16.5.06

FINANCIAL TIMES


O jornal FINANCIAL TIMES, ou simplesmente FT, é uma verdadeira “bíblia cobiçada” impressa na inconfundível cor salmão, especializada em negócios, política, mercado financeiro e notícias econômicas. Com mais de 100 anos de história, o jornal sobreviveu a duas guerras mundiais, assistiu à passagem do milênio e acompanhou de perto toda a crise econômica e financeira global dos últimos anos. Por isso, é considerado um jornal de elevada reputação, sendo um dos mais influentes do mundo e lido por inúmeros líderes empresariais e influentes chefes de estado. 

A história 
O tradicional jornal inglês começou a circular, inicialmente três vezes por semana, pela primeira vez com o nome de London Financial Guide no dia 9 de janeiro de 1888. Idealizado por Horatio Bottomley e James Sheridan, foi renomeado THE FINANCIAL TIMES (por muitos anos escrito com “the” no início) em 13 de fevereiro do mesmo ano e passou a circular de segunda a sábado. O jornal descrevia a si próprio como “Friend of the Honest Financier and the Respectable Broker” (algo como “O amigo do banqueiro honesto e do corretor respeitável”). Isto era publicado nos seus editoriais quando o jornal tinha apenas quatro páginas, que retratavam as matrizes comerciais de Londres, e cujos leitores eram pertencentes à comunidade financeira da cidade, como investidores e operadores. Rapidamente, o periódico se estabeleceu como um jornal soberano e confiável. Somente no dia 2 de janeiro de 1893 o jornal começou a ser impresso na tradicional cor salmão, que acabou virando sua marca registrada perante os consumidores, uma grande sacada do gênio do marketing Douglas Macrae para distingui-lo de seus principais concorrentes, em especial o Financial News, então impresso na cor branca.


No ano de 1919, Berry Bros, um dos proprietários do The Sunday Time, assumiu o controle do FINANCIAL TIMES. Ao longo dos tempos várias inovações foram acrescentadas ao jornal, como por exemplo, em 1935 quando o índice 30-share (com o preço das ações das 30 principais empresas do Reino Unido) foi introduzido no jornal pela primeira vez. No ano de 1945, o FT se fundiu com o The Financial News, fundado em 1884 por Harry Marks, tornando-se o único jornal de grande circulação do Reino Unido. A união dos dois jornais manteve a página cor salmão e o nome FINANCIAL TIMES. Hargreaves Parkinson se tornou o primeiro editor-chefe após a fusão. Neste ano lançou a coluna Lex, que até hoje costuma cobrir, com análises e opiniões, assuntos econômicos e financeiros do mundo. A fusão teve mais sucesso do que se poderia imaginar. Editorialmente, o novo FINANCIAL TIMES transcendeu os assuntos tradicionais do jornalismo financeiro e estabeleceu uma cobertura de primeira classe nas áreas de indústria, comércio, ciência e notícias internacionais. A fusão também permitiu aliar a ampla rede de circulação do FINANCIAL TIMES, que passou a contar com seis páginas, com os conceituados profissionais editoriais do Financial News. Com o passar dos anos, o jornal cresceu em tamanho, leitores e amplitude em suas coberturas. Também estabeleceu um trabalho em rede com correspondentes em muitas grandes cidades ao redor do mundo, antecipando o movimento da economia mundial no sentido da globalização. No ano de 1953 o jornal comemorou as 20.000 edições, além de introduzir uma página exclusiva para tratar de artes. Pouco depois, em 1957, o FT foi adquirido pela Pearson, um conglomerado britânico de mídia. No ano seguinte, Sheila Black se tornou a primeira jornalista mulher do FT, e seria responsável por introduzir, na década seguinte, a primeira versão da página “How to Spend It” (“Como Gastar” em tradução livre), que futuramente se tornaria uma revista.


Em 1960 o jornal ganhou inúmeras novidades como as páginas especiais Technical (que tratava de assuntos relacionados a tecnologia), Executive’s World Page (agora chamada Inside Track) e a edição de sábado. No ano seguinte a circulação do FT excedia os 132 mil exemplares diários. Com o fluxo de capital intensificado nos anos de 1970, o FINANCIAL TIMES iniciou o programa de expansão internacional, que foi facilitado pelo desenvolvimento de tecnologias e do crescimento da aceitação da língua inglesa como a linguagem do comércio internacional. Em 1º de janeiro de 1979 foi lançada a edição europeia do FT, que começou a ser impressa na cidade de Frankfurt na Alemanha. Era a primeira edição impressa fora da Inglaterra. Em 1982 introduziu o slogan “No FT. No Comment.” (em tradução livre “Sem FT. Sem Comentário.”), ou seja, quem não leu o FINANCIAL TIMES não deve fazer comentários, que virou uma espécie de marca registrada do jornal por anos. Pouco depois, em 1985, seria lançado o Weekend FT, edição de fim de semana do jornal.


A circulação do jornal na Inglaterra cresceu muito e, em 1986, rompia a barreira das 250 mil cópias. Em 1987 o jornal publicou pela primeira vez o Índice Global de Ações. Em 1991, o novo editor do jornal, Richard Lambert, introduziu várias novidades, dentre as quais a primeira edição da revista How To Spend It (que aborda temas do segmento e mercado de luxo como iates, mansões, apartamentos, moda e carros) em 1994. No ano seguinte relançou sua edição internacional e o site na internet. No ano de 2000 o suplemento Creative Business foi introduzido nas edições nacionais e a edição europeia foi relançada. No ano seguinte o jornal superou a marca das 500 mil unidades diárias e lançou a página Global Investing nas edições americanas. Apesar de fazer parte de um setor em dificuldades nos últimos anos, o FT tem uma saúde financeira superior à de outros jornais. A publicação iniciou sua migração para a plataforma online ainda em 2002, tendo sucesso em convencer seus clientes a pagar por seu conteúdo. Cinco anos depois, reformulou seu modelo digital, oferecendo aos internautas acesso gratuito a um determinado número de artigos antes da cobrança pelo conteúdo.


