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2.8.19

ABB


Poucos no mundo conhecem a empresa suíça/sueca ABB. Mas saiba que ela está presente em sua vida cotidiana muito mais do que você possa imaginar. Afinal, a ABB é líder em tecnologias de energia e automação que possibilitam aos clientes da indústria, concessionárias de serviços, de infraestrutura e transporte a melhora de seu desempenho ao mesmo tempo em que reduzem o impacto ambiental. 

A história 
Para contar a história da ABB é preciso voltar no tempo. Charles Eugene Lancelot Brown e Walter Boveri fundaram a BBC (abreviação de Brown, Boveri & Cie) na cidade suíça de Baden em 1891. Os pioneiros no setor de engenharia elétrica vislumbraram a eletricidade como referência para os novos tempos. Eles contribuíram e se envolveram também no setor ferroviário. Em 1913 a BBC forneceu as primeiras locomotivas para a linha Albula e foi a primeira das “forças motrizes” por trás da eletrificação da rede ferroviária suíça. Logo em seguida, foi a primeira empresa a transmitir energia de alta tensão. Já a sueca ASEA nasceu em 1890, resultado da fusão das empresas Elektriska Aktiebolaget (fundada em 1883 como uma fabricante de geradores e iluminação elétrica por Ludvig Fredholm) e Wenströms & Granströms Elektriska Kraftbolag (cujo criador, Jonas Wenström, inventou em 1899 o sistema trifásico para geradores, transformadores e motores).


Nas décadas seguintes essas duas empresas foram responsáveis por grandes avanços tecnológicos, alguns dos quais pioneiros na história do desenvolvimento das engenharias elétrica e mecânica, como por exemplo, a primeira turbina a vapor na Europa (1901), o maior transformador de 2.500 kVA (kilovolt ampere) autorrefrigerado do mundo (1932), a primeira turbina de combustão a gás para gerar eletricidade (1939), a primeira locomotiva de alta velocidade com eixo de transmissão adequado exclusivamente em vagões de plataforma (1944), o primeiro envio de informação por dispositivo de frequência realizado por uma linha de alta tensão de 735 kV para uma estação de energia de unidade de controle (1953), introdução de um tiristor aprimorado capaz de controlar muito mais corrente elétrica do que dispositivos existentes (1963), o lançamento de um dos primeiros robôs industriais (1978) e a instalação de um dos nove geradores na maior estação hidrelétrica do mundo em Itaipú na América do Sul (1984).


A ABB (uma abreviação de Asea Brown Boveri) foi fundada oficialmente no dia 5 de janeiro de 1988 quando essas duas empresas, consideradas líderes em um segmento conhecido como “indústria eletrotécnica”, decidiram unir suas forças para formar um dos maiores conglomerados no mundo. A nova empresa, com sede na cidade suíça de Zurique, tinha faturamento de US$ 18 bilhões e empregava 160.000 pessoas em todo o mundo. Suas principais operações incluíam geração, transmissão e distribuição de energia; transporte elétrico; e automação industrial e robótica. Já no ano seguinte, a ABB comprou mais 40 empresas, incluindo os ativos de transmissão e distribuição da Westinghouse Electric, e da Combustion Engineering (C-E). Essas duas grandes aquisições ampliaram as operações mundiais de transmissão e distribuição de energia da ABB e proporcionaram uma participação de mercado substancial no segmento de projetar e construir instalações de geração de energia nos Estados Unidos.


Em 1990, a ABB lançou o Azipod, uma família de sistemas de propulsão elétrica que eram fixados na parte externa dos navios proporcionando funções de impulso e stearing. Esses sistemas aumentavam a manobrabilidade, eficiência e espaço disponível à bordo. Nesta época, a ABB começou a expandir suas operações na Europa Central e Oriental. Um padrão similar ocorreu na Ásia, onde as reformas econômicas na China e o levantamento de algumas sanções ocidentais ajudaram a abrir a região para uma nova onda de investimento externo e crescimento industrial. Em 1995, a ABB concordou em fundir sua unidade de engenharia ferroviária com a da Daimler-Benz AG da Alemanha. O objetivo era criar a maior fabricante mundial de locomotivas e vagões ferroviários. No final desta década, em 1998, a empresa lançou no mercado o FlexPicker, um robô delta (de três braços) projetado unicamente para a indústria de separação e empacotamento. Ainda este ano, adquiriu a unidade de automação da Alfa Laval, sediada na Suécia, que na época era um dos principais fornecedores europeus de sistemas de controle de processo e equipamentos de automação.


Em julho de 2013, a ABB adquiriu a Power-One em uma transação de US$ 1 bilhão, para se tornar a principal fabricante global de inversores solares. No ano seguinte, apresentou o YuMi, um robô inovador de montagem de braço duplo que permite que pessoas e máquinas trabalhem lado a lado, liberando um novo potencial de automação em várias indústrias. Em 2018, para promover sua posição como fornecedora com a maior base instalada de estações de carregamento rápido de EV em todo o mundo, a ABB tornou-se patrocinadora do Campeonato da FIA de Fórmula E, a primeira série internacional totalmente elétrica de automobilismo. E ainda apresentou o carregador Terra High Power para veículos elétricos, capaz de carregar em oito minutos energia suficiente para permitir que um carro elétrico viaje 200 quilômetros. Ainda este ano, concluiu a aquisição da GE Industrial Solutions, empresa global de eletrificação, e anunciou a venda 80.1% de seus negócios de Power Grids (que oferece produtos de energia e automação, sistemas, serviços e soluções de software em toda a cadeia de valor de geração, transmissão e distribuição de energia) para a japonesa Hitachi. A mais recente novidade da empresa atende pelo nome de ABB Ability™, uma ferramenta, desenvolvida em parceria com a Microsoft, que cria soluções e serviços que podem ser aplicados diretamente na rotina dos principais segmentos da indústria, como transporte, infraestrutura, petróleo e gás, energia elétrica, entre outros.


Com um histórico de inovação de mais de 130 anos, a empresa está escrevendo o futuro da digitalização industrial com duas claras propostas de valor: trazer a eletricidade de qualquer usina para qualquer tomada e automatizar indústrias de recursos naturais até produtos acabados. A ABB é atualmente líder em indústrias digitais com quatro negócios líderes globais focados no cliente: Eletrificação (oferece um amplo portfólio de produtos, soluções e serviços digitais, desde infraestrutura EV - carregamento elétrico -, inversores solares, subestações modulares, automação de distribuição, proteção de energia, interruptores até tomadas e plugues industriais, permitindo a eletrificação segura, inteligente e sustentável), Automação Industrial (oferece uma ampla gama de soluções para indústrias de processo e híbridas, incluindo automação integrada, eletrificação e soluções digitais específicas do setor, tecnologias de controle, software e serviços avançados, assim como medição e análise para o mercado marítimo e de turboalimentador), Movimento (uma linha completa de motores elétricos, geradores, drives/acionamentos e serviços, bem como produtos de transmissão de potência mecânica e soluções integradas de powertrain digital) e Robótica e Automação Discreta (fornece soluções de valor agregado em automação de robótica, máquinas e fábricas), suportados pela plataforma digital ABB Ability™.


