28.1.20

SAUDI ARAMCO


Provavelmente você não saiba qual é a empresa mais valiosa do planeta. Oriunda de um país ditatorial e polêmico, muito em virtude de suas posições políticas e religiosas controversas para muitos, ela possivelmente tem boa parte da responsabilidade em fazer o “mundo rodar”. Afinal, é responsável pela produção de aproximadamente 10% do petróleo no mundo. Mais poderosa que muitos países, a petrolífera estatal saudita conhecida pelo nome de SAUDI ARAMCO, é um verdadeiro titã no mundo dos negócios, apontada como a maior e mais rentável empresa energética do planeta. 

A história 
A origem da SAUDI ARAMCO (em árabe أرامكو السعودية‎) data de 29 de maio de 1933, quando um contrato de concessão foi assinado entre o rei saudita Ibn Saud e a companhia americana Standard Oil Company of California (conhecida como SOCAL). Com isso, foi criada uma empresa subsidiária, a California Arabian Standard Oil Company (CASOC), para gerenciar o contrato de concessão de prospecção, perfuração e exploração de poços de petróleo no país. O trabalho começou imediatamente. Depois de pesquisar por todo o vasto deserto da Arábia Saudita em busca de petróleo, a perfuração começou em 1935. Após um período de um árduo esforço com pouco resultado prático, em 1937, os executivos da SOCAL procuraram o conselho de seu geólogo-chefe, Max Steineke. Com base em anos de trabalho de campo e muita experiência, Steineke aconselhou continuar a perfuração. E finalmente a empresa alcançou o tão almejado objetivo ao descobrir a primeira jazida de petróleo. Em 1938 teve início a produção comercial de petróleo no poço Dammam No. 7 - apropriadamente chamado de “Poço da Prosperidade”. Esse poço produziu imediatamente mais de 1.500 barris por dia, dando à empresa confiança para continuar sua procura pelo “ouro negro”. Nos anos seguintes, com petróleo jorrando em abundância, a empresa seria responsável por criar um oásis de riqueza para o país árabe.


Em 1949, a produção de petróleo bruto da empresa atingiu o nível recorde de 500.000 barris por dia e seguiu aumentando após a descoberta de outros grandes campos petrolíferos, como por exemplo, Ghawar, o maior do mundo, com reservas comprovadas de 60 bilhões de barris. Pouco depois, em 1950, o rei Abdulaziz ameaçou nacionalizar as instalações de petróleo de seu país, pressionando a empresa a concordar em compartilhar os lucros 50/50. Além disso, no ano seguinte a empresa descobriu o Safaniya, o maior campo do mundo de petróleo offshore (produção e serviços prestados no mar na indústria petrolífera). Era uma descoberta e tanto para começar a transformar a empresa em um gigante do setor. A década de 1970 foi extremamente importante para uma reviravolta na história da empresa. Isto porque, no ano de 1973, em pleno “boom” dos preços do petróleo no mundo, vinculado ao embargo árabe do chamado “ouro negro” contra os Estados Unidos por seu apoio a Israel na Guerra do Yom Kippur, a Arábia Saudita, então governada pelo rei Faisal Abdulaziz Al Saud, aproveitou a oportunidade para adquirir 25% da empresa, com os quais o percentual do Estado Saudita chegou a 60%, tornando-o acionista majoritário. Era o início da nacionalização da empresa.


Essa década também foi marcada pela diversificação dos negócios da empresa com o início da produção de gás por volta de 1975. Foi uma maneira de gerar fluxos adicionais de valor além do petróleo bruto. Hoje, a SAUDI ARAMCO é a única fornecedora de gás natural para a Arábia Saudita e a sétima maior do mercado mundial, além de operar a maior rede mundial de hidrocarbonetos, batizada de Master Gas System (uma extensa rede de dutos e instalações de processamento que conecta seus principais locais de produção de gás a centros de demanda em toda a Arábia Saudita). Na década de 1980, a empresa foi totalmente nacionalizada e oito anos mais tarde, rebatizada de Saudi Arabian Oil Company ou SAUDI ARAMCO. No final desta década, o primeiro CEO saudita da companhia, Ali al-Naimi, assumiu o comando com a visão de que a SAUDI ARAMCO poderia se tornar uma empresa global de energia integrada. Ao longo de seus anos como CEO, ele expandiu os ativos da empresa para incluir o downstream (refino, que hoje inclui produtos como GLP, nafta, gasolina, combustível de aviação/querosene, diesel, óleo combustível e asfalto) e outros ativos nos Estados Unidos, Coréia do Sul, China, Indonésia, Japão e Europa. Ali al-Naimi e seus sucessores também ampliaram a presença da empresa na Arábia Saudita por meio de joint ventures com refinarias e petroquímicas.


