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16.12.20

VIVIENNE WESTWOOD


Transgressora. Ousada. Polêmica. Irreverente. E acima de tudo, autêntica. Assim pode ser definida a marca e a moda da inglesa VIVIENNE WESTWOOD, a mais pura expressão da personalidade única de sua criadora. Roupas com motivos políticos, críticas sociais, temas eróticos, com abundância das cores preta e vermelha, couro, correntes e rasgos. Ao oferecer essa moda provocadora e despojada, mas com um toque de sofisticação, a marca se tornou uma das queridinhas do mundo da moda, também por seu caráter ativista. 

A história 
Nascida em 1941 em uma cidade rural de 1.500 habitantes na região de Derbyshire, a estilista inglesa Vivienne Isabel Swire (imagem abaixo) se mudou para Londres ainda jovem, aos 17 anos. Começou um curso na Harrow School of Art e, por acreditar que não tinha talento suficiente para as artes, largou a faculdade e virou professora de uma escola primária. Casou com seu primeiro marido, Derek Westwood, que lhe deu o sobrenome e o nome artístico mundialmente conhecido e adotado até os dias de hoje. Porém, foi somente após o divórcio e na segunda união, com o produtor e agente da banda Sex Pistols, Malcolm McLaren, que ela animou o mundo underground e se consagrou como a grande precursora do punk na moda. Isto porque, juntamente McLaren, ela inaugurou em 1971 sua primeira loja, a “Let it Rock” em King’s Road, na periferia de Londres e onde decolavam as novidades extravagantes da moda da época. A loja, que mudaria de nome várias vezes - (“Too Fast to Live, Too young to Die” e “Sex” seriam alguns) -, ainda está presente no número 430, com o nome de Worlds End.
   

A loja inicialmente vendia os antigos LPs de música, objetos vintage e peças de vestuário que ambos criavam em conjunto, pois, não eram adeptos do dominante estilo hippie à época. Entre as peças camisetas com imagens e slogans provocativos como forma de rebelar-se contra a estrutura social de classes britânica, o que os levou a responder a vários processos judiciais sob a legislação “anti obscenidade” britânica. A partir das criações fetichistas, repletas de peças em vinil, calças jeans rasgadas, couro, correntes, zíperes, alfinetes e botas militares, Vivienne e McLaren criaram os códigos de vestimenta do “punk rock” e os inscreveram no imaginário coletivo. A irreverente e revolucionária estilista começou a realizar seu sonho, criando com liberdade essas peças que eram dominadas pelo preto, vermelho e tartar (uma de suas marcas registradas até hoje). McLaren passou a vestir a banda Sex Pistols com as criações de Vivienne, aos poucos as tornando conhecidas.
  

Na década de 1980, o estilo subversivo e rebelde do punk rock se popularizou, virou mainstream e deixou de representar o anti-establishment e o inconformismo da década de setenta, para se tornar parte da cultura pop. Foi nesse momento que Vivienne, sempre uma iconoclasta, já prestes a se separar de Malcolm Mclaren, e desiludida com os rumos que tomou o movimento, abandonou o estilo que a consagrou. Por possuir muitas referências adquiridas durante os breves anos em que estudou arte, a estilista passou a lançar coleções que se tornaram sucesso na Inglaterra e na França, como a Pirates (1981), que apresentava looks com cortes inspirados nos século XVII e XVIII; algo mais romântico com um olhar histórico. No ano seguinte desfilou pela primeira vez em Paris, que desde Mary Quant não apresentava estilistas ingleses nas passarelas. Pouco depois, marcando a crescente reputação internacional de Westwood, sua coleção Hypnos (primavera/verão de 1984), feita de tecidos esportivos sintéticos, se tornou um sucesso. Foi ainda em 1984 que a estilista foi convidada a mostrar sua coleção em Tóquio, abrindo assim a porta para um importante mercado consumidor.
   

Depois, em 1985, lançou a coleção Mini-Crini, que marcou o que Westwood descreveu como uma “mudança fundamental” em direção à alfaiataria e um foco mais deliberado em reelaborar ideias inspiradas em roupas históricas. Repleta de referências à indumentária inglesa, essa coleção apresentou as saias com crinolina (armações usadas sob saias para lhes conferir volume) usadas no século 19 pelas mulheres e os casacos vestidos pela Rainha Elizabeth II quando criança. Tudo revisitado ao estilo Vivienne, é claro. Em 1987 a estilista criou sua primeira coleção para o público masculino mostrando muito erotismo, como não poderia deixar de ser. No ano seguinte, com o lançamento da coleção Time Machine, repleta de elementos históricos da pintura e artes decorativas do século XVIII, inaugurou seu ingresso no mundo da alta moda, sendo aclamada novamente pelo establishment contra o qual tanto lutou.
   

Embora muitas vezes fosse considerada “não comercial”, Westwood permaneceu impassível, impulsionada pela aclamação da indústria da moda, incluindo o prêmio de Designer de Moda Feminina do Ano entregue pelo British Fashion Council em 1990 e 1991. Suas ideias muitas vezes atingiram o público muito rapidamente, e ela começou a ganhar uma quantia significativa de dinheiro com suas lojas em Londres e também vendas internacionais. Em 1993 dividiu sua marca de roupas femininas em duas linhas diferentes: Gold Label (alta-costura) e Red Label (Prêt-à-Porter). Nos anos seguintes continuou causando polêmica, como por exemplo, em 1994, em que os bumbuns das modelos ficavam expostos na passarela. O estilo escocês virou um padrão em suas coleções, normalmente ironizado, como em 1997 quando criou baseado neles, roupas femininas sensuais e provocativas. Em 1998 a marca lançou no mercado sua primeira fragrância feminina (batizada de Boudoir). Nesse mesmo ano lançou uma nova linha chamada Anglomania (voltada para atender a uma demanda mais jovem e casual). Pouco depois, Vivienne começou a projetar uma linha completa de óculos. A segunda fragrância “Libertine” foi lançada em 2001.
  