No dia 23 de abril de 2007 o FT passou por uma completa reformulação visual, adotando novas tipologias, um novo estilo de editoração e aumento do conteúdo em seções como esportes e mercado financeiro. Além disso, investiu ainda mais em sua versão digital para atender a um novo público. Nos anos seguintes, o FT continuou investindo em novas tecnologias e lançou, em 2011, um aplicativo que aumentou sua audiência para mais de 2 milhões de leitores diariamente. Com isso, em 2012, pela primeira vez em sua história, o número de assinantes digitais superou os da versão impressa. Diante desse cenário, o jornal vem acelerando sua transição do papel para as telas do computador, dos tablets e dos smartphones. Além disso, o FT começou a publicar e-books sobre temas específicos, compilando artigos do jornal e recheando-os com material dos blocos de anotações dos jornalistas. Em julho de 2015, o tradicional jornal, uma referência global na cobertura de economia e negócios, foi comprado por £844 milhões pelo grupo de mídia japonês Nikkei, mais conhecido globalmente pelo índice Nikkei, que reúne 225 ações negociadas na bolsa de Tóquio. A decisão do grupo Nikkei de comprar o FT faz sentido dentro de seu perfil: no Japão, a empresa é dona do Nihon Keizai Shimbun, principal jornal econômico do país, que exibe a invejável circulação de 3 milhões de exemplares na edição impressa, além de 400 mil assinantes online. Com o novo título, o Nikkei pode transformar influência local em mundial. O jornalismo mudou muito, os mercados também, mas a qualidade do FT manteve-se inabalável por mais de 100 anos.


A linha do tempo 
1985 
O jornal é impresso pela primeira vez em Nova York. 
1988 
O jornal é impresso pela primeira vez em Paris. 
1990 
● O jornal é impresso pela primeira vez na cidade de Tóquio. 
1993 
O jornal imprimiu uma edição de seis páginas, e em papel branco para comemorar seu aniversário de cem anos de cor salmão, assim como para relembrar a existência do Financial News. 
1995 
Lançamento no dia 13 de maio da versão on-line do jornal. 
1996 
O jornal é impresso pela primeira vez em Hong Kong. 
1997 
Lançamento da edição americana, atualmente impressa em Nova York, Chicago, Los Angeles, San Francisco, Dallas, Atlanta, Orlando e Washington (D.C.). 
1998 
Em setembro o FINANCIAL TIMES se tornou o primeiro jornal britânico a vender mais cópias no exterior do que na Inglaterra. 
2000 
Lançamento da edição em língua alemã, conhecida como Financial Times Deutschland. A edição foi encerrada no final de 2012. 
2003 
Lançamento da edição asiática, tanto na versão impressa como eletrônica.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas remodelações ao longo dos anos. Inicialmente chamado de THE FINANCIAL TIMES, a identidade visual adotou nova tipografia de letra e o “the” foi retirado.


Os slogans 
Still guiding the way for global business. (2013) 
We Live in Financial Times. (2006) 
No FT. No Comment. (1982) 
Without fear and without favour. (1888)


Dados corporativos 
● Origem: Inglaterra 
● Lançamento: 8 de janeiro de 1888 
● Criador: Horatio Bottomley e James Sheridan 
● Sede mundial: Londres, Inglaterra 
● Proprietário da marca: The Financial Times Limited 
● Capital aberto: Não (subsidiária da Nikkei, Inc.) 
● CEO: John Ridding 
● Editor chefe: Lionel Barber 
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Assinantes: 800 mil 
● Presença global: 140 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 1.500 
● Segmento: Comunicação 
● Principais produtos: Jornal, suplementos e site de notícias 
● Concorrentes diretos: The New York Times, The Wall Street Journal, The Washington Post, Reuters e Bloomberg 
● Ícones: A tradicional cor salmão 
● Slogan: Still guiding the way for global business. 
● Website: www.ft.com 

A marca no mundo 
O FT é impresso em quatro edições diárias (a edição do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Ásia, além da edição chinesa) a partir de 24 cidades ao redor do planeta, incluindo Nova York, Paris, Tóquio, Madri, Estocolmo, Los Angeles, Hong Kong, Milão, Kuala Lumpur, Dubai e Seul, sendo lido por mais de 2.2 milhões de pessoas em 140 países. Com circulação diária de 234 mil cópias impressas (88 mil somente no Reino Unido), o site do jornal tem 4.5 milhões de usuários registrados, mais de 565 mil assinantes da versão digital e 600 mil usuários pagos. Hoje em dia, 70% da circulação do jornal é digital. O jornal mantém uma equipe de 500 repórteres e jornalistas em mais de 50 países. A edição europeia é impressa de segunda-feira a sábado em cinco pontos estratégicos da Europa. 

Você sabia? 
O FINANCIAL TIMES é conhecido como “jornal superior do Reino Unido”
Hoje, o número de assinantes do jornal nos Estados Unidos é maior do que no Reino Unido. 
É o único jornal não americano, entregue com frequência na Casa Branca. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Valor Econômico, Folha e Estadão), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 13/10/2016

Um comentário:

perujoga10 disse...

eu quero simbolo massa