Dizem que quanto mais velho, mais gostoso fica. Surrado, customizado, com cadarço de cores diferentes. Cada um tem seu próprio jeito de usar ALL★STAR, o tênis que não sai dos pés de muitas gerações. Jovens e adultos, universitários, roqueiros, profissionais liberais e celebridades, o ALL★STAR é sucesso em todas as tribos. Não é de hoje que famosos exibem seus pares. Companhia para todas as ocasiões há quem afirme que não vive sem um dos tênis mais lendários e emblemáticos de todos os tempos.
A história
A história de um dos maiores ícones da cultura americana e posteriormente mundial começou quando Marquis Mills Converse fundou a empresa Converse Rubber Company em 1908, na pequena cidade de Malden, estado de Massachusetts, cujo objetivo era produzir calçados com solado de borracha, ignorando assim um acordo vigente no mercado que impedia que as companhias fizessem negócio diretamente com os seus varejistas. Os primeiros catálogos da empresa se gabavam ao dizer quantos caminhões haviam saído da fábrica da Converse (para conhecer essa história completa clique aqui) em Malden, para entregar os produtos diretamente para lojas na cidade de Boston. Em 1917, a empresa lançou uma linha de calçados esportivos, incluindo um tênis feito de lona, sola grossa e biqueira de borracha que revolucionou o basquete, esporte que se tornava cada vez mais popular entre os americanos, criando assim um calçado inovador para a época, o mundialmente famoso CONVERSE ALL★STAR, com o selo de estrela na parte lateral do tornozelo.
A história da marca começou a mudar em 1921 quando o executivo da Converse, Bob Pletz, contratou o jogador semi-profissional de basquete Charles “Chuck” Taylor, cuja sua missão era rodar pelo país e convencer técnicos e jogadores a usarem o ALL★STAR. Chuck sugeriu então novas ideias para uma versão do ALL★STAR: acrescentou fissuras no solado (era o surgimento da característica sola de borracha com formato de diamante), para diminuir a derrapagem nas quadras, proporcionando assim mais tração; e adicionou uma proteção no calcanhar para melhorar o apoio e proteção ao tornozelo dos jogadores. Lançado oficialmente em 1923 o CONVERSE ALL★STAR com sua assinatura, as vendas do novo tênis foram tímidas no início, mas graças ao entusiasmo e dedicação de Chuck Taylor no trabalho de promovê-lo, rapidamente se tornou um sucesso. Considerado o primeiro calçado dedicado ao basquete produzido em massa nos Estados Unidos, rapidamente toda a América sucumbiu ao estilo do CHUCK TAYLOR ALL★STAR, que passou a ser o tênis oficial dos jogadores de basquete americanos, quer seja profissional ou universitário.
Com a chegada dos Jogos Olímpicos de 1936 na Alemanha, então Nazista, Chuck Taylor desenhou um novo modelo de ALL★STAR, com o tradicional cano alto, lona branca e faixas discretas nas cores azul e vermelha. O calçado patriótico se tornou um sucesso ao lado dos modelos tradicionais, sendo produzido até os dias de hoje. E o sucesso não parava. Em 1939, a equipe do New York Rens venceu o campeonato nacional de basquete usando ALL★STAR. O design básico, o conforto, a durabilidade e a funcionalidade foram características que determinaram a escolha do CONVERSE ALL★STAR como calçado oficial das forças armadas americanas durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1949 foi produzido o primeiro CHUCK TAYLOR ALL★STAR preto e branco como uma alternativa ao modelo monocromático, popularizando de uma vez por todas o design que conhecemos hoje.
O sucesso continuou e nos anos de 1950 e 1960, grandes estrelas do cinema e do rock adotaram o ALL★STAR como um item básico em seu visual. O ator James Dean, ícone da rebeldia na época, não saía jamais sem os seus durante a filmagem de “A Fúria da Vida”. Bruce Springsteen, Graham Nash e Eddie Van Halen eram vistos calçando ALL★STAR em seus shows. Até 1955, cerca de 100 milhões de espectadores assistiam aos jogos da NBA e o CHUCK TAYLOR ALL★STAR se tornou o calçado número 1 na América. Em 1957 surgiram os primeiros CHUCK TAYLOR ALL★STAR de cano baixo (conhecidos como Oxford Sneaker), que rapidamente conquistaram um público mais jovem em virtude de seu apelo casual e menos esportivo. A essa altura, aliás, os modelos de ALL★STAR já eram usados por atletas, estudantes, trabalhadores.
Na década de 1960, Hollywood se encantou e utilizou cada vez mais os famosos tênis no cinema. A distância entre os mundos do esporte e da moda começava a se apagar. Outras marcas iniciaram o desenvolvimento de calçados com tecnologia mais avançada e em materiais mais adequados ao basquete. A empresa respondeu a esta demanda agregando cores e materiais como o couro e vinil; e lançando a versão cano curto em sete cores variadas para combinar com os uniformes dos times de basquete. Era o começo de uma nova história para o tradicional ícone, que sairia das quadras para definitivamente ganhar os pés de milhões de pessoas.
Em 1974 o tênis ALL★STAR foi recauchutado. Feito em camurça colorida com uma grande e imponente estrela na lateral, era perfeito para o basquete - mas tinha algo a mais naquela dureza e brilho que o tornava irresistível para toda uma geração de roqueiros, skatistas e almas rebeldes. O ALL★STAR firmou seu espaço nessa época quando ganhou definitivamente os pés do rock and roll. Apesar disso, ALL★STAR sentiu a ameaça de perder seu lugar estrelado frente ao crescimento de marcas como Nike, Reebok, Puma e Adidas. E isto ocorreu devido aos lançamentos dos concorrentes com novos solados e palmilhas, além dos cabedais de couro, que fizeram os ALL★STAR parecerem desatualizados, mudando as escolhas dos atletas, sempre em busca de uma performance melhor. Além disso, decisões de marketing erradas e estratégias equivocadas por parte da Converse também contribuíram para a derrocada do ícone.
Mas nem tudo estava perdido. O tênis ressurgiu impulsionado pelo Lifestyle. Afinal, seu estilo casual, jovem e despojado, aliado à um preço acessível, era apenas um calçado de lona com sola simples de borracha, voltou a conquistar uma nova geração. Com isso, ALL★STAR se tornou uma verdadeira febre nos anos 1980 e 1990, época da moda do conceito “vários em um”. O tênis manteve o modelo clássico, mas a sola era ligada com um zíper à parte de cima, dando a possibilidade de 3 ALL★STAR em 1. Também foi lançado o modelo original em couro - chamado de ALL★STAR 2000 - e que se tornou um sucesso entre os consumidores, vendendo mais de 1 milhão de pares. Nesta década algumas personalidades entraram para a história como adeptos dos tênis, entre eles o roqueiro Kurt Cobain, do Nirvana, e os integrantes do Ramones, que acabaram arregimentando usuários entre os fãs de suas bandas. Foi ainda nos anos de 1980, ultrapassadas quaisquer barreiras culturais e sociais, que os tênis ALL★STAR consolidam-se definitivamente como o produto democrático, que atendia a mundos diversos, chegando, inclusive, em terras brasileiras pela primeira vez, onde ficou conhecido pelo slogan “O tênis de todas as estrelas”.
Em 1992, o ALL★STAR, que já havia virado um ícone no segmento de calçados, comemorou 75 anos com 500 milhões de pares vendidos no mundo inteiro. Em 2001, a empresa sofreu com altas dívidas e suas ações chegaram a valer menos de US$ 1 na Bolsa de Valores. Tal queda lhe valeu lugar no capítulo 11 da lei americana de empresas em falência. Foi neste momento que a Converse foi assumida pelo fundo americano Footwear Acquisition, que pagou aproximadamente €125 milhões pela empresa. A produção foi transferida para a Ásia e as filiais estrangeiras foram fechadas e convertidas em distribuidores, que passaram a ter contratos de licenciamento. A empresa foi comprada pela poderosa Nike em 2003 por US$ 305 milhões, quando ainda enfrentava enormes dificuldades financeiras, basicamente pelo valor da marca ALL★STAR. Para a Nike, a compra da empresa iria ajudar a ocupar um espaço que a marca ainda não conseguiu tomar: tênis de preços mais baixo.
A partir daí a história mudou novamente. A empresa passou a receber investimentos que garantiram a criação de novos modelos e parcerias com artistas, estilistas, bandas de rock e marcas de streetwear, gerando produtos com grande apelo fashion e jovem. O CHUCK TAYLOR ALL★STAR deixou de ser apenas um tênis vintage para se tornar objeto de desejo de fashionistas e sneakerheads, continuando com essa estratégia até hoje. Nos anos seguintes, aos poucos a marca ALL★STAR foi reconquistando ex-clientes e outras várias gerações de novos consumidores. Outro fator importante para a marca voltar a ganhar força no mercado foi a melhora na distribuição. Rede seletiva para distribuir o produto, valor agregado à marca e a comunicação, além de trabalhar com formadores de opinião. Rapidamente o produto voltou a se tornar um acessório básico, um ícone da juventude descolada e moderna.
Com uma marca que gera mais de US$ 1.5 bilhões em vendas, a Nike resgatou definitivamente a marca ALL★STAR. Não apenas salvou a marca, como transformou o tênis de “bico branco” em líder entre os varejistas de muitos países. Embora a idade, a marca de tênis, uma verdadeira estrela no segmento, vestindo jovens e velhos, homens e mulheres, crianças de todos os países, nunca foi tão popular e moderna, mesmo tendo que lutar contra as diversas falsificações. Assim, a cada ano, centenas de milhões de pares foram vendidas no mundo. Mais do que um modismo, ALL★STAR se transformou em uma epidemia, que oferecia modelos de tênis em mais de cem cores e materiais diferentes. A marca também apostou em parcerias com estilistas, designers e celebridades para lançar edições limitadas deste verdadeiro ícone da cultura americana. Uma dessas novidades foi o Converse Chuck Taylor All★Star Monochrome, o clássico modelo em versões completamente monocromáticas, do cadarço à sola.
Em 2015, a marca resolveu atualizar o CHUCK TAYLOR ALL★STAR, que ganhou interior almofadado, forro de camurça micro perfurada para respirabilidade durante longos períodos de uso, língua anti-deslizante, tecido de alta qualidade, entressola totalmente branca e palmilha Lunarlon, uma espuma leve e elástica com tecnologia de amortecimento. Batizado de CHUCK II, o clássico modelo foi desenvolvido pensando no conforto. Ele calça perfeitamente no pé e ainda é fiel às suas origens. Novo, mas do jeito que todo mundo já conhece. Os novos modelos, tanto de cano baixo como alto, foram lançados nas cores preta, vermelha, azul e branca.
Essas mudanças podem ser vistas na imagem abaixo: acima o modelo original (que continua a ser produzido normalmente) e abaixo o novo design.
A evolução visual
O logotipo da marca passou por algumas alterações ao longo dos anos, como mostra a imagem abaixo. Esse logotipo é geralmente utilizado na parte inferior traseira dos tênis.
Já a imagem abaixo mostra a evolução da identidade visual utilizada nas laterais dos tênis de cano alto.
Os slogans
All★Star Stay True.
Always a Classic.
Só Converse é All★Star. (Brasil)
O tênis de todas as estrelas. (Brasil)
Dados corporativos
● Origem: Estados Unidos
● Lançamento: 1917
● Criador: Marquis Mills Converse
● Sede mundial: Boston, Massachusetts, Estados Unidos
A Converse comercializa os tênis ALL★STAR em mais de 40 mil lojas independentes em 160 países ao redor do mundo. Além disso, os tênis podem ser encontrados nas mais de 180 lojas próprias da Converse em território americano e outros países. Desde seu lançamento no mercado já foram comercializados mais de um 1.7 bilhões de pares do CONVERSE CHUCK TAYLOR ALL★STAR. Os modelos clássicos, de lona, com cano baixo, e cores tradicionais, como azul, preto e vermelho são os mais vendidos pela marca. A enorme popularidade do modelo faz com que 65% dos americanos tenham pelo menos um par de ALL★STAR. O tênis jamais esteve tanto na moda. Mais de 3.000 novos modelos são lançados a cada ano. A marca é dividida em diferentes linhas que são vendidas de forma segmentada conforme o ponto de venda: Premium para butiques altamente especializadas, Clássico para lojas multimarcas e esportivas, Rock e Militares entre os especialistas de jeans, etc. Se um CONVERSE ALL★STAR custa hoje aproximadamente US$ 45 nos Estados Unidos, ele custava somente US$ 6 em 1957.
Você sabia?
