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20.2.24

SPATEN


Imagine uma cerveja que carrega uma rica tradição desde 1397, com lugar reservado e de destaque na Oktoberfest e fabricada somente com água, malte e lúpulo, como determina a “Lei da Pureza da Cerveja”, emitida pelo Duque da Baviera, Guilherme IV, em 1516. Essa é a melhor definição da alemã SPATEN, que revolucionou a experiência de milhões de pessoas em consumir uma cerveja de alta qualidade e tradição. Afinal, há séculos fazer cerveja é coisa séria para os alemães e para a SPATEN. 

A história 
A história de uma das marcas de cervejas mais icônicas do mundo tem suas origens em 1397, quando o empresário Hans Welser fundou uma modesta cervejaria chamada “Welser Prew” na parte antiga da cidade de Munique, a capital da Baviera e estado alemão considerado o templo das cervejarias. Em 1522 a liderança por um período significativo (cerca de cem anos) foi transferida para a família Starnberger, que nesse período aumentou a produção da cervejaria. Em 1622, Georg Spät adquiriu a cervejaria e mudou seu nome para Spaten-Brauerei. Vale ressaltar que spaten significa “pá” em alemão, ferramenta utilizada na época pelos cervejeiros para misturar o malte em cubas profundas, onde o mosto fermentava. Até o início do século 19, a cervejeira perdeu clientes devido a qualidade de suas cervejas, e ocupava o último lugar de consumo de malte entre as 52 fábricas de Munique.
   

Mas a história começaria a ganhar novos rumos em 1807, quando Gabriel Sedlmayr adquiriu a pequena cervejaria SPATEN. Nessa época ele ocupava também o cargo de cervejeiro-chefe da corte real da Baviera e estava ativamente envolvido no desenvolvimento de metodologias para a produção de cervejas de baixa fermentação. Com isso, apenas um ano após assumir a SPATEN, ele introduziu a torrefação de malte com vapor em vez de fumaça e foi um dos primeiros em Munique a usar um termômetro para controle de temperatura durante o processo de produção, técnica que tornou a cerveja mais leve do que as existentes no mercado. Em 1820, por mérito de Gabriel, e apenas 13 anos após a aquisição, a SPATEN já era a terceira cervejeira com maior consumo de malte da cidade.
   

Com o sucesso comercial, a SPATEN começou a ser servida na Hofbräuhaus, uma das tabernas mais conhecidas de Munique, e também em eventos organizados pela realeza, o que resultou em um grande aumento de sua popularidade. Em 1827, ele foi autorizado a abrir uma segunda cervejaria em Hallerbräustadel, perto da estação principal, tornando-o um dos barões da cerveja de Munique. A partir da década de 1830, já com a ajuda de seu filho - Gabriel Sedlmayr II - experimentou novas técnicas de maltagem. Com a morte de seu pai, em 1839, Gabriel II assumiu o comando da SPATEN. Logo ele introduziria um malte âmbar altamente aromático, batizado de “Malte Munique”, que ele desenvolveu a partir de informações recolhidas em suas constantes viagens pela Europa, cujo intuito era conhecer novas técnicas na produção de cervejas. O Malte Munique esteve na origem de um novo estilo de cerveja lager: a Märzen, lançada em 1841 e que foi um sucesso na Oktoberfest. Vale ressaltar que em 1872, a SPATEN batizou sua Märzenbier, que foi especialmente preparada para o festival daquele ano, de Spaten Oktoberfestbier. E quase 200 anos depois de seu lançamento, a Märzen ainda é uma das cervejas servidas na tradicional Oktoberfest.
   

E sob a liderança de Gabriel Sedlmayr II e com o aperfeiçoamento de suas técnicas e ingredientes, em 1867 a SPATEN alcançou o patamar de maior cervejaria da cidade de Munique. A influência de Gabriel II foi fundamental para transformar a SPATEN. Por exemplo, para contornar a dificuldade em fabricar cervejas estilo lager no verão, devido ao calor intenso, Gabriel II procurou um professor de engenharia chamado Carl Linde, que pesquisava modelos de refrigeração. Em 1873, o professor convenceu Gabriel a instalar uma das suas máquinas nas caves de fermentação da SPATEN, sendo a primeira vez que uma máquina de refrigeração mecânica foi utilizada em uma cervejeira.
   

