancólica Anastasia e do exagerado Titan After Earth, desenhos animados produzidos pela dupla Don Bluth e Gary Goldman, adquiriu o BLUE SKY, que inicialmente passou a produzir efeitos especiais para filmes de enorme sucesso de bilheteria, entre os quais The X Files, Blade, Armageddon, Titanic e Alien Resurrection. Pouco depois, em 1999, o estúdio começou a figurar entre as estrelas de Hollywood quando o diretor Chris Wedge recebeu o Oscar de melhor animação com o curta-metragem Bunny, que contava a história de uma coelha viúva interrompida pela chegada de uma traça á sua cozinha, no momento em que preparava um bolo.

No ano seguinte, o BLUE SKY foi reposicionado no mercado e passou a ser um estúdio focado na produção de filmes animados por computação. O primeiro sucesso surgiria no dia 15 de março de 2002 com o lançamento do filme A Era do Gelo (Ice Age), que faturou milhões, obteve indicação ao Oscar de melhor animação e colocou definitivamente o estúdio entre os principais do segmento. O filme, que teve como co-diretor o brasileiro Carlos Saldanha, custou US$ 59 milhões, rendeu, somente em bilheterias, US$ 380 milhões, transformando-se em um verdadeiro sucesso, que resultou em novos investimentos para produções.

Além disso, outro fator de sucesso que impulsionou o estúdio foi o curta-metragem Gone Nutty, que estreou no dia 26 de novembro de 2002, estrelando um dos personagens secundários de A Era do Gelo, mas justamente aquele que mais simpatia despertava: o desastrado esquilinho pré-histórico Scrat, que perde toda a sua organizada coleção de nozes, após elas caírem de um abismo, iniciando assim uma persiguição implacável para recuperá-las. Nos anos seguintes, novos sucesso como Robôs (2005), A Era do Gelo 2 (2006), Horton e o Mundo dos Quem (2008), A Era do Gelo 3 (2009) e mais recentemente RIO (2011), estamparam definitivamente o nome do BLUE SKY STUDIOS em Hollywood. Os novos projetos anunciados pelo estúdio são: A Era do Gelo 4 (Ice Age: Continental Drift), com estréia em 2012; e Homens de Folha (Leaf Men), com estréia para 2013.

As obras criativas
Depois do avassalador sucesso do filme “A Era do Gelo” o BLUE SKY resolveu repetir a fórmula e criou grandes sucessos de bilheteria e de público.
● ROBÔS (Robots)
A animação, que estreou no dia 11 de março de 2005, conta a história de Rodney Lataria, um robô que tem um dom para inventar máquinas e trabalha com seu pai lavando pratos. Sonhando em conhecer seu ídolo, o Grande Soldador, ele decide partir em uma viagem rumo a Robópolis. Porém, ao chegar à cidade, percebe que sua busca será mais difícil do que imaginava. Logo Rodney se torna amigo dos Enferrujados, um grupo de robôs de rua que sabe se virar e que acaba por abrigá-lo. Tentando encontrar o Grande Soldador e mantendo seu ideal em fazer um mundo melhor, ele enfrenta situações que podem pôr em risco a própria existência da cidade. O filme que custou US$ 75 milhões e consumiu quase um ano de trabalho de uma equipe de aproximadamente 50 técnicos em computação gráfica e roteiristas, faturou no total US$ 260.7 milhões.

● A ERA DO GELO 2 (Ice Age: The Meltdown)
A animação estreou no dia 31 de março de 2006 trazendo de volta toda a animada turma do primeiro sucesso do estúdio. Esta nova aventura tem início quando durante a tentativa de escapar do vale para evitar uma enchente de problemas, a divertida turma embarca em uma hilária viagem por uma paisagem que está descongelando e acabam conhecendo Ellie, uma peluda fêmea de mamute que derrete o coração de Manny. Com sua maravilhosa animação, inesquecíveis personagens e uma deliciosa trilha sonora, o filme faturou US$ 655.3 milhões.

● HORTON E O MUNDO DOS QUEM (Horton Hears a Who!)
O filme, que estreou no dia 14 de março de 2008, é uma animação inspirada na obra de Dr. Seuss, um dos escritores mais populares da literatura infantil norte-americana, responsável também pelas histórias que originaram O Grinch e O Gato. Horton (dublado por Jim Carrey) é um elefante que, um dia, ouve um pedido de socorro vindo de uma partícula de poeira que flutua no ar. Surpreso, ele passa a desconfiar que possa existir vida dentro daquela partícula. Trata-se dos Quem, seres que ignoram a existência de vida fora da cidade em que vivem, a Quemlândia. Mesmo com todos à sua volta acreditando que perdeu o juízo, Horton decide ajudar os moradores da cidade. O filme faturou US$ 297.1 milhões.