● Ao longo dos anos o tradicional tênis ganhou vários apelidos: “Cons”, “Connies”, “Convics”, “Verses”, “Chuckers”, “Chucks”, ”Chuckies”, “Chuckie T’s”, “Chucker Boots” ou “Chuck Taylors”.
● O líder da banda Nirvana, Kurt Cobain, sempre era visto com um par de ALL★STAR surrado nos pés. Como parte da comemoração do centenário da Converse, foi lançada em 2008 uma edição especial, estampada com textos e desenhos tirados do diário do cantor, que cometeu suicídio no dia 5 de abril de 1994, aos 27 anos.
● Chuck Taylor nasceu no dia 24 de junho de 1901. Ele atuou na liga estudantil de basquete e, na década de 1920, jogou por diversas equipes, como Original Celtics, Buffalo Germans e Akron Firestones. Chuck vendeu tênis e treinou equipes de basquete por toda a sua vida. Aposentado em 1968, ano em que foi indicado ao Basketball Hall Of Fame em reconhecimento a todos os seus serviços em prol do esporte, ele morreu de ataque cardíaco em 23 de junho de 1969, na Flórida.
As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Isto é Dinheiro, Época Negócios e Exame), jornais (Meio Mensagem), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas).
A CONVERSE talvez seja a mais importante marca esportiva do século 20 no mercado americano. E não é para menos: além de criar um dos tênis mais famosos de todos os tempos, o CHUCK TAYLOR ALL★STAR, foi de extrema importância para o desenvolvimento do basquete americano. Por isso ganhou a reputação de “America’s Original Sports Company” (algo como “Companhia de Esportes Original da América”). Mais de um século depois, a marca americana, que continua fazendo sucesso com seus tênis de visuais retrô e coloridos, é sempre um clássico em milhões de pés pelo mundo afora.
A história
Tudo começou no mês de fevereiro de 1908 quando Marquis Mills Converse, um respeitado ex-gerente de uma firma de calçados esportivos, depois de sofrer um tombo em uma escada, decidiu criar calçados com sola de borracha para evitar escorregões, e fundou a empresa THE CONVERSE RUBBER COMPANY na pequena cidade de Malden, estado americano de Massachusetts, tendo como objetivo produzir tênis com solado de borracha para homens, mulheres e crianças. Um ano mais tarde 15 empregados produziram seus primeiros pares de tênis, que eram vendidos diretamente para lojas na cidade de Boston, uma ousadia para a época, pois ele ignorava um acordo vigente no mercado que impedia que as empresas fizessem negócio diretamente com seus varejistas. Pouco depois, em 1910, a empresa já empregava 360 pessoas, produzia 4.000 pares de tênis por dia e possuía 14 representantes de venda promovendo seus produtos. Os primeiros catálogos se gabavam ao dizer quantos caminhões haviam saído da fábrica da empresa para entregar os produtos diretamente para lojas. Foi somente em 1915 que a empresa passou a produzir os primeiros pares de tênis para a prática de esporte em geral.
Pouco depois, em 1917, a história da CONVERSE começaria a mudar com o lançamento no mercado do primeiro modelo de tênis para a prática de basquete, um esporte ainda em desenvolvimento, mas cuja popularidade começava a aumentar. Confeccionado em lona, com sola grossa e biqueira de borracha, o novo modelo batizado de CONVERSE ALL★STAR, se tornaria um dos calçados esportivos mais famosos de todos os tempos. Em 1921, o jogador de basquete Charles “Chuck” Taylor foi recrutado para representar e vender o modelo, viajar pelo país e “evangelizar” os demais jogadores de basquete. Nesse mesmo ano, ele sugeriu novas ideias para uma versão do ALL★STAR: acrescentou fissuras no solado (em formatos de diamantes), para diminuir a derrapagem nas quadras, proporcionando assim mais tração; e adicionou uma proteção no calcanhar para melhorar o apoio e proteção ao tornozelo dos jogadores. Lançado em 1923, o CONVERSE ALL★STAR com sua assinatura foi um sucesso instantâneo, sendo o único tênis usado por todos os jogadores de basquete, quer seja profissional ou universitário. O tênis foi o primeiro modelo produzido para o mercado de massa americano.
No ano de 1933 a empresa foi comprada pela família Stone. Durante a Segunda Guerra Mundial, a empresa passou a produzir calçados especiais, roupas, botas para pilotos e soldados, jaquetas e roupas de proteção de borracha para as forças armadas americanas. O design básico, o conforto, a durabilidade e funcionalidade foram características que determinaram a escolha do CONVERSE ALL★STAR como calçado oficial do exército americano durante o conflito. Depois de terminada a guerra a CONVERSE continuou desenvolvendo sua linha de tênis. No período de 1946 a 1949, inaugurou duas grandes fábricas na região de New Hampshire para atender a crescente demanda por seus produtos. Em 1953 inaugurou a Coastal Footwear Corporation na cidade de Canovans em Porto Rico, iniciando assim seus primeiros passos para a expansão internacional.
Com o surgimento do Rock & Roll nesta década, seus seguidores utilizavam uma espécie de uniforme: jaqueta de couro, calça jeans e tênis de cano alto. E foi justamente por causa dos fãs do rock que a CONVERSE e seus tradicionais tênis de cano alto, divulgados com o slogan “It’s Converse for Comfort” se tornaram ainda mais populares nos Estados Unidos, e posteriormente no mundo. Nos anos de 1960 a marca promoveu seus tênis como parte do autêntico estilo de vida americano nas escolas e faculdades, arregimentando assim uma multidão de jovens consumidores. Foi também nesta década, em 1966, que por pressão das equipes profissionais de basquete, a CONVERSE começou a produzir o famoso ALL★STAR em outras cores, além das tradicionais preta e branca, e lançou o modelo de cano baixo. Com isso, o icônico tênis já estava sendo usado por 90% dos jogadores de basquete profissionais e universitários.
A CONVERSE adquiriu, no ano de 1972, em mais uma grande jogada de marketing, os direitos do tênis assinado pelo campeão mundial de badminton na década de 1930, o canadense Jack Purcell. O famoso tênis tinha sido lançado em 1935 e pertencia a B.F. Goodrich. Rebatizado de CONVERSE JACK PURCELL o tênis se tornou um enorme sucesso que perdura até os dias de hoje. Ainda neste ano a CONVERSE foi comprada pela Eltra Corporation que tinha a intenção de expandir ainda mais o negócio, explorando a enorme popularidade da marca ALL★STAR. Pouco depois, em 1974, foi lançado o CONVERSE ONE STAR, um calçado que se tornou a escolha preferida dos skatistas. Em 1976 surgiu o CONVERSE PRO LEATHER, um modelo em couro que se tornou o favorito em um momento em que o basquete precisava de uma vibração. Enquanto o Pro Leather dominava as quadras de basquete profissionais, a CONVERSE inaugurava um dos primeiros laboratórios de biometria da indústria.
Apesar de tantas novidades, esta década foi a mais difícil na história da CONVERSE, pois com o incremento das importações e o alto custo das matérias-primas, a empresa precisou cortar custos fechando várias fábricas e finalizando algumas linhas de produtos. Para piorar ocorreu o surgimento no mercado americano de outras marcas rivais como Puma, Nike, Adidas e Reebok, onde justamente a CONVERSE praticamente reinava absoluta. Mesmo assim a empresa continuou inovando com o lançamento do ALL★STAR feito em camurça colorida com uma grande e imponente estrela na lateral, que era perfeito para o basquete, mas tinha algo a mais naquela dureza e naquele brilho que o tornava irresistível para toda uma geração de roqueiros, skatistas e almas rebeldes. No final desta década, em 1979, a empresa foi vendida novamente para a Allied Corporation.
Nos anos seguintes, suas vendas e lucros aumentaram significativamente. Em 1983 lançou ações na Bolsa de Valores; em 1984 foi patrocinadora oficial das Olimpíadas de Los Angeles, onde o time de basquete masculino americano ganhou medalha de ouro calçando CONVERSE e; em 1986, foi adquirida pela Interco Incorporated. Nesta época a empresa lançou no mercado a linha CONVERSE THE WEAPON, composta por tênis para basquete em couro branco de cano alto com várias combinações de cores, semelhantes às das equipes da liga profissional americana. Já no Brasil, a marca conquistou grande popularidade, afinal era comum ver roqueiros e artistas de televisão – como Cazuza e Débora Bloch – desfilando com ALL★STAR nos pés.
Depois de anos com as vendas em declínio, a empresa acabou pedindo concordata em janeiro de 2001 e foi adquirida pela poderosa Nike no dia 9 de julho de 2003 por US$ 305 milhões, basicamente pelo valor da marca ALL★STAR, um produto que é o oposto dos tênis da Nike: sem tecnologia o tênis é um dos mais simplórios do mercado. Muito mais que uma marca, ao comprar a CONVERSE a Nike passou a ser proprietária de um ícone que há quase um século faz sucesso tanto dentro como fora das quadras esportivas. A marca adotou então um novo posicionamento de mercado, focado na volta às raízes, vendendo a história e o conceito original para as novas gerações, além de introduzir uma infinidade de novos modelos. A CONVERSE também estendeu sua linha de produtos com o lançamento de roupas, meias, mochilas, malas, bonés e até uma linha de relógios.
Também investiu no lançamento de linhas de produtos com colaborações de grandes artistas, estilistas, esportistas e celebridades, como John Varvatos e Dwyane Wade (primeira linha assinada de basquete da marca, desde o Chuck Taylor All★Star). Em 2008, a empresa inaugurou sua divisão de skateboard que, no Brasil, oferece mais de 30 modelos de tênis exclusivos para os skatistas com a marca CONS. Atualmente a marca mantém o CONS SKATE TEAM, uma equipe de talentosos skatistas patrocinada pela CONVERSE. Mais recentemente investiu em campanhas publicitárias ousadas, como por exemplo, a que apregoava o slogan “Shoes keep it clean. Sneakers get dirty”, que apostava no charme e no lado cool dos tênis velhos, usados e sujos. Aqueles com muitos anos de vida e muitas histórias para contar. Com isso a CONVERSE passou a oferecer modelos “pré-sujos” de fábrica. Em 2015, começou uma nova história. Continuando sua tradição de inovar, a marca ousou ao lançar o CHUCK II, o icônico modelo Chuck Taylor All★Star com uma pisada diferente e o visual que nunca saiu e nem sairá dos seus pés. O novo modelo ganhou interior almofadado, forro de camurça micro perfurada para respirabilidade durante longos períodos de uso, língua anti-deslizante, tecido de alta qualidade, entressola totalmente branca e palmilha Lunarlon, uma espuma leve e elástica com tecnologia de amortecimento.
A evolução visual
Ao longo de sua história a CONVERSE modificou por várias vezes o visual de seu logotipo, mas nunca deixou de lado a tradicional estrela.
Há alguns anos atrás a marca modificou novamente seu logotipo: a tradicional estrela foi posicionada dentro na letra O.
Um dos maiores ícones da marca, o símbolo conhecido como “Chevron and Star” (imagem abaixo), aplicado em muitos de seus calçados, foi criado na década de 1970 por Jim Labadini, um empregado da empresa na época.
Os slogans
Made by you. (2015)
Shoes are boring. Wear sneakers. (2013)
Shoes keep it clean. Sneakers get dirty. (2013)
Everyone is a star.
It’s Converse for Comfort. (década de 1950)
Dados corporativos
● Origem: Estados Unidos
● Fundação: 1908
● Fundador: Marquis Mills Converse
● Sede mundial: Boston, Massachusetts, Estados Unidos
● Proprietário da marca: Converse Inc.
● Capital aberto: Não (subsidiária da Nike Inc.)
● CEO: Jim Calhoun
● Faturamento: US$ 2 bilhões (2014)
● Lucro: Não divulgado
● Lojas: 90
● Presença global: 160 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários: 600
● Segmento: Moda esportiva
● Principais produtos: Calçados, roupas e acessórios
Atualmente a CONVERSE oferece um diverso portfólio de produtos, desde calçados e roupas até acessórios, comercializado em mais de 160 países, tendo nos tênis ALL★STAR seu carro-chefe. A marca possui ainda uma pequena rede de lojas próprias com mais de 90 unidades em território americano, onde é possível encontrar toda sua linha de produtos. Em 2014 a CONVERSE contribuiu com aproximadamente 7% do faturamento global da Nike, ou seja, US$ 2 bilhões.
Você sabia?
● Desde seu lançamento no mercado já foram comercializados mais de um 1.3 bilhões de pares do CONVERSE CHUCK TAYLOR ALL★STAR.
As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Meio Mensagem), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).
