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9.3.22

SUPREME


Imagine uma marca de streetwear que se tornou desejada por flertar com o luxo, algumas vezes exagerado. Assim é a nova-iorquina SUPREME. E o sucesso começou com parcerias firmadas justamente com grandes estilistas, atletas, músicos, designers e renomadas marcas do mundo da moda. A partir de então a SUPREME se estabeleceu como uma marca conhecida pela qualidade, estilo e autenticidade de suas coleções de acessórios e roupas, virando símbolo de uma subcultura, causando alvoroço por suas coleções limitadas e se tornando ícone de ostentação entre famosos e endinheirados ao redor do mundo. 

A história 
O nome por trás do império chamado SUPREME é James Jebbia (imagem abaixo), uma americano de origem britânica por parte de mãe. Criado na cidade inglesa de Crawley, Jebbia voltou aos Estados Unidos em 1983, quando tinha 19 anos. O seu primeiro trabalho em solo americano foi na loja de roupas Parachute, localizada no badalado bairro do SoHo. E o primeiro empreendimento de moda foi com a criação da butique Union NYC, em 1989, que vendia labels mais experimentais e esportivas inglesas. Após passar três anos colaborando com o veterano do streetwear Shawn Stüssy, no mês de abril de 1994 ele resolveu investir US$ 12 mil para inaugurar uma pequena loja para skatistas na Lafayette Street, um então quarteirão decadente com imóveis vazios, escondido atrás da parte comercial da Broadway, em Lower Manhattan. O nome da nova loja, SUPREME, foi escolhido em homenagem à música “A Love Supreme” (“Um amor supremo”, em tradução livre) de John Coltrane. Jebbia enxergou um nicho bem específico no mercado de skatewear, que parecia até então ter como público alvo apenas uma turma de garotos de 13 anos. Resolveu então criar uma marca com peças de visual mais cool e amadurecido, sem deixar de lado a essência daquele gênero.
    

O espaço em si era diferente de qualquer outra loja de skate da época. Bem iluminado, com paredes brancas e teto alto, remetia a um ambiente de galeria, com as prateleiras de produtos (como sneakers, camisetas, moletons e acessórios de skateboard) impecavelmente expostos lembrando uma butique de moda de luxo. Além disso, o design do ambiente, com piso de madeira e amplos espaços no centro, foi pensado para que os skatistas pudessem entrar direto com seus skates na loja e circular sem preocupação com suas mochilas. Já a vitrine exibia os vídeos mais recentes de skate ao lado de imagens clássicas de antigas lutas de boxe e filmes de gângsters de Nova York. Até a equipe para administrar o local foi escolhida a dedo: o skatista Gio Estevez foi o primeiro funcionário contratado pela loja. Já a primeira parceria da SUPREME foi com o artista Rammellzee que grafitou a parte interna da loja. Além disso, a marca também investiu para montar uma equipe patrocinada de skatistas, entre os quais Gio Estevez, Ryan Hickey, Justin Pierce, Peter Bici, Mike Hernandez, e os irmãos Jones e Chris Keefe, e Loki e Paul Leung.
  

A SUPREME nasceu com o intuito de atuar no cenário da moda “skate/streetwear” e ganhou destaque pelas suas vendas em formato de “Drops” de peças exclusivas, autênticas e extremamente limitadas. Como por exemplo, suas icônicas camisetas estampadas, cuja primeira trazia o personagem Travis Bickle, interpretado por de Robert De Niro no filme Taxi Driver. Frequentado por skatistas e mentes criativas anti-establishment, o espaço rapidamente se tornou também clube underground e galeria de arte, tornando-a símbolo de uma subcultura. A SUPREME lançou seu primeiro vídeo promocional em 1995, intitulado “A Love Supreme”. Molentons com capuz e camisetas que estampavam o logotipo vermelho retangular da marca rapidamente se tornaram uma espécie de uniforme entre os skatistas de Nova York.
  

Em 1998, através de um acordo de licenciamento, a marca inaugurou suas três primeiras lojas no Japão. Aos poucos, a SUPREME começou a ganhar destaque no mainstream da moda, se tornando desejada por uma juventude cheia de estilo. E muito disso se deve as colaborações com artistas, fotógrafos, estilistas, músicos, atletas, designers e grandes marcas. Se hoje as colaborações são muito mais constantes entre marcas de moda, a SUPREME foi uma das pioneiras neste tipo de parceria (em inglês chamado “Collab”). Então surgiram os sneakers em colaboração com a Nike (2002), jaquetas com The North Face (conheça essa outra história aqui) e os hoodies com a Comme des Garçons (saiba mais aqui). Além das parcerias, a SUPREME também sempre usou a imagem de celebridades para transformarem suas camisetas. Não há nada de básico: a lista de quem topou participar vai de grandes nomes da música a desenhos infantis: Lou Reed, Kate Moss, Neil Young, Morrissey, Raekwon, Mike Tyson, Lady Gaga e Kermit, o sapo dos Muppets. Outra estratégia adotada pela SUPREME: manter a oferta baixa era uma maneira efetiva de criar demanda e desejo. E assim a marca foi sendo construída.
   

Nos anos seguintes a marca conquistou fãs em todo Estados Unidos e, em 2004, decidiu que era hora de se expandir fisicamente. Com isso, dez anos após a inauguração da loja original em Nova York, uma segunda unidade, com o dobro do tamanho e que possuía uma pista de skate coberta, foi inaugurada em Los Angeles, na área desabitada da Avenida North Fairfax. A partir deste momento, os fãs da marca na costa oeste americana, região com forte e pulsante cultura streetwear, podiam comprar produtos SUPREME diretamente da loja, ao invés de fóruns que os revendiam a um preço mais alto. Durante alguns anos, a SUPREME era uma marca de nicho, do underground, das ruas - só quem realmente estava por dentro da cena conhecia e entendia o valor, a exclusividade. Porém, com o estouro do hip hop e artistas como Kanye West usando peças da marca, a SUPREME atingiu um novo patamar e ganhou ainda mais força por, novamente, ser atrelada às figuras mais cool do momento.
  

Em março de 2016, a SUPREME foi se aventurar na capital da moda, Paris. Era a segunda loja da marca no continente europeu (a primeira havia sido inaugurada no mês de setembro de 2011 na cidade de Londres), aninhada no tranquilo bairro da Rue Barbette. No final desse mesmo ano, a SUPREME estarreceu o mundo da moda ao anunciar uma colaboração com a badalada Louis Vuitton (conheça essa outra história aqui). Lançada em meados de 2017, a coleção “SUPREME x Louis Vuitton” enlouqueceu os fãs. Para vender as peças da colaboração, que incluíam jaquetas, camisetas, óculos de sol, bolsas, pochetes, etiquetas de mala e até chaveiros, a marca francesa apostou em pop-up stores (lojas temporárias) em cidades estratégicas - algumas delas geraram tanto tumulto que tiveram de ser controlados pela polícia. E pensar que no ano de 2000, a LV (conheça essa outra história aqui) processou a SUPREME por usar seu tradicional monograma sem autorização em pranchas de skate, camisetas e bonés. Quase duas décadas depois, foi a LV que pagou para usar o logo e as cores da SUPREME.
   