Com capacidade para produzir cerveja de qualidade ao longo de todo o ano, a SPATEN começou então a experimentar receitas de outros estilos, tentando encontrar uma opção local que competisse com a crescente popularidade das cervejas estilo Pilsen, de origem checa. Como resultado destas experimentações, em 1894 - três anos após a morte de Gabriel Sedlmayr II - a cervejaria criou uma cerveja dourada, para ser consumida durante o verão nos biergärten (as tradicionais praças alemãs destinadas ao consumo de cerveja). Essa cerveja tinha um aroma doce e limpo, era sutil no lúpulo e com discretas notas de picante e especiarias. A “Clara de Munique” (em alemão Munich Helles), como era chamada, tornou-se o estilo Munich Helles e a SPATEN como conhecemos hoje. Vale ressaltar que as cervejas Munich Helles tendem a ser um pouco mais secas, quando comparadas com as do estilo Pilsen - e esse sempre foi o diferencial histórico em termos de competitividade entre ambos estilos.
   

E não demorou muito para o estilo Munich Helles se tornar o mais famoso e consumido no sul da Alemanha, junto com a cerveja SPATEN. Além disso, ao lançar o estilo Munich Helles, a SPATEN também abriu frente para que outras cervejarias de Munique fizessem a receita, que rapidamente foi sucesso de público nos Biergartens da cidade. Depois de conquistar os paladares mais exigentes da Baviera com o estilo Munich Helles da SPATEN, no início do século 20, mais precisamente em 1909, a cervejaria iniciou as exportações de suas cervejas para alguns países vizinhos, mas também para a América do Norte. Em 1922, a cervejaria formou uma aliança comercial com outra tradicional produtora de cerveja, a Franziskaner, surgindo assim a Spaten-Franziskaner GmbH. Devido aos graves danos durante os bombardeios aliados a Munique entre 1943 a 1945, as exportações da cerveja SPATEN só seriam retomadas em 1950, e ainda assim de forma tímida. A primeira cerveja de trigo da SPATEN - Champagner-Weiße - seria lançada na Oktoberfest em 1964. Em 1997, mais uma fusão, desta fez com a Löwenbräu (conheça essa outra história aqui).
   

Pouco depois, em 2003, a empresa belga Interbrew (atual AB InBev e proprietária da brasileira Ambev e diversas marcas famosas de cervejas) adquiriu a empresa por aproximadamente €530 milhões. Nos anos seguintes, a nova proprietária começou a introduzir a SPATEN em diversos novos mercados mundiais, além de lançar a versão sem álcool da cerveja (SPATEN ALKOHOLFREI). Com isso, a SPATEN desembarcou no Brasil em 2021 pelas mãos da Ambev, apresentando aos brasileiros o sabor marcante da Munich Helles e ingressando fortemente na disputa do mercado premium de cervejas. Além de uma identidade forte e marcante, a SPATEN ofereceu aos consumidores brasileiros embalagens na medida capaz de agradar a todos, como garrafas de 355ml e 600ml, além da lata sleek de 350ml.
  

Nos anos seguintes, a SPATEN, marca que se orgulha de conquistar o consumidor por seu sabor forte, investiu pesado para construir um vínculo com os brasileiros através de campanhas publicitárias que destacam sua rica história, ao criar uma caneca com design exclusivo (repleta de detalhes que contribuem para dar ainda mais sabor e refrescância ao líquido), ao realizar a primeira competição de deslizamento de caneca no país - conhecida como Biersliding - e ao patrocinar a Oktoberfest de Blumenau – a maior versão da festa fora de terras germânicas.
  

