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6.8.06

BUNGE


A expressão “já que” resume a filosofia de negócios da BUNGE ao longo de dois séculos de história. A estratégia poderia ser descrita assim: “já que” beneficiamos soja, vamos processá-la; “já que” esmagamos o grão, vamos refinar o óleo; “já que” compramos soja do produtor, vamos vender fertilizantes. E de “já que” em “já que”, a BUNGE se tornou uma das maiores e mais poderosas empresas do agronegócio do planeta, sempre preocupada com um dos maiores desafios do mundo contemporâneo: garantir de forma sustentável a alimentação para uma população em constante crescimento. 

A história 
A história começou em 1818 com a fundação da Bunge & Co., na cidade de Amsterdã, por um negociante de origem alemã chamado Johann Peter Gotlieb Bunge, para comercializar grãos e produtos importados das colônias holandesas. Alguns anos depois, por questões estratégicas, a sede da empresa foi realocada para a cidade portuária de Roterdã e foram abertas subsidiárias em outros países europeus, iniciando assim sua expansão internacional. Em 1859, a convite do rei do recém-criado Reino da Bélgica, a BUNGE transferiu sua sede para Antuérpia, tornando-se o braço comercial da expansão internacional do novo Reino. Neste momento, a empresa iniciou negócios com a Ásia e a África, já sob o comando de Edouard Bunge, neto do fundador. Em 1876, Ernest Bunge, irmão de Edouard, se mudou para a Argentina, onde, com outros sócios, criou em 1884 uma empresa coligada com o nome de Bunge Y Born, que tinha como principal objetivo participar do mercado de exportação de grãos do país.


A chegada ao Brasil aconteceu em 1905, quando a BUNGE participou, ainda que minoritariamente, do capital da S.A. Moinho Santista Indústrias Gerais, empresa de compra e moagem de trigo localizada na cidade de Santos, litoral do estado de São Paulo. Era o início de uma rápida expansão no país, adquirindo diversas empresas nos ramos de alimentação, agronegócio, químico e têxtil, entre outros. Alguns anos depois, em 1923, a empresa desembarcava nos Estados Unidos, para comercializar commodities agrícolas. Em plena Grande Depressão Econômica que assolava a economia americana, no ano de 1935 a empresa comprou sua primeira instalação de grãos de grande porte, adjacente a um terminal ferroviário em Minneapolis, estado de Minnesota, acrescentando instalações físicas às suas capacidades de comercialização de grãos. No Brasil, em 1997, adquiriu a Ceval Alimentos, então líder no processamento de soja e produção de farelo e óleos, e também a IAP, tradicional empresa brasileira de fertilizantes. No ano seguinte, comprou a Fertilizantes Ouro Verde, fortalecendo definitivamente seus negócios neste setor. Nesta década a BUNGE concentrou sua atuação mundial em três áreas, que se complementam: fertilizantes, grãos e oleaginosas e produtos alimentícios. Dentro de sua estratégia de crescimento, a empresa criou, em 1998, a BUNGE GLOBAL MARKET, atual BUNGE GLOBAL AGRIBUSINESS, uma empresa de atuação mundial especialmente voltada ao cliente e responsável pelo comércio internacional de commodities. Com ela, a BUNGE passou a ter acesso aos mercados mais promissores do mundo e ampliou consideravelmente sua presença internacional, firmando-se cada vez mais como uma empresa globalizada.



No ano seguinte a empresa mudou sua sede para White Plains, uma pequena cidade no subúrbio de Nova York, para ficar mais próxima dos centros financeiros mundiais. Em 2000, ocorreu outra importante aquisição da BUNGE no Brasil, quando comprou a indústria de fertilizantes Manah, tradicional empresa fundada em 1947 e uma das maiores do setor na época. No mesmo ano, decidiu fortalecer suas empresas de fertilizantes e alimentos no Brasil. Surgiu, então, em agosto, a BUNGE FERTILIZANTES, união da Serrana, Manah, Iap e Ouro Verde e, em setembro, a BUNGE ALIMENTOS, união da Ceval e da Santista. Em 2001, no Brasil, a BUNGE reestruturou o capital acionário das empresas Bunge Alimentos e Bunge Fertilizantes, criando a Bunge Brasil S.A. A nova empresa nascia como a maior produtora de fertilizantes da América do Sul, maior processadora de trigo e soja da América Latina e maior fabricante brasileira de margarinas, óleos comestíveis, gorduras vegetais e farinhas de trigo.


