6.6.06

ADIDAS


Atletas no lugar mais alto do pódio. Quebras de recordes. Limites superados. Muitas vitórias e incontáveis títulos. Dificilmente em alguma dessas situações esportivas às singelas “três listras” não estiveram presentes. Nenhuma marca simboliza mais a eficiência e competitividade alemã nos esportes que a adidas.  

A história  
As origens da marca datam de 1920 quando Adolph Dassler (foto abaixo), filho de um sapateiro, iniciou um modesto negócio na pequena cidade alemã de Herzogenaurach, localizada no coração da Baviera, ao norte de Nuremberg, para consertar e até produzir calçados esportivos e malas militares, como forma de sustentar sua família. A velha lavanderia de sua mãe foi rapidamente convertida em uma modesta oficina de 18 m². Mas o jovem fanático por esportes precisaria ser muito criativo para trabalhar nos difíceis anos do pós-guerra, sem dispor de máquinas, eletricidade ou materiais adequados. Inicialmente, o negócio era parecido como o de qualquer outro sapateiro, mas ele nunca desistiu de seu sonho e da paixão por desenvolver calçados esportivos duráveis para proteger os atletas de lesões. Nesta época todos os calçados eram de couro e feitos à mão.
  

Após um período difícil de inflação e desemprego, seu irmão - Rudolf - se juntou ao negócio em 1924. Foi então que os irmãos fundaram no dia 1 de julho a “Gebrüder Dassler Schuhfabrik” (em alemão, Fábrica de Calçados Esportivos dos Irmãos Dassler), inicialmente empregando apenas 12 trabalhadores. Sendo um vendedor treinado, Rudolf era responsável principalmente por tarefas administrativas, enquanto Adolf concentrava-se no desenvolvimento e na produção. Em pouco tempo, trabalhando dia e noite em sua oficina ampliada, os irmãos e seus funcionários conseguiam produzir 50 pares de calçados por dia. Em 1925, Dassler obteve suas primeiras patentes: uma para um calçado de corrida com cravos forjados a mão, e outra para uma chuteira de futebol com travas. Tudo motivado pela ideia que o guiou durante toda sua vida: a de que cada atleta tivesse o calçado adequado para o esporte que praticava, evitando assim lesões e melhorando o desempenho. O sucesso dos modelos serviu de incentivo para Adi Dassler, que logo desenvolveu calçados esportivos específicos para outras modalidades.
   

Em 1927, os irmãos alugaram suas primeiras instalações e rapidamente a produção subiu para 100 pares de calçados por dia. Utilizando sua própria experiência e a ajuda de atletas e técnicos para desenvolver e projetar seus calçados, já em 1928, alguns esportistas alemães disputaram os Jogos Olímpicos de Amsterdã utilizando calçados especiais da oficina dos irmãos Dassler, incluindo a corredora dos 800 metros Lina Radke, que conquistou a medalha de ouro. No ano seguinte, a empresa produziu suas primeiras chuteiras de futebol, com solado de couro e travas combinadas com uma “barra de estabilização”. Em 1931, ocorreu a introdução dos primeiros calçados para a prática do tênis. Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1932, o alemão Arthur Jonath tornou-se o primeiro atleta a ganhar uma medalha usando calçados Dassler, tendo conquistado o bronze nos 100 metros rasos – o endosso que faltava para os irmãos empreendedores. Nesta década, a oficina produzia, com a ajuda de 100 funcionários, aproximadamente 30 modelos de calçados para 11 modalidades esportivas diferentes, incluindo patins com quatro rodas.
  

Nas controversas Olimpíadas de 1936, em Berlim, atletas usando calçados Dassler conquistaram nada menos que 40 medalhas de ouro, incluindo quatro do lendário atleta afro-americano Jesse Owens, confirmando assim a reputação dos calçados entre os esportistas mais famosos do mundo, e despertando o interesse de treinadores de várias equipes nacionais. Mas o ódio de Adolf Hitler foi tanto que, assim que a Segunda Guerra Mundial começou, ele mandou confiscar a fábrica dos irmãos. Com o país em escombros após o conflito, os irmãos retomaram o controle de seus negócios. Durante este período, eles encontraram enormes dificuldades para manter o negócio em funcionamento. A matéria-prima era escassa e eles tiveram que recolher dos escombros da guerra lonas de barracas, couro de luvas de beisebol e borracha utilizadas pelos americanos para poder fabricar seus calçados.
   

Foi neste momento que os irmãos, devido a divergências, especialmente políticas, resolveram seguir caminhos distintos. Rudi fundou a Puma (conheça essa história aqui). Adi criou a adidas (escrita com letras minúsculas mesmo) com apenas 47 funcionários. O nome deriva da combinação de “ADI”, apelido de Adolph, e “DAS” iniciais de seu sobrenome Dassler. A partir deste momento os irmãos e as famílias se tornariam, não somente rivais, mas também inimigas. A busca por uma imagem que chamasse a atenção, para tornar seus calçados mais reconhecidos à distância, culminou com o famoso design das três listras, surgindo assim um dos símbolos esportivos mais famosos do mundo. A marca adidas foi registrada somente no dia 18 de agosto de 1949. Também neste ano, as três listras foram registradas oficialmente como marca comercial da adidas.
   

Adi então, concentrou seus esforços na criação de novas chuteiras de futebol. O resultado: foram fabricadas as primeiras chuteiras de futebol com travas de borracha moldada e ajustáveis. Nos Jogos Olímpicos de Helsinque em 1952, a adidas foi a marca de calçados esportivos mais utilizada pelos atletas. Foi neste evento que surgiram os primeiros calçados de corrida com travas removíveis. Outro acontecimento marcante para a adidas que ocorreu nesta Olimpíada foi a conquista de três medalhas de ouro por Emil Zatopek nos 5.000m, 10.000m e maratona, utilizando calçados da marca. A conquista do Campeonato Mundial de Futebol pela Alemanha em 1954 selou definitivamente o sucesso da marca adidas: na lendária partida final contra a Hungria, conhecida como “a Batalha de Berna”, os jogadores da seleção alemã calçavam leves chuteiras de cano baixo com travas de náilon parafusáveis especialmente desenvolvidas por Adi Dassler. Em um gramado molhado e lamacento, esse calçado ajudou os alemães ocidentais a reverter uma desvantagem de dois gols e conquistar uma vitória surpreendente na Copa do Mundo. O evento, transmitido pela televisão para todo o planeta, colocou a Alemanha Ocidental no mapa esportivo e tornou os calçados da adidas mundialmente famosos. Nesta época a empresa já produzia mais de 450.000 pares de calçados todos os anos.
   

Foi nos Jogos Olímpicos de Melbourne, em 1956, que Horst, filho de Adi, deu início ao marketing esportivo moderno. No evento, 75% dos atletas que conquistaram medalhas utilizavam calçados da marca adidas. No final desta década, em 1959, o estabelecimento e a construção de uma fábrica na França foi a primeira tarefa atribuída a Horst. Nos Jogos Olímpicos de Roma em 1960, a americana Wilma Rudolph, apelidada de “Gazela Negra”, ganhou três medalhas de ouro no atletismo utilizando calçados com travas para curta distância.
   

Nesta década, o sortimento de produtos se diversificou e cresceu, incluindo a fabricação de bolas a partir de 1963 e de roupas esportivas desde 1967. Aqui cabe uma explicação. Foi neste momento que a adidas lançou um agasalho esportivo feito de novas fibras sintéticas leves e com um detalhe de estilo marcante: as Três Listras, herdadas dos tênis da marca, que foram aplicadas ao longo dos braços e das pernas. Talvez a verdadeira genialidade desse lançamento tenha sido a escolha do jogador de futebol alemão Franz Beckenbauer para promover o agasalho. Esse lançamento de roupas esportivas com apelo de moda foi um marco fundamental na história da adidas. Afinal, o estilo rapidamente se popularizou nos Estados Unidos, onde a febre da corrida (“jogging”) ganhou força na década de 1970. Com isso, pessoas comuns podiam, então, usar adidas ao sair para correr.
  

Adi Dassler nunca se cansou - até morrer no dia 6 de setembro de 1978 - de buscar o modelo perfeito de chuteiras, tênis e bolas, o que se traduziu em mais de mil patentes e modelos registrados em todo o mundo. Adi foi um homem cujo amor pelo esporte e espírito empreendedor ajudaram a redefinir a indústria de artigos esportivos e a estabelecer um novo padrão em vestuário e calçados de alta performance. A década de 1980 foi marcada pela migração da adidas para o segmento de streetwear, quando o Run-D.M.C., um dos grupos de hip-hop mais influentes da história, lançou em 1986 o hit “My Adidas”, o que culminou com o primeiro grande contrato de patrocínio da marca com um artista não atleta. Vale ressaltar que os integrantes do grupo já usavam os tênis sem cadarços e os agasalhos com as três listras como símbolo de orgulho e identidade cultural. Essa lendária parceria transformou o tênis Superstar e os agasalhos da marca em ícones mundiais do hip-hop, além de consolidar os calçados sem cadarço e com a língua virada como um verdadeiro marco de estilo de rua.
  