A partir dos anos de 1990, a SAUDI ARAMCO investiu bilhões de dólares em projetos de expansão para ampliar ainda mais sua capacidade produtiva, muito em virtude das consequências da Guerra do Golfo. Foi neste período também que a empresa iniciou uma expansão das vendas de petróleo no mercado asiático, incluindo acordos com a Coréia do Sul, Filipinas e China. Além disso, em 1998, a empresa resolveu ingressar no segmento de produtos químicos, procurando maximizar o valor de cada molécula de hidrocarboneto que produzia e criar um portfólio diversificado de fontes de receita não petrolíferas. Já em 2005, a SAUDI ARAMCO era considerada por especialistas a maior empresa do mundo, com um valor estimado de mercado de US$ 781 bilhões. Apesar de seu gigantismo, toda produção da SAUDI ARAMCO está em um país localizado na região mais conturbada e tensa do mundo. Os riscos em potencial ficaram evidentes no dia 14 de setembro de 2019 quando ataques realizados por drones atingiram a refinaria de Abqaiq (maior instalação de estabilização de petróleo bruto do mundo) e o campo de Khurais. E o impacto para o mundo foi grande. A empresa suspendeu a produção de 5.7 milhões de barris de petróleo bruto, o equivalente a aproximadamente 60% da produção do reino e 6% da produção mundial de petróleo. O preço do petróleo bruto Brent (a referência internacional) aumentou mais de 10% nas primeiras horas do dia 16 de setembro.


Até pouco tempo atrás envolta em mistério e pouca transparência, a SAUDI ARAMCO se transformou nos últimos anos à medida que se preparava para se tornar uma empresa de capital aberto. A SAUDI ARAMCO começou então a publicar seus resultados financeiros, realizar sessões de perguntas e respostas sobre a companhia e até mesmo levar jornalistas para visitar suas instalações. Também contratou mulheres ocidentais para alguns de seus principais cargos. E finalmente no dia 11 de dezembro de 2019, a SAUDI ARAMCO chamou a atenção do mundo ao protagonizar a maior oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de todos os tempos, conseguindo levantar US$ 25.6 bilhões, sendo avaliada em impressionantes US$ 1.7 trilhões. O que mais impressiona é que a empresa colocou míseros 1.5% do seu capital social, com dois terços destinados a investidores institucionais e o restante para particulares. Esta iniciativa faz parte do programa “Saudi Vision 2030”, anunciado em 2016 pelo príncipe herdeiro Mohammad Bin Salman. O propósito é modernizar a Arábia Saudita, tanto internamente como sociedade e também como potência financeira mundial. O programa tem como principal objetivo eliminar a dependência que o país tem sobre combustíveis fósseis. Apenas dois dias depois da entrada na bolsa de Riad, capital da Arábia Saudita, a empresa já havia se valorizado a ponto de atingir a marca dos US$ 2 trilhões. Com isso, tornou-se a primeira empresa multitrilionária do mundo dos negócios. O valor de mercado da SAUDI ARAMCO nesse dia foi maior que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2018, estimado em US$ 1.8 trilhões.


Um dos aspectos do enorme sucesso da SAUDI ARAMCO em um segmento altamente competitivo é o baixo custo de produção. Enquanto a extração de petróleo no mar custa caro devido à sua localização a dezenas de metros debaixo da água, o petróleo na Arábia Saudita está relativamente próximo da superfície. A empresa tem muitos campos de petróleo com custo barato para extração (especialistas estimam que em torno de US$ 10 o barril). Isto explica o enorme lucro da SAUDI ARAMCO. Durante sua história, a SAUDI ARAMCO construiu uma reputação de confiabilidade incomparável no fornecimento de petróleo bruto aos mercados de energia em todo o mundo.


