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14.6.22

LOEWE


O artesanato é a essência da LOEWE, uma marca de luxo espanhola que conquistou ricos pelo mundo afora com sua centenária e rica história repleta de criações exclusivas e desejadas de bolsas e artigos de couro. Ao longo dos mais de cem anos, a qualidade, os designs únicos e a exclusividade tornaram a LOEWE um verdadeiro ícone da moda de luxo, adotada por nomes como Sarah Jessica Parker, Demi Moore e Jennifer Lopez. 

A história 
A marca tem suas origens no ano de 1846, quando um grupo de artesões espanhóis estabeleceu uma modesta oficina de couro no centro comercial da cidade de Madri. A esse grupo, se juntaria anos mais tarde, Heinrich Loewe Rössberg, um artesão alemão, que desde cedo uniu sua paixão pela cultura espanhola com a tradição dos artesãos especializados em couro, para de forma manual e precisa criar e fabricar produtos elegantes e sofisticados. Ele rapidamente assumiu o comando da pequena oficina e consolidou sua operação. Em 1872, o artesão, então conhecido como Enrique Loewe (seu nome espanhol), transformou a oficina em uma loja de artigos de couro e criou a marca E.LOEWE. Vinte anos depois, em 1892, a loja mudou-se para a Calle del Príncipe, também em Madri. Naquela época sua clientela já era formada pelas personalidades mais importantes do país, políticos, industriais e aristocratas, atraídos pela primeira loja de luxo, com vitrines e cartazes coloridos e modernos. Foi também neste momento que a marca começou a ganhar notoriedade junto ao público em geral.
  

Em 1905, quando Enrique Loewe Hilton estava à frente da Casa Loewe, o Rei Alfonso XIII (cuja mulher, a rainha Vitória Eugênia, visitava frequentemente a loja da marca na Calle del Príncipe) concedeu à empresa familiar o título de Fornecedor da Casa Real, o que garantiu a marca uma áurea de exclusividade e luxo ainda maior. Com isso, a marca começou a crescer rapidamente e a alcançar grande notoriedade entre os espanhóis. Nesta época, uma bolsa em couro de iguana, crocodilo ou cobra da LOEWE, tornou-se o símbolo máximo de elegância e refinamento. Cinco anos depois, em 1910, a marca abriu sua primeira loja na cidade de Barcelona. Mas seria somente em 1923 que a marca continuaria a expandir sua rede de lojas ao inaugurar mais unidades na capital espanhola.
   

No ano de 1934, Enrique Loewe Knappe assumiu o comando da empresa e deu início a uma era de expansão da marca espanhola, que continuou a inaugurar novas lojas pelo país. O primeiro grande sucesso da marca surgiria em 1945, quando o designer Pérez de Rozas criou modelos de bolsas “Boxcalf”, que logo se tornaram clássicos da LOEWE e foram responsáveis pela marca ganhar fama internacional. Em 1959, a LOEWE inaugurou uma nova loja na Rua Serrano em Madri e, em 1963, uma unidade na cidade de Londres. A década de 1960 foi de suma importância para a marca. Afinal, a chegada das produções cinematográficas a Espanha teria uma relevância especial para a difusão da LOEWE. Personalidades proeminentes como Ava Gardner, Marlene Dietrich, Rita Hayworth, Sophia Loren e até o escritor Ernest Hemingway se apaixonaram pela marca espanhola.
   

Na década de 1970, a LOEWE resolveu ingressar no segmento da moda feminina prêt-à-porter, lançando sua primeira coleção de roupas, além de criar seus primeiros lenços. A ampliação de seu portfólio teve continuidade em 1972 com o lançamento da primeira fragrância da marca sob o nome L Loewe. No ano seguinte, a marca começou a fortalecer sua internacionalização com a inauguração da sua primeira loja no Japão, o que resultaria em uma grande expansão pelo continente asiático nos anos seguintes. Pouco depois, em 1974, surgia a Coleção Ante-Gold, desenhada por Dario Rossi. No final desta década, em 1979, foi lançada a coleção Napa, desenhada por Renzo Zengiaro, cujo conceito de bolsa armada foi substituído pela bolsa quase sem estrutura. E esta década ainda foi marcada pelo surgimento de outro ícone da LOEWE: a bolsa Flamenco, cuja característica é ser fechada com puxadores de cordão, finalizados em seus característicos nós enrolados.
  

Somente em 1983, a LOEWE inaugurou sua primeira loja em solo americano, uma unidade de três andares localizada na Trump Tower em Nova York. O ano de 1985 foi marcado pelo lançamento de um grande sucesso: a fragrância Aire Loewe, que até os dias de hoje continua uma das mais populares entre os espanhóis. Outra novidade ocorreu em 1986, quando a LOEWE inaugurou em Madri sua primeira loja dedicada exclusivamente ao público masculino, que oferecia jaquetas de couro, maletas e pequenos artigos de couro, além de lenços e gravatas de seda nas cores ricas e vibrantes da Espanha. Em 1987, a marca lançou outro perfume de sucesso: Esencia de Loewe. Hoje em dia, com espírito que transita entre a tradição e a inovação, a LOEWE traz para suas fragrâncias femininas e masculinas um lugar privilegiado e de luxo no mundo dos perfumes.
   

Durante a comemoração do seu 150º aniversário, em 1996, a LOEWE foi adquirida pelo conglomerado de luxo LVMH, proprietário de marcas com Moët & Chandon (conheça essa outra história aqui), TAG Heuer e Louis Vuitton (saiba mais aqui), o que lhe conferiu uma dimensão muito mais global. Em 1997, já sob administração do conglomerado francês, o estilista Narciso Rodríguez assumiu a direção criativa da coleção feminina de prêt-à-porter e, em 1998, a LOEWE desfilava pela primeira vez em Paris. Nos anos seguintes, passaram pela LOEWE dois diretores criativos, José Enrique Oña Selfa (2000-2007) e Stuart Vevers (2008-2013). Durante o comando de Vevers, a marca reduziu sua participação no segmento de moda prêt-à-porter para se concentrar em bolsas e acessórios em couro. Já no Brasil, a marca espanhola, conhecida por suas bolsas de couro e sua moda de altíssima qualidade, chegou em 2011 apresentando primeiramente as suas sofisticadas fragrâncias. Além disso, a LOEWE investiu em marketing ao contratar a famosa atriz Penélope Cruz como imagem oficial e global da casa madrilenha.
  

O capítulo mais recente da rica história da marca espanhola foi marcado pela nomeação em 2013 de Jonathan Anderson como diretor criativo, que trouxe uma visão contemporânea para a centenária LOEWE. Até então, Jonathan era o típico jovem estilista em ascensão nas passarelas britânicas e chamava atenção pela estética ousada. Mais que lançar outros modelos de bolsas para fazerem companhia à desejada Amazona, um dos ícones da marca espanhola e que ganhou novas versões sob seu olhar, a missão de Anderson era criar um guarda-roupa completo e desejável para acompanhar os aclamados acessórios da grife. E desde que assumiu o comando, o talentoso estilista e designer irlandês liderou um grande rejuvenescimento da LOEWE, mas sem perder a principal essência da marca: o trabalho artesanal.
   