Horst Dassler faleceu inesperadamente em 1987, aos 51 anos. O fato ocorreu apenas três anos após a morte de sua mãe, Käthe, e marcou uma mudança na gestão dos negócios. Em 1989, a empresa mudou sua razão social para Adidas AG (sociedade anônima) e estreou na bolsa de valores alemã. No início dos anos de 1990, a marca resolveu investir ainda mais na junção do esporte com o mundo da moda, lançando produtos antigos e clássicos com uma nova interpretação, além de coleções cápsulas assinadas por estilistas e designers. Esse período também foi marcada por dois grandes lançamentos: a linha de produtos premium adidas Equipment e a chuteira Predator. Em 1997, a adidas adquiriu o Grupo Salomon. A aquisição trouxe consigo as marcas Salomon (conheça essa história aqui), TaylorMade, Mavic e Bonfire, abrindo novas oportunidades nos segmentos de esportes de neve e golfe. Nessa época, a empresa passou a congregar a maior variedade do mundo em artigos esportivos, que eram vendidos sob diferentes marcas, em um total de 600 modelos de calçados e 1.500 peças de confecção.
   

Em 2001, a marca inaugurou as duas primeiras lojas da Originals Store nas cidades de Berlim e Tóquio, para vender os produtos “fashion” da marca alemã. A loja se tornou um sucesso em cidades que possuem estreita relação com a moda, como Barcelona, Milão, Nova York, Amsterdã, Londres, São Paulo, Miami, Seul e Hong Kong. Em 2005, ano em que vendeu a marca Salomon, a empresa deu um grande passo para tentar recuperar o mercado mundial de equipamentos esportivos ao comprar a tradicional inglesa Reebok® (conheça essa história aqui) por US$ 3.8 bilhões (que seria vendida em 2021). No ano seguinte executou outra manobra ousada ao pagar aproximadamente US$ 400 milhões para ser patrocinadora oficial da liga profissional de basquete americana (NBA).
   

Em 2008, a empresa inaugurou uma gigantesca loja com 3.170 m² distribuídos por quatro andares, a maior da marca alemã, na cidade chinesa de Pequim, que serviu de modelo para futuras lojas nas principais capitais cosmopolitas do mundo. Pouco depois, em 2011, a marca inaugurou sua primeira Core Store em São Paulo, no shopping Pátio Higienópolis. O conceito pretendia atingir tanto os consumidores de produtos esportivos, quanto os clientes comuns, que buscavam apenas as coleções da marca. Com essa loja, a adidas passou a contar com 11 lojas em São Paulo, seis a mais que Nova York e sete a mais que Londres.
   

Em 2015, ocorreu o lançamento da nova estratégia “Creating the New” (Criando o Novo), que concentrou os esforços da adidas em se tornar uma empresa de código aberto (“open-source”), na qual atletas, consumidores e parceiros faziam parte da marca. Isso marcou o início de um período de maior colaboração que perdura até hoje. A adidas então firmou parcerias com nomes como Pharrell Williams e Lego® (conheça essa história aqui), que resultou em uma ampla variedade de roupas infantis, modelos de tênis feitos de blocos da marca dinamarquesa e diversos modelos de calçados esportivos. Ainda esse ano, a marca estabeleceu parceria com a ONG Parley for the Oceans, lançando calçados fabricados com plástico oceânico reaproveitado a partir de resíduos marinhos.
   

Em maio de 2017 a empresa vendeu suas marcas especializadas em golfe, TaylorMade, Adams Golf e Ashworth, por US$ 425 milhões, principalmente devido à redução drástica da prática de golfe nos Estados Unidos, país que reúne metade dos jogadores do mundo. Em 2019, a adidas firmou uma parceria com a Estação Espacial Internacional (ISS) para estudar a tecnologia de amortecimento e materiais em microgravidade. Vale ressaltar que, em junho de 2026, a marca enviou a Trionda, bola oficial da Copa do Mundial, ao espaço para testes aerodinâmicos conduzidos pela NASA e pelos astronautas. Em 2022, a Gucci® (conheça essa história aqui) e a adidas Originals uniram forças em uma nova colaboração, combinando o legado e os códigos criativos de ambas as marcas. A primeira coleção estreou nas passarelas, apresentando um caleidoscópio de cores e fundindo o icônico Trefoil aos emblemas da marca italiana.
  

