29.5.06

FENDI


“Deus, me dê Fendi”. A brincadeira, inscrita em camisetas e que virou um mantra na boca dos descolados, é um jogo de palavras que traduz com perfeição o culto pelas roupas e acessórios dessa grife italiana, cujas bolsas e casacos de pele desfilam nos ambientes mais luxuosos e sofisticados do mundo. Seu logotipo composto por duas letras F é visto e reconhecido como símbolo de status no mundo inteiro. A FENDI traz o sobrenome da lendária família italiana, interpretando o passado de maneira contemporânea, homenageando a tradição artesanal e celebrando a geração de novos e preciosos materiais com valiosos detalhes. A grande popularidade da grife, no entanto, deve-se mesmo às bolsas, que jamais economizaram na exibição do logotipo e fizeram dele um verdadeiro e disputado símbolo de status.

A história
Tudo começou em 1918 quando Adele Casagrande, cuja família era formada por ricos produtores de couro de Florença, abriu uma pequena loja de artigos de couro e peles na Via Del Plebiscito no centro de Roma, que fabricava também bolsas de couro macio com refinamento de formas, texturas e minuciosos acabamentos de fechos e fivelas, além de sacolas de verão feitas com tiras de lona. Quando ela se casou com Edoardo Fendi em 1925, eles tomaram a decisão de mudar o nome da loja para FENDI. Era o período do pós-guerra, onde a classe média estava tentando se reerguer e voltar a ter hábitos consumistas. Foi com esse cenário que a loja rapidamente se tornou um sucesso, vendendo malas de couro e outros artigos para uma clientela cativa. O negócio prosperou e uma nova loja foi inaugurada na Via Piave em 1932, uma área residencial que estava se tornando um centro comercial da época. O crescimento da FENDI, já bem conhecida e conceituada em Roma, com importantes clientes assíduos, começou a romper as fronteiras da região, tornando-se um símbolo de estilo e bom gosto para as mulheres italianas.


Depois da Segunda Guerra Mundial, em 1946, a segunda geração da família começou aos poucos a ingressar nos negócios. A primeira a trabalhar na empresa foi Paola, filha mais velha e então com 15 anos na época, que depois assumiria a divisão de peles, seguida de suas irmãs Anna (divisão de couro), Franca (relacionamento com clientes), Carla (coordenadora de negócios) e Alda (departamento de vendas). Com cinco ativas e talentosas jovens mulheres ao leme, a FENDI começou a galgar seu sucesso no mundo da alta costura. As jovens implantaram ideias modernas e criaram linhas arrojadas de produtos (malas, bolsas e casacos de pele). Em 1964, a marca que já era muito conhecida na Itália, abriu uma de suas muitas lojas nesse período, na sofisticada Via Borgognona. Em 1965 uma aliança, que mudaria os rumos da marca, foi selada entre a empresa e o jovem designer alemão Karl Lagerfeld (hoje também o atual estilista da Maison Chanel), que assumiu como diretor criativo da grife, apresentando uma nova leitura aos casacos de pele, fora da alta costura e dentro do prêt-à-porter (expressão em francês para roupa comprada pronta em lojas) como a jaqueta jeans com acabamento em pele. Foi ele o responsável pela criação do logotipo com os duplos F invertidos (chamado de “Zucca” quando é maior e “Zucchino” quando é menor), que mais tarde foi adicionando à lista de símbolos de status internacional, e, ajudado pelas irmãs, revolucionou o tratamento das peles e de outros tecidos.


Outros materiais, como fibras entrelaçadas e até mesmo peles revestidas em ouro 24 quilates, passaram a ser aplicados nos acessórios da marca italiana. Bordados, impressões e cores também fizeram parte de suas coleções ao longo dos anos. O que era uma peça preciosa, mas rígida e pesada se tornou leve, macia e pra lá de elegante. A equipe comandada pelo alemão trabalhou para inventar novas maneiras de se trabalhar com as peles (curtimento, tingimento e tratamento), além de ter introduzido peles inusitadas, transformando-as em acessórios de moda. A FENDI conquistou prestígio e a liderança no setor, utilizando peles tingidas, com mão de obra de alta qualidade e refinada técnica de corte, trunfos que valeram à marca italiana a conquista de vários prêmios internacionais.