Em 2018, a SUPREME anunciou duas colaborações de grande porte: uma de malas de luxo com a alemã Rimowa (conheça essa história completa aqui) e outra de camisas polo com a francesa Lacoste (saiba mais aqui). Ambas, seguindo o histórico da marca, se esgotaram imediatamente, especialmente a mala no tom vermelho característico da SUPREME usada por Neymar ao embarcar para a Copa da Rússia (e que custava R$ 18 mil). Além disso, James Jebbia foi premiado como “Melhor Design de Moda Masculina” pelo Council of Fashion Designers of America. Era o designer e sua marca conquistando o mundo da moda.
   

Pouco depois, outubro de 2019, a SUPREME inaugurou sua 12ª loja, localizada na Market Street em San Francisco, outro importante mercado cultural e de streetwear. Toda histeria consumista em torno da SUPREME chamou a atenção da VF Corporation, detentora de marcas como The North Face, Timberland (conheça essa outra história aqui), Vans (clique aqui para saber mais), que em setembro de 2020 comprou a marca por U$ 2.1 bilhões. No dia 6 de maio de 2021, em mais uma atitude ousada, a marca nova-iorquina inaugurou uma moderna loja na cidade de Milão.
  

O encontro entre arte, música e moda 
O chamativo logotipo da SUPREME - que aparece sem cerimônia em seus produtos - mostra como a marca fez do uso de referências culturais parte de seu DNA. A relação com o mundo da arte pode ser percebida também nas pranchas de skate produzidas pela marca. Os trabalhos de Jeff Koons e Damien Hirst já foram usados nos modelos da SUPREME. O título de cult ficou cada vez mais forte pelos posicionamentos políticos e ideológicos da marca, pelo resgate da essência nova-iorquina nas coleções e pelo constante contato com a música (Black Sabbath, KRS One e Lady Gaga, para citar alguns nomes) e com a arte, através de ícones como Peter Saville, Roy Lichtenstein, David Lynch, Robert Crumb e Takashi Murakami, que já assinaram colaborações da marca. As camisetas são outro caso à parte: a equipe por trás da marca tradicionalmente escolhe algumas de suas celebridades favoritas ou até ícones pops para ilustrarem suas T-shirts. A lista de quem topou participar impressiona, tanto pela relevância quanto pelo ecletismo do grupo: Michael Jackson, Lou Reed, Kate Moss, Neil Young, Morrissey, Raekwon, Mike Tyson, Gucci Mane, Michael Jordan, Three Six Mafia, Velvet Underground, Lady Gaga e até Kermit, o sapo dos Muppets.
   

Porque tanto sucesso 
O segredo do sucesso da SUPREME está na exclusividade. Apesar de seus produtos não terem preços estratosféricos, a SUPREME é desejada e muito disputada. A marca (cujos produtos são vendidos apenas em suas lojas próprias e comércio online) fabrica tudo em quantidades limitadas - é o luxo pela escassez e não pela cifra. As entregas são feitas em pequenas doses ao longo de cada estação, sem grande alarde, o que eles chamam de “drops”, palavra que ficou conhecida na indústria da moda muito por influência da SUPREME. Você nunca ouvirá a respeito de uma festa de lançamento de coleção, por exemplo. Até porque elas não existem na SUPREME. E essa é uma das características mais inteligentes da marca, porque o seu valor não está no material usado, no artesanato ou no trabalho envolvido. O preço de seus produtos é até acessível no lançamento, mas as peças são tão exclusivas que acabam sendo tratadas como objetos colecionáveis. E alcançam altos valores nos mercados de revenda (chegam a alcançar 10 vezes o preço original).
   

Outro fator importantíssimo para esse sucesso e para a construção e idolatria da marca foram colaborações com grandes nomes do cenário urbano, cultural e do mundo da moda, cuja lista é longa e parece não ter fim, como por exemplo, Nike, Vans, Clarks, The North Face, Hanes, Playboy (conheça essa história aqui), Levi’s, Timberland, Comme des Garçons, Stone Island, Undercover, Kangol, Emilio Pucci, AntiHero Skateboards, New Era (saiba mais aqui), True Religion, Spitfire Wheels, Champion e até a rede de alimentação rápida White Castle. Além disso, a SUPREME ainda é conhecida por lançar produtos bem aleatórios (pra não dizer estranhos), como martelos, tijolos, calculadoras, potes de ração para pets, pastas de dentes, isqueiros, canivetes, bolas de basquete (em parceria com a Spalding) e até caiaques, bonecos (Chucky Supreme, isso mesmo, o principal antagonista do filme “Brinquedo Assassino”, embalado em uma caixa de brinquedos clássica e vestido com um macacão SUPREME) e biscoitos (em colaboração com a Oreo). Tudo estampado com o inconfundível logotipo e a cor vermelha da marca. E assim, a SUPREME foi se tornando muito mais do que uma simples marca de roupas. Cresceu, criou raízes, uma comunidade e virou um símbolo de contracultura nos anos de 1990. Isso explica em parte porque hoje a marca não tem apenas clientes e fãs, mas também pessoas que a cultuam, a veneram.
   

Vestir uma peça SUPREME significa fazer parte de uma seita secreta das ruas (com uma boa dose de fator cool). Não basta entrar na loja e adquirir sua camiseta com o chamativo logotipo vermelho. Desde sua fundação, criou-se uma cultura muito fechada em torno da loja e de quem a frequentava. É algo que segue até hoje - ainda que de modo suavizado. Por exemplo, nos anos de 1990, pedia-se até para não tocarem nos produtos.
   

O fundador da SUPREME, James Jebbia, já declarou por diversas vezes que não investe em propaganda. E de certo modo ele está correto. Isto porque o poder da marca SUPREME vem do boca a boca e, principalmente, pelo apelo nostálgico do passado skatista. E a escolha de Jebbia é assertiva: pranchas de skate assinadas por artistas plásticos renomados como Richard Prince e Jeff Koons, parcerias com grandes estilistas e marcas de luxo, e uma produção em pequena escala limitadíssima deram o impulso que a grife precisava para construir uma aura cool e transformar o streetwear em artigo de luxo. Tudo tem a ver com autenticidade e manter vivo um ideal. É por isso que James Jebbia raramente dá entrevistas e a SUPREME não faz grandes campanhas ou eventos. Os protagonistas são os produtos, a marca e a filosofia de vida por trás disso.
   

Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: Abril de 1994 
● Fundador: James Jebbia 
● Sede mundial: New York City, Nova York, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: VF Corporation 
● Capital aberto: Não 
● CEO: James Jebbia 
● Faturamento: US$ 600 milhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 14 
● Presença global: 30 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Segmento: Moda 
● Principais produtos: Roupas, calçados e acessórios 
● Concorrentes diretos: Vans, Stüssy, Obey, A Bathing Ape, Public School, Off-White™, Palace, Kith e Champion 
● Ícones: A cor vermelha 
● Website: www.supremenewyork.com 

A marca no mundo 
Atualmente a SUPREME, cujo faturamento anual é estimado em US$ 600 milhões, possui 14 lojas próprias espalhadas por cidades como Nova York, Los Angeles, San Francisco, Londres, Paris, Milão, Berlim, Tóquio, Osaka, Nagoya e Fukuoka. Suas coleções exclusivas só podem ser compradas em suas lojas próprias e no comércio online (que representa 60% das suas vendas). Apesar da marca não ser vendida em lojas multimarcas, a exceção é o Dover Street Market, na cidade de Nova York. 

Você sabia? 
O tradicional logotipo da SUPREME - uma caixa vermelha com a marca escrita em branco na fonte Futura Heavy Oblique - foi “inspirado” na propaganda da artista plástica Barbara Kruger. A artista, inclusive, já criticou a marca diversas vezes pelo que ela mesma chamou de uma apropriação que vai contra o princípio de sua arte. 
Como os preços de alguns de seus produtos costumam passar de quatro dígitos (dólares), a SUPREME se tornou uma das marcas mais falsificadas do mundo. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Elle, Vogue, BusinessWeek, Isto é Dinheiro e Exame), sites de moda (Farfetch), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 9/3/2022 

O MDM também está no Instagram. www.instagram.com/mdm_branding/

10.1.14

DESIGUAL


A espanhola DESIGUAL é um dos verdadeiros fenômenos da moda atual com seu estilo “hippie fashion”. Conquistou jovens descolados, moderninhos e celebridades com roupas e acessórios cujo conceito sustentável, cores fortes e estampas diversas, aliados a ousadia, atitude e no diferente, transformou a marca venerada por milhões de consumidores em todos os cantos do planeta. 

A história 
A história começou com um jovem designer suíço chamado Thomas Andreas Meyer (foto abaixo). Era o início da década de 1980, e ele vendia camisetas estampadas com desenhos de grafite e manchas caleidoscópicas em um dos inúmeros mercados na paradisíaca ilha espanhola de Ibiza. Pouco depois, em 1983 o jovem Meyer desejava dar uma resposta à uniformização do vestuário. Não por acaso, a primeira peça criada por ele foi uma jaqueta feita com retalhos de calças jeans usadas. As jaquetas rapidamente se transformaram em um enorme sucesso e o jovem suíço queria achar um nome para lançar uma marca própria. Em 1984, trabalhando em conjunto com Isabel Coixet’s, ele escolheu o nome DESIGUAL, acompanhado pelo slogan “Desigual não é o mesmo”, criado para marcar mais do que um estilo, uma posição política a respeito da ditadura da moda. Com o conceito “Vestimos pessoas, não corpos” (“Vestimos personas, no cuerpos”), a DESIGUAL tentou inovar ao acreditar que as pessoas passariam a vestir-se “de uma maneira diferente”, apostando alto em camisetas, jeans e camisas com enfoque nitidamente urbano, ajudando assim a “gerar sentimentos positivos”. A ideia era que as pessoas usassem roupas confortáveis, coloridas, divertidas e diferentes.


No ano seguinte a marca apresentou sua primeira coleção. Já a primeira loja foi inaugurada em Ibiza no ano de 1986. E expandiu o negócio pela Espanha, iniciando por Barcelona e cidades vizinhas. Apesar do sucesso das roupas, a DESIGUAL sofria com decisões erradas no negócio. Porém, isso deu a oportunidade de repensarem a marca, lançando uma nova coleção, que incluía camisetas, calças, jaquetas, saias e vestidos para um público jovem e que se transformou em um grande sucesso de vendas, além das estamparias exclusivas, ousadas e irreverentes criadas pelo próprio Thomas Meyer. No início da década de 1990 a marca já estava consolidada na Espanha, com suas roupas sendo vendidas em lojas de departamento e multimarcas de grandes cidades, e decidiu exportar para França e Portugal. Porém, a DESIGUAL encontrou muitas dificuldades nesses mercados e resolveu criar uma rede de lojas próprias, inaugurando em 1996 novas lojas em Salou, Lloret de Mar e Platja d’Aro, três destinos turísticos badalados.


Em 1998 a marca inaugurou uma enorme loja em um badalado centro de compras na cidade de Barcelona. Após aumentar sua linha de produtos, a DESIGUAL inaugurou em 2002 a primeira loja fora de Barcelona, na cidade de Valladolid. Pouco depois, em 2004, a marca apresentou sua primeira coleção para crianças e inaugurou mais 24 novas lojas. No mês de outubro de 2006 a DESIGUAL inaugurou uma loja em Cingapura, a primeira fora do território espanhol. E a expansão internacional não parou por aí. Em 2007 uma moderna loja foi inaugurada na badalada Regent Street em Londres. Além disso, a marca lançou o “joya”, uma reinterpretação moderna e ousada do casaco (coat), uma peça que conseguiu transformá-lo popular novamente entre milhares de mulheres do mundo inteiro. 2009 foi um ano de suma importância para a marca: depois de abrir um corner dentro da loja de departamento Macy’s em Nova York, sua roupas começaram a serem vendidas em aproximadamente 500 lojas multimarcas pelos Estados Unidos. Foi também neste ano que as vendas externas superaram as do mercado espanhol. Era um indício de sucesso da globalização da marca espanhola. No ano seguinte a marca inaugurou a maior de suas lojas em uma localização badalada da cidade de Madri, com mais de 2.000 m². Além disso, inaugurou duas modernas lojas âncoras em Paris e San Francisco.
 