A partir do início do novo milênio, VIVIENNE WESTWOOD cada vez mais se tornou uma marca de moda extremamente desejada, com pontos de venda (incluindo corners nas mais sofisticadas lojas de departamento) em todo o mundo e passou a oferecer uma série de linhas (Femme, Homme, Anglomania), bem como malharias, acessórios, jóias, perfumes e até objetos de decoração, além de inaugurar sua primeira loja em Moscou. O ano de 2002 foi marcado pela inauguração de lojas próprias em Hong Kong e Coréia do Sul, ampliando assim sua presença na Ásia. Na última década a marca ampliou sua presença no varejo com a inauguração de lojas próprias, como por exemplo, em 2011 quando estreou em Los Angeles ou em 2016 quando abriu uma sofisticada loja em plena Rue Saint-Honoré na cidade de Paris. Embora Vivienne Westwood já possuísse uma concessão na principal loja de departamentos da cidade, a Galeries Lafayette, essa foi a primeira incursão independente na cidade da moda para a renomada estilista e a terceira cidade continental europeia a ter uma loja da grife depois de Milão e Viena.
  

Além disso, em março de 2016 a estilista entregou as rédeas de sua linha Gold Label para o marido Andreas Kronthaler, que trabalhou ao lado dela por muitos anos. Eles continuam a projetar as linhas principais juntos, embora a Gold Label agora seja oficialmente chamada de Andreas Kronthaler for Vivienne Westwood. Nos últimos anos a estilista vem desenvolvendo coleções co-lab com outras marcas, como por exemplo, tênis com a Vans e a Asics; sandálias e calçados com a brasileira Melissa; mochilas com a Eastpak; e roupas com a luxuosa Burberry, em uma coleção que celebrava o estilo e herança britânica de uma maneira única.
  

Em pleno século 21, a estilista e sua marca continuam fiel ao tipo de moda que criou: exagerada, sem ajustes tradicionais, surpreendente e anárquica, combinando técnicas e materiais tradicionais com a modernidade e uma franca ironia. Iconoclasta, a marca de Vivienne Westwood tem por essência um estilo contestador, fazendo eco aos discursos da estilista. Seu grande mérito, aliás, é justamente esse equilíbrio entre o melhor da moda britânica - alfaiataria, padronagens clássicas e itens históricos, como o corset - e a sua rebeldia panfletária, vista, por exemplo, nas camisetas da linha Vivienne Westwood Anglomania. Atualmente, VIVIENNE WESTWOOD é mais do que apenas uma marca, é um símbolo de liberdade, identidade e exclusividade na moda.
  

Moda ativista 
Poucos nomes no universo da moda alcançaram o mesmo patamar que a estilista Vivienne Westwood. Também pudera. Desde os anos de 1970, ela é responsável por lançar e propagar algumas das principais tendências do mundo, incluindo verdadeiros movimentos culturais, como o punk e a moda engajada dos anos 2000. E ao longo desses anos, o seu lado punk foi transformado em um discurso ativista, pregando o consumo consciente e engajamento político. E é essa brincadeira despretensiosa de viajar entre passado e presente que torna a marca VIVIENNE WESTWOOD eterna. Hoje, seu terceiro marido, o estilista austríaco Andreas Kronthaler, está à frente da criação, mas a estilista não abandona a faceta de porta-voz de questões atuais. Das mudanças climáticas ao posicionamento sócio-político, “é preciso desconfiar do governo”, prega ela.
  

E, como o ativismo jamais a abandona, a designer utiliza sua marca e passarela para levar fortes mensagens em favor dos direitos humanos, da ecologia, e outros temas relevantes da contemporaneidade, traço peculiar de sua carreira como pioneira do fashion activism. As coleções recentes passam por temas que vão da liberdade de Julian Assange (fundador do WikiLeaks), às políticas de combate ao terrorismo (a camiseta com a frase “I am not a terrorist, please don’t arrest me”, em protesto a aprovação do governo britânico à lei antiterrorismo, ficou famosa), passando pelas mudanças climáticas que o planeta vem enfrentando (chegou a entrar com maquiagem de guerra e segurando um cartaz “Climate Revolution” no final do seu desfile) e pelo fim do uso das peles animais na moda. Tanto que no final de seus desfiles, as sacolas de brindes oferecem abaixo-assinados e formulários para doações a entidades como a PETA (abreviação de People for the Ethical Treatment of Animals). Tudo isso, claro, sem perder de vista a sofisticação e a ousadia das cobiçadas bolsas e dos saltos altíssimos, que já fizeram até a top model Naomi Campbell cair na passarela em uma cena histórica.
  

O tema da ecologia e a ameaça das mudanças climáticas são grande motivação atual de Vivienne, cuja marca há muitos anos luta contra o fast fashion e já incorporou diversos princípios de sustentabilidade em sua cadeia de produção: técnicas de cortes sem criar resíduos (zero waste), upcycling e fontes de energia renovável e materiais orgânicos. Além de banir o uso de pele e couros exóticos, eliminou o plástico das embalagens e proibiu o poliéster, derivado do petróleo.
   

A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por uma pequena remodelação ao longo de sua história. Um dos elementos da identidade visual da marca que permaneceu praticamente estável ao longo dos anos é o icônico “Orb”, que surgiu em 1984, quando Vivienne se firmou como designer e ícone por conta própria. Esse incrível elemento de branding visual foi inspirado na iconografia real da Grã-Bretanha e pretendia representar a importância do passado, enquanto os anéis de Saturno significam o futuro.
  

Dados corporativos 
● Origem: Reino Unido/Inglaterra
● Fundação: 1971 
● Fundador: Vivienne Westwood e Malcolm McLaren
● Sede mundial: Londres, Inglaterra 
● Proprietário da marca: Vivienne Westwood Srl 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Carlo D’Amario 
● Faturamento: £46 milhões (2019) 
● Lucro: £2.7 milhões (2019) 
● Lojas: 40 
● Presença global: 80 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 450 
● Segmento: Moda de Luxo
● Principais produtos: Roupas, calçados, perfumes e acessórios 
● Concorrentes diretos: Alexander McQueen, Stella McCartney, Martin Margiela, Roberto Cavalli, Moschino, Fendi e Dolce & Gabbana
● Ícones: O ativismo na moda 

A marca no mundo 
A VIVIENNE WESTWOOD, uma das poucas grandes marcas de moda ainda independente, comercializa seus produtos (roupas, acessórios, joias e perfumes) em mais de 80 países ao redor do mundo. A marca, que vende sua moda através de uma exclusiva rede de 40 lojas próprias em cidades como Los Angeles, Nova York, Milão, Xangai, Paris e Londres, faturou £46 milhões em 2019. VIVIENNE WESTWOOD também comercializa seus produtos em mais de 700 pontos de venda dentro das mais sofisticadas lojas de departamento e multimarcas do mundo. 