Os slogans 
Let’s write the future. Together. (2016) 
Power and Productivity for a better world. (2008) 
Ingenuity at work. (1999) 
Our solutions become standards. (1999) 
Think globally act locally. (1988)


Dados corporativos 
● Origem: Suíça/Suécia 
● Fundação: 5 de janeiro de 1988 
● Fundador: Fusão da Asea e da Brown Boveri & Compagnie (BBC) 
● Sede mundial: Zurique, Suíça 
● Proprietário da marca: ABB Ltd. 
● Capital aberto: Sim (1988) 
● CEO: Peter Voser 
● Faturamento: US$ 27.6 bilhões (2018) 
● Lucro: US$ 2.17 bilhões (2018) 
● Valor de mercado: US$ 40.7 bilhões (agosto/2019) 
● Presença global: 100 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 147.000 
● Segmento: Energia e automação 
● Principais produtos: Robôs, sistemas e soluções de automação para concessionárias de energia, infraestrutura e indústrias 
● Concorrentes diretos: GE, Siemens, Emerson, Honeywell, Fanuc Robotics, Kuka Robot Group, Eaton e Schneider 
● Slogan: Let’s write the future. Together. 
● Website: www.abb.com.br 

A marca no mundo 
Atualmente a ABB é líder em tecnologias nas áreas de energia e automação industrial, está presente em mais de 100 países ao redor do mundo, com aproximadamente 147.000 funcionários e um faturamento de US$ 27.6 bilhões (dados de 2018). A empresa suíça/sueca desenvolve tecnologias e produtos para eletrificação, robótica, automação industrial e redes elétricas. Mais da metade do faturamento da ABB é proveniente de mercados europeus, quase um quinto da Ásia, do Oriente Médio e África, sendo que um quarto é gerado pelas Américas do Norte e do Sul. No Brasil a ABB conta com 6 mil funcionários divididos em 6 unidades espalhadas pelo país. 

Você sabia? 
A antecessora da empresa iniciou suas atividades no Brasil em 1912, quando forneceu os equipamentos elétricos para um dos cartões postais do país, o Bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. 
O maior acionista da ABB é a poderosa família Wallenberg. O resto do patrimônio líquido é distribuído a um número estimado de 290.000 acionistas. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Exame), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 2/8/2019

19.10.08

BERKSHIRE HATHAWAY


Como aplicar a sabedoria e os princípios de investimento do gênio das finanças em sua vida. O jeito mais fácil é investir em ações da empresa BERKSHIRE HATHAWAY, controlada pelo visionário e guru Warren Buffett, um dos homens mais ricos e influentes do planeta. No mercado financeiro Buffett é um mestre em encontrar pechinchas (o que é razoavelmente fácil) e comprá-las barato (o que não é tão simples). Isto explica, porque mesmo em plena crise financeira mundial, as ações de sua empresa são cotadas a preços altíssimos. 

A história 
A BERKSHIRE HATHAWAY é uma companhia americana que supervisiona e gere um conjunto de subsidiárias em vários setores. O desempenho dos negócios da empresa é um fiel espelho do enorme talento para multiplicar dinheiro de um homem: Warren Buffett. A história teve início muito antes de Buffett ingressar para o mundo dos negócios. E começou com a Hathaway Manufacturing Company fundada em 1888 pelo industrial Horatio Hathaway na cidade de New Bedford, estado de Massaschusetts. O principal negócio da empresa era o comércio de tecidos de algodão e obteve grandes lucros até o início do declínio da indústria do algodão após a Primeira Guerra Mundial. O empresário Seabury Stanton, que colocou muito do seu próprio dinheiro para manter a empresa em curso, foi o grande responsável pela manutenção do negócio durante os anos mais difíceis. Em 1955, o empresário decidiu realizar a fusão da empresa com a Berkshire Fine Spinning Associates, uma empresa fundada pelo comerciante Oliver Chace, que operava no ramo de moagem de algodão desde 1839. A empresa resultante da fusão era enorme: 15 fábricas, mais de 12.000 empregados e receita superior a US$ 120 milhões. A denominação da nova companhia passou a ser BERKSHIRE HATHAWAY.


Seabury Stanton tinha o objetivo de manter o negócio, mas ele não era um especialista financeiro. Até o final dos anos de 1950, a empresa tinha fechado sete de suas instalações e demitido um grande número de trabalhadores. O preço das suas ações havia caído e muitos especialistas já alertavam para uma falência eminente. Porém este quadro de crise começou a ser revertido com a entrada na companhia de um dos maiores visionários do mundo dos negócios: Warren Buffett. Isto teve início em 1962 quando ele começou a comprar ações da BERKSHIRE HATHAWAY. Em 1965, quando Buffett assumiu o controle da empresa, na época uma firma com origem no setor têxtil, mas que também vendia seguros, as ações da BERKSHIRE HATHAWAY eram negociadas a menos de US$ 10. Depois que Warren Buffett assumiu o controle, a empresa passou a atuar em duas áreas. Em primeiro lugar, manteve o seu core business no segmento têxtil; em segundo, começou gradualmente a utilizá-lo como um instrumento de investimento. No ano de 1967, a empresa ampliou seus negócios na área de seguros ao adquirir a National Indemnity Company, uma pequena, mas promissora companhia de seguro da cidade de Omaha. Dois anos mais tarde, comprou o Illinois National Bank. Também nesse ano, foi liquidada a Buffett Partnership, cujos investidores passaram à condição de acionistas da BERKSHIRE HATHAWAY – que passou a representar o papel de holding de seus investimentos, com suas ações negociadas na Bolsa de Valores. Já em 1969, a BERKSHIRE HATHAWAY tinha lucros anuais de aproximadamente 30%.


No ano de 1972, adquiriu a See’s, uma empresa lendária da costa oeste, produtora e distribuidora de chocolates. Cinco anos depois, comprou o jornal Buffalo Evening News. Ainda neste ano, os lucros operacionais somavam US$ 21.9 milhões – valor que dobraria nos próximos três anos. Em 1983, o número de acionistas subiu de 1.900 para 2.900. Já o valor da ação saltou de US$ 737 para US$ 975, acumulando ganhos de 22.6% ao longo dos 18 anos de controle da empresa por Buffett. Com o passar do tempo, ele percebeu que o negócio do setor têxtil estava em dificuldades, devido ao aumento da concorrência estrangeira e alta dos custos estruturais. Em 1985, a BERKSHIRE HATHAWAY interrompeu definitivamente o seu papel histórico no segmento têxtil, encerrando as deficitárias operações no setor. As participações minoritárias da empresa somavam ações adquiridas por US$ 275 milhões e que valiam US$ 1.2 bilhões no mercado, com destaque para os 38% detidos na Geico, tradicional seguradora americana e que se tornou uma importante fonte de capital para outros investimentos da empresa. Em outubro de 1987, mais especificamente no dia 19 daquele mês, quando o índice Dow Jones despencou mais de 22%, maior queda em um único dia já registrada na história do índice, Warren Buffett, ao contrário do mercado que estava extremamente desesperado e sem saber o que fazer, manteve a calma e fez uma de suas maiores aquisições de ações da The Coca-Cola Company, se aproveitando do momento no qual ele enxergou uma oportunidade onde todos só visualizavam tragédias. Em 1989, as ações da BERKSHIRE HATHAWAY passaram a ser listadas na Bolsa de Valores de Nova York. No mesmo ano, o valor contábil da empresa cresceu US$ 1.5 bilhões, nada menos que 44.4%. Sua participação na Geico ultrapassou a barreira de US$ 1 bilhão – apesar do investimento inicial ter sido de apenas US$ 45.7 milhões.