Nesse período, a DESIGUAL, além da linha adulta - feminina e masculina – e sua coleção para crianças, lançou peças para bebês, calçados (sapatos, tênis e botas), acessórios (como as descoladas e badaladas bolsas da marca, além de carteiras, lenços, bijuterias e cintos), perfumes e uma linha de artigos de decoração (Desigual Living). Todo esse conjunto apostava nas cores fortes, nas estampas “gritantes” e na irreverência para se diferenciar. A marca também lançou coleções temáticas, como a inspirada no canadense Cirque du Soleil, e investiu em parcerias, por exemplo, com o estilista francês Christian Lacroix. Depois, a DESIGUAL inaugurou uma descolada loja-conceito em plena Quinta Avenida, em Nova York, para marcar a expansão da marca em território americano.


Em novembro de 2013 a DESIGUAL, que já comercializava seus produtos através de algumas selecionadas lojas multimarcas, oficialmente desembarcou no Brasil com a inauguração de uma loja própria no shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo, trazendo seu estilo único e espontâneo. A inauguração contou com DJ, distribuição de bolsas, pulseiras, óculos, balões, além de comida e aperitivos. O Brasil foi o 110º país a receber a marca, que estava presente na América Latina desde 2010 (a primeira unidade foi aberta na Colômbia), em mercados como Argentina, Chile, Panamá e Venezuela. Nos últimos anos, com o aumento cada vez maior da concorrência neste setor, perda de faturamento, fechamento de lojas deficitárias em mercados problemáticos (incluindo o Brasil), a DESIGUAL vem reagindo a uma economia hostil em grandes mercados onde está presente. Em 2018, a marca apresentou, em parceria com a Coca-Cola, uma coleção composta por peças originais, frescas e coloridas com o inconfundível logotipo da marca americana. A coleção era composta por uma série de peças com uma impressão vintage, mas absolutamente intemporal, desde camisas com designs simples até casacos de cabedal, onde o vermelho era a cor predominante.


Com roupas alegres e um modelo de negócios parecido com o de suas concorrentes Zara e H&M, a espanhola DESIGUAL conquistou milhões de consumidores em todas as partes do mundo. A marca leva o conceito “fast fashion” a sério: é capaz de entregar às lojas até 140 mil peças em um só dia. Para isso, conta com centros de distribuição em Nova Jersey (EUA), Hong Kong, Gavá e Viladecans. A marca coloca no mercado mais de 2.500 diferentes peças ao ano. Elas são distribuídas em lotes reduzidos, que não chegam exatamente da mesma forma em todas as lojas. Essa enorme agilidade é um ponto forte. A diversidade alta e a distribuição limitada diminuem a probabilidade de duas mulheres se encontrarem em um mesmo lugar com vestidos iguais. Além disso, entre outros aspectos essenciais para sua expansão, a marca adotou uma globalização agressiva e uma logística muito bem estruturada e eficiente.


Marketing ousado 
Um dos fatores apontados para tamanho sucesso da marca espanhola é o seu marketing agressivo. Uma das ações realizadas pela marca que mais chamaram a atenção é a chamada SEMINAKED PARTY, criada em 2005 e cujo mote era “Entre pelado e saia vestido”. Em algumas cidades do mundo, tanto no verão como no inverno, todos os anos, é comum em um determinado dia, pela manhã, centenas de pessoas - a maioria jovem - se aglomeraram diante de uma vitrine da DESIGUAL. Um detalhe chama mais a atenção do que o tamanho da fila: todos vestem somente roupas íntimas, apenas cuecas e lingeries. Isto porque os 100 primeiros podem entrar, vestir-se (com duas peças) e sair sem pagar absolutamente nada. Os demais ganham 50% de desconto. Todos são consumidores comuns que respondem ao anúncio da campanha da DESIGUAL todos os anos.


Outra ação surpreendente da marca, batizada de DESIGUAL KISSTOUR, ocorreu a partir de 2010, nas cidades de Berlim, Londres e Paris, onde centenas de casais se beijavam em belos parques também a convite da DESIGUAL, que aproveitou a paz e o amor para distribuir camisetas e balões com seu logotipo estampado. Com ações assim espalhafatosas, a marca espanhola vem chamando a atenção de milhões de jovens que frequentam lojas onde se encontra de tudo para vestir no dia a dia e se toca música alta, em um ambiente moderno e descolado.


A evolução visual 
O logotipo original da marca foi criado pelo artista catalão Pere Torrent e carregava um detalhe ousado: a letra S invertida. Esse logotipo ficou popular ao ser aplicado em fundos coloridos que mais pareciam pinturas abstratas. No início de 2019, a marca espanhola remodelou seu logotipo de forma radical e ousada. A identidade visual apresentava o nome da marca escrito de trás para frente. Mais uma atitude desigual da marca espanhola.


Com a nova identidade visual adotada em 2019, foi criado um símbolo para aplicação em ambientes digitais e também em produtos, como pode ser visto na imagem abaixo.


Os slogans 
Desigual it’s not the same. 
La vida es chula.


Dados corporativos 
● Origem: Espanha 
● Fundação: 1984 
● Fundador: Thomas Meyer 
● Sede mundial: Barcelona, Espanha 
● Proprietário da marca: Desigual S.L. 
● Capital aberto: Não 
● CEO: Thomas Meyer 
● Faturamento: €655 milhões (2018) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 500 
● Presença global: 90 países 
● Presença no Brasil: Sim 
● Funcionários: 3.700 
● Segmento: Varejo (moda) 
● Principais produtos: Roupas, calçados e acessórios 
● Concorrentes diretos: Zara, H&M, Topshop, C&A, Mango, Uniqlo, Forever 21 e GAP 
● Ícones: As estampas e cores 
● Slogan: Desigual it’s not the same. 
● Website: www.desigual.com 

A marca no mundo 
Com faturamento anual de €655 milhões (dados de 2018), a DESIGUAL vende seus produtos em mais de 90 países através de 500 lojas próprias (com flagship stores em Nova York, Paris, Berlim, Amsterdã, San Francisco, Milão, Barcelona e Madri), 9.000 lojas multimarcas e 2.200 concessões em grandes lojas de departamentos. Além disso, a marca tem mais de 60 pontos de venda dentro dos 35 aeroportos mais movimentados do mundo. Empregando mais de 3.700 pessoas de 100 nacionalidades diferentes, a marca vende mais de 55 milhões de peças anualmente. Os maiores mercados da marca são a Espanha e os Estados Unidos. 

Você sabia? 
A preocupação da DESIGUAL com o bem estar do cliente vai além de uma roupa exclusiva. Até a iluminação dos espaços é pensada para valorizar as peças e criar um clima aconchegante. 
Os turistas brasileiros estão entre os maiores clientes da marca na Europa e nos Estados Unidos. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Exame, BusinessWeek e Isto é Dinheiro), jornais (Meio Mensagem e Estadão), sites especializados em Marketing e Branding (Mundo do Marketing e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 21/10/2019

15.10.13

SPERRY TOP-SIDER


Há 80 anos várias gerações estão intimamente ligadas à marca SPERRY, partilhando a paixão pelo mar e vestindo calçados com propostas elegantes que combinam classe e conforto. Na verdade, nenhuma outra marca vem à mente quando se trata de confiáveis sapatos originais náuticos. Apesar disso, hoje em dia a SPERRY é uma marca de estilo de vida náutico, comercializando inúmeros acessórios, muito além do universo dos calçados. 