Em 2001, na Argentina, adquiriu a La Plata Cereal, uma das maiores empresas de agronegócio do país, com atividades no processamento de soja, industrialização de fertilizantes e instalações portuárias. Com a aquisição, a BUNGE tornou-se a maior processadora de soja do país portenho. No ano seguinte, iniciou a compra do controle acionário da Cereol, empresa de agronegócio com forte atuação na Europa e Estados Unidos. Com essa aquisição, ampliou seus negócios na área de ingredientes, fortaleceu sua atuação no setor de óleos comestíveis e abriu acesso a novas áreas de negócio, como o biodiesel. Em 2003, anunciou uma aliança com a DuPont, com o objetivo de fazer crescer seus negócios nas áreas de alimentos e nutrição de forma significativa. Surgiu com essa aliança a Solae, empresa que atua na área de ingredientes funcionais de soja. Neste mesmo ano, unificou suas marcas e lançou a Bunge Pro para o segmento de produtos profissionais (margarinas, farinhas, gorduras).


Nos últimos anos a BUNGE investiu bilhões de dólares e se tornou um importante competidor no setor de açúcar, etanol e bioenergia. Em 2011, a empresa abriu novas unidades em portos nos Estados Unidos, Polônia e Ucrânia e adquiriu unidades também na China e na Argentina, tipo de atuação que diminuiu a dependência dos preços das commodities e que conduziu o avanço nos negócios também nos demais países onde a BUNGE opera atualmente. Por toda essa história, há dois séculos a BUNGE tem ajudado a alimentar o mundo ao conectar pessoas, mercados, países e culturas ao redor do mundo.


Os slogans 
At Home Everywhere. 
From farm to your table. 
Do campo à sua mesa.


Dados corporativos 
● Origem: Holanda 
● Fundação: 1818 
● Fundador: Johann Peter Gotlieb Bunge 
● Sede mundial: White Plains, Nova York, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Bunge Limited 
● Capital aberto: Sim (2001) 
● CEO: Soren Schroeder 
● Faturamento: US$ 45.7 bilhões (2017) 
● Lucro: US$ 174 milhões (2017) 
● Valor de mercado: US$ 9.6 bilhões (outubro/2018) 
● Presença global: 150 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Maiores mercados: Europa, Estados Unidos e Brasil 
● Funcionários: 31.000 
● Segmento: Agricultura e indústria alimentícia 
● Principais produtos: Fertilizantes, alimentos e bioenergia 
● Concorrentes diretos: Cargill, Archer Daniels Midland, Louis Dreyfus Company, Tyson Foods, ConAgra Foods, Tate & Lyle e M. Dias Branco 
● Slogan: At Home Everywhere. 
● Website: www.bunge.com.br

A marca no Brasil 
Embora a soja seja a grande estrela dentro do portfólio da empresa, a estreia no Brasil aconteceu por conta do trigo. A história começou em 1905, quando a BUNGE se associou a um grupo de empresários de Santos, no litoral de São Paulo, para financiar a instalação do primeiro moinho de trigo da cidade, o Moinho Santista. Em 1923, fundou a SANBRA (Companhia Algodoeira do Nordeste Brasileiro), sua primeira empresa de processamento de oleaginosas no Brasil. Em 1929, lançou o óleo vegetal de algodão com a marca Salada, primeiro no Brasil para uso culinário. Este lançamento inovador provocou mudanças nos hábitos alimentares dos brasileiros, até então acostumados a consumir banha de porco ou o azeite de oliva importado. Em 1934, realizou seu primeiro embarque de exportação, com uma carga de algodão em pluma para a Europa. Pouco depois, em 1938, ingressou no segmento de fertilizantes e se tornou fornecedora para muitos fazendeiros. No ano de 1956 inovou mais uma vez ao lançar as primeiras misturas preparadas para bolos e salgados. E dois anos mais tarde, seu primeiro óleo de soja com a marca Primor. Pouco depois, em 1959, lançou a margarina Delícia, a primeira distribuída em veículos com isolamento térmico e com prazo de validade na embalagem. E foi nesta década que a BUNGE iniciou, pioneiramente, as pesquisas, o comércio, a industrialização e o fomento da soja a partir do Rio Grande do Sul, e que a tornou uma empresa inovadora no relacionamento comercial e na prestação de serviços, bem como líder no agronegócio brasileiro. A soja só ganharia grande importância para empresa na década de 1970. Ali começava uma forte expansão na cultura da oleoginosa. Em 1973 a BUNGE inovou ao lançar a Mila, primeira margarina de milho do mercado brasileiro. Em 1987, lançou as inéditas pré-misturas para panificação Pré-Mescla, além de introduzir no mercado a Cukin Fry, uma gordura vegetal de alta qualidade, para uso em frituras industriais e para o segmento de Food Service, além da margarina Ricca, destinada ao mercado de panificação e confeitaria.


