24.2.09

TWITTER


É um espaço pequeno. São apenas 280 caracteres. Mas já basta para produzir, enviar e receber informações; atualizar as fofocas do dia a dia; contar piadas; jogar conversa fora; fazer perguntas e responder à dúvidas; divulgar o blog; fazer amizades; colocar a boca no trombone; ou até mesmo fiscalizar o governo. Não há exemplos e reticências suficientes que consigam abranger todos os usos que o TWITTER ganhou e ganha a cada dia. O que você está fazendo neste exato instante? O que ocupa sua cabeça enquanto você começa a ler este texto? A curiosidade sobre este exato instante na vida de amigos ou de desconhecidos conduziu a um novo fenômeno da publicação online chamado TWITTER, o lugar certo para saber mais sobre o que está acontecendo no mundo e sobre o que as pessoas estão falando agora. 

A história 
A história do TWITTER está entrelaçada com a de algumas outras empresas na internet e de seus fundadores Evan Williams, Biz Stone, Noah Glass e Jack Dorsey. Alguns anos antes do TWITTER ser criado, Williams desenvolveu o Blogger, um serviço de blog (diário online), que se tornou extremamente popular. O Google, gigante da internet, comprou o Blogger e Williams começou a trabalhar diretamente para a empresa. Em pouco tempo, no mês de outubro de 2004, ele juntamente com Biz Stone, na época também um funcionário do Google, deixaram o gigante da internet para fundar uma nova empresa chamada Odeo, que visava oferecer serviços de podcasting, estabelecida na cidade de San Francisco no estado da Califórnia. De acordo com Williams, ele não tinha um interesse pessoal em podcasting, e sob a sua orientação a empresa perdeu o foco por algum tempo. No entanto, um novo produto da empresa estava apenas começando a ganhar força: o TWITTER (que ainda não tinha este nome), um novo serviço de mensagens SMS para pequenos grupos avisando-os sempre sobre “o que você está fazendo”.


A ideia era tornar esse serviço tão simples que o usuário não pensasse no que estava fazendo, bastava apenas digitar algo, e enviá-lo. Essa mudança nos rumos da empresa ocorreu quando o engenheiro de software Noah Glass e o programador Jack Dorsey se juntaram à equipe e começaram a desenvolver novas maneiras para os usuários utilizarem a revolucionária ferramenta, inclusive através de aplicativos de computador como mensagem instantânea e email. Dorsey foi o verdadeiro idealizador do serviço pelo qual as pessoas podiam expressar suas ideias, opiniões e informações em apenas 140 caracteres (isto porque o projeto original era para celular, e muitos não enviavam mais de 160 caracteres em uma mensagem SMS – necessária para postar no serviço de forma móvel. Então, 20 caracteres eram utilizados para escrever o nome de usuário e o resto para o texto em si). A ideia original que foi fonte de inspiração para a criação do TWITTER nasceu em 1992, quando Jack se inspirou no trabalho que fazia: se era possível utilizar tecnologia para taxistas dizerem onde estavam, porque não daria para as pessoas fazerem o mesmo? Quando o serviço se tornou o projeto mais importante da Odeo, Stone e Williams decidiram criar uma nova empresa tendo o TWITTER como produto principal. Williams comprou os direitos da Odeo e do TWITTER de investidores, juntou a empresa e o serviço que já existiam e criou uma nova corporação batizada de Obvious Corporation.


Em março de 2006, a primeira versão do TWITTER, totalmente baseada na web, foi colocada no ar no dia 21. A primeira postagem da história foi a de Jack Dorsey (dono da conta @jack) que publicou “só tô aqui arrumando o meu twttr”. Como era um projeto secreto, os usuários foram limitados exclusivamente para os funcionários da empresa e seus familiares. Ninguém foi autorizado a contatar amigos que trabalhavam em outras empresas. Durante meses, foi conhecido como projeto Top Secret Alpha por causa de produtos concorrentes como o Dodgeball. O nome original do produto foi “twttr” inspirado pelo fato de que as SMS americanas tinham como padronização de códigos de cinco dígitos. Foi quando Stone nomeou o serviço de TWITTER como uma comparação entre a troca de informações em pequenas porções e o gorjear dos pássaros (em inglês “twitter”), argumentando que muitos desses toques se pareciam com os cantos de pássaros (o que explica que a mascote da marca tenha sido escolhida como um simpático passarinho azul).


Finalmente no dia 21 de julho de 2006 o TWITTER foi lançado para o público em geral. Foi nesta época que um dos fundadores, Noah Glass, foi demitido. Ele era o grande engenheiro de software por trás do projeto e talvez o mais apaixonado por ele. Noah se sente traído até hoje e algumas pessoas que contam a história da empresa até acabam deixando ele injustamente de fora. Rapidamente, o sistema de micromensagens online com textos de até 140 caracteres se tornou um verdadeiro sucesso. Esta restrição, em pouco tempo, concretizou definitivamente o TWITTER como um verdadeiro fenômeno. Ao limitar o tamanho dos posts, que inclusive podiam ser enviados pelo celular, a ferramenta saiu na frente dos blogs - mais rápida e prática para postar mensagens - e se adequou definitivamente a um fenômeno descrito como Snack Culture (o consumo de conteúdo cada vez mais rápido e superficial e baseado em um mundo cada vez mais digital). Finalmente, em maio de 2007, se separou da Obvious para se tornar uma empresa: a TWITTER INCORPORATED. Desde então, o TWITTER também vem sendo utilizado como uma eficiente ferramenta de mobilização social e política, especialmente em países submetidos a regimes autoritários. As micromensagens online, junto com o WhatsApp, são hoje a principal forma de comunicação para organizar chamadas flash mobs (protestos instantâneos), que já deram tantas dores de cabeça à governantes de países como o Egito, Filipinas e Bielorrússia.