A linha do tempo  
1950  
 Introdução da chuteira SAMBA, criada para melhorar tração no gelo, na neve e em terreno congelado.  
1952  
 Introdução das primeiras malas esportivas.  
1957  
 Introdução da primeira chuteira em couro de canguru e solas com ar.  
● Desenvolvimento da primeira meia-sola de poliamida para calçados de corrida. 
1959  
 Lançamento do tênis para treinamento ROM, que apresentava cabedal de couro branco resistente, listras laterais azuis, uma sobreposição de camurça característica na biqueira e o clássico solado de borracha natural com relevo estriado. Coincidindo com os Jogos Olímpicos de Verão realizados em Roma, no ano seguinte, o modelo se tornaria um dos grandes ícones da marca alemã, especialmente por seu design minimalista.  
1960  
 Em comemoração aos Jogos Olímpicos de Roma, a marca lançou o tênis de treinamento ITALIA, que se tornaria um dos maiores símbolos da marca, sendo produzido até os dias de hoje em quantidades muito limitadas.  
1963  
 Início da produção das bolas de futebol.  
1964  
 Introdução do TOKIO 64, sapatilha de atletismo mais leve da época, pesando apenas 135 gramas cada. 
1965 
● Lançamento do adidas Robert Haillet, tênis revolucionário feito inteiramente de couro em homenagem ao tenista francês. Após a aposentadoria de Robert em 1971, a adidas firmou parceria com o astro americano do tênis Stan Smith, e o modelo foi oficialmente renomeado para levar seu nome em 1978.  
1966  
 Lançamento do GAZELLE, um tênis originalmente desenvolvido para treinos e algumas atividades indoor, que se tornou um dos maiores sucessos e ícone da marca alemã. Os primeiros modelos eram feitos de couro de canguru, sendo o primeiro tênis da adidas a apresentar cabedal em camurça. Com duas cores originais (azul e vermelho), o modelo virou ícone de estilo ao migrar das quadras para a cultura pop, abraçado por ícones do Britpop, skatistas e fashionistas. Desde então têm sido relançado em diferentes cores, ano após anos. Atualmente é um símbolo de status.  
1967  
 Introdução da primeira linha de roupas esportivas com as tradicionais três listras.  
1968  
 Lançamento do ACHILLE, primeiro calçado desenvolvido para a prática de corrida, e projetado com solados de poliuretano injetado e múltiplas travas - uma grande inovação para a época. 
1970 
Lançamento do icônico SUPERSTAR, primeiro tênis de basquete (de cano baixo) a apresentar cabedal totalmente em couro e uma biqueira protetora de borracha em formato de concha (“shell toe”). 
1972  
● Lançamento do chinelo ADILETTE, que se tornou um dos maiores clássicos da marca alemã. Vale ressaltar que, em 1970, esse chinelo de banho já era utilizado pelos jogadores da seleção alemã de futebol, antes de ser lançado para o público em geral.  
 Desenvolvimento de calçados para corrida com meia-sola que possuía uma combinação de pele de tubarão e poliamida para proporcionar maior tração.  
1974  
 Lançamento das primeiras raquetes de tênis.  
1976  
 Lançamento de um calçado para atletismo com “sistema Vario”, uma combinação de plástico e metal intercambiáveis.  
1979  
 Lançamento da COPA MUNDIAL, que se tornou a chuteira mais vendida de todos os tempos. Extremamente leve (pesava apenas 270g), com travas e solado de poliuretano, o modelo faz sucesso até os dias.  
 Lançamento do tênis MARATHON TR, originalmente para treinos e corridas de rua e trilha). Pouco depois, em 1980, a marca expandiu a linha com o famoso adidas Marathon 80, icônico tênis de corrida que ficou conhecido por ter sido o calçado de diversos atletas de elite da época. 
1989  
 Introdução do revolucionário sistema TORSION, utilizado até hoje na produção de muitos de seus modelos de calçados. O sistema proporciona estabilidade e controle dos movimentos da parte da frente do pé e do calcanhar.  
1991  
 Lançamento da adidas EQUIPMENT, uma linha de produtos esportivos profissionais de alto desempenho, proteção e conforto, incluindo calçados e roupas. 
1996  
 Lançamento das chuteiras com tecnologia TRAXION nas solas, representando um novo marco de desenvolvimento no segmento.  
2001  
 Lançamento da adidas Originals, uma linha composta por jaquetas, tênis, agasalhos e bolsas, produzida entre as décadas de 1920 e 1980, e relançada com novos desenhos e interpretações, que se tornou carro-chefe da onda retro, e também uma verdadeira mina de ouro para a marca, respondendo por aproximadamente 15% das receitas globais. São peças decoradas com as indefectíveis três listras e o logotipo em forma de trevo.  
 Lançamento do projeto “Experiência em Personalização”, que proporcionava aos consumidores a oportunidade de criar seu próprio calçado exclusivo segundo suas especificações pessoais exatas em termos de função, ajuste e aparência.  
2002  
● Lançamento da Y-3, uma linha fashion assinada pelo designer japonês Yohji Yamamoto, composta por produtos com estilo minimalista e um toque futurista. O principal objetivo do projeto foi fundir a alfaiataria de alta-costura e a estética vanguardista e minimalista de Yamamoto com a tecnologia de performance e o DNA esportivo da adidas. O “Y” vem de Yohji Yamamoto, o “3” representa a famosa assinatura de três listras e o hífen significa a ligação entre os dois.  
2003  
 Lançamento do JetConcept, um revolucionário tecido empregado em trajes aquáticos para nadadores profissionais que diminuía a resistência da água em relação ao corpo. O produto ganharia enorme visibilidade com o nadador australiano Ian Thorpe, que utilizou a vestimenta no campeonato mundial realizado em Barcelona onde conquistou três medalhas de ouro, uma de prata e outra de bronze.  
2004  
 Criação da linha de roupas feminina no estilo esporte/fashion assinada pela badalada estilista Stella McCartney (saiba mais aqui). A linha, batizada de adidas by Stella McCartney, foi pioneira em unir moda de alta-costura e vestuário esportivo de alta performance. A colaboração revolucionou o mercado ao focar fortemente na sustentabilidade.  
2005  
 Lançamento do adidas a1, primeiro tênis inteligente do mundo. Possuía na sola um microprocessador capaz de fazer 5 milhões de cálculos por segundo. O tênis sabia onde pisava: um sensor instalado na parte inferior do calcanhar verificava a inclinação do solo, o tipo de superfície (cimento, madeira, terra ou areia) e enviava esses dados ao chip, que, então, ajustava o amortecimento do tênis de acordo com o impacto. O tênis foi considerado a grande invenção de artigos esportivos daquela década, com seu sistema computadorizado pesavando apenas 425 gramas. Mas o preço não era nada leve. No Brasil, chegou á custar R$ 1.000. Por isso mesmo, a adidas restringiu a produção a 10.000 unidades.  
 Lançamento do adidas_1 BASKETBALL, primeiro tênis inteligente de basquete do mundo.  
2006  
 Lançamento da +F50 TUNIT, chuteira que tinha três opções de cravos, duas de palmilhas e três de carcaças. Essa nova tecnologia revolucionária permitia que o jogador modificasse a qualquer momento o calçado, adaptando-o para qualquer tipo de campo, condição climática e estilo pessoal.  
 Lançamento da inovadora coleção Porsche Design Sport by adidas, composta por vestuário, acessórios e calçado de alta tecnologia. 
2008 
 Lançamento da linha adidas NEO, que trazia uma variada gama de produtos que misturavam as características dos materiais esportivos com a casualidade do fashion, tendo como principal objetivo criar itens para todo tipo de ocasião com preços mais acessíveis e voltadas para adolescentes e jovens adultos.   
2009  
 Lançamento da adidas TERREX, uma linha de calçados e vestuários para atividades ao ar livre (como cross-country ou caminhadas em trilhas). Essa linha havia sido introduzida em 2007 com o nome de adidas Outdoor.  
2017  
 Lançamento de um tênis a prova de cerveja. O produto tinha couro resistente à cerveja, água e até vômito, e era uma homenagem às tradições alemãs. O tênis, batizado de “adidas München - Made in Germany”, era uma edição especial para a tradicional Oktoberfest. 
Lançamento do Futurecraft 4D, um tênis de corrida e lifestyle que se destaca pela sua entressola impressa em 3D, para um amortecimento personalizado e ajustado com precisão. Desenvolvido em parceria com a empresa de tecnologia de síntese de luz Carbon, o modelo substitui a tradicional espuma por uma estrutura de resina e polímeros líquidos moldada por luz e oxigênio. 
2020 
Lançamento do Adizero Adios Pro, um tênis altamente avançado que introduziu o amortecimento LightstrikePRO e as hastes rígidas EnergyRods na sola, para otimizar a eficiência na corrida de maratona.


Inovação Made in Germany  
A marca alemã sempre primou pela busca da excelência em seus produtos, não medindo esforços e investimentos em pesquisas e estudos que resultassem em tecnologias inovadoras capaz de auxiliar o atleta, da melhor forma possível, durante a prática esportiva. A marca alemã inovou ao longo da história introduzindo tecnologias como:  (2002) um sistema, com elementos moldados independentemente, projetados para amortecer, direcionar e impulsionar os pés a cada passo; ClimaCool (2002) que consistia em produtos com ventilação de 360º; e a a², um sistema de gerenciamento de energia, que amortece, orienta e impulsiona o pé proporcionando a passada perfeita. Em 2013, a marca apresentou a tecnologia Boost™. Segundo a empresa, hoje em dia 90% dos tênis de corrida são feitos com espuma EVA, que ajuda a absorver o impacto das corridas e esportes em geral. A inovação da marca estava na substituição deste material pelo Boost™, tecnologia desenvolvida exclusivamente pela empresa em parceria com a BASF (conheça essa história aqui). O Boost™ consiste de milhares de pequenas cápsulas de espuma que, além de absorver o impacto, proporcionando conforto, também retornam a energia usada, impulsionando o atleta.
  

Atualmente a adidas utiliza tecnologias de ponta em calçados esportivos focados em retorno de energia, amortecimento e respirabilidade. Os destaques incluem a espuma super leve Lightstrike (desenvolvida para treinos rápidos e maratonas de elite) e Primeknit (cabedal em material têxtil inovador que se ajusta aos pés como uma meia, conforto respirabilidade, suporte direcionado e flexibilidade). No segmento de tecidos, a marca oferece o AEROREADY (projetado para absorver a umidade da pele e acelerar a evaporação do suor) e o HEAT.RDY (utiliza materiais leves, ventilação avançada e design antiaderente para resfriar o corpo e manter a respirabilidade quando a temperatura sobe).
   

Um ícone de travas  
O futebol foi o esporte que impulsionou a adidas rumo ao sucesso e reconhecimento mundial. Tudo começou na década de 1920 quando as pesadas bolas e chuteiras (de quase 1 kg) faziam com que os jogadores sentissem enorme dificuldade em arrematar com qualidade. Para melhorar esse quesito os irmãos Dassler realizaram modificações no calçado. Era o início de uma revolução no futebol. As inovações mais marcantes começaram na década de 1950: os canos baixaram, as travas podiam ser trocadas de acordo com o terreno e o peso foi reduzido para 500g. A partir de então, ao longo das décadas, a marca alemã vem continuamente criando inovações (como por exemplo, a utilização do tecido de couro de canguru) e usando o que há de mais moderno em tecnologia para lançar modelos de chuteiras que facilmente caem no gosto de grandes jogadores de futebol, já tendo calçado os pés de lendas, como por exemplo, Zinedine Zidane, Zico, David Beckham, Raúl Gonzales, Kaká, Lotthar Mathaus, Lionel Messi, entre outros craques.
  

O maior ícone da marca neste segmento apareceria em 1994, criado pelo ex-meio-campista australiano do Liverpool e do Middlesbrough, Craig Johnston: adidas Predator (foto abaixo), que tinha como principal atrativo nervuras de borracha texturizadas acopladas à parte superior do cabedal, mais precisamente no “peito do pé”, que prometiam melhorar controle de bola, o efeito e a potência no chute. A chuteira apresentava o icônico visual em preto, branco e vermelho. O primeiro gol oficial marcado com a chuteira Predator foi do jogador escocês John Collins, atuando pelo Celtic em um clássico Old Firm. Em 1995, foi lançado a Predator Rapier, primeira chuteira da marca que oferecia diversas combinações de cores - até então a adidas só fabricava modelos em preto e branco -, que se tornou famosa por introduzir a icônica língua dobrável. A Predator Touch, lançada em 1996, foi inovadora pelo fato de ter sido a primeira a utilizar solado com as travas do tipo “Traxion” e possuir uma língua que cobria toda a área dos cadarços, o que proporcionava uma maior área de chute. Esse modelo tornou-se um grande ícone do esporte, sendo utilizada com destaque por lendas como Zinedine Zidane e David Beckham.
  