Nos anos de 1990, a abertura da economia exigiu um grande redimensionamento da BUNGE no país. Naquela época, a empresa era um imenso conglomerado que incluía indústrias, banco, corretora, imobiliária, processamento de dados, produção de computadores entre outras atividades. A empresa chegou a controlar mais de 130 empresas no Brasil – entre elas a Tintas Coral e a Vera Cruz Seguradora. Tamanha diversificação ao longo do tempo cobrou seu preço. A BUNGE havia se tornado um mamute complexo e vagaroso. A empresa então decidiu voltar a suas origens no agronegócio. Vendeu boa parte dos ativos que nada tinham a ver com o campo e passou a comprar empresas que reforçassem sua posição. É dessa nova fase que vieram as aquisições no setor de fertilizantes. Marcas fortes no campo como IAP, Ouro Verde e Manah foram adquiridas. Curiosamente, essa era uma área que deveria ser limada dentro do portfólio da empresa durante a reestruturação. Mas todo esse gigantismo não veio de graça. A BUNGE tem fama de ser truculenta nas negociações com fornecedores. Frequentemente, por exemplo, é apontada como uma das vilãs das crises que espremem a renda dos produtores de soja. No final de 2011 a empresa adquiriu a divisão de alimentos da Hypermarcas, adicionando assim ao seu portfólio marcas consagradas, como por exemplo, Etti e Salsaretti, além de uma extensa linha de produtos nos segmentos de molhos e extrato de tomate, caldos, molhos e temperos, pratos prontos e instantâneos. Em 2013, a empresa vendeu sua divisão de fertilizantes no Brasil para a Yara International.


A BUNGE possui três segmentos de negócios extremamente vitais: 
Agronegócio: responsável pela compra de grãos e oleaginosas de agricultores; transporte, armazenagem e venda de matérias-primas aos clientes finais nos mercados domésticos e de exportação; processamento de oleaginosas para a produção de farelos e óleo vegetal bruto para venda para produtores de gado, produtores de ração animal, Food Service, indústria de biocombustível e outros clientes. 
Alimentos e ingredientes: oferece um amplo portfólio de produtos para atender às necessidades de seus consumidores e clientes. Marcas como Delícia (margarinas), Soya (óleos de soja, óleo de soja com canola, maionese e margarina), Primor (arroz, atomatados, maionese, margarina, óleo de soja e gordura vegetal), Salada (óleos de sementes especiais e maioneses), Cardeal (azeites), La Española (azeites), Salsaretti (molhos de tomate), Etti (caldos, temperos e molhos), Cukin e Pré-Mescla estão profundamente ligadas não apenas à história econômica brasileira, mas também aos costumes, à pesquisa científica, ao pioneirismo tecnológico e à formação de gerações de profissionais. Além disso, oferece um portfólio completo para indústrias de alimentos: biscoitos, massas, pães, bolos, sorvetes, balas e confeitos, frituras, snacks, dentre outras. 
Açúcar e bionergia: é uma das empresas líderes na produção de etanol, açúcar e bioenergia no Brasil, em termos de capacidade de moagem. Possui oito usinas estrategicamente localizadas nas regiões sudeste, norte e centro-oeste do país. Cinco de suas usinas formam um cluster, gerando economias de escala e sinergias para o negócio. Com 22 milhões de toneladas métricas de capacidade de moagem por ano, tem a flexibilidade de produzir um mix estratégico de etanol e açúcar para atender as demandas de seus clientes e aproveitar a dinâmica de preços do mercado.


Atualmente a subsidiária brasileira, uma das mais importantes do grupo no mundo, fatura mais de R$ 40 bilhões, emprega 20.000 pessoas e possui mais de 100 unidades entre fábricas, instalações portuárias, usinas, moinhos, centros de distribuição e silos, instalados em 17 estados do país. Além disso, a empresa compra de aproximadamente 20 mil produtores rurais um volume em torno de 20 milhões de toneladas de grãos, entre soja, milho, trigo, caroço de algodão, sorgo e girassol, e se relaciona regularmente com clientes em quase 30 países. É a maior processadora de trigo da América Latina, comprando e beneficiando aproximadamente 2 milhões de toneladas do grão por ano. Além disso, a BUNGE produz etanol suficiente para abastecer aproximadamente 240 mil veículos por mês. Os produtos BUNGE estão em 80% das residências do país e em mais de 70% das padarias. Nos mais de 100 anos de história no Brasil, a BUNGE participou ativamente para concretizar a vocação brasileira de grande produtora de alimentos.