Na edição de 2007 do festival South by Southwest (SXSW), o TWITTER investiu pesado em propaganda e triplicou a quantidade de mensagens diárias, chegando a 60 mil postagens. E foi nessa época que nasceu a ilustração da baleia levantada por passarinhos, que indicava que os servidores do TWITTER estavam sobrecarregados. Foi uma criação da artista Yiying Lu. E foi daí que surgiu o termo “baleiar”, usado pelos usuários que não conseguem acessar a página. A possibilidade de utilização da famosa #hashtag foi introduzida no TWITTER nesse mesmo ano. Em outubro de 2008, o TWITTER atingiu a marca de 6 milhões de usuários, um crescimento de mais de 600% sobre o ano anterior. Ainda este ano disponibilizou o Verified Accounts, um serviço que atesta a veracidade do perfil de empresas e celebridades. Em março de 2009, o TWITTER anunciou o lançamento de um site de micro-blogs para executivos. Desenvolvido em parceria com a Federated Media e patrocinado pela Microsoft, o ExecTweets exibia os perfis dos executivos mais bem cotados pelos usuários e uma seleção dos melhores posts sobre negócios. Pouco depois, no dia 31 de maio, o TWITTER atingiu a impressionante marca de 15 bilhões de mensagens postadas; e no mês de junho atingiu um total de 44.5 milhões de visitas únicas no mundo todo, comprovando seu enorme sucesso. Além disso, disponibilizou novos recursos, como por exemplo, o TWITTER LIST, um recurso disponível que permite criar listas compartilháveis de usuários.


Pouco depois, o Google e a Microsoft firmaram um acordo com o TWITTER para que as mensagens postadas diariamente pelos milhões de usuários da rede social apareçam nos resultados dos buscadores, tanto do Google, quanto da Microsoft, no caso o Bing. Na época, o Google pagou US$ 15 milhões e a Microsoft US$ 10 milhões e foram os primeiros a fazer experiências com os dados coletados. Além disso, o TWITTER disponibilizou novos serviços, como por exemplo, o compartilhamento de imagens e vídeos nas mensagens eletrônicas (e também abri-los, sem sair da rede social), passando assim a competir com empresas que são terceirizadas para essa tarefa; e um novo serviço de busca. O potencial político do TWITTER foi extremamente importante para popularizar a rede social. Mas só veio mesmo com a Primavera Árabe em 2011. Os protestos em países da África e do Oriente Médio passavam por bastante censura dos governos e a rede social foi muito importante para que as informações chegassem a todo mundo e os grupos conseguissem se organizar.


Repleto de novos usuários, recursos e atualizações, em 2013, o TWITTER abriu seu capital na Bolsa de Valores de Nova York. E esse ano foi marcante, porque foi o primeiro em que a empresa registrou lucro. O TWITTER voltou aos holofotes, em meados de 2015 quando o então candidato a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, era um usuário ativo e postava mensagens bem informais na rede social. Ainda neste ano, começou a implementar a capacidade de anexar perguntas às pesquisas nos tweets. Em 2017 o TWITTER resolveu dobrar o limite de caracteres de 140 para 280 nas mensagens publicadas na rede social, alegando que o objetivo era permitir que os usuários se manifestassem com mais facilidade. Temia-se que isso desvirtuaria a plataforma, fomentando mensagens enormes, mas aconteceu justamente o contrário. De acordo com dados da própria empresa, o tamanho mais comum dos tweets passou de 34 caracteres em agosto de 2017 para 33 caracteres em agosto de 2018. Vale ressaltar, que antes da mudança, apenas 9% dos tweets chegavam a utilizar todos os 140 caracteres disponíveis para publicar mensagens. Em 2019, anunciou o lançamento de uma ferramenta com função e visual similar aos stories do Instagram. Hoje em dia, combater os trolls, usuários com comportamentos agressivos, como racismo ou outros tipos de preconceito, e disseminação de notícias e conteúdos inapropriados, é uma prioridade cada vez maior no TWITTER, ainda que envolva custos maiores e queda no número de usuários.


O sucesso 
Quando o usuário se inscreve no TWITTER pode utilizar o serviço para postar e receber mensagens de uma rede de contatos. Em vez de enviar uma dúzia de emails ou mensagens de texto, pode mandar uma mensagem para sua conta no TWITTER e o serviço a envia para todos os seus amigos e seguidores. Os membros usam o TWITTER para organizar reuniões inesperadas, manter uma conversa em grupo ou simplesmente para enviar uma novidade rápida e contar às pessoas o que está acontecendo. Em razão do grande volume de mensagens curtas, o conceito de rede social se baseia em consumir pílulas de informação sobre seus amigos quase em tempo real, engatando conversas em certas situações que lembram as páginas de recados do Orkut. Atualmente o TWITTER permite que os usuários enviem atualizações pessoais contendo apenas texto com menos de 280 caracteres via SMS, mensageiro instantâneo, email, site oficial ou programa especializado.


Além de relatar suas atividades, o TWITTER pode se transformar em fórum online, com os usuários trocando mensagens entre si após uma pergunta feita por algum deles, por exemplo. Outro ponto favorável do TWITTER é a possibilidade das empresas de aproveitá-lo como uma ferramenta útil e eficiente para pesquisar o que estão falando da sua marca ou do seu produto (através do search twitter), abrir um canal de comunicação e suporte aos seus consumidores, divulgar conteúdos e informações em primeira mão para os consumidores que optarem por te seguir, transmitir ofertas de produtos e promoções e prestar serviço, informando, por exemplo, cancelamento de voos.


A evolução visual 
O TWITTER é um exímio exemplo de branding em tão pouco tempo. Razão pela qual a identidade visual da marca passou por atualizações ao longo dos anos, sendo simplificada. A primeira alteração ocorreu em setembro de 2010, quando foi adotada uma nova tipografia de letra e o principal ícone da marca (o passarinho Larry The Bird) passou a integrar o logotipo. No início do mês de junho de 2012, a marca anunciou que seu ícone (com um design mais minimalista e um tom de azul mais escuro) assumiria o lugar de seu logotipo, passando a representar a identidade visual da marca oficialmente. Afinal, nada representa melhor os serviços oferecidos pelo TWITTER do que o simpático passarinho azul.