Nos anos seguintes a adidas lançou modelos da Predator cada vez mais avançados e tecnológicos: 
Predator Accelerator (1998) 
Lançada pouco antes do mundial da França, trazia uma reestilização do solado Traxion e a inovação dos laços assimétricos, além de oferecer quatro diferentes combinações de cores (preto e branco; preto, vermelho e branco; vermelho e preto; e branco e amarelo). Marcou época pelo cabedal em couro de canguru e pelas icônicas faixas de borracha na área de impacto para maior precisão e efeito. 
Predator Precision (2000) 
Apresentava travas intercambiáveis (fabricadas em diversas alturas, permitindo serem trocadas de acordo com a condição do gramado). 
Predator Mania (2002) 
O modelo, difundido na Copa do Mundo do Japão e da Coréia do Sul, trouxe novas cores (como por exemplo, champanhe e dourado), além de se destacar pelo cabedal em couro premium, áreas emborrachadas para controle e pela famosa lingueta dobrável com elástico. 
Predator Pulse (2004) 
A chuteira apresentou o PowerPulse, um sistema de deslocamento de 40 gramas de peso para a ponta, que prometia otimizar o centro de gravidade do jogador em relação ao ponto de impacto do chute. 
Predator PowerSwerve (2008) 
A chuteira apresentava novidades como uma palmilha dinâmica com enchimento em tungstênio que ajudava a transferir mais peso para o ponto de impacto, aumentando a potência dos chutes; e o SmartFoam, um material de espuma no cabedal projetado para melhorar o contato, a precisão e o efeito (“swerve”) na bola.. 
Predator X (2009) 
Primeira versão a abandonar a clássica lingueta dobrável, a chuteira apresentava inovações, como o cabedal em “couro Taurus” e a tecnologia de suporte Power Spine no solado, que reduzia a perda de energia durante os chutes. 
Predator Lethal Zones (2012) 
A chuteira apresentava um design inovador com cinco zonas distintas em borracha 3D e espuma com memória (drible, primeiro toque, *sweet spot*, chute potente e passe), desenvolvidas para otimizar o controle de bola. Foi o primeiro modelo desta linha equipado com a tecnologia miCoach, o que significa que os jogadores podiam acompanhar seu desempenho compilando dados como distância, número de arrancadas e velocidade máxima,  e transferi-los para o celular ou computador. 
Predator Instinct (2014) 
O modelo foi desenvolvido com foco em velocidade e controle, apresentando cabedal sintético leve, um padrão aprimorado de zonas de borracha “Lethal Zones” para melhor aderência e um solado ControlFrame modernizado. Materiais de engenharia de precisão, incluindo uma nova almofada de gel e HybridTouch, proporcionavam melhor controle de bola e conforto. 
Predator 18 (2017) 
O modelo apresentava um cabedal em Primeknit com design semelhante a uma meia e tecnologia Controlskin para domínio total da bola. 
Predator 19 (2018) 
O modelo apresentou ajustes estéticos como um calcanhar de borracha texturizado e detalhes em Primeknit mais acentuados. 
Predator Mutator (2020) 
A chuteira introduziu o Demonskin - uma tecnologia inovadora com centenas de pontas de borracha na parte superior, projetadas para melhorar a aderência da bola e os desvios. 
Predator Freak (2021) 
O modelo apresentou a tecnologia Demonskin 2.0 atualizada e estendida para melhor controle de bola e um colar de duas peças modificado para melhor travamento do pé. 
Predator Edge (2022) 
A chuteira se destacou pela introdução da parte superior com nervuras de borracha Zone Skin e do Power Facet para transferência de peso no antepé. 
Predator Accuracy (2023) 
O modelo chegou ao mercado com foco em controle e precisão, marcando o retorno do material HybridTouch e trazendo os elementos de borracha 3D High Definition Grip nas zonas de impacto. 
Predator Elite 24 (2024) 
O modelo celebrou o 30º aniversário da Predator, resgatando detalhes nostálgicos como a lingueta dobrável.
   

Para a Copa do Mundo da FIFA 2026™, a adidas lançou o modelo Predator 26 na cor rosa fluorescente. O tom rosa vibrante foi escolhido especificamente pela adidas para oferecer máximo contraste e visibilidade contra a grama verde durante as partidas do torneio.
  

Desde o seu lançamento, as chuteiras Predator deixaram sua marca em Copas do Mundo e finais da Liga dos Campeões, além de protagonizarem inúmeras cobranças de falta com efeito e curvas impressionantes. E como estratégia de marketing, a adidas lança um novo modelo da linha Predator a cada dois anos, coincidindo com a Eurocopa e a Copa do Mundo. Acompanhe na imagem abaixo a evolução do design da icônica chuteira.
  

As bolas  
A marca alemã vem desenvolvendo bolas de futebol profissional desde 1963, quando a maioria delas eram marrom, pesadas e duras ao chutar. A primeira bola produzida chamava-se SANTIAGO (imagem abaixo), em homenagem à Copa do Mundo de 1962, realizada no Chile. Desde então, a marca tem se dedicado a impulsionar a tecnologia do futebol para o futuro, sempre inovando e nunca se contentando com o básico. As bolas adidas se tornaram tão famosas quanto à própria marca graças a Copa do Mundo da FIFA. Em 1966, a empresa alemã já estava em posição de apresentar uma nova bola com 32 gomos à FIFA na disputa para fornecer a bola oficial da Copa do Mundo na Inglaterra. Infelizmente para a empresa, um modelo inglês acabou sendo escolhido para o torneio realizado na terra natal do futebol.
   

Quatro anos mais tarde, em 1970, o sonho foi realizado, quando a adidas forneceu a revolucionária TELSTAR (a primeira bola de couro com o icônico design de 32 gomos, 12 pentágonos pretos e 36 hexágonos brancos, costurados à mão) como sua primeira bola oficial de jogo em uma Copa do Mundo da FIFA. Essa bola - cujo nome origina-se de “Estrela da Televisão” (TELevision STAR) - foi a primeira na cor branca com pentágonos pretos, o que era particularmente útil, sendo mais visível nas transmissões de TV em preto e branco da época. Para a Copa do Mundo de 1974, a marca fez pequenos ajustes na Telstar - que foi um grande sucesso - incluindo um revestimento de plástico mais durável, tornando-a mais parecida com as bolas de futebol que conhecemos hoje. Para os jogos à noite, foram criadas bolas de cor branca e laranja.
   