A marca no mundo 
A BUNGE, uma das principais empresas de agronegócio e alimentos do mundo, tem mais de 450 unidades industriais, silos, armazéns, usinas, moinhos e centros de distribuição nas Américas do Norte e do Sul, Europa, Ásia, Austrália e Índia, além de escritórios da BGA (Bunge Global Agribusiness) atuando em vários países europeus, latino-americanos, asiáticos e do Oriente Médio. A BUNGE compra, comercializa, armazena e transporta oleaginosas e grãos para atender clientes em todo o mundo. Processa oleaginosas para a produção de farelo para nutrição animal e óleos comestíveis. Produz açúcar e etanol a partir da cana-de-açúcar. Processa trigo, milho e arroz, fornecendo ingredientes para a indústria alimentícia e vende fertilizantes para clientes nas Américas do Norte e do Sul. Com mais de 31.000 empregados, a empresa comercializa seus produtos em mais de 150 países ao redor do mundo e, em 2017, seu faturamento superou US$ 45 bilhões. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Isto é Dinheiro, Época negócios e Exame), jornais (Meio Mensagem, Valor Econômico, Folha, Estadão e O Globo), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel, Mundo do Marketing e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 


Última atualização em 17/10/2018

18.7.06

CARGILL


Seus ingredientes estão nos sanduíches do McDonald’s, nos refrigerantes da Coca-Cola, na ração para cachorros da Nestlé e nos sorvetes da Unilever. Desde a semente plantada no campo até o jantar de uma família do outro lado do mundo, a americana CARGILL reúne ideias que ajudam a atender as necessidades globais, transformando seu conhecimento e experiência no agronegócio em soluções inovadoras que auxiliem seus clientes e beneficiam milhões de consumidores. A extensão dos conhecimentos da CARGILL sobre toda a cadeia agrícola alimentícia e a experiência em mercados globais ajuda a levar alimentos dos campos até os lares onde são consumidos. O consumidor pode comprovar os resultados em sua mesa todos os dias – da carne mais saborosa ao pão mais saudável, ou da deliciosa sobremesa à bebida mais refrescante. Essa é a maior empresa de alimentos e agronegócios do planeta. 

A história 
As origens da empresa começaram em 1865 na pequena cidade de Conover, estado americano do Iowa, quando William Wallace Cargill, filho de um capitão naval escocês, comprou um modesto depósito (silo) com a finalidade principal de armazenar e vender grãos. No ano seguinte, com a entrada no negócio de seus irmãos, Sam e James, a empresa passou a se chamar W.W. Cargill & Bro., inaugurando outros depósitos de grãos. Eles queriam ganhar dinheiro armazenando a produção de grãos do meio-oeste americano, justamente quando à região começava a cultivar milho. A principal atividade da nova empresa era comprar, armazenar e transportar a produção dos fazendeiros do meio-oeste americano. Para a operação dar lucro, era preciso ter uma logística eficiente e, claro, conseguir comprar barato e vender caro. No ano de 1870, a empresa fixa seus negócios na cidade de Albert Lea, no Minnesota, aproveitando a expansão ferroviária que acontece no sul do estado. Após transferir suas operações para a cidade de La Crosse, no estado do Wisconsin, em 1875, a empresa começou a expandir seus negócios, passando a negociar commodities como carvão, farinha, rações, lenha e sementes, além de investir em ferrovias, terras, irrigação de plantações e propriedades rurais. Uma década depois, a empresa passa a controlar mais de 100 instalações de armazenamento de grãos nos estados do Minnesota, Dakota do Sul e Dakota do Norte, e agora possuí uma capacidade de armazenamento total para 1.6 milhões de alqueires.


Nos anos seguintes a empresa teve um crescimento extraordinário, muito em virtude de sua estratégia em apostar no desenvolvimento da malha ferroviária americana, um transporte essencial para escoar seus produtos. Durante a Primeira Guerra Mundial os preços dos grãos dispararam e a CARGILL se beneficiou deste momento para obter lucros altíssimos. Em 1923, a CARGILL comprou a Taylor & Bournique, uma empresa de promoção de grãos com escritórios na costa leste do país e um sistema próprio de comunicação por fios. A aquisição da nova tecnologia deu à CARGILL uma importante vantagem competitiva. Em 1929 surgiu o departamento de exportações, dando início à comercialização de grãos no exterior, onde o preço final já incluía financiamento, embarque e carregamento. A criação deste departamento foi seguida da inauguração de pequenos escritórios em Winnipeg, no Canadá, Rotterdam, na Holanda e em Buenos Aires, na Argentina. Em meados da década de 1930, a empresa, já sob o comando de John MacMillan Jr., começou a vender grãos manufaturados com a marca CARGILL. Foi também nesta época que a CARGILL adquiriu seus primeiros navios próprios para o transporte de grãos.