Buffett conquistou sua fortuna baseando seus investimentos em empresas com potencial de crescimento em longo prazo. Um dos ensinamentos que ele gostava de passar adiante era que: paciência vale ouro. Segundo ele, o bom investidor se compromete com as ações de uma boa companhia para toda a vida e ignora ascensões e quedas momentâneas. Buffett não costumava se arriscar em ofertas iniciais de ações (IPO, sigla em inglês) e preferia ações de companhias que vendessem produtos tradicionais, como alimentos e roupas. Sinal de sua cautela foi a recusa em adquirir ações de empresas de tecnologia. Apesar disso, ele já admitiu em público seu arrependimento por não ter comprado a Microsoft, por exemplo, do seu grande amigo Bill Gates, quando o valor das ações ainda estava em um patamar que justificavam o investimento. Alguns dos principais investimentos da BERKSHIRE HATHAWAY nos próximos anos foram: American Express, The Walt Disney Company e The Gillette Company.


O ano de 1995 foi memorável: a empresa cresceu US$ 5.3 bilhões em valor contábil – nada menos que 45%. E fechou o ano com US$ 22 bilhões em participações minoritárias, com destaque para: US$ 7.4 bilhões da The Coca-Cola Company; US$ 2.5 bilhões da The Gillette Company; US$ 2.5 bilhões da Capital Cities/ABC; US$ 2.4 bilhões da Geico; US$ 2 bilhões da American Express; e US$ 1.5 bilhões do banco Wells Fargo. Essa carteira havia sido adquirida por um total de US$ 5.7 bilhões. Ao final dos anos de 1990, Buffett detinha 38% da BERKSHIRE HATHAWAY – avaliados em aproximadamente US$ 36 bilhões – fortuna apenas superada pela de Bill Gates, na época. No ano seguinte, adquiriu a resseguradora General Re – uma das quatro maiores do mundo – por US$ 22 bilhões, em ações. Nos anos seguintes, a empresa ingressou em um conjunto de negócios não relacionados com seguros, como por exemplo, arte e decoração, publicação de jornais, venda de enciclopédias, distribuição de uniformes, joalherias e até calçados. Entre 2000 e 2001, a BERKSHIRE HATHAWAY adquiriu a Benjamin Moore, da área de tintas; a Shaw Industries, produtora de tapetes; e a Johns Manville, produtora de impermeabilizantes.


No dia 29 de fevereiro de 2008, Buffet anunciou em sua carta aos acionistas seu único investimento em moeda estrangeira para o ano de 2007: para espanto de todos, o investimento que vinha fazendo desde 2002 era na moeda brasileira (real) frente ao dólar. Somente em 2007 o dólar recuou 17.2% em relação ao real. Com esse investimento Warren conseguiu um lucro de US$ 2.3 bilhões. Na mesma carta, Warren deu indícios sobre sua possível sucessão na direção da BERKSHIRE HATHAWAY. O maior ganhador na tormenta em que se transformou o mercado financeiro global na época foi Warren Buffett, que além de comprar importantes participações acionárias na General Electric (US$ 3 bilhões) e no banco Goldman Sachs (US$ 5 bilhões), viu a sua fortuna crescer US$ 8 bilhões entre 29 de agosto e 1º de outubro. Em novembro de 2009 a empresa anunciou que, utilizando US$ 26 bilhões, iria adquirir o restante da BNSF Railway que ainda não possuía. O último grande negócio fechado pela empresa foi a compra da fabricante de componentes da indústria aeroespacial Precision Castparts por US$ 32 bilhões, anunciada em agosto de 2015 e finalizada em janeiro de 2016. E desde 2016, a empresa adquiriu grandes participações nas principais companhias aéreas americanas e atualmente é a maior acionista da United Airlines e Delta Air Lines, e uma das três principais acionistas da Southwest Airlines e da American Airlines.


Atualmente, as subsidiárias da empresa atuam nos mais diferentes segmentos, com destaque para seguros, resseguros, transporte ferroviário, serviços de utilidade pública, energia, finanças, manufaturas, alimentos, serviços e varejo. A parte de seguros é capitaneada pela Geico e suas subsidiárias; a parte de finanças tem o Wells Fargo, Bank of America, US Bancorp e a American Express como maiores representantes; o setor de alimentos e bebidas tem a Kraft-Heinz e a The Coca-Cola Company; o seguimento de energia é liderado pela Berkshire Hathaway Energy; o varejo conta com o Walmart; e a parte de tecnologia e serviços conta com a IBM. Além disso, em 2013, a empresa criou a Berkshire Hathaway HomeServices (BHHS), uma rede de franquias de corretagem imobiliária, que atende desde compradores da primeira casa aos mercados de sofisticados imóveis residenciais, além de imóveis comerciais. Hoje a BHHS conta com 42 mil corretores e mais de 1.500 unidades distribuídas por 47 estados americanos.


Os investimentos 
A BERKSHIRE HATHWAY é um conglomerado que controla mais de 50 empresas dos mais variados setores e tamanhos, é dona de seguradoras, redes de alimentação rápida, joalherias e até da fabricante de facas Ginsu. Atualmente é proprietária em quase ou na totalidade das empresas: 
● ACME BRICK COMPANY (produtora de cerâmicas comprada em 2000) 
● BENJAMIN MOORE & CO. (produtora de tintas adquirida em 2001) 
● BORSHEIM’S FINE JEWELRY (comprada em 1989, é uma tradicional joalheria americana) 
● BROOKS (marca de materiais esportivos adquirida em 2006) 
DAIRY QUEEN (comprada em 1997, é uma rede de alimentação rápida presente em 20 países por meio de mais de 6.000 lojas) 
DURACELL (fabricante de pilhas, baterias e lanternas comprada em 2014) 
FRUIT OF THE LOOM (centenária marca de roupas íntimas adquirida em 2002) 
GEICO (comprada em 1996, é a segunda maior seguradora especializada em veículos dos Estados Unidos) 
● GENERAL RE (comprada em 1996, é uma das maiores resseguradoras do mundo com operações em diversos países) 
● HELZBERG DIAMONDS (rede de joalheria com mais de 200 lojas, adquirida em 1995) 
● JUSTIN BRANDS (comprada em 2000, é um grupo que reúne cinco fabricantes de botas do meio-oeste americano) 
● LUBRIZOL (indústria química adquirida em 2011) 
● MID AMERICAN ENERGY (comprada em 2000, está entre as maiores produtoras e distribuidoras de energia dos Estados Unidos e Inglaterra. Por meio de subsidiárias, atua no segmento de gás natural e energia hidrelétrica, térmica, eólica e nuclear) 
● NEBRASKA FURNITURE MART (comprada em 1983, é uma varejista de móveis e eletroeletrônicos) 
● NETJETS (comprada em 1998, é uma empresa de propriedade compartilhada de jatos executivos) 
● PILOT FLYING J (rede de lojas de conveniência com mais de 550 unidades adquirida em 2017) 
● RUSSEL BRANDS (empresa de materiais esportivos adquirida em 2006 e proprietária de marcas como a Russell Athletic e Spalding
● SCOTT FETZER (comprada em 1985, é uma holding que reúne 22 companhias, entre elas uma editora de enciclopédia e a empresa que produz as facas Ginsu) 
● SEE’S CANDIES (comprada em 1972, é uma fabricante americana de doces e chocolates com mais de 200 lojas espalhadas pelo país)