Desde então, a adidas forneceu todas as bolas oficiais da Copa do Mundo da FIFA:  
TANGO DURLAST (1978) 
Seu design óptico inovador com tríades desenhadas para criar a ilusão de 12 círculos idênticos na esfera foi utilizado em cinco Copas do Mundo sucessivas. A bola original do torneio homenageava a dança tradicional argentina, marcando a transição para um design icônico. 
TANGO ESPAÑA (1982) 
Trouxe melhorias técnicas com costuras impermeáveis e foi a última bola de couro das Copas do Mundo. 
AZTECA (1986) 
Fabricada na França, entrou para a história por ter sido a primeira bola de futebol inteiramente feita de material sintético, o que reduziu drasticamente a absorção de água e aumentou sua durabilidade durante os jogos. Seu design foi inspirado na arquitetura nativa e nos murais do povo asteca. 
ETRUSCO (1990) 
Seu nome e design intrincado homenageavam a antiga história italiana e a arte etrusca, destacando-se por apresentar três cabeças de leão decorando cada uma das tríades. Essa bola teve um sucesso sem precedentes no futebol de seleções, tendo sido escolhida não apenas para o Mundial de 1990, mas também para a Copa América de 1991, a Copa do Mundo Feminina de 1991, a Eurocopa de 1992 e os Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992. 
QUESTRA (1994) 
Batizada em homenagem à “busca pelas estrelas”, destacou-se por sua tecnologia inovadora de espuma sintética, tornando-se mais macia e veloz, além de ter um design com motivos espaciais e planetários. 
TRICOLORE (1998) 
Primeira bola de futebol multicolorida, apresentando tríades em azul, branco e vermelho em homenagem à bandeira francesa. 
FEVERNOVA (2002) 
A estrutura tecnológica de ponta na época incluía uma fina camada de espuma sintética e três camadas de malha. Isso a tornou mais leve e rápida, resultando em um voo mais preciso e previsível. Essa bola destacou-se pela colorida base dourada com detalhes em vermelho e verde, inspirada na cultura asiática. 
+ TEAMGEIST (2006) 
Primeira bola totalmente sintética e com apenas 14 gomos (colados termicamente para reduzir drasticamente as costuras, melhorando assim a precisão e a impermeabilidade), cujo conceito completamente novo ficava à altura das exigências cada vez maiores dos grandes astros do futebol. O nome em alemão significa “espírito de equipe”. 
JABULANI (2010) 
Essa bola introduziu importantes avanços em termos de tecnologia, como a textura com ranhuras de aderência que asseguravam um domínio completo, uma trajetória estável no ar e uma aderência perfeita em qualquer condição. Era formada por oito gomos em 3D unidos termicamente e, pela primeira vez na história, moldados esfericamente para dar à bola um formato perfeitamente cilíndrico, o que garantia uma precisão nunca antes alcançada. O nome significa “comemorar” no idioma zulu e representava a variedade cultural da África do Sul e o colorido do continente africano. 
BRAZUCA (2014) 
A bola tinha cores inspiradas nas fitas do Senhor do Bonfim, além do tradicional branco predominante. Com 437 gramas, 69 centímetros de circunferência, foi desenvolvida durante dois anos e meio pela marca alemã, período no qual mais de 600 jogadores de 30 países diferentes ajudaram no processo de desenvolvimento. O nome foi escolhido após uma votação pela internet que contou com a participação de mais de um milhão de torcedores brasileiros. 
TELSTAR 18 (2018) 
O modelo fazia uma releitura estilizada e texturizada dos clássicos gomos pretos e brancos e contava com uma grande inovação tecnológica, um chip NFC que permitia a comunicação via wireless. 
AL RIHLA (2022) 
Com o nome significando “A Jornada” em árabe, a bola foi projetada com a tecnologia Speedshell para melhorar a estabilidade e a velocidade do voo, destacando-se pelo design colorido em painéis que remetiam à cultura e arquitetura cataris. 
TRIONDA (2026) 
Composta por apenas quatro painéis de ligação térmica, é a bola com menor quantidade de recortes na história dos mundiais. O nome homenageia os três países anfitriões (Canadá, Estados Unidos e México) com a representação fluida de uma onda.


O acordo de fornecer as bolas oficiais da Copa do Mundo FIFA é de vital importância para a adidas, já que lhe dá a vantagem de ter uma presença maciça na torneio, expondo principalmente a grande estrela do espetáculo para bilhões de telespectadores. Na imagem abaixo é possível acompanhar toda a evolução do design das bolas até a Copa do Mundo de 2026.
  

O marketing  
A estratégia de marketing da marca adidas é muito dependente do patrocínio de grandes eventos esportivos, clubes, seleções nacionais e atletas individuais. Tudo para influenciar o desejo de consumo de seus produtos. Por isso, a empresa alemã investe anualmente €3 bilhões em marketing e ponto de venda, dos quais aproximadamente €1.2 bilhões para acordos de patrocínio com cerca de 250 times, atletas e confederações esportivas em todo o mundo. Por exemplo, a adidas é patrocinadora oficial da FIFA desde 1970, sendo a parceira comercial mais antiga da poderosa federação e tem seu vínculo garantido, como patrocinadora (dos torneios masculinos, femininos e de base) e fornecedora da bola oficial dos mundiais, até o final de 2030. Vale ressaltar que, na Copa do Mundo da FIFA 2026™ a adidas forneceu e estampou seu logotipo no uniforme de 14 seleções, sendo a marca com a maior presença no torneio.
   

Nomes como Muhammad Ali, Franz Beckenbauer, Zinedine Zidane, David Beckham, Alessandro Del Piero, Kaká Luis Suárez, Lionel Messi, Derrick Rose, James Harden, Ivan Lendl, Steffi Graf, Stan Smith e Ian Thorpe tornaram-se lendas das três listras, contribuindo para que a adidas construísse essa imagem que tem hoje. Porém um episódio marcou definitivamente a história do marketing e da construção da marca adidas. Nos Jogos Olímpicos de 1972, o nadador Mark Spitz estava a caminho de ganhar sete medalhas de ouro quando recebeu a visita de Horst Dassler, filho do fundador da empresa, na Vila Olímpica de Munique. Ele pediu para o norte-americano usar a marca nas cerimônias de entrega de medalhas. O problema é que provavelmente os calçados ficariam cobertos pelas calças compridas e largas que os nadadores usavam na época. Dassler então sugeriu para Spitz carregar os sapatos na mão. O atleta ficou contagiado pelo entusiasmo de Dassler e segurou um par de adidas Gazelle (foto abaixo), quando acenou para a multidão. Spitz teve que se explicar depois ao Comitê Olímpico Internacional (COI), mas a marca ganhou enorme visibilidade mundial com esse episódio. A partir deste momento o mundo sabia quem era a marca adidas e as três listras.
   

Atualmente a marca é patrocinadora e fornecedora de uniformes de grandes seleções do mundo, como Argentina, Bélgica, Espanha, Suécia, Colômbia, Japão, México, além de fornecer parte dos vestuários dos árbitros, chuteiras e bolas em diversas competições importantes. Apesar de disputar a Copa do Mundo da FIFA 2026™ ainda com uniformes da adidas, a parceria de mais de 70 anos entre a marca e a seleção alemã chegou ao fim. Isto porque, a Federação Alemã de Futebol (DFB) assinou um contrato histórico com a Nike, que fornecerá os uniformes e materiais de todas as equipes nacionais de 2027 a 2034. Ainda no futebol, a marca fornece uniformes e materiais esportivos para gigantes do futebol mundial como Real Madrid, Bayern de Munique, Arsenal, Manchester United, Liverpool, Juventus, Roma, Benfica, Ajax, Lyon, Inter Miami, Flamengo, Boca Juniors, River Plate, Fenerbahçe, Eintracht Frankfurt e Sevilla.
  

A marca também possui uma constelação de craques patrocinados, como o argentino Lionel Messi, o inglês Jude Bellingham, o egípcio Mohamed Salah, o francês Ousmane Dembélé, o sul-coreano Son Heung-min, o brasileiro Raphinha, o espanhol Pedri, e fenômenos em ascensão como o jovem espanhol Lamine Yamal. Esses contratos individuais de patrocínio geralmente envolvem valores multimilionários, nos quais os jogadores exibem os modelos de chuteiras mais recentes da marca em ligas nacionais, na Liga dos Campeões da UEFA e em torneios internacionais. Por exemplo, desde 2004 Lionel Messi e a marca alemã são parceiros, lançando inúmeras linhas de roupas, chuteiras exclusivas e muito mais. O argentino possui um contrato vitalício com a adidas, assinado em 2017. Esse acordo garante ao craque um valor estimado entre US$ 19 milhões e US$ 25 milhões anuais, além de uma porcentagem direta sobre as vendas de produtos e participação nos lucros da marca. O contrato do já aposentado David Beckham com a adidas também é uma parceria vitalícia assinada em 2003. O acordo estabelece o ex-jogador como um dos maiores embaixadores globais da marca e inclui participações nas vendas mundiais de produtos.
  

A adidas também investe pesado em outros esportes. Por exemplo, no tênis a marca teve como seu principal atleta Ivan Lendl, que surgiu como uma grande promessa e alcançou o topo do ranking em 1985. Outra sensação da época patrocinada pela marca foi a tenista alemã Steffi Graf. Atualmente a marca patrocina os tenistas Alexander Zverev, Jessica Pegula, Elina Svitolina e Karolina Muchova. Já no basquete a marca alemã tem como principais embaixadores os jogadores da NBA James Harden, Damian Lillard e Anthony Edwards. No futebol americano a grande estrela da marca é Patrick Mahomes, com o qual mantém um contrato exclusivo de calçados, roupas e marketing. A adidas também possui uma presença massiva no golfe, fornecendo calçados de alto desempenho e vestuário para atletas de elite. Além disso, desde 1999, a adidas é a fornecedora oficial de material esportivo da lendária seleção neozelandesa de rugby, conhecida como All Blacks, em uma das parcerias mais longevas e icônicas do universo esporte.
  