Por meio de um redesenho da identidade da marca, uma articulação moderna de seu compromisso com o artesanato e uma série de coleções femininas e masculinas aclamadas pela crítica e por influenciadoras de moda, a LOEWE ganhou ainda mais destaque como uma força cultural influente e uma marca global de luxo e exclusividade. Em 2015, a marca lançou mais um de seus sucessos: Puzzle, bolsa composta por peças de couro trançado cortadas em diferentes formatos geométricos. A reconhecível bolsa Puzzle desempenhou um papel fundamental no atual sucesso da LOEWE, tornando-se uma “It Bag” usada por personalidades como Beyoncé e a modelo Elsa Hosk. Mais recentemente, em 2019, a marca apresentou na Semana de Moda de Paris seu primeiro desfile de moda masculina.
  

Atualmente, sob a direção criativa de Jonathan Anderson, a LOEWE se tornou uma marca cultural com identidade prismática, conectada aos campos da arte, natureza, artesanato e cultura popular. O ponto de vista é inesperado; a execução é feita à mão, com um toque intensamente humano e sensorial. O envolvimento vem em várias formas, definindo uma mentalidade eclética e de espírito livre.
   

O estilo único 
Se há algo que distingue a LOEWE, é a sua capacidade de quebrar estereótipos. E justamente por isso a marca tornou-se parte importante de muitos movimentos culturais e sociais. Exemplo disto é a famosa bolsa Amazona criada em 1975 por Darío Rossi e inspirada nas guerras da mitologia grega, símbolo do empoderamento feminino que marcou um antes e um depois na história da LOEWE. Referência na Espanha pós-ditatorial, o modelo Amazona foi visto como um ícone da nova era do país, pois tinha ares mais leves, com matérias-primas mais flexíveis e confortáveis. Hoje, o modelo possui mais de 60 composições diferentes, entre cores e materiais. Além disto, a marca contou com o apoio de grandes personalidades como Ava Gardner, um ícone do século XX. Tamanha foi a sua influência que a bolsa comprada pela atriz tornou-se um dos seus produtos mais procurados e desejados.
  

Desde a sua fundação, até os dias atuais sob a direção criativa do talentoso Jonathan Anderson, a LOEWE sempre foi liderada por um foco obsessivo no artesanato e experiência inigualável com couro, que remonta aos seus primórdios, o que resulta em uma abordagem artesanal de design e fabricação. Esses valores fundamentais são refletidos em tudo o que a marca cria e faz - à medida que cresce, internacionaliza e cria objetos de desejo contemporâneos. Por toda essa atenção aos detalhes, há mais de um século a LOEWE é ícone do luxo da aristocracia espanhola e a cada dia inova para manter o desejo de seus consumidores e a perfeição em suas criações.
  

Baseados na principal oficina em Madri, que permanece em operação até hoje, os mestres artesãos combinam seu conhecimento artesanal acumulado com novas tecnologias e formas inovadoras de pensar para produzir objetos de desejo verdadeiramente modernos. O couro utilizado na produção passa por análise criteriosa de uma equipe de especialistas que avaliam se estão em perfeito estado antes de se transformarem nas incríveis bolsas e objetos da marca espanhola.
  

A loja conceito 
No final de 2016, foi inaugurada a Casa Loewe Madrid, a primeira flagship store da marca e que apresentou seu novo conceito de varejo. Localizada no bairro Salamanca em Madri e instalada no piso térreo da sede da empresa em um edifício histórico do século 19, a flagship store tem muito mais a oferecer do que somente roupas e acessórios de luxo. Afinal, o espaço foi projetado para criar uma conexão mais próxima ao seu consumidor. Denotando um lugar de luxo, intimidade e cultura, a flagship store foi projetada para se sentir como a casa de um colecionador de arte sofisticado, onde as coleções da LOEWE são intercaladas com arte, artesanato e design. São mil metros quadrados que prometem uma experiência de compra diferente; o de um espaço altamente refinado, pessoal e cultural a ser explorado como uma residência privada. A Casa Loewe, além de expressar impecavelmente o lifestyle e conceito da marca, traz um ambiente mais relaxado e descontraído para os clientes, estando em constante diálogo com Madri e seu estilo espanhol boêmio de ser.
   

Os expositores vão mesclando-se com pinturas, esculturas e plantas. Várias obras de arte dentro da loja ganham destaque como decoração e dão um ar mais “cool” e despojado para o ambiente. Muito concreto e tons claros são usados para decorar o interior da loja e cubos expositores fazem composições com diferentes materiais como palha, pedra e acrílico. Além disso, os vendedores vestem um uniforme especial: calças e batas brancas feitas em linho branco, agregando ainda mais esse mood descontraído que somente a LOEWE tem a oferecer. O conceito da Casa Loewe também foi implantado em unidades na cidade de Tóquio, Londres e Singapura.
  


A pronúncia do nome 
Dado sua herança espanhola, seria totalmente perdoado supor que o nome LOEWE, e a forma como é pronunciado, deriva do castelhano. Mas a verdadeira proveniência do nome remonta à Alemanha. É uma marca espanhola com nome alemão. Dito isto, em alemão o “w” têm som de “v”, por isso, apesar da tentação de o dizer foneticamente, a pronúncia correta é de fato “lo-é-ve”.
  

Luxo e cultura juntos 
A LOEWE FOUNDATION foi estabelecida como uma fundação cultural privada em 1988 por Enrique Loewe Lynch, um membro da quarta geração da família fundadora da marca. Atualmente a Fundação continua a promover a criatividade, apoiar programas educacionais e salvaguardar o patrimônio nas áreas da dança, poesia, fotografia, arte e artesanato. A fundação é responsável pelo LOEWE FOUNDATION Craft Prize, uma premiação criada em 2016 e que visa reconhecer e apoiar artesãos internacionais de qualquer idade (acima de 18 anos) ou sexo que demonstrem uma capacidade excepcional de criar objetos de valor estético superior. Afinal, um dos principais propósitos para os quais a LOEWE FOUNDATION foi estabelecida é apoiar o design e o artesanato. A Fundação foi condecorada com a Medalha de Ouro ao Mérito nas Belas Artes, a mais alta distinção atribuída pelo Governo espanhol, em 2002.
    

A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por inúmeras remodelações ao longo dos anos. Durante décadas conhecida como E.LOEWE, foi por volta de 1920 que a marca espanhola adotou apenas o nome LOEWE e apresentou uma nova identidade visual, que nos anos seguintes passaria por algumas remodelações. E foi somente a partir de 1950 que o logotipo começou a ser simplificado e adquiriu uma imagem mais sofisticada. A atual identidade visual da marca espanhola foi adotada em 2014 e apresentou uma tipografia de letra mais alongada, mas sem perder a sofisticação.
  