A empresa ainda possui participações acionárias em importantes e sólidas empresas de capital aberto como: 
AMERICAN EXPRESS CO. (finanças) - 16.2% 
APPLE (tecnologia) – 2.6% 
BANK OF AMERICA (finanças) – 6.6% 
GM (automóveis) – 3.2% 
GOLDMAN SACHS (finanças) – 2.8% 
IBM (tecnologia) – 8.4% 
● MOODY’S CORPORATION (agência de avaliação de risco) - 12.7% 
● M&T BANK (finanças) - 3.4% 
● PHILLIPS 66 (petróleo e gás) – 14.5% 
PROCTER & GAMBLE CO. (consumo) – 1.95% 
● RESTAURANT BRANDS INTERNATIONAL (varejo de alimentação) – 4.1% 
THE COCA-COLA COMPANY (bebidas) – 9.2% 
● THE KRAFT-HEINZ COMPANY (alimentos) – 26.6% 
● U.S. BANCORP (finanças) - 4.9% 
● USG (construção) - 27.2% 
● VERISIGN (tecnologia) – 11.8% 
WALMART STORES (varejo) – 1.8% 
WELLS FARGO (finanças) – 9.65%


O grande evento 
A empresa realiza desde 1965 um tradicional encontro com acionistas na cidade de Omaha, evento que ficou conhecido como “Woodstock do Capitalismo”. Uma multidão de investidores, cada vez mais numerosa, vem do mundo inteiro para ouvir de perto os conselhos e palpites de Warren Buffett e do seu “braço direito” Charlie Thomas Munger, em primeira mão, e absorver os insights muito valiosos sobre empresas, mercados, economia, governança corporativa e muito mais. Em 2017, mais de 30 mil acionistas estiveram presentes no evento, batizado de Berkshire Hathaway Annual Shareholders Meeting e realizado no CenturyLink Center, uma grande arena de jogos de basquete. E foi apenas a segunda vez em que o encontro foi transmitido ao vivo para investidores ou entusiastas que não são acionistas da empresa.


O visionário 
Através de estratégias fundamentalistas, ele se tornou um dos homens mais ricos do mundo e sua história de investimentos dispensa comentários. E por tudo isso, ganhou o apelido de “Oráculo de Omaha”. O americano Warren Edward Buffett nasceu no dia 30 de agosto de 1930 na cidade de Omaha, estado do Nebraska. Seu pai, Howard Buffett, foi um corretor da bolsa de valores e membro do Congresso Americano. Desde cedo, Buffett tinha uma queda por números: com seis anos já comprava garrafas de Coca-Cola na venda de seu avô e as revendia com pequeno ágio e aos oito anos começou a ler os livros do pai sobre o mercado de ações. Aos 11 anos, Buffett comprou três ações da Cities Service por US$ 38 cada uma para ele e sua irmã mais velha, Doris. Logo após comprar as ações, os papéis despencaram para US$ 27. Receoso, ele manteve suas ações. Assim que elas atingiram US$ 40, as vendeu rapidamente, mas iria se arrepender profundamente dessa decisão mais tarde. As ações da Cities Service dispararam para US$ 200. A experiência ensinou a Buffett uma de suas lições básicas de investimento: paciência é uma virtude. Aos 13 anos trabalhava como entregador de dois jornais. Em 1944 comprou um Rolls-Royce e o alugava por US$ 35 por dia. Também adquiriu 40 acres de terra em Nebraska e alugava para um fazendeiro. Em 1945, comprou uma máquina de fliperama recondicionada por US$ 25, e após algum tempo já era dono de seis máquinas locadas em barbearias, faturando US$ 50 por semana. Aos 16 anos já possuía US$ 6.000 em economias.


Com 17 anos entrou para a Wharton School of Finance da Universidade da Pensilvânia. Rapidamente concluiu que as teorias financeiras tinham pouca importância no mundo dos negócios e resolveu se transferir para a Universidade de Nebraska onde se formou em economia no ano de 1951. Tentou ingressar em Harvard, mas foi rejeitado. Pouco depois, iniciou o mestrado de economia na Columbia Graduate Business School, onde foi aluno de Benjamin Graham. Após concluir seus estudos, continuou em contato com seu ex-professor, Ben Graham, indo trabalhar em 1954 na Graham-Newman, que se dissolveu dois anos depois. Warren Buffet foi influenciado por ele – que enfatizava os fatores mensuráveis das empresas: ativos, lucros e dividendos. Para limitar os riscos, Graham aconselhava a diversificação da carteira. Sua abordagem era a de comprar uma ação por um preço muito baixo, de modo a permitir a venda a um preço mais alto com um grau de certeza bastante grande. Em outras palavras, Graham enfatizava a procura de barganhas: gente necessitando de recursos e aceitando vender a qualquer preço. Um negócio assim iniciado tem uma boa chance de oferecer algum retorno.


Ele voltou a Omaha em 1956, sem nenhum plano em mente, até que alguém lhe pediu que cuidasse de seus investimentos. Com o apoio da família e dos amigos, aos 25 anos, Buffett começou uma sociedade limitada de investimentos com sete pessoas que lhe confiaram US$ 105 mil. Buffett não somente comprou posições minoritárias, como também majoritárias em várias companhias. Acreditando que os momentos de baixa eram a oportunidade perfeita para aumentar a carteira com papéis de uma empresa e esperar pela valorização, Buffet adquiriu 49% das ações da BERKSHIRE HATHAWAY, em 1965, durante o auge das dificuldades financeiras. Nos próximos anos o instinto de fazer dinheiro transformaria Warren Buffett em um dos homens mais ricos do mundo. Hoje suas ideias são cultuadas de maneira quase religiosa por seguidores e são propagadas em centenas de livros nos Estados Unidos.


Sobre o destino de sua fortuna, Buffett costumava dizer que deixaria para os filhos apenas o suficiente para que eles fizessem o que quisessem – mas não demais, senão eles não fariam coisa alguma. O resto doaria para a caridade. Foi o que fez. Warren Buffett foi casado com Susan Thompson, entre 1952 e 2004, e com ela teve três filhos: Alice, Howard Graham e Peter. Após a morte de Susan, quase todas as suas ações da empresa, avaliadas na época em quase US$ 3 bilhões, foram deixadas para uma fundação que mais tarde receberia o seu nome. Em 2006 casou-se com Astrid Menks. Sua fortuna é estimada em US$ 80.3 bilhões, o que lhe garante o título de segunda pessoa mais rica do mundo de acordo com o ranking de 2017 da revista Forbes. Apesar de sua imensa fortuna, ele é famoso por levar uma vida despretensiosa e simples, pois continua vivendo na mesma casa (foto abaixo), no bairro de Dundee, em Omaha, comprada em 1958 por US$ 31.500, e dirigindo o próprio carro que, diga-se de passagem, faz questão de sempre os comprar usados.


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 1955 
● Fundador: Seabury Stanton 
● Sede mundial: Omaha, Nebraska, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Berkshire Hathaway Inc. 
● Capital aberto: Sim 
● Chairman & CEO: Warren Buffett 
● Faturamento: US$ 223.6 bilhões (2016) 
● Lucro: US$ 24.07 bilhões (2016) 
● Valor de mercado: US$ 461.2 bilhões (novembro/2017) 
● Presença global: 50 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 367.700 (em sua maioria nas subsidiárias) 
● Segmento: Conglomerado de investimentos 
● Principais produtos: Gestão de investimento, seguros e indústrias em geral 
● Concorrentes diretos: Allstate, Allianz, AXA, BlackRock, Norges Bank Investment Management e KKR & Co. 
● Ícones: O mega-investidor Warren Buffett 

A marca no mundo 
Atualmente a BERKSHIRE HATHAWAY é uma holding com atuação em diversos setores, incluindo propriedades, seguros e resseguros, serviços de utilidade pública, energia, frete ferroviário, serviços financeiros, indústria e varejo, controlando empresas ou possuindo participações acionárias significativas, que faturou mais de US$ 223 bilhões em 2017. Além disso, a empresa possuía (até meados de 2017) aproximadamente US$ 100 bilhões em caixa. A BERKSHIRE HATHAWAY é a 2ª maior empresa dos Estados Unidos de acordo com o ranking da revista Fortune 500 de 2017. 