Você sabia? 
Em 1992 foi concedida a Vivienne Westwood a alta honraria da Ordem do Império Britânico. Como não poderia deixar de ser, Lady Vivienne apresentou-se na cerimônia real do Palácio de Buckingham com um vestido justo e sem roupas íntimas, o que foi desaprovado pela rainha. Vivienne receberia a honraria pela segunda vez em 2006. 
Em 2013 a estilista assinou e criou os uniformes dos comissários de bordo da companhia aérea Virgin Atlantic
A estilista é amiga íntima de Pamela Anderson, Kate Moss, do Príncipe Charles além, é claro, de Naomi Campbell. 
Um dos filhos de Vivienne Westwood, Joseph Corré, é o fundador da luxuosa marca de lingerie Agent Provocateur (conheça essa história aqui). 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Elle, Vogue, BusinessWeek, Glamour e Exame), jornais (Diário da Indústria e Comércio), sites de moda (Farfetch), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 16/12/2020

31.3.20

BALMAIN


Durante décadas o nome Pierre Balmain esteve associado a um conceito único de elegância, a um charme cinematográfico e reconhecido como um marco do mundo da moda de luxo. Caiu no ostracismo, mas ressurgiu das cinzas como uma verdadeira Fênix. Hoje em dia a essência da BALMAIN pode ser resumida em uma palavra: Incontrolável. A marca é sexy, confiante, moderna, mas ao mesmo tempo obcecada pelo passado e tradição de sua história. Tachas, vestidos curtos, calças com rasgos e aquele monte de brilho que a BALMAIN trouxe de volta à moda e fez algumas mulheres, principalmente celebridades como Angelina Jolie, Penelope Cruz, Kate Moss, Céline Dion e Kim Kardashian, gastarem seus milhares de dólares em roupas e acessórios da grife francesa. 

A história 
Das aulas de arquitetura para os ateliês de alta costura de Paris: assim foi o caminho do francês Pierre Alexandre Claudius Balmain (foto abaixo) para o mundo da moda. Ele nasceu no dia 18 de maio de 1914 na pitoresca cidade de Saint Jean de Maurienne, na região da Sabóia, no sul da França. Desde pequeno, costumava desenhar vestidos até que um dia mostrou seus esboços para o estilista Edward Molyneux. Nesta época Pierre estudava arquitetura na Escola de Belas Artes de Paris. Encantado com o trabalho, Edward lhe ofereceu um emprego como aprendiz em sua Maison, onde ficou durante 5 anos. No ano de 1936, entretanto, Pierre foi chamado para cumprir o serviço militar obrigatório. Após finalizá-lo, em 1939, se juntou a Maison do estilista Lucien Lelong, onde foi colega de Christian Dior e com quem trabalhou durante a ocupação alemã em Paris. Em 1943, o jovem estilista desenhou um vestido de crepe preto que fez muito sucesso e que deu o impulso decisivo em sua carreira. Com o fim do conflito mundial que devastou a Europa, Pierre Balmain resolveu criar sua própria Maison, em 1945, para atender a elite parisiense no pós-guerra. Seu estilo trazia o retorno da opulência, do charme e da elegância perdidos nos anos da guerra. Um estilo que ele mesmo batizou de “O novo estilo francês”. Desde o início o estilista prezava pela qualidade. Era famoso por seu rigor no trabalho. Sempre afirmava que “se durante as provas um vestido não estivesse com a estrutura correta, era melhor destruí-lo, porque nem mesmo um belo acessório poderia salvá-lo”.


Além de se antecipar a Christian Dior no lançamento de roupas com cintura bem marcada e saias mais compridas e rodadas, Pierre Balmain foi um pioneiro também na criação de uma linha prêt-à-porter, que passou a vender nos Estados Unidos, a partir de 1951. A grife do estilista fez muito sucesso no continente americano por ter sido capaz de traduzir a moda francesa em roupas que a mulher americana podia usar. Uma de suas marcas registradas dessa época foi a estola, feita dos mais diversos materiais, que se popularizou até bem longe dos requintados salões de alta costura. Estilista fino e elegante, Balmain vestia as mulheres com roupas que valorizavam seu corpo, e que dosavam na medida exata o clássico e uma comedida extravagância. Ele se tornou conhecido pelas saias de corte A, com uma base larga e uma cintura fina. Durante os anos de 1950, Pierre Balmain popularizou-se com variadas peças, como vestidos com transparências, casacos cintados, capas, entre outras. E nesse período se transformou em um embaixador da moda francesa no mundo. Exportava suas criações para outros países, fato que não era comum naquela época. Entre os quais estavam Austrália, Ásia e América do Sul, além de vários países do Oriente Médio.


Além disso, entre 1951 e 1972, Pierre Balmain desenhou peças para 16 filmes de Hollywood, entre os quais contavam obras do cinema com a participação de estrelas como Vivien Leigh e Mae West. Também concebeu peças para filmes franceses, incluindo o famoso “E Deus Criou a Mulher”, que apresentou Brigitte Bardot ao mundo. E chegou até a desenhar uniformes para aeromoças. Isto catapultou Pierre Balmain para o mundo e a alta sociedade. E conquistou uma clientela repleta de celebridades e figuras reais, como a Rainha Sirikit da Tailândia, Ava Gardner, Marlene Dietrich, Sophia Loren, Katherine Hepburn, entre outras. Após o lançamento de várias fragrâncias (Vent Vert foi o primeiro em 1947), em 1979, a marca apresentou ao mercado o Ivoire, um perfume que expressava todo o estilo de elegância da Maison BALMAIN. Este perfume trazia nas notas de cabeça uma quantidade maior de componentes. Isso resultou em uma fragrância profunda e intensa.