A identidade visual da LOEWE também pode ser aplicada com o tradicional anagrama, um dos principais símbolos de reconhecimento da marca espanhola. Esse famoso anagrama, uma insígnia em L quádruplo, foi originalmente desenhado pelo pintor espanhol Vicente Vela em 1970.
  

Com a adoção de uma nova identidade visual em 2014, o anagrama também foi redesenhado (como mostra a imagem abaixo) e apresentou traços mais finos e elegantes, além de um novo design.
  

Dados corporativos 
● Origem: Espanha 
● Fundação: 1846 
● Fundador: Heinrich Loewe Rössberg 
● Sede mundial: Madri, Espanha 
● Proprietário da marca: LVMH Moët Hennessy - Louis Vuitton S.A. 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Pascale Lepoivre 
● Diretor criativo: Jonathan Anderson 
● Faturamento: US$ 400 milhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 219 
● Presença global: 60 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 1.300 
● Segmento: Moda de luxo 
● Principais produtos: Roupas, bolsas, acessórios e perfumes 
● Ícones: A bolsa Amazona 
● Website: www.loewe.com 

A marca no mundo 
Subsidiária do conglomerado de luxo LVMH e com faturamento anual estimado em US$ 400 milhões, a espanhola LOEWE possui mais de 200 lojas (incluindo store-in-store dentro de grandes e renomadas lojas de departamento) e comercializa sua luxuosa linha de produtos (além das desejadas bolsas, roupas, acessórios, perfumes e calçados) em mais de 60 países ao redor do mundo. Suas lojas estão instaladas em endereços luxuosos de cidades como Tóquio, Milão, Miami, Las Vegas, Nova York, Zurique, Xangai, Barcelona, Madri, Frankfurt, Paris, Londres, além de Dubai, Hong Kong e Taiwan. Atualmente a LOEWE exporta mais de 75% da sua produção. 

Você sabia? 
A LOEWE também comercializa produtos para casa e lifestyle, como toalhas, diários, carteiras, chaveiros, entre outros itens. 
A mãe do atual rei da Espanha, a rainha Sofia, é frequentemente vista usando bolsas da LOEWE. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Vogue, Elle, BusinessWeek e Exame), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 14/6/2022 

O MDM também está no Instagram. www.instagram.com/mdm_branding/

4.1.21

MONCLER


Temperaturas baixas, neve e climas severos. Essa é a principal passarela para a marca francesa MONCLER desfilar seus casacos cheios de estilo, quentes e resistentes. As doudounes, jaquetas acolchoadas forradas de plumas e que se tornaram a marca registrada da grife francesa, conquistaram milhões de consumidores endinheirados e já fazem parte do inverno há mais de seis décadas. 

A história 
A origem da badalada marca se deu em uma pequena cidade encravada nos exuberantes Alpes Franceses, Monestier-de-Clermont, de onde se origina a abreviação do nome MONCLER. Foi lá, perto da cidade de Grenoble, que no ano de 1952, o empresário André Vincent e o alpinista René Ramillon fundaram a empresa, que inicialmente produzia itens destinados a proteger os escaladores das intempéries climáticas, como sacos de dormir acolchoados, barracas com cobertura externa e um único modelo de capa com capuz para atender à popularidade emergente das férias nas montanhas. A MONCLER ainda era apenas a caçula das roupas de inverno, quando o premiado alpinista francês Lionel Terray já se rendia à qualidade da marca, adotando seus equipamentos para protegê-lo do frio em suas incursões pelas altas montanhas da Europa. A partir de então, passou a ser uma das marcas preferidas dos praticantes de montanhismo.
   

Mas a história da jovem empresa estaria prestes a mudar. Criadas em 1954 com a intenção servir de uniforme exclusivo dos funcionários da MONCLER, as míticas doudounes, jaquetas acolchoadas forradas de plumas, eram originalmente chamadas de boîte bleue, que significa caixa azul, por conta de sua modelagem quadrada. Assim a MONCLER criava os primeiros casacos acolchoados para proteger os trabalhadores do frio extremo das montanhas. Essas jaquetas eram tão resistentes ao frio que passaram a ser usadas como roupas de esqui. No mesmo ano, as jaquetas MONCLER foram escolhidas para equipar a expedição italiana ao K2, a segunda montanha mais alta do mundo. A expedição foi finalmente bem-sucedida, e os escaladores Achille Compagnoni e Lino Lacedelli se tornaram a primeira dupla a escalar o cume do K2 em julho de 1954. Por usarem MONCLER, a capacidade da empresa de produzir itens que podiam suportar condições adversas extremas foi reconhecida em todo o mundo. A marca começou então a equipar mais expedições internacionais, incluindo a jornada francesa ao cume do Monte Makalù, bem como se tornou o fornecedor oficial de expedições de montanhismo ao Alasca.
  

A MONCLER começaria a ganhar reconhecimento internacional somente em 1968 nos Jogos Olímpicos de Inverno em Grenoble, quando se tornou a fornecedora oficial de equipamentos esportivos para a equipe francesa de esqui alpino. O trabalho da marca com a seleção nacional francesa inspiraria diretamente sua linha masculina de alta costura, batizada de “Grenoble”, que estreou em 2010 durante a New York Fashion Week. Mesmo em seus primeiros anos, a MONCLER considerava a estética tanto quanto o desempenho. Um exemplo disso foi que ao longo dos anos de 1970, a marca pesquisou tecidos e acabamentos que pudessem replicar as propriedades reflexivas da neve. O resultado: o “efeito laqueado brilhante” - agora comum em suas jaquetas. Uma estrela em ascensão no cenário da moda parisiense nesta década, a estilista Chantal Thomass foi contratada para retrabalhar o visual da jaqueta clássica de penas. A estilista então substituiu os zíperes por botões e introduziu novos detalhes como enfeites de pele, forro de cetim e tecidos reversíveis para deixar os designs da MONCLER mais alinhados às tendências dos anos de 1980.
  

Ainda nos anos de 1980, com novas cores e modelagens, as jaquetas da MONCLER ganharam um toque mais contemporâneo e conquistaram não somente os desbravadores dos Alpes, mas também os moradores das cidades que estavam à procura de novas combinações para suas roupas de inverno. Acima de tudo, a moda MONCLER ganhou força pelo fato de trabalhar com produtos de qualidade e trazer novidades para o inverno, conquistando consumidores não apenas como um elemento de estilo de qualidade superior, mas também como verdadeiro clássico francês. Além das doudounes e jaquetas de matelassê, a MONCLER também passou a produzir parkas masculinas em tweed, ganhando adeptos que iam desde membros da realeza, como o príncipe Pierre de Mônaco, o ator Alain Delon, até artistas hollywoodianos, como Penélope Cruz e Javier Bardem. A marca inovou ainda ao incluir patches ou mesmo novas estampas no matelassê, tornando os casacos em acessórios de moda, mais divertidos e modernos.
  