A história 
Tudo começou quando Paul Alling Sperry, um ex-oficial da marinha americana e que quase havia perdido sua vida em um escorregão no deque do barco, ao observar seu cocker spaniel, chamado Prince, correr sobre o gelo em um típico dia de inverno, em Connecticut, na região da Nova Inglaterra, reparou na capacidade fantástica que o cão possuía em manter a tração mesmo em um piso tão escorregadio. Ao analisar minuciosamente a pata de seu cão, ele reparou nas centenas de pequenas ranhuras e cortes que ziguezagueavam em todas as direções, fazendo com que ele não escorregasse. Estas estrias onduladas foram a principal inspiração para que o Sr. Sperry requeresse a patente da sola Razor-Siping™, fundamental em maximizar a tração e desempenho do Authentic Original Sperry Top-Sider, primeiro calçado para a prática de esportes á vela, introduzido no mercado americano em 1935.


Paul Sperry provavelmente nunca imaginou que seus sapatos se tornariam um ícone americano nas décadas seguintes. Afinal, tudo o que ele desejava, sendo um ávido velejador, era encontrar um sapato que iria ajudá-lo a atingir a estabilidade perfeita no convés escorregadio de seu veleiro enquanto navegava. A partir deste momento a marca SPERRY iria compartilhar a paixão com aqueles que apreciam uma boa vida no, sobre ou nas proximidades do mar.


O sapato rapidamente se tornou popular entre os velejadores pela característica antiderrapante do solado e por sua cor branca, que o impedia de sujar os convés dos barcos. Até 1939 o calçado era um produto de nicho, restrito a um público pequeno. Foi então que a Marinha dos Estados Unidos negociou com a empresa o direito de fabricar o modelo para os marinheiros, com a finalidade de caminhar com firmeza e evitar tombos e acidentes no piso escorregadio de barcos e deques, enquanto defendiam o país. Depois disso o sapato passou a ser comercializado em todo o país com enorme sucesso, ganhando também o mundo. SPERRY se tornou sinônimo de boat shoe e acompanhou o sucesso da empresa que viu seu calçado ser usado por pessoas de todas as idades, em diversas ocasiões casuais, migrando das marinas para o ambiente urbano.


Por muito tempo o principal modelo da marca se tornou uma das peças chaves no guarda roupa dos homens de todas as idades, mas passou por uma fase onde parou de calçar os pés dos jovens. A SPERRY então soube agir na hora certa para prevenir os efeitos do envelhecimento de sua clientela. Na última década o clássico modelo voltou com tudo ao mercado e rapidamente se tornou uma peça indispensável para quem quer estar sempre na moda. Neste caso, as cores e variedades (com diversas opções de modelos, indo do couro marrom até listras, dourado e estampa xadrez) atraíram novos consumidores, e o formato já conhecido do modelo facilitou que os antigos redescobrissem um velho conhecido. A marca também criou um estilo de bota (batizada de Chukka Sperry) inspirado no Top-Sider, reservada para o uso urbano. O desenho da base é o mesmo, porém o cano fica na altura do tornozelo. É um modelo casual que pode ser usado com calça jeans, sarja ou veludo, expandindo assim o universo de opções dos calçados da SPERRY.


Além disso, neste período, a SPERRY expandiu sua linha de produtos muito além do segmento de calçados, tornando-se assim uma marca de estilo de vida para quem curte atividades ao ar livre ou uma vida a beira mar. Com isso foram lançados no mercado um infinidade de acessórios, como por exemplo, mochilas, bolsas, carteiras, cintos, cachecóis, luvas, meias, relógios, óculos, sandálias, uma pequena linha de roupas (camisetas, bermudas e moletons) entre outros itens. Outra estratégia adotada pela marca neste período foi a inauguração, em 2009, de cinco lojas próprias, localizadas nas cidades de Tampa, Orlando, Boca Raton, Kansas City e Dallas. O sucesso de sua empreitada no varejo levou a marca a inaugurar outras lojas próprias em importantes cidades americanas nos anos seguintes.


A SPERRY tem realizado um trabalho de posicionamento bem interessante, cujo objetivo é manter a marca relevante sem alienar o público alvo ao longo dos anos. A marca tem constantemente lançado pequenas coleções em colaboração com a Band of Outsiders e participando de feiras como a Project e Capsule. Essas coleções geralmente consistem em pegar o Top-Sider (seu modelo mais famoso) e trocar o couro do cabedal por outro tipo de material, fazendo com que o clássico fique sempre atualizado.


Mais recentemente a SPERRY introduziu no mercado uma linha de sapatos náuticos mais técnicos, fabricados recorrendo a materiais e tecnologias do segmento de calçados esportivos modernos. Estes calçados (botas náuticas para competições) oferecem um apoio e leveza espetaculares e são fabricados de forma a expulsarem a água do seu interior e secarem rapidamente. Essa linha, equipada com a inovadora tecnologia GripX3 (que garante maior adesão da sola ao convés dos barcos), foi utilizada por velejadores patrocinados pela marca nos Jogos Olímpicos de 2012. Para o evento a SPERRY criou também uma cor exclusiva para estes calçados, o Podium Blue.


Há pelo menos 60 anos a SPERRY e outra fabricante de calçados náuticos, a Sebago, fundada em 1946 e que hoje pertencem à mesma empresa, duelam para saber quem produz o melhor modelo. As marcas são registradas, tanto que ninguém pode usar os termos Top-Sider (da SPERRY) e Dockside (da Sebago), que se refere aos mocassins impermeáveis como “boat shoes” (sapato para barco) ou “deck shoes” (sapato para o deque, ou seja, piso do barco).


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por algumas modificações, algumas delas radicais, ao longo de sua história. A primeira delas, apesar de manter o tradicional veleiro, principal ícone de identificação da marca, foi totalmente redesenhado, com o logotipo apresentando uma tipografia de letra mais moderna e refinada. Mais recentemente a identidade visual passou por uma profunda reformulação, que adotou uma nova tipografia de letra, reestilizou completamente o tradicional veleiro, excluiu a palavra TOP-SIDER e acrescentou a expressão “Since 1935”.