A comunicação 
Ao ouvir “Impossible is Nothing” (“Nada é impossível”, em português), milhões de pessoas provavelmente associam a frase imediatamente à adidas. Esse poderoso lema transcendeu fronteiras e gerações, tornando-se mais do que um simples slogan publicitário. O icônico slogan tem origem em uma frase célebre dita pelo lendário boxeador Muhammad Ali em 1974. Na ocasião, Ali fez um endosso oficial da adidas e profetizou uma citação poderosa que moldou a filosofia da marca. A citação completa de Ali dizia: “Impossível é só uma palavra usada por pessoas fracas para viver facilmente no mundo que lhes foi dado, em vez de explorar o poder que têm para mudá-lo. Impossível não é um fato. É uma opinião. Impossível é um potencial. Impossível é nada.”.
  

Apesar dessa origem histórica nos anos de 1970, “Impossible is Nothing” só se transformou no icônico slogan oficial da marca em fevereiro de 2004, através do lançamento de uma enorme campanha global, eternizada em comerciais com atletas históricos, como o corredor de longa distância Haile Gebrselassie, o nadador Ian Thorpe, o jogador de basquete da NBA Tracy McGrady, o velocista Maurice Greene, os jogadores de futebol David Beckham e Zinedine Zidane, além do próprio Muhammad Ali. A campanha ressaltava a essência que a adidas tinha em comum com esses atletas: o desejo de superar seus limites e superar o impossível. Entre os comerciais emocionantes focados em superação estava o icônico anúncio onde a filha de Muhammad Ali (Laila Ali) aparecia “lutando” virtualmente com seu pai no ringue (assista aqui). Vale ressaltar que a adidas registrou um crescimento de 15% nas vendas globais no ano seguinte ao lançamento da campanha, demonstrando o impacto dessa mensagem em seu público.
  

Outra campanha criativa foi lançada em 2002 com o comercial “Slugs”, criado pela agência TBWA\Chiat\Day e dirigido pelo aclamado cineasta Frank Budgen, para promover o tênis adidas a3 Cushion de forma sutil e inusitada. O vídeo acompanha o que parece ser um corredor invisível pelas ruas da Cidade do México ao som de ritmos de mambo. Em determinados momento, os tênis passam por baixo de um caminhão ou se separam para desviar de um homem que carrega uma pasta. Quando um comerciante varre um dos tênis para a sarjeta, o mistério é revelado: duas lesmas ofegantes saem de dentro dos calçados, trocam olhares e continuam a corrida. O filme é encerrado com o slogan “More power to you”. Com animações hiper-realistas, o filme brincava de forma espirituosa com a ideia de agilidade, coisas que as lesmas não possuem, a não ser que estejam dentro de um adidas a3 Cushion.

   

Um problema cada vez mais grave, principalmente para as marcas esportivas, é a falsificação de produtos. Além de perder dinheiro, a marca vê sua imagem sendo arranhada por falsificações que podem causar sérios danos aos usuários. Foi justamente para tratar deste assunto que, em 2003, a adidas lançou nas Filipinas a campanha “Anti-Fakes Series”, que alertava sobre os malefícios de comprar produtos falsificados. Composta por 3 anúncios impressos, as peças mostram pés machucados com curativos, provenientes da utilização de produtos falsificados. A grande sacada dos anúncios era a analogia dos curativos com as famosas três listras da adidas. Reparem, por exemplo, na disposição das três bandagens colocadas em posição para formar tal analogia. Tudo seguido do texto “Fakes hurts real. Imitations are poorly made, giving you no protection” (“Falsificações machucam realmente. Imitações são mal feitas, não protegendo você”, em português).
  



Outro filme publicitário fantástico foi lançado em julho de 2004, estrelado pelo jogador da NBA Kevin Garnett para promover o seu primeiro tênis assinado com a marca. O vídeo mostra Garnett caminhando pelas ruas enquanto pessoas sobem em suas costas conforme ele avança, formando uma verdadeira montanha humana. Em vez de desistir, ele apenas sorri e continua carregando o peso de todos. A música que embala o esforço de Garnett é uma versão de “He’s Got the Whole World in His Hands”, cantada de forma emocionante por Etta James. Batizado de ”Carry” (assista aqui), o comercial apresenta uma direção visual marcante e emocionante, resumindo perfeitamente a sua fama na época de “carregar o time nas costas”. Ainda em 2004, o comercial “Road To Lisbon” (assista aqui), lançado para a UEFA Euro, é considerado uma das campanhas de futebol mais nostálgicas da história. Com clima de filme de estrada (road movie) e trilha sonora de Quincy Jones, o anúncio destaca uma “caravana” de lendas do futebol viajando rumo a Lisboa em scooters personalizadas. A constelação de estrelas incluía Zinedine Zidane, David Beckham, Raúl, Michael Ballack, Alessandro Del Piero, Oliver Kahn, Patrick Vieira e Luís Figo. Eles cruzavam a Europa descontraídos, vestindo camisas largas e as chuteiras da clássica linha adidas Predator.
  

Mais recentemente, em 2024, a adidas lançou a campanha global “You Got This”, focada em confiança, apoio e superação dentro do universo esportivo. A iniciativa destaca a importância da rede de apoio - como familiares, amigos e técnicos - e celebra as pessoas que fazem os atletas acreditarem em seu potencial antes de lidarem com as pressões do desempenho. Guiada pelo lema “Todos nós precisamos de alguém que nos faça acreditar”, a comunicação tem uma narrativa vibrante e reúne grandes nomes de diferentes gerações no esporte e na cultura pop, incluindo Lionel Messi, Jude Bellingham, Lamine Yamal, Raphinha, Patrick Mahomes e o cantor Bad Bunny.
   

Já para a Copa do Mundo da FIFA 2026™, a adidas lançou a campanha “Backyard Legends”, que apresenta um comercial (assista aqui) que reúne nomes como Timothée Chalamet, Bad Bunny, Lionel Messi, Jude Bellingham, Lamine Yamal, Trinity Rodman, Zinedine Zidane, David Beckham e Alessandro Del Piero em uma narrativa que mistura futebol de rua, cultura pop e memória visual. O filme (com 5 minutos de duração) mistura ícones de diferentes épocas sem parecer colagem: Beckham, Zidane e Del Piero aparecem rejuvenescidos digitalmente, enquanto Yamal, Bellingham e Rodman representam o presente, com Lionel Messi como estrela da constelação. Já a presença de Chalamet e Bad Bunny ampliam o universo para moda, entretenimento e cultura digital. É o passado convertido em ativo contemporâneo.
   

Escândalos e polêmicas  
Apesar da adidas ser uma das marcas mais respeitadas e conhecidas do mundo, sua história não se livrou de escândalos e polêmicas. Por exemplo, após um período de sérios problemas depois da morte repentina e precoce do filho de Adolf Dassler, Horst, em 1987 aos 51 anos, a empresa foi adquirida em 1989 por Bernard Tapie (foto abaixo), um famoso empresário que fez fortuna resgatando empresas quase falidas, desmantelando-as e vendendo-as parte por parte, por 1.6 bilhões de francos franceses (equivalentes a US$ 320 milhões), dinheiro este originário de empréstimos. Ao assumir o comando da empresa ele decidiu mudar a produção para o continente asiático, onde a mão de obra era abundante e barata. Porém, em 1993, ele vendeu a adidas ao banco Crédit Lyonnais, já que estava assumindo o cargo de ministro do governo de François Mitterrand. O banco revendeu a empresa alemã logo depois para Robert Louis-Dreyfus e por um valor muito superior, gerando a acusação de que o empresário foi enganado por sua própria instituição financeira. Robert se tornou o novo presidente da empresa. Ele também era presidente do time de futebol Olympique de Marseille, ao qual Tapie era intimamente ligado. O próprio Tapie foi à falência em 1994, sendo alvo de diversos processos, principalmente relacionado à manipulação de resultados no futebol. Condenado, passou seis meses na prisão em Paris em 1997 depois de ter sido sentenciado à 18 anos de reclusão. Robert Louis-Dreyfus foi muito bem sucedido administrando a adidas até 2001. Em 2008, sob o governo de Nicolas Sarkozy, um painel de arbitragem privado aprovado pelo Estado concedeu a Tapie uma indenização de mais de €400 milhões. A justiça francesa determinou que a arbitragem foi fraudulenta. Em 2017, os tribunais anularam o acordo e condenaram Tapie a devolver o dinheiro, em uma batalha judicial interminável. Bernard Tapie faleceu no dia 3 de outubro de 2021, aos 78 anos, em decorrência de um câncer.
  