Você sabia? 
Hoje, uma única ação da empresa vale US$ 282.000, após uma assombrosa valorização em pouco mais de cinco décadas. Quem tivesse aplicado US$ 10 mil em ações da empresa em 1965, teria hoje mais de US$ 50 milhões. 
O salário anual do CEO da BERKSHIRE HATHAWAY é de US$ 100 mil, um dos mais baixos entre as grandes empresas americanas. 
No site da empresa, é possível encontrar todas as cartas anuais aos acionistas que o próprio Warren Buffett escreve desde 1977. 
Em 2017, na China, a Coca-Cola cujo maior investidor é a BERKSHIRE HATHAWAY, colocou a caricatura do investidor Warren Buffett, nas garrafas e latas de uma nova linha de produtos, sabor cereja. O próprio americano é um consumidor inveterado do produto: costuma tomar cinco latas por dia, sendo que prefere a versão normal enquanto está no trabalho e de cereja em casa. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Isto é Dinheiro, Época Negócios e Exame), jornais (Valor Econômico, Folha e Estadão), portais (ebiografia), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 1/11/2017

17.10.06

VIRGIN


Onde há uma oportunidade, lá está Sir Richard Branson e sua marca, a VIRGIN, pronto para fazer acontecer. Seu grupo começou com uma gravadora e lojas de discos, depois decolou com o transporte aéreo espalhando-se para serviços diversos como bancários, viagens, entretenimento, saúde e fitness e comunicação. Hoje são mais de 60 empresas sob a poderosa marca VIRGIN. O incansável espírito de empreendedorismo e inovação de Sir Richard criou um grupo diversificado. A motivação para criar um novo negócio pode ser uma paixão pessoal (seu gosto por viagens de balão deu origem à Virgin Balloon Fligths), satisfazer-se como consumidor (a dificuldade, em determinada ocasião, de conseguir um voo para Porto Rico fez com que criasse a Virgin Atlantic Airways) ou desafiar marcas consolidadas (o que o levou a criar a Virgin Cola, considerada um fracasso). “Começo uma empresa quando encontro algo que me interessa”, disse certa vez em uma entrevista à revista The New Yorker. E assim é o espírito da VIRGIN. 

A história 
As empresas do Grupo VIRGIN são tão criativas e fantásticas como a personalidade de seu criador: Sir Richard Charles Nicholas Branson, um simpático barbicha com cara de roqueiro maluco. Ele é mesmo um homem incomum. Gago e tímido foi mau aluno, o que levou seu pai a dizer que “Richard não seria grande coisa na vida”. Ledo engano. Começou sua empreitada em 1968 juntamente com seu amigo de escola John Holland-Gem, quando fundou a Student, uma revista alternativa para a juventude, que conectava estudantes e abordava temas de importância social, como por exemplo, gravidez na adolescência e tentativas de suicídio. O lado social sempre esteve presente nas iniciativas dele, sendo um dos fatores de seu sucesso até os dias de hoje. Feita por estudantes para estudantes, a publicação conseguiu a proeza de vender US$ 8 mil em anúncios publicitários logo em sua primeira edição. O dinheiro foi suficiente para custear a primeira impressão de 50 mil exemplares gratuitos, e fez Richard abrir os olhos para o grande potencial do que tinha em mãos. Os negócios começaram a prosperar e, quando a circulação aumentou, ele decidiu abandonar a escola. O diretor lhe disse: “Branson, de duas, uma: ou você se tornará um milionário, ou vai acabar na cadeia”. Ambas as previsões se realizaram. Poucos anos depois, em fevereiro de 1970, juntamente com seu amigo Nik Powell, fundou a empresa que viria a se tornar a VIRGIN, começando a vender discos pelo correio. O nome VIRGIN foi escolhido porque era o primeiro negócio oficial de Sir Richard Branson. Como algumas operações eram internacionais, em um imbróglio fiscal, foi preso pelas autoridades aduaneiras e libertado com pagamento de fiança pouco depois.


No ano seguinte já inaugurava a primeira loja (imagem acima) em plena Oxford Street na cidade de Londres, um lugar onde, além de comprar discos, as pessoas podiam se encontrar e ouvir músicas. Em 1972, já então com 20 lojas em funcionamento, fundou seu primeiro estúdio de gravação o VIRGIN RECORDS, localizado em uma mansão em Shirton-on-Cherwell, próximo a Oxford, e que se tornaria um marco na indústria musical. Em 25 de maio de 1973, a gravadora lançou seus primeiros quatro álbuns, entre os quais, Tubular Bells, de Mike Oldfield, que se tornou um dos maiores sucessos de vendas da década, com mais de cinco milhões de exemplares comercializados. Em três anos, a VIRGIN era a empresa mais quente do mercado britânico, e Branson, com quase 24 anos, já era milionário.


Os próximos anos foram dedicados a crescer e diversificar o portfólio de empresas e produtos, a maioria delas sob a poderosa imagem da marca VIRGIN, na cor escarlate como o sangue. E a gravadora ganhou ainda mais notoriedade ao assinar contrato com a banda punk Sex Pistols em 1977, e cujo disco “Never Mind the Bollocks” fez enorme sucesso no mercado britânico. Além da repercussão mundial que causou, o disco abriu as portas para uma enxurrada de novas bandas do estilo punk, divulgando ainda mais o nome da gravadora. Aproveitando-se disso, a VIRGIN assinou com nomes como Culture Club, Rolling Stones e Genesis, tornando-se uma das maiores gravadoras do mundo. Ainda nesta década a empresa se expandiu com a abertura, em 1978, de seu primeiro night-club, chamado The Venue, onde atuavam os artistas da gravadora. Logo depois, a VIRGIN RECORDS começou a atuar no mercado internacional, inicialmente por meio de licenças, e mais tarde estabelecendo subsidiárias próprias, a primeira delas na França. Finalmente em 1981 a VIRGIN começava a ganhar dinheiro. Phil Collins, ex-baterista dos Genesis, assinou com a empresa. Neste momento a VIRGIN MUSIC tinha nove músicas no Top 20 britânico. Apesar do sucesso, Sir Richard parecia não ter limites, comprando o clube Roof Gardens, em Kensington, e o clube gay Heaven, em Charing Cross, além de lançar a revista Event. Em 1982, mais dois artistas importantes, Boy George e os Culture Club, assinam os direitos mundiais com a VIRGIN.


No ano seguinte, ele procurava novos negócios para investir. Nascia então a VIRGIN VISION (precursora da VIRGIN COMMUNICATIONS), criada para distribuir filmes e vídeos e operar no setor de televisão; a Vanson Developments, para explorar oportunidades na promoção imobiliária no Reino Unido; e a VIRGIN GAMES, editora de software de jogos para computador. Porém, uma de suas maiores apostas, começou a florescer em 1984, quando o advogado americano Randolph Fields propõe a Richard investir em uma companhia aérea. Nasciam assim a VIRGIN ATLANTIC AIRWAYS e a VIRGIN CARGO, duas das empresas que seriam as mais rentáveis do grupo. Em 1988, a empresa vendeu 67 das 102 lojas VIRGIN à empresa W.H. Smith, para financiar a instalação da VIRGIN MEGASTORES em Paris, e quitar a dívida da Virgin Atlantic Airways, que comprava, neste ano, o seu quarto avião.