Desde o início a marca criou um ícone, um passarinho azul batizado de Larry the Bird, uma homenagem ao lendário jogador de basquete do Boston Celtics Larry Bird. Inicialmente tendo uma imagem infantil, o ícone foi sendo modificado até adquirir uma aparência mais moderna e ligada à tecnologia. Com a atualização em seu design que ocorreu em 2012, o tradicional ícone passou a se chamar TWITTER BIRD.


Os slogans 
It’s what’s happening. (2016) 
What’s happening?


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Lançamento: 21 de março de 2006 
● Criadores: Evan Williams, Biz Stone, Jack Dorsey e Noah Glass 
● Sede mundial: San Francisco, Califórnia, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Twitter Inc. 
● Capital aberto: Sim (2013) 
● Chairman: Omid Kordestani 
● CEO: Jack Dorsey 
● Faturamento: US$ 3.04 bilhões (2018) 
● Lucro: US$ 1.2 bilhões (2018) 
● Valor de mercado: US$ 30.6 bilhões (outubro/2019) 
● Usuários: 328 milhões 
● Acessos: 12º site mais visitado da internet 
● Presença global: 110 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Maiores mercados: Estados Unidos, Japão, Reino Unido e Arábia Saudita 
● Funcionários: 3.900 
● Segmento: Tecnologia 
● Principais produtos: Rede social 
● Concorrentes diretos: Facebook, Snapchat, WhatsApp, Instagram, LinkedIn, Reddit, Pinterest e Tumblr 
● Ícones: O passarinho azul chamado Twitter Bird 
● Slogan: It’s what’s happening. 
● Website: www.twitter.com 

A marca no mundo 
O TWITTER é usado por milhões de pessoas em mais de 110 países ao redor do mundo, tendo como maiores utilizadores os americanos, japoneses, britânicos, sauditas, turcos, brasileiros e indianos. Seus dados de tráfego e usuários (segundo estimativa beira os 328 milhões) são uma caixa-preta. Acredita-se que somente nos Estados Unidos sejam 125 milhões de contas ativas (no mundo, elas chegariam a mais de 200 milhões, 33 milhões delas no Brasil), que geram diariamente mais de 500 milhões de mensagens. O TWITTER está disponível atualmente em mais de 35 idiomas, incluindo o português. Grande parte do faturamento de US$ 3.04 bilhões (dados/2018) vem de anúncios publicitários. Atualmente, o TWITTER tem 9.6% da base mundial de usuários de redes sociais. 

Você sabia? 
Antes do nome oficial, vieram várias ideias, desde “Sea Shells” até “FriendStalker”, “Jitter” e “Status”, que chegou a ser usado em alguns rascunhos. Quem teve a ideia final do nome foi Noah Glass, que achou o termo em um dicionário. A palavra “twitter” significa “uma breve e inconsequente explosão de informações” ou “um barulho feito por pássaros”. 
O ator Ashton Kutcher foi a primeira pessoa que chegou a 1 milhão de seguidores ainda em 2009, vencendo a rede de notícias CNN. Hoje em dia os líderes são Barack Obama (190 milhões), Katy Perry (108 milhões) e Justin Bieber (106 milhões). Essa proximidade com políticos, escritores, atores, atletas e apresentadores, inclusive do Brasil, era e ainda é uma das qualidades da rede social. 
Em 2008, o TWITTER estreou o serviço também em língua japonesa. Já em português o serviço estreou oficialmente em 2011. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Time, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Meio Mensagem), sites de tecnologia (Techmundo), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 4/10/2019

16.2.09

SAMUEL ADAMS®


Nas mãos de habilidosos mestres cervejeiros, água, malte, lúpulo e grãos se transformam em um universo maravilhoso de cores, texturas e sabores. Esta afirmação é extremamente verdadeira quando a marca em questão é a Samuel Adams®, considerada um das melhores cervejas dos Estados Unidos e com grande reconhecimento internacional. 

A história 
Tudo começou quando Jim Koch (imagem abaixo), sexta geração de uma família de cervejeiros oriunda da Alemanha, como resposta as grandes cervejarias americanas, que estavam deixando a desejar no quesito qualidade, em detrimento ao volume de produção, resolveu fundar, juntamente com Rhonda Kallman, a Boston Beer Company, uma pequena empresa de cerveja artesanal na cidade de Boston, estado americano do Massachusetts. Jim decidiu, com a ajuda de Joseph Owades, considerado nos Estados Unidos o “pai das cervejas light”, desenvolver uma cerveja utilizando uma fórmula de seu tataravô Louis Koch, que ele encontrou no sótão do pai no início dos anos 1980. A intenção era colocar no mercado algo diferente do exército de insípidas loirinhas que dominava (e ainda domina) o mercado do norte do país. Produziu o primeiro barril da nova cerveja utilizando apenas os melhores ingredientes na cozinha de sua casa no ano de 1984.
  

Finalmente no dia 15 de abril de 1985, em pleno feriado do Dia do Patriota, a pequena empresa lançou no mercado a cerveja Samuel Adams® Boston Lager, uma lager (cerveja de baixa fermentação) de cor âmbar clara, com belo perfume (bem marcado pelo lúpulo), pinceladas florais e paladar equilibrado, encorpado e com um final amargo delicado. Koch batizou a cerveja com o nome de um dos pais da Revolução Americana e do movimento Boston Tea Party (revolta contra o monopólio do chá detido pela Inglaterra), que foi governador de Massachusetts e primo de John Adams, segundo presidente dos Estados Unidos. A nova cerveja era inicialmente produzida sob contrato pela Pittsburgh Brewing Company e vendida em apenas 35 bares e restaurantes da cidade de Boston pelo próprio Jim e sua sócia, Rhonda Kallman.
   