Hoje em dia a SAUDI ARAMCO tem uma grande missão: atender mercados globais, resolver desafios globais e criar impacto global. A empresa saudita acredita no poder da energia para transformar vidas, melhorar comunidades, avançar o progresso humano e sustentar nosso planeta. Com a previsão de aumento da população global nos próximos 25 anos, será necessária ainda mais energia para atender à crescente demanda. Serão necessárias todas as fontes de energia disponíveis para atender a essa necessidade - fontes herdadas e alternativas. E a SAUDI ARAMCO está comprometida em impulsionar a eficiência energética e enfrentar o desafio das emissões globais. E, como maior empresa integrada de petróleo e gás do mundo, acredita estar qualificada de maneira única para fazer contribuições efetivas para a solução geral desse enorme problema.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas alterações ao longo dos anos. No dia 31 de janeiro de 1944, quando o nome da empresa foi alterado para Arabian American Oil Co. (conhecido pela abreviatura de ARAMCO), foi adotado um novo logotipo. Em 1988 com a mudança para Saudi Arabian Oil Company, pela primeira vez o nome SAUDI ARAMCO apareceu no logotipo. Posteriormente a marca apresentou um logotipo mais moderno e colorido. Este logotipo passou por uma modernização há alguns anos atrás.


Dados corporativos 
● Origem: Arábia Saudita 
● Fundação: 29 de maio de 1933 
● Fundador: Governo da Arábia Saudita 
● Sede mundial: Dhahran, Arábia Saudita 
● Proprietário da marca: Saudi Arabian Oil Company 
● Capital aberto: Sim (2019) 
● Chairman: Yasir Al-Rumayyan 
● CEO: Amin H. Al-Nasser 
● Faturamento: US$ 355.9 bilhões (2018/2019) 
● Lucro: US$ 111.1 bilhões (2018/2019) 
● Valor de mercado: US$ 1.8 trilhões (janeiro/2020) 
● Presença global: 60 países 
● Presença no Brasil: Não 
● Funcionários: 76.000 
● Segmento: Energia e químico 
● Principais produtos: Petróleo, gás natural e produtos petroquímicos 
● Concorrentes diretos: Shell, Exxon Mobil, BP, Total, Petronas, Chevron, ConocoPhillips, ADNOC’s, Sinopec, Lukoil, Petrobras, Equinor e Marathon Petroleum 
● Slogan: Where energy is opportunity. 
● Website: www.aramco.com 

A marca no mundo 
Não é nenhum exagero afirmar que a SAUDI ARAMCO, responsável pela riqueza da Arábia Saudita, é um verdadeiro titã difícil de ser superado. Afinal seus números impressionam: aproximadamente 260 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo (tornando a Arábia Saudita o segundo país com as maiores reservas mundiais, atrás apenas da Venezuela), produção diária superior a 10 milhões de barris, mais de 76 mil empregados, faturamento de US$ 356 bilhões e lucro líquido de US$ 111.1 bilhões (dados de 2018/2019), que supera em mais de três vezes os lucros combinados de cinco das maiores petrolíferas do mundo. Além disso, a empresa saudita produz diariamente 1.1 milhões de barris de gás natural liquefeito (GNL) e 8.9 milhões de metros cúbicos de gás natural. A empresa está presente em mais de 60 países nos três principais mercados globais de energia (Ásia, Europa e América do Norte), através de filiais, refinarias e redes de oleodutos, nacionais e internacionais. A SAUDI ARAMCO exporta mais de 5 milhões de barris de petróleo por dia para países asiáticos (onde seus maiores clientes são China, Índia, Coréia do Sul e Japão), mais de 1 milhão de barris para a América do Norte e perto de 900 mil para o mercado europeu. A empresa mantém 11 centros de pesquisa & desenvolvimento e escritórios de tecnologias em países como Escócia, China, Estados Unidos, Coréia do Sul, Holanda, Rússia e França, além da Arábia Saudita. 

Você sabia? 
A empresa gerencia mais de cem campos de petróleo e gás na Arábia Saudita, incluindo 288 trilhões de pés cúbicos padrão de reservas de gás natural. A SAUDI ARAMCO ainda opera o Ghawar, o maior campo petrolífero onshore do mundo, e o Safaniya, o maior campo petrolífero offshore do mundo. 
Pesquisas de 2019 mostraram que a SAUDI ARAMCO, com emissões de 59.2 bilhões de toneladas de CO2 desde 1965, foi a empresa com as maiores emissões do mundo durante esse período. 
A SAUDI ARAMCO é hoje a maior exportadora de petróleo - e a única produtora que mantém pelo menos 2 milhões de barris por dia de capacidade ociosa que podem ser colocados rapidamente no mercado. 
O Governo da Arábia Saudita é dono de 98.5% da petrolífera. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Valor Econômico, Folha, O Globo e Estadão), portais (G1 e BBC), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 28/1/2020