● A ERA DO GELO 3 (Ice Age: Dawn of the Dinosaurs)
A animação, que estreou no dia 1 de julho de 2009, voltou às telas – agora em três dimensões – estrelando uma turma campeã mundial de bilheteria: os personagens da série A Era do Gelo. Neste terceiro filme o esquilo Scrat, que continua em busca de nozes, encontra uma namorada, chamada Scratita; a fêmea de mamute Ellie, que supera a crise de identidade (ela se considerava gambá), está casada com Manny e espera um bebê; e Diego, o tigre dente-de-sabre, desconfiado de que está ficando molenga e velho. Na nova aventura, a turma entra no quente mundo subterrâneo, abaixo do gelo, para resgatar a preguiça Sid, enfrentando dinossauros e plantas carnívoras assassinas. Há estreantes no filme: Buck, a excêntrica doninha de um olho só, meio desvairada, que caiu acidentalmente no mundo subterrâneo e teve o azar de encontrar Rudy, um dinossauro albino aterrorizante. O filme faturou no total US$ 886.6 milhões.

● RIO
A nova animação, que estreou no dia 15 de abril de 2011, conta a história de Blu, uma arara azul que nasceu no Rio de Janeiro, mas, capturada na floresta, foi parar na fria cidade americana de Minnesota. Lá é criada por Linda, com quem tem um forte laço afetivo. Um dia, Túlio entra na vida de ambos. Ornitólogo, ele diz que Blu é o último macho da espécie e deseja que ele acasale com a única fêmea viva, que está no Rio de Janeiro. Linda e Blu partem para a cidade maravilhosa, onde conhecem Jade. Só que ela é um espírito livre e detesta ficar engaiolada, batendo de frente com Blu logo que o conhece. Quando o casal é capturado por uma quadrilha de contrabandistas de aves raras, eles ficam presos por uma corrente na pata. É quando precisam unir forças para escapar do cativeiro. O filme faturou US$ 479 milhões em bilheteria no mundo todo.

O toque brasileiro de criatividade
Por trás dos maiores sucessos do estúdio está o brasileiro Carlos Saldanha, um carioca que se especializou em animação digital na The School of Visual Arts, em Nova York, e se tornou um dos grandes nomes da animação mundial. Ainda estudante, em 1993 realizou o curta-metragem Time for Love, que conta a história de amor entre um casal de bonecos de madeira de um relógio cuco. Por uma grande coincidência, Chris Wedge foi seu orientador na pós e o convidou para trabalhar no BLUE SKY, quando a empresa tinha apenas 20 funcionários. O primeiro trabalho do brasileiro no estúdio foi como supervisor de animação no filme Joe e as baratas (Joe’s Apartment), em 1996, que se tornou popular na MTV. Daí em diante o brasileiro faria um enorme sucesso. Aliás, foi ele quem criou o neurótico Scrat, o esquilo de “A Era do Gelo”, filme de 2002 em que atuou como co-diretor. Considerado uma das personalidades mais talentosas e criativas do BLUE SKY STUDIOS, dirigiu as seqüências “A Era do Gelo 2″ e “A Era do Gelo 3″, e, mais recentemente a animação RIO (foi ele também, quem escreveu a história que originou o roteiro do filme). O brasileiro fez parte do elenco de vozes da dublagem brasileira de A Era do Gelo 3, interpretando os três dinossauros bebês que Sid cuida.

A evolução visual
O primeiro logotipo do estúdio era simples: em um fundo preto o nome, em branco, escrito em letra Times New Roman. A primeira modificação ocorreu em 2002, quando o logotipo, que ficaria conhecido como “The Blue Feather”, ganhou um traço azul estilizado logo abaixo do nome. O atual logotipo foi apresentado em 2005.

Dados corporativos
● Origem: Estados Unidos
● Fundação: 1987
● Fundador: Chris Wedge, Carl Ludwig e sócios
● Sede mundial: Greenwich, Connecticut
● Proprietário da marca: Fox Entertainment Group, Inc.
● Capital aberto: Não (subsidiária)
● CEO: Brian Keane
● Faturamento: Não divulgado
● Lucro: Não divulgado
● Filmes produzidos: 6
● Presença global: + 100 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários: 400
● Segmento: Entretenimento
● Principais produtos: Filmes animados e licenciamento de produtos
● Principais concorrentes: Pixar e Dreamworks Animation
● Ícones: O personagem Scrat
● Website: www.blueskystudios.com
A marca no mundo
Hoje em dia o BLUE SKY STUDIOS, divisão de animação da poderosa Fox, vende seus filmes e produtos licenciados dos animados personagens em mais de 100 países ao redor do mundo. O novato estúdio já produziu seis longas-metragens animados, que renderam, somente em bilheterias, quase US$ 3 bilhões. O estúdio é atualmente uma das estrelas de Hollywood em seu segmento.
Você sabia?
● O esquilo pré-histórico Scrat é sem dúvida o personagem mais popular do estúdio. A grande prova disso é que ele estreou quatro curtas-metragens de enorme sucesso: A Aventura Perdida de Scrat (Gone Nutty), em 2002; Sem Tempo para Nozes (No Time for Nuts) em 2006; Scrat Apaixonado (Scrat in Love), em 2009; e Scrat’s Continental Crack-up, em 2010.
As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).
Última atualização em 3/8/2011
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