Em 2000, a empresa lançou a coleção MONCLER ENFANT, composta por roupas de luxo e roupas de esqui para crianças. Apesar de todas essas novidades, a MONCLER se encontrava quase a beira da falência e lutando para crescer, e sofria com o surgimento de conglomerados de luxo e marcas de roupas esportivas para atividades ao ar livre. Em 2003 viria a salvação, quando o italiano Remo Ruffini comprou a empresa e se tornou seu novo diretor criativo, adotando a estratégia de focar no item mais icônico da marca - a jaqueta - e ampliando investimentos. A começar pela Moncler Gamme Rouge, linha de moda feminina administrada inicialmente pela designer Alessandra Facchinetti e que, mais tarde, em 2008, passou a ser desenhada por Giambattista Valli. Foi nesse mesmo ano que a grife lançou a Moncler Gamme Bleu, linha masculina assinada por Thom Browne. E foi exatamente trabalhando em conjunto com outros grandes nomes da moda que a MONCLER ganhou ainda mais destaque – caso das coleções Moncler V e Moncler S, sendo a primeira uma parceria firmada com o designer japonês Hiroki Nakamura.
  

Além disso, para ajudar a ampliar sua base de clientes, a MONCLER aumentou drasticamente sua presença no varejo dentro de renomadas lojas de departamento e com a inauguração de dezenas de lojas próprias em importantes cidades do mundo como Milão, Paris, Londres, Nova York, Beijing, Seul e Tóquio. A grife também uniu forças com Virgil Abloh para lançar a moda masculina Moncler x Off-White, combinando o espírito urbano e contemporâneo da marca americana com toda a tradição da grife francesa. Além destes nomes, a história da MONCLER reúne também trabalhos colaborativos junto a Fendi em 2006, Comme des Garçons em 2007, bem como a grife alemã de óculos Mykita, com a qual lançou os modelos de óculos de sol Achille e Lino no final de 2011 e nomeados assim como homenagem a Lino Lacedelli e Achille Compagnoni, os dois primeiros alpinistas que alcançaram, em 1954, o topo da K2, a segunda montanha mais alta do mundo.
   

Em 2013 Ruffini conseguiu abrir o capital da empresa e redefinir a marca para uma geração totalmente nova de consumidores. As mudanças de Ruffini nos anos anteriores impactaram acima de tudo nos resultados financeiros. Em 2017, a MONCLER ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 bilhão em faturamento. Neste mesmo ano, a MONCLER inovou ao lançar uma completa linha de roupas para cães em parceria com a Poldo Dog Couture, cujas peças foram desenvolvidas em tamanhos variados, para acomodar as diferentes raças, e desenvolvidas com o náilon laquê, o tecido tradicional da marca. Em 2018, a marca lançou o projeto MONCLER GENIUS, um novo modelo criativo e de negócios, no qual designers famosos criam coleções distintas que interpretam a identidade de MONCLER e são lançadas mensalmente. E qual o diferencial? Além do acabamento, design, tradição, tecnologia, a composição do forro é 100% em plumas de ganso e o exterior é em poliamida.
  

Hoje em dia, a MONCLER tem se destacado também em seus lançamentos para as coleções de primavera, quando pode se aventurar para além da tradicional moda inverno e trabalhar com novas tendências e um estilo esportivo mais descolado e urbano. É exatamente assim que a MONCLER segue provando que sabe se reinventar - apostando na versatilidade para manter seu espírito sempre relevante, não importa a estação do ano.
  

Ao longo de mais de 60 anos, a marca francesa deixou de ser fabricante de equipamentos de esqui de alto desempenho e passou a ser uma marca de luxo com seus cobiçados casacos. Além de seu legado e praticidade inerente, a MONCLER conseguiu uma façanha rara: transformar um emblema simples (representado pelo galo tricolor) em uma marca inegável de luxo.
   

A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas alterações ao longo dos anos. Foi por volta de 1968 que a MONCLER passou a adotar em seu logotipo o galo tricolor (um dos símbolos nacionais da França), que se tornaria um dos principais símbolos de reconhecimento da marca. A marca começou a usá-lo no logotipo após se tornar fornecedora oficial da equipe olímpica francesa de esqui. Esse logotipo seria modernizado, adotando as cores da bandeira da França e com o galo ganhando um design mais discreto.
  

Já a insígnia MONCLER (conhecida também como Stick), que pode ser vista em todas as jaquetas da marca, repete o logotipo da marca, mas é aplicada em uma figura arredondada com o nome da marca arqueado. Essa insígnia pode ser aplicada como mostrado na figura abaixo.
  

Dados corporativos 
● Origem: França
● Fundação: 1952 
● Fundador: André Vincent e René Ramillon
● Sede mundial: Milão, Itália
● Proprietário da marca: Moncler S.p.A.
● Capital aberto: Sim (2013) 
● CEO: Remo Ruffini 
● Faturamento: €1.62 bilhões (2019) 
● Lucro: €358.6 milhões (2019)
● Valor de mercado: €12.9 bilhões (janeiro/2021) 
● Lojas: 209 
● Presença global: 80 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 4.100 
● Segmento: Moda de luxo
● Principais produtos: Jaquetas, parcas, calças, luvas, mochilas e tênis 
● Concorrentes diretos: The North Face, Canada Goose, Columbia Sportswear, Patagonia, Millet, Arc’teryx, Pyrenex, Eddie Bauer e Marmot 
● Ícones: Jaquetas acolchoadas 
● Website: www.moncler.com 

A marca no mundo 
Atualmente a MONCLER vende sua sofisticada linha de produtos em mais de 80 países ao redor do mundo. A marca, que faturou €1.62 bilhões em 2019, possui 209 lojas próprias e ainda comercializa seus produtos nas mais sofisticadas lojas de departamento do mundo. 

Você sabia? 
Em dezembro de 2020 a MONLER comprou por US$ 1.4 bilhões a italiana Stone Island, marca popular entre celebridades, incluindo os artistas de hip-hop Drake e Travis Scott. Stone Island, fundada em 1982, já foi associada aos hooligans do futebol na Europa, antes de se transformar em streetwear de alta qualidade. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Elle, Vogue, BusinessWeek e Exame), sites de moda (Farfetch), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 4/1/2021

16.12.20

VIVIENNE WESTWOOD


Transgressora. Ousada. Polêmica. Irreverente. E acima de tudo, autêntica. Assim pode ser definida a marca e a moda da inglesa VIVIENNE WESTWOOD, a mais pura expressão da personalidade única de sua criadora. Roupas com motivos políticos, críticas sociais, temas eróticos, com abundância das cores preta e vermelha, couro, correntes e rasgos. Ao oferecer essa moda provocadora e despojada, mas com um toque de sofisticação, a marca se tornou uma das queridinhas do mundo da moda, também por seu caráter ativista. 