Em 1941, a marinha dos Estados Unidos assinou contrato com a CARGILL para fabricar seis navios tanques. Ao final da Segunda Guerra Mundial, o exército e a marinha ofereceram à CARGILL um prêmio pela fabricação desses navios. Em 1945, no período pós-guerra, a empresa se diversificou, crescendo no setor de rações com a aquisição da Nutrena Mills. A CARGILL também comprou nessa época uma fábrica de processamento de farinha e óleo de soja. Pouco depois, em 1947, os executivos da empresa decidiram reabrir os escritórios na América do Sul. Na Argentina, a empresa lançou seu negócio de sementes híbridas. Além disso, foi desenvolvido um selo, feito para uma campanha publicitária, que dizia aos clientes como a CARGILL desenvolvia de forma criativa, maneiras de utilizar produtos agrícolas “para conseguir o melhor para todos”. Foi também nesta época que a CARGILL ingressou no mercado de sal, que se tornaria de grande importância para a empresa durante anos. Apesar do enorme crescimento, somente em 1953 a empresa ingressou oficialmente no mercado europeu. Na década seguinte, em 1966, ingressou na indústria de processamento de milho por via úmida. Subsequentemente, a divisão coreana da empresa formou uma joint venture para produzir rações, ovos e aves. Na década de 1970 a CARGILL importou o primeiro carregamento de suco de laranja concentrado do Brasil para os Estados Unidos.


Nas décadas seguintes a empresa cresceu através de inúmeras aquisições, além de ingressar em outros segmentos de mercado, como por exemplo, o comércio de café na década de 1980; e no processamento de carne suína e de peru. Com isso, o portfólio de produtos e serviços aumentou significativamente. Além de grãos, rações, sementes, óleos e milho, os negócios passam a abranger produtos químicos, cacau, café, algodão, ovos, fertilizante, serviços financeiros, farinha, sucos, malte, carne, melaço, amendoim, petróleo, porcos, aves, borracha, sal, aço, perus e lã. A CARGILL criou a Mosaic em 2004, uma das maiores produtoras mundiais de fertilizantes, expandindo ainda mais suas atividades. Pouco depois, em 2008, apresentou o produto Truvia™, um adoçante natural atraente e sem calorias feito a partir da rebiana, que é a parte mais saborosa da folha de estévia. Em 2011 a empresa inaugurou dois dos centros mais avançados de tecnologia e inovação na área de alimentos, localizados em Wichita (Kansas) e Campinas (São Paulo). Além disso, expandiu significativamente seu negócio global de nutrição animal com a aquisição da empresa holandesa Provimi, adicionando premixes e aditivos ao seu portfólio de produtos.


Considerada a maior empresa de capital fechado dos Estados Unidos em relação ao faturamento, tem operações que vão da venda de milho e trigo à contratação de navios cargueiros e estruturação de complexos derivativos para fundos de hedge. Sua lista de clientes vai desde a rede McDonald’s e a Coca-Cola até o ministério da agricultura do Egito. Além disso, desenvolvendo rações para animais e soluções de nutrição personalizadas, a CARGILL está presente na vida de mais de 500 milhões de pessoas todos os anos. Com mais de 1.950 patentes no mundo inteiro, a empresa está sempre apresentando inovações e soluções criativas para a alimentação e a agricultura. Hoje em dia, apesar de atuar sobre um grande leque de atividades (de matadouros de suínos nos Estados Unidos à exportação de produtos agrícolas para a China e o beneficiamento de algodão na África), a principal área de atuação da empresa é o comércio internacional de grãos. Em mais de 150 anos de história, a CARGILL acompanhou o desenvolvimento do mundo criando novos mercados e ajudando os mercados existentes a funcionar melhor, promovendo inovações que alimentam pessoas em todo o mundo.


Atuação em vários mercados 
A CARGILL está dividida em quatro principais divisões de negócios: 
AGRONEGÓCIO: compra, processa e distribui grãos e oleaginosas, entre outras matérias-primas (produção de óleos brutos, degomado, refinado e envasado, além de farelos), para atender fabricantes de produtos alimentícios e nutrição animal. A empresa também fornece produtos e serviços especializados para produtores agrícolas e criadores de gado. 
ALIMENTOS: colabora com indústrias, prestadores de serviços e varejistas da área alimentícia, fornecendo ingredientes para alimentos e bebidas, além de produtos a base de carnes e aves, ajudando-os a atender seus clientes da melhor maneira possível. Além disso, a empresa está presente na vida de milhares de pessoas por meio de produtos de consumo, muitos deles líderes de mercado, como por exemplo, azeites, azeitonas, maioneses, molhos, extratos e polpas de tomate, massas, molhos para salada, óleos refinados e óleos compostos. 
GERENCIAMENTO DE RISCO: fornece soluções financeiras e de gerenciamento de risco em mercados globais para clientes das áreas agrícola, alimentícia, financeira e de energia. 
INDUSTRIAL: atende indústrias que utilizam sal, amido e aço em sua produção. A empresa também desenvolve e comercializa produtos sustentáveis fabricados a partir de matérias-primas agrícolas.


