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4.12.17

ACURA


Automóveis de luxo baseados no design, na inovação e no máximo desempenho. Assim pode ser definida a marca japonesa ACURA, que por mais de três décadas tem como obsessão elevar a experiência de dirigir a um patamar excepcional, sempre prezando pela segurança e performance. 

A história 
Da mesma forma que as montadoras americanas ofereciam, havia décadas, versões mais luxuosas do mesmo projeto de automóvel, a indústria automobilística japonesa enxergou nessa diversificação uma boa estratégia para o enorme e voraz mercado americano na década de 1980. Com isso, a montadora Honda, fundada em 1948 por Soichiro Honda, criou a ACURA (pronuncia-se É-kiu-ra), como uma resposta à criação da Lexus (pela Toyota em 1983) e da Infiniti (pela Nissan em 1985), para o desenvolvimento de automóveis de luxo direcionados originalmente ao mercado americano. Em menos de um ano, após longas pesquisas de mercado, os dedicados engenheiros japoneses da Honda definiram como seriam os primeiros automóveis da marca ACURA. Mesmo tendo sido a última das três marcas japonesas a ser criada a ACURA foi a primeira a apresentar automóveis ao mercado americano e canadense no dia 27 de março de 1986, através da inauguração de 60 concessionárias em 18 estados. A nova marca disponibilizou ao público dois modelos: o sedã de luxo LEGEND e o compacto INTEGRA. O Legend era oferecido inicialmente na versão sedã (4.8m de comprimento), disponibilizando o modelo cupê (4.7m) no ano seguinte. Baseado no Honda Civic, em termos de mecânica e plataforma, o Integra foi oferecido com motores 1.5L e 1.6L, nas versões sedã (cinco portas) e hatchback (três portas).


Um ano depois do lançamento, a ACURA já tinha o modelo de luxo importado mais vendido dos Estados Unidos. Foram comercializadas 109 mil unidades do Legend e 55 mil do Integra. Com apenas quatro anos de mercado, em 1990, a ACURA apresentou ao público um verdadeiro ícone no segmento de automóveis superesportivos: o NSX, primeiro automóvel do mundo a ser produzido em monobloco de alumínio, o que proporcionou uma redução de 40% em relação ao peso de um similar em aço. Feito para duas pessoas, e inspirado no caça F-16, privilegiava a visibilidade e tinha linhas agressivas, faróis escamoteáveis, além de grandes tomadas de ar laterais. Já o motor era um três litros de aspiração natural, sem turbo ou compressor e produzia 273 cv. Com esse motor, o NSX chegava aos 270 km/h e tinha uma aceleração de zero a 100 km/h em 5.6 segundos, e – era a resposta da para os superesportivos italianos e alemães da época. Os números eram equivalentes aos do Porsche 911 e da Ferrari 348. O NSX só receberia maiores atualizações estéticas em 2002: perderia seus faróis escamoteáveis e ganharia rodas de 17 polegadas nos dois eixos. As características mecânicas e de desempenho permaneceriam as mesmas, exceto na versão NSX-R, que abria mão de certos itens de conveniência, como o ar-condicionado, para reduzir o peso.


A segunda geração do Integra foi lançada também em 1990 e introduziu importantes avanços para a categoria, como freios ABS e duplo air-bag, bem como o comando variável de admissão VTEC, proporcionando melhor performance sem aumento do consumo de combustível. Em 1991 a marca lançou seus veículos em Hong Kong, iniciando assim uma tímida expansão internacional. E no ano seguinte ampliou sua oferta para o mercado americano com o modelo VIGOR, baseado no Honda Accord, porém com mais equipamentos de série. Pouco depois, em 1995, a ACURA ingressou em um novo segmento ao lançar seu primeiro veículo utilitário, o SLX, de porte médio e baseado no Suzuki Tropper, que oferecia motores a diesel e gasolina. A primeira geração do ACURA RL, lançada em 1996, era uma versão rebatizada da terceira geração do Legend.


Embora as vendas tenham diminuído a partir de meados dos anos de 1990, a marca experimentou um ressurgimento no início da década de 2000, principalmente devido a mudanças drásticas no design e a apresentações de novos modelos. Primeiro, em 2000, a ACURA ingressou em uma nova categoria de mercado com o lançamento da MDX, primeiro utilitário esportivo de grande porte da marca. A ampliação da linha de modelos ainda incluiu o TSX (2004), um sedã médio. Após se firmar no mercado americano e canadense, a ACURA partiu para novos horizontes, e estabeleceu-se no México em 2004, na China em 2006 e no Japão em 2008. Neste período a ACURA ampliou sua gama de veículos com o lançamento do RDX (2006), um utilitário esportivo compacto. A partir de 2009 a ACURA iniciou o lançamento de novos modelos como o ZDX (2009), um crossover de porte médio; o TSX Sport Wagon (2010), primeira perua da marca japonesa; o ILX (2012), um sedã compacto; o RLX (2013), um sedã de grande porte e o mais luxuoso da linha; e o TLX (2014), um sedã de médio porte. Nos últimos anos a ACURA ingressou em novos mercados como a Rússia em 2014 (saiu dois anos depois devido às fracas vendas) e Kuwait (2015).


Depois de um hiato de mais de 10 anos sem ser produzido, em 2016 a ACURA apresentou a nova geração do NSX, um dos mais lendários esportivos da Terra do Sol Nascente. A nova geração tem um motor V6 biturbo de 3.5 litros montado à mão, em um processo que leva mais de seis horas, além de tração integral. A parte aerodinâmica faz com que o novo NSX seja totalmente diferente do seu precursor: ele é mais sutil, aparenta ser mais compacto, mas ainda assim demonstra ter personalidade. O desenho do carro foi pensado para complementar a performance e também contribuir para a dinâmica térmica do veículo – tudo sem perder o estilo. O modelo é fabricado no estado de Ohio, sendo o carro mais caro já fabricado nos Estados Unidos, desbancando o Dodge Viper. No mercado americano, a versão de entrada custa US$ 156 mil, enquanto o top de linha chega a US$ 220 mil.


Em 2016 a ACURA celebrou os 10 anos de sua chegada à China e para comemorar a ocasião, decidiu apostar ainda mais forte no gigante asiático. Uma das principais apostas é o CDX, o primeiro veículo da marca fabricado localmente e desenvolvido principalmente pensando nos gostos dos consumidores chineses. O veículo apresenta um tamanho muito similar ao do Honda HR-V (utilitário compacto) embora seja um pouco mais comprido e largo e seu enfoque seja claramente premium, como toda a linha da ACURA. Em relação ao design chama a atenção a grade pentagonal e um logotipo de grandes dimensões, assim como o design dos faróis dianteiros e lanternas traseiras com tecnologia LED.