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Fundação: 1935 
● Fundador: Paul Sperry 
● Sede mundial: Lexington, Massachusetts, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Sperry Top-Sider, Inc. 
● Capital aberto: Não (subsidiária da Wolverine World Wide, Inc.) 
● CEO: Blake Krueger 
● Presidente: Craig L. Reingold 
● Faturamento: Não divulgado 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 40 
● Presença global: + 50 países 
● Presença no Brasil: Não 
● Segmento: Moda 
● Principais produtos: Calçados e acessórios 
● Concorrentes diretos: Sebago, Rockport, Timberland, Toms e UGG Australia 
● Ícones: O modelo Top-Sider 
● Slogan: A passion for the sea. 
● Website: www.sperry.com 

A marca no mundo 
Atualmente a marca SPERRY, mais conhecida por seus tradicionais Top-Sider, oferece inúmeros produtos que contemplam um estilo de vida náutico, como por exemplo, calçados casuais, sandálias, mochilas, relógios, óculos e uma pequena linha de roupas. Os produtos da marca americana são comercializados em mais de 50 países ao redor do mundo, com forte presença na América do Norte e Europa. Os produtos da marca são vendidos em lojas de departamento e grandes varejistas, assim como através de aproximadamente 40 lojas próprias nos Estados Unidos. 

Você sabia? 
O SPERRY Top-Sider faz parte do uniforme da Academia Naval Norte-Americana. 
A SPERRY patrocina e apóia instituições, atletas e competições ligadas a esportes e atividades náuticas, como por exemplo, a U.S. Sailing Association (Associação Americana de Vela). 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Isto é Dinheiro), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 15/5/2015

9.10.13

HOLLISTER


Você já ouvir falar na marca HOLLISTER? Se ainda não, basta perguntar para seus filhos, adolescentes ou qualquer jovem descolado, que você irá perceber a força desta marca americana. Representada pela silhueta de uma gaivota estilizada, suas roupas foram praticamente transformadas em uma espécie de uniforme por milhões de adolescentes no mundo inteiro. 

A história 
Tudo começou em meados dos anos de 1990 quando a tradicional Abercrombie & Fitch (conheça essa história aqui) identificou que havia espaço no mercado americano para a criação de uma segunda marca que vendesse roupas e acessórios com preços mais acessíveis e para um público mais jovem. Para diferenciar essa nova marca da Abercrombie, a empresa resolveu que as roupas e acessórios teriam um estilo jovem, aventureiro e um visual praiano do sul da Califórnia (conhecido em inglês como SoCal), como por exemplo, camisetas coloridas, jeans com cara de usado, bermudas, roupas de praia, moletons confortáveis e chinelos de dedo. Foi então que surgiu a HOLLISTER COMPANY, também conhecida como HCo. A nova marca, além da diferenciação de preço, foi posicionada tendo como público alvo os consumidores com idades entre 14 a 18 anos.
   

Mas não bastava apenas lançar uma nova marca no competitivo mercado americano. Era preciso utilizar uma estratégia de marketing diferenciada para criar um conceito e uma identidade. E para isso a empresa resolveu criar uma história, mesmo que fictícia, que contasse as origens da HOLLISTER (fato revelado e assumido somente em 2015). E a pseudo-história (chamada na comunicação de storytelling) para justificar sua criação tem início com o personagem John M. Hollister, um jovem aventureiro americano que passou a infância praticando esportes nas pacatas águas do Maine, e se formou na tradicional Universidade de Yale, que após renegar a vida “conservadora” herdada do pai, comprou um veleiro, viajou o mundo e, devido a sua paixão pelo Pacífico Sul, decidiu abrir em 1922 um pequeno negócio na bela praia californiana de Laguna Beach, que inicialmente vendia artesanato e bijuterias locais. John e sua mulher, Meta, tiveram três filhos. Um deles era o ex-surfista profissional John M. Hollister Jr., que ao assumir o pequeno negócio familiar em 1957, adicionou artigos e equipamentos de surfe, fazendo com que, em poucos anos a HOLLISTER se tornasse uma das mais populares marcas do estilo de vida no segmento de casual wear.
  

Com tudo isso minuciosamente arquitetado e uma história romantizada a HOLLISTER inaugurou em 27 de julho de 2000 sua primeira loja, localizada no Easton Town Center no centro da cidade de Columbus, estado de Ohio. O sucesso entre os adolescentes americanos foi quase imediato. Em 2001 a marca lançou suas primeiras fragrâncias no mercado. Em pouco mais de cinco anos, outras lojas da marca foram inauguradas em grandes e médias cidades americanas. Além disso, o sucesso da HOLLISTER entre os turistas fez com que a empresa iniciasse um forte plano de expansão internacional, inaugurando sua primeira unidade no exterior no mês de janeiro de 2006 na cidade de Toronto no Canadá. Foi a partir de 2007, após um investimento superior a US$ 10 milhões, que a marca iniciou a instalação de enormes telões imitando janelas que transmitiam imagens ao vivo da praia de Huntington Beach na Califórnia. Foi uma bem-sucedida tentativa de “encantar” o consumidor, presenteá-lo com uma narrativa bonita e ofertar um conto de fadas coerente com a experiência que a marca propunha.
   

Em 2008 a marca inaugurou sua primeira loja no continente europeu, localizada na cidade de Londres. Além disso, introduziu uma completa linha de produtos para o cuidado do corpo. Em 2009 a marca inaugurou em Nova York sua primeira loja âncora (chamada em inglês de flagship store), localizada no descolado bairro do SoHo, que mais parecia uma casa de praia: toda de madeira por dentro, meio escura, com várias poltronas onde era possível relaxar e observar com calma as “janelas” feitas de telas planas que mostram vários pontos da praia de Huntington Beach ao vivo. Essa loja tinha 6.000m² divididos em 4 andares mais o subsolo.
   

Nos anos seguintes a HOLLISTER inaugurou lojas em Roma, Milão, Berlim, Frankfurt, Hamburgo, Colônia, e depois nas cidades de Barcelona, Madri e Dublin. Em 2011 a marca inaugurou sua primeira unidade em Hong Kong e, no ano seguinte, na Coréia do Sul, ingressando assim oficialmente no enorme mercado asiático.
   