A história 
Nascida em 1941 em uma cidade rural de 1.500 habitantes na região de Derbyshire, a estilista inglesa Vivienne Isabel Swire (imagem abaixo) se mudou para Londres ainda jovem, aos 17 anos. Começou um curso na Harrow School of Art e, por acreditar que não tinha talento suficiente para as artes, largou a faculdade e virou professora de uma escola primária. Casou com seu primeiro marido, Derek Westwood, que lhe deu o sobrenome e o nome artístico mundialmente conhecido e adotado até os dias de hoje. Porém, foi somente após o divórcio e na segunda união, com o produtor e agente da banda Sex Pistols, Malcolm McLaren, que ela animou o mundo underground e se consagrou como a grande precursora do punk na moda. Isto porque, juntamente McLaren, ela inaugurou em 1971 sua primeira loja, a “Let it Rock” em King’s Road, na periferia de Londres e onde decolavam as novidades extravagantes da moda da época. A loja, que mudaria de nome várias vezes - (“Too Fast to Live, Too young to Die” e “Sex” seriam alguns) -, ainda está presente no número 430, com o nome de Worlds End.
   

A loja inicialmente vendia os antigos LPs de música, objetos vintage e peças de vestuário que ambos criavam em conjunto, pois, não eram adeptos do dominante estilo hippie à época. Entre as peças camisetas com imagens e slogans provocativos como forma de rebelar-se contra a estrutura social de classes britânica, o que os levou a responder a vários processos judiciais sob a legislação “anti obscenidade” britânica. A partir das criações fetichistas, repletas de peças em vinil, calças jeans rasgadas, couro, correntes, zíperes, alfinetes e botas militares, Vivienne e McLaren criaram os códigos de vestimenta do “punk rock” e os inscreveram no imaginário coletivo. A irreverente e revolucionária estilista começou a realizar seu sonho, criando com liberdade essas peças que eram dominadas pelo preto, vermelho e tartar (uma de suas marcas registradas até hoje). McLaren passou a vestir a banda Sex Pistols com as criações de Vivienne, aos poucos as tornando conhecidas.
  

Na década de 1980, o estilo subversivo e rebelde do punk rock se popularizou, virou mainstream e deixou de representar o anti-establishment e o inconformismo da década de setenta, para se tornar parte da cultura pop. Foi nesse momento que Vivienne, sempre uma iconoclasta, já prestes a se separar de Malcolm Mclaren, e desiludida com os rumos que tomou o movimento, abandonou o estilo que a consagrou. Por possuir muitas referências adquiridas durante os breves anos em que estudou arte, a estilista passou a lançar coleções que se tornaram sucesso na Inglaterra e na França, como a Pirates (1981), que apresentava looks com cortes inspirados nos século XVII e XVIII; algo mais romântico com um olhar histórico. No ano seguinte desfilou pela primeira vez em Paris, que desde Mary Quant não apresentava estilistas ingleses nas passarelas. Pouco depois, marcando a crescente reputação internacional de Westwood, sua coleção Hypnos (primavera/verão de 1984), feita de tecidos esportivos sintéticos, se tornou um sucesso. Foi ainda em 1984 que a estilista foi convidada a mostrar sua coleção em Tóquio, abrindo assim a porta para um importante mercado consumidor.
   

Depois, em 1985, lançou a coleção Mini-Crini, que marcou o que Westwood descreveu como uma “mudança fundamental” em direção à alfaiataria e um foco mais deliberado em reelaborar ideias inspiradas em roupas históricas. Repleta de referências à indumentária inglesa, essa coleção apresentou as saias com crinolina (armações usadas sob saias para lhes conferir volume) usadas no século 19 pelas mulheres e os casacos vestidos pela Rainha Elizabeth II quando criança. Tudo revisitado ao estilo Vivienne, é claro. Em 1987 a estilista criou sua primeira coleção para o público masculino mostrando muito erotismo, como não poderia deixar de ser. No ano seguinte, com o lançamento da coleção Time Machine, repleta de elementos históricos da pintura e artes decorativas do século XVIII, inaugurou seu ingresso no mundo da alta moda, sendo aclamada novamente pelo establishment contra o qual tanto lutou.
   

Embora muitas vezes fosse considerada “não comercial”, Westwood permaneceu impassível, impulsionada pela aclamação da indústria da moda, incluindo o prêmio de Designer de Moda Feminina do Ano entregue pelo British Fashion Council em 1990 e 1991. Suas ideias muitas vezes atingiram o público muito rapidamente, e ela começou a ganhar uma quantia significativa de dinheiro com suas lojas em Londres e também vendas internacionais. Em 1993 dividiu sua marca de roupas femininas em duas linhas diferentes: Gold Label (alta-costura) e Red Label (Prêt-à-Porter). Nos anos seguintes continuou causando polêmica, como por exemplo, em 1994, em que os bumbuns das modelos ficavam expostos na passarela. O estilo escocês virou um padrão em suas coleções, normalmente ironizado, como em 1997 quando criou baseado neles, roupas femininas sensuais e provocativas. Em 1998 a marca lançou no mercado sua primeira fragrância feminina (batizada de Boudoir). Nesse mesmo ano lançou uma nova linha chamada Anglomania (voltada para atender a uma demanda mais jovem e casual). Pouco depois, Vivienne começou a projetar uma linha completa de óculos. A segunda fragrância “Libertine” foi lançada em 2001.
  

A partir do início do novo milênio, VIVIENNE WESTWOOD cada vez mais se tornou uma marca de moda extremamente desejada, com pontos de venda (incluindo corners nas mais sofisticadas lojas de departamento) em todo o mundo e passou a oferecer uma série de linhas (Femme, Homme, Anglomania), bem como malharias, acessórios, jóias, perfumes e até objetos de decoração, além de inaugurar sua primeira loja em Moscou. O ano de 2002 foi marcado pela inauguração de lojas próprias em Hong Kong e Coréia do Sul, ampliando assim sua presença na Ásia. Na última década a marca ampliou sua presença no varejo com a inauguração de lojas próprias, como por exemplo, em 2011 quando estreou em Los Angeles ou em 2016 quando abriu uma sofisticada loja em plena Rue Saint-Honoré na cidade de Paris. Embora Vivienne Westwood já possuísse uma concessão na principal loja de departamentos da cidade, a Galeries Lafayette, essa foi a primeira incursão independente na cidade da moda para a renomada estilista e a terceira cidade continental europeia a ter uma loja da grife depois de Milão e Viena.
  

Além disso, em março de 2016 a estilista entregou as rédeas de sua linha Gold Label para o marido Andreas Kronthaler, que trabalhou ao lado dela por muitos anos. Eles continuam a projetar as linhas principais juntos, embora a Gold Label agora seja oficialmente chamada de Andreas Kronthaler for Vivienne Westwood. Nos últimos anos a estilista vem desenvolvendo coleções co-lab com outras marcas, como por exemplo, tênis com a Vans e a Asics; sandálias e calçados com a brasileira Melissa; mochilas com a Eastpak; e roupas com a luxuosa Burberry, em uma coleção que celebrava o estilo e herança britânica de uma maneira única.
  