“If you have a body, you are an athlete”. Em português, “Se você tem um corpo, você é um atleta”. Pode parecer um exagero, mas não é. É verdade. Mesmo você, que não faz exercício físico, sabe disso. Já se você faz qualquer atividade física, sabe melhor do que ninguém que a afirmação é rigorosamente verdadeira. Seja como for, mais que uma simples frase, ela é a síntese da missão da NIKE que há mais de 45 anos atrás produzia tênis e hoje fabrica desejos. Quem os compra, leva de brinde todo um ideal de vitória. Mesmo que não ganhe uma medalha sequer, em qualquer competição esportiva. Tênis e uma centena de outros produtos esportivos são apenas um endosso. Seu logotipo, que não carrega mais o nome da marca, dispensa explicação. Talvez seja a mais contundente e representativa síntese gráfica de uma marca. Nenhuma outra marca ligada aos esportes voou tão alto nas asas de sua originalidade e relação com seus consumidores. O slogan “Just do it” passa ideia de simplicidade. Mas não é tão fácil assim inovar e se manter no topo por tanto tempo. No entanto, é o que a NIKE faz. E há décadas. NIKE é um mito que patrocina mitos.
A história
A ideia de criar a NIKE surgiu de um projeto de MBA de Phil Knight, um ex-atleta de corridas de média distância da universidade de Oregon, enquanto este frequentava o curso de gestão administrativa da tradicional universidade de Stanford. Ele acreditava que, ao importar tênis que eram fabricados no Japão, utilizando mão-de-obra barata, poderia conquistar uma parcela de mercado da marca alemã Adidas. Começou então pelos tênis de atletismo. Em 1963 foi ao Japão negociar com a marca Onitsuka Tiger (a atual Asics) a importação e representação de tênis para atletismo, com o objetivo de introduzi-los no mercado americano, que até aquele momento era dominado por marcas alemãs. No ano seguinte a primeira remessa de 300 pares da Tiger chegava à cidade de Portland, no estado de Oregon, costa oeste dos Estados Unidos, em nome da empresa Blue Ribbon Sports, que Phil Knight e Bill Bowerman, seu treinador de atletismo na universidade de Oregon, haviam criado no dia 25 de janeiro com apenas US$ 1.000 e um aperto de mão. No primeiro ano de existência a empresa faturou US$ 8.000.
Bill Bowerman prontamente modificou o modelo, incorporando ao tênis a primeira entressola completamente acolchoada, inovação radical para a época. O tênis caiu no gosto do público e tornou-se o modelo da Tiger mais vendido em 1968. A dedicação à corrida era tanta que ambos sentiram a necessidade de um tênis que pudesse contribuir para a melhoria do desempenho dos atletas. Bowerman decidiu então, em 1970, testar um solado de forma inusitada, mas que acabou dando certo: em sua cozinha despejou borracha na chapa de waffles da esposa para criar um solado melhor, mais leve e durável. Surgia então um tênis com uma sola leve e ondulada, muito mais aderente e considerada revolucionária para a época. A dupla então começou a produzir seus próprios tênis.
Esta parceria não poderia ser melhor, além de grandes amigos, ambos entendiam do negócio que estavam começando. Enquanto Phil vendia os tênis no porta-malas de seu carro nas competições de atletismo realizadas pelo território americano, Bill cuidava do desenvolvimento e design de novos modelos. A partir daqui a tecnologia ligada ao esporte nunca mais seria a mesma. Mas os novos tênis com a primeira entressola inteiriça da história, que seriam produzidos inicialmente no México, precisavam de uma marca.
E isto aconteceu no ano de 1971, quando a jovem estudante de design gráfico, Carolyn Davidson, criou em 17 horas e 30 minutos e por míseros US$ 35 o famoso símbolo da marca, chamado Swoosh. O nome Nike surgiu logo depois e foi por sugestão de Jeff Johnson, ex-rival de Phil nas pistas de atletismo e primeiro funcionário da Blue Ribbon Sports, que havia sonhado com a Deusa grega da vitória, “Niké” (pronuncia-se niqué), representada como uma jovem alada. Diziam os gregos que a Deusa podia voar e correr em grandes velocidades. E nada mais apropriado para a nova marca que surgia.
Com isso, a empresa passou a ser oficialmente chamada de NIKE INC. em 30 de maio de 1971. E o primeiro grande lançamento foi o NIKE CORTEZ, primeiro tênis de corrida produzido pela empresa, confeccionado em náilon e camurça, e que desde então se tornou um símbolo dentro da NIKE. O tênis foi batizado com o nome do conquistador espanhol Hérnan Cortez que dominou o México no século XVI. Desde gangues em Los Angeles, descendentes de mexicanos, motoqueiros, grafiteiros, artistas e roqueiros, muita gente adotou o modelo como “tênis oficial” nos anos de 1980 e 1990.
Já a primeira aparição oficial da marca em eventos esportivos foi em 1972, nas classificatórias olímpicas realizadas no estado do Oregon. Os atletas da maratona que usaram o tênis NIKE CORTEZ classificaram-se entre o 4º e o 7º lugar, enquanto os atletas da marca Adidas conquistaram os três primeiros lugares. Para promover a marca, a empresa confeccionou camisetas distribuídas durante as eliminatórias, sendo o primeiro item de vestuário da NIKE. Desde os corredores até fãs e juízes usaram as camisetas. Foi neste mesmo ano que o Canadá se tornou o primeiro país estrangeiro a receber os produtos da marca. Neste período Bowerman melhorou o material das solas utilizando borracha mais flexível, mais elástica e menos compacta. E isso propiciou o lançamento em 1974 do NIKE WAFFLE TRAINER, um tênis para treinamento com o tradicional solado waffle. No ano seguinte a empresa lançou o NIKE ELITE, tênis de corrida que rapidamente se tornou um dos mais estrondosos sucessos da marca. Com isso, em 1976, nas eliminatórias olímpicas americanas na cidade de Eugene, os tênis NIKE já eram vistos em abundância nos pés de jovens promessas do atletismo.
O final da década foi repleto de novidades. Primeiro, em 1977, com a criação do NIKE AW77, um agasalho clássico de meio zíper com capuz estilo mergulhador com camadas múltiplas. O AW77, que significa “Athletics West 1977”, primeira organização americana apoiada pela NIKE, e que prestava suporte aos atletas americanos para que pudessem se dedicar inteiramente a seus treinamentos, foi criado por Geoff Hollister, terceiro funcionário na história da empresa. E depois, em 1978, com o lançamento da primeira linha de calçados da marca voltada para o público infantil; e do NIKE WINDRUNNER, o tradicional agasalho de náilon para corrida, desenvolvido para resistir ao clima (chuva e vento) e oferecer condições máximas de desempenho aos atletas. Sua verdadeira expansão internacional começou ainda em 1978 com o ingresso no mercado sul-americano e distribuição dos produtos no continente europeu. Este ano foi marcante, pois mesmo que de forma tímida, a empresa criou o departamento de futebol e assinou um contrato para fornecer material esportivo com o time profissional de Portland.
Nos dois anos seguintes, a NIKE assinou contratos com dez associações regionais e quase 40 jogadores. O ano de 1980 foi marcado pela inauguração do primeiro laboratório de pesquisa e desenvolvimento da empresa, onde era possível testar vários aspectos da biomecânica e da fisiologia do corpo humano para desenvolver novos produtos. Pouco depois, em 1982, ingressou no mercado europeu de futebol ao assinar contrato com o lendário artilheiro Ian Rush, primeiro astro do esporte a entrar para a NIKE FUTEBOL, e com o Sunderland F.C., que se tornou o primeiro time europeu a vestir um uniforme criado pela NIKE. Nesse mesmo ano firmou contrato de patrocínio com o time francês do Paris Saint-Germain. Também lançou novidades, como o NIKE AIR FORCE I, primeiro tênis de basquete a utilizar a tecnologia Air, e o NIKE AIR ACE, voltado para a prática do tênis. Nesta época a empresa já possuía uma linha de tênis com mais de 200 modelos.
Em 1983, a marca lançou o NIKE PEGASUS, tênis mais celebrado entre os corredores, amadores e profissionais, e o mais vendido de todos os tempos. O agora clássico tênis tem seu nome em homenagem ao Pegasus, cavalo alado divino da mitologia grega, e que tinha como objetivo ser um tênis de corrida para todo o tipo de corredor proporcionando leveza, rapidez e amortecimento de qualidade. O tênis pesava apenas 283 gramas, custava US$ 50 e foi concebido por Mark Parker, atual Chairman da empresa, mas então designer de tênis, e Bruce Kilgore, designer responsável pelo Air Force 1. Em 1987, a febre do amortecimento AIR entre os corredores levou a empresa a incorporar a tecnologia no tênis e a mudar o nome para NIKE AIR PEGASUS. Esta década ainda foi marcada por grandes sucessos, principalmente com os lançamentos dos tênis NIKE AIR e AIR JORDAN, que se tornaram objetos de desejo entre os jovens do mundo inteiro e impulsionaram consideravelmente as vendas da empresa. E, em 1988, a NIKE ingressou no segmento de calçados não esportivos ao adquirir a Cole Haan, uma marca Premium de sapatos e acessórios, que a empresa venderia no final de 2012.
No início dos anos de 1990, a NIKE sentiu a necessidade de maior poder e controle no varejo e iniciou a inauguração de suas lojas conceito, batizadas de NIKETOWN. Além disso, em 1991, lançou a linha de acessórios FIT, cujas peças utilizavam uma malha têxtil de alta tecnologia. Ainda nesta década o futebol se tornou extremamente importante para a empresa, tanto em faturamento como em seus planos de expansão internacional. E foi por isso, que em 1996, a NIKE investiu na qualidade das chuteiras e inaugurou uma moderna fábrica para produzir esses calçados na antiga cidade de Montebelluna, na Itália. De lá sairia a chutaria Air GX, em 1997. Essas instalações continuam sendo fundamentais para desenvolvimento e testes, bem como para todos os grandes projetos de chuteiras, incluindo a Magista Obra e a Mercurial Superfly, lançadas em 2014.
Depois de passar por um período difícil entre 1993 e 1997, devido a um plano de expansão e acusações de utilização de mão de obra infantil em suas fábricas no continente asiático, o que levou a uma forte queda nas vendas e consequentemente no faturamento, a NIKE se reposicionou: “decidimos que éramos uma empresa de artigos esportivos e não apenas uma empresa de calçados”, afirmou Phil Knight tempos depois. Além disso, a NIKE resolveu entrar para valer na briga direta pelo bilionário mercado de futebol, esporte mais popular do planeta. A nova visão traduziu-se em contratos de publicidade e patrocínios que tinham como objetivo alcançar uma audiência esportiva mais ampla, patrocinando assim atletas individuais, como o jogador de golfe Tiger Woods.
Mas este período também foi repleto de lançamentos como a NIKE AIR DESCHUTZ (1994), uma sandália feita em borracha que se tornou um dos produtos mais vendidos da marca; o NIKE ZOOM AIR (1995), sistema de amortecimento de baixo perfil que oferecia proteção contra impactos; a NIKE EYEWEAR (1996), uma linha de óculos esportivos modernos e arrojados; o NIKE TRIAX (1997), primeiro relógio especificamente desenvolvido para atletas, que continha a caixa “torcida” para se adaptar melhor ao pulso; e as famosas bolas de golfe da marca (NIKE GOLF BALLS), introduzidas em 1998.
O ano de 2000 começou com grandes novidades: o lançamento da tecnologia SHOX, um sistema de amortecimento extremamente moderno que utilizava colunas em forma de molas nos solados dos tênis; e do SWIFT SUIT, uma roupa para atletismo que reduzia o atrito com a pele em até 7%, podendo assim representar uma melhora de 0,02 segundos em uma prova de 100 metros rasos. A roupa, um estranho macacão com capuz, criada para facilitar a aerodinâmica do corpo nas provas de curta distância, se tornou sensação nas Olimpíadas de Sydney. Além disso, em 2001, a marca inaugurou a NIKE GODDESS, uma loja totalmente voltada para o público feminino, que abriu sua primeira unidade na cidade californiana de Newport Beach. Em 2004, essa rede de lojas seria renomeada passando a chamar NIKEWOMEN. E, em 2002, lançou seus primeiros tacos de golfe profissionais. O esporte se tornou tão importante para a empresa que foi criada uma divisão chamada NIKE GOLF, atualmente a maior do mundo no segmento, com faturamento superior a US$ 900 milhões. Essa divisão vende calçados, roupas e acessórios para a prática do golfe.