A inovação 
A ACURA sempre foi inovadora no segmento de veículos luxuosos, sendo pioneira em várias novidades. Foi pioneira ao incorporar motores multi-válvulas no ano de 1986. Também foi a primeira no mundo a oferecer navegação no painel. Em seguida, também apresentando tráfego em tempo real no painel. Depois de estrear no modelo RL de 1997, o navegador de tela central no painel tornou-se padrão em todos os modelos da marca. Já o MDX foi o primeiro veículo de sete passageiros com três fileiras de banco. Já a indústria automobilística teve que se familiarizar com o termo “vetor de torque” para descrever o que fazia o Super Handling All-Wheel Drive (SH-AWD), que apareceu pela primeira vez no modelo RL em 2004, e tornou-se uma assinatura da ACURA para toda sua linha. O SH-AWD é um sistema de tração integral que opera com repartição de torque desigual entre as rodas do mesmo eixo, a fim de melhorar o comportamento em curvas.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou apenas por uma grande remodelação ao longo de sua história. Originalmente na cor vermelha, somente em 1990, a nova identidade visual adotou a cor preta e ganhou um símbolo. Embora pareça uma letra A de ACURA, o principal símbolo da marca, na verdade, é um compasso de espessura, escolhido por representar a precisão extrema. Já a cor branca, utilizada quando o logotipo é aplicado em um fundo preto, denota integridade, pureza e perfeição. A identidade visual da marca pode ser aplicada de duas maneiras: na horizontal com o símbolo à esquerda ou com o símbolo acima do nome da marca.


Os slogans 
Precision Crafted Performance. (2016) 
Made for mankind. (2013) 
Advance. (2006) 
The road will never be the same. 
The True Definition of Luxury. Yours. (1988) 
Precision Crafted Automobiles. (1986)


Dados corporativos 
● Origem: Japão 
● Fundação: 27 de março de 1986 
● Fundador: Soichiro Honda 
● Sede mundial: Tóquio, Japão 
● Proprietário da marca: Acura Inc. 
● Capital aberto: Não (subsidiária da Honda Motor Co., Ltd.) 
● CEO: Jon Ikeda 
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Vendas globais: 195.700 unidades (2016) 
● Presença global: 10 países 
● Presença no Brasil: Não 
● Funcionários: 6.000 
● Segmento: Automobilístico 
● Principais produtos: Automóveis e utilitários de luxo 
● Concorrentes diretos: Lexus, Infiniti, Cadillac, BMW, Audi, Mercedes-Benz, Volvo, Subaru e Lincoln 
● Slogan: Precision Crafted Performance. 
● Website: www.acura.com 

A marca no mundo 
Atualmente a marca ACURA vende seus luxuosos automóveis e utilitários esportivos em 10 países ao redor do mundo, incluindo Estados Unidos, Canadá, China e México. Em 2016 a marca vendeu globalmente mais de 195 mil veículos, com os Estados Unidos representando 82% deste montante. Somente nos Estados Unidos a ACURA tem aproximadamente 50 concessionárias distribuídas por 37 estados. 


Você sabia? 
● Poucos sabem, mas o piloto brasileiro Ayrton Senna contribuiu para o desenvolvimento do projeto base do protótipo NSX em sua fase de teste. Isso se deu durante a parceria feita entre a montadora Honda que se mantinha como fornecedora de motores para equipe McLaren. 
● No Brasil, alguns de seus automóveis foram importados de forma independente nos anos de 1990, após o Governo Federal abrir as importações no país. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), jornais (Estadão), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 


Última atualização em 4/12/2017

15.11.14

TESLA


Nada de posto de gasolina. Seu carro ligado na tomada. E não é um carro qualquer. Tem design futurista e moderno. Alta tecnologia. Muito luxo. E desempenho e potência, sem fumaça, capaz de fazer inveja a qualquer um movido à gasolina. É assim que a californiana TESLA, que nasceu em pleno Vale do Silício, se tornou a grande vedete do setor automobilístico e a preferida de muitos bilionários pelo mundo afora. A TESLA provou que, além de ecologicamente corretos, os carros elétricos podem ser objetos de desejo e abocanhar milhões de fãs que gostam de alto desempenho. 

A história 
Tudo começou em 2003 com uma dupla de engenheiros do Vale do Silício, que resolveu provar ao mundo que era possível e viável projetar e produzir um carro superesportivo totalmente elétrico. Surgia assim no dia 1 de julho a TESLA MOTORS na cidade de San Francisco, cujo nome foi uma homenagem ao inventor e engenheiro elétrico Nikola Tesla, mais conhecido por suas contribuições ao projeto do moderno sistema de fornecimento de eletricidade em corrente alternada (CA). A equipe de visionários e empreendedores era formada por Martin Eberhard e Marc Tarpenning, e posteriormente Elon Musk (foto abaixo), que liderou a rodada inicial de investimento, juntando-se assim em fevereiro de 2004 ao Conselho de Administração da empresa como presidente. Elon Musk, formado em economia pela Universidade da Pensilvânia, apesar de jovem já era bilionário, após vender negócios como a Zip2, companhia que criava conteúdo para portais de notícias, por US$ 307 milhões e, também um dos fundadores da empresa de pagamentos online PayPal (conheça essa história aqui), vendida para o eBay por US$ 1.5 bilhões.
  

Após anos de pesquisas, desenvolvimento e muito investimento a empresa finalmente apresentou ao público no dia 19 de julho de 2006 seu primeiro veículo: o TESLA ROADSTER, um superesportivo conversível de dois lugares com design futurista e linhas agressivas baseado no chassi de um Lotus Elise, que tinha uma grande diferença, em vez de motor a gasolina, tanque e escapamentos, o modelo foi testado (e saiu-se muito bem) com uma bateria de 6.831 células de íon de lítio, similares às que equipavam notebooks e celulares. O veículo, inteirinho de fibra de carbono para diminuir o peso, mostrou que era possível ter um carro esportivo sem despejar um grama de fumaça no ar. O modelo chegou quebrando vários recordes: foi o primeiro carro elétrico a superar a barreira dos 200 km/h. Além disso, tinha uma autonomia de 320 km, também sem precedentes entre carros elétricos, e acelerava de 0 a 100 km/h em 3.7 segundos.
  

O primeiro carro foi entregue no mês de fevereiro de 2008. Nos anos seguintes o veículo se tornou objeto de desejo entre bilionários no mundo inteiro. Além disso, astros como o ator George Clooney e os fundadores do Google (conheça essa história aqui) Sergey Brin e Larry Page, passaram a ostentar em suas garagens um TESLA ROADSTER. Uma publicidade e tanto para essa nova montadora. Mas apesar disso, a empresa passou por grandes problemas e recebeu investimentos que totalizaram US$ 187 milhões (incluindo até investimentos por parte dos fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page). Musk assumiu o comando da empresa e conseguiu resolver os problemas mais urgentes, como a falta de dinheiro. Por isso, no mês de maio de 2009, vendeu 10% da TESLA para a Daimler por US$ 50 milhões, recebendo um valor semelhante da Toyota logo depois. A montadora também recebeu um empréstimo de US$ 465 milhões de um fundo de desenvolvimento tecnológico do Departamento de Energia Americano. Isso efetivamente salvou a TESLA da falência. Para garantir ainda mais financiamento, a empresa abriu o capital na Nasdaq em 2010, recebendo US$ 226 milhões.
  