Pierre Balmain faleceu no dia 29 de junho de 1982. A marca passou para o comando de Erik Mortensen, assistente pessoal de Balmain desde 1951 e o colaborador mais próximo do estilista. Este manteve as tradições da marca, desenvolvendo peças atuais, mas mantendo o espírito do seu fundador. Apesar disso, a BALMAIN começaria a enfrentar seu pior momento dentro do universo da moda e um lento declínio. Em 1992, o cargo de diretor criativo foi assumido por um dos grandes nomes da moda, o estilista dominicano Oscar de La Renta, que ficou encarregado do departamento de Haute Couture da marca. Mas no início dos anos de 2000 a BALMAIN estava à beira da falência e tinha caído no ostracismo. O ressurgimento começou quando Christophe Decarnin assumiu o posto de diretor criativo em 2005, salvou a marca da falência e a colocou de volta no radar e nos holofotes da moda. O estilista ficou conhecido por investir em um estilo que remetia à herança couture de BALMAIN, misturando essas referências com o universo do rock. Ele criou coleções inspiradas em músicos e ícones fashion como Prince e Michael Jackson.


A partir de 26 de abril de 2011, o cargo de diretor artístico foi assumido por Olivier Rousteing, segundo mais jovem estilista, tinha apenas 25 anos, a já ter assumido uma Maison francesa da moda de luxo. E o jovem elevaria a BALMAIN a uma potência ao longo dos próximos anos. Mas tinha uma árdua missão: conquistar uma nova geração de consumidores e transformar a BALMAIN em uma grife global. Afinal, nesta época a BALMAIN tinha perdido projeção e apelo junto ao público e contava com uma única butique, em Paris. Inicialmente sua moda sexy, com roupas justas, cheias de recortes, foi massacrada pela crítica especializada, que achou tudo muito vulgar. Mas ele apresentou peças que se tornariam objetos de desejo, como por exemplo, os jeans e os tops e blusas, além do casting das campanhas publicitárias assinadas por ele reunirem as modelos mais disputadas do mundo da moda. Alvo de muitas críticas pela exuberância de suas peças, Olivier conseguiu com sucesso quebrar as regras de uma moda antiga e arcaica, reforçando um conceito de empoderamento e feminismo.


Além da imagem recuperada, Olivier também investiu na expansão da BALMAIN para outras áreas, como por exemplo, em 2013, quando lançou a Care and Styling for Hair Couture, uma sofisticada linha para tratamento de cabelo com xampus, condicionadores, máscaras de tratamento e cremes. Já para o lançamento da coleção de 2014, o estilista contratou a cantora Rihanna para estrelar a campanha publicitária, ficou amigo de Kim Kardashian e outras pessoas influentes e converteu isso em valores e vendas para a marca. Era o definitivo renascimento de um ícone da moda. Além disso, em novembro de 2015, a BALMAIN lançou uma coleção em colaboração com a varejista H&M, que arrastou milhões de mulheres para as lojas da marca sueca. No mês de junho de 2016, enxergando o potencial da marca BALMAIN e de seu líder criativo, o Mayhoola, fundo de investimentos controlado pela família real do Qatar (proprietária também da Valentino), adquiriu a grife por €500 milhões, que até então pertencia aos herdeiros do empresário Alain Hivelin, responsável por ressuscitar a BALMAIN nos anos de 2000. A partir de então, com pesados investimentos, a BALMAIN voltou a ser uma marca desejada no universo da moda. Em poucos anos a marca iniciou a abertura de várias flagship stores em cidades como Milão, Las Vegas, Miami, Nova York e até São Paulo (a loja foi inaugurada em 2019).


Como forma de expandir a marca para outras categorias de luxo, a marca BALMAIN lançou novos produtos como uma linha de roupas para crianças de 6 a 14 anos (2016), composta por roupas e calçados; sua primeira linha de acessórios (2017), como sapatos, bolsas e óculos; uma luxuosa linha de batom (2017); e até uma coleção cápsula com a Victoria’s Secret (2017), composta por lingeries. Além de tudo isso, 2019 marcou o retorno da BALMAIN à alta-costura, depois de um hiato de 16 anos: pérolas, tweeds, estampas grafite ou plástico acolchoado, correntes tecidas, jeans e plumas de couro, tudo competindo pela atenção contra as silhuetas em tamanho super. E ainda lançou um aplicativo (democratizando a moda pelo meio digital) e inaugurou uma sofisticada flagship store na Rue Saint-Honoré em Paris.


Olivier Rousteing (foto abaixo) já marcou a história da BALMAIN. Após assumir em 2011, a marca aumentou sete vezes seu faturamento, a moda masculina representa 40% da receita, se tornou a primeira grife francesa a chegar a milhões de seguidores no Instagram e passou de 1 loja em Paris para 35 lojas em todo mundo. Além disso, com mais de 5.9 milhões de seguidores no Instagram (@olivier_rousteing), que fazem dele o estilista mais popular da plataforma, Olivier entendeu desde muito cedo o poder das redes sociais para construir uma imagem de marca e se conectar com o consumidor. Por meio delas, estabeleceu também seu Balmain Army, termo criado pelo próprio para se referir ao squad que formou e que ajudou a marca a cravar um lugar no zeitgeist, como Kim Kardashian, Gigi Hadid, Jennifer Lopez, Rihanna, Brigitte Macron, Joan Smalls e Rosie Huntington estão entre as celebridades sempre vistas usando suas criações com a marca BALMAIN. Todo esse marketing de novos rostos da grife, fora as supermodelos presente em seus desfiles, fez com que muitas mulheres quisessem fazer parte do chamado Balmain Army.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas alterações ao longo dos anos. Em dezembro de 2018 a marca apresentou um novo logotipo com design contemporâneo, mas ao mesmo tempo vintage. Além de uma nova tipografia de letra, mais sóbria e elegante, o logotipo apresentou um símbolo (a princípio, é possível reparar somente a letra B). Mas, ao olhar com atenção, é possível perceber que o ícone combina de forma única as letras B e P, uma referência ao fundador da Maison, Pierre Balmain, e também a Paris. Pouco depois, o símbolo ganhou uma pequena atualização como mostra a imagem abaixo.