Este período foi marcado também por grandes aquisições. Como por exemplo, no mês de fevereiro de 2002 quando anunciou a compra da marca de roupas e equipamentos de surfe Hurley (vendida pela empresa em 2019). E no ano seguinte, quando adquiriu por US$ 305 milhões a tradicional Converse, fabricante do popular tênis All Star (conheça a história dessa marca aqui). A compra da marca All Star iria ajudar a ocupar um espaço que a empresa ainda não havia conseguido se fixar: tênis de preço mais acessível. Nesta época, a NIKE se tornou verdadeiramente uma marca global, com o faturamento mundial superando o do mercado americano.
A campanha Joga Bonito, lançada em 2006, foi um sucesso mundial para a NIKE. Nela, o ex-jogador francês Eric Cantona, frustrado com os aspectos negativos do futebol, cria uma emissora para transmitir seu próprio manifesto defendendo os atributos que podem salvar o esporte que ele ama: honra, garra, habilidade, alegria e espírito de equipe. Para tanto, ele contou com a ajuda de craques como os brasileiros Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno, o francês Thierry Henry e o inglês Wayne Rooney. O sucesso da campanha foi refletido em números: a marca vendeu mais de 2.4 milhões de uniformes e aproximadamente 23 milhões de pares de chuteiras em todo o mundo, consolidando assim uma posição de liderança, ao lado da rival Adidas, no segmento de futebol. E o ano também foi marcado por grandes lançamentos: NIKE AIR MAX 360, um tênis revolucionário que não possuía entressola, apenas ar; e NIKE+ iPod SPORT KIT, um sistema sem fios que permitia que o tênis NIKE+ se comunicasse com o iPod Nano, fornecendo dados sobre a corrida do atleta.
Em 2007 a empresa surpreendeu o mundo ao adquirir por US$ 582 milhões a tradicional Umbro, marca britânica com uma sólida herança e com uma profunda experiência no esporte mais popular do mundo e no maior mercado de futebol do planeta, acirrando ainda mais a guerra com a rival Adidas. A Umbro seria vendida poucos anos depois, em 2012. Ainda este ano a empresa deu mais uma demonstração de ousadia e inovação ao lançar o NIKE AIR NATIVE N7, um tênis desenhado especificamente para os índios americanos, atendendo os requisitos de forma e largura dos pés dos nativos, com design inspirado em sua cultura. Para desenvolver o primeiro tênis para uma etnia ou raça específica, foram realizadas pesquisas com 200 índios de 70 tribos norte-americanas antes do lançamento do produto.
Em 2008, os Jogos Olímpicos na China serviram de palco para a apresentação da avançada tecnologia FLYWIRE, que demorou sete anos para ser desenvolvida e se inspirou em pontes suspensas, que utilizam cabos para dar solidez às suas estruturas. Em vez de se apoiar em camadas de tecidos para estruturar o calçado, o sistema usa a costura de fios finos e super-resistentes. Além de permitir a combinação de leveza com resistência, a Flywire utiliza um método de produção com máquinas de costura automatizadas. Hoje, essa tecnologia é utilizada em vários produtos, inclusive os tênis de basquete. O ano também foi marcado pelo lançamento do NIKE ZOOM VICTORY, tênis de corrida mais leve do mundo na época, pesando apenas 93 gramas, e que possuía pinos no solado, corpo feito de náilon plastificado e sustentado por dezenas de fios de carbono. O tênis era 27 gramas mais leve que seu antecessor (a sapatilha GOLDEN) que ajudou o americano Michael Johnson a ganhar medalhas de ouro nas provas de 200 e 400 metros nas Olimpíadas de Atlanta em 1996.
Em 2015 a empresa lançou o aplicativo NIKE SNKRS, direcionado para apaixonados por “sneakers” (termo em inglês que significa “tênis”. Mas não é qualquer tênis. Sneakers contam histórias através de seu design). Esse aplicativo é o espaço da NIKE para apaixonados por tênis, onde é possível encontrar os melhores lançamentos, ofertas exclusivas e conhecer histórias. É uma plataforma para os lançamentos mais disputados da marca. O serviço foi lançado em 2018 no Brasil e estreou com a venda exclusiva do THE TEN: BLAZER MID, tênis da recém-lançada Queen Collection, linha assinada pelo estilista Virgil Abloh da Off-White e Louis Vuitton em homenagem a tenista Serena Williams.
Atualmente a NIKE trabalha com duas grandes categorias de produtos: Performance (produtos para uso esportivo) e Sports Culture (produtos para uso casual inspirados no esporte). E um de seus mais recentes lançamentos atende pelo nome de NIKE ROSHE FLYKNIT, um tênis cujos designers da empresa conseguiram criar um estilo dinâmico ao reunir 12 cores diferentes de fios que foram trabalhados em ordem aleatória para criar os cabedais, fazendo com que não existam dois tênis exatamente iguais. Focando apenas no que é realmente necessário, esse modelo não tem adornos, apenas as necessidades básicas de um calçado, proporcionando respirabilidade e amortecimento ultraleve em um design minimalista para todas as ocasiões.
Por tudo isso, a NIKE pertence àquele seleto time de marcas reputadas por revolucionar o setor em que operam. Maior fabricante mundial de artigos esportivos, a empresa foi pioneira no movimento de terceirização da produção, que acabou por se tornar um padrão global. Sem fábricas próprias, a NIKE passou a se concentrar na inteligência de marketing, design e inovação. Também transformou sua marca em um ícone mundial “ao casar” cultura popular com esportes e elevar o culto ao atleta a um ponto nunca antes imaginado. Nesse processo, criou o marketing esportivo moderno e produziu uma legião de milionários e vitoriosos. Tênis inspirados em pontes. Laboratórios que aplicam tecnologia espacial. Funcionários livres para treinar a qualquer hora do dia. A NIKE é realmente uma empresa diferenciada.
A linha do tempo
1971
● Lançamento da chuteira THE NIKE, primeira tentativa da empresa em ingressar no mundo do futebol. O calçado que custava US$ 16.95 não era muito resistente a climas frios e úmidos, e logo foi “jogado pra escanteio” enquanto a empresa se concentrava em calçados para corrida, tênis e basquete.
1972
● Introdução de sua primeira linha de calçados, entre eles o conhecido “Moon Shoe”, com seu solado baseado em “waffles”, distribuído largamente em competições eliminatórias de atletismo pelos Estados Unidos.
● Lançamento do NIKE BLAZER MID, tênis inspirado em um modelo utilizado pelo jogador de basquete George “Iceman” Gervin da equipe do San Antonio Spurs durante a década de 1970.
1979
● Lançamento oficial do NIKE TAILWIND, primeiro tênis com bolsas de ar no solado. Os famosos tênis haviam estreado no dia 30 de novembro de 1978 na maratona de Honolulu nos pés de pouquíssimos e selecionados atletas.
● Lançamento do NIKE APPAREL, a linha de acessórios, vestuário e equipamentos da marca.
1980
● Lançamento oficial do NIKE SHARK, primeira chuteira desenvolvida para ser utilizada em grama natural ou artificial.
1985
● Lançamento do AIR JORDAN, um tênis para a prática do basquete e primeiro produto de uma extensa linha com a assinatura do jogador de basquete Michael Jordan. Até hoje, a linha AIR JORDAN continua sendo uma das mais rentáveis para a empresa.
● Lançamento do NIKE DUNK, um tênis de basquete que se tornou uma verdadeira febre entre as equipes universitárias americanas da época. O modelo foi relançado em 1998 e se tornou um ícone da marca, presença constante desde então nos pés de skatistas até em quadras de basquete.
1986
● Lançamento das linhas de vestuário e equipamentos para basquete e tênis, endossadas pelos atletas Michael Jordan e Jonh McEnroe, respectivamente.
1987
● Lançamento dos tênis NIKE AIR e AIR CROSS TRAINING, este último voltado para a prática da ginástica aeróbica.
1988
● Lançamento do NIKE AIR STAB, um tênis que utilizava a nova tecnologia de estabilização chamada Footbridge.
1991
● Lançamento do NIKE AIR HUARACHE, tênis criado por Tinker Hatfield, designer responsável por calçados de grandes sucessos da empresa. O tênis tinha como foco ser confortável e adaptável.
1992
● Lançamento das primeiras luvas para a prática de futebol americano. O acabamento Supertack na palma da mão, em couro, estabeleceu um novo padrão de aderência.
1997
● Realiza testes de resistência com jogadores para criar uma chuteira premium, feita de um novo tipo de couro sintético, o primeiro do gênero no mercado. Os atletas gostaram tanto da chuteira que se recusaram a devolvê-la. No ano seguinte, na França, a nova chuteira NIKE MERCURIAL estreou nos pés de Ronaldo. A chuteira era a mais leve do mundo na época, proporcionando mais aderência e consequentemente maior velocidade e precisão no chute.
1998
● Lançamento da NIKE AIR ZOOM M9, primeira chuteira feminina assinada pela jogadora americana de futebol Mia Hamm.
1999
● Lançamento do NIKEID.com, um site que disponibilizava vários modelos de tênis, malas e relógios com inúmeras opções de personalização, permitindo ao cliente adaptar o modelo com suas próprias especificações, escolhendo as cores e o estilo que expressavam sua identidade. “Just do it - yourself” era a mensagem da NIKE para os consumidores que procuravam produtos personalizados.
2000
● Lançamento do NIKE AIR PRESTO, um revolucionário tênis de corrida, disponível em seis tamanhos diferentes e várias cores.
2002
● Lançamento da NIKE COOL MOTION, uma tecnologia inovadora, aplicada em roupas, baseada no conceito de duas camadas. A camisa e o calção apresentam dois tecidos, um que fica em contato com a pele e tem a tecnologia DRI-FIT, e um externo, impermeável, com elasticidade e recortes em mesh (tecido com orifícios), que maximizam a regulagem térmica através do movimento do jogador.
● Lançamento do NIKE GO, um programa comunitário que visava incentivar a prática de atividade física entre os jovens americanos.
● Lançamento da NIKE SB (abreviação de “skateboarding”), uma linha de calçados especificamente desenvolvida para skatistas, que incorporava tecnologia Zoom Air no solado e língua acolchoada. Nos anos seguintes a linha passou a contar também com vestuário e equipamentos.
2004
● Lançamento da NIKE TOTAL 90, uma avançada linha de bolas, chuteiras e roupas voltadas para o futebol.
2005
● Lançamento da NIKE HERITAGE, uma linha de calçados, vestuário e equipamentos que expressa a identidade da marca ao longo de sua história.
● Lançamento do NIKE FREE, tênis que permitia total sensibilidade e flexibilidade em alto desempenho.
● Lançamento da NIKE MAXSIGHT, lentes de contato coloridas anti-reflexo para utilização em vários esportes.
2008
● Lançamento do NIKE LUNARLITE, um tênis composto de espuma especial (inspirada na chegada do Homem à Lua), que permite corridas com menor desgaste físico.
● Lançamento do AIR JORDAN XX3, um tênis de basquete que utiliza as mais avançadas tecnologias para comemorar os 23 anos de total supremacia do maior jogador de basquete da história.
2009
● Lançamento da PRO COMBAT, uma nova linha de produtos para esportes de contato composta por acessórios que se ajustam perfeitamente ao corpo do atleta, mantendo-o sempre seco, protegido e com total liberdade de movimentos.
2011
● Lançamento do NIKE LUNAR ELITE+2, um tênis de velocidade que reúne estabilidade e agilidade para uma corrida mais rápida. O tênis tem como principal característica a entressola mais baixa, feita com espumas de menores densidades que proporcionam estabilidade e uma resposta mais rápida nas corridas em velocidade.
2013
● Desenhada para uma nova estirpe de atacantes, a chuteira HYPERVENOM foi lançada para ajudar os jogadores a criar espaço mais rapidamente e conseguir chutar de qualquer ângulo. Para enfrentar a crescente velocidade do jogo, a NIKE contou com as opiniões de Neymar e Wayne Rooney. A inovação NIKESKIN, cujo cabedal de trama flexível, unido por uma fina camada de poliuretano, garante a sensação mais próxima possível de se jogar descalço.
2014
● Lançamento da linha HYPERWARM FLEX, cuja tecnologia aplicada em tecidos (especialmente roupas de baixo de alta performance esportiva) responde à necessidade de atletas para ter proteção, flexibilidade e conforto em climas frios.
● Lançamento das revolucionárias chuteiras de cano alto, com cabedais Flyknit: a MAGISTA e a MERCURIAL SUPERFLY.
2017
● Lançamento do tênis NIKE ZOOM VAPORFLY 4%, que se tornou preferência dos fundistas mais rápidos do mundo. O modelo, que dominaria os pódios das principais maratonas ao redor do mundo, apresentava espuma Nike ZoomX ultraleve, macia e capaz de oferecer até 85% de retorno de energia a cada passada. Além disso, o tênis tinha placa de fibra de carbono curva inserida em toda a sua extensão, aumentando a firmeza e propulsão.