No total foram vendidas 2.450 unidades em 30 países diferentes até 2012, quando a produção do TESLA ROADSTER foi encerrada oficialmente. Foi o suficiente para colocar a empresa no mapa – mas muito longe de tornar a TESLA em uma montadora de “massa”. Afinal, o carro apenas serviu a um objetivo maior: as relativamente poucas unidades vendidas serviram para financiar o desenvolvimento de uma nova versão mais barata. E isto aconteceu em junho de 2012, quando a TESLA deu outro grande passo rumo ao desenvolvimento ao começar a vender seu segundo modelo: o MODEL S, um luxuoso sedã esportivo de quatro portas com espaço para acomodar sete pessoas confortavelmente, com preço a partir de US$ 63 mil. Como não havia câmbio e seu motor tinha aproximadamente o tamanho de um melão, o interior do veículo era mais espaçoso.
   

O novo automóvel da montadora fazia 426 quilômetros com uma carga de bateria. Já a versão S Performance colocava ainda 420 cavalos na conta para cumprir de 0 a 100 km/h em 4.2 segundos e impulsioná-lo a quase 300 km/h. Além de aliar desempenho com design e luxo, o novo automóvel era recheado de tecnologia e mimos, como por exemplo, cabo de carga com bocal iluminado, painel futurista e uma tela de 17 polegadas (43 centímetros de altura), a maior já colocada em um carro até então, que permitia ao motorista navegar via GPS, ter informações importantes sobre o clima, condições do veículo e da estrada, acessar recursos como rádio e tocador de mp3 e, via sincronização com um smartphone, efetuar ligações telefônicas. Sem contar os bancos de couro totalmente elétricos, o revestimento bicolor com apliques metálicos e amadeirados e as enormes rodas de 19 polegadas com pneus Michelin (saiba mais aqui) de alta performance. E itens de segurança como oito airbags (além dos básicos frontais, laterais e de cabeça, há proteção para joelho e pélvis dos ocupantes da frente), que garantiam cinco estrelas nos testes oficiais de segurança. O Model S revolucionou a indústria automobilística por ser o primeiro carro elétrico a liderar as vendas de automóveis em um país (Noruega), em 2013.
  

Voltando a 2012, a empresa iniciou a inauguração dos chamados SUPERCHARGER (ou “supercarregadores” em português), em pontos estratégicos de grandes cidades americanas, permitindo assim que seus clientes viajassem por todo o país com tranquilidade. Eram estações de abastecimento, semelhantes a um posto de combustível, que tinham capacidade de carregar os automóveis da marca muito mais rapidamente. Segundo a montadora, em 30 minutos de carga era possível armazenar 50% da capacidade total da bateria e rodar mais de 250 quilômetros. E o melhor? A carga era de graça. Hoje em dia, existe mais de 25 mil SUPERCHARGER nos Estados Unidos (aproximadamente mil unidades), México, Canadá, Europa, Oriente Médio e Ásia. No ano seguinte, com apenas um modelo à venda, a montadora conseguiu um feito e tanto: abocanhou 12% do mercado de luxo do estado da Califórnia (Meca americana dos carros elétricos e híbridos) de janeiro a junho. Foram pouco mais de 4.700 unidades vendidas, de acordo com a associação californiana de concessionários (a Fenabrave local). Parecia pouco, mas superava toda a entrega da marca no ano anterior. Além disso, o sucesso do sedã ajudou a alavancar em mais de 50% as ações da TESLA durante o ano de 2014, depois que elas quadruplicaram no ano anterior.
  

Em meados de 2014, um novo anúncio de Elon Musk movimentou mais uma vez a indústria automobilística e pode apontar o futuro dos veículos nas próximas décadas. Ele anunciou que tornaria pública algumas das patentes da empresa destinadas a fabricação de veículos elétricos. Segundo ele, a ideia era que a tecnologia se tornasse popular a ponto de veículos como esses assumirem a liderança na preferência dos consumidores, desbancando os tradicionais modelos movidos a combustível. O que parecia uma verdadeira loucura para administradores e executivos era na visão dele publicidade gratuita da melhor forma. Explica-se. Novos carros elétricos vão precisar de mais baterias. Em um primeiro momento, ceder gratuitamente uma patente para um concorrente pode parecer uma ideia sem muito sentido e até mesmo absurda. Entretanto, é preciso lembrar que Elon Musk não estava interessado apenas neste mercado. Carros elétricos precisam de baterias cada vez mais eficientes e duráveis. Nesse quesito, as baterias da TESLA ainda são imbatíveis. É possível que no futuro outras montadoras consigam desenvolver tecnologias similares, mas em um primeiro momento, na busca pela eficiência, os concorrentes acabariam se tornando clientes da própria TESLA.
  

Após lançar um modelo esportivo e um sedã, a TESLA ingressou no segmento de SUVs com o MODEL X. Apesar de ter sido apresentado ao mundo em 2012, o modelo só começou a ser produzido no final de 2015. O crossover parecido com um SUV apresentava características portas de “asa de gaivota” (que levantam para cima, ao invés de abrirem para os lados) e era oferecido em configurações de 5, 6 e 7 passageiros. Em sua versão máxima, tinha um alcance total de 465 quilômetros por carga e fazia de 0 a 100 km/h em apenas 2.9 segundos - praticamente o suficiente para ser o SUV mais rápido do mundo. O modelo era um carro impressionante, pensado nos mínimos detalhes (até o porta-copos era adaptável).
  

Mas a TESLA começou a solidificar seu caminho para o sucesso com o lançamento em julho de 2017 do MODEL 3, um sedã de porte médio. Com autonomia, com apenas uma carga de bateria, de 499 quilômetros, o modelo chegou a bater o recorde de aceleração de 0 a 100 km/h, conseguindo a marca de 2.28 segundos. Maior aceleração que carros super esportivos. Para o apaixonado por carros velozes, um carro elétrico fazia sentido pela 1ª vez. Além disso, o modelo apresentou a função Autopilot, que permitia ao veículo basicamente acelerar, frear, mudar de pista e até fazer baliza sozinho. Tudo comandado por oito câmeras, sensores de ultrassom, radar e um super computador. Desenhado para ser o carro popular da TESLA, embora o preço estivesse longe de qualquer coisa que possa ser chamado de popular no momento, ficava claro a tentativa da empresa de se tornar cada vez mais uma montadora “de massa”. Afinal, o Model 3 iniciou uma pequena revolução no mercado automobilístico: um veículo mais barato, permitindo aos consumidores finalmente ter um carro elétrico, diminuindo a emissão de poluentes gerados pela queima de combustíveis. Entre 2018 e 2019, alcançou o posto de veículo elétrico mais vendido no mundo. Além disso, em 2019, conquistou um marco impressionante: foi o sétimo carro mais comercializado nos Estados Unidos, com 154.836 unidades.
  