Dados corporativos 
● Origem: França 
● Fundação: 1945 
● Fundador: Pierre Balmain 
● Sede mundial: Paris, França 
● Proprietário da marca: Pierre Balmain S.A. 
● Capital aberto: Não (subsidiária da Mayhoola Investments) 
● CEO: Jean-Jacques Guével 
● Diretor criativo: Olivier Rousteing 
● Faturamento: €220 milhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 35 
● Presença global: 80 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 250 
● Segmento: Moda de luxo 
● Principais produtos: Roupas, bolsas, perfumes e acessórios 
● Ícones: A grande letra B estilizada 
● Website: www.balmain.com 

A marca no mundo 
Atualmente a BALMAIN comercializa roupas (feminina, masculina e infantil), acessórios e perfumes em mais de 80 países através de 35 lojas próprias localizadas em cidades como Nova York, Los Angeles, Las Vegas, Londres, Miami e Milão. Com faturamento anual superior a €220 milhões, a marca francesa também vende seus produtos em lojas de departamento e lojas multimarcas de luxo. Entre roupas e acessórios, o time criativo da BALMAIN coloca no mercado 10.000 itens diferentes por ano. 

Você sabia? 
Junto com o francês Christian Dior e espanhol Cristóbal Balenciaga, Pierre Balmain formou o centro pós-guerra da indústria da alta-costura na França. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Vogue, Elle, Veja, Isto é Dinheiro e Exame), sites de moda (Farfetch), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 31/3/2020

1.10.19

ALEXANDER MCQUEEN


O estilista britânico Alexander McQueen revolucionou o jeito de fazer moda. Com criatividade, aliada à sua habilidade, arquitetou roupas que foram além da utilidade do vestir. Seus desfiles dramáticos e suas peças irreverentes chocaram e encantaram o mundo. E deixou tudo como legado para sua luxuosa marca Alexander McQueen, na qual as estruturas das roupas transitam entre tradição e modernidade, passeando pela transgressão, um dos principais trunfos da grife britânica. A marca é distinta por sua expressão inovadora e intransigente de criatividade desenfreada. 

A história 
Caçula de seis filhos de um taxista e de uma dona de casa, nascido no dia 17 de março de 1969, em Londres, Lee Alexander McQueen (foto abaixo) começou a se interessar por moda desde pequeno. A primeira memória de que Alexander teve dele próprio foi a de desenhar um vestido em uma das paredes de sua casa, em 1972, aos três anos de idade. Aos 15 anos já tornava as suas visões realidade e fazia vestidos para as três irmãs irem à escola, de forma a ajudar os pais com as despesas. Pouco depois, aos 16 anos, o inglês deixou a escola, passou a se dedicar exclusivamente à sua grande paixão e começou a trabalhar na famosa rua da alfaiataria de luxo masculina de Londres - a Savile Row (sua escola primária na moda). Foi lá que durante quatro anos como aprendiz de alfaiatarias tradicionais como Anderson & Shephard, Gieves & Hawkes e Angels & Bermans, aprendeu as técnicas para a execução dos mais diversificados cortes de vestuários. Em 1989 foi para Milão trabalhar como assistente de Romeo Gigli. Toda esta incrível experiência contribuiu para que Alexander McQueen concluísse em 1992, com muito destaque, o mestrado em design de moda na conceituada Saint Martins College of Art and Design, o maior celeiro da cena fashion inglesa. Em seu desfile de formatura, batizado de “Jack the Ripper Stalks His Victims” (inspirado em Jack, o estripador), o visual dramático do britânico chamou a atenção de grandes players da moda: a lendária editora de moda da então revista Tatler, Isabella Blow, comprou toda a coleção (por £5.000) e persuadiu o estilista a usar apenas seu nome do meio, ou seja, Alexander McQueen (o primeiro nome, Lee foi abandonado).


Pouco depois, ainda em 1992, criou a sua própria grife, batizada é claro de Alexander McQueen. Ele passou então a unir as técnicas de alfaiataria com um estilo pautado pelas ruas de Londres, a maior referência para suas coleções. Em 1993 o estilista apresentou oficialmente sua primeira coleção feminina (batizada de “Taxi Driver”) no pomposo hotel Ritz. No ano de 1995, a coleção “Highland Rape”, apresentada em março, causou enorme rebuliço entre a imprensa da moda fazendo com que o estilista ganhasse o apelido de “Enfant Terrible” (criança terrível, em francês). Afinal, o estilista sempre dizia: “Você tem que conhecer as regras para poder quebrá-las. É por isso que estou aqui, para demolir as regras e manter a tradição ao mesmo tempo”. A coleção, cujo objetivo era homenagear seus ancestrais escoceses, apresentava tartã preto e vermelho, além de blusas de renda rasgadas. Não demorou muito para o sucesso encontrar McQueen. No ano seguinte, seu enorme talento foi recompensado com o prêmio British Designer of the Year. Além disso, assumiu o cargo de diretor criativo da tradicional Givenchy, deixado por seu colega de faculdade John Galliano, com a missão de reprojetar a marca francesa no cenário do mundo da moda de luxo. Ele permaneceu no cargo até 2001 e comandou, em paralelo, a marca que leva seu nome.


No ano de 1997, em sua principal coleção apresentou ao público a famosa jaqueta com chifres. Já celebrado e disputado pela indústria da moda, McQueen continuava o seu intenso e audacioso processo de criação, consolidando-se profissionalmente ao lançar tendências que marcaram o mundo, entre elas as calças de cintura baixa, as estampas de caveiras, as peças de alfaiataria, a estética gótica e os desfiles tratados como verdadeiras superproduções, que levavam a tecnologia, o drama e as artes cênicas para cima das passarelas. Em dezembro de 2000, sua grife passou a integrar o portfólio do grupo Gucci (atual Kering), que adquiriu 51% das ações, e ganhou a merecida expansão internacional, inaugurando luxuosas lojas em Nova York, Londres, Milão, Las Vegas e Los Angeles. Pouco depois, em 2003, a marca lançou Kingdom, sua primeira fragrância feminina. Nos dois anos seguintes a marca ampliou sua linha de produtos com o lançamento da coleção de óculos e roupas masculinas (2004) e bolsas (2005). No desfile da coleção de verão 2005, o estilista transformou as modelos em peças de xadrez, onde o jogo era pautado pela dualidade Oriente versus Ocidente e inspirado em uma das cenas de Harry Potter. Pouco depois, em julho de 2006, mais uma novidade com a introdução de sua linha mais jovem e acessível, batizada de McQ. Nesta época, a originalidade da construção de suas roupas era impressionante, sempre com um elemento surpresa: ombros de casacos remodelados, tecidos desgastados em roupas de alta-costura, padronagens típicas da moda inglesa, aumentadas e distorcidas, matérias-primas como cabelo e látex.