● Lançamento de uma linha de roupas plus size, que apresentou novos tamanhos em mais de 200 produtos.
2019
● Lançamento do tênis NIKE ADAPT HUARACHE, equipado com tecnologia “Nike Adapt”. Com o aplicativo instalado no iPhone, é possível alargar, apertar, amarrar e desamarrar os calçados apenas com o controle de voz da Siri ou de algum dispositivo de voz como o Google Home Hub. O tênis traz design inspirado em odes aquáticas. A maior novidade do modelo são luzes de LED em sua lateral que também podem ser articuladas pelo aplicativo NikeFitAdapt.
2020
● Lançamento do NIKE OFFLINE, novo modelo de sapatos confortáveis que têm como único objetivo permitir que seus usuários tenham uma experiência confortável independente do que estejam fazendo. O modelo, disponível nas versões preto e branco, apresenta duas entressolas sensoriais intercambiáveis que podem ser trocadas de acordo com o humor ou nível de estresse. A primeira oferece um tipo de massagem para aliviar a tensão, enquanto a outra é uma opção diária com um “padrão de protuberância de maior volume” para uso prolongado.
Nike Air: a lenda
Em toda empresa sempre existe um produto que marca literalmente sua história. Revolucionário, pioneiro e campeão de vendas. Na NIKE não foi diferente. A empresa não seria o que é hoje se não fosse NIKE AIR. Esta tecnologia revolucionária e exclusiva de amortecimento começou a ser desenvolvida em 1978, oferecendo excelente amortecimento e maior leveza aos atletas. A bolsa em poliuretano de ar (em substituição a espuma) era embutida na entressola do tênis, oferecendo uma solução durável, leve e versátil. Como a bolsa de ar não era visível, sua existência era indicada pela palavra AIR. Este sistema foi desenvolvido por Frank Rudy, um ex-engenheiro aeroespacial da NASA e maratonista. Após aperfeiçoamentos necessários, foi lançado em 1979 o modelo NIKE AIR TAILWIND.
Essa tecnologia não parou de ser desenvolvida e aperfeiçoada, até que no dia 26 de março de 1987 surgia finalmente o famoso NIKE AIR MAX 1 pelas mãos do ex-atleta e arquiteto Tinker Hatfield que projetou o modelo que revolucionaria o mercado e mudaria a história da NIKE. A força bruta e repetitiva do esporte poderia ocasionar sérios danos ao corpo e ao desempenho do atleta. Para absorver e dispersar a força destes impactos, a NIKE desenvolveu bolsas de grande volume, compostas por câmaras de ar. Sob a forma de uma pequena janela na sola, fez-se visível o invisível, e o sistema de amortecimento a ar mudou para sempre a forma como a NIKE criava seus tênis. Tinker usou a ousada arquitetura do Centro Pompidou como fonte de inspiração para cortar a entressola de espuma e dar visibilidade a uma tecnologia antes invisível. Um detalhe curioso: muitas pessoas tinham medo que seus tênis explodissem nos pés, como uma espécie de plástico bolha. O que obviamente não acontecia. A composição do AIR não era a mesma do ar que respiramos. A princípio as cápsulas continham hexafluoreto de enxofre, substituído anos depois por nitrogênio.
Em 1990, com pequenas modificações e variedades de modelos, foi introduzido o Air Max ’90 (que contava com um volume maior de ar do que seus antecesores). Seu sucessor, o Air Max 180, foi lançado mundialmente no mercado em 1991, e tinha como principal característica a visibilidade de toda a bolsa de ar na parte traseira. Dois anos depois, uma nova tecnologia chamada Blow Molding, onde as bolsas de ar, com o dobro de densidade, envolviam a parte do calcanhar, absorvendo o impacto na planta do pé, foi introduzida no Air Max ’93. No modelo Air Max ’95, a novidade eram que as bolsas de ar se moviam para a parte dianteira do pé. Com néon na parte da frente, o tênis recoberto com couro nobuck em um degrade que ia do cinza-claro ao cinza-escuro e sola preta, era um modelo sem precedentes no mercado. A primeira sola com bolsas de ar em toda sua extensão que permitiam literalmente caminhar sobre o ar foi introduzida no modelo Air Max ’97 com sua famosa cor prateada. Em 2000 surgiu o Air Presto, apelidado de “camiseta para seus pés”, de tão confortável e leve. Em 2003 foi vez do Air Max ’03 ser introduzido no mercado, que com novos desenvolvimentos na moldagem, construção e amortecimento trouxeram o pé para mais perto do chão, oferecendo flexibilidade extra. Quando todos já achavam que havia acabado as evoluções deste modelo, a NIKE surpreendeu e lançou, em 2006, um modelo revolucionário chamado Air Max 360. Sem entressola, apenas ar. Era o mais leve da história deste modelo.
Em 2014 o primeiro modelo desta linha, NIKE AIR MAX 1, completou 27 anos de glórias. Primeiramente como um tênis para quem pratica esporte, ao longo dos anos este modelo transcendeu barreiras e acabou se tornando um ícone de moda, disseminado por ídolos do esporte, como Michael Jordan. Além disso, se tornou ícone cultural em 1989 através do filme “De Volta pro Futuro II”, que mexeu com a imaginação de milhares de crianças e adolescentes do mundo todo quando Marty McFly, personagem de Michael J. Fox, chegou ao ano de 2015 utilizando um par de tênis NIKE AIR MAG em cinza e branco de cano alto, cuja principal característica era o sistema de cadarços com energia que se ajustava automaticamente aos pés. E para comemorar tal data a empresa lançou uma edição limitada que recebeu um tratamento de cores para o Air Max original. Com a língua estampada com os detalhes do dia 26 de março, o Air Max 1 Air Max Day combina a parte de cima original, em cor branca/vermelha, com uma entressola do modelo volt, acentuando a visibilidade do “Air”.
Em 2015 surgiu o NIKE AIR MAX ZERO, que mantém a proposta original de oferecer o máximo de conforto, mas acrescentando as mais recentes inovações da empresa, como por exemplo, o solado Air Max 1 Ultra, com uma estrutura oca de phylon; os cabedais que reduzem o volume sem abrir mão da sustentação; e a malha de monofilamento que ajuda a construir uma ponta fora do comum, sem prejudicar a circulação de ar. Um dos mais recentes lançamento da linha é o NIKE AIR VAPORMAX PREMIER, com destaque por seu design super exótico que apresenta um cabedal em couro mais alto, lembrando o formato de uma bota, com fivela magnética para trazer ainda mais segurança no seu fechamento. O solado apresenta mudanças, como a adição de uma entressola ao sistema Air. Assim, o tênis acomoda melhor os pés, proporcionando ainda mais conforto.
Na imagem abaixo é possível observar a evolução da tecnologia AIR ao longo de alguns anos.
O DNA da marca
Apesar de atuar em várias modalidades esportivas hoje em dia, a NIKE jamais renegou seu verdadeiro DNA: a corrida. Afinal foi esta modalidade que fez da NIKE o que ela é hoje. E a corrida ainda continua na essência da marca americana, que parte do oferecimento de todas as ferramentas para a prática do esporte, passa pelo incentivo e alcance de novas metas e vai até a promoção de experiências e sensações por meio de ativações. A corrida tornou-se uma plataforma agregadora de interesses comuns e compartilhamento de experiências entre os públicos que se identificam com a NIKE.
Uma das ações pioneiras da marca neste âmbito é a realização de corridas de rua, modalidade que se tornou muito popular no Brasil nos últimos anos. Em 2004, a empresa promoveu sua primeira corrida proprietária, a Nike Women’s Marathon (Maratona das Mulheres), que ocorre todos os anos na cidade de San Francisco na Califórnia. O faturamento da corrida é convertido em doações para a Leukemia and Lymphoma Society (LLS), associação americana que luta contra o câncer. Em mais de uma dúzia de edições, mais de US$ 200 milhões foram arrecadados e, todos os anos, mais de 30.000 mulheres de 54 países participam do evento. Desde 2005, a marca organizava outra corrida proprietária, de 10 km e simultânea em oito cidades da América, batizada de Run Americas Nike 10k. Em 2008, essa corrida envolveu outros continentes e ampliou para 25 cidades, mudando de nome para Human Race 10k.
Já em 2009, lançou no Brasil a maior corrida de revezamento das Américas, a 600k, de São Paulo até o Rio de Janeiro. As equipes eram formadas por convidados e por meio de seletivas. Em 2010, a marca promoveu a Nike Vênus 10k, corrida exclusiva para mulheres em São Paulo e Rio de Janeiro. Essas corridas de rua promoviam uma alternativa aos atletas, já que podiam treinar na rua, em trechos que normalmente não poderiam, além de serem impactados pela marca em toda sua comunicação, que via desde o kit de corrida, o que incluía camisetas exclusivas e outros itens, a stands com experiências individualizadas.
Além disso, a NIKE encontrou nas corridas uma forma de implantar uma rede global de relacionamento. Batizada de NIKE PLUS, a comunidade de corredores entrou no ar em 13 de julho de 2006. Para participar dela o consumidor precisava comprar um tênis acompanhado por um pequeno transmissor. O aparelho instalado no tênis permitia ao corredor coletar dados como distância percorrida, ritmo, tempo e gasto calórico e com a ajuda de um iPod, iPhone ou Nike+ SportWatch GPS, essas informações podiam ser então transferidas para o site da NIKE. Lá, os usuários trocavam mensagens, participavam de competições virtuais, recebiam dicas de corrida e até discutiam sobre músicas para embalar os exercícios. Atualmente o programa conta com mais de 100 milhões de membros espalhados pelo mundo. Para a NIKE, essa experiência ajuda a vender produtos e também se transformou em um case exemplar de marketing, já que ajuda também a fidelizar clientes e divulgar a marca com custos muito baixos.
Uma experiência única
As lojas hoje em dia devem tornar-se algo mais do que apenas um simples lugar para se fazer compras. Devem ser um ambiente que ofereça um mundo de experiências multissensoriais, destinadas a criar um vínculo emocional com o consumidor. Pensando nisso, a NIKETOWN foi desenvolvida e criada em 1990 na cidade de Portland, estado do Oregon. A música era vibrante e tudo estava relacionado ao “estilo de vida NIKE”, que faz dos esportes e seus astros o seu principal apelo. Os andares estavam divididos pela finalidade de uso dos produtos - basquete, beisebol, corrida, futebol, futebol americano, tênis - e cada espaço tinha atletas que o simbolizavam. Michael Jordan e seus parceiros estavam enormes nas fotos, em seus melhores momentos. A maioria dos espaços tinha sons e vídeos relacionados ao esporte, criando assim um ambiente único. O sucesso da loja foi tamanho que a NIKE resolveu inaugurar outras unidades em cidades como Chicago (1992), Atlanta (1993), Costa Mesa (1994) e Seattle (1996).
Ainda em 1996 a marca inaugurou sua loja em Nova York. Esta unidade, uma Flagship (loja âncora) da marca, estava localizada próximo à badalada Quinta Avenida em Manhattan. O projeto e a execução consumiram quatro anos de trabalhos árduos. O prédio encontrado propiciava a transformação almejada: queriam que a loja parecesse os antigos e grandes ginásios urbanos encontrados nas metrópoles americanas. A fachada era exatamente isto. Com cinco andares repletos de todos os tipos de artigos esportivos imagináveis a loja trabalhava com maestria a exposição e o visual dos produtos. O último andar era dedicado a uma espécie de oficina de customização de tênis, onde o cliente podia montar seu próprio modelo, combinando cores no solado e no cabedal. Em uma semana, o tênis exclusivo ficava pronto no Nikeid.studio. Depois vieram as unidades de Boston (1997), Honolulu (1997), Denver (1999), Miami (1998), Londres (1999), tornando-se a primeira loja internacional da marca, seguida pela de Berlin e finalmente Paris (2003), no luxuoso endereço da Champs-Elysées.
