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23.12.22

RESERVA


Experimente andar pelas ruas das grandes cidades ou ir ao cinema, bares e baladas e provavelmente irá se deparar com produtos, especialmente camisetas, pólos e bermudas com um pica-pau estampado. O pássaro é referência da Reserva, cuja personalidade forte com estilo despojado típico do carioca, o cuidado com o cliente, o design apurado e o investimento em inovação a transformaram em uma das marcas de moda casual mais desejada entre os brasileiros. 

A história 
Tudo começou no Rio de Janeiro em 2004 quando dois amigos de infância, o engenheiro de produção Rony Meisler e o publicitário Fernando Sigal, estavam em uma academia de ginástica e notaram cinco homens usando exatamente o mesmo modelo de bermuda, com a mesma cor e a mesma estampa. Indignados com a mesmice e mesmo não tendo nenhuma relação ou interesse específico em moda, o tino empreendedor levou ambos a testarem a demanda do mercado de moda masculina. Eles então acharam um fornecedor em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, e criaram seu primeiro modelo de bermuda, que estampava o slogan “Be yourself but not always the same” (algo como “Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo”). Os dois começaram vendendo suas bermudas na praia para amigos. Veio Natal, Réveillon e o Carnaval. Eles então chegaram à praia e notaram que todo mundo estava usando a mesma bermuda, só que era a deles. O feitiço havia virado contra o feiticeiro.
  

Ainda sem muitas pretensões, fizeram uma coleção com mais itens, incluindo camisetas casuais, que seriam o grande chamariz, e resolveram realizar uma festa de lançamento da marca que ainda não tinha nome. Com o estoque liquidado na mesma noite, os jovens sócios decidiram seguir com o projeto paralelo aos seus empregos. Logo, o nome Reserva surgiria: uma homenagem à praia preferida do pessoal, localizada na região da Barra da Tijuca. No ano seguinte, ambos largaram seus empregos para se dedicarem exclusivamente ao novo negócio e instalaram-se em um pequeno e acanhado ateliê na Gávea, onde iniciaram a venda para o atacado. E os dois faziam de tudo: do estilo à nota fiscal. Começaram então a rodar o interior do estado oferecendo seus produtos para as lojas multimarcas, o que ajudou a estabelecer o nome da Reserva no mercado de moda masculina.
   

De início, a Reserva se posicionou em um segmento premium de mercado. As camisetas e bermudas eram feitas buscando oferecer um bom produto, com um preço próximo ao praticado pelas marcas nacionais que dominavam um novo conceito de moda masculina no Brasil. A ideia da Reserva era oferecer conforto, qualidade, aliado a um estilo leve e que pudesse também ser usado em qualquer ocasião. Somados estes esforços, a Reserva se estabelecia como uma marca de moda que começava a ser percebida pelos jovens como um sinônimo de qualidade e estilo.
  

Em 2006, a Reserva foi aceita no line up da semana de moda carioca. E a marca deu passos importantes que ditariam o ritmo acelerado com que se posicionou no mercado: desfilou as coleção Street Cowboys e Tropical Rockers no Fashion Rio, e adicionou o iconográfico pica-pau vermelho ao seu logotipo. Em pouco tempo, a Reserva ficaria conhecida como a marca do pica-pau. Assim como a Lacoste (conheça essa outra história aqui) é a marca do jacaré e a Polo Ralph Lauren (saiba mais aqui) do cavalinho. Além disso, em setembro de 2006 abriu sua primeira loja, no coração de Ipanema, na Rua Maria Quitéria. Nascia ali o formato de atendimento da marca, hoje conhecido amplamente como a Experiência Reserva. Isto porque, o estabelecimento de apenas 30 m² e cinco funcionários - além dos dois sócios - tinha como objetivo entregar uma experiência de varejo de moda muito diferente do que o mercado estava acostumado. Além disso, a loja, que apresentava um mostruário completo com camisetas e bermudas, foi decorada como se fosse à casa dos fundadores, com direito a cerveja na geladeira - da marca Devassa (conheça essa história aqui), fundada por amigos de Meisler.
    

Na loja, o conceito era oferecer um ambiente totalmente descomplicado, que deixasse o consumidor totalmente a vontade para olhar, tocar e experimentar todas as peças do mostruário. Esse ambiente era criado primeiro com um treinamento específico para os vendedores, que também eram escolhidos criteriosamente para trazer essa atmosfera à loja. O intuito era que os vendedores fossem descolados, e capazes de manter uma conversa despretensiosa com os clientes, para criar uma relação de confiança, antes da venda das peças de roupa. A loja literalmente bombou. No primeiro Natal, três meses após a inauguração, eles tiveram que fechar a porta algumas vezes porque o espaço estava lotado de clientes.
   

Além da venda em lojas multimarcas, a marca passou a contar com mais lojas físicas, ganhando as ruas do Rio de Janeiro, e posteriormente também alguns shopping centers. A mudança para o SPFW (São Paulo Fashion Week) aconteceu em 2008 atrelada aos planos de expansão em São Paulo, onde a marca inaugurou suas primeiras lojas nos shoppings Iguatemi e Market Place. No ano de 2010, a marca resolveu diversificar sua linha de produtos com o lançamento da Reserva Mini, que oferecia roupas para crianças. Vale ressaltar que todas as coleções da Reserva Mini são desenvolvidas com foco no universo das crianças e tem três frentes predominantes: esportes, games e música, além de ter como principal pilar o conforto das peças. Focada em inovações, a marca também possui uma coleção chamada Tal Pai Tal Filho e Tal Mãe Tal Filho, com camisetas, bermudas e tênis iguais ou complementares nas artes.
   