15.1.20

RAPPI


Se você mora em alguma grande cidade da América Latina, provavelmente já presenciou um enorme “exército laranja” se deslocando freneticamente pelo trânsito caótico. Tudo para entregar “quase qualquer coisa” para milhões de pessoas. Bebidas, remédios, alimentos, compras de supermercados e muito mais na porta da sua casa em questão de minutos, mesmo que seja de madrugada. É assim que a RAPPI, popularmente conhecida como “Amazon da Colômbia”, se tornou um verdadeiro sucesso do mundo empreendedor e revolucionou a forma de fazer compras. De cigarro a presentes, passando por dinheiro, documentos ou a chave de casa esquecida na mesa do escritório, a RAPPI leva até você. 

A história 
As origens do que viria a se tornar um enorme sucesso entre os latino-americanos encontram-se em outra startup. Os empreendedores colombianos Felipe Villamarín, Sebastián Mejía e Simón Borrero (os três na foto abaixo) haviam fundado a Grability, uma licenciadora de softwares de soluções de e-commerce para grandes redes de supermercados. Rapidamente os jovens vislumbraram a oportunidade de fazer aquilo que os mercados locais desejavam com a ferramenta que estavam desenvolvendo, mas com uma logística muito mais eficaz. Foi então que eles criaram a RAPPI em julho de 2015 na cidade de Bogotá. A nova empresa surgia com o intuito de resolver a complexa logística de entregas em uma cidade caótica. O novo empreendimento nasceu baseado em uma premissa: hoje em dia o bem mais precioso é o tempo e a RAPPI nasceu justamente para facilitar o dia a dia de qualquer pessoa, disponibilizando um assistente pessoal que pode comprar ou retirar encomendas em locais desejados, de uma forma prática, segura e cômoda.


Inicialmente o aplicativo tinha apenas três botões: “supermercado”, “restaurante” e o enigmático, mas estratégico, “qualquer coisa”. Este botão permitia solicitar entregas de produtos que ainda não faziam parte da lista de negócios, bem como requisitar ao entregador que fosse, por exemplo, ao shopping buscar um presente de última hora. Na verdade esse botão foi o grande diferencial de atratividade e permitiu a RAPPI conhecer as necessidades dos usuários e prestar serviços mais abrangentes e eficientes. Além disso, os jovens utilizaram uma inusitada estratégia para conquistar seus primeiros clientes, no raio de cinco quilômetros em torno da primeira sede da empresa. Era uma promoção chamada “um donut por um download”: em troca da iguaria irresistível, era preciso apenas instalar o aplicativo RAPPI no celular. Em seis meses de operação, 200 mil pessoas se cadastraram apenas na cidade de Bogotá. A partir do momento em que a RAPPI fez as pessoas economizarem tempo para ir comprar e buscar seus produtos, essa enorme conveniência na vida de muitos colombianos se tornou um verdadeiro sucesso. A ideia não era entregar comida ou produtos, mas tempo para usuários e uma fonte de renda extra para entregadores, chamados pela empresa de rappitenderos. Eles ganhavam a taxa de entrega (o equivalente a US$ 1). Já a RAPPI ganhava dinheiro cobrando uma comissão dos estabelecimentos comerciais, de valor não revelado, responsável por manter os preços no aplicativo iguais aos vistos na loja física.


Diante dos surpreendentes resultados apresentados em seu primeiro ano, a RAPPI foi selecionada para uma aceleração de três meses na Y Combinator, famosa pelo seu histórico de formar empresas unicórnio, com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão. Mas o que fez a RAPPI realmente crescer, porém, tinha pouco a ver com doces de graça. Ter deixado um campo aberto, no qual os usuários poderiam pedir entregas de qualquer produto que desejassem, foi como contratar uma consultoria de expansão sem precisar investir. Clientes começaram a pedir restaurantes que não tinham operações de delivery, remédios e até dinheiro vivo - responsável atualmente por 6% das operações (na Colômbia). Até o final de 2016, com o capital levantado através de investidores locais e internacionais, a RAPPI expandiu sua atuação para outras cidades colombianas (como Cartagena, Medellín e Barranquilla) e, pouco depois, iniciou suas operações no México. A empresa também lançou o Rappi Prime, um serviço por assinatura mensal onde todos os pedidos que o usuário fizer acima de uma determinada quantia, não paga frete.