Se por um lado não era simpático com a mídia e não se preocupava em explicar suas coleções, alimentando o mito de menino mau da moda inglesa, McQueen era fiel aos seus amigos. Por exemplo, em 2006, foi um dos primeiros a defender a modelo Kate Moss após ser flagrada por uma tabloide consumindo cocaína. A modelo viu sua carreira entrar em decadência. Todos tomaram alguma distância dela, exceto McQueen, que provocador e num gesto de apoio à amiga, projetou um holograma tridimensional da modelo dentro de uma pirâmide, em seu desfile na cidade de Paris. No fim, entrou com uma camiseta onde estava escrito “Nós te amamos, Kate!”.


A vida do polêmico estilista começaria a desmoronar emocionalmente em 2007 quando a grande amiga e parceira, Isabella Blow cometeu suicídio, em outubro. Nesse mesmo ano McQueen dedicou sua coleção a leal amiga. A sua última coleção, Plato’s Atlantis, previa uma espécie de retorno à origem das espécies, tendo Charles Darwin como ponto de partida. Passado e futuro se misturavam, criando mulheres com vestidos que lembravam águas-vivas e sapatos Alexander McQueen do icônico modelo tatu, com saltos de 25 centímetros. A marca lançou uma loja online nos Estados Unidos em 2008, que mais tarde seria expandida para o mercado do Reino Unido e outros países. Nove dias após a morte de sua mãe, Joyce, no dia 11 de fevereiro de 2010 Alexander McQueen cometeu suicídio devido a uma forte depressão em seu apartamento no elegante bairro de Mayfair, em Londres, chocando e comovendo o mundo da moda. Sua precoce morte aos 40 anos colocou fim à carreira de um dos mais talentosos e iconoclastas estilistas. As passarelas do mundo da moda nunca mais seriam as mesmas sem ele. Se olhava para o passado, viajava para a Inglaterra eduardiana, recriava corsets que faziam as modelos perderem o fôlego (Abbey Kee Kershaw desmaiou em um desfile), era também uma ponte para o futuro: o último desfile, do verão 2010, tinha looks anos-luz à frente da concorrência e sapatos com saltos de 30 cm.


Em Fashion Victim: The Killing of Gianni Versace, documentário produzido em 2001, McQueen deu a seguinte declaração: “Não acho que a marca (Versace) deva continuar após a morte de Gianni. Um designer tão autoral como ele não pode ser substituído. Quando eu morrer, não quero que ninguém continue por mim”. Mas sua grife sobreviveu sem seu mentor, apesar dele não concordar. Isto porque, desde maio de 2010, o desafio de continuar a marca sem seu criador coube à estilista Sarah Burton, que foi assistente de McQueen por 14 anos. Em setembro desse ano, Sarah apresentou a primeira coleção de sua autoria e, em 2011, foi escolhida pela duquesa de Cambrige, Kate Middleton, para fazer seu vestido de casamento com o príncipe William. Ainda em 2011, a marca inaugurou sua primeira loja na cidade de Pequim com um enorme desfile. Aclamada pela crítica, Sarah Burton manteve vivo o estilo de McQueen, ressaltando o aspecto artesanal das roupas e adicionando toques de feminilidade, inclusive em sua segunda marca, McQ (que começaria a ganhar lojas próprias nos anos seguintes). Em 2012, a estilista foi condecorada com a Ordem do Império Britânico em retribuição a sua contribuição para a moda inglesa, mostrando que estava mesmo à altura de perpetuar a tradição de Alexander McQueen. Nos anos seguintes, a marca inaugurou lojas em grandes cidades cosmopolitas do mundo e ingressou fortemente no mercado asiático e Oriente Médio.


Integral à cultura, a marca sempre foi a justaposição entre os elementos contrastantes: a fragilidade e a força, tradição e modernidade, fluidez e intensidade. A mistura de cortes clássicos, materiais invulgares, design extravagante, ousadia nas cores, composições surrealistas e carisma sempre fizeram parte de suas coleções. Coleções essas que combinam conhecimento profundo e trabalho de alfaiataria britânica sob medida, o fino acabamento dos ateliês franceses de alta-costura e o acabamento impecável da fabricação italiana. Por isso, ao longo dos anos, o DNA exclusivo da marca Alexander McQueen conquistou clientes famosos e fiéis como Beyoncé, Fergie, Rihanna, Lady Gaga, Naomi Campbell, Sarah Jessica Parker, Cameron Diaz, Sandra Bullock, Cate Blanchett, Michelle Obama e até o Príncipe Charles.


Shows midiáticos 
Outra grande contribuição do designer Alexander McQueen à moda inglesa e mundial foi a concepção de desfiles dramáticos, que seguiam uma narrativa e desafiavam a fórmula das passarelas. Os desfiles do estilista na Semana de Moda de Paris tinham mesmo o dom de se destacar frente às dezenas de coleções de outras marcas. Teatral e único, o polêmico estilista enclausurou o público e a imprensa num armazém claustrofóbico, recheado apenas de sons de pássaros e acidentes de carros (1994), colocou nas passarelas modelos com peças rasgadas, como se tivessem sido violentadas (1995), colocou robôs tingindo vestidos na passarela (verão de 1999), recriou A Noite dos Desesperados, de Sidney Pollack, com modelos dançando até a exaustão (verão 2004), montou um xadrez humano (verão 2005), homenageou Hitchcock (inverno 2005), projetou na passarela um espectro de Kate Moss (inverno 2006) e trouxe às passarelas modelos com bocas que em quase nada lembravam lábios humanos (2009). Criou peças que muitas vezes se aproximavam da arte - e nem sempre eram compreendidas. Não eram somente as passarelas que serviam de palco para as criações de McQueen. Cate Blanchett e Sarah Jessica Parker eram duas entusiastas de seus tartãs e vestidos excêntricos. Já as cantoras Björk e Lady Gaga usaram figurinos dele em vídeos e aparições públicas.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas alterações ao longo dos anos, adquirindo uma grafia mais moderna e atraente. Há alguns anos atrás o novo logotipo apresentou uma nova tipografia de letra. Mas a principal mudança foi o nome da marca escrito por inteiro (sem a letra C dentro do Q).