Em 2011, a família aumentou com a chegada de novos sócios - Jayme Nigri, José Alberto Silva, Luis Roberto Pinto e Luciano Huck - e com o aumento do portfólio de produtos. Com isso, o Grupo lançou as marcas Huck e Eva, esta última feminina e que chegou ao atacado na temporada inverno 2012. A Reserva também lançou seu e-commerce, proporcionando assim mais um canal de vendas para seus clientes. No final de 2013, a Use Huck, até então uma label de venda online (oferecia camisetas com frases do momento, quase um meme para vestir) ganhou seu primeiro quiosque no Norte Shopping, enquanto a Eva inaugurou duas lojas (em Ipanema e no Rio Design Barra) e a Reserva Mini passou a ser vendida também nas lojas Reserva, ampliando sua grade com o lançamento da linha “Pra Bebê”. Todo esse crescimento pode ser visto em 2014, quando a Reserva fechou o ano com faturamento de R$ 231 milhões, 600 funcionários, 36 lojas próprias e cinco franqueadas.
  

Em 2016, nasceu a Oficina Reserva, uma fashiontech que utiliza matérias-primas sofisticadas e tecnologia para o desenvolvimento de roupas masculinas básicas e camisas sob medida, voltada para executivos e empreendedores. Nos anos seguintes, além de inaugurar várias lojas nas principais capitais do país, a Reserva passou a ser mania entre os jovens descolados de todas as classes sociais, e ao mesmo tempo ganhou a adesão de celebridades e artistas, o que ampliou ainda mais sua exposição no mundo da moda.
  

Com o objetivo de aumentar a atuação da marca no segmento de calçados nasceu, em 2019, a Reserva Go, que incluía o primeiro tênis feminino da grife e o tênis NEO, que já era sucesso entre o público masculino e ideal para quem busca por conforto sem abrir mão do estilo em momentos casuais. Ainda em 2019, a marca criou a Reserva Ink, que surgiu a partir da fusão da antiga plataforma FAÇA.VC (usada pela primeira vez no Use Huck, grife criada em 2011 pelo apresentador Luciano Huck) e da Touts (maior marketplace de design de camisetas do Brasil, que havia sido adquirido pela empresa). A Reserva Ink é, atualmente, o braço da empresa que tem o objetivo de ser um auxílio para aqueles que têm interesse em criar um negócio na área da moda pela internet e funciona no sistema de full commerce, em que qualquer pessoa ou marca (com experiência ou não no ramo da moda) pode criar uma loja e vender estampas para camisetas sem se preocupar com as operações burocráticas comuns ao início de um empreendimento.
  

Em plena pandemia, com mais de 100 lojas fechadas, em julho de 2020, a Reserva crescia dois dígitos. E muito disso se devia ao seu comércio digital (antes da pandemia, quase 20% do faturamento da marca era digital e hoje são 56%). Ao assumir o slogan “O foguete não dá ré” e pensar na abertura de capital para continuar a expansão, surgiu a possibilidade de se juntar a Arezzo (conheça essa outra história aqui). E isto aconteceu em outubro de 2020, quando a varejista de calçados e acessórios Arezzo&Co - que reúne as marcas Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Fiever, Alme e Vans (esta última somente no Brasil) - anunciou a aquisição do Grupo Reserva, que movimentou R$ 715 milhões e que ganhou o nome de AR&Co. A parceria com a Arezzo preservaria os valores do que era a marca Reserva, mantendo independência para consolidar o negócio da moda e do lyfestyle por meio da plataforma logística e tecnológica. A partir de então, a Reserva iniciou a padronização de todas as suas lojas.
  

Em 2021, atenta à tendência de compras por assinatura e aos novos modelos de consumo consciente, a marca lançou sua camiseta Simples, que podia ser adquirida no formato de assinatura e estava disponível em 12 cores, para o público masculino, feminino e infantil. Ainda este ano, depois de quatro anos de desenvolvimento, inovou ao lançar sua primeira coleção voltada para o público PcD (pessoas com deficiência), batizada de Adapt& e com peças inteiramente adaptada para essas pessoas, incluindo ajustes ergonômicos e funcionais. Já a Reserva Go, linha de calçados e acessórios, teve um crescimento exponencial com o lançamento de uma linha feminina, ancorada por uma campanha que enaltecia o empreendedorismo feminino.
  

Em 2022, a Reserva anunciou o lançamento de uma marca de roupas básicas, um movimento que coloca a varejista controlada pela Arezzo&Co em competição próxima com a Hering (conheça essa outra história aqui). A nova marca - batizada de Simples - oferece uma linha de produtos focada em malha e moletom, incluindo camisetas, casacos, calças, bermudas e vestidos. Outra novidade, em parceria com a Vicunha, maior têxtil jeans da América Latina, foi o lançamento da coleção Hemp Denim, uma linha de produtos com jeans de cânhamo.
   

E tinha mais. A Reserva lançou uma linha criada para mulheres e feita por uma mulher, reforçando os valores de marca e com padrão à altura do que sempre foi feito para homens. A nova linha feminina, batizada de Reversa, foca em ícones atemporais do guarda-roupa feminino, especialmente no jeans, que aparece em múltiplas peças e modelagens. Outro ponto de destaque são as peças confortáveis e com cortes básicos como camisetas e calças com modelagens mais soltas. O moletom e a malha também ganham espaço, porque a sensação de liberdade é a palavra de ordem da Reversa.
   