Em 2019, a TESLA vendeu um total superior a 367 mil veículos em todo o mundo. E para não depender somente do mercado americano, apesar de seus veículos também serem vendidos na Europa, Oriente Médio e partes da Ásia, no final deste ano a empresa inaugurou sua primeira fábrica na China, em Xangai, para produzir seus veículos localmente e abocanhar uma fatia de um enorme mercado consumidor. No início de julho de 2020, a TESLA conquistou a posição de montadora mais valiosa do mundo, ultrapassando a japonesa Toyota (conheça sua história aqui), que mantinha a liderança até o momento. Com um valor de mercado de US$ 208 bilhões, a empresa tem demonstrado resiliência às crises do mercado financeiro em meio à pandemia do COVID-19. E 2020 ainda reservou outros feitos e tantos para a TESLA: o Model 3 se tornou o carro de emissão zero mais vendido do mundo, conquistando 11 países, incluindo os dois maiores mercados automotivos do mundo, Estados Unidos e China; as vendas globais atingiram 499.550 unidades, um aumento de 35.8% em relação ao ano anterior; e a empresa ultrapassou a marca de 1 milhão de carros elétricos produzidos desde sua fundação.
  

O mais recente lançamento da TESLA é o MODEL Y, um moderno crossover compacto, que começou a ser vendido em março de 2020. O grande diferencial deste modelo é a união de três pontos importantes: a funcionalidade de um SUV, o desempenho esportivo e o preço atraente - US$ 39.900, na versão de entrada. Com uma carga de bateria, o Model Y tem autonomia de 400 quilômetros. Já a sua aceleração vai a 100 km/h em 3.7 segundos. E o sucesso parece não ter limite: no primeiro trimestre de 2021, a TESLA bateu recordes ao registrar lucro líquido de US$ 1 bilhão pela primeira vez em sua história, entregar 184 mil veículos e alcançar faturamento de US$ 9 bilhões (número representa um aumento de 75% em relação ao primeiro trimestre de 2020).
  

A TESLA já divulgou seus próximos projetos: reviver o Roadster como um moderno esportivo de altíssima performance, com a promessa de ser o carro mais rápido do mundo ao fazer de 0 a 100 km/h em apenas 1.9 segundos e que poderá ser equipado com um “pacote SpaceX”, que usa 10 pequenos propulsores de foguete para aumentar o desempenho do veículo através da flutuação ativada; o TESLA SEMI, um caminhão semi-autônomo com duas versões de alcance (480 km e 800 km), capaz de dirigir sozinho na estrada e que só irá requerer o input humano em certas ocasiões dentro das cidades, além de ser equipado com o novo conceito de bateria estrutural e as novas células 4680 de alta densidade, fundamental para atingir números de autonomia mais altos; e a CYBERTRUCK, uma picape leve com design futurista.
  

A TESLA não surgiu apenas para mudar a forma como os carros são produzidos e funcionam - mas também para mudar o modo como são vendidos. Por isso, a marca aboliu uma figura muito importante do segmento automobilístico: a concessionária. E isso causou alguns problemas para a empresa, mas ela segue em frente com seus planos. A TESLA não conta com concessionárias, e todas as vendas são feitas diretamente através do site da empresa. A intenção é cortar o “intermediário” de todas as operações da empresa, mesmo um intermediário tão importante para a indústria automobilística, como é o concessionário. Em substituição às concessionárias, a TESLA conta com showrooms próprios espalhados por importantes cidades e shopping centers nos Estados Unidos - com decoração minimalista. Ao se interessar pelo carro, porém, a compra é realizada através do site da empresa. Com isso, a TESLA vai desenvolvendo um sistema de venda direta tão desejado por algumas montadoras. Essa decisão, porém, lhe valeu alguns processos por parte de associações de concessionários. Embora seja tido como um território da liberdade econômica, 48 dos 50 estados americanos possuem leis que proíbem ou limitam operações parecidas com as da TESLA. Algum lobby a empresa terá que fazer no futuro para conseguir resolver essa questão.
  

O segredo do enorme sucesso da TESLA talvez esteja na atitude. A marca sempre se portou como a Apple (conheça a história deste outro ícone aqui) dos carros elétricos. Promete interface agradável (desempenho, espaço, luxo e beleza de carro europeu) quando todas as outras entregam apenas o básico (carros que parecem de brinquedo). E também cobra caro pela experiência. O Model S, porém, é um sedã do tamanho de Ford Fusion e Honda Accord (dois best sellers do mercado americano) com visual e acabamento de Aston Martin ou Maserati. Talvez esteja aí o grande segredo de sucesso da montadora. Mesmo se a TESLA desaparecer amanhã, trata-se simplesmente de uma empresa inovadora que provocou um enorme impacto: mostrou que os carros elétricos com menor impacto no meio-ambiente podem ser descolados e competir no mesmo nível que um carro com motor a combustão interna.
  

As fábricas avançadas 
A empresa possui 6 fábricas localizadas na Califórnia, Nevada, Nova York e Texas (esta última será inaugurada em 2021), além das unidades em Xangai na China e Berlin na Alemanha (que será inaugurada em dezembro de 2021). O principal complexo fabril da TESLA em Fremont, na Califórnia, é uma das fábricas de automóveis mais avançadas do mundo, com aproximadamente meio milhão de metros quadrados de espaço de produção e escritórios em quase 150 acres de terreno. Em 2016 foi aprovado um plano de expansão que irá quase duplicar o tamanho das instalações para cerca de 0.93 milhões de metros quadrados. Atualmente, mais de 10.000 funcionários trabalham nessa fábrica. Para iluminar um espaço outrora escuro e fechado, a TESLA adicionou claraboias para os trabalhadores terem luz natural e pintou o piso com epóxi branco para criar um ambiente de trabalho limpo. As instalações abrigam também um centro de formação para funcionários, um refeitório e veículos adaptados para a venda de refeições, um ginásio, um centro de cuidados médicos (disponível 24 horas por dia) e pátios exteriores. O enorme e moderno complexo é responsável pela fabricação dos automóveis Model S, Model X, Model 3 e Model Y.
  