A ligação com a Oktoberfest 
Nenhuma cervejaria tem laços mais profundos com a tradicional Oktoberfest do que a SPATEN. Vale ressaltar que o mais famoso festival de cerveja do planeta foi criado pelo bávaro Luís I para celebrar o seu casamento e coroação como rei em 1810, já com a presença da SPATEN. O evento se tornou tradição e, a partir de 1872, passou a seguir diversas regras que traçam a identidade do evento pelo mundo todo. E uma dessas regras determina que só participam da feira cervejarias de Munique. As cervejarias ocupam desde stands menores a tendas maiores que atendem mais de 4 mil pessoas. E, dessas tendas, 6 delas são reservadas para cervejarias históricas de Munique, das quais a SPATEN faz parte, além de ser patrocinadora oficial do evento. A parceria é tão grande que o festival só começa depois que o primeiro barril de SPATEN é aberto, iniciando assim as celebrações. E a SPATEN sabe utilizar essa ligação histórica como uma eficiente ferramenta de marketing.
   

O histórico logotipo 
O logotipo da marca possui significados e símbolos históricos. O emblema da pá (que em alemão é justamente “spaten”) apareceu no rótulo das garrafas da cerveja em 1844 e foi desenvolvido pelo famoso e popular artista gráfico Otto Hupp. Essa pá de malte está localizada no centro do brasão vermelho com fundo arredondado e borda tripla preta e branca.
   

Na imagem abaixo é possível acompanhar a evolução ao longo dos anos deste genuíno ícone da marca alemã.
  

Já em memória as valiosas contribuições de Gabriel Sedlmayr II - mestre-cervejeiro que deu a qualidade que a cerveja SPATEN tem até hoje - teve seu nome imortalizado no logotipo da marca - as iniciais “GS” foram colocadas no rótulo da cada garrafa da SPATEN. Além disso, acima do brasão está posicionado seu tradicional slogan publicitário em alemão: “Lass Dir raten, trinke Spaten!” (em português algo como “Deixe-me aconselhá-lo, beba Spaten!” ou “É aconselhável beber Spaten!”), utilizado pela marca desde 1924.
  

No mercado brasileiro a SPATEN resolveu criar e utilizar uma identidade visual mais impactante, mas que manteve os símbolos históricos da marca alemã. Outra diferença no mercado brasileiro é a adoção da cor verde da garrafa, enquanto na Alemanha é âmbar.
  

Os slogans 
Estilo Spaten de Ser Forte. (2023) 
A cerveja que criou o estilo Munich Helles. (2022) 
Puro malte de Munique. Desde 1397. (2021) 
Lass Dir raten, trinke Spaten! (1924)
   

Dados corporativos 
● Origem: Alemanha 
● Fundação: 1397 
● Fundador: Hans Welser 
● Sede mundial: Munique, Alemanha 
● Proprietário da marca: Spaten-Franziskaner-Bräu GmbH 
● Capital aberto: Não (subsidiária da Anheuser-Busch InBev SA/NV) 
● CEO: Michel Doukeris 
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: 50 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Segmento: Cervejaria 
● Principais produtos: Cervejas 
● Concorrentes diretos: Hofbräu, Paulaner, Weihenstephaner, Augustiner-Bräu, Löwenbräu, Stella Artois, Heineken, Amstel, Beck’s e Grolsch 
● Ícones: A pá do logotipo 
● Slogan: Estilo Spaten de Ser Forte. 

A marca no mundo 
A SPATEN vende suas cervejas em mais de 50 países ao redor do mundo, com forte presença na Europa, especialmente em sua terra natal, a Alemanha. A SPATEN está entre as dez cervejarias mais antigas do mundo. A mais antiga é a Weihenstephaner, que começou a fabricar cerveja em 1040. 


Você sabia? 
A SPATEN faz parte das chamadas “Big Six in Munich” (maiores cervejarias de Munique), composta por Löwenbräu, Hofbräuhaus, Paulaner (conheça essa outra história aqui), Augustinerbräu, Hacker-Pshorbräu e, claro, a SPATEN. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Isto é Dinheiro, Embalagem Marca, Exame e Beer Art), jornais (Meio Mensagem) sites especializados em Marketing e Branding (Interbrand e Mundo do Marketing) e Wikipedia (informações devidamente checadas).  