Em pleno século 21, a estilista e sua marca continuam fiel ao tipo de moda que criou: exagerada, sem ajustes tradicionais, surpreendente e anárquica, combinando técnicas e materiais tradicionais com a modernidade e uma franca ironia. Iconoclasta, a marca de Vivienne Westwood tem por essência um estilo contestador, fazendo eco aos discursos da estilista. Seu grande mérito, aliás, é justamente esse equilíbrio entre o melhor da moda britânica - alfaiataria, padronagens clássicas e itens históricos, como o corset - e a sua rebeldia panfletária, vista, por exemplo, nas camisetas da linha Vivienne Westwood Anglomania. Atualmente, VIVIENNE WESTWOOD é mais do que apenas uma marca, é um símbolo de liberdade, identidade e exclusividade na moda.
  

Moda ativista 
Poucos nomes no universo da moda alcançaram o mesmo patamar que a estilista Vivienne Westwood. Também pudera. Desde os anos de 1970, ela é responsável por lançar e propagar algumas das principais tendências do mundo, incluindo verdadeiros movimentos culturais, como o punk e a moda engajada dos anos 2000. E ao longo desses anos, o seu lado punk foi transformado em um discurso ativista, pregando o consumo consciente e engajamento político. E é essa brincadeira despretensiosa de viajar entre passado e presente que torna a marca VIVIENNE WESTWOOD eterna. Hoje, seu terceiro marido, o estilista austríaco Andreas Kronthaler, está à frente da criação, mas a estilista não abandona a faceta de porta-voz de questões atuais. Das mudanças climáticas ao posicionamento sócio-político, “é preciso desconfiar do governo”, prega ela.
  

E, como o ativismo jamais a abandona, a designer utiliza sua marca e passarela para levar fortes mensagens em favor dos direitos humanos, da ecologia, e outros temas relevantes da contemporaneidade, traço peculiar de sua carreira como pioneira do fashion activism. As coleções recentes passam por temas que vão da liberdade de Julian Assange (fundador do WikiLeaks), às políticas de combate ao terrorismo (a camiseta com a frase “I am not a terrorist, please don’t arrest me”, em protesto a aprovação do governo britânico à lei antiterrorismo, ficou famosa), passando pelas mudanças climáticas que o planeta vem enfrentando (chegou a entrar com maquiagem de guerra e segurando um cartaz “Climate Revolution” no final do seu desfile) e pelo fim do uso das peles animais na moda. Tanto que no final de seus desfiles, as sacolas de brindes oferecem abaixo-assinados e formulários para doações a entidades como a PETA (abreviação de People for the Ethical Treatment of Animals). Tudo isso, claro, sem perder de vista a sofisticação e a ousadia das cobiçadas bolsas e dos saltos altíssimos, que já fizeram até a top model Naomi Campbell cair na passarela em uma cena histórica.
  

O tema da ecologia e a ameaça das mudanças climáticas são grande motivação atual de Vivienne, cuja marca há muitos anos luta contra o fast fashion e já incorporou diversos princípios de sustentabilidade em sua cadeia de produção: técnicas de cortes sem criar resíduos (zero waste), upcycling e fontes de energia renovável e materiais orgânicos. Além de banir o uso de pele e couros exóticos, eliminou o plástico das embalagens e proibiu o poliéster, derivado do petróleo.
   

A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por uma pequena remodelação ao longo de sua história. Um dos elementos da identidade visual da marca que permaneceu praticamente estável ao longo dos anos é o icônico “Orb”, que surgiu em 1984, quando Vivienne se firmou como designer e ícone por conta própria. Esse incrível elemento de branding visual foi inspirado na iconografia real da Grã-Bretanha e pretendia representar a importância do passado, enquanto os anéis de Saturno significam o futuro.
  

Dados corporativos 
● Origem: Reino Unido/Inglaterra
● Fundação: 1971 
● Fundador: Vivienne Westwood e Malcolm McLaren
● Sede mundial: Londres, Inglaterra 
● Proprietário da marca: Vivienne Westwood Srl 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Carlo D’Amario 
● Faturamento: £46 milhões (2019) 
● Lucro: £2.7 milhões (2019) 
● Lojas: 40 
● Presença global: 80 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 450 
● Segmento: Moda de Luxo
● Principais produtos: Roupas, calçados, perfumes e acessórios 
● Concorrentes diretos: Alexander McQueen, Stella McCartney, Martin Margiela, Roberto Cavalli, Moschino, Fendi e Dolce & Gabbana
● Ícones: O ativismo na moda 

A marca no mundo 
A VIVIENNE WESTWOOD, uma das poucas grandes marcas de moda ainda independente, comercializa seus produtos (roupas, acessórios, joias e perfumes) em mais de 80 países ao redor do mundo. A marca, que vende sua moda através de uma exclusiva rede de 40 lojas próprias em cidades como Los Angeles, Nova York, Milão, Xangai, Paris e Londres, faturou £46 milhões em 2019. VIVIENNE WESTWOOD também comercializa seus produtos em mais de 700 pontos de venda dentro das mais sofisticadas lojas de departamento e multimarcas do mundo. 

Você sabia? 
Em 1992 foi concedida a Vivienne Westwood a alta honraria da Ordem do Império Britânico. Como não poderia deixar de ser, Lady Vivienne apresentou-se na cerimônia real do Palácio de Buckingham com um vestido justo e sem roupas íntimas, o que foi desaprovado pela rainha. Vivienne receberia a honraria pela segunda vez em 2006. 
Em 2013 a estilista assinou e criou os uniformes dos comissários de bordo da companhia aérea Virgin Atlantic
A estilista é amiga íntima de Pamela Anderson, Kate Moss, do Príncipe Charles além, é claro, de Naomi Campbell. 
Um dos filhos de Vivienne Westwood, Joseph Corré, é o fundador da luxuosa marca de lingerie Agent Provocateur (conheça essa história aqui). 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Elle, Vogue, BusinessWeek, Glamour e Exame), jornais (Diário da Indústria e Comércio), sites de moda (Farfetch), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 16/12/2020

11.9.20

MAX MARA


Tons terrosos, peças bem cortadas e um estilo pra lá de chique com forte e marcante DNA italiano. Nas passarelas peças de tons fortes e de alfaiataria impecável. Sucesso em Milão, Paris, Londres, Moscou, Nova York e Tóquio. Assim pode ser definida a marca Max Mara, que há quase 70 anos vêm vestindo intelectuais, empresárias, membros da realeza e atrizes como a duquesa de Cambridge Kate Middleton, Melania Trump, Kim Kardashian, Anne Hathaway, Carla Bruni e Katie Holmes. 