Dados corporativos 
● Origem: Inglaterra 
● Fundação: 1992 
● Fundador: Alexander McQueen 
● Sede mundial: Londres, Inglaterra 
● Proprietário da marca: Alexander McQueen Trading Limited 
● Capital aberto: Não (subsidiária da Kering S.A.) 
● CEO: Emmanuel Gintzburger 
● Diretor criativo: Sarah Burton 
● Faturamento: €350 milhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 50 
● Presença global: 55 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Segmento: Moda de luxo 
● Principais produtos: Roupas, acessórios, calçados e perfumes 
● Ícones: A extravagância e transgressão 
● Website: www.alexandermcqueen.com 

A marca no mundo 
As marca de luxo Alexander McQueen, que oferece coleções de roupas masculinas e femininas, acessórios, óculos e fragrâncias, é vendida através de 50 lojas próprias e luxuosas lojas de departamentos em mais de 55 países ao redor do mundo. O faturamento anual estimado da marca é de €350 milhões. 

Você sabia? 
Se o estilista não se rendia aos apelos comerciais (sua marca quase sempre operou no vermelho), era capaz de transformar produtos banais em itens de colecionador através de parcerias: os tênis da Puma (2005), a coleção cápsula para a varejista Target (2009) e as malas da Samsonite (2009) são provas disso. 
Alexander McQueen foi eleito o melhor estilista da moda britânica em 1996, 1997, 2001 e 2003, além de angariar o posto de melhor designer do ano, em 2003, concedido pelo CFDA (Conselho da Fashion Designer of America). 
Durante sua existência criativa, McQueen esteve em contato com o Brasil em diversas oportunidades. Em um desses encontros, ajudou a lançar a nossa maior representante: Gisele Bündchen. Em 1998, começando na carreira, a brasileira desfilou para a marca do britânico. Ela usaria três looks durante o desfile, sendo o primeiro um maiô prateado, o segundo um vestido e o terceiro uma saia. A modelo perguntou onde estava a blusa do último look e ouviu como reposta: “não tem blusa”. Desesperada, pediu a uma maquiadora que pintasse seus seios de branco e assim entrou na passarela. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Elle, BusinessWeek, Vogue e Exame), sites de moda (Farfetch), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 1/10/2019

12.5.13

OSCAR DE LA RENTA


Um nome latino ecoa com pompa no universo da moda de luxo: Oscar de la Renta. Com estilo único transformou seu nome e sua grife em sinônimos de tapete vermelho, uma alusão aos seus luxuosos e impecáveis vestidos que constantemente desfilam nos corpos de beldades nas mais badaladas premiações de gala ao redor do mundo. Referência no mundo da moda, a grife se tornou muito conhecida por suas cores e elegância únicas, conquistando clientes famosas e influentes como Hillary Clinton, Jacqueline Kennedy, Barbara Walters, Sarah Jessica Parker, Nancy Reagan e Laura Bush. 

A história 
Oscar Aristides de la Renta Fiallo (foto abaixo) nasceu no dia 22 de julho de 1932 na cidade de Santo Domingo, na ensolarada República Dominicana. Filho de mãe dominicana e pai porto-riquenho, ele cresceu em um país cheio de flores e estampas coloridas, e tiraria daí, anos mais tarde, sua inspiração para fazer moda. Deixou sua terra natal ainda jovem, aos 18 anos, para estudar pintura na Real Academia de Belas Artes de San Fernando, em Madri. Enquanto morou na Espanha, ele se interessou pelo mundo da moda e começou a desenhar para as principais grifes do país. Ao desenhar um vestido para a filha do embaixador americano no país, ele se tornaria internacionalmente conhecido: sua criação foi capa da revista Life em 1956. Seu talento rapidamente chamou a atenção de um mestre: Cristóbal Balenciaga, do qual foi aprendiz. Mais tarde, em 1961, Oscar mudou-se para Paris, juntou-se a Antonio Castillo e passou a trabalhar como assistente de costura na renomada Maison Lanvin.


Em 1963, o estilista disse a Diana Vreeland, então poderosa diretora da revista Vogue, que desejava ingressar no segmento “prêt-à-porter”, porque era realmente onde estava o dinheiro no universo da moda. A influente diretora então o aconselhou: “vá trabalhar para Elisabeth Arden, pois assim irá construir sua reputação mais rapidamente”. E ele seguiu o conselho da poderosa diretora. Foi para os Estados Unidos, onde começou a trabalhar como assistente no salão de alta costura e prêt-à-porter para Elisabeth Arden. Neste período, o estilista começou a vestir, ninguém menos, que a então primeira-dama americana Jacqueline Kennedy, conquistando assim projeção internacional. Mais tarde o estilista vestiria outras primeiras-damas americanas, como Betty Ford, Nancy Reagan, Hillary Clinton e Laura Bush.


Em 1965, foi trabalhar para Jane Derby, conhecida por sua linha simples e especial para o tipo feminino mignon. Quando Derby morreu no dia 9 de agosto do mesmo ano, Oscar decidiu dar um novo rumo a sua vida profissional. Em 1966 o estilista, com a ajuda de seu sócio Ben Shaw, comprou a empresa e resolveu iniciar sua carreira independente lançando em Nova York a primeira coleção prêt-à-porter feminina. Era o surgimento oficial da marca OSCAR DE LA RENTA. O sucesso de seu talento foi praticamente instantâneo. E o sucesso fez o estilista conquistar, em 1967 e 1968, o prestigiado Coty Award (o “Oscar” da indústria da moda americana). Nesta época, Oscar alcançou seu primeiro grande êxito ao lançar uma coleção de roupas inspirada nas tradições ciganas e russas. Na década de 1970, já com a América literalmente “aos seus pés”, Oscar resolveu expandir seu talento para outros segmentos da moda de luxo e, em 1977, lançou sua primeira fragrância feminina (batizada de OSCAR), que durante anos foi um verdadeiro sucesso de vendas.