Em 1968, as malas e bolsas da FENDI foram descobertas em Roma por Marvim Traub, então presidente da famosa loja de departamento americana Bloomingdale’s, que as levou para serem vendidas em Nova York. Não demorou muito para os produtos da marca despertar a atenção de várias outras lojas americanas que queriam tê-los para vender á seus consumidores, fazendo com que hoje em dia a FENDI seja a marca com maior número de representações dentro das tradicionais lojas de departamento americanas.


Na década de 70, a marca alcançou um grande reconhecimento e seus produtos eram vendidos nas melhores lojas do mundo. A empresa lançou uma nova linha de produtos e acessórios, como luvas, jeans, gravatas, óculos, relógios, isqueiros e canetas em 1984. No ano seguinte, para comemorar os 60 anos da marca, organizou um suntuoso desfile no Museu de Arte Moderna de Roma. Somente em 1989, inaugurou sua primeira loja em solo americano, localizada em plena Quinta Avenida. Era a primeira vez que todos os produtos da marca podiam ser encontrados em um mesmo lugar. Em 1994, Silvia Venturini Fendi, neta dos fundadores, começou a trabalhar na Direção Artística da marca (especialmente acessórios), e foi a principal responsável pela criação em 1997 de um ícone da FENDI: a bolsa baguette, que se tornou extremamente popular nas mãos de Madona e Carrie Bradshaw, personagem do seriado Sex and the City, interpretada por Sarah Jessica Parker.


Em 1999, a marca foi comprada pelo poderoso grupo LVMH, mantendo os membros da família em cargos importantes dentro da empresa. Somente dois anos mais tarde, em 2001, a FENDI inaugurou sua primeira loja âncora na cidade de Paris, o centro da alta costura mundial. Em 2005, a FENDI celebrou seu 80º aniversário com a abertura da nova sede PALAZZO FENDI em Roma, que abriga os estúdios, ateliês de pele, além de ser a maior loja da marca no mundo. Nos anos seguintes a marca continuou lançando bolsas de enorme sucesso no mercado mundial, sempre ditando tendência no segmento e arrebatando a atenção e preferência das celebridades. Luxo, fantasia, qualidade. Com um pé na tradição e outro na modernidade, a marca italiana Fendi continua arrebanhando cada vez mais fiéis para o irresistível pecado do consumo de luxo.