Em poucos anos no mercado a HOLLISTER conseguiu criar uma atmosfera única, descolada, voltado ao público jovem, estilo surfwear, atenta aos detalhes e diferenciada. Bastava entrar em sua loja de dois andares localizada na badalada 5ª Avenida em Nova York, inaugurada no final de 2010, para perceber isso. Dois rapazes bonitos e sarados, de bermudão de praia, óculos de sol e protetor solar, mesmo quando fazia frio na cidade, recepcionavam os clientes já na calçada. Ao invés de vitrines inúmeras televisões de alta definição interligadas formavam um paredão com incríveis imagens das parias californianas, com direito ao barulho das ondas. Mas era ao ingressar na loja que essas características ficavam mais nítidas: arquitetura em estilo vintage, com direito a pranchas de surfe, móveis de madeira e tapetes desgastados, um imenso telão perfeitamente encaixado entre os frisos de madeira imitando uma janela exibiam imagens, algumas ao vivo, da bela praia californiana de Huntington Beach, fazendo com que os clientes literalmente se sentissem exatamente lá. Além é claro, de vendedores malhados com shorts de praia e meninas de biquínis e saída de praia. A música alta (marca registrada do Grupo Abercrombie, da qual a marca faz parte) e as luzes baixinhas do interior da loja criavam ao mesmo tempo uma atmosfera intimista e descontraída. Uma fragrância agradável também completava a ambientação do local.
  

Até 2012, a HOLLISTER comandava o varejo americano de vestuário para adolescentes e chegou até mesmo a superar em popularidade sua marca mãe, a Abercrombie & Fitch. As escolas secundárias americanas estavam repletas de gaivotas. As vendas chegaram a superar US$ 2 bilhões. Eis que, a partir de 2013, as coisas começaram a desandar. Além da agressiva concorrência no setor, o então CEO da empresa, Mike Jeffries, se envolveu em diversas polêmicas. Por exemplo, afirmou que suas marcas, incluindo a HOLLISTER, não eram para ser vestidas por pessoas feias ou acima do peso. Não por acaso, suas lojas eram repletas de modelos ostentando suas barrigas chapadas. Isso, no entanto, criou diversas campanhas contra a marca, que acabou sofrendo rejeição de parte do público. No fim de 2014, com resultados financeiros insatisfatórios e pressão popular, Jeffries foi demitido e uma nova executiva assumiu.
  

Sob novo comando, a HOLLISTER foi reposicionada em 2016 como uma versão alegre e descontraída de sua antiga imagem elitista. Além disso, lojas foram fechadas, e outras ganharam um novo design. Modelos sarados e belas mulheres sumiram da comunicação da marca. Foi lançado também um novo programa de fidelidade e houve uma reformulação em suas roupas (se tornaram menos coloridas e chamativas), que provocaram um impacto tangível no desempenho da HOLLISTER. Camisetas modernas e jeans desgastados chegaram com tudo. A gaivota, que antigamente era um selo de aprovação dos jovens descolados, passou a ter papel bem menor em suas roupas e produtos. A marca passou a investir também em mercados emergentes, onde a HOLLISTER ainda tinha certa aura de exclusividade. Somente na China foram abertas 10 lojas. A HOLLISTER também relançou, em 2017, a Gilly Hicks (criada em 2008), marca de lingeries e roupas íntimas do grupo Abercrombie e Fitch. O resultado dessas inúmeras mudanças: em 2019 a HOLLISTER voltou a ganhar relevância em seu segmento. E apesar da crise vivida nesses últimos anos, a HOLLISTER continua sendo considerada um dos melhores exemplos de lifestyle bem aplicado no ambiente de varejo.
  

A evolução visual 
A identidade visual da marca passou por pequenas alterações ao longo dos anos. A tradicional silhueta de uma Seagull (gaivota) voando, ave geralmente associada ao litoral e ao conceito de liberdade, manteve sua forma e importância como principal símbolo da HOLLISTER. Assim como a cor marrom. A tipografia de letra foi levemente alterada (afinada) e a palavra Califórnia adicionada ao logotipo. Essa identidade visual também pode ser aplicada em outras cores (como azul-marinho) e sem a palavra Califórnia.
    

Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Lançamento: 27 de julho de 2000 
● Criador: Abercrombie & Fitch 
● Sede mundial: New Albany, Ohio, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Abercrombie & Fitch Co. 
● Capital aberto: Não (subsidiária) 
● CEO: Fran Horowitz 
● Faturamento: US$ 1.5 bilhões (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 500 
● Presença global: 22 países 
● Presença no Brasil: Não 
● Segmento: Moda casual 
● Principais produtos: Camisetas, camisas polo, bermudas, jeans, moletons, bonés, perfumes e bolsas 
● Concorrentes diretos: Aéropostale, American Eagle, GAP, Old Navy, Jack Wills e H&M 
● Ícones: Gaivota estilizada 
● Website: www.hollisterco.com 

A marca no mundo 
Atualmente a HOLLISTER, marca mais importante da Abercrombie & Fitch Co., possui aproximadamente 500 lojas em 22 países. Além de estar presente nos Estados Unidos (onde tem aproximadamente 350 lojas), a marca possui forte presença de mercado no Reino Unido, Alemanha, França, China e Canadá. O faturamento anual estimado da HOLLISTER é de aproximadamente US$ 1.5 bilhões. 

Você sabia? 
Durante anos a marca utilizou o slogan “Complete lifestyle brand for teens”
Hoje em dia a HOLLISTER está entre as cinco marcas de roupas preferidas pelos adolescentes americanos. 
Uma das poucas claras manifestações sobre a origem fictícia da marca é encontrada no perfume batizado de JAKE, lançado em 2005 e que faz uma homenagem e conta a história do “pseudo-fundador” John Hollister e seu filho. 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Isto é Dinheiro), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers). 

Última atualização em 31/3/2021

29.10.11

AÉROPOSTALE


É muito pouco improvável não ver alguém usando roupas da marca AÉROPOSTALE nas grandes cidades americanas. Com uma proposta que alia roupas e acessórios descolados a um preço bastante competitivo, a marca conquistou os adolescentes e jovens americanos com seu estilo despojado, se tornando uma das “vedetes” do segmento de moda casual nos Estados Unidos. Muito em virtude da ambientação e decoração de suas lojas, que são representadas com entusiasmo, modernidade e senso de aventura, criando uma atmosfera energética com móveis arrojados, sinalizações criativas, iluminação clara e música contagiante. 

A história 
Tudo começou no início da década de 1980 quando a tradicional rede de lojas de departamento Macy’s lançou a AÉROPOSTALE como uma marca própria de roupas e acessórios casuais, direcionada para o público masculino jovem. O nome, que em francês significa “correio aéreo”, foi inspirado em uma companhia aérea fundada em 1918, conhecida como Compagnie Générale Aéropostale e pioneira em realizar voos entre a França e a América do Sul. Em poucos anos as vendas da marca cresceram absurdamente, especialmente pela qualidade, variedade, visual e preço acessível. Em uma atitude ousada, a Macy’s resolveu “dar vida própria” para sua marca própria ao inaugurar no dia 14 de agosto de 1987 a primeira loja da AÉROPOSTALE na cidade de Nova York, que ampliou seu conceito e posicionamento vendendo roupas e acessórios para meninos e meninas de 14 a 17 anos. Era o tímido início de uma varejista que faria enorme sucesso no segmento de moda casual nos anos seguintes.