E não parou por aí. Ainda em 2022, a Reserva apresentou uma linha de acessórios variados chamada Life Basics, cuja ideia é estender a identidade das peças de vestuário para outros momentos e situações. A Life Basics já lançou no mercado uma linha de óculos escuros (5 modelos e 24 variações de lentes e armações) e a Reserva Fruits (snacks de frutas liofilizadas). Nos próximos meses devem chegar ao mercado artigos como produtos para pets (guia, roupas, capa de chuva, potes de comida, tapete, brinquedos de borracha), cervejas, vinhos, gadgets eletrônicos (de capa de celular a caixas de som), mesa e banho, mobiliário, papelaria e cosméticos, todos com o logotipo do pica-pau. Os lançamentos são feitos com empresas parceiras, algumas em joint-venture e outras com licenciamento de marca.
  

Moda criativa 
Nos últimos anos a Reserva vem investindo na criação e lançamento de coleções colaborativas, limitadas e especiais. A marca tem até uma divisão para cuidar disso, a RSV+, célula criativa de colaboração que desenvolve parcerias com outras marcas. Todo esse investimento criativo já rendeu collabs interessantes com a Estação Primeira de Mangueira; com o Flamengo; com os personagens Wally e Pica-Pau (esse aquele do famoso desenho animado e que se chama Woody Woodpecker); com a Netflix (conheça essa história aqui), cuja coleção trazia roupas e acessórios para que fosse possível relaxar em qualquer lugar; com a marca de sucos Do Bem (conheça essa outra história aqui), uma união colorida e leve que apresentou um mood jovem e refrescante; com o Rock In Rio (saiba mais aqui), tênis e chinelos com o logotipo do famoso festival; com a marca Halls (conheça essa história aqui), o que resultou em um tênis com vários detalhes da bala, como o cheiro do forro interno; e com a NBA, coleção-cápsula com peças inspiradas no universo colegial americano e nas equipes do Chicago Bulls, Los Angeles Lakers e New York Knicks.
  

Já para o Natal de 2022, a Reserva inovou ao lançar uma coleção exclusiva em colaboração com a tradicional marca de brinquedos Estrela (conheça essa história aqui), que resgata a nostalgia da infância. Com peças masculinas, femininas e infantis, a coleção tem texturas vintages, logotipos e cores emblemáticas de ambas as marcas, cujo objetivo é vestir, presentear e participar ativamente desse momento entre família e amigos, criando momentos, lembranças e revivendo a saudade da infância. Indo além do vestuário, o lançamento conta com acessórios, calçados e uma linha exclusiva e limitada de brinquedos, amplificando as possibilidades de presente.
   

A Reserva reforça a ideia de que no Natal somos todos crianças, e para unir e entreter as festividades de final de ano, entre os brinquedos da coleção (batizada Reserva Play) a marca reviveu clássicos como Pogobol, Cara a Cara, Tapa Certo, Divertirama e um Pica-Pau de pelúcia, mascote e símbolo da Reserva. Além disso, a Reserva doou no período de Natal, junto com a Estrela, 2.500 brinquedos para as ONGs Rio Inclui, Gerando Falcões e a ONG Novo Mundo.
    

A campanha de lançamento, que apresentava o slogan “Para crianças de até 120 anos”, contava com um filme (assista abaixo) que reinterpretava e modernizava o tradicional jingle “Toda criança tem uma Estrela dentro do coração”, criado em 1987 por Luiz Orchestra para uma campanha do Dia das Crianças da tradicional marca de brinquedos.
  

Uma marca com propósito 
Hoje em dia a Reserva conquistou os brasileiros e se tornou uma referência nacional não só pelo estilo, mas pelos pilares que defende. De olho na importância de se posicionar dentro de um dos segmentos mais poluentes do planeta - a indústria da moda só perde para o petróleo -, a Reserva encampa bandeiras não só de cuidados com o meio-ambiente, mas em defesa da liberdade de expressão, contra o preconceito e a fome. Sustentabilidade, para Reserva, é uma constante análise de como seu negócio pode gerar impactos positivos para a sociedade e planeta e, também, mitigar impactos negativos. Seja nas campanhas de comunicação, no cuidado com a fabricação e entrega das peças ou nos projetos sociais, a marca defende, na prática, valores que só agora começam a ganhar o mundo corporativo.
   

Entre as medidas sustentáveis, estão a aposta em uma linha de produtos feitos de algodão reciclado, usando sobras de roupa que são desfibradas e tecidas novamente, entregas de pedidos feitos pelo site na cidade do Rio realizadas de bicicleta - o que evita a emissão de 350 kg de CO2 por mês - e a doação de 250 árvores para plantio em 2015. Ou o programa Reserva Circular, cujo objetivo é reciclar e reinserir as peças de roupas antigas recolhidas (nas lojas da marca) no ciclo produtivo em diversas finalidades, oferecendo para isso descontos para a compra de novos produtos. A marca foi a primeira da moda brasileira a assinar a Fashion Industry Charter, compromisso com a ONU para a neutralização das emissões de gases de efeito estufa. Em 2020, se tornou a maior marca de moda da América Latina a ser certificada pelo Sistema B, movimento global que reconhece empresas preocupadas com o bem-estar da sociedade e do planeta.
  