Em 1990 nascia a VIRGIN LIGHTSHIPS para desenvolver um novo tipo de publicidade em balões a hélio, iluminados internamente. No ano seguinte ocorreu o lançamento da primeira estação de rádio comercial de rock, a INR2. Em 1992 o grupo vendeu a VIRGIN MUSIC, a joia da coroa de Sir Richard, para a Tohrn EMI por US$ 1 bilhão. Com dinheiro em mãos, investiu em outras empresas do grupo, em especial na companhia aérea. Em 1996 nascia a VIRGIN BRIDE, em Londres, que chegou a ser a maior loja de noivas da Europa, e a VIRGIN NET, empresa de internet do grupo.


Quando parecia que a saga de Sir Richard tinha chegado ao fim, ele lançou novos serviços como uma empresa de cosmético e cuidados pessoais em 1997; serviços financeiros; o refrigerante VIRGIN COLA, que estreou oficialmente em Nova York no ano de 1998; o cartão de crédito VIRGIN em 2002; uma empresa para explorar o turismo espacial; uma companhia aérea de baixa tarifa na Nigéria; além do lançamento do serviço de telefonia móvel em outros países como Estados Unidos, Canadá e África do Sul. Depois a empresa ingressou do milionário mundo da Fórmula 1 com a escuderia VIRGIN RACING, aventura que duraria pouco, as daria visibilidade a marca. E nos últimos anos diversificou sua empresa e a marca VIRGIN para os setores de saúde e fitness, e mais recentemente, para cruzeiros marítimos.


As empresas 
O Grupo VIRGIN é composto por mais de 60 empresas e marcas que atuam nos mais variados segmentos de mercado. As empresas do grupo têm uma coisa em comum: não importa o segmento em que atuam, todas proporcionam ao consumidor uma experiência de entretenimento. Não interessa se o consumidor vai ouvir uma música, falar ao telefone, voar de Londres a Nova York, andar horas de trem ou até mesmo desejar ir ao espaço em um futuro próximo, a VIRGIN tenta oferecer mais diversão e experiência que os concorrentes.


Dentre as muitas empresas e marcas, as mais importantes e inusitadas são: 
VIRGIN MEGASTORES (1971) 
Rede de lojas especializadas em música, filmes, jogos para videogames e eletrônicos. Atualmente o grupo é proprietário de 14 lojas nos Emirados Árabes Unidos. 
Uma das melhores e mais conceituadas companhias aéreas do planeta, transporta anualmente 5.3 milhões de passageiros, em uma das frotas mais novas da aviação mundial, composta por 44 aeronaves para 30 destinos na Ásia, Europa, Caribe, África do Sul e América do Norte com faturamento anual de £2.66 bilhões. Atualmente a VIRGIN detém somente 20% da companhia aérea. 
VIRGIN HOLIDAYS (1985) 
Uma agência de turismo que tinha como principal objetivo vender pacotes de férias e assentos nos aviões da Virgin Atlantic Airways para suas rotas de Nova York, Orlando e Miami. Atualmente a agência vende para 397.000 passageiros (dados de 2017) pacotes turísticos e passagens aéreas para os Estados Unidos, Canadá, Caribe e África do Sul. Também é responsável pela VIRGIN HOLIDAYS CRUISES, que vende pacotes turísticos para cruzeiros marítimos. 
VIRGIN BALLOON FLIGHTS (1987) 
Opera a maior frota de balões do Reino Unido em mais de 100 localidades diferentes na Inglaterra, Escócia e País de Gales. Por ano mais de 30 mil passageiros voam em seus balões. As viagens, para até 19 pessoas, duram cerca de uma hora. 
VIRGIN BOOKS (1991) 
Editora de livros, inclusive digitais, no segmento de esportes, romances, ficção, cultura popular, humor e música. Atualmente a VIRGIN detém apenas 10% do negócio. 
VIRGIN RADIO (1993) 
Estações de rádios do grupo, inclusive pela internet. O grupo licencia a marca VIRGIN para estações de rádios em outros países da Europa, América do Norte, Oriente Médio e Ásia, com mais de 18 milhões de ouvintes diariamente. 
VIRGIN VOUCHER (1995) 
Uma espécie de vale-presente que pode ser utilizado na maioria das empresas do grupo e seus parceiros. 
VIRGIN MONEY (1995) 
Empresa de serviços financeiros que oferece cartões de crédito, empréstimos, pensões e seguros com atuação no Reino Unido (onde possui mais de 4 milhões de clientes), Austrália e África do Sul. A VIRGIN detém 34% da empresa. 
VIRGIN TRAINS (1997) 
A empresa foi constituída para aproveitar a oportunidade criada pela privatização da companhia estatal British Rail em meados da década de 1990. A empresa opera serviços de passageiros de longa distância na Linha Principal da Costa Oeste, entre Londres, West Midlands, Noroeste da Inglaterra, Norte do País de Gales e Escócia. O serviço conecta seis das maiores cidades do Reino Unido, como Londres, Birmingham, Manchester, Liverpool, Glasgow e Edimburgo, que possui uma população metropolitana combinada de mais de 18 milhões de pessoas. Uma das vedetes da empresa é o “Pendolino”, um super-moderno trem elétrico. A VIRGIN detém 51% do negócio. 
VIRGIN ACTIVE (1999) 
Rede de modernas academias com mais de 60 unidades espalhadas pelo Reino Unido. A rede possui unidades também na Itália, Espanha, Portugal, Austrália, e África do Sul com um total de mais de 200 academias e 975.000 alunos. A VIRGIN detém 20% da rede de academias. 
VIRGIN MOBILE (1999) 
Empresa de telefonia móvel que comercializa aparelho e planos, com milhões de clientes em países como Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália, África do Sul, Irlanda, Emirados Árabes Unidos, México, Colômbia, Chile, entre outros. 
VIRGIN EXPERINCE DAYS (2001) 
Empresa de vale-presentes corporativos exóticos e inusitados como estadias em spas, experiências de direção em automóveis como Porsche e Ferrari, passeios em balões, rafting, entre outras experiências radicais. Seu slogan é “Live for the present”
VIRGIN GALACTIC (2004) 
Empresa criada para desenvolver o turismo espacial comercial. Centenas de pessoas já se inscreveram para viajar, no futuro, para o espaço a bordo da VIRGIN GALACTIC, em um voo de três horas em que os passageiros irão experimentar a sensação de anti-gravidade, uma vez que a nave alcança uma altura superior a 100 quilômetros. Em 2018, a nova nave espacial da empresa (Virgin Galactic VSS Unity) realizou o seu primeiro voo supersônico, a partir do deserto de Mojave, na Califórnia, o primeiro desde o acidente fatal em 2014 que matou um piloto. O teste foi considerado um sucesso. O bilhete da viagem deverá custar aproximadamente €200 mil e inclui um curso de formação de três dias. A VIRGIN é proprietária de 33% da empresa. 
VIRGIN PULSE (2004)
Empresa com foco em saúde corporativa que oferece uma plataforma digital para que empregadores possam engajar seus funcionários em práticas saudáveis e mudanças de estilo de vida. A empresa adotou esse nome somente em 2013. 
VIRGIN LIMITED EDITION (2009) 
Turistas milionários podem se hospedar nas propriedades paradisíacas de Sir Richard, como a Ilha Necker, no Caribe, ou a reserva Ulusaba, na África do Sul, e até mesmo desfrutar de um catamarã à vela de 32 metros com itinerários feitos sob medida, aconchegantes vilas e chalés localizados em Moskito Island (Ilha Virgens Britânicas) e Kasbah Tamadot (Marrocos). A mais nova opção oferecida pela empresa atende pelo nome Necker Nymph, um planador subaquático tripulado capaz de explorar o fundo do mar do Caribe, cujo mergulho turístico custa US$ 25.000 por semana. Outro serviço oferecido é o aluguel do Necker Belle, o iate de 105 pés de Sir Richard, por US$ 88.000 por semana. 
VIRGIN HEALTH BANK (2009) 
Empresa de armazenamento de células tronco. Seu banco de saúde armazena células tanto para uso privado quanto para uso público. A empresa atua no Reino Unido. O slogan da empresa é “With you for life”
VIRGIN HOTELS (2010) 
Rede de hotéis (quatro estrelas) cuja primeira unidade foi inaugurada na cidade de Chicago em 2015. A rede tem unidades em desenvolvimento em cidades como Nova York, Dallas, San Francisco, Nova Orleans, Washington, Las Vegas, entre outras. 
VIRGIN CARE (2010) 
É uma rede assistencial, formada por clínicas populares, e que hoje é subcontratada pelo NHS (o sistema público inglês) para assistir a população do Reino Unido. São mais de 400 unidades distribuídas em Primare Care Services (atendimento emergencial e clínica geral), Intermediate Care Services (especialidades), Community Services (reabilitação, saúde sexual, cuidados paliativos etc) e Social Care Services. 
VIRGIN OCEANIC (2011) 
Empresa de exploração oceânica que no futuro oferecerá viagens turísticas ao fundo do mar, para que pessoas comuns possam fazer viagens que hoje apenas pesquisadores são capazes de realizar. 
VIRGIN RACING (2013) 
Escuderia que compete no campeonato mundial de carros elétricos, que teve a temporada inaugural em 2014. 
VIRGIN VOYAGES (2014) 
Empresa de cruzeiros marítimos que deverá iniciar suas operações em 2020. A empresa já encomendou três navios, e promete oferecer o melhor serviço de cruzeiros que inicialmente se concentrarão no Caribe, e também um tratamento diferenciado para seus tripulantes.