A NIKE inaugurou, no dia 13 de novembro de 2008, sua primeira loja própria no Brasil, e um dos pontos altos do espaço, localizado na Praça dos Omaguás, no bairro de Pinheiros (São Paulo), era o projeto arquitetônico, que teve como inspiração a estética dos antigos ginásios esportivos e a cultura urbana. Desenvolvida pelas equipes de arquitetura e marketing da NIKE e a LAB, escritório dos arquitetos Marino Barros e Rodrigo Leopoldi, a loja contava com mais de 230 m² de área. Uma das preocupações dos profissionais foi reforçar o contato com o território urbano, sendo o chão quase uma extensão natural da rua. A loja vendia, com exclusividade, alguns modelos específicos dos ícones da marca, a maioria itens de colecionador e edições limitadas. Alguns deles eram as edições especiais do tênis Dunk e Cortez, além de camisetas, moletons e windrunners (os tradicionais agasalhos para a prática da corrida, inclusive na chuva). Em dezembro de 2020, o Grupo SBF, dono da Centauro, concluiu a compra das operações da NIKE no Brasil, e passou a ser distribuidor exclusivo de produtos da marca no país, incluindo roupas, calçados, acessórios e equipamentos, além de operar as 24 lojas físicas da marca (NIKE FACTORY) e outras 15 operadas por parceiros.
Em 2014, a marca reinaugurou seis das suas lojas-chave pelo mundo (Nova York, Londres, Milão, Paris, Hong Kong e Xangai), que passaram a carregar o conceito de NIKELAB (imagem abaixo). A novidade incluía uma seleção de produtos baseada na inovação e representada por linhas como GYAKUSOU, FCRB e WHITE LABEL (fabricada na Itália). Além disso, o projeto das lojas incluía um novo formato de experiência de compras, que misturava os modelos físicos e online, junto com conceitos de sustentabilidade que já permeiam a fabricação de muitos dos produtos. Já em 2018, a marca inaugurou na cidade de Los Angeles outro conceito de loja, batizada de NIKE LIVE e especificamente projetada para ser um centro de serviços para os membros locais da NikePlus. O conceito foi criado em apoio aos esforços da NIKE para unir experiências de compras digitais e físicas para seus consumidores e para personalizar ainda mais a jornada na loja. O local e a quantidade de produtos, são selecionados utilizando informações obtidas da atividade dos membros do NikePlus e dos padrões de compra em todos os pontos de contato digitais da marca. A loja também apresenta uma série de ofertas de serviços premium lideradas digitalmente e projetadas para atender as necessidades dos consumidores.
A sede
A sede mundial da NIKE, conhecida como World’s Headquarters (WHQ) e inaugurada no mês de outubro de 1990 (então com apenas 8 edifícios), está localizada em Beaverton, uma pequena cidade localizada no estado de Oregon, no Condado de Washington. As suas instalações verdejantes (a maioria das árvores nativas foi mantida durante a construção do complexo), localizadas á alguns minutos do centro da cidade de Portland, refletem sua obsessão pelo esporte. A rua de entrada no complexo se chama Bowerman e o primeiro prédio, batizado de Prefontaine, funciona como um misto de museu e capela, onde se venera a história corporativa da NIKE. O complexo de 370.000 m² é formado por mais de 70 enormes prédios que mais parecem uma universidade.
Em nenhum outro lugar isso se torna mais evidente do que no edifício de design de calçados, conhecido como Nike Sports Research Lab (NSRL), que emprega 25 cientistas em tempo integral (oito deles Ph.Ds.) e cuja atmosfera lembra muito o ambiente estudantil. O edifício é impressionante: há campos para a prática esportiva (entre eles uma pista de 70 metros, equipada com câmeras que captam até 2 mil enquadramentos por segundo e são capazes de gerar imagens tridimensionais utilizadas para analisar os movimentos de um corredor; além de um gramado artificial usado para testes de produtos voltados para o futebol e uma quadra de basquete) e ambientes climatizados controlados por computador. Esses laboratórios climatizados permitem que os engenheiros testem os produtos em atletas simulando as mais variadas condições climáticas, controlando temperatura, umidade e luz do sol. Em meio a tanta tecnologia, uma das estrelas do LAB é uma caixa preta com um furo no topo para colocar o pé. O equipamento foi desenvolvido em parceria com diferentes universidades. Com aparência de um caixote sem graça, oculto em seu interior há um equipamento de laser e oito câmeras minúsculas, que gravam em detalhes milimétricos as dimensões de um pé e transmitem essas informações para uma máquina de modelagem.
Outro prédio, que homenageia a jogadora de futebol Mia Hamm, ocupa uma importância prioritária na estratégia da NIKE. Afinal, é justamente neste edifício que literalmente palpita o centro nervoso dos processos de inovação da marca americana, e onde estão localizados o departamento de design, as bibliotecas de materiais e um laboratório de tendências. O mais importante desses laboratórios, onde trabalham 75 cientistas, foi popularmente batizado de “Cozinha da Inovação”, um dos redutos mais secretos e reclusos do campus, onde não é permitido tirar fotos em 75% dos prédios. Esse laboratório, que começou a ser idealizado em 1999, é descrito como um lugar caótico, repleto de computadores, bancadas de trabalho e vários tipos de equipamentos para a produção de calçados e vestuários. Clientes só podem entrar na “Cozinha” depois de assinar um contrato de confidencialidade. Cada prédio de sua sede tem o nome de um atleta, que foi ou é essencial para o crescimento da empresa. John McEnroe (prédio que abriga os escritórios dos principais executivos), Tiger Woods (prédio do centro de convenções, incluindo um teatro com capacidade para quase 800 pessoas e onde é possível encontrar um verdadeiro tributo ao golfista), Sports Performance Center (que abriga uma academia de ginástica, piscina olímpica e até paredes para escaladas, antes nomeado Lance Armstrong, o nome foi retirado depois dos escândalos de doping do ciclista), Steve Prefontaine (museu), Bo Jackson (Fitness Center que conta em três andares com salas de musculação, cross-training, ioga, raquetebol e quadras de squash), Mia Hamm (maior prédio do campus) e Michael Jordan (que conta a história do departamento de basquete da empresa e da marca Air Jordan) são homenageados. Suas imagens enormes estão estampadas nas paredes externas em momentos gloriosos.
Os funcionários, mais de 8 mil trabalham lá, são pessoas ativas que tiram vantagem da enorme estrutura esportiva que o complexo oferece. Uma vida saudável é a palavra de ordem por lá. Pistas de corridas, campos de futebol, quadras de tênis, piscinas cobertas e climatizadas e três enormes e modernas academias batizadas com nome do ciclista Lance Armstrong (o nome foi retirado em virtude dos escândalos de doping) e do jogador de futebol americano Bo Jackson, dois importantes atletas que foram patrocinados pela empresa. Sem contar os instrutores e um completo programa de treinamento a disposição.
Uma das áreas centrais do complexo é dominada por dois gramados de futebol profissionais, batizados de Ronaldo Fields, em referência ao jogador brasileiro que até hoje é um dos atletas mais importantes da marca. Ao lado desses campos existe um lugar pitoresco que abriga a replica do tee box (ponto de partida) do buraco 18 em Pebble Beach, um dos preferidos de Tiger Woods. É praticamente impossível olhar para qualquer lado e não se deparar com uma fotografia, um pôster, um aparelho de televisão ou uma peça de recordação que lembre aos funcionários e visitantes que se está em um templo dedicado aos esportistas. Por todo complexo estão espalhadas mais de 300 placas de bronzes com a cara e informações de grandes atletas. O enorme complexo conta ainda com restaurantes, uma mega-loja para funcionários (chamada de “Nike Company Store”) e paisagens naturais belíssimas formadas por lagos, vegetação e jardins bem cuidados. Anexa ao complexo está localizada a Air Factory, fábrica onde são produzidos e testados alguns dos modelos da linha NIKE AIR. Em uma visita guiada é possível acompanhar todas as etapas e as tecnologias utilizadas na produção do modelo mais famoso da empresa.
Em 2016 a NIKE anunciou uma grande ampliação de sua sede, ao custo de US$ 1 bilhão. A expansão está sendo finalizada em fases, com prédios conectados, e que funcionam como uma universidade do esporte. Neles, a NIKE pretende formar pesquisadores, testar equipamentos em laboratórios e criar produtos cada vez mais personalizados, principalmente para os atletas por ela patrocinados. Alguns dos aspectos sustentáveis do campus incluem iluminação diurna natural dos prédios, vigas de concreto aparente que permitem a circulação de água, a fim de refrigerar as instalações, dispensando onerosos sistemas de ar-condicionado, além de uma estação de tratamento de águas para utilizá-las nas instalações hidrossanitárias dos banheiros e no paisagismo que envolve o campus. Como de costume, cada prédio recebe o nome de um atleta famoso patrocinado pela marca, como por exemplo, o edifício Serena Williams (o maior do complexo com mais de 1 milhão de metros quadrados espalhados por quase três quarteirões), Sebastian Coe (em homenagem ao famoso corredor de meia distância britânico e que abriga escritórios) e o LeBron James Building (que abriga a Equipe de Inovação Avançada da marca), além de um novo e moderno Fitness Center.
A mina de ouro
Seria impossível falar da NIKE sem que um nome viesse à cabeça de todos: Michael Jordan. Essa rentável parceria começou em 1984, quando a NIKE resolveu patrocinar um jovem e promissor jogador de basquete da Universidade da Carolina do Norte. O contrato: US$ 500 mil e um pedaço dos lucros para o jovem MJ. Quando Michael Jordan foi jogar no Chicago Bulls, a NIKE enxergou uma oportunidade de turbinar e aumentar sua visibilidade na então crescente popularidade da NBA. Mas não era um simples contrato de patrocínio. A NIKE queria transformá-lo em uma marca. Ainda mais ousado que isto, a empresa estava considerando criar um tênis exclusivo para Michael Jordan, e depois vender não somente um calçado, mas um pacote inteiro de inovação, alta performance e personalidade. E isto aconteceu em 1985, quando a marca lançou o tênis NIKE AIR JORDAN I, feito de couro e nas cores vermelho, branco e preto (não por coincidência as mesmas do Chicago Bulls).
A primeira vez que Jordan usou o tênis na quadra de basquete, um bando de garotos começou um alvoroço, apontando para os seus pés. Era um prenúncio do sucesso que estava por vir. E que foi ajudado por uma decisão polêmica da NBA, que baniu o AIR JORDAN alegando que somente aceitava tênis brancos nas quadras. E o impacto dessa proibição não poderia ter sido melhor para a marca. Até porque a NIKE e Jordan não cumpriram a ordem, passando a arcar com a multa de US$ 5 mil por jogo. Como em um passe de mágica, do dia para noite, era o tênis que todos os garotos sonhavam. O calçado, que custava US$ 65, começou a ser vendido em diversas lojas esportivas, muitas delas com longas filas nas portas, e foi impulsionado pelo estilo de jogo aéreo de Michael Jordan. O AIR JORDAN bateu recorde de vendas, desencadeou um fenômeno cultural e ainda revolucionou o marketing esportivo. Ao ser considerado “anti-establishment”, o AIR JORDAN ganhou uma aura “cool”, tornando-se um catalisador para o culto ao tênis. Elevado ao patamar de item da cultura pop, o AIR JORDAN ainda ajudaria a mudar a imagem do negro na sociedade americana. Jordan se projetava como um vencedor, passando a inspirar toda uma geração de jovens negros.
O sucesso do primeiro tênis AIR JORDAN desencadearia o lançamento de outros modelos, como por exemplo, em 1988, com o AIR JORDAN 3 BLACK CEMENT. De todos os modelos da linha, esse foi o que causou o maior impacto, pois era e ainda é muito mais do que um tênis. Foi o responsável por impulsionar a linha AIR JORDAN, além de estimular o marketing da NIKE. Para ter ideia da importância deste modelo, ele já foi relançado quatro vezes (última delas em 2011, quando custava US$ 160 e se esgotou em poucos minutos). Nessa época, em 1988, AIR JORDAN havia se tornado tão importante que a empresa resolveu tratá-la como uma marca separada. Criou então o logotipo JUMPMAN para promover exclusivamente a marca AIR JORDAN. O famoso logotipo, criado por Tinker Hatfield, é representado pela silhueta do ex-jogador, fazendo referências ao jogo aéreo de Michael Jordan nas quadras, sempre dando a impressão de voar com a bola nas mãos. A imagem de Michael Jordan que inspirou o logotipo foi produzida em um ensaio fotográfico para a revista Life antes dos Jogos Olímpicos de 1984 e dele assinar o contrato com a NIKE.
A escolha de Spike Lee para, mais tarde, dirigir os comerciais de TV do AIR JORDAN foi outra jogada de mestre da Nike. O cineasta negro se projetava na época com “Faça a Coisa Certa” (1989). No filme que encorajava os negros a darem um basta na opressão e submissão, rompendo assim a barreira da cor, o próprio Lee aparecia usando o tênis da marca AIR JORDAN. Ao longo dos anos seguintes a marca AIR JORDAN ganhou cada vez mais importância dentro da NIKE, ampliando a sua atuação além do segmento de tênis, lançando também roupas e acessórios. Michael Jordan deixou o esporte em 2003, mas ainda colhe frutos da mais bem-sucedida parceria esportiva da história (recebe estimados US$ 168 milhões anuais pela AIR JORDAN).