Última atualização em 20/2/2024

O MDM também está no Instagram.  www.instagram.com/mdm_branding/


12.7.19

HOEGAARDEN


Leve, refrescante e, principalmente, aromática. Assim é a Hoegaarden, uma das cervejas belgas mais famosas no mundo. De coloração amarelada e turva (devido à presença de proteínas e fermento no líquido) e espuma branca e abundante, a Hoegaarden se tornou um enorme sucesso em muitos países pelo mundo afora. 

A história 
Para começar a contar a história da Hoegaarden, que é sinônimo de cerveja artesanal Witbier, é preciso retornar ao longínquo ano de 1445. Nesta época a Bélgica ainda era parte integrante da Holanda, formada por uma série de colônias. Um tempo em que os europeus viajavam rumo às Índias em busca de novos temperos, o que fez com que especiarias exóticas como o cravo chegassem às mãos de um grupo de monges fabricantes de cerveja na pequena vila de Hoegaarden, distante a menos de uma hora da cidade de Bruxelas. Registros históricos indicam que as cervejas de trigo eram extremamente azedas, até que os monges de Hoegaarden passaram a adicionar algumas novidades à receita, como cascas de laranja e coentro, trazido diretamente de Curaçau, na época, uma colônia holandesa. Essa foi uma descoberta que mudou o mundo da cerveja, transformando a Witbier em uma bebida leve e prazerosa. E essa transformação mudou também o ambiente na pequena e pacata vila de Hoegaarden: em 1709, a cidade já contava com mais de 12 cervejarias, número que aumentou para 36 em pouco mais de 15 anos. Nessa mesma época, Hoegaarden já tinha mais de 110 espaços para o armazenamento de malte.


Mas toda essa popularidade da cerveja artesanal Witbier acabou junto com a fatídica Segunda Guerra Mundial. Como decorrência deste grave conflito mundial e também devido ao enorme crescimento das cervejas lagers douradas, em 1957, a última cervejaria da região encerrou sua produção, colocando um fim na venda desse estilo de cerveja artesanal. Mas para sorte dos apreciadores de cervejas de alta qualidade, em 1966, Pierre Celis, um leiteiro da cidade e que havia trabalhado quando jovem na Cervejaria Tomsin, uma das últimas produtoras de Witbier locais a fechar, resolveu tomar uma atitude para preservar a receita original desta obra-prima, com suporte financeiro de seu pai e a ajuda de um mestre-cervejeiro experiente. Foi então, com base nas próprias memórias e na de moradores da região, que ele começou a fabricar artesanalmente uma tradicional Witbier dando a ela o nome da região, marca utilizada até os dias de hoje. O primeiro lote da cerveja, produzido no estábulo da fazenda de sua família, usando apenas uma caldeira de cobre, foi lançado no mercado exatamente no dia 19 de março de 1966. O sucesso do renascimento deste estilo de cerveja foi bem recebido pelos habitantes da região, tornando-se uma lenda e muito procurado como uma bebida altamente refrescante, e demonstrado pela quantidade de produção e na mudança para um prédio maior, batizado de “De Kluis” (“o cofre”), uma referência sutil aos monges da região.


No primeiro ano foram produzidos apenas 350 hectolitros, mas nos anos seguintes, cresceu exponencialmente, atingindo em 1985 a marca de 75.000 hectolitros de cerveja por ano. Isto só foi possível, porque com o aumento da demanda, Celis comprou a Hougardia, uma fábrica abandonada de limonada, para expandir suas operações de fabricação da cerveja Hoegaarden. Este ano também foi marcado pelo lançamento da primeira extensão da marca, a Hoegaarden Grand Cru, uma cerveja do estilo Belgian Golden Strong Ale com 8,5% de teor alcoólico, cuja cor era alaranjada, o paladar seguia o aroma de frutas cristalizadas, como laranja, cravo e damascos. A cerveja fazia sucesso, especialmente na Bélgica e outros poucos países europeus, mas importantes mercados como Holanda, França e Reino Unido. O sucesso da Hoegaarden foi ajudado em parte pelo copo de seis lados em que era servida a cerveja: por acaso, Celis encontrou o protótipo italiano em uma loja da cidade. Porém, ainda em 1985, quando ele estava prestes a começar a exportar para os Estados Unidos, mais uma vez uma catástrofe atingiu a indústria da cerveja branca belga. A fábrica da Hoegaarden foi severamente destruída por um grande incêndio. Para reconstruir a fábrica, Pierre Celis teve que obter um empréstimo e, ele encontrou isso, com a cervejaria Interbrew, então proprietária e produtora da marca Stella Artois. Mas Celis sentiu que o empréstimo era uma forma de pressioná-lo a adequar a receita de sua cerveja para torná-la mais comercializável. Em vez de mudar a receita, ele decidiu vender a cervejaria em 1987 e se mudar para o estado do Texas, onde fundou a Celis Brewery para fabricar a “Celis White”, uma cerveja que ele descrevia como a “Hoegaarden original”. Com isso a Interbrew assumiu a cervejaria Hoegaarden (que hoje pertencente ao poderoso grupo AB-Inbev).