No campo social, a Reserva possui política de contratação de combate à discriminação de gênero, raça, religião, orientação sexual, deficiência intelectual ou física, realiza auditorias com fornecedores para coibir o trabalho infantil e escravo e exigir o respeito às leis trabalhistas e ambientais e oferece 30 dias de licença paternidade para funcionários que se tornam pais. O projeto que ocupa mais espaço dentro da empresa é aquele considerado mais urgente. O 1P=5P tem como objetivo a diminuição do impacto da fome no Brasil. A cada peça de roupa vendida nas marcas Reserva, Reserva Mini e Reserva Go, a empresa viabiliza cinco pratos de comida a quem tem fome. Desde 2016, quando o projeto foi criado, já foram mais de 55 milhões de pratos distribuídos através da ONG Banco de Alimentos e do Projeto Mesa Brasil.
  

O marketing 
Além de ter um marketing sempre atuante e oportuno, a Reserva não tem receio de ousar em sua comunicação. Por isso, ao longo do tempo, a Reserva se especializou em fazer de um limão, uma limonada, como diz o ditado popular. E isto pode ser comprovado em uma das campanhas da marca. Em uma madrugada de dezembro de 2012, uma das lojas da Reserva no Rio de Janeiro foi assaltada por bandidos, que quebraram a vitrine com uma pedra, entraram e levaram dezenas de peças de roupa. A ação trouxe enorme prejuízo para a marca e foi totalmente filmada pelo sistema de segurança. Após a ideia de um estagiário, a Reserva decidiu inovar, e usar as filmagens do assalto em um comercial informal para anunciar a temporada de descontos após o Natal, em janeiro de 2013. Dessa forma, usando a filmagem e com uma trilha sonora agressiva, a Reserva lançou um comercial em que mostrava a ação dos bandidos e contava com frases do início ao fim. Ao final a marca ainda anunciava “E Corra! Porque tem gente fazendo Loucuras pela Reserva”. A campanha foi um enorme sucesso. Não apenas pela ousadia, mas também por transformar uma situação de dificuldade, em uma oportunidade. Além do comercial não ter custado praticamente nada, a ação viralizou em todo o Brasil e foi reportada por vários dos grandes portais da internet, gerando uma repercussão nacional que fez com que as vendas explodissem.


Partindo do princípio que todos nós somos um pouco preconceituosos, a Reserva resolveu fazer da sua campanha de inverno 2015 um manifesto. O fotógrafo Felipe Morozini foi convidado para assinar as imagens sob o tema “Faça como os animais, não julgue”, questionando nossa mania de usar os animais como adjetivos pejorativos como veado, baleia, vaca, macaco, galinha. Um costume corriqueiro e que denota o preconceito e a intolerância tão presentes na nossa sociedade. O objetivo da campanha era provocar uma reflexão para o caminho da conscientização.
  

Uma campanha polêmica foi lançada em 2018. A crise começou quando a Reserva fez um primeiro post no Instagram com o tema de Dia dos Namorados. Com uma legenda que dizia que postar corações e mensagens românticas não era a cara da marca, a Reserva convidava as pessoas a clicarem em uma mensagem que continha o áudio do “gemidão do zap”, popular brincadeira que ganhou fama nas redes sociais. Nos comentários das postagens, usuários acusaram a marca de exaltar a pornografia e de machismo. No dia seguinte, a marca ainda tentou dar continuidade a campanha com uma mensagem que usava a expressão de cunho sexual “molhar o biscoito”. Após novas críticas, a Reserva fez uma nova postagem informando que estava repensando as críticas recebidas e o tom da campanha.
   

“Desculpem-nos pelo indesculpável”. Foi com essa frase que a Reserva tentou encerrar a polêmica na qual se inseriu por conta desses posts que iniciavam sua campanha de Dia dos Namorados. Após ter recebido muitas críticas sobre o tom das mensagens escolhida para a data, a grife decidiu mudar a estratégia e comunicou às pessoas que não daria continuidade à campanha.
     

A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas remodelações ao longo dos anos. Apesar de manter o popular pica-pau vermelho, as remodelações apresentaram novas tipografias de letra. A última ocorreu por volta de 2018, quando a tipografia de letra adotada deu mais robustez e força ao nome Reserva.
  

Já para os ambientes digitais, a Reserva utiliza logotipos secundários, como mostrado na imagem abaixo.
  

Dados corporativos 
● Origem: Brasil 
● Lançamento: 2006 
● Criador: Rony Meisler e Fernando Sigal 
● Sede mundial: Rio de Janeiro, Brasil 
● Proprietário da marca: AR&Co 
● Capital aberto: Não (subsidiária da Arezzo&Co.) 
● CEO: Rony Meisler 
● Faturamento: R$ 731 milhões (2021) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 138 
● Presença global: Não (presença somente no Brasil) 
● Funcionários: 1.600 
● Segmento: Moda Casual 
● Principais produtos: Roupas, calçados e acessórios 
● Concorrentes diretos: Osklen, Richards, John John, Sergio K, Colcci, Ellus e Lacoste 
● Ícones: O pica-pau vermelho 
● Slogan: Que seja Reserva, sempre. 
● Website: www.usereserva.com 

A marca no Brasil 
A Reserva oferece uma completa moda casual (masculina, feminina e infantil) através de 138 lojas próprias e franqueadas espalhadas pelas principais capitais brasileiras, além de vender seus produtos pelo e-commerce e em mais de 1.500 lojas multimarcas. Os produtos da marca são fabricados em 13 fábricas espalhadas pelos estados de SC, PR, RN, RJ e RS. Com faturamento anual de R$ 731 milhões, a marca faz parte do braço de vestuário e lifestyle da Arezzo&Co, nomeado de AR&Co, que também contém as marcas Reversa (moda feminina), Reserva Go (calçados), Reserva Mini (infantil), Oficina Reserva (linha casual chique), Simples (moda básica), Reserva Ink (customização de peças) e Unbrand (produtos de luxo). 