A linha do tempo
1966
Lançamento da primeira coleção de peles assinada por Karl Lagerfeld. Foi um sucesso imediato para os novos consumidores.
1967
A grife italiana desenvolveu um trabalho inovador em casacos e mantôs de pele, utilizando coelhos e esquilos.
Lançamento de um casaco reversível forrado de pele e outro em estilo quimono, misturando linda e perfeitamente pele com couro e vários tecidos.
1968
A grife organizou um desfile no Japão e não demorou muito para que seus produtos estivessem disponíveis no mercado daquele país.
1969
Lançamento da primeira coleção de roupas prêt-à-porter no Palazzo Pitti em Florença, depois que as irmãs não encontravam mais roupas de outras marcas para complementar o visual dos desfiles dos casacos de pele da marca.
1985
Lançamento do primeiro perfume feminino chamado Fendi for Women. Nos anos seguintes a linha foi expandida com a introdução do Theorema Uomo e Fendi Uomo (para homens), introduzido em 1988; e Celebration e Fantasia (para mulheres).
Lançamento da primeira linha de móveis e objetos de decoração da grife italiana.
1987
Lançamento da FENDISSIME, uma linha de produtos voltados para o público jovem e moderno, que rapidamente cresceu separadamente da marca principal, conquistando assim novos consumidores.
1989
Licenciamento do nome e do logotipo da FENDI para a empresa Cross Pens fabricar sofisticados instrumentos para a escrita. O acordo não durou muito.
1990
Lançamento da linha FENDI UOMO, composta por roupas e acessórios masculinos para qualquer momento e circunstância da vida.
1991
Lançamento de sua primeira linha de joias e de óculos.
1997
Lançamento da baguette (pequena bolsa retangular e simples), uma criação de Silvia Venturini, e que se tornaria, dois anos depois, a bolsa mais vendida no mundo. O nome surgiu por acaso, quando, em seu lançamento, no outono, alguém comentou que o modo certo de usá-la era debaixo do braço, da mesma maneira que os franceses carregam o referido pão - e não como uma bolsa de mão. Até hoje, mais de 1.000 modelos e versões, utilizando diferentes materiais (de crocodilo a cashmere, com gravações em relevo, metal, pele e até pedras), foram criados para esta linha de bolsa da marca italiana, que chegam a custar mais de US$ 30 mil em suas edições mais exclusivas. A icônica bolsa, que na verdade introduziu o conceito de “it bag” (a Baguette), já vendeu mais de 1 milhão de modelos desde seu lançamento.
1998
Lançamento, em uma homenagem a criação made by hand, da coleção de bolsas La Selleria, uma série limitada em “cuoio fiore” (flor de couro).
2001
Lançamento da bolsa mini-baguette, mais macia e cilíndrica que o modelo tradicional.
2005
Lançamento da bolsa SPY FENDI, que rapidamente se transformou em um fenômeno entre as celebridades mundiais.
2006
Lançamento da B FENDI, uma coleção de bolsas extravagantes que utilizam materiais diversos como jeans, náilon e couro.
2007
Lançamento do perfume feminino FENDI PALAZZO. A embalagem do perfume vista de frente reproduz a imagem do próprio Palácio FENDI, na Itália, como elemento decorativo. O frasco, criado por Karl Lagerfeld e produzido pela Pochet, é simples, mas a decoração foi feita de forma criativa, o que torna o produto diferenciado. O lado de traz do frasco foi decorado com o padrão que reproduz as linhas do Palácio Fendi. No painel frontal, um filete de platina em todo o perímetro funciona como uma moldura. Apenas 18 meses depois, a marca italiana decidiu retirar o perfume do mercado. Segundo a empresa, apesar das vendas serem boas, elas ficaram aquém das expectativas em 2008.
2008
Lançamento, em parceria com a marca japonesa Aprica, de uma linha de produtos infantis compostas por carrinhos, sapatos e até uma série de brinquedos chamada “Life Toys”.
2010
Lançamento do novo perfume da marca: FAN di FENDI. O frasco é uma joia extremamente preciosa e perfeitamente atemporal. Os códigos marcantes da marca são reafirmados: a fivela de ouro (da bolsa baguette) é trabalhada na embalagem do perfume e a tampa é uma referência ao fecho da bolsa Peekaboo envernizada. Sua fragrância é um floral luminoso baseado na elegância do couro, contém notas de Pera, Groselha, Tangerina da Calábria, Pimenta Rosa, Patchouli, Jasmim Amarelo e Rosa Damasceno.
2011
Lançamento da FENDI KIDS, uma linha de roupas e acessórios desenvolvida especialmente para crianças entre 3 meses e 12 anos.
● Lançamento, em parceria com a italiana Inglesina, reconhecida pelos luxuosos produtos para o público infantil, de uma linha de carrinhos e cadeirinhas para bebê.
2012
Inauguração da primeira loja FENDI KIDS (roupas e acessórios para bebês e crianças), localizada no Dubai.


Peças artesanais
Em um culto a tradição, bolsas, pastas executivas, valises, malas e artigos de couro são criados tomando como inspiração o passado com adição da qualidade e refinamento de seguir a evolução em seu design único e incomparável. Made by hand (feito à mão), é um dos essenciais elementos genuínos da FENDI, detalhes que nos remetem a preciosidade de cada peça na coleção, confeccionados inteiramente de modo artesanal, com o mesmo cuidado com que em 1925 um grande seleiro romano colocou o logotipo de prata nas bolsas criadas por Adele Fendi. Para se ter uma ideia deste processo, apenas três artesãos são capacitados para confeccionar à mão uma bolsa “baguette”, que demora aproximadamente 12 dias para ficar pronta. Uma edição limitada de apenas 100 modelos chegou recentemente às lojas europeias, a preços que atingem facilmente os US$ 3 mil. Hoje, no Palácio Fendi, a magnífica sede da grife em Roma, compradores do mundo todo se debruçam sobre criações como as bolsas Maserati, Peekaboo e Spy, produzidas por artesãos da Toscana, com as mais suaves peles e com versões sob medida, que chegam a custar até 25 mil libras.