Como decorrência natural do enorme sucesso em seu país de origem e no México, a RAPPI desembarcou no Brasil em julho de 2017, inicialmente atendendo em alguns bairros de São Paulo. Somente no seu primeiro ano de atividade em solo brasileiro, os entregadores parceiros da RAPPI percorreram mais de dois milhões de quilômetros, segundo os dados da empresa. E tanto sucesso fez com que seus serviços fossem ampliados para outras cidades brasileiras. Pouco depois a empresa ingressou na Argentina, Chile e Uruguai. Em outubro de 2018, a RAPPI superou a almejada marca de US$ 1 bilhão de valor de mercado, o que lhe garantiu o status de “startup unicórnio”, empresa avaliada, pelo mercado, em pelo menos US$ 1 bilhão antes de fazer sua oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) em bolsa de valores. Ao receber um aporte de US$ 392 milhões, ela foi avaliada em US$ 1.2 bilhões. E apenas 200 dias depois, a empresa anunciou outra rodada de investimento superior a US$ 1.2 bilhões em novos recursos, o maior valor já recebido por uma startup latino-americana. Ainda em 2018 o aplicativo ultrapassou a marca de 1 milhão de downloads e se firmou ainda mais no segmento de entregas e de tecnologia.


Mais recentemente, percebendo a importância de gerar praticidade, soluções de pagamento e mobilidade (incluindo transporte de passageiros) já podem ser encontradas no aplicativo da RAPPI. Assim, além do serviço de delivery, o super aplicativo já permite executar o RappiPay (faz pagamentos pelo celular por meio da leitura de um QR code, além de transferências a partir de um cartão de crédito pré-cadastrado para que amigos possam dividir uma conta), desbloquear patinetes elétricos, pedir um táxi e até requisitar serviços de obras, reformas e manutenções. Outro grande diferencial para o sucesso da RAPPI são os chamados “shoppers” (compradores), que fazem ponto dentro de grandes redes de supermercados. A função desses shoppers (profissionais preparados para escolher os melhores itens para os usuários) é fazer compras para o usuário, com graus variados de complexidade (como escolher as frutas ou uma marca específica). Depois, pagar no caixa e arrumar as sacolas para encaminhar ao entregador. O cliente consegue ainda conversar em tempo real com o shopper e, inclusive, pedir foto das mercadorias para avaliá-las melhor, conseguindo fazer substituições se necessário.


No final de 2019, com o caixa recheado de dinheiro proveniente de investimentos, a empresa acelerou para se consolidar como um super aplicativo. Em média, a startup de entregas adiciona um produto ou serviço ao seu portfólio a cada 20 dias (vão de melhorias no aplicativo, anúncios de novas parcerias, até campanhas de engajamento para atrair novos usuários). E a próxima novidade da empresa já saiu do forno. Depois de uma fase de testes que durou aproximadamente dois meses, a RAPPI apresentou uma nova vertente em sua operação brasileira: o modelo de cozinhas compartilhadas, chamado também de “dark kitchens”. E reúne restaurantes dispostos a atender especificamente à demanda gerada por aplicativos de delivery de comida. Instalados, geralmente, em imóveis localizados em bairros de preço mais acessíveis e mais próximos dos consumidores, esses espaços são geridos por terceiros, que centralizam os pedidos e cuidam das entregas. Cada estrutura conta com um número específico de cozinhas, de acordo com o tamanho do imóvel. E cada cozinha é ocupada por um determinado restaurante. Essas “cozinhas escondidas” da RAPPI chegaram ao Brasil depois da empresa lançar o modelo na Colômbia. Atualmente, a RAPPI tem mais de 200 cozinhas na América Latina, em países como México, Chile e Argentina.