Já a GIGA NEVADA, localizada nos arredores de Sparks, no estado de Nevada, surgiu, em parceria com a japonesa Panasonic, para atender a constante demanda por baterias de íon-lítio, suficientes para suportar a crescente procura de veículos TESLA. Inicialmente batizada de Gigafactory (“Giga” é a unidade de medida que representa “mil milhões”), a gigantesca fábrica foi inaugurada (fase inicial) no final de julho de 2016. Atualmente a fábrica (que ainda não foi totalmente concluída), com 930.000 m² e onde trabalham mais de 7 mil pessoas, produz motores elétricos, baterias e componentes elétricos, bem como produtos de armazenamento de energia. A fábrica é alinhada com o norte do planeta Terra. São dois motivos para essa escolha. O primeiro é que isso facilita o posicionamento de máquinas autônomas orientadas por GPS. Outra razão, bastante curiosa, é que isso permite melhor distribuição e movimentação dos painéis solares no teto da fábrica. Quando estiver concluída, a empresa espera que a GIGA NEVADA seja o maior edifício do mundo - e totalmente alimentado por fontes de energia renovável. Concebida para ser uma fábrica com energia zero de emissões, a fonte principal de alimentação das instalações é a energia solar. Em meados de 2018, a produção de baterias atingiu uma taxa anual de aproximadamente 20 GWh, fazendo desta a fábrica de baterias com maior volume do mundo. Por curiosidade, a fábrica é capaz de produzir cerca de 13 milhões de células de bateria por dia.
  

Além dos carros elétricos 
A TESLA também desenvolve outros produtos além de automóveis elétricos, como baterias para casas (batizadas de Powerwall) e painéis fotovoltaicos, facilitando o armazenamento de energia de fontes sustentáveis e renováveis - como energia solar. Essa diversificação nos negócios da TESLA começou após a fusão com outra empresa de Elon Musk, a Solarcity, em agosto de 2016, em uma operação de US$ 2.6 bilhões (pagos em ações). Com isso, em 2017 a empresa mudou seu nome de TESLA MOTORS, apenas para TESLA INC., para melhor refletir a ampliação de seus negócios, que passaram a incluir veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia estacionária e geração de energia solar. Mas a fusão foi considerada polêmica na época, já que representaria um conflito de interesses entre as duas empresas. O que a TESLA, uma montadora de carros elétricos, teria a ver com uma empresa que instalava painéis de energia solar para casas? Mas, Elon Musk se defendeu na época dizendo que o conflito de interesse seria se as duas empresas continuassem operando separadas - afinal, como a SolarCity era uma grande fornecedora da TESLA, uma situação parecida em que os contratos entre as duas beneficiassem a companhia na qual Elon Musk era mais acionista que a outra. De acordo com Elon Musk, o objetivo da TESLA é ajudar a acelerar a mudança para o transporte e a energia sustentáveis, obtidos por meio de veículos elétricos e energia solar.
  

O gênio por trás da marca 
Para muitos ele é o novo Steve Jobs, capaz de assumir o posto de maior demolidor de paradigmas do mundo empresarial. Para tantos outros é o Tony Stark da vida real, em uma referência ao personagem principal do filme Homem de Ferro, um multibilionário, filantropo e cientista que, nas horas vagas, atua como super-herói, interpretado pelo ator americano Robert Downey Jr. Seus projetos parecem coisa saída da cabeça do Professor Pardal. Mas não se engane. Suas ideias não são devaneios de um bilionário excêntrico. A verdade é que Elon Reeve Musk, um cinquentão bilionário, cuja fortuna é estimada em US$ 156 bilhões (segundo a revista Forbes de junho/2021), e o mais inovador e surpreendente empreendedor atual, conseguiu transformar aparentes loucuras em negócios reais e bilionários. Uma das maiores preocupações do empresário é o futuro da humanidade. Dessa forma, parte de seus investimentos são voltados para pesquisa e desenvolvimento de fontes de energia limpas. Além disso, ele é um entusiasta da possibilidade de colonizar outros planetas, especialmente Marte, como uma forma de preservação da espécie.
  

Nascido no dia 28 de junho de 1971 na cidade de Pretória, na África do Sul, filho de um engenheiro e uma nutricionista, e naturalizado americano, ele é considerado a grande estrela corporativa dos Estados Unidos. A revista Fortune, por exemplo, o elegeu a personalidade dos negócios de 2013. Considerado um empreendedor serial, ele criou seu primeiro sucesso comercial ainda aos 11 anos. Era um game espacial chamado Blastar, que foi vendido para uma empresa sul-africana pela bagatela de US$ 500. Em 1988, aos 17 anos, migrou para o Canadá contra a vontade dos pais, país no qual chegou com pouco dinheiro e sem lugar sequer para dormir. Para sobreviver, trabalhou em fazendas e limpando caldeiras em serralherias. Em seu novo país, ele ingressou e completou o curso de física pela Queen’s University em Kingston. Em 1992 foi para os Estados Unidos, onde cursou faculdade de administração. Em 1999, ele vendeu a Zip2, que desenvolvia ferramentas para criar sites de notícias, para a finada fabricante de computadores Compaq, por impressionantes US$ 307 milhões, negócio que seria seguido pela venda da empresa de data center Everdream para a Dell (saiba mais aqui) por US$ 120 milhões, além do PayPal, vendido para o eBay em 2002 por US$ 1.5 bilhões. Como maior acionista da empresa, Musk embolsou US$ 180 milhões na ocasião.
   

A pequena fortuna foi o ponto de partida para a criação de um verdadeiro conglomerado de empresas de ponta, sustentado por três pilares: TESLA, de carros elétricos e energia limpa; a SpaceX (conheça essa história aqui), que presta serviços de transporte espacial para a poderosa NASA e tem projetos de levar o homem a marte; e a The Boring Company, empresa voltada para a área de infraestrutura, tendo como principal atividade a construção de túneis para a implementação de meios de transportes mais rápidos e eficientes. Ele também fundou a Musk Fundation, que atua em projetos relacionados com energias renováveis, pesquisas pediátricas, educação voltada para a ciência e engenharia, e desenvolvimento de inteligência artificial que beneficie a humanidade.
  

Além dos carros movidos a bateria e das viagens espaciais, suas mais recentes ideias incluem um plano para colonizar o planeta Marte e uma espécie de tubo para transportar passageiros, capaz de realizar uma viagem de cerca de 500 quilômetros em uma hora. Seu legado, no entanto, pode provocar transformações ainda mais profundas na sociedade do que os feitos por Steve Jobs. Sua audácia chega a ponto de levá-lo a desafiar uma indústria forte e consolidada como a automobilística. “Criei a Tesla para acelerar o desenvolvimento de carros elétricos”, diz. “Se deixasse nas mãos das grandes montadoras, nunca veríamos esse tipo de automóvel nas ruas”, completa. Sua vida pessoal também é agitada. Casou e divorciou duas vezes e tem seis filhos, incluindo gêmeos e trigêmeos.
  