Uma empresa poderosa e secreta 
Hoje, a CARGILL é, disparada, a maior empresa de alimentos do mundo. Seu faturamento é 25% maior que o da suíça Nestlé e quase 45% superior ao de sua principal concorrente, a também americana ADM. Mas, para entender o poder da CARGILL é preciso ir à pequena cidade de Blair, no estado do Nebraska. Com pouco mais de 8.000 habitantes e cercada de plantações de milho até onde a vista alcança é um daqueles fenômenos que ajudam a entender como os Estados Unidos se transformaram na maior potência agrícola do planeta. O investimento em tecnologia dos agricultores do cinturão do milho, como esse pedaço do meio-oeste americano é chamado, faz com que sua produtividade média seja duas vezes maior que a brasileira. Mas talvez o maior símbolo da força agrícola americana em Blair não seja o dourado do milho nas fazendas, mas a fábrica para onde é levada essa produção toda. A cidade abriga um dos maiores centros de processamento de grãos do mundo, um complexo que abriga seis linhas de trem e transforma 2.5 milhões de toneladas de milho por ano (são 180.000 caminhões e quase 30.000 vagões lotados de grãos a cada doze meses). Ali, o milho de Blair se transforma em dezenas de produtos, de ração animal a etanol. É uma demonstração da pujança do cinturão do milho. Mas é, também, uma pequena amostra do papel da empresa mais poderosa do agronegócio no mundo: a CARGILL.


A CARGILL não tem fazendas, não planta nada, vende muito pouco diretamente ao consumidor – no Brasil é proprietária de marcas conhecidas, como os óleos Liza e os molhos Pomarola, mas isso é uma exceção. A empresa se tornou o gigante que é operando fora dos olhos do público. Uma de suas principais atividades ainda é comprar, armazenar e revender commodities agrícolas como soja, milho, trigo e basicamente todas as outras. Desde que foi fundada, a CARGILL fez o que pode para manter tudo em segredo. Seus proprietários nunca viram muita vantagem em se expor. Para eles, quanto menos os concorrentes – e, até certo ponto, os clientes e fornecedores – soubessem, melhor. Como não tem capital aberto, a CARGILL passou décadas divulgando só o mínimo necessário sobre seus negócios. Recentemente, porém, isso começou a mudar. Há um esforço para tornar a empresa mais transparente. Nessa nova fase, governos protecionistas e consumidores que acham que a empresa manipula o mercado global de alimentos são o maior problema da CARGILL. A empresa também vem investindo para ampliar a participação da área de alimentos em suas receitas. Para lançar novos produtos, próprios e para clientes, inaugurou centros de pesquisa no Brasil e na Índia e reformou unidades que já tinha na Bélgica e na Malásia. Por exemplo, a cervejaria japonesa Saporo vende uma marca fabricada com um novo malte desenvolvido pela CARGILL que faz a cerveja durar mais e resistir ao transporte em navios para exportação. Já para a rede McDonald’s no Brasil, desenvolveu um óleo sem gordura trans (um tipo de gordura relacionada ao aumento da incidência de diabetes e doenças cardíacas). A obsessão das empresas em ter alimentos mais saudáveis – ou que pareçam saudáveis – tem gerado receitas para a CARGILL. Carnes com menos gorduras, adoçantes feitos com ingredientes naturais, cereais com mais vitaminas – tudo isso pode ser desenvolvido nos laboratórios da empresa.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por inúmeras remodelações ao longo dos anos. Foi somente em 1930 que vários projetos foram criados em cima do nome CARGILL. Os logotipos começaram a aparecer na década de 1940 quando a empresa se expandiu além do comércio de grãos. Feito inicialmente para sementes de milho, o logotipo de 1941 apresentava parte de uma espiga de milho e um moinho. Era a primeira vez que um projeto gráfico era usado no lugar do nome CARGILL.