Com isso, a marca Hoegaarden ganhou investimentos, aumentou a capacidade de produção, poder de marketing e passou a ser exportada para vários mercados mundiais. E nos anos seguintes ampliou a linha de cervejas da marca com o lançamento em 1995 da Hoegaarden Spéciale (rica e encorpada cerveja de trigo de estilo belga, disponível apenas entre outubro e janeiro, com sabor frutado característico e notas picantes claras de cravo e coentro, além de um toque levemente tostado); em 2007 da Hoegaarden Rosée (naturalmente doce e refrescante, com 4,5% de teor alcoólico, possui cor rubi, infusionada com sabores de framboesa, um rico aroma frutado e notas leves de especiarias e coentro); em 2008 da Hoegaarden Citrus (com apenas 3% de teor alcoólico, possui coloração amarela clara, média turbidez e espuma branca, de pouca persistência, além de um aroma tradicional com toques de semente de coentro e muito limão); da Hoegaarden Forbidden Fruit (inspirada no fruto proibido - a maçã -, que possui coloração avermelha e é suavemente adocicada, além de ser feita com malte torrado e lúpulos que oferecem um aroma tipicamente herbal); da Hoegaarden Agrum (uma cerveja original de trigo belga com apreciados frutos locais cítricos, como por exemplo, o agrume), e da Hoegaarden Cherry (com um toque de suco natural de cereja).


Mais recentemente, no início de 2019, a AB-InBev começou a investir na marca belga no mercado brasileiro. Com isso, inaugurou o primeiro bar temático da marca no mundo, batizado de Hoegaarden Greenhouse, no bairro de Pinheiros em São Paulo, que traz um pouco do estilo de vida simples e rústico do vilarejo belga de Hoegaarden, fazendo com que consumidores repensem suas prioridades em meio ao caos urbano. Com uma decoração exótica, que conta com 264 plantas de 38 espécies, o espaço oferece além de boa cerveja (para abastecer os copos, a aposta é o chope Witbier da marca – uma novidade, já que a cerveja só chegava engarrafada ao Brasil) e petiscos deliciosos (cardápio idealizado por um chef), com uma programação extensa, exibições de cinema aberto, feiras de produtores locais e de alimentos orgânicos e workshops de jardinagem.


A Hoegaarden possui um processo de fabricação único e complexo e, justamente por isso, é virtualmente diferente de qualquer outra cerveja no mundo. A primeira etapa é um processo de alta fermentação. Depois, a cerveja é engarrafada sem pasteurização e permanece em repouso por mais três semanas para que aconteça a re-fermentação dentro da própria garrafa. A aparência final é de uma cor amarelo ouro e opaco típico das cervejas de trigo belgas.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas alterações ao longo dos anos, adquirindo uma imagem mais moderna, mas sem perder a rica herança de sua história.