A história 
Formado em Direito pela Universidade de Parma o italiano Achille Maramotti (foto abaixo) não conseguiu resistir a sua paixão pelo mundo da moda. Isto porque em 1947 ele ingressou nesse universo desenhando e comercializando roupas de alta costura sob medida, paixão que herdou de sua mãe, Giulia Fontanesi Maramotti, que fundou uma escola de alfaiataria em 1923 e publicou vários livros dedicados à “teoria do corte”, e de sua bisavó, Marina Rinaldi, que supervisionou um respeitado ateliê de alfaiataria no século 19 na província de Reggio Emilia, a 160 km de Roma. Mas pouco depois, percebeu que havia um grande potencial para a moda de pronta entrega e decidiu investir no prêt-à-porter. Foi quando fundou a Maramotti Confezioni em 1951. Era uma ideia um tanto vanguardista na Itália da época, onde a moda ainda era uma atividade exclusivamente artesanal.


Inicialmente a nova empresa se dedicava a produzir ternos e roupas de gala em larga escala. Sua coleção inicial consistia em dois casacos e um blazer, que eram cópias dos designs da alta costura de Paris, mas feitos com técnicas de alfaiataria industrial de ponta. Com isso, Maramotti descobriu uma área nova e excitante da moda. Seus métodos criaram mais estilos, cortes e cores do que nunca, permitindo que ele atingisse um público muito mais amplo. Em 1955 o estilista resolveu criar a marca Max Mara, que surgiu da junção do seu apelido, Mara, com o nome de um famoso conde local, Max, que, segundo a lenda, andava sempre muito bem vestido, apesar de dificilmente estar sóbrio. A Max Mara foi criada porque ele acreditava que os holofotes deveriam estar na marca e não no nome do estilista. O sucesso inicial encorajou Maramotti a promover ainda mais seus produtos. Ainda este ano ele apresentou sua coleção outono/inverno na belíssima Cortina D’Ampezzo, em seu primeiro desfile.
 

A primeira coleção em larga escala, lançada em 1957/1958, foi marcada por um casaco na cor camelo, uma espécie de presságio do que ainda estava por vir, e um terno vermelho gerânio. Essas duas peças foram a base de um produto icônico e apresentavam a identidade e o estilo primário da marca italiana: cortes precisos, design limpo e linhas decisivas que garantiram sucesso imediato. Os tons terrosos foram muito usados por Achille Maramotti até os anos 1960. Ele também sempre apostou em formas confortáveis e femininas, especialmente nos vestidos.


Preocupado em oferecer moda de qualidade para diferentes estereótipos de mulheres, em 1961 o estilista lançou a coleção MyFair, voltada para mulheres pluz-size. Somente em 1964 foi inaugurada a primeira loja da Max Mara, localizada na Via Emilia, em Reggio Emilia, e cuja estratégia não era somente vender produtos, mas também experimentar novos modelos de distribuição. Ainda esse ano Maramotti contratou Laura Lusuardi como assistente de estilo. Em pouco tempo, ela se tornou a estilista da marca Max Mara e, em 1969, criou a linha Sportmax, com apelo esportivo e cujas peças fizeram sucesso com cores vivas e ar mais despojado. Visuais que misturavam elementos casuais, como a malha de pontos bem abertos, e peças mais sofisticadas, como a saia reta, se tornaram a um ícone da Max Mara. Nesta década, a marca continuou a desenvolver suas técnicas de produção ao mesmo tempo em que expandia sua gama de produtos. Além disso, colaborações com designers notáveis da época, como Luciano Soprani, Karl Lagerfeld e Jean-Charles de Castelbajac, ajudaram a aumentar a reputação e o valor da marca italiana. Em 1975 a Max Mara já atingia a impressionante marca de 35.000 casacos vendidos em um ano.


A década de 1980 começou com a Max Mara realizando seu primeiro desfile de moda em Paris. Mas foi em 1981 quando a estilista Anne Marie Beretta, uma das colaboradoras da marca, criou a peça que marcaria a história da Max Mara: o casaco 101801, feito de lã, com comprimento 7/8 e na cor camelo. Até hoje ele é o carro-chefe da grife italiana. Esta década foi marcada por novidades e lançamento de novas linhas: Marina Rinaldi (1981), nomeada em homenagem a sua bisavó e em substituição a linha MyFair (plus-size); Weekend by Max Mara (1983), uma linha jovem e casual de roupas e acessórios; e Max&Co. (1985), uma linha mais contemporânea com peças vibrantes, elegantes e versáteis voltada para as mais jovens. Apesar da enorme fama das peças de inverno, nesta época a grife também passou a fazer sucesso com vestidos frescos e soltinhos. Além disso, a Max Mara desfilou na Semana de Moda de Milão pela primeira vez (1983) e inaugurou suas primeiras lojas em Hong Kong (1987) e Japão (1990), iniciando assim um período de expansão pelo continente asiático.


Em 1994 a marca inaugurou sua primeira flagship store na pomposa Madison Avenue, em Nova York e, pouco depois, no ano de 1997, abriu sua primeira loja na China, que se tornaria um de seus mercados mais importantes. Em 1998 a Max Mara resolveu diversificar ainda mais sua linha de produtos com o lançamento de sua primeira coleção de óculos, que mantinha o mesmo DNA do resto dos seus produtos ao apresentar peças atemporais com alto padrão de qualidade e design prático. A primeira loja da Max Mara no Brasil foi inaugurada ainda este ano, na rua Haddock Lobo, bairro dos Jardins, em São Paulo. Uma segunda unidade seria inaugurada em 2001, no Shopping Iguatemi. Nos anos seguintes a marca italiana ampliou seu portfólio de produtos com o lançamento de uma linha de meias-calça (2003); da primeira fragrância (2004), batizadas de Max Mara for Women; além de apostar em bolsas, cintos e calçados.


Em 2011, para comemorar seis décadas de moda investindo em peças atemporais, com alto padrão de qualidade e design prático, a marca preparou uma série de eventos ao redor do mundo, como a exposição Coats! Max Mara 60 Years of Italian Fashion, em Moscou. A mostra reunia dezenas de casacos, o símbolo maior da marca. Pouco depois, em 2013, a marca lançou seu comércio eletrônico e voltou causar frisson no mundo da moda de luxo ao lançar o Teddy Bear Coat (imagem abaixo), seu tradicional casaco feito totalmente de pura lã em uma base de seda, que mais se assemelha ao tecido de bichos de pelúcia, em tons terrosos. O casaco se transformou em um hit instantâneo e passou a ser usado por celebridades como a ex-primeira-dama francesa Carla Bruni, que já foi modelo da marca italiana na década de 1990. Além disso, investiu em comunicação e contratou a atriz Jennifer Garner para se tornar a primeira celebridade porta-voz da marca.