Com um visual “clean”, enorme variedade e peças totalmente usáveis em qualquer ocasião, a marca se destacou entre os adolescentes e jovens americanos. Nos anos seguintes outras lojas foram inauguradas em grandes cidades americanas, especialmente no estado da Califórnia. Em 1994, com a compra da Macy’s pela Federated Department Stores, a AÉROPOSTALE acabou sendo adquirida junto. Pouco depois, em 1998, a marca foi comprada por bancos de investimentos, entre os quais o Bear Stearns, por aproximadamente US$ 15 milhões. Nessa época, a AÉROPOSTALE possuía 119 lojas espalhados pelo país. Em 2002, como forma de levantar dinheiro para sua expansão a empresa abriu seu capital na Bolsa de Valores. Nesta época a AÉROPOSTALE possuía 273 lojas em 33 estados americanos. Com dinheiro em caixa, a empresa expandiu sua linha de produtos, como por exemplo, a introdução de uma linha de roupas íntimas, e inaugurou novas lojas em várias cidades americanas. Em 2005 a marca iniciou seu comércio eletrônico, criando mais um canal de venda para seus consumidores, e no ano seguinte, já atingia mais de 740 lojas em funcionamento.


A AÉROPOSTALE iniciou sua expansão internacional exatamente no dia 3 de agosto de 2007 com a inauguração de uma loja na cidade de London, província de Ontário no Canadá. O sucesso da marca em solo canadense foi tamanho que em pouco mais de três anos a rede atingiu 60 lojas em funcionamento. O passo seguinte foi a inauguração em 2008 de uma loja em Porto Rico. Pouco depois, em maio de 2009, estendeu suas operações ao Oriente Médio com a inauguração de uma loja em Dubai nos Emirados Árabes Unidos. Ainda em 2009, a empresa lançou a P.S. from AÉROPOSTALE, uma linha de roupas e acessórios para crianças entre 5 e 12 anos, cujas primeiras lojas foram inauguradas na área metropolitana de Nova York.


O ano de 2010 foi histórico para a marca. Isto por que a AÉROPOSTALE inaugurou sua mais emblemática, e também maior, loja até então, localizada em plena Times Square, no coração da Big Apple. A inspiração do espaço veio das próprias ruas, trazendo a essência da cidade para dentro da loja. Por isso o metrô foi utilizado para caracterizar o local. Uma entrada para a loja foi instalada na saída da estação que contempla a Times Square, direcionando o cliente com imagens típicas da cidade. Todo o espaço era dividido como se fossem “estações de compra” – cada setor era separado de modo a trazer ao visitante a sensação de estar em uma linha do metrô de NY. Imagens dos pontos turísticos da cidade garantiam que os visitantes ingressassem em uma viajem pela Big Apple, do subúrbio à estação de metrô até os bairros mais chiques. O ponto alto da loja, com certeza, era a varanda localizada no segundo andar, que tinha como vista a agitada Times Square.


No ano de 2011, a empresa anunciou a inauguração de lojas na Malásia, Cingapura e Indonésia. Tudo andava bem até que, em 2014, com dívidas no valor de US$ 390 milhões, a empresa entrou com um pedido de falência na corte especializada de Nova York. O plano de recuperação previa o fechamento de 150 lojas e a venda de ativos em 6 meses para redução dos prejuízos. Especialistas apontaram como causas o avanço das lojas online e o acirramento da competição com outras empresas do segmento fast-fashion, como por exemplo, Forever 21, H&M, Uniqlo e Zara. Em 2016 um grupo, liderado por empresas credoras administradoras dos espaços das lojas restantes, especialmente a Authentic Brands Group, arrematou por US$ 243 milhões os ativos da empresa, encerrando o plano de recuperação e realizando a reabertura de lojas antigas. Aos poucos a marca vem se recuperando, ampliando sua atuação no varejo e no comércio online e, hoje em dia, a AÉROPOSTALE oferece uma grande variedade de peças urbanas e descoladas que fazem a cabeça de um público jovem que busca na marca uma fonte de inspiração para seu dia-a-dia.


A evolução visual 
A identidade visual da marca passou pequenas alterações ao longo dos anos. Durante anos a marca foi reconhecida pelo seu logotipo em azul com um acento estilizado na palavra “aéro”. Em 2017, a marca remodelou sua identidade visual, que adquiriu uma tipografia de letra mais sofisticada.


Dados corporativos 
● Origem: Estados Unidos 
● Lançamento: 14 de agosto de 1987 
● Criador: R.H. Macy & Co. 
● Sede mundial: Lyndhurst, New Jersey, Estados Unidos 
● Proprietário da marca: Aero OpCo LLC 
● Capital aberto: Não (subsidiária da Authentic Brands Group LLC) 
● CEO: Marc Miller 
● Faturamento: US$ 1 bilhão (estimado) 
● Lucro: Não divulgado 
● Lojas: 850 
● Presença global: 20 países 
● Presença no Brasil: Não 
● Funcionários: 10.000 
● Segmento: Moda casual 
● Principais produtos: Camisetas, calças jeans, vestidos, jaquetas, pólos e bolsas 
● Concorrentes diretos: Abercrombie & Fitch, Holister, Old Navy, GAP, Urban Outfitters e American Eagle 
● Slogan: Aéropostale. Clothes gone global. 
● Website: www.aeropostale.com 

A marca no mundo 
Hoje em dia a AÉROPOSTALE, uma das principais marcas de moda casual do mercado americano, possui mais de 500 lojas localizadas nos Estados Unidos e Porto Rico, e por meio de parcerias de licenciamento, mais de 350 unidades são operadas internacionalmente em países como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Arábia Saudita, Omã, Kuwait, Qatar, Índia, Egito, Grécia, Turquia, Filipinas, México, Panamá, Guatemala e Chile. Além disso, a empresa possui pontos-de-venda em sofisticadas lojas de departamento. Com um rigoroso processo de controle de qualidade em todos os seus produtos, que vão desde calças jeans até acessórios como bonés, meias e inclusive uma linha de roupas íntimas, a marca fatura anualmente estimados US$ 1 bilhão. 

Você sabia? 
A marca utiliza em muitos de seus produtos as iniciais A87 que significa: A de AÉROPOSTALE e 87, os dois últimos dígitos do ano em que a empresa inaugurou sua primeira loja própria (considerada oficialmente sua data de fundação). 


As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand) e Wikipedia (informações devidamente checadas). 

Última atualização em 13/8/2019