Três meses depois de seu lançamento, a nova cerveja foi eleita a melhor dos Estados Unidos no Great American Beer Festival, um festival onde participaram 93 marcas de cervejas americanas. Samuel Adams® seria eleita a “Melhor Cerveja da América” ​​por quatro anos consecutivos nesse festival e ajudaria a desencadear a revolução da cerveja artesanal nos Estados Unidos. Rapidamente a Samuel Adams® se transformou na campeã de vendas na cidade de Boston e, ao final do primeiro ano, já tinha tinha vendido 500 barris. O sucesso local fez com que a cervejaria, no ano seguinte, ampliasse sua distribuição para todo o estado de Massachusetts e também Connecticut. Vale ressaltar que a marca também construiu uma forte identificação com a comunidade, a ponto de se tornar um símbolo da cidade de Boston.
   

Em novembro de 1985, a Samuel Adams® foi aprovada pela Reinheitsgebot, também conhecida como Lei de Pureza da Cerveja Alemã, e se tornou a primeira cerveja americana vendida na Alemanha. Outro fato marcante na história da marca ocorreu no dia 22 de março de 1986, quando a Casa Branca recebeu sua primeira entrega de Samuel Adams® Boston Lager. A cerveja também foi estocada a bordo do avião presidencial - conhecido como Air Force One -, em Camp David (retiro rural oficial do presidente dos Estados Unidos, localizado nas montanhas de Maryland) e até no camarote presidencial no The Kennedy Center.
  

Visando atender a crescente demanda, em 1988 a empresa construiu uma pequena cervejaria na cidade de Boston, com capacidade para produzir apenas 36 mil barris. E para comemorar tal feito lançou a Samuel Adams® Boston Ale, cerveja de alta fermentação, não pasteurizada, típica da Grã-Bretanha, e que resgatava outra receita do bisavô de Jim Koch. Neste mesmo ano a modesta cervejaria também introduziu a Samuel Adams® Double Bock, primeira cerveja sazonal da marca, extremamente escura e forte (9.5% de teor alcoólico), fabricada com mais de meio quilo de malte em cada garrafa, quase o suficiente para um pão. Nesta época a Samuel Adams® já podia ser encontrada de costa à costa nos Estados Unidos.
   

Ainda em 1988 a Samuel Adams® inovou no mercado ao introduzir nos rótulos de suas cervejas a data legível do frescor (em inglês “Legible Freshness Dating”), garantindo assim que os consumidores saibam que sua cerveja é fresca. A crescente popularidade da cerveja Samuel Adams® levou, em 1989, a produção atingir 7.3 milhões de litros (equivalente a 63.000 barris). Nesse mesmo ano foi aberto o centro de visitante com a possibilidade de visita guiada na então recém-inaugurada cervejaria de Boston.
  

Na década de 1990 a Samuel Adams® começou a introduzir no mercado outros tipos de cerveja, como por exemplo, a Scotch Ale, a Cream Stout, a Porter, além de cervejas várias sazonais, dando início a uma ampla linha de produtos. Entre os lançamentos, estava a Samuel Adams® Triple Bock, introduzida em 1993 como uma cerveja preta rubi rica e não carbonatada, vendida em garrafas azul-cobalto de oito onças com rolha. Sua cor, sabor e ausência de carbonatação a tornavam única entre as cervejas. Com 17% de teor alcoólico, era uma das cervejas mais forte do mundo na época. Mesmo com o aparecimento de mais de 600 cervejarias artesanais, a Samuel Adams® continuou sendo a líder de mercado, produzindo mais de 140 milhões de litros em 1996.
  

Em 1997 Jim Koch retornou à sua cidade natal, Cincinnati, para comprar a Cervejaria Hudepohl-Schoenling, onde seu pai - Charles - havia sido aprendiz na década de 1940. Essa aquisição aumentou consideravelmente a capacidade produtiva da Samuel Adams®. Pouco depois, em 1999, para celebrar o início de um novo milênio, a marca lançou a Samuel Adams® Millennium Ale, cerveja que continha graduação alcoólica de 21%, na época a mais forte do mundo, e da qual foram produzidas apenas 3.000 garrafas, assinadas por Jim Koch. A garrafa nº 1 foi leiloada em um evento beneficente e foi vendida por quase US$ 5.000.
   

Em 2001 a marca lançou um de seus maiores sucessos: Samuel Adams® Light, versão um pouco mais fraca (4% de teor alcoólico) e refrescante da cerveja original, mas sem perder o sabor tradicional de uma autêntica cerveja tipo lager. Depois de experimentar 22 receitas diferentes, Jim aprovou uma digna do nome Sam Adams® Light. Foram necessários mais de dois anos de testes para encontrar uma maneira de alcançar o sabor certo, uma mistura de lúpulos nobres equilibrada com o sabor de caramelo do malte. Em 2005 a empresa investiu milhões de dólares para renovar a cervejaria de Cincinnati, visando atender a crescente demanda por suas cervejas.
  

Em 2009 a marca inovou e surpreendeu o mercado ao lançar a Samuel Adams® Barrel Room Collection, uma coleção composta por três tipos de cervejas maturadas em barris de inspiração belga. A coleção era composta por Stony Brook Red (uma sour/wild ale, inspirada nas belgas flemish oud bruins, com destaque para a maravilhosa acidez e frutas secas, bem como malte torrado e madeira), New World Tripel (de cor dourada, é saborosa e complexa, apresenta aromas de frutas tropicais e especiarias, levemente condimentada) e American Kriek (feita com cerejas que foram descobertas na Hungria e que hoje são produzidas em Michigan, é uma cerveja peculiar, apresentando uma acidez agradável da cereja, juntamente com notas de malte torrado, dulçor e carvalho).
  

