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5.6.12

UNIQLO


Filas enormes em Tóquio. Uma febre no Japão, que já se espalhou para o resto da Ásia, Europa e Estados Unidos. Esse fenômeno capaz de arrastar multidões para suas lojas atende pelo nome de UNIQLO, que se tornou o maior caso de sucesso empresarial do Japão nas últimas décadas. Mas afinal, qual o segredo para tanto sucesso? Roupas de ótima qualidade, com preços inacreditáveis, algumas, inclusive, assinadas por estilistas famosos, apresentadas em uma infinidade de cores e dispostas em lojas com ambientes modernos e descolados. Por isso, quem procura uma marca ousada e que, ao mesmo tempo, disponha de produtos tradicionais, mas com um ar de contemporaneidade, encontra na UNIQLO a opção perfeita para o seu armário. A rede japonesa não se considera uma fast-fashion, mas sim uma marca de lifewear com uma mistura entre moda, contemporaneidade e inovação tecnológica. 

A história 
Tudo começou com um jovem visionário chamado Tadashi Yanai, descendente de uma família com alguma tradição no ramo da moda. Seu pai, Hitoshi, fundou em 1949 a Ogori Shoji, uma pequena loja especializada em alfaiataria masculina, especialmente ternos, em Yamaguchi. Naquela época, um supermercado e uma construtora também faziam parte dos negócios da família. Tadashi resolveu ajudá-lo ao completar 23 anos e após receber o diploma de economia e ciências políticas pela prestigiosa Universidade Waseda, em Tóquio. Uma de suas primeiras ações foi viajar para os Estados Unidos, onde conheceu as principais redes de varejo especializadas em moda, como por exemplo, a sofisticada Barneys, em Nova York. Originalmente voltada apenas para o público masculino, a Barneys iniciava na época a diversificação de seu catálogo para se tornar uma rede completa de moda. O jovem ficou impressionado com o modelo e resolveu levá-lo para o Japão. No início dos anos de 1970, quando já estava à frente dos negócios da família, livrou-se do supermercado e da construtora para se concentrar na moda, lançando as sementes do que seria depois o grupo Fast Retailing.


A história do grupo começou a mudar quando ele resolveu inaugurar no dia 2 de junho de 1984, no subúrbio de Hiroshima, a Unique Clothing Warehouse (foto acima), uma loja de roupas casuais amparada pela filosofia “Made for All”, ou seja, oferecer roupas de qualidade à preços acessíveis, que possam ser utilizadas em todas as estações do ano e para todas as pessoas, independente de idade, etnia, profissão ou sexo. Pouco depois, como o nome era muito longo foi abreviado para UNICLO, uma contração para “roupa única” em português. Isto porque, a nova marca oferecia uma coleção unissex de peças básicas. Porém, quando a marca foi registrada em Hong Kong, o C foi escrito como Q por engano e uma marca valiosa nascia: UNIQLO (Unique Clothing). A marca teve um crescimento meteórico no Japão nos anos de 1990 vendendo o conceito cheap chic (o tradicional “chique barato”), que alia qualidade e design à preços acessíveis. Em 1994 já eram 100 lojas espalhadas pelo país do sol nascente. Nos anos seguintes, centenas e centenas de novas lojas foram inauguradas em lugares até então inimagináveis para uma rede varejista. Hoje é possível encontrar uma lojinha da UNIQLO em pequenos vilarejos e estações de trem, e até debaixo da ponte, como em Yurakucho, a poucas quadras do sofisticado bairro de Ginza em Tóquio.


Ainda nesta década, em 1997, a rede adotou a estratégia SPA (Speciality-store/retailer of Private-label Apparel), que consiste em produzir suas próprias roupas e vendê-las exclusivamente. Apesar do enorme sucesso em pequenas e médias cidades japonesas, a rede somente inaugurou sua primeira loja na capital Tóquio no final de 1998. Pouco tempo depois lançou o produto que transformaria a UNIQLO em um nome familiar: uma jaqueta de fleece de US$ 20, produzida em todas as cores do arco-íris. Desde então, o fleece deixou de ser um tecido caro e tecnológico usado por alpinistas e esquiadores para ser utilizado na rua, no trabalho, na faculdade, em casa. Dois anos depois, em mais uma mostra de ousadia, inaugurou sua loja online. Finalmente em 2001, com a marca completamente estabelecida no Japão, eram mais de 500 lojas espalhadas pelo país, a UNIQLO inaugurou suas primeiras unidades fora do país, na cidade de Londres. Porém as vendas não decolaram de início e a estratégia foi repensada anos depois. A expansão continuou nos anos seguintes com inaugurações de lojas na China (2002), Coréia do Sul e Hong Kong, ambas em 2005. Nesse período a marca também introduziu novidades, como uma linha de lingeries e a inauguração de uma loja exclusivamente para a venda de roupas infantis, fechada anos mais tarde. Apesar de ter alcançado enorme popularidade no Japão, a UNIQLO realmente ganhou fama internacional somente em novembro de 2006, quando abriu sua primeira loja em Nova York, no badalado bairro do Soho.


A expansão internacional se acentuou nos anos seguintes com a inauguração de lojas em Paris (2007), Cingapura (2009), Moscou (2010), Kuala Lumpur (2010) e Bangkok (2011), além de uma moderníssima flagship store na Quinta Avenida em Nova York. Nos anos seguintes, o número de lojas da UNIQLO fora do Japão cresceu rapidamente, à medida que a empresa se expandiu para cidades menores na China. Como resultado desta estratégia, em 2018, o faturamento das operações internacionais superou a japonesa pela primeira vez, mostrando a força da UNIQLO como uma marca global. A empresa, apesar de possuir a maior rede de lojas de roupas da Ásia, ainda encontra resistências na Europa e principalmente nos Estados Unidos. O comércio eletrônico é outro complicador, já que cresce forte no mercado americano, frente ao fechamento de lojas físicas. Mas a UNIQLO investe em treinamento e está experimentando as vendas com a presença física em novos formatos no mercado americano. Por exemplo, recentemente inaugurou uma loja na estação central de trem de Washington, além de disponibilizar máquinas de auto-atendimento instaladas em aeroportos americanos para atender o cliente que esqueceu itens de viagem, em especial roupas. A UNIQLO continua a abrir lojas de grande porte em algumas das cidades e locais mais importantes do mundo como parte de seus esforços contínuos para solidificar seu status como uma marca verdadeiramente global.


Uma das estratégias da rede, adotada nos últimos anos, é fazer parcerias com estilistas famosos para assinar coleções limitadas, como por exemplo, Jill Sander, Lulu Guinness, Alexander Wang e Tomas Maier. O resultado: um verdadeiro alvoroço em suas lojas, onde consumidores praticamente disputam à tapas suas peças de roupas. Além disso, a rede está sempre inovando na disposição de seus produtos nas lojas. Por exemplo, na cidade de Xangai, manequins flutuam e giram em 360 graus através de uma espécie de tubo pelos andares da loja como em um carrossel, permitindo que o cliente tenha uma melhor visão da peça que está sendo exibida. Em um esforço para melhorar sua imagem no país natal, onde é vista como uma rede de roupas populares, diferente do status “cool” construído no Ocidente, a UNIQLO inaugurou no dia 16 de março de 2012 na cidade de Tóquio sua maior loja no mundo. O prédio de 12 andares fica localizado em Ginza, bairro mais sofisticado da cidade japonesa, que abriga as principais marcas de luxo do mundo. Os números eram gigantescos: 5.000 m² divididos em doze andares, 100 provadores, 50 caixas e atendimento em quatro línguas, por todos os funcionários.


A marca explora com grande inteligência as redes sociais e aplicativos para dispositivos móveis. Por exemplo, a marca japonesa inovou ao lançar uma nova funcionalidade associada ao Facebook: o Uniqlooks. O site consiste basicamente na criação de uma comunidade de moda que convida os membros a compartilhar seu estilo pessoal. Basta fazer upload de uma fotografia que revele o look criado com peças da UNIQLO e esperar por comentários, dicas e feedback oferecido por estilistas profissionais. Outro sucesso é o aplicativo Wake Up, cujo objetivo é tornar o despertar o mais prazeroso possível, oferecendo uma música criada automaticamente, de acordo com o dia da semana, horário e o clima que está lá fora. O aplicativo também oferece a opção da pessoa compartilhar em redes sociais a hora exata, a temperatura e o clima ao despertar.


Tecnologia em tecidos inovadores 
A marca japonesa também ficou extremamente popular por uma linha de roupas chamada HEATTECH, lançada em 2003 e feita a partir de uma fibra sintética mesclada a uma proteína do leite. As roupas são leves, macias e confortáveis. O tecido transforma o vapor emitido pelo corpo em calor enquanto que as bolsas de ar existentes entre as suas fibras o retêm. O tecido ainda possui características antibacterianas que diminuem os odores desagradáveis causados pelo uso prolongado da roupa. Além disso, a marca tem como destaque a tecnologia nas roupas, que desmistifica o conceito de que é necessário roupas pesadas e caríssimas para não passar frio no inverno. Ao contrário, as jaquetas da UNIQLO são leves, à prova d’água, com proteção contra o vento e com valores muito acessíveis. Hoje em dia a UNIQLO possui três modernos centros de pesquisa e desenvolvimento ao redor do mundo, onde cientistas têxteis estão trabalhando continuamente, por exemplo, para tornar o jeans “não processado” mais confortável e para tentar imprimir em 3D a lã de caxemira e de cordeiro. O resultado de tanta pesquisa e investimento é traduzido em tecidos como o Ultra light down (um isolador de luz usado nos casacos produzidos desde 2009) e AIRism (blusas no estilo “segunda pele” projetadas para afastar suor, lançadas em 2013).


Comunicação 
Para reforçar o apelo da UNIQLO em tempos de incertezas e crise, a marca multiplicou o investimento em publicidade nos últimos anos, veiculando anúncios na televisão japonesa com celebridades locais e internacionais, como Orlando Bloom, Charlize Theron e a bela Susan Sarandon. Porém, a maior amostra de que a UNIQLO queria se tornar uma marca global influente foi dada em maio de 2012, quando anunciou a escolha do tenista sérvio Novak Djokovic como embaixador internacional da marca. A parceria de cinco anos promoveu a marca e as roupas UNIQLO em todo o mundo. Além disso, o tenista participou dos grandes torneios de tênis com roupas de jogo desenvolvidas pela marca japonesa. Em 2018, a marca japonesa assinou um dos maiores patrocínios de todos os tempos com Roger Federer, ícone do tênis mundial, em uma estratégia de visibilidade para ser a líder mundial no varejo de roupas. A empresa tirou da Nike o tenista suíço que passou a estampar a marca japonesa no seu uniforme. Estima-se que o valor do contrato atinja US$ 300 milhões, quantia que Federer deverá receber nos próximos 10 anos.


O gênio por trás da marca 
Jaspion e Jiraya são exemplos de como os japoneses gostam de batizar os super-heróis nacionais com nomes exóticos e que tenham boa sonoridade. O mais recente exemplar dessa estirpe é Hitorigachi, palavra que significa “o único vencedor” na tradução para o português. Nos últimos tempos, esse passou a ser o codinome adotado pela imprensa local para se referir a Tadashi Yanai (foto abaixo), um senhor de 70 anos. Mas afinal, que poderes sobrenaturais e façanhas ele protagonizou para ser chamado assim? Ele é um vencedor em meio a uma economia estagnada. Seu grupo de moda, o Fast Retailing, dono de seis marcas de roupas, cresce velozmente vendendo para consumidores que, assustados pela crise mundial e pela recessão japonesa, hoje parecem dispostos a não comprar nada. Capitaneado pela UNIQLO, o grupo de moda deste pacato senhor, considerado o homem mais rico do Japão, cresce a uma velocidade impressionante, assim como seu faturamento e lucro. Este verdadeiro milagre em tempos de estagnação, incertezas e crises tem uma receita básica: uma combinação de preço baixo, marketing agressivo com inovação no design e investimentos em desenvolvimento de tecnologia dos tecidos.


Desde 1991, ele baseia seu modelo de negócios de “baixo custo” na compra de lotes enormes de roupas de fornecedores chineses. Os descontos obtidos com essa operação são repassados quase integralmente aos clientes de suas lojas. Aproximadamente 90% das roupas da UNIQLO, responsável pela maior parte do faturamento do grupo, são “Made in China”. Resultado: camisetas vendidas a US$ 19 e jeans que custam meros US$ 49. Num país conhecido pelo alto custo de vida, as roupas da marca são vistas como verdadeiras pechinchas e ganharam a preferência de milhões de consumidores que desejam qualidade a preços praticamente imbatíveis. E a ambição deste senhor parece não ter limite: em um curto espaço de tempo, ele planeja tornar a UNIQLO na maior rede de moda casual do mundo, abrir uma média de 300 lojas por ano e chegar a produção de 5 bilhões de peças. O foco principal deve ser a região asiática, especialmente aumentar presença na China e Coréia do Sul. Á exemplo da maioria de outros executivos japoneses, o homem mais rico do Japão, com fortuna avaliada em US$ 24.9 bilhões, tem um perfil muito discreto. De sua vida pessoal, sabe-se apenas que é casado, tem dois filhos e que nas horas vagas costuma jogar golfe, como todo bom asiático. No estilo de gestão dos negócios é reconhecido pela persistência e ambição. Nada mal para um jovem que transformou uma pequena rede de alfaiataria que herdou do pai nos anos de 1970 em uma marca global e dominante no varejo de vestuário.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por pequenas alterações desde sua criação. Em 2006, o logotipo ganhou um tom de vermelho mais forte e vivo e uma nova tipografia de letra.


É muito comum, especialmente no Japão e outros países asiáticos as fachadas das lojas, materiais de comunicação e sacolas de compras estamparem o nome UNIQLO também escrito em japonês.


Os slogans 
LifeWear. (2013) 
Made for All. 
Simple made better.


Dados corporativos 
● Origem: Japão 
● Fundação: 2 de junho de 1984 
● Fundador: Tadashi Yanai 
● Sede mundial: Tóquio, Japão 
● Proprietário da marca: UNIQLO Co. Ltd. 
● Capital aberto: Não (subsidiária da Fast Retailing Co.) 
● CEO & Presidente: Tadashi Yanai 
● Faturamento: US$ 15.9 bilhões (2018) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 2.068 
● Presença global: 23 países 
● Presença no Brasil: Não 
● Funcionários: 53.500 
● Segmento: Varejo (moda) 
● Principais produtos: Roupas e acessórios 
● Concorrentes diretos: H&M, Zara, Topshop, GAP, Mango, C&A, Desigual e Forever 21 
● Ícones: As roupas básicas 
● Slogan: LifeWear. 
● Website: www.uniqlo.co.jp 

A marca no mundo 
A varejista de moda UNIQLO, terceira maior do mundo em seu segmento, que pertence ao Grupo Fast Retailing, possui atualmente mais de 2.000 lojas localizadas em 23 países ao redor do mundo, especialmente na região asiática. A rede está fortemente presente no Japão (onde estão localizadas mais de 820 de suas lojas), além de possuir unidades nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Alemanha, França, Rússia, Índia, China, Hong Kong, Taiwan, Singapura, Malásia, Tailândia, Coréia do Sul, entre outros. A rede oferece vestuário feminino, masculino e infantil até acessórios de moda como calçados, bolsas e mochilas, além de chapéus, bonés, cachecóis e lenços. Em 2018, o faturamento da UNIQLO ultrapassou US$ 15 bilhões. E pensar que todo esse dinheiro surgiu a partir da venda de camisetas básicas de US$ 19.50. 

Você sabia? 
No dia 7 de julho de 2017, a empresa inaugurou sua nova sede próxima da futura vila dos atletas dos Jogos Olímpicos de Verão de 2020. Batizada de Uniqlo City Tokyo possui 16.500 m² de área e abriga mais de 1.000 empregados de 20 nacionalidades, além de espaços decorados com os embaixadores globais da marca: o golfista Adam Scott e os tenistas Kei Nishikori e Roger Federer. 
A loja da rede localizada no badalado bairro do Soho, em Nova York, recebe mais de 25 mil consumidores em um sábado regular. 
A UNIQLO foi responsável pela confecção e fornecimento dos uniformes da equipe olímpica japonesa nas Olimpíadas de 1998 e 2002. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 18/9/2019

17.7.06

NISSIN


Rápido, prático, barato e substancioso. Quando Marco Pólo esteve na China, no século XII, já comiam o tal do la-mein. No século XVII o samurai japonês Mitsukuni Tokugawa provou e aprovou o prato e ainda levou para o xógun, que resolveu mantê-lo como privilégio da elite japonesa. Mas o produto se popularizou depois que a NISSIN lançou o macarrão instantâneo, popularmente conhecido entre nós brasileiros como MIOJO. Há mais de sessenta anos NISSIN MIOJO é um dos curingas de quem tem fome e pressa, e trunfo culinário dos solteiros e atarefados, sendo sinônimo de praticidade e rapidez. 

A história 
A história da empresa tem início em um Japão completamente devastado pela Segunda Guerra Mundial, onde o país vivia um racionamento e a população enfrentava enormes filas para comprar alimentos. Foi neste cenário, exatamente no dia 4 de setembro de 1948, que o Senhor Momofuku Ando (foto abaixo), nascido em Taiwan quando ainda era uma possessão japonesa, começou uma pequena e humilde empresa familiar chamada Nissin Shokuhin na cidade de Ikeda, especializada na fabricação de alimentos, inicialmente sal. Disposto a acabar, ou pelos menos minimizar a fome no período do pós-guerra, ele nunca desistiu de criar um alimento que todos pudessem consumir. Para chegar ao produto de seus sonhos ele estabeleceu, desde o início, cinco condições: que fosse, pelo gosto, do agrado das pessoas; que trouxesse conveniência em todos os sentidos, muito especialmente em termos de acesso e preparação; que pudesse ser guardado por um longo tempo; que fosse saudável; e que coubesse no bolso da maioria das pessoas, muito especialmente, dos mais pobres.
  

Somente uma década depois, no dia 25 de agosto de 1958, após meses de tentativas e erros em sua cozinha, Momofuku Ando anunciou que, finalmente, aperfeiçoara o seu método de “fritura-relâmpago” que levou à invenção do lámen instantâneo (macarrão), que dispensava um cozimento demorado e o escorrimento da massa, e vinha com um preparado em pó para fazer o caldo através da simples dissolução em água quente por apenas 2 minutos. Foi então que introduziu no mercado o “Chikin Ramen”, no sabor galinha, primeiro macarrão instantâneo que o mundo tinha conhecimento, popularmente conhecido no Brasil como MIOJO.
   

Ele teve a ideia de criar o macarrão instantâneo ao perceber uma enorme fila de pessoas famintas diante de uma vitrine de sopas de fios de massa, considerado na época um item de luxo nos restaurantes japoneses, conhecidos como “Casas de Ramen”. Para ele, o fim da fome no mundo significaria também o término das guerras. Com um custo de 1/6 do macarrão fresco, o senhor Momofuku criou um novo conceito de alimento, com um método novo e revolucionário: retirar o macarrão da embalagem, colocá-lo dentro de uma tigela, adicionar água quente, tampar e esperar por 2 minutos (inicialmente o tempo era esse). O novo produto era ideal para a combalida economia japonesa: barato, nutritivo, prático e gostoso. O macarrão instantâneo vendeu além das melhores expectativas planejadas por ele e a partir daí, mercearias encheram suas prateleiras com essa novidade da cozinha japonesa. Em menos de um ano, a produção diária do novo produto cresceu de 300 para 6 mil porções.
  

A década de 1970 teve início com a instalação de uma subsidiária nos Estados Unidos para vender o famoso macarrão instantâneo, comercializado no mercado americano com o nome de TOP RAMEN. Pouco depois, em novembro de 1971, utilizando técnicas de liofização (processo de desidratação) dos alimentos, aperfeiçoando o sabor do produto e reformulando a embalagem, lançou no mercado um produto revolucionário: o kappu nuudoru (mais conhecido como lámen no copo), que permitia o consumo do produto na própria embalagem. A partir de então, bastava abrir a embalagem, colocar água quente, esperar 3 minutos, dar uma mexidinha e comer. Ou seja: para ter uma refeição saborosa bastava água quente, garfo ou palitinho. Devido aos preços baixos e ao fácil e rápido preparo (dispensava panela ou qualquer outro utensílio de cozinha), o CUP O’NOODLES® (depois perderia o O’), nome que o produto adotou no mercado americano quando foi lançado em 1973, fez tanto sucesso que passou a ser vendido ao redor do mundo. A embalagem do CUP NOODLES foi projetada por Takeshi Otaka e seu design não mudou desde então.
  

Em 1986, a NISSIN ingressou no segmento de comidas congeladas no mercado japonês. Nos anos seguintes a empresa introduziu no mercado inúmeros tipos de macarrão instantâneo, além de uma infinidade de sabores, que variam dependendo do país onde é comercializado. Um exemplo disso ocorreu em 1995, quando foi lançado o NISSIN Spa-O, um macarrão instantâneo tipo espaguete, oferecendo assim um formato diferente para consumo. Ou mais recentemente com o NISSIN CHOW MEIN, uma linha de macarrão com temperos da culinária chinesa, que basta adicionar água na embalagem e levar por 5 minutos ao forno microondas.
  

Consciente da importância da marca, o senhor Ando criou e inaugurou o INSTANT RAMEN MUSEUM na cidade de Ikeda, próximo de Osaka, em novembro de 1999, para imortalizar a história do macarrão instantâneo, detalhando todos os momentos que antecederam sua criação. O fundador da empresa, apelidado de “rei dos macarrões”, permaneceu ativo até sua morte no dia 5 de janeiro de 2007. Um exemplo foi sua aparição na televisão para promover uma versão (batizada de SPACE RAM) do macarrão instantâneo com embalagem a vácuo desenvolvido para alimentar os astronautas do ônibus espacial americano Discovery, especialmente o japonês Shoichi Noguchi, em julho de 2005. Em 2008 o macarrão instantâneo completou 50 anos e deixou de ser um simples alimento para virar um ícone da cultura pop. Em 2013 a NISSIN lançou seu macarrão instantâneo em três novos mercados mundiais: Colômbia, Quênia e Turquia.
  

Uma infinidade de sabores 
Com a popularização do macarrão instantâneo da NISSIN pelo mundo através dos anos, muitos sabores foram criados para agradar ao paladar de determinados povos e hábitos de cultura. No mercado americano existe mais de 20 sabores, entre eles camarão, bife, bacon, costela barbecue e apimentado. No Brasil muitos sabores tipicamente regionais foram lançados como galinha caipira, frango com requeijão, bolonhesa, picanha e até carne de sol. No Japão são fabricados mais de 200 sabores e formatos de LÁMEN e mais de 800 de CUP NOODLES®. Entre os inúmeros sabores disponíveis na “Terra do Sol Nascente” existe: chilli com tomate, sopa de tartaruga, chizukare (queijo com curry), sopa de barbatana de tubarão, marisco, ostra com molho de soja, porco assado com molho de soja, carne de panela, ovas de bacalhau japonês, caranguejo, queijo com alho, abóbora, tofu, entre outros.
   

A comunicação 
Nos últimos anos a marca NISSIN tem utilizado mascotes em sua linha de comunicação. Para representar seu tradicional macarrão instantâneo foi escalado Lámenzinho (personagem criado no Japão para um comercial brasileiro e que tinha uma personalidade controversa, a ponto de ter sido retirado do ar pelo CONAR em 2018). Já para representar o CUP NOODLES® foi escalado o Cup Man (o tradicional pote do produto com braços e pernas). Em 2019, o Lámenzinho voltou com uma nova personalidade, condizente com o conceito da marca de misturar o macarrão instantâneo com qualquer coisa. O resultado? Um personagem tagarela que usava argumentos sem nenhum sentido para provar que combinava com outros ingredientes, como por exemplo, requeijão, arroz, feijão e até leite. O conceito da campanha era: “De todo jeito, misturar é perfeito”.
  

Ainda em 2019, a NISSIN resolveu ousar e confrontar abertamente o concorrente, mesmo sendo ele parte da própria empresa. Assim nasceu a batalha de 9 meses entre Nissin Lámen e Cup Noodles®. Para alavancar as vendas estáveis do macarrão instantâneo e tornar a marca Cup Noodles® mais conhecida, a estratégia foi colocá-las em confronto, através de uma campanha que exaltava os diferenciais de cada produto. Enquanto isso, as duas mascotes tinham o papel de criticar um ao outro e apontar o porquê de ele ser o melhor. O resultado? Recordes de vendas para os dois produtos durante nove meses. Lutas literais entre as mascotes foram travadas em grandes eventos de gamers, críticas e comentários engraçados foram feitos nas redes sociais de cada uma e o engajamento dos consumidores foi extremamente alto. Em 2020, a batalha continuou com novos e hilários comerciais.
  

A evolução visual 
O logotipo da NISSIN como se conhece hoje só surgiria em 1983, com a palavra NISSIN em branco sobre fundo vermelho (em formato de semicírculo), passando a ideia de saúde e higiene. O semicírculo vermelho traz três significados básicos: representa a metade do mundo, indicando a postura internacional da NISSIN; é uma analogia a um sorriso, simbolizando a felicidade que a empresa pretende proporcionar; e se parece com uma tigela (bowl), recipiente utilizado para servir o macarrão instantâneo em seu país de origem, o Japão. Apesar de manter as características originais, a identidade visual da marca passou por uma alteração 2001, quando foi adotada uma nova tipografia de letra.
   

A arquitetura do logotipo agregando o tradicional nome MIOJO (marca registrada da empresa pioneira em fabricação de macarrão instantâneo somente no mercado brasileiro) é utilizada por aqui até os dias de hoje. Isto porque, o macarrão instantâneo foi inicialmente comercializado no Brasil com a marca MIOJO e se tornou sinônimo de uma categoria de produto para a maioria dos brasileiros.
   

Já a embalagem do NISSIN MIOJO LÁMEN GALINHA CAIPIRA, o sabor mais vendido no mercado brasileiro, passou por diferentes remodelações ao longo dos anos, mas sempre mantendo sua identidade, especialmente sua coloração laranja.
  

Os slogans 
From the world’s leader in noodles. 
De todo jeito, misturar é perfeito. (2019) 
Gostoso assim, só Nissin. (2018)
Nissin Miojo sempre com você. (2012) 
Tamo Junto. (Nissin Cup Noodles®) 
Nada é igual a Nissin. Porque só a Nissin é o verdadeiro Miojo.
  

Dados corporativos 
● Origem: Japão 
● Fundação: 4 de setembro de 1948 
● Fundador: Momofuku Ando 
● Sede mundial: Tóquio, Japão 
● Proprietário da marca: Nissin Foods Holdings Co. Ltd. 
● Capital aberto: Sim (1963) 
● CEO & Presidente: Koki Ando 
● Faturamento: US$ 4.2 bilhões (2019/2020) 
● Lucro: US$ 265 milhões (2019/2020) 
● Valor de mercado: US$ 9.09 bilhões (janeiro/2021) 
● Presença global: 80 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 7.500 
● Segmento: Alimentos 
● Principais produtos: Macarrão instantâneo 
● Concorrentes diretos: Maggi, Knorr, Pot Noodle, Simply Asia, Nongshim, Lucky Me!, Adria e Renata 
● Ícones: O Miojo 
● Slogan: Gostoso assim, só Nissin. 
● Website: www.nissin.com.br 

A marca no Brasil 
No Brasil, o macarrão instantâneo chegou em 1965 através de um pequeno empresário chinês que havia conhecido o produto no Japão e passou a produzi-lo em São Paulo com a marca MIOJO (que significa “estrela brilhante”), com sachês de tempero fornecidos pela Ajinomoto (conheça a história deste outro ícone da culinária japonesa aqui). Alguns anos depois, a japonesa NISSIN decidiu operar no Brasil, comprou a MIOJO, construiu em 1975 uma fábrica em Ibiúna, mas resolveu continuar usando a marca local, devido ao forte apelo que o nome já possuía entre os consumidores. Hoje os investimentos realizados, consolidaram esse produto como líder no segmento de macarrão instantâneo, que são produzidos com a máxima higiene, ingredientes selecionados e processo totalmente automatizado. Em 1992 a empresa passou a comercializar nacionalmente o CUP NOODLES® (macarrão instantâneo no copo), importado da NISSIN dos Estados Unidos e sucesso no mundo inteiro, que por sua praticidade é ideal para ser consumido em qualquer lugar. Hoje em dia essa linha oferece 11 opções de sabores, entre os quais, galinha caipira (com milho, cenoura e cebolinha), legumes, carne, frutos do mar (combinação de kani kama, lula, repolho e cebolinha), costela com molho de churrasco, bolonhesa, curry, frango Teriyaki e Cheddar.
   

Nos últimos anos a NISSIN diversificou e expandiu sua linha de produtos com lançamentos inovadores e saborosos, como por exemplo: NISSIN LÁMEN CREMOSO (macarrão instantâneo mais cremoso, que traz também maior intensidade do sabor, consistência, molho e aroma); NISSIN LÁMEN HOT (macarrão instantâneo com tempero apimentado), introduzido em 2006; NISSIN LÁMEN LIGHT (contém muito sabor e poucas calorias); NISSIN LÁMEN TURMA DA MÔNICA (macarrão instantâneo, vitaminado e com tempero suave, desenvolvido para um público infantil); NISSIN NOSSO SABOR (macarrão instantâneo com a combinação de sabores regionais, como por exemplo, galinha ensopada e carne de sol), introduzido em 2007; NISSIN TALHARIM (macarrão instantâneo do tipo talharim com molhos deliciosos); NISSIN YAKISSOBA (macarrão instantâneo desenvolvido especialmente para quem aprecia os temperos da culinária oriental); e NISSIN MAIS (macarrão instantâneo com pedaços de vegetais), introduzido em 2011.
   

Em 2012 a empresa inaugurou a segunda fábrica no país, localizada em Glória do Goitá, Pernambuco, para atender as crescentes demandas das regiões norte e nordeste. A fábrica, com suas duas linhas de produção ativas, possui capacidade para 600 pacotinhos de macarrão instantâneo por minuto. Em 2015, a NISSIN comprou por aproximadamente R$ 1 bilhão a fatia de 50% da Ajinomoto na sociedade que as duas empresas japonesas mantinham á quatro décadas no Brasil para a fabricação de macarrão instantâneo.
   

As novidades mais recentes da marca, introduzidas em 2020, trouxeram uma proposta nova proposta de consumo, bem como uma composição mais saudável. Tratam-se das linhas NISSIN SALADARIA (macarrão instantâneo para ser consumido frio em saladas, nos sabores frango grelhado e Caesar) e NISSIN DeBoas (macarrão instantâneo com menos sódio, cereais integrais, além de ser fonte de fibras e contar com sabores exclusivos como peito de frango com batata doce, mix de legumes com ervas e carne com molho de cogumelos). Hoje existem no mercado brasileiro mais de 25 sabores em diversas linhas, desde os tradicionais lámen de carne, galinha caipira, bacon e camarão até os sabores regionais, como carne com tomate, galinha ensopada, picanha, queijo coalho e caldo de feijão.
  

A marca no mundo 
Atualmente a enorme linha de macarrão instantâneo da NISSIN, fabricada em mais de 10 países, é vendidas em outros 80, com forte presença no Brasil, Estados Unidos, Coréia do Sul, Tailândia, Filipinas, Índia, China, Alemanha, além é claro do Japão. A NISSIN, número um do mercado de macarrão instantâneo no mundo, com faturamento anual de US$ 4.2 bilhões (dados de 2019/2020), vende aproximadamente 75 bilhões de pacotes e 45 bilhões de potes por ano. E por minuto são consumidos 3 mil pacotes e potes do macarrão instantâneo da NISSIN no mundo. 

Você sabia? 
Os produtos NISSIN possuem fios longos de macarrão que são ondulados para facilitar o manuseio do produto e para que os mesmos não se quebrem. 
A origem da palavra Lámen vem de La (massa esticada/estirada) e Men (macarrão, ou seja, macarrão com fios longos, estirados). 
O jornal The New York Times publicou em 2007 o editorial Mr. Noodle em homenagem a Ando, reafirmando que o macarrão instantâneo foi uma das principais invenções japonesas do pós-guerra, junto com o Walkman da Sony e o Civic da Honda


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Isto é Dinheiro, Veja, Exame e Época Negócios), jornais (Meio Mensagem, Estadão, Folha e Valor Econômico), sites diversos (Embalagem Marca), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 24/1/2021

PANASONIC


Através da oferta de produtos e serviços que são sinônimos de inovação, qualidade, desempenho e facilidade de uso, e tendo como objetivo contribuir com o desenvolvimento e elevar o padrão de vida de milhões de pessoas ao redor do mundo, a PANASONIC tem se empenhado em fabricar e comercializar diversos e avançados aparelhos eletroeletrônicos. “Uma vida melhor, um mundo melhor” é o condutor central de todos os produtos e serviços da marca japonesa, que contribuiu continuamente para a evolução da sociedade e para a felicidade das pessoas. 

A história 
A história da marca tem sua origem no dia 7 de março de 1918 quando o Sr. Konosuke Matsushita, na época um jovem de apenas 23 anos, juntamente com sua mulher, fundou uma pequena empresa familiar chamada Matsushita Electric Devices Manufacturing Works na cidade de Osaka para fabricar componentes elétricos. Contando apenas com dois empregados, o primeiro produto comercializado pela empresa foi um adaptador de tomada elétrica, projetado e desenvolvido pelo próprio senhor Matsushita. A tomada permitia conectar uma lâmpada e um aquecedor elétrico ao mesmo tempo. Tecnologia avançada para a época, porém, foi um fracasso total. Mas, ele não se apavorou e foi em busca de novas alternativas e começou a comercializar placas isoladoras cujos diferenciais em relação a seus concorrentes eram a qualidade elevada e, principalmente, entregas dentro do prazo acordado. Em 1923, com a invenção de um novo tipo de lâmpada para faróis de bicicletas, surgia pouco depois, em 1927, a marca NATIONAL para comercializá-la no mercado japonês. O ano de 1932 foi marcado por uma grande virada no crescimento da empresa, que já empregava mais de 1.000 pessoas, tinha 10 fábricas, 280 patentes e produzia 600 diferentes tipos de produtos, com suas vendas se estendendo, pela primeira vez, aos mercados externos. Era o início de um processo de internacionalização da empresa.


O desenvolvimento do primeiro rádio ocorreu em 1935 e, no ano seguinte, a empresa lançou no mercado o ventilador elétrico. Por volta de 1942, a empresa se tornou o primeiro fabricante de rádios do mercado japonês, lançando, no ano de 1952, o primeiro aparelho de televisão (ainda em branco e preto). Além disso, passou também a produzir lavadoras elétricas. Até este momento a empresa comercializava seus produtos sob a marca NATIONAL. Mas pouco depois, em 1955, com a exportação de seus famosos auto-falantes, a empresa resolveu adotar a marca PANASONIC (que significa “wide-ranging-sound” em inglês, algo como “som amplo” em português) para comercializá-los em outros países. Em 1958 foi fundada a Panasonic Mobile Communications como uma divisão especializada da empresa para a produção de produtos eletrônicos industriais, incluindo telecomunicações, áudio profissional, entre outros equipamentos. No ano seguinte, visando fomentar ainda mais seus negócios no exterior, foi inaugurada a subsidiária americana na cidade de Nova York, contando apenas com três funcionários na época. Inicialmente essa subsidiária comercializava no mercado americano rádios e televisores.


Rapidamente os executivos da empresa japonesa adotaram o nome PANASONIC em todos os seus produtos vendidos nos Estados Unidos, que posteriormente, no final da década de 1970, seria estendido para o mercado europeu. A década de 1960 foi marcada pela diversificação em sua linha de produtos com grandes lançamentos como a primeira televisão de 21 polegadas colorida do mercado japonês e o fac-símile; além da inauguração, em 1962, de uma subsidiária de vendas na Alemanha, que serviu como base para o ingresso da marca PANASONIC no continente europeu. A divisão de produtos para casa (Home Appliance) foi estabelecida em 1970 para a produção de eletrodomésticos, que introduziu pouco tempo depois o primeiro micro-ondas para uso doméstico.


A década seguinte seria marcada pelo desenvolvimento do primeiro aparelho de CD Player, que chamou a atenção do público ao ser apresentado na Tokyo Audio Fair e na feira de Berlim. A década de 1990 foi repleta de novidades, começando com o lançamento do Pancom Pro Note, primeiro notebook produzido pela empresa. Depois foi a vez do telefone celular MOVA P, o menor e mais leve aparelho disponível no mercado na época, equipado com bateria de níquel com hidrogênio; o aparelho de DVD; e as televisões digitais. No início do novo milênio o sinal amarelo acendeu para a empresa. Na ocasião, duramente atingido pela estagnação da economia japonesa, o balanço do grupo estampou um prejuízo de US$ 2 bilhões. Foi o estopim para uma reestruturação inédita. As 60 unidades de negócios foram reagrupadas em apenas 14. Fábricas foram fechadas no Japão e reabertas na China, onde os custos de mão-de-obra são mais baixos. Até mesmo cânones sagrados da administração japonesa, como a estabilidade no emprego, caíram por terra. Cerca de três mil funcionários perderam seus empregos.


Apesar de tantas transformações, o que mudou foi principalmente a forma de fazer negócios da empresa. Todos os novos produtos passaram a ser lançados simultaneamente no mundo. Até então, as novidades só chegavam aos mercados internacionais depois de alguns meses nas lojas japonesas. Nos últimos anos a PANASONIC colocou no mercado uma ampla variedade de produtos de última geração como a linha de TVs VIERA, as câmeras digitais LUMIX, os fornos de microondas com tecnologia avançada e uma moderna linha de seus tradicionais telefones sem fio.


No dia 1 de outubro de 2008, a Matsushita Electric Industrial adotou de vez o nome de sua marca mais popular, a PANASONIC, e abandonou, depois de quase um século, o nome de seu fundador, visando fortalecer sua imagem e impulsionar vendas no mercado global. Mas a mudança de nome também tinha como objetivo evitar confusões, já que até este momento a empresa fabricava produtos com a marca National para as vendas no Japão, e com a marca PANASONIC para as vendas no exterior. Com a marca unificada, tecnologia de ponta e com o esforço contínuo de todos os colaboradores, se comprometendo a fabricar cada produto com extrema dedicação, a PANASONIC passou a oferecer aos consumidores várias “ideias para a vida”, como dizia seu antigo slogan “ideas for life”.


Porém, as novidades do ano não pararam por aí. Em novembro a PANASONIC adquiriu, por US$ 8.8 bilhões, a rival Sanyo, fundada pelo cunhado do senhor Matsushita, Toshio Lue, logo após a Segunda Guerra Mundial, criando a maior fabricante de eletrônicos do Japão. A aquisição fortaleceu a PANASONIC no segmento de baterias recarregáveis e equipamentos de energia solar, duas áreas com forte potencial de crescimento. Em 2013 a empresa japonesa, em virtude da popularidade da tecnologia LCD, encerrou a produção de seus televisores de plasma. Com isso a PANASONIC passou a investir pesado na tecnologia 4K. Dentre as várias novidades estão um monitor 4K, o Toughpad de 20 polegadas (tablet com tela 4K) e até uma câmera com uma qualidade de imagem 4K.
 

Hoje me dia a PANASONIC empenha-se para reforçar o conceito “A Better Life, A Better World” (em português “Uma vida melhor, um mundo melhor”) para as pessoas do mundo todo em quatro principais divisões de negócios: Appliances Company (tem o compromisso de desenvolver produtos líderes em termos ambientais que atendem às novas necessidades dos consumidores nas áreas de eletrodomésticos, cozinha, condicionadores de ar, aquecedores de ar, beleza e saúde), Eco Solutions Company (trabalha incansavelmente para oferecer soluções que criem um ambiente confortável e reduzam o impacto ambiental, incluindo produtos para residências, escritórios, fábricas e comunidades, usando avançada tecnologia de gestão de energia), AVC Networks Company (conta com uma ampla variedade de produtos e serviços, como produtos AVC digitais, telefones celulares, sistemas de vigilância e de câmeras de segurança, terminais de pagamento e autenticação, sistemas PBX, equipamentos IP, telefones empresariais, equipamentos para documentos, sistemas sem fio, sistemas para infraestrutura social com integração de sistemas, serviço de manutenção e construção) e Automotive & Industrial Systems Company (ajuda a proporcionar estilos de vida ecológicos e inteligentes que também estejam seguros e protegidos; tudo com base em tecnologia central exclusiva).


A linha do tempo 
1951 
Lançamento da primeira máquina de lavar roupa com sistema agitador. 
1953 
Lançamento do primeiro refrigerador elétrico. 
1956 
Lançamento da primeira panela elétrica para fazer arroz. 
1958 
Lançamento do primeiro ar-condicionado da marca. 
1960 
Lançamento da primeira televisão de 21 polegadas colorida do mercado japonês. 
1962 
Lançamento do fac-símile (popularmente conhecido como FAX). 
1964 
Lançamento das primeiras filmadoras profissionais. 
1965 
Lançamento de uma linha de auto-falantes de alta performance sob a marca TECHNICS
1967 
Lançamento do rádio AM/FM cassette recorder, modelo RQ-231, para exportação. 
1970 
Lançamento, no mercado americano, do primeiro forno microondas para uso doméstico, um aparelho compacto, na vertical e que ocupava muito pouco espaço na cozinha. 
1977 
Lançamento do vídeo VHS. 
1982 
Desenvolvimento do primeiro aparelho de CD (CD Player). 
1985 
Lançamento da filmadora VHS, que pesava 2.5 quilos. 
1990 
Lançamento do primeiro notebook produzido pela empresa. 
1991 
Lançamento do telefone celular MOVA P, sendo então o menor e mais leve aparelho disponível no mercado, equipado com bateria de níquel com hidrogênio. 
1993 
Lançamento de uma nova lâmpada fluorescente, que durava seis vezes mais que uma lâmpada comum. 
1994 
Lançamento do primeiro notebook do mundo com CD-DRIVE integrado. 
Lançamento das pilhas recarregáveis de lítio. 
1996 
Lançamento do aparelho de DVD, com capacidade para gravação. 
Lançamento do primeiro monitor de plasma de 26 polegadas do mundo. 
1998 
● Lançamento das primeiras televisões digitais no mercado americano. 
● Lançamento do primeiro aparelho de CD portátil do mundo. 
1999 
Lançamento do notebook TOUGHBOOK, que introduziu a tecnologia de tela sensível ao toque. 
Lançamento do primeiro notebook com tecnologia Bluetooth. 
2004 
Lançamento do menor aparelho celular do mundo na época, pouco maior que uma caixa de fósforos e com peso de apenas 75 gramas. 
Apresentação, na época, da maior TV de plasma do mundo, com tela de 65 polegadas, que chegou as lojas japonesas custando US$ 20.000. 
2006 
Lançamento dos novos modelos de TV de plasma e LCD grandes da série VIERA com telas de 50, 58, 65 e 103 polegadas, esta última a maior do mundo na época. 
2008 
Lançamento das pilhas alcalinas EVOLTA, consideradas pelo Livro dos Recordes (Guinness) como as mais duráveis do mundo. 
2009 
Lançamento de sua primeira TV LCD 3D. 
2012 
Lançamento do TOUGHPAD, primeiro tablet da marca japonesa. 
2013 
Apresentação do novo TOUGHPAD, primeiro tablet com resolução 4K, cuja tela tem 20 polegadas. 
2014 
Lançamento da TV com tecnologia LED 4K, nos modelos de 58, 65 e 85 polegadas. 
Relançamento da marca TECHNICS com dois novos sistemas de som de alta fidelidade. 
Lançamento da nova linha de smart TV VIERA LIFE+ SCREEN, que leva o consumidor para um novo nível de personalização e interação. Essas televisões se incluem no conceito Beyond Smart (Mais que Inteligente), capazes de reconhecer os telespectadores (por voz) e aprender as preferências de conteúdo de cada um.