A partir de 2016, a AIR JORDAN saiu do universo do basquete pela primeira vez ao se tornar a única fornecedora de equipamentos para o time de futebol americano da Universidade de Michigan. E, em 2018, a marca patrocinou um time de futebol pela primeira vez em sua história, quando o clube francês PSG (patrocinado pela NIKE) exibiu o logotipo do JUMPMAN em seu terceiro uniforme (usados na edição 2018–19 da Liga dos Campeões da UEFA). A AIR JORDAN vem ganhando cada vez mais destaque como uma marca independente dentro da empresa. Por exemplo, a partir da temporada da NBA de 2020–21, os uniformes de todas as equipes estamparão o logotipo do JUMPMAN nas camisetas. Vale lembrar que as camisetas do Charlotte Hornets, da qual Michael Jordan é proprietário, já exibiram o logotipo em temporadas anteriores. Atualmente batizada de JORDAN BRAND, a marca fatura US$ 3.6 bilhões (2019-2020) anualmente. Uma curiosidade: a AIR JORDAN já lançou mais de 35 modelos de tênis desde que foi criada.
O poderoso marketing esportivo
Por ano a NIKE desembolsa mais de US$ 3 bilhões, que corresponde a aproximadamente 10% de seu faturamento anual, em publicidade, marketing e contratação de atletas renomados como garotos-propaganda. A história começou com o tenista romeno Llie Nastase, primeiro atleta a firmar contrato para utilização dos tênis NIKE em 1972. A outra parte da história teve início com o corredor americano de longa distância Steve Prefontaine (foto abaixo), patrocinado pela empresa em 1973 e conhecido não apenas por ter batido todos os recordes americanos entre os 2.000 e 10.000 metros na década de 1970, mas também por sua determinação e beleza. Steve morreu tragicamente aos 24 anos em um acidente de automóvel, pouco antes das Olimpíadas de 1976, em Montreal, no Canadá. Sua história virou filme e a NIKE seguiu em frente.
Entre os grandes atletas que foram patrocinados pela empresa estão o controverso tenista John McEnroe (1978), primeiro garoto-propaganda global da marca; os maratonistas Alberto Salazar e Joan Benoit Samuelson (primeira campeã olímpica da maratona nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984); os corredores Carl Lewis (1980), Michael Johnson (década de 1990) e Sebastian Coe; os tenistas André Agassi (assinou em 1986, quando tinha apenas 16 anos), Pete Sampras (1993) e Roger Federer (1997-2018), que ficou por mais de duas décadas neste time de elite, sendo um dos principais rostos da marca americana em diversas campanhas; as tenistas Mary Joe Fernandez (1993) e a bela russa Maria Sharapova (2000); o jogador de beisebol Ken Griffey Jr. (década de 1990); o ciclista Lance Armstrong (contratado em 1996, teve o vínculo encerrado em 2012 depois das denúncias de doping); o boxeador Manny Pacquiao; Mia Hamm, grande estrela do time de futebol da Universidade da Carolina do Norte, que se tornou a primeira mulher dos Estados Unidos a assinar um contrato remunerado, num acordo firmado em 1993; os jogadores de basquete Charles Barkley, Scott Pippen, além do mito Kobe Bryant, que assinou em 2003 e ficou 17 anos - até sua morte em janeiro de 2020 - como garoto-propaganda, incluindo o lançamento de vários modelos de tênis assinados por ele; e os jogadores de futebol Ronaldo (1994), Ronaldinho Gaúcho (1998), Romário, Roberto Carlos, Neymar (2005-2020), Zlatan Ibrahimovic; Eric Cantona, Didier Drogba, Paolo Maldini, Luís Figo, Thierry Henry, Francesco Totti, Edgard Davids, Lilian Thuram, Hernán Crespo, Wayne Rooney, entre outros.
O time atual de estrelas patrocinadas pela NIKE é composto pelo ex-jogador de basquete Michael Jordan (1985), o mais icônico garoto-propaganda da marca; os golfistas Tiger Woods (desde 1996) e Rory McIlroy; os astros do basquete LeBron James (cujo contrato data de 2003 e foi renovado em 2015 como vitalício com valor anual de US$ 32 milhões), Kevin Durant, Russell Westbrook, Chris Paul, Carmelo Anthony e Blake Griffin; os jogadores de futebol americano Odell Beckham Jr. (cujo contrato de US$ 25 milhões é o maior já registrado por um atleta desse esporte) e Russell Wilson; o tenista espanhol Rafael Nadal (cujo contrato data de 2000, sendo um dos mais importantes garotos-propaganda da marca) e o argentino Juan Martin Del Potro; e as tenistas Naomi Osaka, Simona Halep e Serena Williams (desde 2003).
Esse time de astros é muito mais que apenas atletas patrocinados ou meros garotos-propagandas. São colaboradores. Eles testam os produtos e sugerem inovações. O primeiro produto da marca desenvolvido em estreita colaboração com um atleta foi uma sapatinha para luta livre endossada e assinada por Wayne Wells em 1972. Já nas Olimpíadas de Atlanta em 1996, o velocista Michael Johnson usou uma criação sua, o Gold Shoe, uma sapatilha dourada (mais leve calçado esportivo já projetado na época). Tornou-se, aos 29 anos, o único homem até então a vencer as provas de 200 e 400 metros rasos na mesma Olimpíada. Outro exemplo é a chuteira Mercurial, criada a partir de informações do jogador Ronaldo e testada por ele até a versão final. O mesmo ocorreu com a chuteira Tiempo, usada por Ronaldinho Gaúcho.
Um esporte em especial foi essencial para o crescimento da marca: o futebol, considerado o esporte número um do mundo. Em 1994, a marca possuía apenas 2% do mercado de equipamentos para futebol. Para derrotar a marca líder do mercado, a alemã Adidas, se concentrou em jogadores de futebol jovens e talentosos. Para atingir esses atletas, assinou contratos de propaganda com astros da Argentina, Inglaterra, Brasil, Portugal, México, China e Japão. Também procurou jogadores que expressassem e incorporassem um estilo de futebol mais rápido e centrado no ataque “em contraste com o estilo defensivo e metódico conhecido como futebol alemão”, uma clara provocação a sua rival germânica. Ao associar sua imagem à de estrelas de diferentes esportes, a empresa quer comunicar que todos nós podemos ser atletas, desenvolver aquele espírito competitivo retratado em suas campanhas publicitárias e, quem sabe, chegar lá um dia.
Atualmente o time de craques da NIKE é composto pelo português Cristiano Ronaldo (que recebe mais de US$ 17 milhões por ano e tem uma linha própria de produtos, a CR7); os holandeses Kevin De Bruyne e Virgil van Dijk; os argentino Gonzalo Higuaín e Mauro Icardi; o espanhol Sergio Ramos; o croata Luka Modric; o brasileiro Vinícius Jr.; os franceses Kylian Mbappe e Hugo Lloris, além do promissor espanhol Ansu Fati. Clubes e seleções também são alvos preferenciais da NIKE. Atualmente a empresa gasta milhões de dólares para fornecer materiais esportivos para as seleções nacionais, como por exemplo, França (US$ 62.8 milhões/ano), Brasil (desde 1997, em um contrato de 10 anos no valor de US$ 160 milhões), Estados Unidos (contrato iniciado em 1994 e prorrogado até 2022), Holanda, Inglaterra, Portugal, Turquia, Polônia, Croácia, Nova Zelândia, Nigéria, Arábia Saudita, Chile, Grécia, China e Coréia do Sul; além de clubes tradicionais como Barcelona (£100 milhões/ano), Liverpool (£80 milhões/ano), Chelsea (£60 milhões/ano), Tottenham Hotspurs, Roma, Internazionale, Galatasaray, Atlético de Madrid, Sevilla, RB Leipzig, PSG, América do México, Corinthians e RB Bragantino.
Um dos contratos de patrocínio mais importantes para a NIKE é com a NFL, a bilionária e poderosa liga de futebol americano profissional. Com o contrato assinado em 2012, e valido por cinco anos (foi renovado até 2028), no valor de US$ 1.1 bilhões, a NIKE passou a ser responsável pela criação, desenvolvimento e fornecimento de uniformes para as 32 equipes da liga esportiva mais poderosa do mundo. As equipes trabalharam em conjunto com a NIKE para definir o design ou simplesmente opinar em pequenos ajustes. A marca americana também é fornecedora de material esportivo da MLB - liga profissional de beisebol - (contrato assinado em 2019 e válido por 10 anos) e da NBA (desde 2018 e com um custo estimado em US$ 1 bilhão).
Campanhas que fizeram história
A história da NIKE com a propaganda é recheada de momentos marcantes. Começou em 1977 com um de seus primeiros slogans que dizia: There is no finish line (algo como “Não há linha final”). A sorte da marca começou a mudar em 1982, quando a agência de publicidade Wieden & Kennedy foi fundada em Portland. Segundo muitos, ela foi criada justamente para atender a conta publicitária da NIKE que se tornaria seu cliente mais fiel e conhecido. E a primeira grande campanha foi um verdadeiro sucesso. Chegou em 1988 com o famoso slogan JUST DO IT (algo como “Apenas Faça”). Muito mais que um simples slogan, esse conceito transformou-se em uma espécie de declaração universal dos objetivos de todo atleta, em qualquer parte do mundo. A ideia de que, diante do esforço, não há fronteiras, é a expressão moderna dos ideais gregos, que praticavam o esporte como busca da perfeição e do belo. Porém, o melhor ainda estava por vir. Em 1989, a campanha estrelada pelo astro Bo Jackson, um atleta versátil, jogador profissional de futebol americano (Oakland Raiders) e beisebol (Kansas City Royals), apresentou ao público um dos slogans mais famosos da publicidade americana: BO KNOWS. A campanha visava promover a nova linha “cross-trainer” da marca. E deu mais que certo: as vendas de calçados saltariam de US$ 40 milhões para US$ 400 milhões logo após a estreia da campanha protagonizada por Bo Jackson. Campanhas dirigidas pelo cineasta Spike Lee também ajudaram a colocar o logotipo da NIKE no imaginário popular do planeta.
A controvérsia sempre esteve presente em suas campanhas publicitárias. E uma das que mais causou discórdia foi a campanha para as Olimpíadas de Atlanta em 1996. O slogan You Don’t Win Silver - You Lose Gold (Você não ganha a Prata - Perde o Ouro), ia contra todo o ideal olímpico de confraternização, onde o importante é competir. As críticas surgiram de todos os lados, inclusive dos atletas que conquistaram medalhas de prata e bronze. A NIKE não deu bola e seguiu em frente. A marca foi eleita anunciante do ano em 1994 e 2003.
O futebol e suas campanhas milionárias
Em março de 2002, vésperas da Copa do Mundo de Futebol, a NIKE iniciou sua campanha mundial de marketing estimada em US$ 100 milhões, criada em torno do que chamou de “Secret Tournament” (O Campeonato Secreto). A fase “provocativa” da campanha começou em março com propagandas que não mostravam mais do que um par de chuteiras de futebol e um escorpião, um símbolo do “estilo rápido e mortal de jogo” com o qual a NIKE queria ser identificada. Para os curiosos, havia uma referência ao endereço eletrônico nikefootball.com, onde os visitantes poderiam jogar videogames e aprender mais sobre o torneio em 12 idiomas. A fase de “excitação” do torneio começou em abril, com uma série de comerciais retratando um ambiente sombrio e agressivo que evocava a Austrália pós-apocalíptica do filme Mad Max e a alienação do Clube da Luta.
Oito equipes de três jogadores, compostas pelas principais estrelas do futebol mundial como Ronaldinho Gaúcho, Thierry Henry, Francesco Totti, Roberto Carlos, Hidetoshi Nakata, Edgard Davids, Luis Figo, Javier Saviola, Lilian Thuram, Ronaldo, Denílson, Hernan Crespo e até o aposentado francês Eric Cantona, no papel de mediador, disputavam um torneio de partidas do tipo morte-súbita em um pequeno campo dentro de uma jaula de aço em um enorme navio (assista ao vídeo abaixo).