Em 2013 a Samuel Adams® lançou a “Sam Can”, uma lata que consumiu investimentos de US$ 1 milhão - sem mencionar dois anos de pesquisa e testes desenvolveu. A lata foi desenvolvida para realçar o sabor da cerveja Boston Lager da marca. Pouco depois, a Samuel Adams® lançaria suas cervejas sazonais também em latas. Em 2016 a cervejaria inovou ao lançar alguns rótulos engarrafados com nitrogênio (Nitro White Ale, Nitro IPA e Nitro Coffee Stout). Essas cervejas possuíam um widget minúsculo chamado de “nitrogenator”, que ao ser ativado com a abertura da lata, empurrava o gás através da cerveja por uma rachadura, fazendo com que a densa espuma criasse um efeito cascata.
  

Como parte de sua busca incansável por uma cerveja melhor, em 2023 a Samuel Adams® Boston Lager - considerada a melhor cerveja artesanal da América - foi remasterizada para se tornar mais suave e brilhante. A receita não mudou. Ocorreu uma evolução no processo de fabricação para reduzir a filtragem adicionando uma prática alemã tradicional de acidificação biológica, resultando em uma cerveja mais brilhante e fácil de beber.
  

Desde o lançamento da cerveja Samuel Adams® no mercado, o segredo de Jim Koch sempre foi vender um pouco de nostalgia. Ele sabia que o mais importante ingrediente da Samuel Adams® era o romance: não era somente o seu sabor que contava, mas também a forma como era vendida, os locais onde se bebia e as embalagens. A sua venda era como um ato de sedução, ainda mais justificado pela ligeira diferença de preço que o consumidor paga por ela: se é mais cara é com certeza melhor. Afinal, a Samuel Adams® ajudou a começar uma revolução da cerveja artesanal que redefiniu a maneira como as pessoas pensam sobre cerveja.
  

A linha do tempo 
1989 
Lançamento da Samuel Adams® Octoberfest, cerveja rica com profunda tonalidade cobre, resultado da mistura de cinco tipos de malte para criar um harmonioso equilíbrio entre o doce e o elegante amargor, resultado do lúpulo alemão Hallertau. É produzida somente durante os meses de agosto e outubro. 
Lançamento da Samuel Adams® Winter Lager, uma cerveja bock de trigo escuro levemente temperada com canela moída na hora, gengibre e casca de laranja para um sabor profundo e suave, com um final maltado. 
1990 
Lançamento da Samuel Adams® Cranberry Lambic, cerveja com forte e acentuado sabor de frutas, resultado de um processo especial de fermentação. 
1991 
Lançamento da Samuel Adams® Cream Stout, cerveja de coloração marrom escuro e sabor de chocolate e café, que possuía um paladar equilibrado de amargor com malte. 
1995 
Lançamento da Samuel Adams® Scotch Ale, cerveja de coloração avermelhada feita utilizando lúpulos ingleses. 
Lançamento da Samuel Adams® Old Fezziwig Ale, cerveja com teor alcoólico de 5.9% e que possuía em sua composição uma combinação única de temperos. É produzida somente entre os meses de novembro e janeiro, sendo especialmente vendida para as noites frias de inverno no final de ano americano. 
Lançamento da Samuel Adams® Summer Ale, cerveja saborosa e totalmente refrescante, de caráter cítrico crocante do lúpulo Noble. 
1996 
Lançamento da Samuel Adams® Golden Pilsner, clássica Pilsner de estilo alemão produzida com malte dourado para uma doçura sutil e lúpulos Hallertau e Tettnang para um caráter floral. 
1999 
Lançamento da Samuel Adams® Pale Ale, cerveja de alta fermentação e coloração âmbar, ideal para acompanhar carnes suínas e de carneiro. 
2002 
Lançamento da Samuel Adams® Honey Porter, cerveja tipo porter, com aromas e sabores pronunciados de chocolate e café. 
2003 
Lançamento da Samuel Adams® Hefeweizen, cerveja de trigo de coloração extremamente dourada. 
Lançamento da Samuel Adams® Chocolate Bock, cerveja de edição limitada que utiliza uma mistura de chocolates Scharffen Berger em sua composição, feita em parceria com o famoso chocolatier suíço Felchlin. 
2004 
Lançamento da Samuel Adams® Black Lager, cerveja que possui um leve creme consistente, mas pouco persistente. No aroma e no paladar, o que marca é o caramelo e o malte tostado. 
2005 
Lançamento da Samuel Adams® Brown Ale, cerveja de coloração avermelhada, com espuma bege e notas de café e malte torrado. 
2008 
Lançamento da Samuel Adams® Irish Red, cerveja de estilo irlandês, conhecido pelo seu notável equilíbrio, de inconfundível cor vermelha e sabor distintivo de caramelo. 
Lançamento da Samuel Adams® Blackberry Witbier, cerveja que utiliza em sua fermentação blackberries (espécie de amoras pretas). 
2010 
Lançamento da Samuel Adams® Infinium, cerveja desenvolvida em colaboração com a Weihenstephan, a cervejaria mais antiga do mundo. Parecida com champanhe - com bolhas finas e um aroma frutado e picante - essa cerveja levou dois anos para ser desenvolvida. 
Lançamento da Samuel Adams® Revolutionary Rye® Ale, cerveja ale de tom avermelhado profundo com bom equilíbrio de sabores doces e picantes. 
2012 
Lançamento da Samuel Adams® Porch Rocker®, cerveja Helles dourada, com uma mistura única de limões, sendo ideal para dias mais quentes. 
2016 
Lançamento da Samuel Adams® Cold Snap®, uma cerveja estilo whiteale turva com um toque cítrico e uma mistura de dez frutas e especiarias. 
2020 
Lançamento da Samuel Adams® Jack-O Pumpkin Ale, cerveja de trigo iluminada pelos sabores do outono como canela, noz-moscada e especiarias dessa estação. 
2021 
Lançamento da Samuel Adams® Wicked Hazy, cerveja estilo IPA com aroma de frutas frescas como laranja, manga e abacaxi. 
Lançamento da Samuel Adams® Just the Haze, cerveja estilo IPA sem álcool. 
2024 
Lançamento da Samuel Adams® American Light, cerveja leve, refrescante, saborosa e fácil de beber, perfeita para ocasiões diárias de consumo.
   