A mais recente polêmica envolveu a parceria entre o rapper Kanye West e a lucrativa linha Yeezy. Essa colaboração entre a gigante alemã e o rapper teve início após a saída de West da Nike (conheça essa história aqui), buscando mais liberdade criativa e royalties. O que culminou, em 2015, com o lançamento do adidas Yeezy Boost 750, um tênis futurista de cano alto em camurça, que revolucionou a cultura sneakerhead (entusiastas ou colecionadores apaixonado por tênis). Tudo ia bem até Kanye West proferir uma série de comentários antissemitas, ter posturas de ódio em suas redes sociais e até aparecer em eventos vestindo uma camisa com os dizeres “White Lives Matter”, em 2022. A enorme polêmica e a repercussão negativa culminaram com a ruptura de uma colaboração que gerou bilhões de dólares em faturamento para a marca alemã, encerrando imediatamente a produção e a venda de produtos sob a marca Yeezy, deixando um prejuízo gigantesco em estoques. Para lidar com isso, a adidas optou por liquidar gradualmente esses estoques nos anos seguintes, destinando parte dos lucros para fundações de combate ao racismo e antissemitismo. Essa decisão gerou um prejuízo de mais de US$ 1 bilhão para a empresa. Após mais de dois anos de batalhas legais que envolveram disputas sobre direitos de propriedade dos designs e acusações de cópia, a adidas e Kanye West chegaram a um acordo financeiro e encerraram todas as pendências judiciais. Em março de 2025, a marca confirmou que o último par de produtos da colaboração havia sido vendido e que não planejava comercializar ou lançar novos itens dessa parceria no futuro. 
  

A guerra em família   
Os irmãos Adolf e Rudolf Dassler (foto abaixo) tinham uma rivalidade tão forte que foram capazes de mudar as relações sociais de uma cidade inteira. Isto porque a Segunda Guerra Mundial deixou cicatrizes profundas na Alemanha. Na pequena cidade de Herzongenaurach, com aproximadamente 24.000 habitantes, o legado foi uma disputa em família. Terminado o conflito mundial a família Dassler começou a presenciar outra guerra. Os irmãos romperam a sociedade que possuíam em uma pequena fábrica de calçados esportivos e foram tocar a vida separadamente. Mas porque os irmãos se separaram? Adi recusou-se a acatar as orientações do regime nazista de Hitler, nos anos de 1930. Já Rudi colaborou, fez campanha política, foi à guerra e até chegou a ser julgado depois de terminado o conflito. Adi criou então a adidas. Rudi inventou a Puma. Um pôs seu negócio na margem esquerda do rio Aurach. O outro, na margem direita. O rio virou uma espécie de “Muro de Berlim” para os irmãos.
   

A rivalidade cresceu chegando ao ponto de Herzogenaurach ficar conhecida como “a cidade dos pescoços tortos”, já que os moradores olhavam primeiro para os calçados da outra pessoa antes de iniciar uma conversa. A cidade se divide em dois grupos, uns não podem casar com outros, chegando até frequentarem restaurantes diferentes. Já as lojas vendem tênis de apenas uma das marcas. Nem com a morte de ambos os irmãos a rivalidade e o ódio deliberado teve fim. No cemitério local, os túmulos também estão afastados. Até hoje os moradores mais velhos lembram do que ocorreu. Em 2004, Frank, neto de Rudolf, assumiu um cargo na adidas. “Muitos familiares meus consideraram isso uma traição”, disse Frank. No ano de 2009, em um ato simbólico de paz, funcionários das duas empresas disputaram uma partida de futebol amistosa em Herzogenaurach para selar a paz entre as famílias depois de 60 anos de brigas. Mas uma coisa é certa: esta história está muito longe de acabar. Afinal, a guerra de uma família passou definitivamente para as esferas comerciais e esportivas. Quem tiver interesse em se aprofundar nesse assunto, a série documental “Guerra dos Tênis: Adidas vs. Puma” (disponível no Disney+ e Apple TV+) explora a rivalidade de décadas entre as marcas.
  

A sede 
A sede mundial da adidas, localizada na pequena cidade de Herzogenaurach, localizada a apenas 23 km a noroeste de Nuremberg, é conhecida como “World of Sports” e foi inaugurada em 1999. O complexo é um enorme campus corporativo que funciona como centro de inovação, design e cultura esportiva, onde trabalham mais de 5.600 funcionários, abrigando edifícios ultramodernos e espaços de convivência e testes de produtos. Entre as principais instalações do complexo estão: Arena (edifício principal que concentra recepção e escritórios, e cuja arquitetura escultural lembra um estádio esportivo e reflete a paixão pelo esporte), Laces (um dos edifícios mais emblemáticos do campus, com design inovador único que lembra cadarços de tênis, abriga designers, técnicos de laboratório e atletas em um ambiente focado na mobilidade e na criação de produtos), e Meet & Eat (edifício central do complexo que concentra restaurantes e espaços para reuniões, eventos e apresentações de produtos).
   

O complexo ainda possui extensas áreas verdes, lagos, pistas de corrida, quadras poliesportivas (incluindo campos de futebol, rúgbi e hóquei) e espaços multiusos vibrantes, permitindo que os funcionários testem equipamentos esportivos e respirem a cultura da marca adidas. Já o Red Walk of Fame é uma área imersiva - localizada na praça central do campus - que celebra lendas do esporte, contendo as marcas de mãos e pés de atletas patrocinados pela adidas, além de uma estátua de bronze do fundador Adi Dassler.
  

A história de um símbolo 
Inconfundíveis, as “Três Listras” da adidas são reconhecidas no mundo inteiro, estampando tênis, roupas e uniformes de atletas. Mas a história por trás desse icônico símbolo não é apenas filosófica. Adolf Dassler testou diferentes detalhes e disposições de listras como um reforço funcional nas laterais de seus calçados esportivos. E também percebeu que três listras se destacavam melhor e seriam facilmente reconhecíveis à distância nas arquibancadas dos estádios, em fotos ou em futuras transmissões de TV. Em um período sem marketing digital, garantir que a marca fosse claramente visível em jornais e noticiários era uma estratégia muito importante para o sucesso do negócio. Foi então que, em 1951, ele adquiriu os direitos do design de três listras, que até então pertenciam a marca finlandesa Karhu Sports, por aproximadamente €1.600 e, pasmem, duas garrafas de uísque. O registro da marca foi oficialmente concedido em 1952, a tempo de sua utilização durante os Jogos Olímpicos de Helsinque. Vale ressaltar que, no início de sua história, a adidas era conhecida por esse símbolo, com Adolf Dassler, descrevendo-a como “a empresa das três listras”.
  

A transição das três listras da adidas dos campos, pistas e quadras para as ruas aconteceu de forma natural. Em 1967, o primeiro agasalho da marca foi usado pelo jogador de futebol alemão Franz Beckenbauer com as três listras estampadas nas laterais. Pouco depois, o tênis Superstar, criado para o basquete e usado por jogadores como Kareem Abdul-Jabbar, começou a ser incorporado à cultura urbana com as três listras presentes. Rapidamente, cantores bandas também começaram a usar calçados e roupas com as inconfundíveis três listras em cima dos palcos, nos videocliples e nas turnês mundiais.
    

A evolução visual  
A identidade visual da marca passou por algumas remodelações ao longo dos anos. O primeiro logotipo da marca possuía como principal símbolo uma chuteira, que já apresentava as icônicas três listras. Em 1950, o logotipo passou a ser representado apenas pelo nome da marca em um fundo preto. Já em 1967, o logotipo adotou uma nova tipografia de letra, as pontas das letras “a” foram achatadas e o ponto do “i” foi transformado em um quadrado. Foi somente em 1971 que surgiu o famoso logotipo conhecido como Trefoil (“três folhas” em francês e que lembra justamente um trevo de três folhas), que marcaria profundamente a identidade da marca e seu reconhecimento mundial. Esse logotipo foi criado para representar a expansão da marca para o setor de vestuário. Em 1991, a adidas passou por um agressivo rebranding que culminou com o surgimento de outro ícone visual da marca. O novo logotipo, criado pelo lendário designer Peter Moore, era representado pelas três listras (inclinadas e robustas) formando o desenho de uma montanha - simbolizando a superação de desafios e a meta a ser alcançada pelos atletas - com o nome adidas posicionado abaixo. Inicialmente apresentado para a linha Equipment, mais tarde, a partir de 1996, esse logotipo se tornaria a identidade visual principal da adidas. Em 2005, a marca criou um logotipo secundário representado pelo nome adidas com as três listras posicionadas no lado esquerdo. Em 2022, o logotipo da adidas foi definitivamente simplificado e passou a ser representado somente pelo símbolo.
  

Atualmente a marca adidas utiliza três icônicos logotipos: o Trefoil para a moda urbana, o Mountain para produtos de alta performance esportiva e o Word Mark (apenas o nome da marca).
   