Você sabia? 
A marca, uma das mais inovadoras de segmento da moda, oferece o Reservado, uma caixa de produtos, escolhidos por inteligência artificial, com entrega em domicílio. O cliente experimenta com calma e escolhe o que quer. O vendedor cobra as compras no cartão de crédito e recolhe o que não foi escolhido. 
A história do empreendedor Rony Meisler também virou livro (“Rebeldes Têm Asas”), escrito em parceria com o jornalista Sérgio Pugliese. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Forbes, Veja, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Meio Mensagem O Globo e Estadão), plataformas de conteúdo (Mercado&Consumo), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 23/12/2022 

O MDM também está no Instagram. www.instagram.com/mdm_branding/

11.9.20

MAX MARA


Tons terrosos, peças bem cortadas e um estilo pra lá de chique com forte e marcante DNA italiano. Nas passarelas peças de tons fortes e de alfaiataria impecável. Sucesso em Milão, Paris, Londres, Moscou, Nova York e Tóquio. Assim pode ser definida a marca Max Mara, que há quase 70 anos vêm vestindo intelectuais, empresárias, membros da realeza e atrizes como a duquesa de Cambridge Kate Middleton, Melania Trump, Kim Kardashian, Anne Hathaway, Carla Bruni e Katie Holmes. 

A história 
Formado em Direito pela Universidade de Parma o italiano Achille Maramotti (foto abaixo) não conseguiu resistir a sua paixão pelo mundo da moda. Isto porque em 1947 ele ingressou nesse universo desenhando e comercializando roupas de alta costura sob medida, paixão que herdou de sua mãe, Giulia Fontanesi Maramotti, que fundou uma escola de alfaiataria em 1923 e publicou vários livros dedicados à “teoria do corte”, e de sua bisavó, Marina Rinaldi, que supervisionou um respeitado ateliê de alfaiataria no século 19 na província de Reggio Emilia, a 160 km de Roma. Mas pouco depois, percebeu que havia um grande potencial para a moda de pronta entrega e decidiu investir no prêt-à-porter. Foi quando fundou a Maramotti Confezioni em 1951. Era uma ideia um tanto vanguardista na Itália da época, onde a moda ainda era uma atividade exclusivamente artesanal.


Inicialmente a nova empresa se dedicava a produzir ternos e roupas de gala em larga escala. Sua coleção inicial consistia em dois casacos e um blazer, que eram cópias dos designs da alta costura de Paris, mas feitos com técnicas de alfaiataria industrial de ponta. Com isso, Maramotti descobriu uma área nova e excitante da moda. Seus métodos criaram mais estilos, cortes e cores do que nunca, permitindo que ele atingisse um público muito mais amplo. Em 1955 o estilista resolveu criar a marca Max Mara, que surgiu da junção do seu apelido, Mara, com o nome de um famoso conde local, Max, que, segundo a lenda, andava sempre muito bem vestido, apesar de dificilmente estar sóbrio. A Max Mara foi criada porque ele acreditava que os holofotes deveriam estar na marca e não no nome do estilista. O sucesso inicial encorajou Maramotti a promover ainda mais seus produtos. Ainda este ano ele apresentou sua coleção outono/inverno na belíssima Cortina D’Ampezzo, em seu primeiro desfile.
 

A primeira coleção em larga escala, lançada em 1957/1958, foi marcada por um casaco na cor camelo, uma espécie de presságio do que ainda estava por vir, e um terno vermelho gerânio. Essas duas peças foram a base de um produto icônico e apresentavam a identidade e o estilo primário da marca italiana: cortes precisos, design limpo e linhas decisivas que garantiram sucesso imediato. Os tons terrosos foram muito usados por Achille Maramotti até os anos 1960. Ele também sempre apostou em formas confortáveis e femininas, especialmente nos vestidos.


Preocupado em oferecer moda de qualidade para diferentes estereótipos de mulheres, em 1961 o estilista lançou a coleção MyFair, voltada para mulheres pluz-size. Somente em 1964 foi inaugurada a primeira loja da Max Mara, localizada na Via Emilia, em Reggio Emilia, e cuja estratégia não era somente vender produtos, mas também experimentar novos modelos de distribuição. Ainda esse ano Maramotti contratou Laura Lusuardi como assistente de estilo. Em pouco tempo, ela se tornou a estilista da marca Max Mara e, em 1969, criou a linha Sportmax, com apelo esportivo e cujas peças fizeram sucesso com cores vivas e ar mais despojado. Visuais que misturavam elementos casuais, como a malha de pontos bem abertos, e peças mais sofisticadas, como a saia reta, se tornaram a um ícone da Max Mara. Nesta década, a marca continuou a desenvolver suas técnicas de produção ao mesmo tempo em que expandia sua gama de produtos. Além disso, colaborações com designers notáveis da época, como Luciano Soprani, Karl Lagerfeld e Jean-Charles de Castelbajac, ajudaram a aumentar a reputação e o valor da marca italiana. Em 1975 a Max Mara já atingia a impressionante marca de 35.000 casacos vendidos em um ano.