Marketing ousado 
Elon Musk, além de um empreendedor serial, é um talentoso marketeiro que literalmente mandou a TESLA para o espaço. Isto porque, aproveitando a enorme repercussão mundial em torno de sua outra empresa, a SpaceX, no dia 6 de fevereiro de 2018, durante o lançamento do Falcon Heavy, considerado o maior foguete em operação no momento, o empreendedor mandou junto para o espaço um carro da TESLA (modelo Roadster vermelho). Dentro do veículo foi colocado um boneco vestido de astronauta (com traje espacial Starman), além de uma placa com a frase “Feito na Terra por humanos”. E tudo isso com Space Oddity, de David Bowie, como trilha sonora, para deixar o momento histórico ainda mais emocionante. O Tesla Roadster também carregava outros objetos, como uma miniatura em versão Hot Wheels (conheça a história dessa marca aqui), uma cópia do livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, uma versão digital da trilogia “Fundação” (armazenada em um disco óptico 5D) e uma placa com os nomes de quem trabalhou no projeto. O veículo fazia parte da missão como carga de teste, para demonstrar todo o poderio do novo impulsionador da empresa de Elon Musk.
  

O veículo seguiu em direção à órbita de Marte, passando pelo Cinturão de Asteroides. No início de outubro de 2020, após viajar mais de 2 bilhões de quilômetros pelo espaço, o Tesla Roadster “dirigido” pelo manequim Starman fez a sua primeira aproximação de Marte. De acordo com a SpaceX, o veículo chegou a menos de 8 milhões de quilômetros de distância do planeta vermelho. Segundo cálculos de pesquisadores, há 6% de chances do veículo cair na Terra, contra 2.5% de atingir Vênus. Mas isso deve acontecer somente em 2091.
     

A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por modernizações ao longo de sua história. O logotipo original era formado por um “T” estilizado colocado sobre um escudo prateado e o nome TESLA MOTORS abaixo e na cor preta. Ao contrário do que se possa imaginar, o “T” não é propriamente de TESLA - apesar de remeter a isso -, mas sim a representação de uma seção de um motor elétrico. Esse logotipo durou pouco e foi substituído por uma identidade visual na cor vermelha. Além disso, a palavra “motors” e o escudo prateado foram eliminados, deixando o “T” sozinho e em posição dominante. Mais recentemente o logotipo passou a conter apenas o nome da marca em vermelho (ou preto, na versão secundária). Já o popular “T” estilizado continua aparecendo nos capôs dos automóveis e na comunicação em alguns momentos, especialmente na divisão automobilística da empresa.
  

Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 1 de julho de 2003 
● Fundador: Martin Eberhard, Marc Tarpenning e Elon Musk 
● Sede mundial: Palo Alto, Califórnia, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Tesla Inc. 
● Capital aberto: Sim (2010) 
● CEO: Elon Musk 
● Faturamento: US$ 31.5 bilhões (2020) 
● Lucro: US$ 721 milhões (2020) 
● Valor de mercado: US$ 602.2 bilhões (maio/2021) 
● Valor da marca: US$ 12.785 bilhões (2020) 
● Vendas globais: 499.550 unidades (2020) 
● Presença global: 40 países 
● Presença no Brasil: Não 
● Funcionários: 70.750 
● Segmento: Automobilístico/energia renovável 
● Principais produtos: Automóveis elétricos, baterias e painéis solares 
● Concorrentes diretos: BYD, BMW, Audi, Mercedes-Benz, Nissan, Mitsubishi, Renault, Toyota, Volkswagen, Volvo e Hyundai 
● Ícones: As estações de recarga Supercharger 
● Slogan: It’s more than electric, it’s Tesla. 
● Website: www.tesla.com 

O valor 
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca TESLA está avaliada em US$ 12.785 bilhões, ocupando a posição de número 40 no ranking das marcas mais valiosas do mundo em 2020. A empresa também ocupa a posição de número 124 no ranking da revista FORTUNE 500 de 2021 (empresas de maior faturamento no mercado americano). 

A marca no mundo 
A TESLA, que possui como principal acionista Elon Musk (21% das ações), comercializa seus veículos elétricos em 40 países ao redor do mundo, com forte presença no mercado americano e chinês. Em 2020, a montadora que emprega mais de 70.000 pessoas, vendeu mais de 499 mil veículos, faturou mais de US$ 31 bilhões e lucrou US$ 721 milhões (o primeiro resultado positivo na história da TESLA). A empresa tem ainda mais de 400 showrooms e centrais de serviços espalhados pela América do Norte, Ásia, Oceania, Oriente Médio e continente europeu, onde os mecânicos podem ser vistos na oficina, já que os carros não emitem fumaça tóxica, não fazem poças de óleo, nem têm motor barulhento. A empresa, que também fabrica baterias e painéis solares, ainda presta serviços de desenvolvimento e componentes elétricos para outras montadoras. 

Você sabia? 
● Em um documentário de 2013 veiculado pelo canal National Geographic (conheça a história dessa marca aqui), a TESLA revelou que a tinta vermelha exclusiva que usa em seus carros tem uma infusão de flocos de vidro para que brilhe. 
● Elon Musk foi a inspiração para a adaptação do gênio bilionário Tony Stark para o cinema, no filme Homem de Ferro. Por isso, ele permitiu que o cineasta Jon Favreau usasse sua fábrica de foguetes para filmar algumas cenas do filme “Homem de Ferro 2”, no qual um bilionário inventa um traje voador, cheio de armas, para combater criminosos, interpretado pelo ator Robert Downey Jr. Jon pensou então que devia um favor ao seu grande amigo. Por isso, comprou um TESLA MODEL S. O que ele não esperava é que iria gostar tanto do carro que acabaria vendendo sua Mercedes-Benz (conheça a história deste ícone alemão aqui). 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Exame, Época Negócios, Isto é Dinheiro e InfoMoney), jornais (Valor Econômico, Meio Mensagem, Folha e Estadão), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel, Interbrand e Mundo do Marketing), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 1/6/2021

20.8.06

INFINITI


A marca INFINITI surgiu no mercado tendo como objetivo principal aliar luxo e sofisticação com agressividade e esportividade ao dirigir. Não somente conseguiu como fez de seus veículos verdadeiras máquinas que transformam movimento em emoção e prazer. 

A história 
Tudo começou em 1985 quando a montadora japonesa Nissan resolveu formar uma divisão, batizada de Horizon Task Force, para estudar o mercado americano de carros de luxo, que na época crescia em um ritmo alucinante, e viabilizar um projeto para concorrer com as marcas de luxo recém introduzidas de outras duas companhias japonesas, Toyota (Lexus) e a Honda (Acura). Com o resultado dos estudos e pesquisas em mãos a montadora japonesa resolveu formar uma divisão exclusiva para a produção de carros de luxo. Pouco depois, em 1987, a divisão passou a se chamar oficialmente INFINITI, e começou o desenvolvimento do modelo batizado de Q45. Depois de mais de dois anos de intensa pesquisa e desenvolvimento, exatamente no dia 8 de novembro de 1989, a INFINITI abriu oficialmente as portas de 51 concessionárias para vender ao público americano dois modelos de automóveis de luxo: o Q45, um luxuoso sedã de porte grande equipado com o motor V8 mais potente da sua categoria na época, além de suspensão ativa e outros recursos tecnologicamente avançados; e o M30, um cupê de luxo de duas portas, introduzido para competir com a BMW Série 5 e o Mercedes Benz Classe E.