O logotipo conhecido como “A Seta” tornou-se muito conhecido na América Latina por volta de 1953, quando a CARGILL carregou pela primeira vez na história uma carreta de milho a granel no interior do Brasil. O milho foi transportado para São Paulo. Embora esta marca registrada tenha sido oficialmente substituída em 1970, ela continuou viva até os anos de 1990 na América Latina. O “selo redondo com trigo” apareceu pela primeira vez quando a empresa introduziu a semente de sorgo híbrido na Argentina. Usado a partir de 1958, serviu como um símbolo “guarda-chuva” sem interferir em outras marcas específicas da CARGILL. Em 1965, foi criado um logotipo para comemorar o centésimo aniversário da empresa. Era uma ligação entre a versão do logotipo de 1960 e o penúltimo logotipo, sendo a primeira vez que uma forma era usada no desenho para “chamar a atenção”.


O famoso logotipo “C” foi introduzido em 1966. Tratava-se da letra “C” estilizada com o interior lembrando uma semente, cerne de grão ou gota de líquido semelhante a óleo. Foi o trabalho de marca mais ambicioso e bem sucedido na história da CARGILL, quando a empresa iniciava sua jornada de mudanças para projetos e capacidades. A atual identidade visual foi adotada no ano de 2002. Trata-se de uma referência deliberada aos valores inerentes à tradição da marca – integridade, confiabilidade e relações baseadas em confiança. Ao mesmo tempo, o novo logotipo também era mais dinâmico.


Os slogans 
150 years of helping the world thrive. (2015) 
Nourishing Ideas. Nourishing People. 
Alimentando ideias. Alimentando pessoas. (Brasil)


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 1865 
● Fundador: William Wallace Cargill 
● Sede mundial: Minneapolis, Minnesota, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Cargill Inc. 
● Capital aberto: Não 
● Chairman: Gregory Page 
● CEO & Presidente: David MacLennan 
● Faturamento: US$ 107.2 bilhões (2015/2016) 
● Lucro: US$ 2.37 bilhões (2015/2016) 
● Presença global: 130 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 153.000 
● Segmento: Agricultura e indústria alimentícia 
● Principais produtos: Alimentos, produtos agrícolas e gerenciamento de risco 
● Concorrentes diretos: Bunge, Archer Daniels Midland, ConAgra Foods, Tate & Lyle e Morton Salt 
● Slogan: Nourishing Ideas. Nourishing People. 
● Website: www.cargill.com.br 

A marca no Brasil 
A empresa começou com um modesto escritório inaugurado no dia 24 de maio de 1965, no centro da cidade de São Paulo. O passo inicial foi a criação do Departamento de Sementes, que começou a operar com uma pequena usina de beneficiamento e produção de sementes híbridas de milho na cidade paulista de Avaré. Enquanto desenvolvia o seu próprio programa de melhoramento, a CARGILL começou a produzir e comercializar híbridos a partir de sementes básicas fornecidas pela Secretaria da Agricultura. A empresa expandiu suas atividades na área de comercialização de cereais, inaugurando em 1968 uma filial na cidade paranaense de Cascavel. No ano seguinte, iniciou na cidade de Jacarezinho (Paraná), as operações do Departamento de Rações, com a aquisição de uma fábrica, onde também chegou a funcionar uma filial do Departamento de Cereais. Em 1973, inaugurou sua primeira fábrica em terras brasileiras: a unidade de Ponta Grossa (PR), para o processamento da soja. Ainda este ano, a empresa criou a Fundação Cargill. A entidade, mantida pela própria empresa, surgiu com o objetivo de promover o desenvolvimento agropecuário através da difusão de modernas tecnologias, com um programa de trabalho dirigido a quatro áreas prioritárias: apoio ao ensino, subvenção a projetos de pesquisas, auxílio para realização de eventos e divulgação de trabalhos técnico-científicos voltados à agricultura. Posteriormente, a Fundação Cargill evoluiu como um potencial órgão de atuação direta em comunidades, com foco no desenvolvimento de uma cultura voltada à alimentação saudável, segura, sustentável e acessível para pequenos produtores rurais.


Em 1975, com “cheirinho de sucesso”, foi lançado o óleo Liza, um novo produto que veio revolucionar os conceitos a respeito do óleo de soja no Brasil. Ainda nesta década, foram inauguradas novas fábricas no sul e sudeste do país. Nos anos seguintes, a CARGILL deu início a uma série de investimentos na construção de sistemas portuários e ferroviários para o transporte de seus produtos ao Porto de Santos, no litoral paulista, visando aumentar a participação da empresa nas exportações brasileiras. No início da década de 1980, a unidade de Ilhéus, no sul da Bahia, começou o processamento e a comercialização de cacau, produzindo inicialmente licor e depois torta, pó e manteiga. Em 2001, lançou no mercado um novo azeite de oliva: Quinta dos Olivais e relançou o azeite de oliva La Española e o óleo de canola Purilev em nova embalagem. Nos anos seguintes a CARGILL lançou no mercado novos produtos como a linha Olívia, ingressando no mercado de óleos compostos; o Liza Nutriplus, único óleo de soja enriquecido com vitaminas A e D e naturalmente rico em vitamina E, nutrientes vitais para a nossa saúde e bem-estar; a lecitina de soja, um emulsificante natural composto por fosfolipídios; além de começar a distribuir com exclusividade, em 2003, o tradicional azeite português Gallo. Outras novidades introduzidas nessa época foram os Molhos para Salada Liza; e os Molhos para Salada Purilev Light.