Em 2014 a marca italiana abriu seu maior ponto de venda na Ásia, com a inauguração de uma loja na Avenue De Luxe (Huamao Center), ícone do varejo de luxo em Pequim, com nada menos que quatro andares. A abertura contou com uma exposição que possibilitou uma viagem na história da marca Max Mara, incluindo materiais de arquivo inéditos e inovações tecnológicas. Essa loja reforçou a presença no continente asiático, especialmente na China, onde a marca tinha mais de 230 lojas em aproximadamente 40 cidades. Achille Maramotti faleceu em 12 de janeiro de 2015 e a Max Mara foi assumida por seus filhos Luigi, Ignazio e Maria Ludovica, mantendo o negócio como uma empresa estritamente familiar e contrariando a atual ordem mundial dos grandes conglomerados de luxo. Apesar da injeção de sangue novo, o estilo da marca permaneceu o mesmo. E a responsável pelo feito foi Laura Lusuardi, diretora criativa que já trabalhava na marca há algumas décadas e conhecia profundamente seu DNA.


Ainda em 2015 a marca lançou um novo sucesso, mas em edição limitada: a bolsa Whitney Bag, em comemoração ao novo prédio do Whitney Museum, em Nova York, e criada a partir da fachada icônica do edifício - todo minimalista e cheio de pontas e vidro. Em 2018 a marca italiana resolveu reinterpretar seu tradicional logotipo de 1958, que ganhou ares contemporâneos, para compor a criação de um monograma. Era o surgimento do Max Mara Gram, que começou a estampar vários de seus produtos. No ano seguinte, pela primeira vez, as vitrines de Natal da tradicional loja de departamento Harrods em Londres exibiram roupas da Max Mara. Recentemente o casaco de pelúcia da Max Mara voltou a virar febre entre as fashionistas com versões em cores vibrantes, especialmente o vermelho.


A Max Mara tem distribuição seletiva em pontos de varejo de luxo, comunicação sofisticada e aposta também na criação de peças de moda feminina com edições limitadas, uma das características principais de marcas de luxo. Apostando em sofisticação atemporal e minimalista, a marca italiana tem um estilo de moda único, linhas definidas, tecidos fluidos e materiais de alta qualidade, que resultam em peças clássicas com corte impecável, cores suaves e discretas, e estampas exclusivas.


O ícone 
Apesar da inovadora história da Max Mara ter começado em 1951, somente 30 anos depois a marca italiana iria fascinar o segmento da moda de luxo ao criar um verdadeiro objeto de desejo: o casaco 101801, criado pela estilista francesa Anne Marie Beretta, uma das colaboradoras da marca na época. Misturando a melhor lã (80%) e caxemira (20%), na cor camelo, trespassado e com mangas quimono, esse casaco se tornou um símbolo da Max Mara e desde então tem aparecido em todas as coleções de inverno da marca, desfilando com supremacia, sem grandes alterações no design. Isto porque, desde 2010 o casaco foi ajustado com um cinto opcional em tecido combinando, forro de seda pura e uma etiqueta que pode ser personalizada com as iniciais da usuária. Com proporções perfeitas, o icônico casaco foi imortalizado por fotógrafos em inúmeras obras e atrizes e celebridades como a bela italiana Alba Clemente e a cantora Cindy Lauper.


O sucesso do casaco, que segue sendo um dos maiores clássicos da história da moda mundial, se deve principalmente à qualidade do produto, o tom neutro (se bem que recentemente foi reeditado em cores vibrantes), o corte indefectível e o caimento perfeito. Um casaco da Max Mara é para a vida inteira. É uma peça atemporal e muito elegante. Todos os casacos são feitos com lãs naturais. O de lã de camelo, uma das identidades da marca, tem fio produzido no norte da África, só com a primeira tosa. Os artesãos da marca - uma força de trabalho principalmente feminina vestida com jalecos brancos e com idade média de 35 anos - produzem até 450 casacos por dia em etapas de produção precisamente planejadas. Atualmente existem aproximadamente 20 modelos de casacos diferentes, cada um exigindo um processo personalizado. Um casaco Max Mara toma forma completa em quatro a cinco horas, dependendo do modelo - o 101801 requer 73 etapas. Por isso é a grande estrela dessa trupe. Este verdadeiro ícone da marca italiana, que no Brasil custa de R$ 6 mil a R$ 20 mil, tem lugar garantido em quase todas as coleções de inverno e conquistou celebridades como Cate Blanchett, Isabella Rossellini e Glenn Close. Esse casaco está para a Max Mara, assim como a bolsa Kelly para Hermès e o sobretudo para Burberry.


A evolução visual 
A identidade visual da marca italiana passou apenas por uma remodelação em sua história. O tradicional logotipo criado na década de 1950, em letras romanas ao estilo antigo, foi substituído por outro mais moderno e sofisticado.


Dados corporativos 
● Origem: Itália 
● Fundação: 1951 
● Fundador: Achille Maramotti 
● Sede mundial: Reggio Emilia, Itália 
● Proprietário da marca: Max Mara Fashion Group S.r.l 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Luigi Maramotti 
● Diretor criativo: Ian Griffiths 
● Faturamento: €1.3 bilhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 2.300 
● Presença global: 105 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 5.000 
● Segmento: Moda de luxo 
● Principais produtos: Roupas, bolsas, calçados e acessórios 
● Ícones: O casaco 101801 
● Website: www.maxmara.com 

A marca no mundo 
Hoje em dia a Max Mara, que conta com uma imensa variedade de produtos divididos em diferentes linhas e pertence a Max Mara Fashion Group, possui mais de 2.300 lojas, está presente em 105 países, sendo responsável pela maior parte do faturamento do grupo, aproximadamente €1.3 bilhões. Seus produtos, que englobam roupas, casacos, bolsas, calçados e acessórios, ainda são vendidos em mais de 12 mil lojas multimarcas. E, apesar de todo o sucesso e crescimento, a Max Mara ainda é fiel a algumas tradições. A principal fábrica do grupo permanece em Reggio Emilia, onde tudo começou. 

Você sabia? 
A influência da Max Mara no mundo da moda é tamanha, que a grife já teve peças desenhadas por grandes nomes como Karl Lagerfeld, a dupla Domenico Dolce e Stefano Gabbana e Narciso Rodriguez. 
Desde 2007 a marca patrocina o Max Mara Art Prize for Women, um prêmio bienal concedido a jovens artistas que trabalham no Reino Unido. 
Perto de sua sede, em Reggio Emilia, é guardado um arquivo meticulosamente catalogado da marca: 600 esboços originais, 300 caixas de amostras de tecido e mais de 20.000 peças de vestuário acabadas, que apareceram em uma exposição itinerante que visitou Berlim (2006), Tóquio (2007) e Pequim (2008) antes de chegar a Moscou em 2011 para o 60º aniversário da marca. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Vogue, Elle, BusinessWeek e Exame), jornais (Folha e Valor Econômico), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 11/9/2020