Desde sua criação o RAPPI, primeiro super aplicativo que resolve a vida de seus usuários ao oferecer a eles uma plataforma única para suas necessidades e desejos diários, realizou bilhões de entregas dos mais diversos estabelecimentos (a lista cresce a cada dia) e tem uma base de usuários muito fiel e ativa. Por meio do aplicativo é possível comprar produtos e serviços de diferentes categorias, incluindo restaurantes, supermercados, farmácias, manicure, pet shop, entre outros. A visão da RAPPI é ser uma espécie de controle remoto da sua cidade: você pode ter o que quiser em 20 a 30 minutos ao toque de um botão. A empresa vem entregando cada vez mais e já se tornou praticamente o “Delivery de tudo” para milhões de pessoas na América Latina. Afinal, em cidades onde o trânsito de veículos é grande, as distâncias entre os pontos são enormes e as pessoas estão cada vez mais ocupadas, a RAPPI consegue ser o assistente pessoal que compra e entrega em minutos qualquer produto ou serviço. Quer um café com pão de queijo? Precisa de um remédio para dor de cabeça? Está sem nada na geladeira? Esqueceu da fantasia de unicórnio para o carnaval? Acabou a bebida no meio da festa? Está com preguiça de ir pegar ou entregar um documento? Deu fome e não tem jantar? Chame, ou melhor, acesse RAPPI.


O nome e o símbolo 
O nome utilizado pela empresa colombiana deriva de uma abreviação popular da palavra “rápido” em espanhol. Tudo haver com o serviço que a RAPPI presta a seus milhões de usuários. Já os entregadores, identificados por suas chamativas mochilas laranja, geralmente em motos ou bicicletas, são chamados de rappitenderos, proveniente do termo “tendero”, que significa comerciante em espanhol. Além disso, a startup colombiana que modernizou a maneira de fazer as pequenas compras do dia a dia escolheu o bigode como seu principal símbolo para criar uma identidade mais próxima com o consumidor latino. É uma referência aos antigos comerciantes e donos de pequenas mercearias, que sempre estavam à disposição para oferecer o melhor atendimento. E neles, havia sempre o clássico bigode.


Os slogans 
Delivery de tudo. 
Delivery de tudo em minutos. 
Tudo o que quiser em minutos. 
Mais tempo pra você. 
Corremos por ti. (Colômbia)


Dados corporativos 
● Origem: Colômbia 
● Fundação: Julho de 2015 
● Fundador: Simón Borrero, Sebastián Mejía e Felipe Villamarín 
● Sede mundial: Bogotá, Colômbia 
● Proprietário da marca: Rappi S.A.S. 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Simón Borrero 
● Presidente: Sebastián Mejía 
● Faturamento: US$ 220 milhões (estimados) 
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: 9 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 3.000 
● Segmento: Aplicativos 
● Principais produtos: Serviços de entregas 
● Concorrentes diretos: iFood, Loggi, Glovo, Pedidos Ya, Uber Eats e Grow 
● Ícones: A cor laranja das mochilas e o bigode 
● Slogan: Delivery de tudo. 
● Website: www.rappi.com.br 

A marca no mundo 
Atualmente a RAPPI está presente em nove países da América Latina (Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Equador, México, Uruguai, Peru e Colômbia), em mais de 250 cidades (no Brasil são aproximadamente 130) e tem mais de 10 milhões de usuários ativos. Além disso, são mais de três mil funcionários, mais de US$ 1.7 bilhões em investimentos, um “exército” de 110 mil entregadores (que utilizam bicicletas, motos e até carros) e mais de 100 mil parceiros comerciais. Além de atender o usuário comum, a RAPPI já tem clientes corporativos, serviço de pagamentos e até um marketplace, para as empresas que preferem se manter fazendo as entregas por conta própria sem usar os seus serviços logísticos. Um dos fatores de sucesso da RAPPI é a alta taxa de retenção dos clientes. Dados da empresa mostram que um terço dos usuários fazem 7 ou 8 pedidos por mês. 

Você sabia? 
Todos os pedidos realizados no aplicativo podem ser acompanhados em tempo real pelo cliente, que pode interagir via chat com o assistente que aceitou o pedido e o time de suporte da RAPPI. A maioria dos pedidos se concentra no segmento de supermercados, restaurantes e farmácias. 
Recentemente, no Brasil, uma noiva fez um pedido inusitado para um entregador da RAPPI: ir até o apartamento de um padrinho de casamento e tocar a campainha até que ele acordasse. E deu certo. Outros pedidos inusitados que o aplicativo já recebeu: agulha, pinça anatômica e fio de náilon (o usuário solicitou os itens para fazer uma cirurgia), uma caixa de minhocas, barba de Papai Noel, colchão de ioga, piscinas de plástico e até ração para um porquinho da Índia. Essas histórias ilustram o porquê da RAPPI avançar tão rapidamente no ambiente de startups da América Latina. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Época Negócios, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Meio Mensagem, Jornal do Comércio e Valor Econômico), sites de negócios (Bloomberg, StartSe e UOL), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 15/1/2020