A década de 1980 começou com a Max Mara realizando seu primeiro desfile de moda em Paris. Mas foi em 1981 quando a estilista Anne Marie Beretta, uma das colaboradoras da marca, criou a peça que marcaria a história da Max Mara: o casaco 101801, feito de lã, com comprimento 7/8 e na cor camelo. Até hoje ele é o carro-chefe da grife italiana. Esta década foi marcada por novidades e lançamento de novas linhas: Marina Rinaldi (1981), nomeada em homenagem a sua bisavó e em substituição a linha MyFair (plus-size); Weekend by Max Mara (1983), uma linha jovem e casual de roupas e acessórios; e Max&Co. (1985), uma linha mais contemporânea com peças vibrantes, elegantes e versáteis voltada para as mais jovens. Apesar da enorme fama das peças de inverno, nesta época a grife também passou a fazer sucesso com vestidos frescos e soltinhos. Além disso, a Max Mara desfilou na Semana de Moda de Milão pela primeira vez (1983) e inaugurou suas primeiras lojas em Hong Kong (1987) e Japão (1990), iniciando assim um período de expansão pelo continente asiático.


Em 1994 a marca inaugurou sua primeira flagship store na pomposa Madison Avenue, em Nova York e, pouco depois, no ano de 1997, abriu sua primeira loja na China, que se tornaria um de seus mercados mais importantes. Em 1998 a Max Mara resolveu diversificar ainda mais sua linha de produtos com o lançamento de sua primeira coleção de óculos, que mantinha o mesmo DNA do resto dos seus produtos ao apresentar peças atemporais com alto padrão de qualidade e design prático. A primeira loja da Max Mara no Brasil foi inaugurada ainda este ano, na rua Haddock Lobo, bairro dos Jardins, em São Paulo. Uma segunda unidade seria inaugurada em 2001, no Shopping Iguatemi. Nos anos seguintes a marca italiana ampliou seu portfólio de produtos com o lançamento de uma linha de meias-calça (2003); da primeira fragrância (2004), batizadas de Max Mara for Women; além de apostar em bolsas, cintos e calçados.


Em 2011, para comemorar seis décadas de moda investindo em peças atemporais, com alto padrão de qualidade e design prático, a marca preparou uma série de eventos ao redor do mundo, como a exposição Coats! Max Mara 60 Years of Italian Fashion, em Moscou. A mostra reunia dezenas de casacos, o símbolo maior da marca. Pouco depois, em 2013, a marca lançou seu comércio eletrônico e voltou causar frisson no mundo da moda de luxo ao lançar o Teddy Bear Coat (imagem abaixo), seu tradicional casaco feito totalmente de pura lã em uma base de seda, que mais se assemelha ao tecido de bichos de pelúcia, em tons terrosos. O casaco se transformou em um hit instantâneo e passou a ser usado por celebridades como a ex-primeira-dama francesa Carla Bruni, que já foi modelo da marca italiana na década de 1990. Além disso, investiu em comunicação e contratou a atriz Jennifer Garner para se tornar a primeira celebridade porta-voz da marca.


Em 2014 a marca italiana abriu seu maior ponto de venda na Ásia, com a inauguração de uma loja na Avenue De Luxe (Huamao Center), ícone do varejo de luxo em Pequim, com nada menos que quatro andares. A abertura contou com uma exposição que possibilitou uma viagem na história da marca Max Mara, incluindo materiais de arquivo inéditos e inovações tecnológicas. Essa loja reforçou a presença no continente asiático, especialmente na China, onde a marca tinha mais de 230 lojas em aproximadamente 40 cidades. Achille Maramotti faleceu em 12 de janeiro de 2015 e a Max Mara foi assumida por seus filhos Luigi, Ignazio e Maria Ludovica, mantendo o negócio como uma empresa estritamente familiar e contrariando a atual ordem mundial dos grandes conglomerados de luxo. Apesar da injeção de sangue novo, o estilo da marca permaneceu o mesmo. E a responsável pelo feito foi Laura Lusuardi, diretora criativa que já trabalhava na marca há algumas décadas e conhecia profundamente seu DNA.


Ainda em 2015 a marca lançou um novo sucesso, mas em edição limitada: a bolsa Whitney Bag, em comemoração ao novo prédio do Whitney Museum, em Nova York, e criada a partir da fachada icônica do edifício - todo minimalista e cheio de pontas e vidro. Em 2018 a marca italiana resolveu reinterpretar seu tradicional logotipo de 1958, que ganhou ares contemporâneos, para compor a criação de um monograma. Era o surgimento do Max Mara Gram, que começou a estampar vários de seus produtos. No ano seguinte, pela primeira vez, as vitrines de Natal da tradicional loja de departamento Harrods em Londres exibiram roupas da Max Mara. Recentemente o casaco de pelúcia da Max Mara voltou a virar febre entre as fashionistas com versões em cores vibrantes, especialmente o vermelho.


A Max Mara tem distribuição seletiva em pontos de varejo de luxo, comunicação sofisticada e aposta também na criação de peças de moda feminina com edições limitadas, uma das características principais de marcas de luxo. Apostando em sofisticação atemporal e minimalista, a marca italiana tem um estilo de moda único, linhas definidas, tecidos fluidos e materiais de alta qualidade, que resultam em peças clássicas com corte impecável, cores suaves e discretas, e estampas exclusivas.


O ícone 
Apesar da inovadora história da Max Mara ter começado em 1951, somente 30 anos depois a marca italiana iria fascinar o segmento da moda de luxo ao criar um verdadeiro objeto de desejo: o casaco 101801, criado pela estilista francesa Anne Marie Beretta, uma das colaboradoras da marca na época. Misturando a melhor lã (80%) e caxemira (20%), na cor camelo, trespassado e com mangas quimono, esse casaco se tornou um símbolo da Max Mara e desde então tem aparecido em todas as coleções de inverno da marca, desfilando com supremacia, sem grandes alterações no design. Isto porque, desde 2010 o casaco foi ajustado com um cinto opcional em tecido combinando, forro de seda pura e uma etiqueta que pode ser personalizada com as iniciais da usuária. Com proporções perfeitas, o icônico casaco foi imortalizado por fotógrafos em inúmeras obras e atrizes e celebridades como a bela italiana Alba Clemente e a cantora Cindy Lauper.


O sucesso do casaco, que segue sendo um dos maiores clássicos da história da moda mundial, se deve principalmente à qualidade do produto, o tom neutro (se bem que recentemente foi reeditado em cores vibrantes), o corte indefectível e o caimento perfeito. Um casaco da Max Mara é para a vida inteira. É uma peça atemporal e muito elegante. Todos os casacos são feitos com lãs naturais. O de lã de camelo, uma das identidades da marca, tem fio produzido no norte da África, só com a primeira tosa. Os artesãos da marca - uma força de trabalho principalmente feminina vestida com jalecos brancos e com idade média de 35 anos - produzem até 450 casacos por dia em etapas de produção precisamente planejadas. Atualmente existem aproximadamente 20 modelos de casacos diferentes, cada um exigindo um processo personalizado. Um casaco Max Mara toma forma completa em quatro a cinco horas, dependendo do modelo - o 101801 requer 73 etapas. Por isso é a grande estrela dessa trupe. Este verdadeiro ícone da marca italiana, que no Brasil custa de R$ 6 mil a R$ 20 mil, tem lugar garantido em quase todas as coleções de inverno e conquistou celebridades como Cate Blanchett, Isabella Rossellini e Glenn Close. Esse casaco está para a Max Mara, assim como a bolsa Kelly para Hermès e o sobretudo para Burberry.


A evolução visual 
A identidade visual da marca italiana passou apenas por uma remodelação em sua história. O tradicional logotipo criado na década de 1950, em letras romanas ao estilo antigo, foi substituído por outro mais moderno e sofisticado.


Dados corporativos 
● Origem: Itália 
● Fundação: 1951 
● Fundador: Achille Maramotti 
● Sede mundial: Reggio Emilia, Itália 
● Proprietário da marca: Max Mara Fashion Group S.r.l 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Luigi Maramotti 
● Diretor criativo: Ian Griffiths 
● Faturamento: €1.3 bilhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 2.300 
● Presença global: 105 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 5.000 
● Segmento: Moda de luxo 
● Principais produtos: Roupas, bolsas, calçados e acessórios 
● Ícones: O casaco 101801 
● Website: www.maxmara.com 

A marca no mundo 
Hoje em dia a Max Mara, que conta com uma imensa variedade de produtos divididos em diferentes linhas e pertence a Max Mara Fashion Group, possui mais de 2.300 lojas, está presente em 105 países, sendo responsável pela maior parte do faturamento do grupo, aproximadamente €1.3 bilhões. Seus produtos, que englobam roupas, casacos, bolsas, calçados e acessórios, ainda são vendidos em mais de 12 mil lojas multimarcas. E, apesar de todo o sucesso e crescimento, a Max Mara ainda é fiel a algumas tradições. A principal fábrica do grupo permanece em Reggio Emilia, onde tudo começou. 

Você sabia? 
A influência da Max Mara no mundo da moda é tamanha, que a grife já teve peças desenhadas por grandes nomes como Karl Lagerfeld, a dupla Domenico Dolce e Stefano Gabbana e Narciso Rodriguez. 
Desde 2007 a marca patrocina o Max Mara Art Prize for Women, um prêmio bienal concedido a jovens artistas que trabalham no Reino Unido. 
Perto de sua sede, em Reggio Emilia, é guardado um arquivo meticulosamente catalogado da marca: 600 esboços originais, 300 caixas de amostras de tecido e mais de 20.000 peças de vestuário acabadas, que apareceram em uma exposição itinerante que visitou Berlim (2006), Tóquio (2007) e Pequim (2008) antes de chegar a Moscou em 2011 para o 60º aniversário da marca. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Vogue, Elle, BusinessWeek e Exame), jornais (Folha e Valor Econômico), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 11/9/2020

27.3.17

CAMISARIA COLOMBO


Foco em atender as necessidades do homem moderno de forma conveniente, prática e com qualidade. Foi assim que a CAMISARIA COLOMBO se tornou uma das mais tradicionais marcas de moda masculina do país, com 100 anos de atuação no mercado. Em qualquer uma de suas lojas é possível encontrar tudo em moda masculina para quem deseja se vestir bem pagando pouco por isso. 

A história 
Tudo começou com um libanês de origem humilde que chegou ao Brasil com sua família. Seu sonho era construir uma vida nova e digna, no país desconhecido. Foi assim que, no mês de outubro de 1917, Aziz Jabur Maluf abriu as portas de um pequeno comércio de moda masculina. Na modesta loja localizada na esquina das ruas Direita e Líbero Badaró, no centro de São Paulo, o comerciante vendia gravatas italianas, camisas finas e ternos confeccionados com tecidos importados da Inglaterra. A clientela era composta principalmente pela elite paulista, que podia pagar os altos preços dos produtos importados.


Por mais de sete décadas a CAMISARIA COLOMBO teve somente um ponto de venda, mas com seus produtos de alto padrão e qualidade conquistou um enorme público fiel, com clientes como o ex-presidente Jânio Quadros. Tudo começou a mudar quando Álvaro Jabur Maluf Júnior, neto do fundador, assumiu o comando da empresa. Juntamente com seu irmão, Paulo, elaborou todo projeto de expansão, que começou com a inauguração de uma loja no Shopping Ibirapuera, no bairro de Moema, em 1990. Com a abertura de mais dois pontos de venda na capital, os dois resolveram estender as atividades da rede para o interior paulista e, posteriormente, outros estados. Mas para transformar uma grife tradicional em uma das maiores redes de vestuário masculino do mercado brasileiro, os irmãos desenvolveram o conceito de “moda inteligente”, que consiste em oferecer produtos com a qualidade responsável pelo tradicionalismo da marca, a preços justos. Ou seja, até então sinônimo de moda masculina elegante, a COLOMBO fez uma opção preferencial pelos consumidores das classes emergentes. Essa foi a fórmula que popularizou a marca junto às classes B e C, garantindo sucesso ao plano de expansão da empresa. A política do “preço justo” acabou se transformando na plataforma de crescimento da empresa.


Sempre atenta às tendências do mercado, a COLOMBO também foi a primeira rede de vestuário masculino a oferecer kit com preços promocionais – camisa, calça e sapato, por exemplo. Iniciativa que, além de ser copiada pela concorrência, se tornou uma exigência dos consumidores. Também inovou ao, em 2005, se tornar a primeira empresa do Brasil a implantar um sistema de cotas para negros e afros descendentes em seu quadro de funcionários. A partir desse momento, a empresa implantou um agressivo plano de expansão. Até o final de 2007, mais 15 lojas foram inauguradas. A marca também passou a investir em marketing, como por exemplo, ao completar 90 anos, em 2007, com uma campanha publicitária estrelada pelo ator Marcos Pasquim. No final de 2009 a rede já contava com 198 lojas em 23 estados brasileiros.


A partir de 2010, a marca ingressou em outros segmentos da moda, como calçados masculinos, relógios, moda infantil e feminina (COLOMBO WOMAN). E para continuar crescendo, a empresa vendeu 49% de suas ações para a Gávea Investimentos. Com novo aporte financeiro, a COLOMBO continuou seu acelerado processo de expansão, com média de 50 lojas inauguradas por ano. Em 2015 já eram 428 unidades. Além disso, contratou garotos-propaganda de peso como o ator Caio Castro e o apresentador Rodrigo Faro. Mas toda essa expansão e investimento tiveram um alto custo. Após a recompra de 49.9% das ações pelos irmãos Álvaro Jabur Maluf Júnior e Paulo Jabur Maluf, e depois de uma fracassada e conturbada negociação com o empresário paulista Mario Garnero, a COLOMBO se viu em apuros, com dívidas gigantescas. Com isso, a empresa passou por uma enorme reestruturação, pediu recuperação extrajudicial e, somente em 2016, fechou 90 lojas. Tudo para voltar a ser lucrativa.


Sempre preocupada com o bem-estar e em proporcionar melhorias aos seus clientes, a marca inova também com tecnologia têxtil, tecidos novos, cortes mais finos e estruturados, para facilitar o caimento e movimento. Peças básicas, que não saem de moda e que o consumidor vai utilizar no dia-a-dia do trabalho ou do lazer, são encontradas o ano todo nas lojas da rede. Além do básico, a marca também conta com uma linha Premium que traz novidades a cada estação. Um dos pontos fortes da COLOMBO é sua identidade. Ao longo dos anos, tornou-se conhecida como a marca ideal para o homem inteligente.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas remodelações ao longo dos anos. A principal foi a modernização da tipografia de letra, mas sempre mantendo a coroa como símbolo visual.


Os slogans 
O Brasil veste esta marca. 
O estilo que conquista. 
A moda inteligente. 
O espaço da moda.


Dados corporativos 
● Origem: Brasil 
● Fundação: Outubro de 1917 
● Fundador: Aziz Jabur Maluf 
● Sede mundial: São Paulo, Brasil 
● Proprietário da marca: Q1 Comercial de Roupas S.A. 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Warley Pimentel 
● Faturamento: R$ 370 milhões (2016) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 320 
● Presença global: Não (presente somente no Brasil) 
● Funcionários: 2.000 (incluindo franqueados) 
● Segmento: Moda (varejo) 
● Principais produtos: Ternos, camisas, calças, gravatas, calçados e acessórios 
● Concorrentes diretos: Aramis, Dudalina, Brooksfield, Vila Romana, Harry’s, Luigi Bertolli e Cia. do Terno 
● Ícones: A coroa 
● Slogan: O Brasil veste esta marca. 

A marca no Brasil 
Atualmente a COLOMBO, uma das maiores redes de moda masculina do país, conta com 320 lojas espalhadas por 26 estados brasileiros, que oferecem roupas e acessórios para homens, mulheres e crianças. A COLOMBO vende mais de 300.000 ternos por ano. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Isto é Dinheiro, Exame e Época Negócios), jornais (Valor Econômico, Estadão e Folha), portais de notícias (Portal Fator), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 27/3/2017