Mas, talvez a bolsa que retrate melhor toda essa preocupação da FENDI em investir nas pesquisas por materiais diferentes e em técnicas que possam expressar o luxo e a elegância seja a Straw Twins, uma peça versátil para a mulher moderna, que completa o visual de fim de semana, ótima para um passeio de barco ou ainda para ir às compras. O corpo da bolsa é todo feito em fibra de ráfia trançada e costurada à mão, e está disponível em sua cor natural dourada ou em preto. As alças em couro preto dão um toque de charme ao modelo, que tanto pode ser elegantemente carregada nas mãos, como pode ser pendurada no ombro, através de uma tira ajustável também em couro preto, assumindo um visual mais despojado. O tradicional logotipo da FENDI une as alças ao corpo da bolsa. Seu interior é forrado em tecido e não possui divisórias, o que facilita carregar um netbook, ou aquela necessaire um pouco maior. Há apenas um bolso com zíper para levar os pertences menores. Todos os adornos em metal são dourados, desde o fecho magnético, o zíper do bolso interno, os pés que protegem a parte inferior da bolsa, até a plaquinha que leva o nome da marca.


Muita controvérsia
Por muito tempo, as peles de animais foram banidas das passarelas, em nome da moda politicamente correta. Pele e couros sintéticos, no entanto, não se comparam ao luxo das peças autênticas, que aos poucos estão conquistando novamente seu lugar nos guarda-roupas de celebridades e, consequentemente, na alta costura. A FENDI tem lugar de destaque neste cenário, já que Karl Lagerfeld é o estilista que mais revolucionou a arte de trabalhar com peles. Basta entrar no site oficial da marca para perceber o uso de couros de cobras e peles de ursos, entre outros animais, em suas peças. E foi justamente isso que fez com que a marca italiana se tornasse um dos principais alvos de ativistas e associações que defendem os direitos dos animais. Um exemplo do mais recente protesto ocorreu no mês de julho de 2011 na Coréia do Sul, em que muitos ativistas despedaçaram um animal de mentira e deixaram escorrer sangue falso do mesmo sobre o nome FENDI. Os ativistas também pediram apoio em uma campanha de boicote à grife italiana. O próprio Karl Lagerfeld, em uma entrevista recente colou ainda mais “lenha” nessa polêmica discussão: Em um mundo onde se come carne, utilizar o couro para sapatos, roupa e bolsas torna a discussão sobre as peles infantil.


A ousadia
No dia 19 de outubro de 2007, a grife realizou, segundo especialistas de moda, o mais grandioso desfile da história utilizando como passarela a Grande Muralha da China. Foram 500 convidados, entre eles celebridades chinesas como a atriz Zhang Ziyi, 88 metros de passarela e supostos US$ 10 milhões para que 88 modelos desfilassem visuais (muitos na cor símbolo da China, o vermelho) com motivos circulares numa coleção de inverno que evidenciava símbolos de prosperidade e felicidade. O megaevento fez parte da estratégia do grupo de LVMH, de promover o nome da grife italiana de uma forma mais agressiva, especialmente no próspero e emergente mercado chinês.


Dados corporativos
● Origem: Itália
● Fundação: 1925
● Fundador: Adele Casagrande e Edoardo Fendi
● Sede mundial: Roma, Itália
● Proprietário da marca: LVHM
● Capital aberto: Não (subsidiária)
● Chairman & CEO: Pietro Beccari
● Estilista: Karl Lagerfeld e Maria Silvia Fendi Venturini (acessórios) 
● Faturamento: €600 milhões (2011)
● Lucro: Não divulgado
● Lojas: 190
● Presença global: 120 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários: 550
● Segmento: Moda de luxo
● Principais produtos: Roupas, bolsas, relógios, óculos e perfumes
● Concorrentes diretos: Prada, Gucci, Chanel, Burberry e Goyard
● Ícones: O logotipo composto por duas letras F e os casacos de pele
● Website: www.fendi.com

A marca no mundo
Atualmente a marca italiana possui 190 lojas próprias (das quais 12 são consideradas Flagship Store) distribuídas por 35 países e mais de 750 pontos de vendas localizados em luxuosas lojas de departamento, que comercializam sua vasta gama de produtos, como peles e artigos em couro, roupas, coleções esportivas, acessórios, perfumes, relógios e óculos. Aproximadamente 70% de toda sua produção é exportada para outros países, especialmente Estados Unidos, Ásia e Europa. A marca faturou em 2011 €600 milhões.


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 13/8/2012

Um comentário:

Anônimo disse...

A Rosinha adora a FEEEEEEEEEEENDIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII