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28.1.20

SAUDI ARAMCO


Provavelmente você não saiba qual é a empresa mais valiosa do planeta. Oriunda de um país ditatorial e polêmico, muito em virtude de suas posições políticas e religiosas controversas para muitos, ela possivelmente tem boa parte da responsabilidade em fazer o “mundo rodar”. Afinal, é responsável pela produção de aproximadamente 10% do petróleo no mundo. Mais poderosa que muitos países, a petrolífera estatal saudita conhecida pelo nome de SAUDI ARAMCO, é um verdadeiro titã no mundo dos negócios, apontada como a maior e mais rentável empresa energética do planeta. 

A história 
A origem da SAUDI ARAMCO (em árabe أرامكو السعودية‎) data de 29 de maio de 1933, quando um contrato de concessão foi assinado entre o rei saudita Ibn Saud e a companhia americana Standard Oil Company of California (conhecida como SOCAL). Com isso, foi criada uma empresa subsidiária, a California Arabian Standard Oil Company (CASOC), para gerenciar o contrato de concessão de prospecção, perfuração e exploração de poços de petróleo no país. O trabalho começou imediatamente. Depois de pesquisar por todo o vasto deserto da Arábia Saudita em busca de petróleo, a perfuração começou em 1935. Após um período de um árduo esforço com pouco resultado prático, em 1937, os executivos da SOCAL procuraram o conselho de seu geólogo-chefe, Max Steineke. Com base em anos de trabalho de campo e muita experiência, Steineke aconselhou continuar a perfuração. E finalmente a empresa alcançou o tão almejado objetivo ao descobrir a primeira jazida de petróleo. Em 1938 teve início a produção comercial de petróleo no poço Dammam No. 7 - apropriadamente chamado de “Poço da Prosperidade”. Esse poço produziu imediatamente mais de 1.500 barris por dia, dando à empresa confiança para continuar sua procura pelo “ouro negro”. Nos anos seguintes, com petróleo jorrando em abundância, a empresa seria responsável por criar um oásis de riqueza para o país árabe.


Em 1949, a produção de petróleo bruto da empresa atingiu o nível recorde de 500.000 barris por dia e seguiu aumentando após a descoberta de outros grandes campos petrolíferos, como por exemplo, Ghawar, o maior do mundo, com reservas comprovadas de 60 bilhões de barris. Pouco depois, em 1950, o rei Abdulaziz ameaçou nacionalizar as instalações de petróleo de seu país, pressionando a empresa a concordar em compartilhar os lucros 50/50. Além disso, no ano seguinte a empresa descobriu o Safaniya, o maior campo do mundo de petróleo offshore (produção e serviços prestados no mar na indústria petrolífera). Era uma descoberta e tanto para começar a transformar a empresa em um gigante do setor. A década de 1970 foi extremamente importante para uma reviravolta na história da empresa. Isto porque, no ano de 1973, em pleno “boom” dos preços do petróleo no mundo, vinculado ao embargo árabe do chamado “ouro negro” contra os Estados Unidos por seu apoio a Israel na Guerra do Yom Kippur, a Arábia Saudita, então governada pelo rei Faisal Abdulaziz Al Saud, aproveitou a oportunidade para adquirir 25% da empresa, com os quais o percentual do Estado Saudita chegou a 60%, tornando-o acionista majoritário. Era o início da nacionalização da empresa.


Essa década também foi marcada pela diversificação dos negócios da empresa com o início da produção de gás por volta de 1975. Foi uma maneira de gerar fluxos adicionais de valor além do petróleo bruto. Hoje, a SAUDI ARAMCO é a única fornecedora de gás natural para a Arábia Saudita e a sétima maior do mercado mundial, além de operar a maior rede mundial de hidrocarbonetos, batizada de Master Gas System (uma extensa rede de dutos e instalações de processamento que conecta seus principais locais de produção de gás a centros de demanda em toda a Arábia Saudita). Na década de 1980, a empresa foi totalmente nacionalizada e oito anos mais tarde, rebatizada de Saudi Arabian Oil Company ou SAUDI ARAMCO. No final desta década, o primeiro CEO saudita da companhia, Ali al-Naimi, assumiu o comando com a visão de que a SAUDI ARAMCO poderia se tornar uma empresa global de energia integrada. Ao longo de seus anos como CEO, ele expandiu os ativos da empresa para incluir o downstream (refino, que hoje inclui produtos como GLP, nafta, gasolina, combustível de aviação/querosene, diesel, óleo combustível e asfalto) e outros ativos nos Estados Unidos, Coréia do Sul, China, Indonésia, Japão e Europa. Ali al-Naimi e seus sucessores também ampliaram a presença da empresa na Arábia Saudita por meio de joint ventures com refinarias e petroquímicas.


A partir dos anos de 1990, a SAUDI ARAMCO investiu bilhões de dólares em projetos de expansão para ampliar ainda mais sua capacidade produtiva, muito em virtude das consequências da Guerra do Golfo. Foi neste período também que a empresa iniciou uma expansão das vendas de petróleo no mercado asiático, incluindo acordos com a Coréia do Sul, Filipinas e China. Além disso, em 1998, a empresa resolveu ingressar no segmento de produtos químicos, procurando maximizar o valor de cada molécula de hidrocarboneto que produzia e criar um portfólio diversificado de fontes de receita não petrolíferas. Já em 2005, a SAUDI ARAMCO era considerada por especialistas a maior empresa do mundo, com um valor estimado de mercado de US$ 781 bilhões. Apesar de seu gigantismo, toda produção da SAUDI ARAMCO está em um país localizado na região mais conturbada e tensa do mundo. Os riscos em potencial ficaram evidentes no dia 14 de setembro de 2019 quando ataques realizados por drones atingiram a refinaria de Abqaiq (maior instalação de estabilização de petróleo bruto do mundo) e o campo de Khurais. E o impacto para o mundo foi grande. A empresa suspendeu a produção de 5.7 milhões de barris de petróleo bruto, o equivalente a aproximadamente 60% da produção do reino e 6% da produção mundial de petróleo. O preço do petróleo bruto Brent (a referência internacional) aumentou mais de 10% nas primeiras horas do dia 16 de setembro.


Até pouco tempo atrás envolta em mistério e pouca transparência, a SAUDI ARAMCO se transformou nos últimos anos à medida que se preparava para se tornar uma empresa de capital aberto. A SAUDI ARAMCO começou então a publicar seus resultados financeiros, realizar sessões de perguntas e respostas sobre a companhia e até mesmo levar jornalistas para visitar suas instalações. Também contratou mulheres ocidentais para alguns de seus principais cargos. E finalmente no dia 11 de dezembro de 2019, a SAUDI ARAMCO chamou a atenção do mundo ao protagonizar a maior oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de todos os tempos, conseguindo levantar US$ 25.6 bilhões, sendo avaliada em impressionantes US$ 1.7 trilhões. O que mais impressiona é que a empresa colocou míseros 1.5% do seu capital social, com dois terços destinados a investidores institucionais e o restante para particulares. Esta iniciativa faz parte do programa “Saudi Vision 2030”, anunciado em 2016 pelo príncipe herdeiro Mohammad Bin Salman. O propósito é modernizar a Arábia Saudita, tanto internamente como sociedade e também como potência financeira mundial. O programa tem como principal objetivo eliminar a dependência que o país tem sobre combustíveis fósseis. Apenas dois dias depois da entrada na bolsa de Riad, capital da Arábia Saudita, a empresa já havia se valorizado a ponto de atingir a marca dos US$ 2 trilhões. Com isso, tornou-se a primeira empresa multitrilionária do mundo dos negócios. O valor de mercado da SAUDI ARAMCO nesse dia foi maior que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2018, estimado em US$ 1.8 trilhões.


Um dos aspectos do enorme sucesso da SAUDI ARAMCO em um segmento altamente competitivo é o baixo custo de produção. Enquanto a extração de petróleo no mar custa caro devido à sua localização a dezenas de metros debaixo da água, o petróleo na Arábia Saudita está relativamente próximo da superfície. A empresa tem muitos campos de petróleo com custo barato para extração (especialistas estimam que em torno de US$ 10 o barril). Isto explica o enorme lucro da SAUDI ARAMCO. Durante sua história, a SAUDI ARAMCO construiu uma reputação de confiabilidade incomparável no fornecimento de petróleo bruto aos mercados de energia em todo o mundo.


Hoje em dia a SAUDI ARAMCO tem uma grande missão: atender mercados globais, resolver desafios globais e criar impacto global. A empresa saudita acredita no poder da energia para transformar vidas, melhorar comunidades, avançar o progresso humano e sustentar nosso planeta. Com a previsão de aumento da população global nos próximos 25 anos, será necessária ainda mais energia para atender à crescente demanda. Serão necessárias todas as fontes de energia disponíveis para atender a essa necessidade - fontes herdadas e alternativas. E a SAUDI ARAMCO está comprometida em impulsionar a eficiência energética e enfrentar o desafio das emissões globais. E, como maior empresa integrada de petróleo e gás do mundo, acredita estar qualificada de maneira única para fazer contribuições efetivas para a solução geral desse enorme problema.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas alterações ao longo dos anos. No dia 31 de janeiro de 1944, quando o nome da empresa foi alterado para Arabian American Oil Co. (conhecido pela abreviatura de ARAMCO), foi adotado um novo logotipo. Em 1988 com a mudança para Saudi Arabian Oil Company, pela primeira vez o nome SAUDI ARAMCO apareceu no logotipo. Posteriormente a marca apresentou um logotipo mais moderno e colorido. Este logotipo passou por uma modernização há alguns anos atrás.


Dados corporativos 
● Origem: Arábia Saudita 
● Fundação: 29 de maio de 1933 
● Fundador: Governo da Arábia Saudita 
● Sede mundial: Dhahran, Arábia Saudita 
● Proprietário da marca: Saudi Arabian Oil Company 
● Capital aberto: Sim (2019) 
● Chairman: Yasir Al-Rumayyan 
● CEO: Amin H. Al-Nasser 
● Faturamento: US$ 355.9 bilhões (2018/2019) 
● Lucro: US$ 111.1 bilhões (2018/2019) 
● Valor de mercado: US$ 1.8 trilhões (janeiro/2020) 
● Presença global: 60 países 
● Presença no Brasil: Não 
● Funcionários: 76.000 
● Segmento: Energia e químico 
● Principais produtos: Petróleo, gás natural e produtos petroquímicos 
● Concorrentes diretos: Shell, Exxon Mobil, BP, Total, Petronas, Chevron, ConocoPhillips, ADNOC’s, Sinopec, Lukoil, Petrobras, Equinor e Marathon Petroleum 
● Slogan: Where energy is opportunity. 
● Website: www.aramco.com 

A marca no mundo 
Não é nenhum exagero afirmar que a SAUDI ARAMCO, responsável pela riqueza da Arábia Saudita, é um verdadeiro titã difícil de ser superado. Afinal seus números impressionam: aproximadamente 260 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo (tornando a Arábia Saudita o segundo país com as maiores reservas mundiais, atrás apenas da Venezuela), produção diária superior a 10 milhões de barris, mais de 76 mil empregados, faturamento de US$ 356 bilhões e lucro líquido de US$ 111.1 bilhões (dados de 2018/2019), que supera em mais de três vezes os lucros combinados de cinco das maiores petrolíferas do mundo. Além disso, a empresa saudita produz diariamente 1.1 milhões de barris de gás natural liquefeito (GNL) e 8.9 milhões de metros cúbicos de gás natural. A empresa está presente em mais de 60 países nos três principais mercados globais de energia (Ásia, Europa e América do Norte), através de filiais, refinarias e redes de oleodutos, nacionais e internacionais. A SAUDI ARAMCO exporta mais de 5 milhões de barris de petróleo por dia para países asiáticos (onde seus maiores clientes são China, Índia, Coréia do Sul e Japão), mais de 1 milhão de barris para a América do Norte e perto de 900 mil para o mercado europeu. A empresa mantém 11 centros de pesquisa & desenvolvimento e escritórios de tecnologias em países como Escócia, China, Estados Unidos, Coréia do Sul, Holanda, Rússia e França, além da Arábia Saudita. 

Você sabia? 
A empresa gerencia mais de cem campos de petróleo e gás na Arábia Saudita, incluindo 288 trilhões de pés cúbicos padrão de reservas de gás natural. A SAUDI ARAMCO ainda opera o Ghawar, o maior campo petrolífero onshore do mundo, e o Safaniya, o maior campo petrolífero offshore do mundo. 
Pesquisas de 2019 mostraram que a SAUDI ARAMCO, com emissões de 59.2 bilhões de toneladas de CO2 desde 1965, foi a empresa com as maiores emissões do mundo durante esse período. 
A SAUDI ARAMCO é hoje a maior exportadora de petróleo - e a única produtora que mantém pelo menos 2 milhões de barris por dia de capacidade ociosa que podem ser colocados rapidamente no mercado. 
O Governo da Arábia Saudita é dono de 98.5% da petrolífera. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), jornais (Valor Econômico, Folha, O Globo e Estadão), portais (G1 e BBC), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 28/1/2020

15.11.08

BP (BRITISH PETROLEUM)


Carros rodando com gasolina na Turquia. Outros utilizando etanol nos Estados Unidos. Caminhões a diesel trafegando pelas estradas inglesas. Casas com aquecimento a gás na gélida Finlândia. Energia eólica sendo gerada em vários pontos do mundo. Aviões sendo abastecidos em grandes aeroportos. Pontos de carregamento de veículos elétricos em várias regiões do mundo. É a British Petroleum, agora conhecida apenas por BP, trabalhando para o mundo não parar, gerando cada vez mais energia limpa para o bem da humanidade e do planeta. 

A história 
Tudo começou no dia 28 de maio de 1901 quando William Knox D’Arcy, fundador e investidor inicial da futura BP, obteve uma concessão de 60 anos do Xá Mozaffar ad-Din Shah Qajar para explorar e comercializar petróleo, gás, asfalto e ozocerita em vastas extensões da Pérsia - atual Irã. Pouco depois, em 1905, graças à ajuda financeira da Burmah Oil Company, a nova empresa pode continuar explorando a região, ainda sem êxito na descoberta do petróleo. Finalmente, no dia 26 de maio de 1908, a empresa descobriu petróleo em quantidades “comerciais”, no sudoeste do Irã. Foi a primeira descoberta de petróleo comercialmente significativa no Oriente Médio. No ano seguinte, em 14 de abril, nascia a Anglo-Persian Oil Company (APOC), primeira denominação da BP, com 97% de suas ações controladas pela Burmah Oil Company e o restante em poder do Lord Strachona, primeiro presidente da empresa, tendo como principal objetivo a exploração de petróleo naquela região. A primeira refinaria foi inaugurada em 1912. Mas nem tudo era sucesso. Em 1914, quase falida devido aos altos investimentos, a empresa foi salva pela assinatura de um acordo para fornecer 40 milhões de barris de petróleo à Marinha Real Britânica ao longo de 20 anos, em troca de 2 milhões de libras esterlinas e da aquisição, pelo governo britânico, de uma participação de 51% na empresa.
  

O primeiro produto comercial da empresa foi a gasolina B.P. Motor Spirit, vendida no Reino Unido pela primeira vez em 1921, iniciando seu crescimento no varejo de combustíveis e postos de serviços, surgindo assim a marca BP. Em 1926, a empresa criou Air bp, divisão especializada em aviação, sendo hoje um dos principais fornecedores mundiais de combustíveis de aviação (QAV). Nesse mesmo ano foi lançada sua primeira unidade móvel de abastecimento para aeronaves. Vale ressaltar que o primeiro voo abastecido pela Air bp ocorreu em 1927 na índia. Atualmente a Air bp, que atua nos segmentos de aviação geral, comercial e militar, abastecendo desde pequenos jatos particulares a grandes aeronaves das principais companhias aéreas, está presente em mais de 50 países e no Brasil opera desde 2002, e hoje distribui combustíveis de aviação em 40 localidades Ainda nesta década a empresa experimentou um forte período de expansão, com explorações de petróleo no Canadá, na América do Sul, África e Europa.
   

Em 1935, a empresa mudou seu nome para Anglo-Iranian Oil Company (conhecida como AOIC). Isso ocorreu porque o país Pérsia mudou seu nome para Irã. A Segunda Guerra Mundial foi devastadora para a empresa, que perdeu mais da metade de sua frota de petroleiros. No início da década de 1950 começou um novo período de crise para a empresa: o Irã nacionalizou os ativos da empresa no país que, nessa época, era o maior investimento britânico no exterior. Depois de três anos de negociações, em 1954, com a participação do governo dos Estados Unidos, foi formado um consórcio de empresas petrolíferas para reiniciar a produção petrolífera iraniana. A Anglo-Iranian Oil Company - a partir desse momento denominada BRITISH PETROLEUM COMPANY - ficou com 40% desse consórcio. Apesar do período conturbado, nessa época a empresa lançou a gasolina BP Super Plus, comercializada como um combustível de alta octanagem projetado para motores de alta compressão.
  

Em 1955, a British Petroleum, assim como outras empresas, percebeu o potencial do novo meio de comunicação que era a televisão, e veiculou seu primeiro comercial nas telinhas do Reino Unido. Em meados da década de 1960, a BP possuía muitas operações no exterior, investindo enorme quantia de dinheiro em pesquisas, prospecções e exploração ao redor do mundo. Em 1969, depois de anos de exploração, se descobriu no Alasca uma das maiores bacias petrolíferas dos Estados Unidos. Foi então imposta a necessidade de administrá-la a partir de uma empresa norte-americana bem estabelecida. A BP então adquiriu 25% da Standard Oil Company (originalmente denominada John D. Rockefeller Standard Oil), participação que, em 1975, se tornaria majoritária. Em 1970, a BP fez sua maior descoberta até o momento no Mar do Norte britânico, o gigantesco campo de Forties, um campo petrolífero com reservas estimadas em bilhões de barris, localizado a 160 quilômetros da costa mais próxima.
   

Na década de 1970, durante a crise do petróleo, a BP, assim como o restante das empresas petrolíferas, perdeu o acesso ao petróleo dos países da OPEP. Para nivelar as fontes de receitas, a empresa começou a se diversificar. Através de uma aliada francesa, começou a atuar no setor de proteínas, e mais tarde, no setor de nutrição animal e humana, com a criação da BP Nutrition. Ingressou também no mercado de carvão e de minerais. A década seguinte foi repleta de novidades para a BP: em 1981, a empresa enfrentou uma profunda reestruturação; em 1986, sua divisão de nutrição comprou a empresa americana Purina Mills (conheça essa história aqui), uma das mais tradicionais do mercado; no ano seguinte, em 1987, o governo britânico vendeu suas ações, privatizando completamente a empresa, e em 1988 adquiriu a Britoil, ampliando sua área de exploração no Mar do Norte. No final desta década, a BP iniciou a procura de grandes reservas de petróleo em áreas inexploradas no mundo.
 

Em 1990, a British Petroleum começou a focar-se mais no setor de energia, vendendo a maior parte da BP Coal, seu empreendimento na área de mineração. Aos poucos começou também a se desligar do setor de nutrição animal. Porém a grande mudança ocorreria em 1995, quando Lord Browne of Madingley assumiu o cargo de CEO da empresa. Com ele no comando a BP cresceu espantosamente, se tornou mais lucrativa e passou a ser um das maiores companhias de energia do mundo. Uma de suas principais ações ocorreu em dezembro de 1998, quando comandou a fusão das operações globais da Amoco (subdivisão da Standard Oil determinada pela Suprema Corte dos Estados Unidos, em 1929) e da BP. Essa união representava a maior fusão industrial do mundo, até aquele momento, fazendo com que a BP se tornasse uma verdadeira gigante do setor, sendo a maior produtora de petróleo e gás natural da União Europeia e a terceira maior empresa petrolífera em capital do mundo.
   

A fusão também foi importante para a empresa ingressar pesado no mercado americano de varejo, já que a Amoco era um das mais populares e conceituadas marcas de gasolina, com milhares de postos de serviços espalhados pelo país. Depois de adquirir a Atlantic Richfield Company (ARCO), em 1999, e a Burmah Castrol, quando passou a ser proprietária da marca Castrol® (conheça essa outra história aqui), em 2000 a empresa passou por uma grande mudança que adotou uma nova logomarca, unificando as quatro companhias. A sigla BP passou então a significar “Beyond Petroleum” (algo como “além do petróleo”), traduzindo claramente a missão da empresa: explorar novas energias e aproveitar o seu negócio, trazendo mais valias à sociedade e ao mundo.
  

Junto com a estreia de sua nova imagem e posicionamento, a BP iniciou a inauguração de postos de abastecimentos ecológicos, capazes de funcionar com total autonomia da rede elétrica, recorrendo apenas a energias alternativas. Estes postos representavam protótipos de futuros desenvolvimentos na rede de varejo, tendo como objetivo produzir a energia necessária ao seu funcionamento com o menor impacto possível para o meio ambiente. A BP também apostou na inovação, sobretudo na área do desenvolvimento de novos produtos. Em Portugal, e antecipando em cinco anos a norma europeia sobre o teor de enxofre na gasolina, foi lançado o combustível Eco Super, uma gasolina que reduzia 90% das emissões de enxofre e 25% as emissões de dióxido de carbono. Tratava-se de uma iniciativa que fazia parte do programa “Cidades Mais Limpas”, um projeto da empresa que consistia em comercializar combustíveis mais limpos em 40 cidades do mundo e contribuir assim para a melhoria contínua da qualidade do ar. Além disso, investiu pesado em parques eólicos ao redor do mundo e no desenvolvimento de energia com base no hidrogênio. E investiu na energia solar, com instalações em diversos países.
  

Em 2002, a BP adquiriu a Aral, a maior rede de postos de combustíveis da Alemanha, ingressando fortemente no setor de varejo naquele país. Em 2003, a empresa introduziu no mercado a linha de combustível BP Ultimate, composta por gasolina e óleo diesel, que foi desenvolvida como parte de um programa contínuo de testes extensivos e rigorosos para alcançar de forma ímpar os benefícios combinados de mais rendimento e menos poluição. Nos anos seguintes, a BP investiu pesado para deixar de ser uma empresa quase que exclusivamente de petróleo para oferecer diversas fontes de energia, porque entendeu que a sobrevivência do negócio dependia dessa mudança.
  

No final de 2019, a empresa firmou uma joint-venture com a Bunge (conheça essa história aqui) para criar a Bunge Bioenergia, que surgiu da união dos ativos de bioenergia e açúcar da BP e da Bunge no Brasil, com foco em etanol, açúcar e bioeletricidade. Vale ressaltar que, em outubro de 2024, a empresa britânica adquiriu a participação da Bunge no negócio, criando assim a bp bioenergy, que produz etanol, açúcar e bioeletricidade por meio da cana-de-açúcar, opera 11 unidades de biocombustíveis em cinco estados brasileiros, com capacidade de moagem de 32 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano.
  

Ainda em 2020, a empresa lançou a BP pulse como marca no Reino Unido, substituindo o nome da rede pública de carregamento Chargemaster (adquirida pela BP em 2018). Posteriormente, expandiu a BP pulse para os Estados Unidos em 2022, após a reformulação da marca AMPLY Power, que passou a fazer parte do negócio global de carregamento de veículos elétricos da BP. Atualmente a BP pulse, focada em soluções rápidas e ultrarrápidas de carregamento de veículos elétricos, opera mais de 40.000 pontos em todo o mundo, com a meta de expandir essa rede para mais de 100.000 pontos até 2030. Em 2025, a empresa anunciou uma descoberta significativa de petróleo e gás no “Campo Bumerangue”, na Bacia de Campos, no estado do RJ, destacada como uma das maiores da BP em 25 anos.
   

Atualmente a BP também atua fortemente no segmento de varejo com a comercialização de combustíveis de aviação através da divisão Air bp, lubrificantes (com a marca Castrol®) e operação de mais de 21 mil postos de serviços e combustíveis sob as marcas ARCO (presente em diversos estados americanos como Califórnia, Oregon, Washington, Nevada, Idaho, Arizona, Utah, entre outros), AMOCO (postos de gasolina no leste e no meio-oeste americano), BP (que oferece combustíveis, loja de conveniência e serviços como lavagem e troca de óleo, localizados no Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e outros países europeus), ARAL (na Alemanha) e BP TRAVEL CENTRE (enormes espaços localizados em estradas que oferecem posto de serviço, loja de conveniência e praças de alimentação com restaurantes, além de estacionamento para caminhões, lounge, vestiário com chuveiro e máquinas de lavar roupa). Vale ressaltar que somente no Reino Unido, seus postos de serviços atendem a mais de sete milhões de clientes por semana. Além disso, a BP está expandindo o carregamento rápido de veículos elétricos em seus postos de gasolina, principalmente no Reino Unido, Alemanha, China e Estados Unidos.
   

A empresa também atua no setor de lojas de conveniência com a rede ampm® (conheça essa história aqui), que possui forte presença nos Estados Unidos e em outros países como Japão e Brasil, onde é licenciada para a Ipiranga (conheça essa história aqui), a Thorntons (adquirida integralmente pela BP em 2021, operando mais de 200 lojas e postos de gasolina nos Estados Unidos), a Wild Bean Cafe (marca própria de serviços de alimentação da BP, oferecendo comida quente e café), a Aral (com lojas na Alemanha) e a Petit Bistro (marca própria de produtos de conveniência oferecida em mercados internacionais selecionados).
  

Um rebranding milionário 
A empresa britânica foi uma das primeiras a perceber o poder das marcas sobre o mercado financeiro. Em uma estratégia preventiva, no ano de 2000, a petrolífera decidiu antecipar-se às cobranças dos consumidores e investiu US$ 253 milhões para “limpar sua imagem”, apresentando-se como uma companhia de energia, que investe não apenas em plataformas de extração e oleodutos, mas também em fontes energéticas renováveis e limpas. A principal razão do novo posicionamento da marca era simples: a BP sempre esteve associada à poluição, por isso, resolveu se transformar numa empresa preocupada com meio ambiente, abrindo grande espaço para energias alternativas. Depois de sete décadas ostentando o mesmo brasão de fundo verde com a sigla BP em amarelo, a empresa investiu pesado para mudar completamente sua logomarca global. Escolheu um inusitado símbolo (chamado Helios, deus grego do sol, astro que continua sendo a maior fonte de energia da Terra) que lembrava uma flor, ladeado por um novo slogan.
  

As iniciais “BP” passaram a significar também Beyond Petroleum, algo como “além do petróleo”. Grupos ambientalistas, todavia, opuseram-se a essa mudança. O Greenpeace (conheça essa história aqui) transformou o slogan em “Burning the planet”, algo como “queimando o planeta”. A mudança foi uma mensagem direta aos investidores: a BP estava atenta às fontes renováveis de energia e pretendia continuar forte em seu ramo de atuação - mesmo diante da diminuição das reservas globais de petróleo. A nova marca estava mais alinhada com as novas aspirações da empresa: “Better People, Better Products, Better Picture, Beyond petroleum”.
  

Os ingleses escoraram sua nova imagem em grandes investimentos em fontes de energias alternativas, como solar e eólica, para provar que a mudança não era apenas uma maquiagem de marketing. A criação da nova marca foi, e ainda é, um dos casos mais bem sucedidos de revitalização de imagem. Para provar que o novo posicionamento da empresa não era apenas visual, a empresa desenvolveu capacidade própria para trabalhar com as tecnologias limpas.
  

Finalmente, depois de alguns anos, a demanda por elas se tornou cada vez mais crescente. A divisão da empresa (BP Alternative Energy), criada em 2005 e que opera com fontes de energias eólica e solar, hidrogênio e postos de venda de gás natural são lucrativas. Em energia solar, um mercado que cresce a uma média anual de 30%, a BP projeta receita bilionárias e crescentes.
  

Toda essa mudança, no entanto, não foi suficiente para livrá-la das acusações de “greenwashing” (algo como “maquiagem verde”). Ainda hoje, a BP é patrulhada pelos ambientalistas, como provam as recentes denúncias de que estaria envolvida em um pesado lobby contra o endurecimento das leis ambientais nos Estados Unidos.
  

Imagem arranhada 
Uma década depois de mudar seu posicionamento, lançar sua nova identidade visual e tentar mostrar ao mundo que a poluição ao meio ambiente podia ser drasticamente reduzida, um terrível e grave acidente no dia 20 de abril de 2010, quase colou todos os esforços da BP por água abaixo literalmente. Foi neste dia, que onze pessoas morreram após uma terrível explosão que destruiu a plataforma “Deepwater Horizon”, propriedade da companhia Transocean, que operava para a BP o poço afetado em águas do Golfo do México, a 77 quilômetros do litoral do estado americano da Louisiana. Em poucos dias a empresa perdeu US$ 25 bilhões em valor de mercado e foi duramente criticada por governos e principalmente por organizações ambientalistas, que promoveram protestos por todas as partes do mundo. Mas o pior ainda estava por vir. Um dos maiores desastres mundiais de derramamento de petróleo, despejou, durante mais de três meses, quase cinco milhões de barris no oceano, e obrigou a BP a gastar bilhões de dólares para contê-lo.
   

O prejuízo era enorme: a empresa perdeu enorme valor de mercado, manchou sua imagem, demitiu seu principal executivo e enfureceu seus acionistas com os bilhões de dólares gastos. Além disso, vários equipamentos de custos elevados além de altos investimentos no mercado de petróleo sofreram baixas consideráveis. Houve também grandes perdas de ecossistemas terrestres e marinhos e que poderão demorar vários anos para se restabelecerem, mesmo com os altos gastos para a recuperação. Segundo a empresa os custos relativos aos esforços para conter o maior derramamento acidental de petróleo em águas marinhas da história ultrapassou US$ 4.5 bilhões em multas e penalidades, e outros US$ 18.7 bilhões em penalidades relacionadas à Lei da Água Limpa e outras reivindicações, representando o maior acordo criminal da história dos Estados Unidos. No total, o vazamento de petróleo custou à empresa mais de US$ 65 bilhões.
  

A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas remodelações ao logo de sua história. Apesar da empresa ter sido fundada em 1909, a marca BP surgiu em 1921 com o lançamento de seu primeiro produto comercial no Reino Unido, a gasolina B.P. Motor Spirit. A primeira modificação ocorreu já em 1922, quando foi adotado um logotipo mais simples, apenas as iniciais BP entre aspas. Em 1930, essas iniciais foram colocados dentro de um escudo. Mas foi em 1947 que surgiu o Green Shield ("Escudo Verde”), que se tornaria durante décadas o principal símbolo de reconhecimento da marca. Após ganhar novas tonalidades de verde e adotar um nova tipografia de letra, sempre mantendo a combinação de verde com amarelo, em 2000 a BP remodelou radicalmente sua identidade visual. Surgia então o “Helios”, um girassol verde e amarelo cujo nome homenageia o deus grego do sol e que representa a energia em suas diversas formas.
  

O logotipo da BP também pode ser aplicado na horizontal, como mostra a imagem abaixo.
   

Os slogans 
Keep It Going. (2023) 
Reimagining energy. (2020) 
Keep Advancing. (2019) 
Everyday, brighter. (2019) 
A little better. (2007) 
Think outside the barrel. (2004) 
Beyond Petroleum. (2000) 
For all our tomorrows. (1994) 
The energy to change. (1991) 
Britain at its best. (1987) 
The Quiet Achiever. (1982) 
Energy at work. (1978) 
A world of exploration in oil. (1976) 
Sets the pace. (1966) 
For the car in your life and life in your car. (1965) 
BP is the key to better motoring. (1963) 
BP: Best Possible. (1922)
  

Dados corporativos 
● Origem: Inglaterra 
● Fundação: 14 de abril de 1909 
● Fundador: William Knox D’Arcy e Lord Strachona 
● Sede mundial: Londres, Inglaterra 
● Proprietário da marca: BP p.l.c 
● Capital aberto: Sim 
● Chairman: Albert Manifold 
● CEO: Meg O’Neill 
● Faturamento: US$ 189.3 bilhões (2025) 
● Lucro: US$ 1.29 bilhões (2025) 
● Valor de mercado: US$ 119 bilhões (abril/2026) 
● Postos de serviço: 21.200 
● Presença global: 61 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 100.500 
● Segmento: Energia e petroquímica 
● Principais produtos: Exploração e produção de petróleo e gás, combustíveis e lubrificantes 
● Concorrentes diretos: ExxonMobil, Shell, Chevron, TotalEnergies, Saudi Aramco, Equinor, Eni, Phillips 66, ConocoPhillips, Marathon, Petrobras, Gazprom, Petronas e PetroChina 
● Slogan: Reimagining energy. 
● Website: www.bp.com 

A marca no mundo 
A BP, quinta maior empresa petrolífera de capital aberto do mundo em termos de receitas, possui operações em mais de 60 países, incluindo mais de 21 mil postos de gasolina (boa parte deles nos Estados Unidos e Reino Unido), mais de 100 mil empregados (incluindo 11.300 engenheiros), produção diária superior a 2.4 milhões de barris e faturamento superior a US$ 189 bilhões (dados de 2025). A empresa verticalmente integrada opera em todas as áreas da indústria de petróleo e gás, incluindo exploração, extração, refino, distribuição, comercialização e negociação. Seus principais mercados incluem os Estados Unidos, a Austrália, a Índia e vários países da Europa, especialmente Reino Unido e Alemanha. Atualmente a empresa tem reservas totais de 6.25 bilhões de barris. 

Você sabia? 
 A empresa fez parte do cartel conhecido como “Sete Irmãs”, formado pelas maiores exploradoras, refinadoras e distribuidoras de petróleo e gás do planeta, as quais, após fusões e incorporações, reduziram-se a quatro - ExxonMobil, Chevron (saiba mais aqui), Shell (conheça essa outra história aqui), além da própria BP. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Exame e Time), jornais (Meio Mensagem, Estadão, Valor Econômico e The New York Times), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 15/4/2026 

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20.6.06

CHEVRON


A CHEVRON sabe que o mundo precisa de toda energia que é possível criar e trabalha constantemente para encontrar novas formas e também mais limpas para abastecer milhões de consumidores no mundo inteiro. Além disso, dificilmente cidades médias e grandes americanas não tenham ao menos um de seus postos de gasolina e serviços. Seus garotos-propagandas são simpáticos e coloridos carros animados. Nos Estados Unidos a marca CHEVRON é uma das mais conhecidas quando o assunto é combustíveis, lubrificantes e postos de gasolina, que tratam carros como se estivessem em hotéis cinco estrelas.

A história
A história da CHEVRON começou exatamente no dia 10 de setembro de 1879 com a fundação da empresa Pacific Coast Oil Company na cidade de San Francisco por Lloyd Tevis, George Loomis e Charles Felton, que tinha como objetivo principal explorar petróleo nas recém descobertas reservas localizadas em Pico Canyon, ao norte de Los Angeles na Califórnia. No próximo ano a empresa construiu a maior e mais moderna refinaria da Califórnia, com capacidade produtiva de 600 barris por dia, em Point Alameda, na Baía de San Francisco; implantou dutos que ligavam Pico Canyon a uma estação ferroviária em Elayon, no sul da Califórnia; e empreendeu um extenso programa de perfuração amplamente bem sucedido. Em 1895, a empresa iniciou sua rica história em inovação quando lançou ao mar o primeiro petroleiro de aço da Califórnia, batizado de George Loomis, que tinha capacidade para transportar 6.500 barris de petróleo bruto entre Ventura e San Francisco. No ano de 1900 a empresa foi adquirida pelo poderoso grupo petrolífero Standard Oil, presidido por John D. Rockefeller, passando a se chamar Standard Oil Company em 1906. Ainda nesse ano, a gasolina RED CROWN, desenvolvida por volta de 1890, foi adotada como marca oficial de combustível da empresa. O primeiro posto de serviço do país foi inaugurado pela empresa em 1907 na cidade de Seattle.


Em 1911 com a quebra, por parte da Suprema Corte Americana, do monopólio exercido pela família Rockefeller através da Standard Oil, a empresa se tornou independente. Já em 1914 operava aproximadamente 34 postos de gasolina e serviços espalhados por cidades do estado da Califórnia. Nos cinco anos seguintes a empresa expandiu rapidamente sua operação de varejo e, em 1919, já operava 218 postos de gasolina espalhados pelos estados de Washington, Oregon, Califórnia, Nevada e Arizona, atingindo 700 postos quatro anos depois. Além disso, ampliou consideravelmente suas operações na exploração e refino de petróleo. Em 1926 a empresa adotou um novo nome: Standard Oil Co. of California, conhecida popularmente durante muitos anos como Socal. Em 1931, um “chevron” (uma insígnia) de três barras nas cores vermelha, branca e azul foi introduzido ao logotipo da empresa para identificar mais facilmente seus postos de gasolina e serviços. Os executivos à frente da companhia na época também acharam que o nome CHEVRON poderia ser forte e começaram a usar a palavra em seus produtos, a começar pelos óleos lubrificantes, em 1937, até chegar à gasolina, em 1945. 
 

Em 1932, a empresa conseguiu concessão do governo da Arábia Saudita para procurar por petróleo no país. Pouco depois, em 1938, encontrou o que viria a ser a maior reserva de petróleo do mundo. Depois de algumas décadas operando no país do Oriente Médio, o governo saudita compraria toda a operação da CHEVRON em seu país no ano de 1980. Após a Segunda Guerra Mundial o famoso “V” alado começou a ser utilizado no logotipo para reforçar o compromisso da empresa com o conflito. No ano de 1953 a empresa adotou oficialmente pela primeira vez o nome CHEVRON em uma subsidiária aberta em Delaware, a CHEVRON OIL COMPANY. Dois anos mais tarde a empresa adotou oficialmente o logotipo da CHEVRON como símbolo uniforme em todos os seus produtos, visando assim à construção de uma marca forte e com reconhecimento nacional.


Na década seguinte, com a forte expansão de suas operações internacionais, surgiu, em 1960, o personagem chamado “Pepe” para vender e divulgar sua gasolina no mercado latino dos Estados Unidos. Essa forte expansão levou a criação, em 1967, da CHEVRON OIL EUROPE, responsável por suas operações no continente europeu. Na década de 1970 a empresa introduziu o novo design de seus postos de serviços, com visual limpo e harmônico. No ano de 1977 fundou a CHEVRON U.S.A. Inc., formada pela fusão de seis companhias domésticas de petróleo. Em 1984 a empresa passou oficialmente a se chamar CHEVRON CORPORATION, depois da fusão com a Gulf Oil Corp. Este negócio duplicou o tamanho da empresa. Esta década ainda foi marcante para a empresa com descobertas de poços e reservas de petróleo no mundo inteiro. Em 1993 a CHEVRON tornou-se a primeira grande empresa petrolífera ocidental a ingressar no recém-independente Cazaquistão. A empresa iniciou suas atividades de exploração e produção de óleo e gás no Brasil em 1997, acompanhando a decisão do governo brasileiro de abrir as portas do setor de petróleo para investimentos privados. 
 

Em 2001, a empresa realizou outra grande fusão, desta vez com a Texaco, em uma operação avaliada em US$ 35.1 bilhões, mudando seu nome para ChevronTexaco. Com a fusão a CHEVRON passou a ser proprietária de inúmeros postos de gasolina em estados onde não estava presente, além da marca de óleos e aditivos Havoline. Em maio de 2005, a empresa anunciou que retornaria a se chamar apenas CHEVRON CORPORATION. Em 2009 a empresa vendeu para o Grupo Ultra os seus ativos fixos (postos de combustíveis da Texaco) no Brasil. Apesar disso, recentemente as duas empresas criaram uma joint-venture e os negócios de lubrificantes da marca americana continuam a ser fabricados e comercializados no país, com destaque para as renomadas marcas Havoline e Ursa. Além disso, a CHEVRON possui operações de exploração e produção em várias áreas do Brasil. Atualmente a CHEVRON está envolvida em todos os aspectos da indústria de petróleo e gás natural, exploração e produção, fabricação, vendas e transporte, produção e comercialização de produtos químicos, geotérmica e geração de eletricidade. A empresa também investe em fontes de energia renováveis e tecnologias avançadas.


A linha do tempo
1907
Lançamento do querosene ZEROLENE N.5, um óleo especificamente desenvolvido para ser utilizado nos modelos de automóveis Ford A. Seis anos depois de seu lançamento, o produto vendia aproximadamente 2.5 milhões de litros anualmente.
1917
Lançamento da ORONITE, uma linha de produtos para diversas aplicações como fluído de isqueiro, polidor de móveis, lubrificantes e querosene para lampião. Com o passar do tempo a linha de produtos foi voltada especificamente para o mercado automobilístico, especialmente no desenvolvimento, produção e comercialização de aditivos para óleos lubrificantes e combustíveis.
1925
Lançamento da WINTER RED CROWN, uma gasolina especificamente formulada para ser utilizada em climas frios, que foi introduzida com o slogan “Wild to go”.
1929
Lançamento da nova gasolina STANDARD ETHYL GASOLINE.
1935
Lançamento do óleo lubrificante DELO (abreviação de Diesel Engine Lubricating Oil).
1936
Lançamento do RPM MOTOR OIL, um óleo lubrificante para automóveis.
1957
Após cinco anos de exaustivas pesquisas, a empresa introduziu no mercado a gasolina CHEVRON SUPREME GASOLINE.
1970
Lançamento do novo aditivo F-310, que proporcionava uma melhor conservação do motor, menos poluição e muito mais economia.
1973
As três principais montadoras de Detroit (Chevrolet, Ford e Chrysler) passam a utilizar e recomendar as gasolinas CHEVRON em seus automóveis.
1980
Lançamento da gasolina aditivada PRC, percussora da famosa gasolina TECHRON.
1985
Lançamento da gasolina aditivada TECHROLINE.
1995
Lançamento da nova gasolina aditivada chamada TECHRON, que se tornou um verdadeiro sucesso de vendas. Extremamente avançada, a gasolina limpa as peças vitais do motor, melhora a economia de combustível e reduz as emissões de gases poluentes no meio-ambiente.
2006
Lançamento do CHEVRON ULSD (Ultra Low Sulfur Diesel), um diesel especificamente desenvolvido para caminhões com baixas taxas de emissões de poluentes.
Lançamento do CHEVRON B5 BIODIESEL BLEND, um combustível com 5% de biodiesel.


Personagens de sucesso
Tudo começou no dia 1 de maio de 1995 quando a CHEVRON lançou sua nova gasolina aditivada chamada Techron e com ela os personagens animados batizados de “World of Talking Cars”. Os personagens, carros falantes e coloridos com personalidades distintas, foram idealizados pela agência de propaganda Young & Rubican, e criados pelo estúdio de animação inglês Aardman Animations. Eles apareceram pela primeira vez em um comercial de televisão falando dos benefícios e vantagens da nova gasolina.


O sucesso da campanha e dos novos e simpáticos personagens foi imediato. No ano seguinte, os postos de gasolina e serviços da CHEVRON começaram a vender por US$ 5.99 miniaturas de plásticos dos carros que apareciam na campanha. Inicialmente foram vendidas réplicas de três personagens: Sam Sedan (um simpático sedã branco), Wendy Wagon (uma despretensiosa perua verde) e Tony Turbo (um carro turbinado vermelho). No final deste ano mais um personagem foi introduzido na turma: Freddy 4-Wheeler (um carismático jipe verde). A empresa subestimou a procura pelos carrinhos e, no ano de 1997, a produção já passava de 700 mil exemplares. Os executivos da CHEVRON se surpreenderam com a enorme aceitação dos adultos pelos modelos, já que os carrinhos de plástico haviam sido criados para o público infantil que seriam os motoristas do futuro.


Pouco depois, ainda em 1997, em uma nova fase da campanha, a CHEVRON lançou uma página educacional na internet onde os personagens explicavam a necessidade de reduzir os níveis de emissões de gases tóxicos, além de abordar questões educacionais relativas ao assunto. A página da internet custou aproximadamente US$ 1 milhão para ser criada e foi um sucesso instantâneo, atingindo mais de 1 milhão de visitantes rapidamente. A página, relançada em 2006 com visual completamente novo, possuía jogos online com os famosos personagens, histórias interessantes, loja de produtos dos personagens, e principalmente, um cunho educacional de extrema importância.


No decorrer dos próximos anos novos modelos de carros foram lançados, além de edições limitadas, fazendo surgir muitos outros personagens como Cary Carrier (uma jamanta), Riley Roadster (um esportivo), Travis Tanker (um caminhão tanque), Tyler Taxi (um táxi), Patty Patrol (um rádio-patrulha), entre outros. Chegaram a existir mais de 40 modelos diferentes dos personagens à venda. Os personagens estrearam em mais de 40 filmes publicitários. Além disso, os simpáticos personagens foram responsáveis por criarem uma excelente imagem da marca CHEVRON em um segmento sempre criticado devido aos danos e poluição que causam ao meio-ambiente.


A evolução visual
O logotipo da CHEVRON evoluiu muito no decorrer dos anos. As primeiras grandes modificações começaram a ocorrer em 1931 quando as famosas três barras (Three Bar) da CHEVRON foram introduzidas ao logotipo. Após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1948, o famoso “V” alado foi oficialmente adicionado ao logotipo. Na década de 1960 a barra branca foi diminuída. Na década seguinte a marca CHEVRON passou a integrar o logotipo. A última grande modificação ocorreu em 2005 quando o logotipo foi completamente modernizado adotando nova topografia de letra e novas tonalidades de cores.


Os slogans
We Agree. (2010)
Finding newer, cleaner ways to power the world. (2008)
Human Energy. (2005)
Chevron: Symbol of Partnership. (1990)
People Do. (1985)
Chevron was born on the frontier, and we’ve never left it. (1977)


Dados corporativos
● Origem: Estados Unidos
● Fundação: 10 de setembro de 1879
● Fundador: Lloyd Tevis, George Loomis e Charles Felton
● Sede mundial: San Ramon, Califórnia, Estados Unidos
● Proprietário da marca: Chevron Corporation
● Capital aberto: Sim
● Chairman & CEO: John Watson
● Faturamento: US$ 110.2 bilhões (2016)
● Lucro: - US$ 497 milhões (2016)
● Valor de mercado: US$ 222.5 bilhões (novembro/2017)
● Postos de gasolina: + 8.800
● Presença global: 180 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários: 55.200
● Segmento: Energia e petróleo
● Principais produtos: Gasolina, óleos, lubrificantes, postos de serviço e exploração de petróleo e gás
● Concorrentes diretos: Shell, ExxonMobil, Gazprom, PetroChina, Total, ConocoPhillips, Repsol, Petrobras, Petronas e BP
● Ícones: Os carros animados
● Slogan: Human Energy.
● Website: www.chevron.com.br

A marca no mundo
Atualmente a CHEVRON, uma das maiores e mais poderosas empresa de energia do mundo, possui 8 refinarias principais e mais de 8.800 postos de gasolina em aproximadamente 30 estados americanos e no Canadá, tendo operações em mais de 180 países e faturamento superior a US$ 110 bilhões (2016). A empresa produz e refina mais de 2.59 milhões de barris de petróleo por dia, sendo 73% produzidos fora dos Estados Unidos. Os postos com a bandeira CHEVRON figuram entre os três maiores distribuidores em 16 estados nas regiões sul e oeste dos Estados Unidos. A empresa ainda é proprietária das marcas Texaco e Caltex, esta última muito forte na região asiática e Oceania. A CHEVRON é a décima nona maior empresa americana em relação ao faturamento e segunda maior petrolífera do país. Além disso, é a maior produtora privada de petróleo do Cazaquistão, um dos maiores produtores de óleo e gás natural da Tailândia, produz quase a metade de todo o óleo cru da Indonésia e tem o maior número de concessões em plataforma e águas profundas no Golfo do México. Também está entre as maiores produtoras em águas profundas na Nigéria e na Austrália, onde possui a maior fatia de recursos não desenvolvidos de gás natural. Na área de lubrificantes, destaca-se por sua liderança mundial na produção e comercialização de óleos básicos premium.

Você sabia?
Em seus postos de gasolina e serviços as lojas de conveniência atuam com a marca EXTRA MILE.
No passado a CHEVRON fez parte do grupo conhecido como sete irmãs (as sete maiores empresas petrolíferas do início do século 20): Esso, Shell, British Petroleum (BP), Mobil, Gulf Oil e Texaco (esta última adquirida pela própria CHEVRON em 2001). Hoje, faz parte do grupo conhecido como “Supermajor” ou “Big Oil”, sendo apontada como uma das corporações mais poderosas do planeta.
Se a CHEVRON fosse um país ficaria entre os 60 maiores do mundo (em relação ao PIB).
Apesar de todos os esforços da empresa em relação ao meio-ambiente, em novembro de 2011, a CHEVRON foi responsável pelo vazamento de óleo na Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro, em razão da abertura de fissuras durante atividades de perfuração. Estima-se que a mancha de óleo tenha alcançado 18 km de extensão, cobrindo uma área de 11.8 km².


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek, Época Negócios e Exame), jornais (Valor Econômico, Folha e Estadão), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

Última atualização em 14/11/2017