Os slogans 
The Original Belgian Wheat Beer. 
Naturally Different. (2012)


Dados corporativos 
● Origem: Bélgica 
● Lançamento: 19 de março de 1966 
● Criador: Pierre Celis 
● Sede mundial: Bruxelas, Bélgica 
● Proprietário da marca: Brouwerij Hoegaarden 
● Capital aberto: Não (subsidiária da Anheuser-Busch InBev SA/NV) 
● Presidente: Carlos Brito
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: 70 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Segmento: Cervejaria 
● Principais produtos: Cervejas de trigo 
● Concorrentes diretos: Erdinger, Vedett, Paulaner, Franziskaner, Weihenstephan, Löwenbräu
e Hofbräu 
● Ícones: O formato do copo chamado de Tumbler 
● Slogan: The Original Belgian Wheat Beer. 
● Website: hoegaarden.com/pt/  

A marca no mundo 
A Hoegaarden, que pertence a poderosa AB-InBev, está presente com sua linha de cervejas de trigo em mais de 70 países, com enorme e disseminada popularidade no continente europeu. Hoje em dia, além do sucesso mundial da marca, 9 a cada 10 cervejas de trigo vendidas na Bélgica são da marca Hoegaarden, além de que o estilo se espalhou pelo mundo e agora podemos encontrar facilmente a cerveja artesanal Witbier. Hoegaarden é detentora de dez medalhas na Copa do Mundo de Cervejas, o World Beer Cup, e com seu sabor único é apreciado e premiado em toda a Europa, América do Norte, Austrália, Singapura e China. 

Você sabia? 
Tumbler é o copo utilizado para as cervejas do tipo Witbier, como a Hoegaarden. Há uma lógica na forma hexagonal do copo (inspirado nos tradicionais copos de geleias), pois se abre para cultivar uma espuma robusta, com uma boca mais larga que deixa os aromas cítricos, temperados e cheios de ervas catapultarem-se pelo ar. Como estas cervejas não formam muito creme, o copo não precisa ter a boca fechada. Robustos e pesados, também facilitam a vida dos bares por serem mais difíceis de serem quebrados, por isso não é incomum serem usados para servir também coquetéis, refrigerantes e chás gelado. 
Como as pessoas pronunciam o nome da cerveja em outras partes do mundo é outra história, mas, para esclarecer: é pronunciado “RUgaarden”. 
Você deve estar se perguntando, se é cerveja de trigo, por que não se chama Weiss, como as tradicionais alemãs? As duas são feitas de trigo e os nomes Weissbier ou Witbier significam a mesma coisa, cerveja branca, mas há uma diferença na produção. A Weiss alemã, geralmente usa trigo maltado e nenhum adjunto em sua receita. Já a Witbier belga, é produzida com trigo não-maltado e temperada com coentro e casca de laranja (que são responsáveis pela notas condimentadas e cítricas). De maneira geral as cervejas Witbiers são claras, mas por não serem filtradas são turvas. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Veja, Exame, Forbes, Newsweek e BusinessWeek), jornais (Estadão e Folha), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 12/7/2019

5.9.06

LÖWENBRÄU


Em um mundo marcado por constantes mudanças, valores duradouros são crucialmente importantes. Natureza e tradição puras, combinadas com a tecnologia mais moderna: isso é o que representa a Baviera e sua cerveja. E a tradução perfeita dessa cerveja é a LÖWENBRÄU, que no mundo inteiro virou sinônimo da arte bávara de fabricação deste líquido sagrado. 

A história 
Uma das mais tradicionais e conhecidas cervejas alemãs, a LÖWENBRÄU, tem suas origens no ano de 1383, quando foi produzida pela primeira vez pelo proprietário da “Hospedaria do Leão” (em alemão “Zum Löwen”). No ano de 1516 foi aprovada a Lei da Pureza (Reinheitsgebot), criada para evitar a utilização de ingredientes baratos e muitas vezes pouco saudáveis, pela qual a cerveja deveria ser produzida exclusivamente a base de cevada, lúpulo, levedura e água. Com este preceito, as fábricas de cerveja da Baviera assumiram o papel de maior destaque na produção e distribuição de cervejas na Alemanha e no mundo. E a marca do leão sempre esteve no topo deste processo. Uma materialização perfeita da arte e do saber fazer dos bávaros na fabricação de cervejas, que garantiriam à cerveja do leão grande êxito em todo o mundo nos séculos seguintes. Pouco depois, em 1524, na cidade de Munique, capital da Baviera, localizada na região ao sul da Alemanha, mais precisamente em um lugar conhecido como “Löwengrube” (literalmente a “cova dos leões”), próximo à igreja Frauenkirche, foi construída uma fábrica que mais tarde ficaria famosa em todo o mundo. Mas foi apenas em 1746 que o nome LÖWENBRÄU, que significa “cervejaria do leão”, foi oficialmente adotado. O nome tem suas origens no fundador da cidade de Munique, Duque Henry Guelph, que tinha o apelido de “Leão”.