Rapidamente, o modelo Q45, começou a “roubar” vendas da BMW e Mercedes-Benz. O terceiro modelo da marca foi introduzido em 1991 com o lançamento do INFINITI G20. No ano de 1994 a vendas ultrapassaram as 50 mil unidades pela primeira vez desde seu lançamento, provando que a marca INFINITI era um enorme sucesso entre um público que buscava luxo e desempenho. Em 1995, a marca apresentou uma nova família de motores V6: a série VQ. Projetado para uma potência, torque e consumo de combustível ideais, o VQ seria um dos dez melhores motores nos próximos 14 anos. Nos anos subsequentes novos modelos foram sendo lançados no mercado, conquistando inúmeros prêmios em design e posicionando a INFINITI, definitivamente, como uma marca exclusiva e para poucos.


Entre os modelos introduzidos estavam os automóveis da série I, constituída por sedãs de porte médio, baseados no Nissan Maxima; e o QX4, uma Nissan Pathfinder modificada e muito mais luxuosa, marcando o ingresso da marca na categoria de veículos utilitários esportivos luxuosos de porte médio. Apesar dos novos lançamentos e da qualidade de seus automóveis, durante a década de 1990, as vendas da marca caíram bastante, especialmente devido à má situação financeira da Nissan, e por volta do ano 2000 a INFINITI quase desapareceu. Juntamente com a revitalização da Nissan, capitaneada pelo brasileiro Carlos Ghosn, a INFINITI passou por uma reformulação severa e ganhou foco na performance esportiva. Um exemplo disso aconteceu em 2002, quando a terceira geração do modelo Q45 estreou no mercado, provando que o automóvel continuava a ser um grande sucesso de vendas em território americano; ou em 2003, quando a marca lançou no mercado o INFINITI FX (um utilitário esportivo crossover cujas linhas tinham influência nos modelos da categoria cupê) e o INFINITI G35 (disponível nas versões sedã e cupê, esta última denominada G37 a partir de 2007).


Somente a partir de 2005, ano em que a INFINITI alcançou um recorde de vendas quando foram comercializadas 136.401 unidades, a empresa começou a expandir a marca para outros mercados internacionais, que incluíam a Coréia do Sul, Taiwan, Rússia, México, Canadá, alguns países do Oriente Médio, e pouco depois ao Reino Unido, China e alguns países europeus, provando que a Nissan havia feito uma escolha certeira quando ingressou no lucrativo segmento de automóveis de luxo. Em 2010 a marca criou a divisão INFINITI PERFORMANCE LINE (IPL), responsável pela criação de versões esportivas e modificadas dos modelos originais, que possuem aperfeiçoamentos técnicos, incluindo motores e chassis, mas também estéticos. A primeira criação desta nova linhagem de automóveis foi o IPL G Coupé, desenvolvido a partir do cupê G37. O primeiro aprimoramento que o modelo recebeu foi no motor 3.7 V6 24V, que, após adquirir novo sistema de escape e programação da injeção eletrônica, teve seu rendimento elevado de 330 cavalos de potência para 348 cv. Para completar o pacote elaborado pela IPL, o G37 recebeu novos spoilers laterais e nos pára-choques dianteiro e traseiro, além de assentos esportivos.


A partir de 2013, a marca INFINITI foi completamente reposicionada no mercado, apresentando novos modelos, adotando uma nova nomenclatura para seus automóveis e investindo muito em marketing nos mais importantes mercados mundiais. Atualmente, a linha de modelos da INFINITI, que tradicionalmente foram baseadas em plataformas de modelos da Nissan, é desenvolvida quase que de maneira independente, a fim de melhor delinear a marca sob os conceitos de luxo e performance. As concessionárias INFINITI, por exemplo, têm toda uma estrutura e arquitetura diferenciada, assim como o design de seus novos modelos.


A linha do tempo 
1997 
● Lançamento do INFINITI QX4, um utilitário esportivo derivado do Nissan Pathfinder. Além de algumas alterações visuais, a versão trazia interior mais luxuoso, com revestimento de couro e apliques de madeira. 
2003 
● Lançamento do INFINITI G35, modelo de porte médio oferecido nas versões cupê e sedã. 
● Lançamento do INFINITI M35, um sedã luxuoso top de linha da marca. 
● Lançamento do INFINITI FX, um crossover com influência das linhas cupê como o INFINITI G35, Nissan 350Z e Nissan Murano. 
2004 
● Lançamento do INFINITI QX, um luxuoso utilitário esportivo de grande porte com amplo espaço para até oito passageiros equipado com tecnologia de ponta e muito conforto. O modelo era impulsionado por um motor V8 de 5.6 litros e 320 cavalos de potência. 
2007 
● Lançamento do INFINITI EX, um cupê crossover com tração integral permanente, menor do que o já conhecido utilitário FX. Uma das novidades introduzidas no EX era um sistema de monitoramento que proporcionava ao motorista visão completa por toda a volta do veículo, através do uso de quatro pequenas câmeras, muito útil ao estacionar. Outra era o que a montadora define como um escudo contra arranhões, proporcionado por uma camada de um verniz transparente criado para manter permanentemente o brilho da carroceria. 
2008 
● Apresentação do INFINITI G37 conversível, que começou a ser comercializado no ano seguinte. 
2009 
● Apresentação no Salão do Automóvel de Genebra, em comemoração aos 20 anos da marca, do conceito ESSENCE, modelo que unia acabamento a uma moderna motorização híbrida composta por um motor a gasolina V6 3.7 bi-turbo com injeção direta de combustível e outro elétrico alimentado por baterias de lítio. A marca francesa Louis Vuitton assinou o design interior do ESSENCE utilizando na cabine muito couro Alcântara e detalhes cromados. 
2012 
● Lançamento do QX60, um crossover de médio porte com capacidade para sete passageiros. A versão híbrida foi apresentada em 2016, equipado com motor 2.5 sobre-alimentado, que trabalha em conjunto com um motor elétrico. 
2013 
● Lançamento do Q50, um sedã compacto que substituiu o modelo G. Inicialmente foi equipado com motor V6 3.7 de 332 cv, com tração traseira e transmissão automática de sete velocidades. Foi o primeiro modelo da marca a ser oferecido também na versão híbrida. 
● Lançamento do QX50, um veículo utilitário esportivo de médio porte. 
● Lançamento do Q60, um esportivo de luxo (duas portas) oferecido nas versões cupê e conversível. Com grade gigante em forma de boca de tubarão, faróis arrojados e com LEDs, e um para-choque com tomadas de ar pequenas, o estilo esportivo e equilibrado agradou bastante. Uma curiosidade: em 2016 o diretor executivo de design da INFINITI, Alfonso Albaisa, levou o cupê esportivo Q60 para ser emplacado em Cuba. Trata-se do primeiro registro de um automóvel norte-americano (apesar da origem japonesa, o modelo é fabricado nos Estados Unidos) em 58 anos na ilha do falecido Fidel Castro. 
● Lançamento do Q70, um luxuoso e potente sedã. Oferecido em várias motorizações (3.7-litros V6, 5.6-litros V8 ou 3.5-litros V6 hybrid), o modelo tem interior luxuoso com sistema de som da americana Bose. A linha oferece a versão Q70L, com carroceria estendida (ganhou 15 centímetros na distância entre eixos, para privilegiar o espaço para joelhos e pernas de quem viaja no banco traseiro). 
● Lançamento do QX70, um crossover esportivo com motor potente e visual arrojado. 
2014 
● Lançamento do jipão de luxo QX80, uma reformulação do QX56 (introduzido em 2004) que passou por uma reestilização. Com espaço para sete pessoas (há opção de oito assentos), o modelo traz um motor 5.6 V8 de 400 hp e câmbio automático de sete marchas. 
2015 
● Lançamento do Q30, um pequeno hatchback luxuoso com cinco portas. O modelo premium tem design ousado e bastante fiel ao conceito apresentado em 2013. Com visual diferenciado, a versão Sport é 15 mm mais baixa, tem suspensão mais firme, para-choques mais esportivos, grade frontal em preto brilhante e rodas de liga leve aro 19. 
2016 
● Lançamento do QX30, um pequeno crossover de luxo com 4.430 mm de comprimento e que oferece 192 mm de altura ao solo. O motor é um 2.0 turbo a gasolina, que envia a potência para as rodas traseiras através de uma transmissão automática de sete velocidades.