A grande estrela 
Em fevereiro de 2002 a cervejaria lançou no mercado a Samuel Adams® Utopias®, que iria se transformar na grande vedete da marca. Foi introduzida no mercado em embalagens de cerâmica - cujo acabamento levava 3% de ouro puro, e que lembravam os fermentadores que são utilizados há centenas de anos por cervejeiros. Com teor alcoólico de 24%, já foi apontada como a cerveja mais forte do mundo (listada no Livro Guinness de Recordes). O processo de produção desta cerveja pode levar até 12 anos, dando a ela ricos sabores provenientes do amadurecimento em barris de uísque, conhaque e vinho do Porto. No copo, o felizardo vai encontrar uma cerveja totalmente atípica. Uma bebida extremamente complexa - sem nenhuma carbonação - cujo liquido é denso e de coloração acobreada. No aroma e paladar, muito malte, vinho do Porto, conhaque, frutas (uvas, cereja), floral, doce, caramelo.
  

O sucesso inicial da cerveja fez com que a Samuel Adams® lançasse outras edições em 2005, 2007 (quando seu teor alcoólico foi aumentado para 27%), 2012, 2013, 2015, 2017, 2019 (com teor alcoólico de 28%), 2021 e 2023. Atualmente é considerada uma das cervejas mais cara do mundo, com preço sugerido de US$ 210 a garrafa de 750 ml. E a produção é limitada à no máximo 13 mil garrafas a cada dois anos. Definitivamente não é uma cerveja comum. Extremamente forte, a cerveja deve ser consumida em temperatura ambiente, em copo de conhaque, em doses de 60 ml. Devido a restrições legais, a Samuel Adams® Utopias® não é vendida nos estados do Alabama, Arkansas, Geórgia, Idaho, Missouri, Mississippi, Montana, New Hampshire, Carolina do Norte, Oklahoma, Oregon, Carolina do Sul, Utah, Vermont e Virgínia Ocidental.
  

O ícone 
Em março de 2005 a Samuel Adams® resolveu desenvolver um copo sob medida para a melhor experiência na degustação de suas aclamadas cervejas. O copo foi desenvolvido em colaboração com engenheiros do MIT e especialistas sensoriais de renome mundial, que trabalharam em conjunto com Jim para identificar recursos de design funcional para realçar os principais atributos da Samuel Adams® Boston Lager: fornecer doçura do malte; maximizar o aroma e o sabor do lúpulo; manter a temperatura ideal; dar suporte a uma espuma rica e cremosa; e sustentar a quantidade certa de carbonatação. O resultado foi o “pint perfeito” (em inglês “Perfect Pint”), um copo com curvatura para manter a liberação constante de bolhas, paredes mais finas para manter a temperatura da cerveja, mais curvas para conservar o aroma do lúpulo e maximizar a doçura do malte.
   

O bar dos patriotas 
Em 2017 a empresa inaugurou na cidade de Boston, próximo a sua cervejaria, o primeiro Samuel Adams® Taproom, uma espécie de bar/restaurante com decoração rústica urbana, com direito à longas mesas de madeiras e paredes de tijolo. O local oferece aproximadamente 20 torneiras de chopes e diversos tipos e estilos de cervejas da Samuel Adams®, acompanhadas por um cardápio repletos de petiscos como pizzas, hambúrgueres, sanduíches, batatas-frita, hot-dogs, asinhas de frango, pretzels, saladas e sobremesas deliciosas. O Samuel Adams® Taproom fez tanto sucesso que outra unidade foi inaugurada em 2018 na cidade Cincinnati e, mais recentemente em 2020, uma nova unidade no centro da cidade de Boston.
  


A evolução visual 
A Identidade visual da marca Samuel Adams® passou por apenas duas remodelações ao longo dos anos. Após passar por uma remodelação radical em 2016, onde o logotipo ganhou nova forma é o ícone do tradicional copo da marca, a atual identidade visual foi adotada em 2019, totalmente modernizada (com novas cores) e mais limpa.
  

Dependendo da situação, o atual logotipo da marca Samuel Adams® pode ser aplicado de diferentes maneiras, como mostra a imagem abaixo.
  

Os slogans 
It’s Sam Season. (2024) 
Now It’s a Party. (2022) 
From Boston With Love. (2020) 
Toast Someone. (2020) 
Brewed Inefficiently Since 1984. (2019) 
Brewed Inefficiently. (2018) 
Refreshing. Flavorful. Craft. (2018) 
Fill Your Glass. (2017) 
Know More, Love More. (2015) 
Be Original. Stay Independent. (2014) 
Declare Your Independence. (2013) 
Declare Your Independence From Common Beer. (2013) 
For the love of beer®. (2012) 
Take pride in your beer. (2006) 
Always a good decision. (2003) 
A better glass of beer. (1996)
  

Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Lançamento: 15 de abril de 1985 
● Criador: Jim Koch 
● Sede mundial: Boston, Massachusetts, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: The Boston Beer Company Inc. 
● Capital aberto: Não 
● Chairman: Jim Koch 
● CEO: Michael Spillane 
● Faturamento: US$ 1 bilhão (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: 35 países 
● Presença no Brasil: Não 
● Segmento: Cervejarias 
● Principais produtos: Cervejas artesanais 
● Concorrentes diretos: Goose Island, Lagunitas, Blue Moon, Leinenkugel, New Belgium, Dogfish Head, Bell’s, Harpoon, Founders, Sierra Nevada e Michelob 
● Ícones: Samuel Adams® Utopias® 
● Slogan: It’s Sam Season. 
● Website: www.samueladams.com 

A marca no mundo 
Atualmente a Samuel Adams® oferece mais de 20 variedades de cervejas, estando presente em 50 estados americanos e exportando para mais 35 países ao redor do mundo. Samuel Adams® possui três cervejarias próprias, localizadas nas cidades de Boston, Cincinnati e Lehigh Valley, na Pensilvânia. Anualmente a Samuel Adams® - que já conquistou mais de 3.800 prêmios nacionais e internacionais - produz mais de 2.7 milhões de barris por ano e fatura estimados US$ 1 bilhão. 