Por fim a fase de “envolvimento” da campanha foi lançada em junho, quando a marca instituiu campos de futebol na Cidade do México, Tóquio, Roma e em 10 outras cidades para realizar torneios para jogadores iniciantes. Quase dois milhões de jogadores participaram. Na época da Copa do Mundo de 2002, realizada em junho, a NIKE fez sentir sua presença no mundo do futebol. Oito dos 32 participantes usaram uniformes da marca, inclusive o Brasil, que venceu a competição pela quinta vez. No jogo final, Ronaldo fez dois gols usando um par de chuteiras cromadas Nike Mercurial Vapors. Foi justamente esta Copa do Mundo que mudou a história da marca. Pela primeira vez as vendas internacionais superaram as receitas americanas. Em 2003 os calçados para futebol tiveram crescimento nas vendas de 46%. O futebol deu a Ásia à NIKE. A empresa, que já havia somado pontos importantes no continente com as roupas, tênis e acessórios para beisebol e basquete, conquistou de vez japoneses, chineses e coreanos com a febre da bola redonda que tomou conta da região neste início de século.
Uma das mais brilhantes campanhas globais da NIKE para o futebol, lançada em maio de 2010, foi intitulada “Escreva o Futuro” (“Write the Future”, em inglês). A campanha mostrava através de comerciais repletos de emoção o impacto dos momentos fundamentais de um jogo que vão além dos 90 minutos, onde um simples instante pode levar um jogador de futebol a receber as maiores demonstrações de reconhecimento ou cair no esquecimento absoluto. Estrelaram a campanha global algumas das maiores estrelas do futebol mundial: Cristiano Ronaldo, Didier Drogba, Wayne Rooney, Fabio Cannavaro, Frank Ribéry, Andres Iniesta, Cesc Fábregas, Theo Walcott, Patrice Evra, Gerard Piqué, Ronaldinho Gaúcho, Landon Donovan e Thiago Silva, além da lenda do tênis Roger Federer e da imortal estrela da NBA, Kobe Bryant. De forma bem-humorada Homer Simpson completou o time de estrelas convidadas.
O Gênio por trás da marca
O cidadão Philip Hampson Knight nasceu no dia 24 de fevereiro de 1938 em Portland, no estado de Oregon. Era apenas um corredor esforçado, que pertenceu à equipe de atletismo da Universidade de Oregon e que teve como treinador Bill Bowerman. No final do seu curso de MBA, na respeitada Universidade de Stanford, apresentou um relatório de pesquisa baseado na teoria de que os japoneses poderiam fazer com calçado esportivo o mesmo que faziam com as câmeras de vídeo: transformá-lo em um produto barato e de boa qualidade. Era o embrião do que seria a NIKE. Ele tinha um sonho. Ele venderia tênis. Ele venderia sonhos. Ele ficaria rico. O resto da história é uma saga envolta em um ideal de vitória. Além disso, ele criou na empresa uma cultura extremamente informal, baseada nos princípios de ampla autonomia e responsabilidade. Os funcionários da sede mundial podem coordenar os próprios horários e treinar a qualquer momento do dia. Jogos e aulas de ginástica são constantes e as academias nunca estão vazias.
Em 25 de maio de 2004 ele sofreu seu mais duro golpe quando um de seus quatro filhos, Matthew Hatfield Knight, morreu enquanto praticava mergulho no lago Ilopango, localizado 14 km a oeste de San Salvador, em El Salvador. O fundador da NIKE, vigésimo quarto homem mais rico do mundo, com fortuna avaliada em US$ 53.5 bilhões (Forbes, janeiro/2021), tem como principais paixões a história asiática, o golfe, o cooper e o tênis. Sua paixão pela empresa é tamanha que tem o logotipo da NIKE tatuado em seu tornozelo. Recentemente Phil Knight, se revelou um mão-aberta ao doar US$ 105 milhões para a Universidade Stanford, onde estudou. Com isso, ele ingressou na galeria de filantropos, na qual já brilham Bill Gates e Ted Turner. Hoje em dia, o bilionário e sua esposa, Penny, alocam parte de seus recursos em prol do bem da sociedade. O casal já doou mais de US$ 2 bilhões para várias instituições de caridade e centros acadêmicos, como por exemplo, a Universidade de Oregon.
A evolução visual
A NIKE é o sonho de toda a marca, o branding em seu estado puro. Seu logotipo sofreu pequenas, apesar de marcantes, alterações no decorrer dos tempos. E não é que o conhecido Swoosh, palavra que designa o som produzido por uma arremetida repentina de ar, se tornou um dos símbolos mais conhecidos e respeitados do planeta. Parece fácil falarmos isso agora. Mas imagine que em 1971 a jovem estudante de design gráfico, Carolyn Davidson, criou o que viria a se tornar um dos símbolos mais famosos do mundo, cuja curva representa uma asa da deusa da vitória na mitologia grega (Niké), filha de Palas e Estige. Em sua concepção, Carolyn queria transmitir movimento e agilidade inerentes aos esportes. Apesar de receber módicos US$ 35 pela criação de um dos logotipos mais poderosos do mundo, em 1983, a designer recebeu como reconhecimento da NIKE, um anel de diamante com o Swoosh e ações da empresa, que segundo analistas valiam milhões de dólares. A imagem abaixo mostra o logotipo original.
Depois de adotar uma nova tipografia de letra em 1978, e no fundo preto (ou até em vermelho) em 1985, ousaram, investiram e principalmente apostaram na verdadeira essência do branding para que o logotipo pudesse dispensar o nome da marca, em 1995. O resultado todo mundo pode ver hoje, uma das marcas com maiores índices de respeitabilidade e relação emocional com o consumidor representada apenas por um símbolo.
Ao longo dos anos o famoso símbolo da marca americana foi adotando também outras cores (como por exemplo, vermelho, amarelo ou laranja) dependendo da situação de uso ou aplicação.
Slogan ou mantra?
Quando em 1988 a agência de publicidade Wieden+Kennedy cunhou a frase JUST DO IT (algo como “Apenas Faça”) para a NIKE, então uma empresa em expansão, mal sabia que o slogan seria a personificação da marca. Afinal, essas três palavras transformaram o patamar da NIKE no mercado de material esportivo. Foi criado para despertar a atenção dos consumidores para uma nova atitude. O primeiro comercial da campanha trouxe como estrela Walt Stack, que na época tinha 80 anos e disputava maratonas, correndo na famosa Golden Gate, em San Francisco (assista abaixo).
Entre 1988 e 1998, nos primeiros dez anos da adoção do JUST DO IT, a NIKE saltou de 18% para 43% de participação do mercado consumidor de produtos esportivos nos Estados Unidos. Apesar de em 2016 a marca ter lançado uma campanha global com slogan “Unlimited You”, no Brasil traduzido para “Você Sem Limites”, a expressão JUST DO IT ainda continua sendo o slogan e alma da NIKE. Uma curiosidade: As origens da frase são um pouco mais sórdidas do que o significado do slogan. Dan Wieden, co-fundador da agência Wieden+Kennedy, que apresentou a ideia à NIKE, disse que se inspirou na frase a partir de um homem condenado à morte nos Estados Unidos por fuzilamento. Essa inspiração partiu de Gary Gilmore, um assassino que nos anos 1970 foi condenado à morte no estado de Utah por fuzilamento. As famosas últimas palavras de Gilmore antes da execução foram “Let’s do it”. Dan não gostou da frase e mudou para “JUST DO IT.
Em 2018, 30 anos após sua criação, o slogan ganhou um novo significado. Antes um incentivo por novas atitudes, o slogan passou a ser bandeira política da NIKE. Era uma adequação aos novos tempos, em que se posicionar a respeito de causas político-sociais, contra ou a favor, virou parte do negócio. Claro, com os riscos calculados que qualquer engajamento costuma gerar. Ao usar como garoto-propaganda Colin Kaepernick, Quarterback do San Francisco 49ers de 2011 a 2016 (que decidiu protestar contra o racismo e a violência contra negros se ajoelhando durante o hino nacional nos jogos da NFL) e estopim de uma briga racial que envolveu até o presidente Donald Trump, a NIKE tocou em duas feridas abertas na sociedade americana: patriotismo e racismo. A ironia de lançar a campanha publicitária no Labor Day, o Dia do Trabalhador no país, com um jogador que acusou a NFL, a liga esportiva norte-americana mais poderosa, de impedi-lo de ter um emprego gerou certa rejeição à marca, com pessoas queimando tênis e rasgando meias nas redes sociais, e perda de valor de mercado, mas também trouxe à causa apoios de peso como os jogadores James e Chris Paul, astros da NBA.
Em 2020, a marca foi mais longe ao alterar seu tradicional slogan em uma nova campanha para protestar contra o racismo nos Estados Unidos. A frase “Just do it” foi modificada para “Don’t do it” (Não faça). Isto porque a marca publicou em suas redes sociais um vídeo com uma mensagem antirracismo. A campanha foi lançada em meio à onda de protestos pelos Estados Unidos e pelo mundo contra a morte de George Floyd, homem negro que morreu sufocado por um policial durante uma abordagem. “Ao menos uma vez, não faça. Não finja que não é um problema nos Estados Unidos. Não vire as costas para o racismo. Não aceite que vidas inocentes sejam tiradas de nós. Não dê mais desculpas. Não pense que isso não afeta você. Não se sente e fique calado. Não pense que você não pode ser parte da mudança. Sejamos todos parte da mudança”, dizia a mensagem no vídeo (abaixo).
Dados corporativos
● Origem: Estados Unidos
● Fundação: 25 de janeiro de 1964
● Fundador: Phil Knight e Bill Bowerman
● Sede mundial: Beaverton, Oregon, Estados Unidos
● Proprietário da marca: Nike Inc.
● Capital aberto: Sim (1980)
● Chairman Emeritus: Phil Knight
● Chairman: Mark Parker
● CEO & Presidente: John Donahoe
● Faturamento: US$ 37.4 bilhões (2019-2020)
● Lucro: US$ 2.54 bilhões (2019-2020)
● Valor de mercado: US$ 228.6 bilhões (janeiro/2021)
● Valor da marca: US$ 34.388 bilhões (2020)
● Lojas: 1.100
● Presença global: 170 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários: 75.400
● Segmento: Material esportivo
● Principais produtos: Calçados, relógios, óculos, roupas e acessórios
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca NIKE está avaliada em US$ 34.388 bilhões, ocupando a posição de número 15 no ranking das marcas mais valiosas do mundo em 2020. A empresa também ocupa a posição de número 85 no ranking da revista FORTUNE 500 de 2020 (empresas de maior faturamento no mercado americano).
A marca no mundo
A empresa tem mais de 75.000 funcionários no mundo (e mais de 950.000 trabalhadores indiretos que estão empregados nas fábricas contratadas), opera mais de 800 outlets próprios (Nike Factory), além de aproximadamente 300 lojas como Niketown, NikeLab e NikeWomen, tendo seus produtos vendidos em mais de 170 países. Os maiores mercados da empresa são Estados Unidos, Europa, China e Japão. A NIKE lança por trimestre até 1.800 novos produtos. Os produtos direcionados ao público feminino atualmente geram um faturamento superior a US$ 7 bilhões, aproximadamente 20% das vendas totais da marca. Os mais de 300 milhões de pares de tênis vendidos por ano e outros milhões de acessórios garantem um faturamento superior a US$ 37 bilhões (dados de 2019-2020), somente os calçados são responsáveis por mais de US$ 23 bilhões. A NIKE possui mais de 450 fábricas, a grande maioria terceirizada e localizada em boa parte na Ásia (Indonésia, China, Índia, Tailândia, Vietnã, Paquistão, Filipinas e Malásia). Sua subsidiária, a Converse, representa aproximadamente US$ 1.8 bilhões do faturamento anual da empresa.
Você sabia?
● A NIKE possui mais de 5.200 patentes registradas.
● A NIKE, líder mundial em vendas de material esportivo, só é a número 2 do mercado na Europa, perdendo apenas para a alemã Adidas em países como França, Espanha e Alemanha e na Inglaterra onde a marca Umbro é líder no futebol.
● Em 1987, a marca fez uma campanha publicitária com a música “Revolution”. Na época, as faixas dos Beatles não podiam ser utilizadas com fins comerciais e a NIKE acabou desembolsando US$ 15 milhões pelo uso não autorizado.
● O paralelo com religião não é um exagero. Trata-se, provavelmente, de um caso único de empresa em que funcionários tatuam no corpo a logomarca do empregador. O grupo que deu início a essa tradição se chama Ekin (inversão da palavra Nike). É uma espécie de tropa de elite surgida nos anos de 1970 que visitava lojas de material esportivo com especialistas que instruíam sobre prevenção de lesões e organizavam pequenos cursos de vendas.
As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Exame, Veja, Época Negócios e Isto é Dinheiro), jornais (Valor Econômico, Estadão e Meio Mensagem), portais (UOL), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel, Interbrand e Mundo do Marketing), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).