A nomenclatura 
Seus modelos de cupês e sedãs recebem nomes com uma letra (Q), enquanto os utilitários esportivos e crossovers recebem duas letras (QX) como denominação. Após a(s) letra(s) segue um número que reflete o lugar do modelo na linha da marca. Essa nova nomenclatura foi adotada a partir de 2013. O primeiro modelo a seguir esta nova nomenclatura foi o Q50, que substituiu o sedã G.


As tecnologias e o pioneirismo 
Muita além de design, potência e luxo, a INFINITI sempre prezou pela utilização das mais avançadas tecnologias para criar uma experiência de condução fantástica. Ao longo dos anos a marca introduziu tecnologias revolucionárias, e muitas das quais pioneiras, na indústria automobilística: 
Intelligent Cruise Control (2001): sistema que detecta o tráfego à frente, ajustando a velocidade automaticamente para que o condutor possa manter distância segura, aumentando a resposta de reação em caso de acidentes. 
Infiniti Voice Recognition (2002): sistema pioneiro de reconhecimento de voz que permite ao condutor assumir o comando das configurações do veículo sem tirar as mãos do volante. 
Around View® Monitor (2007): pioneira e revolucionária, esta tecnologia permite ter acesso virtual de 360° do veículo durante manobras. 
Active Lane Control™ (2007): sistema que utiliza câmeras na carroceria para detectar as faixas de rolamento no pavimento e avisar ao condutor quando o veículo sair delas. 
Blind Spot Intervention™ (2010): primeiro sistema de intervenção de pontos cegos capaz de detectar quando alguém entra na área do ponto cego e, caso o condutor mude de faixa, a direção é ajustada, orientando o motorista de volta à sua posição. 
Backup Collision Intervention (2012): sistema pioneiro de colisão traseira capaz de detectar perigos iminentes e ativar automaticamente os freios. 
Direct Adaptive Steering® (2014): sistema que controla de forma mais apurada os ângulos dos pneus e os movimentos da direção, transmitindo as intenções do condutor para as rodas mais rapidamente do que um sistema mecânico tradicional. O sistema conta ainda com quatro modos de customização de acordo com as preferências de condução do motorista ou com as condições do pavimento. 
Intelligent Dual Clutch Control (2014): transmissão inteligente de dupla embreagem.


A evolução visual 
O logotipo da marca INFINITI (cujo nome deriva de infinity, “infinito” em inglês) é composto por duas linhas centrais em um distintivo. Isso representa uma estrada indo em direção ao desconhecido. Por algum período, essa identidade visual ganhou um visual em 3D (imagem á direita), mas rapidamente retornou ao original. O logotipo também pode ser aplicado na horizontal.


Os slogans 
Empower The Drive. (2016) 
Inspired Performance. (2009) 
Accelerating the Future. (2001) 
Thinking of you. (1996) 
It’s everything that’s possible. (1994)


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Lançamento: 8 de novembro de 1989 
● Criador: Nissan Motor Co. Ltd. 
● Sede mundial: Wan Chai, Hong Kong 
● Proprietário da marca: Infiniti Motor Company Ltd. 
● Capital aberto: Não (subsidiária da Nissan Motor Co. Ltd.) 
● Chairman & CEO: Roland Krüger 
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Concessionárias: 350 
● Vendas globais: 230.000 veículos (2016) 
● Presença global: 50 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 6.000 
● Segmento: Automobilístico 
● Principais produtos: Carros de luxo 
● Concorrentes diretos: Lexus, Acura, Cadillac, BMW, Audi, Mercedes-Benz, Land Rover e Volvo 
● Slogan: Empower The Drive. 
● Website: www.infinitiusa.com 

A marca no mundo 
Atualmente existem mais de 350 concessionárias da marca espalhadas por quase 50 países (entre eles Canadá, Estados Unidos, México, China, Arábia Saudita, França, Alemanha, Suíça, Itália, Austrália, Cingapura e Reino Unido), sendo mais de 200 delas localizadas nos Estados Unidos. Em 2016 a marca vendeu mais de 230 mil unidades no mundo inteiro. A marca INFINITI já comercializou mais de 1.5 milhões de automóveis desde seu lançamento no mercado. A empresa possui unidades de produção no Japão, Estados Unidos, Reino Unido e China. Já seus estúdios de design estão localizados em Atsugi-Shi (próximo a Yokohama), Londres, San Diego e Beijing. 

Você sabia? 
● Curiosamente a marca INFINITI não é utilizada no mercado japonês, onde alguns modelos são comercializados com a marca Nissan. 
● A marca oferece o Infiniti inTouch™, um avançado sistema de comunicações (que oferece navegação, conveniência, segurança e entretenimento) com duas telas grandes sensíveis ao toque. 
● A marca japonesa investe em marketing de várias formas. Por exemplo, em 2011 a INFINITI passou a ser uma das patrocinadoras principais da equipe Red Bull na Fórmula 1, e atualmente é patrocinadora da Renault Sport Formula One™ Team. Durante alguns anos, o piloto alemão Sebastian Vettel foi o embaixador global da marca, promovendo a chegada de novos produtos e a inserção da INFINITI em vários mercados. Atualmente o embaixador global da marca é o jogador de basquete Stephen Curry. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Quatro Rodas e Exame), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 19/9/2017