Você sabia? 
Em algumas situações a marca abrevia seu nome, utilizando apenas Sam Adams®, como ficou carinhosamente conhecida por seus fiéis apreciadores. 
Desde 2018 a Samuel Adams® é a cerveja oficial da tradicional equipe de beisebol do Boston Red Sox. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Exame), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 


Última atualização em 21/8/2024 

O MDM também está no Instagram. www.instagram.com/mdm_branding/

SUN-MAID


As familiares embalagens vermelhas com a imagem de uma camponesa sorridente segurando uma cesta cheia de uvas-passa podem ser vistas em quase todas as lojas de alimentos dos Estados Unidos, desde uma enorme rede de supermercado a uma mercearia de bairro. Em embalagens práticas, as uvas-passa SUN-MAID se transformaram em um dos produtos mais populares no segmento alimentício, fazendo com que gerações e gerações possam experimentar as propriedades naturais e energéticas das pequenas uvas secas. 

A história 
O desenvolvimento da indústria de uvas-passa e frutas secas no estado americano da Califórnia foi posterior a 1849, quando a agricultura se transformou na chamada “segunda corrida do ouro”. Á medida que as uvas-passa se transformaram em um cultivo comercialmente viável, se desenvolvendo perfeitamente bem no solo e forte sol da Califórnia, os acres de cultivos se expandiram rapidamente, e muitos agricultores passaram a viver dessa atividade. Até 1912, o enorme crescimento descontrolado dessa atividade estava causando uma grande flutuação no abastecimento e também nos preços. Foi então, que um grupo de agricultores do Valle de San Joaquin, comandados pelos fazendeiros H.H. Welsh e James Madison, se organizou para estabelecer a California Associated Raisin Company, uma cooperativa que tinha como objetivo tornar o produto comercialmente mais viável e sua distribuição e venda bem mais organizada.


Três anos depois, a cooperativa criou a marca SUN-MAID, sugestão do gerente de publicidade local E.A. Berg, para comercializar suas uvas-passas produzidas por 6.000 agricultores do estado da Califórnia. O nome SUN-MAID simbolizava perfeitamente as uvas sendo naturalmente secas sob o sol escaldante do estado americano. Para ajudar a espalhar a nova notícia, um trem foi enviado para a cidade de Chicago com faixas proclamando: “Passas cultivadas por 6.000 agricultores da Califórnia”. No mês de maio do ano seguinte, os dirigentes da cooperativa descobriram uma jovem, Lorraine Collett Petersen, cuja cara sorridente, roupas típicas de uma agricultora e um cesto de uvas-passa, se transformaria em sinônimo de uvas-passa californianas ao integrar sua figura ao logotipo da marca SUN-MAID. Ainda neste ano as uvas-passa da marca foram lançadas no Reino Unido. Em 1918, a fábrica de processamento havia se tornada pequena demais para tamanha demanda, e a empresa inaugurou uma segunda unidade na cidade de Fresno, também no estado da Califórnia.


Pouco depois, em 1920, as deliciosas uvas-passas SUN-MAID começaram a serem embaladas manualmente em caixas de porções individuais. Nesta época, mais de 85% dos produtores de uvas-passa da Califórnia faziam parte da cooperativa, que trocou seu nome para SUN-MAID RAISIN GROWERS OF CALIFORNIA, em 1922, tendo como objetivo uma maior identificação com a marca já reconhecida em todo o país. Como forma de promover seus produtos, a SUN-MAID iniciou o lançamento de pequenos livros de receitas que utilizassem uvas-passa como ingrediente e promoveu o produto dizendo que o consumo era saudável, energético e vigoroso. A partir de meados desta década, Lorraine Collett e outras “garotas do sol” começaram a fazer aparições por algumas cidades californianas para divulgar as uvas-passa da SUN-MAID distribuindo amostras grátis para degustação.


Na década de 1930 a empresa reforçou a comunicação voltada para as donas de casa, divulgando os múltiplos usos das uvas-passa em diversas e saborosas receitas. Durante a Segunda Guerra Mundial, a cooperativa firmou um contrato com a empresa H.J. Heinz Company, que passou também a distribuir seus produtos, ajudando a SUN-MAID atravessar um período difícil que o mundo vivia. O enorme crescimento da empresa no período pós-guerra culminou, em 1964, com a inauguração de uma terceira e moderna fábrica na cidade de Kingsburg, localizada no interior do estado da Califórnia. A década de 1970 foi marcada por um período de grandes dificuldades para a cooperativa em virtude das geadas ocorridas em 1972, e depois das fortes e constantes chuvas que destruíram as plantações de uvas no vale de San Joaquin entre 1976 e 1978. Mas também de novidades, como o lançamento de damascos e ameixas secas.


A SUN-MAID iniciou o ano de 1980 com novidades, começando pelo lançamento do pão com uvas-passa com a marca e, pouco depois, com a famosa embalagem cartonada para suas uvas-passa. Em meados desta década a tradicional SUN-MAID GIRL já não era o único símbolo de reconhecimento da marca. Isto porque a California Raisin Industry lançou em 1986 uma enorme campanha publicitária que continha um grupo de simpáticas uvas-passa dançantes (animadas por computação gráfica), que durante anos arrancou sorrisos de milhões de telespectadores americanos. Essa campanha tinha o objetivo de aumentar a popularidade e a demanda por uvas-passa da Califórnia. A marca SUN-MAID, assim como toda a indústria de uvas-passa se beneficiaram deste sucesso e aumentaram sua popularidade. Em 1988, a marca apresentou uma nova embalagem para as uvas-passa (agora embaladas em sacos selados que podiam ser fechados depois do consumo mantendo o produto sempre fresco).