Mas foi em 1818 que Georg Brey adquiriu a cervejaria e a conduziu, desde a época manufatureira até o período industrial. Em 1863, a LÖWENBRÄU já era a cerveja mais popular de Munique. A empresa familiar se converteu no ano de 1872 em uma sociedade por ações, sendo a primeira entre as cervejarias de Munique a realizar esse feito. Na época desta conversão, a LÖWENBRÄU já era a maior cervejaria da Alemanha e, ao mesmo tempo, a cervejaria líder em exportações. Somente em 1878 a cervejaria passou a se chamar oficialmente LÖWENBRÄU AG. Em 1886, o leão, símbolo da marca, se tornou marca registrada. Em 1900, na Paris World Exhibition, a cerveja LÖWENBRÄU recebeu seu primeiro prêmio de grande expressão internacional.


De 1914 a 1945 a cervejaria passou por graves problemas, especialmente em virtude das duas Grandes Guerras Mundiais. Mas isso não impediu que em 1928 se tornasse a primeira cervejaria de Munique a atingir a marca de 1 milhão de hectolitros produzidos. Após ser destruída por bombas durante a Segunda Guerra, a LÖWENBRÄU provou que uma boa cerveja sempre sobrevive. Três anos após o fim do conflito, a produção voltou ao normal e a cerveja começou a ser exportada, tendo como destino a Suíça. Quatro anos mais tarde um leão mecânico, símbolo da marca, emitiu seus primeiros rugidos na tradicional Oktoberfest, fincando a presença da marca no evento, da qual sempre participou. No começo da década de 1970 a produção da cervejaria atingia a marca de 1.5 milhões de hectolitros (equivalente a 40 milhões de galões). Em 1974 foram assinados os primeiros contratos de licenciamento com a Inglaterra e os Estados Unidos, onde a cerveja passou a ser produzida pela Miller Brewing Company sob supervisão rigorosa dos alemães.


Nos próximos anos a LÖWENBRÄU conquistou novos mercados internacionais, como por exemplo, o Japão, e se tornou uma das marcas alemãs de cerveja mais populares do mundo. No ano de 1997, com o objetivo de manter a presença e crescimento em um mercado globalizado, duas das mais tradicionais cervejarias da cidade de Munique, a LÖWENBRÄU e a Spaten, realizaram uma fusão. Poucos anos depois, em 2003, a marca foi adquirida pela Interbrew, que no ano seguinte se fundiu com a Inbev (atual Anheuser-Busch InBev), passando a fazer parte da maior cervejaria do mundo nos dias atuais e iniciando um novo e forte período de expansão internacional.


A herança do Leão 
Uma estreita relação entre produto e pátria é o capital incalculável que caracteriza até hoje a LÖWENBRÄU como uma das marcas mais antigas da Alemanha. Atualmente, essa herança pode ser degustada em uma extensa e completa linha de cerveja: 
LÖWENBRÄU ORIGINAL: uma típica cerveja de Munique, do tipo lager, com uma coloração amarela clara e delicadamente amarga. É refrescante, ligeiramente seca, revelando sutis notas de cereal. O seu sabor é revelador de bastante corpo e uma lupulagem suave que a torna agradável de beber. Possui teor alcoólico de 5.2%. 
LÖWENBRÄU OKTOBERFESTBIER: comercializada exclusivamente na época da festa da cerveja de Munique, a famosa Oktoberfest, é mais encorpada e possui 6.1% de teor alcoólico. 
LÖWENBRÄU URTYP: cerveja produzida através dos métodos tradicionais de Munique, com sabor adocicado comercializada em garrafas flip-top. 
LÖWENBRÄU WEISSE: clássica cerveja de trigo de Munique produzida desde 1927. 
LÖWENBRÄU PREMIUM PILS: cerveja premium tipo pilsner com 5.2% de teor alcoólico. 
LÖWENBRÄU ALCOHOL-FREE: cerveja praticamente sem álcool, contendo apenas 0.5% de teor. 
LÖWENBRÄU RADLER: cerveja especial com apenas 2.5% de teor alcoólico e 50% de suco de limão para ser consumida nos dias quentes de verão. 
LÖWENBRÄU VICTOR (TRIUMPHATOR): cerveja escura e extremamente forte, com teor alcoólico de 7.6%, introduzida pela primeira vez em 1925. 
LÖWENBRÄU DUNKEL: cerveja tipo dunkel forte (5.5% de graduação alcoólica) e encorpada.