O marketing 
A PANASONIC investe constantemente em marketing, apoiando uma série de importantes eventos e atividades globais que reforçam sua filosofia de contribuir para a sociedade fornecendo tecnologia de ponta. Há mais de 25 anos, a marca japonesa é parceira Olímpica na categoria de equipamentos audiovisuais desde a inclusão do programa TOP (The Olympic Partner) nas Olimpíadas de Inverno de Calgary, no ano de 1988. Outro exemplo é Neymar. Em março de 2010 a PANASONIC se tornou a primeira empresa japonesa a assinar um contrato de publicidade com o jogador brasileiro. Pouco depois, em abril de 2011, Neymar se tornou o garoto-propaganda global da marca e será o embaixador global em ações promocionais para os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Já para o mercado brasileiro tem como embaixadora a bela Fernanda Lima para a linha branca de produtos da marca (refrigeradores, lavadoras, micro-ondas e condicionadores de ar).


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas modificações ao longo dos anos. O logotipo original da marca surgiu no ano de 1955. Depois de passar por duas modificações, que incluíram o tradicional símbolo da letra N e o nome National, em 1971 a PANASONIC apresentou seu logotipo atual. Esse logotipo pode ser aplicado nas cores azul (desde 2007) ou preta.


Os slogans 
A Better Life, A Better World. (2013) 
Ideas For Life. (2003) 
Changes your life. (2001) 
Panasonic, The One That I Want. (1996) 
What’s on Panasonic. (1990) 
Just slightly ahead of our time. (1976)


Dados corporativos 
● Origem: Japão 
● Fundação: 7 de março de 1918 
● Fundador: Konosuke Matsushita 
● Sede mundial: Kodoma, Osaka, Japão 
● Proprietário da marca: Panasonic Corporation 
● Capital aberto: Sim 
● Chairman: Shusaku Nagae 
● CEO: Kazuhiro Tsuga 
● Faturamento: US$ 64 bilhões (2014) 
● Lucro: US$ 3.2 bilhões (2014) 
● Valor de mercado: US$ 26.6 bilhões (agosto/2015) 
● Valor da marca: US$ 6.303 bilhões (2014) 
● Presença global: 193 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 254.000 
● Segmento: Eletrônicos e tecnologia 
● Principais produtos: TVs, telefones sem-fio, aparelhos de som, computadores, câmeras digitais, refrigeradores e microondas 
● Concorrentes diretos: Sony, Sharp, Hitachi, Toshiba, Philips, JVC, Canon, LG, Samsung e Electrolux 
● Slogan: A Better Life, A Better World. 
● Website: www.panasonic.com.br 

O valor 
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca PANASONIC está avaliada em US$ 6.303 bilhões, ocupando a posição de número 64 no ranking das marcas mais valiosas do mundo. Além disso, é a 131ª maior empresa do mundo de acordo com a Fortune Global 500 de 2014. 

A marca no Brasil 
A subsidiária brasileira da PANASONIC começou as operações no país em dezembro de 1967 com a importação e comercialização de pilhas. Nas próximas quatro décadas a PANASONIC iria gradativamente aumentando sua linha de produtos no país, englobando atualmente eletrodomésticos de avançada tecnologia (refrigeradores, microondas, fornos elétricos, lavadoras de roupa e ar-condicionado), uma moderna linha de televisores, aparelhos de som, telefones sem-fio, fones de ouvido, aparelhos de Blu-Ray, pilhas e baterias auditivas. No dia 1º de novembro de 2008 a empresa deu um importante passo para reforçar, ainda mais, o relacionamento com os consumidores ao inaugurar no Brasil a terceira loja conceito da marca no mundo, a Panasonic Idea Plaza, localizada no piso superior do Morumbi Shopping. somente Japão (duas) e China até então tinham a loja-conceito. Com o melhor da tecnologia PANASONIC, toda a linha comercializada no Brasil e uma série de produtos inéditos no país eram apresentados em um ambiente moderno.


Atualmente, mais de 2.100 funcionários atuam nas fábricas de São José dos Campos (produz pilhas de zinco manganês, alcalinas e componentes mecânicos para a linha áudio e vídeo, além de componentes para a linha de microondas), Manaus (produz uma diversificada linha de equipamentos) e Extrema (refrigeradores e lavadoras, sendo a primeira fábrica de produtos de “linha branca” da empresa fora da Ásia), além do escritório administrativo e comercial em São Paulo.


A marca no mundo 
A PANASONIC é líder mundial nas áreas de desenvolvimento e fabricação de produtos eletrônicos, atendendo a uma ampla faixa de consumidores, empresas e indústrias. A empresa comercializa sua ampla linha de produtos (que incluem Blu-Ray players, televisores, telefones sem fio, equipamentos de áudio, celulares, filmadoras, notebooks, câmeras fotográficas, tablets e eletrodomésticos), além de sistemas e serviços, em mais de 190 países ao redor do mundo, registrando vendas líquidas no valor de US$ 64 bilhões em 2014. 

Você sabia? 
Atualmente a PANASONIC é a quarta maior fabricante de televisores do mundo. 
Em 2014 a PANASONIC foi reconhecida como a 5ª Marca Mais Verde do Mundo, segundo a lista da consultoria Interbrands. Nesta lista, as marcas são avaliadas com base na Performance Verde (performance ambiental corporativa) e na Percepção Verde (percepção pública de performance verde). 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Exame e Isto é Dinheiro), jornais (Valor Econômico), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 27/8/2015