Outras empresas que ostentavam a marca VIRGIN foram vendidas, muitas delas por decisão estratégica do grupo, como por exemplo, a VIRGIN WINES, criada em 1999 para vender exclusivamente vinho pela internet e vendida em 2005 para a Direct Wines; a VIRGIN AUSTRALIA, companhia aérea fundada em 3 de agosto de 2000, que se transformou na segunda maior empresa aérea da Austrália, e alguns anos atrás se tornou independente, apenas licenciando o nome VIRGIN; a VIRGIN AMERICA, companhia aérea doméstica americana que iniciou suas atividades no dia 8 de agosto de 2007 com 12 aeronaves que voavam para 5 destinos e foi recentemente vendida para o Alaska Group; a VIRGIN GAMES, empresa fundada em 2003 para a criação e desenvolvimento de jogos de apostas para internet como cassino, pôquer, bingo, entre outros, que foi vendida em 2013; a VIRGIN MEDIA, fundada em 2006 como uma operadora de televisão a cabo, telefone fixo e móvel, além de internet no Reino Unido, sendo atualmente de propriedade da Liberty Global (sob royalties da VIRGIN).


Mas Sir Richard Branson também comete erros. E algumas de suas empreitadas acabaram não vingando, como por exemplo, a VIRGIN DRINKS, empresa criada para comercialização de bebidas como o refrigerante VIRGIN COLA, introduzido no mercado americano em 1998, e bebidas alcoólicas como a VIRGIN VODKA, lançada em 1994 no mercado inglês; a VIRGIN LIMOBIKES, empresa criada em 1995 para a prestação de serviços diferenciados de moto táxis em Londres; a VIRGIN BRIDES, loja de vestidos e acessórios para noivas, madrinhas e damas de honra, inaugurada em 1996 na cidade de Londres, em cuja inauguração Sir Richard compareceu vestido a caráter, com véu e grinalda, além de raspar seu lendário cavanhaque; o V FESTIVAL, empresa de organização de festivais de música no Reino Unido, Austrália, Canadá e Estados Unidos, cujo primeiro evento foi realizado em agosto de 1996, com um dia de shows no Victoria Park e dois dias no Hylands Park; a VIRGIN LIMOUSINES, empresa criada em 1999 para prestar serviço de aluguel de limusines nas cidades californianas de San Francisco, Oakland e região; a VirginStudent criada no início dos anos 2000 como uma espécie de rede social para estudantes; e a VIRGIN SPA, empresa criada em 2006 que chegou a administrar mais de 17 spas na África do Sul.


Fazendo o bem 
Em setembro de 2004, Sir Richard criou a VIRGIN UNITE, uma fundação sem fins lucrativos, para lidar com problemas sociais e ambientais difíceis, e que se esforça para tornar os negócios uma força para o bem. Hoje em dia, Sir Richard Branson dedica a maior parte de seu tempo à fundação com atuação no Reino Unido, Canadá, África do Sul, Estados Unidos e Austrália. A fundação apoia projetos diversos, como por exemplo, defender os direitos gays, trabalhar para a reforma das políticas de drogas, lutar contra a caça predatória e a pena de morte.


O gênio por trás da marca 
Ele é ousado, atrevido e boa-pinta. Carismático, provocativo e determinado. Corajoso, exibido e impulsivo. E claro bilionário (sua fortuna pessoal é de US$ 5.1 bilhões, dados de 2017). Richard Charles Nicholas Branson nasceu no dia 18 de julho de 1950 em Surrey, já atravessou oceanos de balão, quebrou recordes de velocidade, fez aparições em filmes de James Bond e seriados como Friends, Baywatch e The Simpsons, e chegou a aparecer nu em pêlo na capa de uma revista famosa (posando para incrédulos fotógrafos). “Você nunca vai ser nada na vida” disparou um furioso Edward Branson para seu filho mais velho, Richard. Pesava sobre os ombros de Edward, um respeitado advogado vindo de uma família tradicional, ver seu primogênito indo muito mal nos estudos e abrindo dentro de casa um comércio para venda de discos por correio. Já sua mãe, Eve, tinha sido aeromoça nas rotas entre o Reino Unido e a América do Sul. Será que estaria escondido em algum ponto obscuro e desconhecido de seu DNA sua paixão pela aviação? Pelo menos não até aqueles anos loucos, os Swinging Sixties em Londres. Mas esta é uma das facetas da fascinante personalidade de Branson: apesar de ser extremamente sincero, ele sempre guarda cartas sob as mangas dos suéteres de tricô, que são sua marca registrada. A paixão pela aviação talvez estivesse dormente, escondida sob o seu verdadeiro talento: vender. Desde o início de seu comércio caseiro de discos, sempre soube vender tudo o que quis, pelo preço que desejasse: de discos e preservativos (o que faria décadas depois) aos projetos pessoais mais tresloucados, como cruzar o Atlântico em uma lancha ou dar a volta ao mundo em um balão sem reabastecer.