* A LÖWENBRÄU também está disponível na versão chope.


A casa do leão 
A Löwenbräukeller foi aberta ao público em 1883, como pub e restaurante, na cidade de Munique. Antes disso, o local havia sido usado por vários séculos apenas para fabricação de cerveja. Este agradável local atrai turistas e habitantes locais com deliciosos pratos da culinária regional, ótima cerveja, além da atmosfera acolhedora da Baviera. A estrutura da LÖWENBRÄU oferece diferentes ambientes a seus clientes. Um dos ambientes mais populares é o enorme jardim da cerveja, um terraço arborizado com capacidade para mil pessoas. Durante os meses do verão, os habitantes locais costumam vir ao local vestidos com trajes tradicionais para relaxar com uma bebida refrescante à sombra de belas árvores. Em qualquer época do ano, o restaurante oferece um ambiente confortável, onde os clientes podem saborear deliciosos pratos da culinária da Baviera.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas atualizações ao longo dos anos, mas sempre manteve o leão como principal símbolo.


Os slogans 
Löwenbräu. Born in Munich, loved by the world. (2008) 
Only pure thoughts go into Lowenbrau. (2003) 
Beer at its purest. (2001) 
Löwenbräu, a beer like Bavaria. (2000) 
You can talk about anything over a Löwenbräu. (1999) 
What we Germans lack in humour, we make up for in our bier. (1994) 
Strong on tradition. (1985) 
The Pils to be taken seriously. (1980) 
This night calls for Löwenbräu. (anos de 1980) 
This World Belongs To Löwenbräu. (anos de 1980) 
The world’s most exclusive and expensive beer. (1976)


Dados corporativos 
● Origem: Alemanha 
● Fundação: 1383 
● Fundador: Desconhecido 
● Sede mundial: Munique, Alemanha 
● Proprietário da marca: Anheuser-Busch InBev SA/NV 
● Capital aberto: Não 
● Chairman: Carlos Brito 
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Presença global: 60 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 500 
● Segmento: Cervejarias 
● Principais produtos: Cervejas 
● Concorrentes diretos: Paulaner, Erdinger, Hoegaarden, Hofbräu München, Beck’s, Oettinger, Franziskaner e Bitburger 
● Ícones: O leão 
● Slogan: Born in Munich, loved by the world. 
● Website: www.loewenbraeu.de 

A marca no mundo 
A LÖWENBRÄU se tornou uma das cervejas mais conhecidas e clássicas da Alemanha, sendo exportada para mais de 60 países ao redor do mundo. Atualmente a linha de cervejas da marca é comercializada em várias embalagens como lata (330 ml e 500 ml), garrafas (330 ml e 500 ml) e barril de 5 litros. 

Você sabia? 
A cerveja está presente na Oktoberfest da cidade de Munique desde sua primeira edição realizada em 1810. Atualmente, a marca patrocina duas grandes tendas da Oktoberfest e continua a ser associada à famosa tradição cervejeira de Munique. A LÖWENBRÄU é uma das seis marcas de cerveja oficiais da Oktoberfest, juntamente com Augustiner, Hacker-Pschorr, Hofbräu, Paulaner e Spaten-Franziskaner. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek e Exame), portais (UOL e Blog Clube do Malte), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Expedia e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 1/5/2017