Nos anos seguintes a cooperativa formou uma divisão de licenciamento com o objetivo de vender os produtos da marca SUN-MAID para indústrias de confeitarias e outras empresas. O resultado desta nova divisão pode ser visto nos anos seguintes, quando novos produtos, baseados em uvas-passa, foram lançados no mercado: sucos, iogurtes, bolachas, muffins e chocolates com uvas-passa (este lançado em 1995). No final da década de 1990, a linha de frutas secas foi ampliada com a adição de maçãs, figos, peras, cerejas, entre outras variedades. Em 2005, como forma de atender as necessidades e desejos dos consumidores, a SUN-MAID lançou no mercado uma linha de uvas-passa orgânicas. Mais recentemente, a SUN-MAID introduziu no mercado novos produtos como as uvas-passa cobertas de iogurte, mergulhadas em chocolate amargo, baunilha, creme de laranja, entre outros ingredientes. Atualmente a SUN-MAID continua a desenvolver produtos saborosos e agradáveis, como por exemplo, o SUN-MAID SOUR RAISIN SNACKS, único lanche com uvas-passa azedas com sabores como morango, uva, melancia e frutas vermelhas.


A “garota do sol” 
Desde 1916, a marca utiliza em suas embalagens e logotipo a famosa figura de uma camponesa sorridente (com uma inconfundível touca vermelha) segurando uma cesta repleta de uvas-passa na frente de um sol escaldante (conhecida como “SUN-MAID GIRL”). O retrato original, de uma mulher chamada Lorraine Collet Petersen, então com 22 anos, foi pintado pelo artista Fanny Scafford em 1915. O artista experimentou uma variedade de posições e adereços, finalmente encontrando a pose icônica da garota com uma bandeja de uvas transbordando e um raio de sol brilhante no fundo. Esta imagem foi adaptada para a caixa de uvas-passa SUN-MAID no ano seguinte, passou por inúmeras atualizações ao longo dos anos, porém, sem mudar os traços de um dos símbolos mais reconhecidos dos Estados Unidos no segmento de alimentos e snacks.


A primeira atualização ocorreu em 1923 (quando a personagem ganhou um enorme sorriso), seguida por duas outras, em 1956 e 1970, quando o artista John Lichtenwalner utilizou as versões anteriores para criar uma versão mais limpa da personagem (cores mais brilhantes e um sol geométrico, com o nome da marca impresso em amarelo, para uma sensação mais quente). O modelo para o retrato atualizado era uma jovem atriz chamada Liz Weide, que se mantém até os dias de hoje.


Em maio de 2006, o famoso símbolo ganhou ares mais modernos com uma versão totalmente digitalizada, e pela primeira vez em 90 anos, a personagem saiu das embalagens para ganhar vida em uma versão de animação feita por computador. Lorraine Petersen morreu aos 90 anos de idade, em 1983. Ela se aposentou como enfermeira na cidade californiana de Fresno, depois de tentar carreira de atriz (participou como figurante apenas de um filme em 1936).


Acompanhe abaixo a evolução desse ícone nas embalagens de seu principal produto.


A evolução visual 
A identidade visual da marca por algumas atualizações em sua história. Em 1914 surgiu oficialmente a marca SUN-MAID, dentro de uma forma oval com fundo vermelho. Em 1915 o principal símbolo de reconhecimento da marca, conhecido como a “garota do sol”, passou a fazer parte do logotipo oficialmente. Esse logotipo passaria por três remodelações até 1970.


Nos últimos anos, o tradicional logotipo foi apenas modernizado. Em sua última versão ganhou a frase “Growers Of California”.


Nas embalagens das tradicionais uvas-passa o logotipo da marca é aplicado como mostra a imagem abaixo.


Os slogans 
Remember Childhood? Remember Sun-Maid. (2019) 
Just Grapes & Sunshine®. (2006) 
Only the best under the Sun. (2000) 
Sweet By Nature. (década de 1990) 
Nature’s Candy. (década de 1980)


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 1912 
● Fundador: H.H. Welsh e James Madison 
● Sede mundial: Kingsburg, Califórnia, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Sun-Maid Growers of California Inc. 
● Capital aberto: Não (cooperativa) 
● CEO: Harry Overly 
● Faturamento: US$ 362 milhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: 60 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 600 
● Segmento: Alimentos 
● Principais produtos: Uvas-passa e frutas secas 
● Concorrentes diretos: Dole Food, Sunsweet, Lion Raisins, National Raisin Company e Champion Raisins 
● Mascote: A Sun-Maid Girl 
● Slogan: Just Grapes & Sunshine®. 
● Website: www.sun-maid.com 

A marca no mundo 
A SUN-MAID comercializa uvas-passa e produtos derivados, além de frutas secas (como ameixa, tâmara, cranberrie, maçã, pêssego, morango, manga, abacaxi, figo, damasco, entre outras) em todo território americano, exportando também para mais de 60 países ao redor do mundo. A produção de uvas-passa e frutas secas (desidratadas) vem de mais de 750 agricultores que cultivam uvas em um raio de 160 km da fábrica de processamento. As uvas-passa SUN-MAID são cultivadas no Vale Central da Califórnia, a meio caminho entre Los Angeles e San Francisco, uma região conhecida por seu clima mediterrâneo único, perfeito para o cultivo de uvas e a secagem para fazer passas. 

Você sabia? 
Boa parte das uvas-passas SUN-MAID é produzida com uvas da variedade Thompson sem sementes (95%). Esta uva é de pele fina, doce e muito saborosa. É preciso aproximadamente 2 kg de uvas para fazer 500g de uvas-passas. Aproximadamente 97% da produção de uva-passa da marca são secas naturalmente (ao sol, sem uso de aditivos químicos), e apenas 3% são desidratadas mecanicamente. Outras variedades de uvas também são utilizadas, como por exemplo, Fiesta, Flame e Zante. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 29/8/2019