Apesar da marca estar inserida totalmente no universo feminino, em 1980 ocorreu o lançamento do primeiro produto voltado para o público masculino: o perfume Por Lui. Em 1992, Oscar de la Renta se tornou o primeiro estilista latino-americano a ocupar o cargo de diretor criativo de uma marca de luxo francesa, a Balmain, onde permaneceu até 2002. Com a chegada do novo milênio a marca OSCAR DE LA RENTA ingressou em novos segmentos da moda de luxo ao lançar uma linha de acessórios (2001), que incluía bolsas, carteiras, cintos, lenços e sapatos; uma linha de móveis (2002); além de uma sofisticada coleção de óculos e uma linha de roupas mais acessíveis (2004).


Foi somente no ano de 2004 que a marca inaugurou sua primeira loja exclusiva na Madison Avenue, em Manhattan, Nova York. Nos anos seguintes, outras lojas OSCAR DE LA RENTA foram inauguradas em badaladas cidades americanas como Bal Harbour, Costa Mesa, Dallas, Las Vegas e Los Angeles. Em 2006, a marca criou a OSCAR DE LA RENTA BRIDAL, especializada em luxuosos vestidos de noiva. A marca iniciou sua expansão no exterior com a inauguração de lojas em Madri e Atenas, em 2008, além de lançar uma sofisticada linha de joias em colaboração com Loulou de la Falaise, musa da então Yves Saint Laurent. Foi também a partir desse ano que a marca iniciou uma enorme e importante estratégia de reorganização interna, quando decidiu entrar em uma disputa jurídica complexa contra a L’Oréal para reassumir o controle de suas operações de cosméticos e fragrâncias, que haviam mudado de mãos seis vezes nos últimos dez anos e perdido sua identidade e qualidade. E como resultado, ocorreu o lançamento em 2011 do perfume feminino Live in Love.


No ano seguinte a marca ingressou no universo infantil com o lançamento de uma completa linha de roupas e acessórios para crianças (meninas e meninos até 14 anos). Além disso, lançou a coleção Home, composta por porta-retratos, vasos, louças, enfeites, almofadas, lençóis, toalhas, etc. Em 2013, a marca inaugurou sua maior loja própria no mundo, localizada na cidade de Londres. O espaço, situado no badalado bairro de Mayfair, tem três andares, aproximadamente 1.000m² e abriga coleções femininas, moda noiva, decoração, acessórios, beleza e moda infantil.


Outra novidade recente da grife: quase dois anos após se envolver em polêmica por comentários antissemita e ser demitido da Christian Dior, John Galliano retornou à moda fazendo uma espécie de estágio (três semanas) na OSCAR DE LA RENTA, o que alimentou boatos de que o polêmico estilista pudesse ser o sucessor de Oscar. Mas, uma semana antes de sua morte, Oscar nomeou Peter Copping, que havia trabalhado na Nina Ricci, como novo diretor criativo de sua grife. E no dia 20 de outubro de 2014, Oscar de la Renta faleceu aos 82 anos em sua casa na cidade de Kent, estado de Connecticut. Apesar de lutar contra o câncer desde 2006, Oscar foi resiliente. Neste período de quase dez anos, sua marca cresceu aproximadamente 50% e seu nome ficou ligado a celebridades como Amy Adams, Hillary Clinton, Oprah Winfrey, Sarah Jessica Parker e Penélope Cruz. Era o fim de uma trajetória de enorme sucesso que se manterá viva através das suas magníficas criações e do seu legado no mundo da moda. Hoje em dia, a OSCAR DE LA RENTA continua desenvolvendo roupas que até podem ser consideradas extravagantes, mas que jamais deixam de lado o bom gosto e a sofisticação. Sempre adepto de coleções temáticas, o estilista cria modelos de nítida inspiração oriental e também cigana.


A evolução visual 
A identidade visual da marca, composta pela assinatura de Oscar de la Renta, passou por alterações ao longo dos anos. Ganhou uma nova tipografia de letra, mais afinada e sofisticada.


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 1966 
● Fundador: Oscar de la Renta 
● Sede mundial: New York City, New York, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Oscar de la Renta LLC 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Alex Bolen 
● Diretor criativo: Peter Copping 
● Faturamento: US$ 200 milhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 10 
● Presença global: 70 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 200 
● Segmento: Moda de luxo 
● Principais produtos: Roupas, acessórios e perfumes 
● Concorrentes diretos: Carolina Herrera, Valentino, Saint Laurent, Givenchy, Gucci e Chanel 
● Ícones: As flores e estampas coloridas 
● Website: www.oscardelarenta.com 

A marca no mundo 
Considerada uma das principais grifes no segmento de luxo da moda mundial, a OSCAR DE LA RENTA oferece uma completa e sofisticada linha de itens direcionada às mulheres, homens e crianças. Com presença em mais de 70 países ao redor do mundo, a marca comercializa seus produtos, que vão desde alta-costura, noiva e roupas esportivas até bolsas, sapatos, óculos, joias, perfumes, lingeries, lenços, pijamas e uma linha beachwear, através de 10 lojas exclusivas próprias, comércio online e nas mais sofisticadas lojas de departamento do mundo. 

Você sabia? 
O DNA da OSCAR DE LA RENTA é colorido, feminino e sempre sofisticado, admirada por seus vestidos de noite, tanto na linha de alta costura como no prêt-à-porter. 
A grife tornou-se um verdadeiro negócio de família: o CEO é Alex Bolen, a diretora de criação para a divisão de licenciamento Eliza Bolen e o responsável pelo atelier de design Moisés de la Renta, respectivamente, o cunhado, a enteada e o filho adotivo de Oscar de la Renta. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 20/1/2016