Em 2003, a CARGILL adquiriu a marca de óleo de milho Mazola, complementando sua linha de produtos de consumo. No ano seguinte foi a vez de adquirir a Seara (vendida em 2009 para o grupo brasileiro Marfrig e posteriormente negociada com a JBS). Em 2010, a empresa adquiriu por aproximadamente R$ 600 milhões a linha de produtos à base de tomate da Unilever, que incluía as marcas Pomarola, Tarantella, Elefante e Pomodoro. No Brasil, a CARGILL tem sua origem no campo, a partir das atividades agrícolas, e hoje constitui uma das maiores indústrias de alimentos do país, com 8.000 funcionários envolvidos nos negócios de comercialização de commodities agrícolas, produção de ingredientes para indústria alimentícia, desenvolvimento de produtos para o consumo final, serviços financeiros e desenvolvimento de soluções para o segmento industrial. A operação brasileira possui unidades industriais, armazéns, terminais portuários e escritórios em aproximadamente 140 municípios. A CARGILL está hoje entre as 15 maiores empresas e cinco maiores exportadoras do Brasil. É considerada, também, a principal exportadora de soja do Brasil e maior processadora de cacau da América Latina.


A marca no mundo 
A CARGILL, maior e mais poderosa fornecedora mundial de produtos e serviços para os setores agrícola, alimentício e de gerenciamento de risco, tem mais de 1.400 fábricas e instalações, emprega mais de 150 mil pessoas em 70 países, comercializando seus produtos através de 130 nações em todos os continentes. A empresa adquire, processa, armazena, transporta e vende produtos agropecuários e diversos commodities no mundo inteiro. Além disso, fabrica ingredientes para alimentos processados, produtos farmacêuticos e bens de consumo e produz alimento. A empresa também processa e fabrica adoçantes, chocolates, óleos, rações para animais e álcool combustível – além de corantes e substâncias usadas para conservar iogurtes, pães, cervejas e refrigerantes. Com produtos que vão desde amidos até extrato de algas, o portfólio incomparável de ingredientes da empresa é utilizado em mais de 5.000 soluções para clientes do mundo inteiro. A empresa fornece aproximadamente 22% da carne consumida no mercado americano; é responsável por 22% das exportações de grãos dos Estados Unidos; além de ser o maior criador de aves da Tailândia; maior exportadora de produtos argentinos; e um dos maiores fornecedores de derivados de sal (capacidade de fornecimento superior a 14 milhões de toneladas por ano). Além disso, todos os ovos utilizados pela rede McDonald’s nos Estados Unidos passam pelas fábricas da CARGILL. A fábrica de Wahpeton, em Dakota do Norte, foi considerada pela IndustryWeek como uma das 10 melhores da América do Norte pela excelência de suas operações, como segurança e inovação. No ano fiscal de 2015/2016 a empresa faturou mais de US$ 107 bilhões e movimentou mais de 185 milhões de toneladas de grãos. 

Você sabia? 
Até hoje, 90% da empresa é controlada pelos descendentes das famílias MacMillan e Cargill, transformando-a na maior empresa familiar do mundo. Essa união começou em 1895 quando John H. MacMillan e Edna Clara Cargill se casaram na cidade de La Crosse, estado do Wisconsin. Hoje, há aproximadamente 90 descendentes dos Cargill e dos MacMillan, e eles reinvestem no negócio 80% dos dividendos a que têm direito. 
Hoje, a empresa tem 1.400 operadores de mercado em diferentes países, além de duas gestoras de recursos que administram bilhões de dólares. As principais mesas de negociação de commodities – de soja a nafta – ficam em Genebra, na Suíça, e as mesas de moedas e juros estão divididas entre Estados Unidos, Inglaterra, Brasil e Singapura. 
Em 1938, a CARGILL foi banida da bolsa de mercadorias de Chicago por ser acusada de manipular os preços do milho (sempre negou as acusações, e só voltou ao mercado 24 anos depois). 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Isto é Dinheiro, Época Negócios e Exame), jornais (Valor Econômico, Estadão e Folha), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 7/12/2016