Os slogans 
You Got This. (2024) 
Here to Create. (2016) 
Creators never follow. (2016) 
Create your own game. (2015) 
adidas is all In. (2011)  
Celebrate originality. (2008) 
Want to play? (2006)  
Impossible is Nothing. (2004) 
More power to you. (2002) 
Footballitis is spreading. (2002) 
Performance through body knowledge. (2001) 
Catch the fever. (2001) 
adidas makes you better. (2000)  
Take what you want. (1999)  
The equipment name. (1999) 
Forever Sport. (1998) 
Runners. Yeah, We’re Different. (1998) 
Image is everything. (1997)  
Performance shoes for runners. (1997) 
Feet you wear. (1996)  
We Knew Then, We Know Now. (1994)  
Take Off. (1987)  
We’re running serious. (1985)  
Spirit of the games. (1984)  
The mark of a winner. (1980)
  

Dados corporativos  
● Origem: Alemanha  
● Fundação: 18 de agosto de 1949  
● Fundador: Adolph Dassler  
● Sede mundial: Herzogenaurach, Baviera, Alemanha  
● Proprietário da marca: Adidas AG  
● Capital aberto: Sim (1995)  
● Chairman: Nassef Sawiris  
● CEO: Bjørn Gulden  
● Faturamento: €24.8 bilhões (2025)  
● Lucro: €1.37 bilhões (2025)  
● Valor de mercado: €32.4 bilhões (julho/2026)  
● Valor da marca: US$ 17.4 bilhões (2025)  
● Lojas: 2.022  
● Presença global: 160 países  
● Presença no Brasil: Sim  
● Funcionários: 64.900  
● Segmento: Material esportivo  
● Principais produtos: Calçados, vestuário, acessórios e equipamentos 
● Ícones: O logotipo Trefoil e as três listras  
● Slogan: You Got This.  
● Website: www.adidas.com.br  

O valor  
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca adidas está avaliada em US$ 17.4 bilhões, ocupando a posição de número 49 no ranking das marcas mais valiosas do mundo de 2025.  

A marca no mundo  
Seus produtos são vendidos em mais de 160 países através de uma ampla rede de varejo que inclui mais de 2.000 lojas próprias (das quais mais de 1.100 no conceito de outlet), 15.000 lojas franqueadas, 150.000 pontos de venda no atacado e uma plataforma de comércio eletrônico que atende consumidores em aproximadamente 70 países. A empresa tem mais de 64 mil funcionários, produz todos os anos mais de 1.2 bilhões de itens (incluindo mais de 400 milhões de pares de calçados) e fatura aproximadamente €25 bilhões (dados 2025). A Europa é o maior mercado da adidas, respondendo por aproximadamente 33% das vendas líquidas da marca. A América do Norte aparece em seguida como a segunda maior região, gerando cerca de 21% da receita, enquanto a Grande China ocupa a terceira posição, com aproximadamente 15%. Os principais centros de desenvolvimento da adidas - localizados em Herzogenaurach, Portland, Xangai, Tóquio, Amsterdã e São Paulo - empregam mais de mil pessoas entre designers, engenheiros mecânicos e físicos.   

Você sabia?  
 Atualmente a adidas é a segunda maior empresa de equipamentos esportivos do mundo, atrás da maior rival a Nike, e líder na Europa onde a marca americana é a segunda. No entanto, é a maior distribuidora de equipamentos esportivos para futebol aproximadamente 30% do mercado mundial.  
 Calçados feitos à mão para alguns nomes importantes do esporte ainda são produzidos na Alemanha.  
● Alguns fãs mais acaloradas dizem que adidas são as iniciais para All Day I Dream About Sports (em português “Todos os dias eu sonho com esportes”), o que não é verdade.  


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Valor Econômico, Estadão e Folha), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 
 

Última atualização em 19/7/2026 

O MDM também está no Instagram. www.instagram.com/mdm_branding

28 comentários:

Anônimo disse...

I love adidas!!

Anônimo disse...

que família heim ...
um criou simplismente a ADIDAS, e o outro nada menos que a Puma oO'
gostei =D
um abraço .

Anônimo disse...

adidas,o melhor de todos

Anônimo disse...

adidas,o melhor!

Anônimo disse...

Adidas é a melhor!!!
Os calçados e as roupas não tem comparação....
Show!!!
Eu só uso Adidas!!!

Anônimo disse...

Com certeza a Adidas e a Puma são os melhores produtores de materiais esportivos, só trabalham com materia-prima de primeira linha, com isso garantem durabilidade, beleza, leveza, esportividade, qualidade e modernidade a toda sua linha, eu pratico Adidas !!! dépois vem Puma !!! Sem dúvida. Como bom descendente de Alemão, a tradição sempre com evolução.
ERICH L. BENDLIN

Anônimo disse...

Muito bom! Ótimo!
Essas informações ajudarão bastante em meu trabalho, quanto + melhor. srsrsr...

Diego disse...

Alguém sabe o nome da fonte usada na logomarca?

marca disse...

Muito bom este case!

Rodrigo disse...

Estranho é a Adidas faturar menos que a nike ,sendo q a nike só impera no japão e estados unidos.
Intrigante!

Rodrigo Aranha disse...

Pra mim atualmente a Adidas fabrica os melhores modelos de tenis e chuteriras.

Anônimo disse...

Uso adidas desde dos 14 anos de idade, hj tenho 32 e continuo usando adidas, esta marca eleva o meu ego e cada dia q passa descubro a moda através da adidas.
"Ich genieße wirklich adidas."

Anônimo disse...

100% nota 10 adidas curto adidas e sempre usarei adidas

panda disse...

Sem dúvida um blog muito interessante e muito bem trabalhado.
Parabéns e continua

Emanuel Alves disse...

Eu AMO Adidas e só uso Adidas!
É a marca do meu clube de coração, Palmeiras.

Antonio Fernandes disse...

EU AMO A adidas, tenho hoje 40 anos, uso adidas desde os meus 13 anos, 90 % do meu guarda roupa é adidas, nunca comprei um produto e achei defeito.
I LOVE adidas

Anônimo disse...

Olá!!! Será que aqui alguém poderá me ajudar? Boa noite galera, meu nome é Rodrigo e eu estou com um problema em relação a peças de reposição da chuteira f50 tunit. Meus chassis trincaram e eu não encontro em lugar nenhum esses chassis a não ser no ebay.com, nem na própria Adidas não acho. Isso acredito que não está certo, pois a partir do momento que você se propõe a comercializar um produto, você tem que ter as peças para reposição. No caso a f50 tem essas particularidades troca de pinos de cabedal, palmilha e também os chassis. Por exemplo uma montadora de veículos, fabricam os carros e depois não tem para-choques para reposição. Será que alguém sabe onde posso encontra esses chassis n:41? Enfim, muito abrigado a todos que perderam seu tempo em ler esse comentário e todos aqueles que possam me ajudar nessa empreitada. Abços!!! e-mail pra contato rodrigo.copiano@gmail.com

Unknown disse...

Adidas muito mais superior principalmente no futebol...
Vamos combinar, encaixa muito melhor no pé do que Nike, Puma, Umbro;
Sem falar no conforto!
Muito boa matéria por sinal!

Anônimo disse...

Não Sou muito fã da adidas prefiro a nike mais preciso das informações para um trabalho huhuhe

Anônimo disse...

E sobre a Adidas Kids? Gostaria de saber um pouco.

Unknown disse...

Adidas agrega valor. Qualidade, inovação e conforto. A melhor marca sem dúvida!

Unknown disse...

Gostei Dos Modelos De Chuteiras, Muito Top o Blog!

http://www.compraexpert.com/avaliacao-futfanatics/

Anônimo disse...

Sou cliente da marca desde meus 12 anos,roupa para mim passa batido mas tênis tem que ser Adidas,atualmente possuo um AX2 de qualidade impar como sempre.bonito confortavel e resistente.
Marca nota 10.

Unknown disse...

Eu amo esta marca adidas e uso desde os meus 7 anos em detrimento dos meus pais que compravam na altura e c tempo q fui crescendo o amor e paixão pela marca ficou e a partir dos meus 14 adiante só uso adidas que até no meu país (Angola) chamam me de sir adidas porque continuo a usar adidas em tudo até em minha casa e hj com 38 anos a usar esta marca só me sinto confortável se usar ela.

Unknown disse...

A melhor De todas.

Vintage1500 disse...

Super post! A great trip through Adidas history!

Unknown disse...

Mano, muito bom todo esse conteúdo de verdade, a propósito
Tenho um vídeo no meu canal falando da marca!

https://m.youtube.com/channel/UC3lifkzNULOC-Mk08VVSuyA

sandra disse...

Gostaria de saber o porque que os números Adidas em 2017, nos clubes de futebol da América do Sul foram de 3 listras igual ás décadas de 70 e 80