A venda de discos por correspondência logo cresceu para uma sobreloja em Oxford Street. E depois finalmente para uma gravadora. Os próximos anos foram dedicados a crescer e diversificar o portfólio de empresas e produtos, a maioria delas sob a imagem poderosa da marca VIRGIN. De boates a jornais para adolescentes, de lojas de conveniência a empresas de táxi e companhias aéreas, o império de Branson crescia, bem como sua notoriedade. Seu jeito, porém, permanecia o mesmo: incorrigível, costumava ligar diretamente para seus interlocutores, e só parou de fazê-lo, pois não era mais atendido. As pessoas sempre achavam que se tratava de trote. Ou então, convidava os funcionários para festas a fantasia, apostando qualquer bobagem com algum deles. Quem perdesse, tinha de tirar toda a roupa. Como consequência, foi visto por seus funcionários mais do que uma vez do mesmo jeito que sua mamãe o via quando passava talquinho no seu bebê. Em outra aposta, Branson perdeu para o amigo Tony Fernandes, então executivo chefe da AirAsia, sobre o resultado da Fórmula 1. Para pagar a aposta, se vestiu de aeromoça da AirAsia e serviu os passageiros. E ainda teve que ver Fernandes “demiti-lo” no primeiro dia de trabalho. Ele também já se vestiu de Papai Noel e Coelhinho da Páscoa. Como Papai Noel, percorreu a Avenida Champs-Élysées, em Paris, em 2007, para promover sua estação de rádio. Claro que a mística, a atração pela pessoa de Branson só fazia crescer na mesma proporção de seus negócios. Um faro inato para os negócios, um jeito pessoal cativante, franco e direto, e um gosto pela autopromoção que beira o mais desvairado narcisismo são algumas de suas características fundamentais, e pontos-chave para provar errado o vaticínio de seu rabugento pai.


Não sendo de nenhuma família nobre, seu sucesso na estrada da vida lhe valeu o título de “Sir” em 1999, ao receber a honraria de Cavaleiro concedida pela Rainha da Inglaterra. Pelo menos no marketing, Sir Richard Branson tem sangue azul: ele é o Rei do Marketing. Mas também comete erros. E admite que o pior deles foi o lançamento do refrigerante VIRGIN COLA. O produto sumiu de muitas prateleiras, mas Sir Richard, que era disléxico (pessoa que possuí um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração), não cansava de repetir que ele era líder de mercado em Bangladesh. Quando não está dando expediente em sua ilha particular no Caribe (a Necker Island, localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, adquirida em 1978 por US$ 180 mil), ele é o garoto-propaganda de quase todas as suas mais de 60 empresas, sempre com bom humor e muitas vezes em situações inusitadas. Para lançar a marca de vestidos de noiva VIRGIN BRIDE, por exemplo, vestiu-se de branco e raspou seu lendário cavanhaque. No anúncio da empresa de telefonia VIRGIN MOBILE, desceu a fachada da loja de CDs VIRGIN MEGASTORE de Londres pendurado em uma corda. E já chegou a se vestir de aeromoça, nem tão sexy, em voos da Virgin Atlantic Airways. A pessoa que ele mais admirava no mundo era seu amigo Nelson Mandela. Uma vez, Mandela telefonou-lhe para dizer que uma grande rede de spas havia quebrado e 5.000 pessoas iriam perder o emprego. Ele tomou um avião, olhou os livros e a VIRGIN chegou a ter 85% dos spas na África do Sul.


A casa dele em Londres é uma residência de quatro andares do século 19. Ele não tem motorista. Toma táxi. Assim como a rainha, não carrega dinheiro e tem de arranjar trocados com os colegas. Tampouco carrega chaves. Espera do lado de fora de seu escritório até que alguém o deixe entrar. Em festas flerta acintosamente e, muitas vezes, é protagonista de trotes maldosos, como erguer uma mulher de vestido curto até que todos vejam sua lingerie. Os ingleses acham isso encantador. Os americanos provavelmente o processariam. Sir Richard Branson é mesmo surpreendente. Seu carisma, fortuna e presença constante na mídia conseguiram vários amigos influentes, especialmente duas mulheres muito famosas na sua Grã-Bretanha. A Dama de Ferro, Margaret Thatcher, que via nele o arquétipo ideal de seus sonhos neoliberais. E sempre a ocupar um lugar especial em seu coração, ninguém menos que Sua Alteza Real, a Princesa de Gales, Lady Di. As aventuras de Sir Richard estão bem documentadas no livro “Losing My Virginity” e sua visão de negócios é descrita no livro “Business Stripped Bare”.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por apenas uma grande remodelação ao longo dos anos. O logotipo original da marca, criado pelo ilustrador inglês Roger Dean e conhecido como “The Gemini”, apresentava gêmeas siameses nuas descansando em frente à árvore psicodélica com um dragão ao lado, cuja cauda tremulava sugestivamente entre as pernas. Em 1979, o tradicional logotipo da marca como conhecemos hoje foi rascunhado em um guardanapo, por um jovem designer. Depois de passar por uma atualização com afinamento da letra e mudança no design da letra V, em 2006, esse logotipo passou por uma pequena modernização, adotando uma nova tipografia de letra.


Dados corporativos 
● Origem: Inglaterra 
● Fundação: Fevereiro de 1970 
● Fundador: Sir Richard Branson e Nik Powell 
● Sede mundial: Londres, Inglaterra 
● Proprietário da marca: Virgin Group Ltda. 
● Capital aberto: Não 
● Chairman: Peter Norris 
● CEO: Josh Bayliss 
● Faturamento: £19.5 bilhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Empresas/produtos: 60 
● Presença global: 35 países 
● Presença no Brasil: Não 
● Funcionários: 71.000 
● Segmento: Conglomerado 
● Principais produtos: Companhia aérea, trens, comunicações, mídia, entretenimento e turismo 
● Concorrentes diretos: SpaceX, Blue Origin, British Airways, FirstGroup, Verizon, T-Mobile, Thomas Cook e TUI Travel 
● Ícones: Sir Richard Branson e a cor vermelha escarlate 
● Website: www.virgin.com 

A marca no mundo 
O VIRGIN GROUP é um conglomerado privado composto mais de 60 empresas e marcas, que emprega ao todo mais de 71 mil pessoas em 35 países, servindo anualmente mais de 53 milhões de consumidores todos os anos. Os analistas falam em um faturamento de £19.5 bilhões por ano. O grupo ganha dinheiro através de uma mistura complexa de participações em empresas e royalties obtidos com o licenciamento da marca. A VIRGIN é um conglomerado incomum. A maior parte de sua receita vem de uma companhia aérea (da qual só detém 20%), telefonia, serviços bancários, comunicação móvel, mídia, turismo e transporte ferroviário. Porém, 20% vêm de dezenas de empreendimentos pequenos e espalhados, tanto que, é difícil acreditar, que o próprio Sir Richard se lembre de todos. 

Você sabia? 
A VIRGIN é uma das marcas de maior prestigio na Europa. Além disso, a VIRGIN tem um reconhecimento de marca de 99% no Reino Unido, França e Austrália, além de 96% nos Estados Unidos e África do Sul. 
A empresa ainda possui o VIRGIN GREEN FUND, um fundo de investimentos criado em 2006 que coloca milhões de dólares em projetos de combustíveis alternativos e energia renovável na América do Norte e Europa. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Valor Econômico, Folha e Estadão), portais (Terra), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 24/4/2018